TV 3D, enfim, está morta!

TV-3DQuem afirma é o respeitado site americano CNET: a TV 3D, como a conhecemos, foi declarada morta na última CES, quando os dois principais fabricantes (LG e Samsung) anunciaram que não darão mais suporte ao formato. Como se fosse novidade… Há tempos que ninguém mais sequer menciona o recurso nos materiais de divulgação dos TVs, e os tais óculos só deverão ter espaço, agora, como peças de museu.

É curioso lembrar o interesse que o 3D despertou há cerca de oito anos, quando foi relançado, primeiro nos cinemas, depois em DVD e Blu-ray. Vejam este post publicado aqui no início de 2008, antes da moda pegar. Lembram-se do furor causado por Avatar, aquela superprodução de James Cameron, o maior entusiasta de todos, que anunciava o 3D como “o futuro do cinema”? É até hoje a maior bilheteria do cinema mundial, e muito de sua fama deve-se ao fato de ter sido o primeiro filme totalmente rodado em 3D.

Pouco depois, publicamos este outro post, levantando dúvidas sobre as perspectivas do 3D – dúvidas essas compartilhadas por milhares de especialistas. Mas foram centenas de lançamentos, até que a partir de 2013 os fabricantes foram pouco a pouco se retirando desse nicho. O “fim” então começou a ser admitido, como mostramos neste outro comentário. Interessante observar que a maioria dos links que nos serviam de base simplesmente não existem mais…

Um repórter do mesmo site CNET comentou eufórico uma demonstração do filme Star Wars: O Despertar da Força em 3D com novo TV LG 4K OLED na última CES, lamentando que a empresa tenha confirmado que essa seria sua última linha de TVs da categoria. Segundo ele, é uma decisão errada, justamente agora que a qualidade das imagens está ficando melhor…

Mas a maioria dos consumidores certamente concorda com o fim dessa ilusão.

“Janela” dos filmes pode ser reduzida

Provavelmente ainda demora para chegar aqui, mas nos EUA estão caminhando as negociações para mudar uma das regras mais sagradas da indústria do entretenimento. Executivos da Warner e da Universal conversam com redes de exibidores para diminuir a chamada “janela”, tempo em que um filme permanece sendo mostrado apenas nos cinemas, antes de ser lançado em vídeo. Segundo a agência de notícias Bloomberg, a queda irreversível nas vendas de DVDs – que até alguns anos atrás representavam a maior receita para os estúdios – é que está provocando a mudança. E a renda com downloads e streaming está longe de compensar essas perdas.

A ideia seria oferecer ao consumidor de filmes mais opções para decidir como quer assisti-los. Atualmente, durante três meses (em média) um sucesso de Hollywood só pode ser visto nos cinemas das grandes cidades; esse prazo já chegou a ser de seis meses! As maiores redes exibidoras naturalmente resistem. Cinemark e Regal, cada uma com mais de 4 mil salas nos EUA (a primeira é líder também no Brasil), já boicotaram a Paramount por ter lançado filmes em vídeo com apenas dois meses de janela.

Mas, como lembra o site Digital Trends, a realidade tende a se impor. Cada vez mais gente prefere ver seus filmes na tela pequena, e não na grande.

Dolby Atmos, também nas soundbars

soundbarComo já aconteceu no passado com o estéreo e o surround, o mais recente padrão de processamento Dolby (Atmos) aos poucos vai conquistando mais segmentos no mercado. Na CES 2017, confirmou-se o que muitos especialistas já previam: estão chegando as soundbars com esse processador, que amplia em muito a percepção de envolvimento sonoro. Já comentamos aqui e aqui sobre o tema, e fizemos vários testes com produtos Dolby Atmos, e será interessante analisar os simuladores embutidos nessas caixas compactas.

Apenas para citar as empresas mais conhecidas: Sony, LG, Samsung, Pioneer, Onkyo e Yamaha demonstraram soundbars Atmos na CES, sendo que as duas últimas renovam de tempos e tempos suas linhas de receivers com esse recurso. Prova de que a Dolby realmente continua sendo referência em processamento de áudio. Para quem não conhece, este vídeo é bem interessante. E há detalhes atualizados neste link.

Uma surpresa: a Lenovo, hoje maior fabricante mundial de computadores, anunciou parceria com a Dolby para lançar os primeiros PCs Atmos, começando com um modelo dedicado a jogos (Legion Y720). Com isso, os games poderão ouvir seus personagens e efeitos sonoros literalmente pelas paredes.

Preparando a cama para Trump

trumpA uma semana da posse do novo presidente americano, ainda há quem duvide que sua eleição tenha mesmo acontecido. Como já vemos no Brasil desde 2014, os EUA são hoje um país dividido – e o mundo parece caminhar para a mesma separação, entre inimigos e/ou temerosos de Trump e seus apoiadores e/ou aqueles que não o levam a sério nem vêm o menor problema em suas ameaças.

Falando especificamente de tecnologia: na semana passada, Tim Culpan, o correspondente da agência Bloomberg em Taiwan, publicou uma nota curiosa sobre uma dessas ameaças: a de obrigar empresas americanas a fabricar seus produtos no próprio país. O texto é escrito como se o autor fosse ninguém menos do que Terry Gou, o chamado “rei do iPhone”, dono da Foxconn (e agora também da Sharp), principal montadora dos produtos Apple. Já comentamos sobre ele aqui, aqui e aqui.

O artigo – que também cita o Brasil – é tão cômico (aqui está o original) que vale a pena repassar alguns trechos:

“Caro Mr. Trump, você não me conhece, mas eu sou Terry Gou, o homem que produz seu iPhone. Sua vitória me fez pensar em me candidatar. Da próxima vez que você conversar com o presidente de Taiwan, talvez seja eu do outro lado da linha.

“Temos muito em comum, você e eu. Ambos somos bilionários (embora eu seja mais rico), gostamos de construir coisas, somos casados com mulheres lindas, e ambos odiamos Wall Street. Sei que você vem prometendo criar um monte de empregos, por isso quero lhe dar alguns conselhos. Primeiro, você na verdade não precisa criar nenhum emprego, precisa apenas fazer as pessoas pensarem que irá criá-los. Tenho certeza que sabe como fazê-lo.

“Posso ajudá-lo, aliás. Se olhar para países como Brasil, Indonésia, Índia e meia dúzia de províncias chinesas, verá que meu trabalho fala por si. Não produzi lá nem um simples iPhone, e nunca o farei. Mesmo assim, eles passaram a acreditar que eu investiria US$ 10 bilhões numa fábrica de iPhones. Não tenho culpa se algum político mal intencionado engana a mídia.

“Ouvi dizer que você quer obrigar a Apple a fabricar coisas nos EUA. Sabe, Tim Cook (N.R.: presidente da Apple) não fabrica nada, eu sim. Na verdade, tive US$ 75 bilhões de faturamento com eles no ano passado.

“Eu sou um fazedor, mr. Trump. Eu faço as coisas acontecerem. Quando a Apple me pediu para produzir iPhones no Brasil para driblar as tarifas de importação, eu fiz. Não criei muitos empregos, apenas exportei iPhones pré-fabricados para eles montarem lá, como se fosse Lego. Mas fiz o que pediram. Tanto Apple quanto os políticos brasileiros ficaram felizes. E quem você acha que pagou por isso? Não fui eu.

“Se você quiser que eu monte iPhones nos EUA, posso fazer. Posso até produzir uma linha de montagem numa de suas Trump Towers, se você quiser, só que os custos serão aaaaaltos! Tenho que pagar minhas despesas: fábricas, trabalhadores, transporte. Sabe, eu não fabrico na China só porque é mais barato, mas porque lá estão milhares de fornecedores e mais de 1 milhão de pessoas que emprego.

“Posso instalar mais robôs nos EUA, claro, mas vai demorar meses para treiná-los, quando um humano pode ser treinado em poucas horas. Além disso, mais robôs significam menos empregos. Aumentar suas tarifas de importação não vai adiantar muito, mas me dê algumas isenções de impostos, subsídios para contratar trabalhadores, energia barata e terra grátis. Tenho certeza de que poderemos chegar a um acordo. Me diga quais os números que você quer tuitar e terá todo o meu apoio.

“Mas, lembre-se: como aquele muro que você está pensando em construir, alguém terá de pagar a conta. E não serei eu, isso eu lhe garanto.

“Felicidades, Terry Gou, Chairman, Foxconn Technology Group”.

TV na parede, com apenas 2,5mm de espessura

LG OLED novo cópiaA maioria dos relatos sobre a CES 2017 mostra que a nova linha de TVs OLED W, da LG, foi campeã em elogios. Ganhou quase todos os prêmios “best of show” concedidos por publicações especializadas. Não à toa, leva o apelido wallpaper: com incríveis 2,5mm de espessura (vejam no detalhe abaixo), pode ser praticamente “colado” na parede. A qualidade de imagem é a mesma dos demais OLEDs que já se conhece, cujos níveis de contraste são imbatíveis. O modelo de 65 polegadas (haverá outro, de 75″, em breve) – compatível com imagens 4K HDR10 e Dolby Vision – foi colocado em pré-venda na Best Buy por US$ 8.000. Ainda não há previsão de lançamento no Brasil.

detalhe OLED

 

O que mais chama atenção nesse produto é a forma minimalista de montagem na parede. São apenas dois pontos de suporte na parte superior do painel traseiro e dois magnetos embaixo; todos os conectores (HDMI, USB, Ethernet e coaxial) ficam à parte, numa soundbar que acompanha o TV e que funciona como hub. Um pequeno cabo do tipo fita (ribbon) é ligado entre a caixa e o TV, uma solução simples e prática. Por isso mesmo, a LG não está produzindo suportes de mesa ou de piso para os TVs W, que foram desenhados exclusivamente para paredes.

Único probleminha: o tal cabo ribbon também transporta sinal de força e, portanto, precisa ser homologado pelas autoridades da área de energia elétrica, como descobriu o site CE Pro (a LG não tinha avisado). Uma instalação correta na parede vai exigir a presença de um profissional especializado, a menos que o feliz proprietário não se importe em deixar o cabo aparecendo…

Smart Home: moda ou tendência?

Story_Image_Smart_Home.0.0.0Vários estudos têm sido divulgados nos últimos meses sobre o segmento de casas conectadas. Novos produtos surgem a todo momento, inclusive nas redes de varejo, a custo mais acessível, permitindo que mais pessoas os conheçam e experimentem. No entanto, algumas pesquisas apontam que, mesmo no mercado americano, ainda há muitas dúvidas entre os consumidores sobre o conceito smart home e os benefícios que proporciona.

No Brasil, a crise econômica compromete qualquer tipo de análise de médio prazo. Quando a prioridade passa a ser preço, todos os outros fatores envolvidos numa compra desse tipo ficam prejudicados. Um bom exemplo está na iluminação por leds. É consenso que esses dispositivos são mais eficientes, confiáveis e duram mais. Só que, na loja, ao constatar que as lâmpadas tradicionais custam quatro ou cinco vezes menos, o comprador deixa de lado esses atrativos.

No mundo da tecnologia, cada vez fica mais claro que a integração entre os aparelhos é um caminho sem volta. Facilita a vida do consumidor, potencialmente reduz o desperdício e o consumo de energia, e simplifica também os processos de produção, resultando em custos mais baixos. Apesar de todo o alarde em torno da Internet das Coisas (IoT), que ainda é uma solução incipiente (há sérias questões de segurança e confiabilidade na maioria dos produtos), é fato que essa será a grande revolução tecnológica nos próximos anos.

Para ilustrar, repasso aqui um gráfico produzido pela consultoria americana McKinsey, com o sugestivo título There’s No Place Like (a Connected) Home – tradução: “Não existe lugar como uma casa (conectada)”. Eles entrevistaram cerca de 3 mil famílias para verificar até que ponto o conceito smart home está sendo compreendido e quais as dificuldades para sua adoção. Vale a pena conferir a produção em formato gif (vejam o link), mas destaco alguns tópicos:

“Muitos consumidores ainda não entendem o valor dos produtos conectados, e mesmo os early adopters (que já compraram) vêm tendo experiências às vezes frustrantes.

“As áreas da casa onde recursos smart estão sendo mais usados são: eficiência energética, entretenimento, controle de acesso, segurança, conectividade e agendamento de tarefas.

“Recursos como controle por voz e inteligência artificial, em que os aparelhos ‘aprendem’ as rotinas da casa, são muito bem-vindos pelos usuários.

“O número de casas conectadas nos EUA, que era de 17 milhões em 2015, subiu para 22 milhões no ano passado e deve chegar neste a 29 milhões.

“O usuário médio de dispositivos smart enfrenta dificuldade para conectá-los, pois as interfaces são complexas, e isso acaba levando-o a desistir.

“Boa parte das marcas não consegue se diferenciar perante o usuário, o que resulta em margens muito baixas para estimular novos investimentos. E estes precisam ser maiores na comunicação com o público para explicar os benefícios dos produtos”.

Sobre o mesmo assunto, recomendo estas leituras:

Integradores: como superar a crise?

Hiperconvergência, um novo conceito nas empresas

Automação: quem sabe o que é?

Cuidado para não ser engolido

Como ter em casa uma rede à prova de futuro

Governos contra as redes sociais

linkedin

 

 

Há quem se queixe das redes sociais, especialmente o Facebook, pela quantidade incrível de bobagens que espalham. O case das fake newsque já comentamos aqui – é o episódio mais recente, mas quase todo dia um “especialista” aparece para criticar a forma como as pessoas utilizam essas ferramentas. O que só vem comprovar algo que Aristóteles já sabia: o ser humano é mesmo um bicho complicado, seja por meios analógicos ou digitais.

Bem diferente, no entanto, é a atitude de certos governos, de querer controlar as redes. No Brasil, isso acontece com razoável frequência, quando se vê um juiz determinando a suspensão do serviço por um ou dois dias. Quem usa WhatsApp sabe bem o que isso significa. Para sorte dos brasileiros, a atitude não é (ou ainda não foi) encampada pelo poder executivo. Não deve ser por falta de vontade, mas melhor assim.

Vejam o que acaba de acontecer na Rússia: o órgão federal responsável pelas comunicações simplesmente proibiu a continuidade do Linked In, a rede de contatos profissionais que tem servido, entre outras coisas, para as pessoas se recolocarem no mercado. Este site conta parte da história. O camarada Putin exige que toda empresa de tecnologia mantenha no país banco de dados de seus usuários, permitindo que o governo russo acesse quando quiser. Lá, isso é lei. O Linked In, hoje pertencente à Microsoft, se recusou.

Aconteceu o mesmo com outros cerca de 1.200 sites, muitos deles (mas nem todos) dedicados à pornografia. O Russian Prosecution Service, pelo visto uma versão atualizada da KGB, foi quem divulgou os dados (detalhes aqui), provocando a esperada reação de entidades que defendem a liberdade digital e os direitos humanos. Sendo a Rússia um dos países que mais perseguem opositores do governo, nada há para se estranhar.

Eletrônicos devem crescer mais em 2017

Apesar da incerteza provocada pela eleição de Donald Trump, e não é para menos, a CTA (Consumer Technology Association), que reúne as maiores empresas do setor, divulgou durante a CES seu relatório anual sobre as perspectivas da indústria eletrônica. O conteúdo do Consumer Technology Sales and Forecasts (aqui, no original) é baseado quase que totalmente no comportamento do consumidor americano, mas serve de referência para o mercado global, exceção feita à China.

Itens como TVs 4K, smartphones e os chamados DPAs (assistentes pessoais digitais) são apontados como principais responsáveis pelo crescimento nas vendas de eletrônicos. A CTA coloca ênfase particular no que chama de “tecnologias emergentes”, uma gama que inclui todos os produtos para smart homes: sensores, alarmes, detectores, fechaduras, cortinas, dimmers, termostatos. Trata-se de um mercado estimado em 29 milhões de unidades vendidas em 2017 (63% mais do que em 2016).

DPAs e tudo que se refere a IoT (Internet das Coisas) crescerão 52%, enquanto os TVs 4K – que em três anos venderam 18,6 milhões de unidades – terão expansão de 51% (15,6 milhões de aparelhos ao longo deste ano). Há ainda os gadgets, como óculos VR, que até agora somavam 1,5 milhão de unidades e devem chegar a 2,5 milhões; os drones de uso doméstico – pela lei americana, são assim considerados os modelos que pesam até 250 gramas -, que chegarão a 2 milhões até dezembro; e os wearables, incluindo relógios de pulso, medidores de corrida etc.

Mas o relatório da CTA mostra também que o grosso do faturamento da indústria eletrônica continuará vindo dos produtos tradicionais. Cinco deles responderão por 48% das vendas este ano. Vejam:

Smartphones – 185 milhões de unidades, US$ 55.6 bilhões em vendas;

TVs – 39 milhões de aparelhos, resultando em receitas de US$ 17,8 bilhões (não inclui 4K);

Tablets – 59 milhões e US$ 16 bi, respectivamente (as vendas começaram a cair em 2016);

Laptops – Estabilizam em 27 milhões, equivalentes a US$ 15,6 bilhões;

Desktops – Continua a tendência de queda: 6,7 milhões e US$ 3,9 bilhões em 2017.

Netflix, iTunes, Spotify: mais um imposto

Quem paga assinatura de sites de notícias, provedores de internet, serviços de streaming, monitoramento ou quem compra músicas e filmes online deve ficar atento: a partir deste mês de janeiro, as prefeitura estão autorizadas a cobrar ISS sobre uma série de atividades que ainda estavam isentas. O “avanço” foi determinado pelo Congresso em dezembro e, embora possa ser vetado pelo presidente da República, poucos acreditam que isso aconteça.

Na verdade, o projeto de lei que atende pelo nome de SCD 15/15 não impõe a cobrança; simplesmente autoriza os municípios a arrecadar de 2% a 5% na prestação de serviços como processamento de dados, vigilância e venda ou locação de conteúdos de áudio, vídeo e texto por mídias digitais. Só ficou fora a TV por assinatura, que já é taxada. Mas estão dentro Netflix, Google, Spotify, iTunes e todos os similares.

A cobrança passa então a ser local, de acordo com a cidade onde vive o usuário. Como a maioria das prefeituras está quebrada, dificilmente algum prefeito irá perder essa oportunidade.

Fizeram a nova jabuticaba sob a justificativa de colocar ordem no mercado de internet. Para quem não sabia (eu, por exemplo), existe há tempos no Brasil uma lei regulamentando o ISSQN (Impostos sobre Serviços de Qualquer Natureza), que – como indica o próprio nome – pode servir para tudo. Faltavam os serviços de vídeo digital; agora não faltam mais.

Pura nobreza em vinil

mark-levinson-no515-ces-renderingEsta é para os que continuam amando a música analógica, que o poeta Paul Simon cantou como still crazy after all these years. A Mark Levinson, uma das marcas nobres do áudio, aproveitou a CES 2017 para anunciar o lançamento de seu primeiro player de vinil. Embora já comemorando 45 anos de existência, a empresa – pertencente ao grupo Harman, recentemente adquirido pela Samsung – até hoje focou em amplificadores e prés, tendo lançado alguns que se tornaram referência no segmento high-end. O toca-discos No.515, exibido numa sala reservada do Hotel Venetian em Las Vegas, apresenta detalhes de construção que certamente farão vibrar os audiófilos, como o chassi em sanduíche de alumínio com MDF acabado em vinil; os pés em polímero antivibração; prato e braço feitos de aço, com ajuste vertical on-the-fly, para maior estabilidade. E por aí vai.

Mais detalhes estão no site oficial da Harman. Não se assustem com o preço sugerido: US$ 10.000. É isso mesmo!

Por trás dos pontos quânticos

qledAos poucos, vamos revelando mais detalhes sobre os produtos exibidos na CES 2017, que aconteceu semana passada. Como se sabe, o evento atrai para Las Vegas uma enorme quantidade de jornalistas (atualmente, muito mais blogueiros) dedicados à tecnologia. E as empresas sabem que, estando presentes, ganharão um espaço na mídia que jamais alcançariam por outros meios.

Por isso, sempre vale a recomendação: nem tudo que se publica sobre a CES significa “lançamento”, embora a maior parte dos sites e blogs não deixem isso claro. Existem inúmeros balões de ensaio, ou mesmo protótipos, que as empresas exibem apenas para testar as reações e depois abandonam. E, nesse ponto, são valiosíssimas as opiniões de especialistas que dão consultoria à indústria e frequentemente divulgam suas impressões.

Um deles é Ken Werner, “fera” no segmento de displays. É interessante analisar suas observações, por exemplo, sobre a disputa entre as duas atuais tecnologias para produção de TVs: LED e OLED. Embora já tenhamos comentado o tema aqui à exaustão (vejam este post, de dois anos atrás), sempre há o que aprender com técnicos como Werner. Tomo a liberdade de uma tradução livre de artigo recente que ele publicou no site Display Daily:

“A denominação adotada pela Samsung para sua nova linha de TVs (QLED) certamente irá causar mais confusão junto ao público. A empresa já fez isso no passado, quando chamou seus TVs LCD de “LED TVs”; até hoje há pessoas acreditando que se trata de duas coisas diferentes.

“Só para deixar mais claro: a arquitetura dominante até então era um painel LCD iluminado internamente por lâmpadas fluorescentes (CCFL); a Samsung decidiu substituí-las por leds, só que montados numa das bordas (Edge-lit), algo que já era usado em laptops, mas não em TVs grandes. Continuavam sendo LCDs, e a qualidade de imagem não era necessariamente melhor que nos displays tradicionais. Mas os leds permitiram construir painéis mais finos, e a Samsung criou uma campanha de marketing para convencer as pessoas de que estes eram TVs “premium”.

“Como distinguir entre os dois tipos de aparelho? Lembrem-se que na época a própria Samsung ainda fabricava TVs de plasma… A solução de marketing foi brilhante: chamar os novos simplesmente de “LED TVs” (sem mencionar que eram LCDs). Funcionou, e a Samsung tomou conta do mercado.

“A mesma Samsung vem produzindo excelentes TVs de LED 4K chamados “SUHD”, que utilizam painéis Quantum Dots (QD), ou seja, de pontos quânticos. Só que o nome SUHD causa nova confusão entre usuários e até revendedores. Em 2016, a Samsung adquiriu a empresa responsável pela criação desses novos painéis, a QD Vision, que detinha a patente chamada “QLED”.

“Esses painéis têm estrutura semelhante à dos OLEDs, só que em vez de leds orgânicos os QLEDs utilizam leds convencionais. E continuam necessitando de backlight. Os produtos demonstrados na CES 2017 foram muito bons, mas será que são mesmo melhores que os OLED? Teremos que aguardar para saber a resposta”.

Outras opiniões de Werner podem ser vistas no site de sua empresa, a Nutmeg Consultants. Acrescento apenas que a Samsung faz críticas aos TVs OLED – defendidos principalmente por sua rival LG – com base no fato de que o desempenho dos leds orgânicos se deteriora com o uso contínuo. Como se trata de uma tecnologia recente, ainda não foi possível verificar isso na prática. Mas os QLED terão de passar pelo mesmo teste do tempo.

Está chegando o HDMI 2.1

Antes do que se esperava, acaba de ser divulgada a atualização do padrão de conectores HDMI. Se a mudança da versão 1.4 para 2.0 foi considerada “uma revolução” (vejam como foi), esta agora não deve chegar a tanto. Mas antecipa alguns bons passos. A nova especificação (HDMI 2.1), oficializada esta semana pelo HDMI Forum, vai muito além das necessidades da resolução Ultra HD e do processamento HDR, já comentados aqui. Oferece nada menos do que 48 Gigabits na transferência dos sinais, quase três vezes mais que a versão atual (18GB).

Essa capacidade é compatível com sinais 8K60, que na prática ainda não existem nas redes (o Japão está fazendo as primeiras experiências). A denominação “8K60” se refere à resolução, 16 vezes mais alta que a atual Full HD, e à frequência de leitura do sinal (60Hz). Segundo o HDMI Forum, será possível agora trabalhar também com sinal 4K120: resolução Ultra HD e frequência de 120Hz.

Muita siglas e números para memorizar? Sim, essa é a essência da indústria eletrônica, com suas periódicas atualizações. Se vai emplacar ou não, é outra história. Muitas regiões do mundo ainda lutam para implantar HD, como estamos vendo na novela da transição brasileira da TV analógica para a digital (vejam aqui). Mesmo profissionais experientes nem se acostumaram ao uso de 4K, e agora terão de correr atrás do 8K…

Para registro, eis os cinco principais mandamentos do HDMI 2.1:

*Resolução e frequência mais altas, para reproduzir inclusive imagens em movimento com maior eficácia;

*Processamento HDR em todo o trajeto do sinal, correspondendo a níveis mais altos de brilho, contraste, saturação de cores e detalhamento;

*Cabos e conectores compatíveis com material transmitido nas versões anteriores 1.4 e 2.0;

*Capacidade de processamento de áudio baseado em objetos, como Dolby Atmos, DTS-X e similares;

*Modos variáveis de renovação de tela (refresh rate), tendo em vista o segmento de games de alta resolução e suas necessidades de imagens fluidas e com níveis mais controlados de lag (tempo entre o acionamento no controle, ou joystick, e a visualização).

Os detalhes completos da nova especificação podem ser acessados aqui, em inglês. Fiquem ligados para as traduções que publicaremos nas próximas semanas.

Ano Novo, CES e o que vem por aí

mercedes-benz-31Amigos e leitores, cá estamos de volta após a parada regulamentar do final de ano. A esperança é que 2017 seja melhor, bem melhor, que seu antecessor. Vamos torcer (e trabalhar) para isso, desejando o melhor a todos.

Como todos os anos, esta primeira semana do ano é também a semana da CES, que acontece em Las Vegas. Desta vez, estamos acompanhando o evento à distância; lá está nosso bravo Julio Cohen, que nos envia notícias direto dos estandes. Pelo que se tem visto, o grande assunto do evento é a realidade virtual (VR), com seus já famosos óculos 3D que acessam imagens em 360 graus e trazem alto-falantes expandindo o envolvimento sonoro. A badalação em torno dessa tecnologia é enorme; só falta ver como as empresas – e falamos de gigantes como Google, Samsung, Intel, Microsoft – irão transformá-la num mercado de verdade.

Outro tema onipresente na CES 2017 é o áudio sem fio. Caixas acústicas Bluetooth já conseguem reproduzir som de boa qualidade (OK, nem tão boa assim…) em qualquer ambiente onde estejam. Aparentemente, pode-se levá-las até a uma ilha deserta. E já são mais de 300 marcas!!!

Na área de TVs, repete-se a disputa entre LED e OLED para conquistar a atenção da mídia e dos visitantes da CES. De um lado, a LG – hoje dominante no campo dos painéis orgânicos – ganha a companhia das japonesas Sony e Panasonic. Ambas demonstram em Las Vegas protótipos de displays OLED que propõem uma espécie de simbiose entre som e imagem (detalhes, aqui). Curiosidade: as duas empresas têm acordos com a própria LG para fornecimento dos painéis. Ou seja, no fundo é tudo uma coisa só.

De seu lado, a Samsung reafirma que não aposta na tecnologia orgânica e apresenta grande variedade de TVs LED-LCD, adotando oficialmente a marca “QLED”. São os tais pontos quânticos (QD, ou Quantum Dots), nanopartículas que permitem extrair o máximo de cada pixel, em termos de cores. A inovação é da empresa americana QD Vision (atual Color IQ), adquirida recentemente pela Samsung.

Vamos analisar melhor essas novidades nos próximos dias.

Apple agora muda o mercado de cinema

Várias fontes indicam que está para acontecer uma pequena revolução no mundo do cinema. Em discussão, a chamada “janela” entre o lançamento dos filmes nos cinemas, vídeo, TV e internet. Durante décadas, prevaleceu a ideia de que era preciso atingir o máximo de bilheteria antes que as pessoas pudessem ver os filmes em casa. Era assim na época do VHS e, depois, do DVD. Na maioria dos casos, um filme só chegava ao mercado de vídeo pelo menos seis meses após o lançamento nos cinemas. Com isso, os estúdios faturavam duas ou três vezes mais. Só que a internet virou esse mercado de cabeça para baixo.

Na semana passada, foram reveladas negociações entre a Apple e alguns dos maiores estúdios de cinema. Fox, Warner e Universal agora admitem reduzir (ou até eliminar) as janelas para permitir o lançamento dos filmes no iTunes. Segundo a agência de notícias Bloomberg, a empresa fundada por Steve Jobs apressou as conversas para não dar espaço a concorrentes como Google, Amazon e Netflix, que não por acaso tiveram a mesma ideia. A proposta é reduzir a janela dos atuais 90 dias para duas semanas, cobrando um valor extra pelo streaming.

Basicamente, é o modelo de sucesso criado pela própria Apple para o segmento de música, mas que os estúdios de cinema nunca aceitaram. No entanto, em todo o mundo as receitas das redes exibidoras vêm caindo continuamente, como mostra este outro site. E há ameaças no ar. Meses atrás, Sean Parker, um dos gênios fundadores do Napster, anunciou a criação de um serviço de VoD chamado Screening Room, no qual os usuários poderiam assistir aos filmes em casa no mesmo dia da estreia nos cinemas. No mesmo dia!!!

Numa época em que aplicativos e serviços online tomam conta dos negócios, é bom não arriscar.

Aplicativo para controlar os políticos

No emaranhado político-policial brasileiro, fica cada vez mais claro que a participação dos cidadãos de bem é fundamental. Sem ela, como já diziam os filósofos gregos, os governantes e os poderosos em geral não vêem limites para sua delinquência. E a tecnologia está para dar uma força. Dificilmente teríamos a faxina de hoje se não fossem a internet e as redes sociais.

Agora, por exemplo, existe um aplicativo que permite acompanhar melhor – e, portanto, fiscalizar – as votações das leis no Congresso, assembleias e câmaras municipais, o andamentos das obras públicas, seus financiamentos e repasses. Chama-se Govern e foi criado pela empresa brasileira Leapps, especializada em serviços digitais. Foi criado há alguns meses, ganhou força na época das eleições e  agora, por motivos óbvios, está conquistando mais adeptos.

É um primeiro passo. Que venham outros.

Atualizando: sobre o mesmo assunto, comentamos neste link a polêmica sobre as chamadas fake news (“notícias falsas”) que vêm circulando pelas redes sociais.

Supermercado do futuro já está aí

Consagrada por sua loja online que levou à falência milhares de estabelecimentos mundo afora, a Amazon acaba de inaugurar uma… sim, uma loja física. Fica em Seattle, e para quem não pode ir até lá agora este vídeo é uma boa ilustração. A Amazon Go é uma grocery (vende apenas alimentos, por enquanto). Seus idealizadores, após quatro anos de pesquisas, imaginam que serão assim os supermercados no futuro – e talvez não demore muito. Não há filas. Ninguém precisa passar no “caixa” para pagar as compras. Usa-se o conceito que a própria Amazon inventou lá no século passado (1996) e que hoje é copiado pelo Uber, Netflix e os negócios mais bem sucedidos do e-commerce mundial.

Na Amazon Go, o consumidor pega os produtos que quiser e vai embora, sem que nenhum funcionário se importe. Basta que tenha uma conta aberta previamente no site, com o respectivo número do cartão de crédito. Passando o pacote pelo smartphone já cadastrado, pronto: está registrada a compra.

Por enquanto, em fase beta, somente funcionários da Amazon (que tem sede na mesma cidade) podem utilizar. Mas o plano é abrir ao público no início de 2017. Logo virão outras, por todo o país, vendendo de tudo no mesmo sistema. Adeus, filas no caixa.

Filmes offline, uma “nova” opção

Lembram-se de quando fazíamos downloads? Parece que foi há séculos… Com todo mundo conectado o tempo todo, o hábito de “baixar” filmes, séries e músicas acabou ficando em segundo plano. Parece que houve uma opção natural pelo streaming, que não exige aqueles zilhões de megabytes armazenados aqui e ali. Pois a Netflix acaba de lançar seu serviço de, isso mesmo, downloads. É gratuito (para quem é assinante, claro), e já oferece séries badaladas – como Narcos e Stranger Things – para assistir em qualquer dispositivo móvel offline, ou seja, mesmo quando não está conectado à internet.

Gratuito? Claro, nada é gratuito. Você vai precisar de uma boa conexão de banda larga, além de um bom tablet ou smartphone (iOS 8.0 ou Android 4.4.2). Um episódio de 60 minutos irá consumir cerca de 280MB em definição standard (440MB em HD). Só é possível baixar através do aplicativo, sem possibilidade de copiar os conteúdos de um aparelho para outro. E cada filme ou série tem um prazo-limite para ser assistido.

Mais do que nunca, a Netflix busca fidelizar seus assinantes, num momento em que surgem concorrentes por todo lado, inclusive a própria televisão. Vamos ver como os assinantes reagem.

Semp Toshiba dá lugar à Semp TCL

tclTerminou em agosto uma das mais longas parcerias entre empresas de países diferentes na indústria eletrônica: a brasileira Semp e a japonesa Toshiba se separaram, após esta decidir que não pretende mais investir no segmento de TVs (continua sendo gigante em outros setores). Não foi uma surpresa para a Semp, indústria familiar fundada em 1942 e que havia se unido aos japoneses em 1977. Logo em seguida, anunciou seu novo parceiro: o grupo chinês TCL, também gigante na produção de painéis de TV.

Estivemos na semana passada na sede da empresa, em Cajamar (SP), para entre outras coisas conhecer os primeiros produtos resultantes desse acordo. A partir de agora, o consumidor irá encontrar TVs de três marcas pertencentes ao grupo: Semp, TCL e Toshiba (a Semp manteve o direito de uso da marca no país). Alguns modelos já estão nas lojas, e no começo de 2017 chegam outros mais avançados.

Há alguns anos o TCL estudava sua entrada no mercado brasileiro, onde já atua com aparelhos de ar condicionado e celulares. Trata-se do maior fabricante de displays da China, e terceiro do mundo, com a vantagem de produzir seus próprios painéis. O TCL é dono de marcas como Alcatel e Thomson, e na China é forte em eletrodomésticos, um de seus objetivos também para o Brasil. “A parceria com a Semp será estratégica para a expansão dos nossos negócios no Brasil, e até para entrada de outras marcas chinesas no país”, diz o vice-presidente Farris Xie.

Já para a Semp, que viveu tempos difíceis de reestruturação nos últimos anos, era fundamental aproveitar a oportunidade de se unir a um grupo sólido e com tecnologia própria. “Estamos muito otimistas”, diz Ricardo Freitas, CEO da nova joint-venture. “Começando pelo setor de TVs, pretendemos crescer muito com as três marcas, para no futuro pensar nos outros segmentos”.

LCD, ainda correndo atrás do OLED

panasonic-dx900-v1-471320Já comentamos aqui várias vezes – vejam este post, por exemplo – a corrida dos fabricantes de TVs LCD para alcançar o desempenho dos displays orgânicos (OLED). Não é fácil, dada a diferença nativa entre as duas tecnologias. Mas um novo passo acaba de ser anunciado no Japão: a Panasonic revelou que conseguiu desenvolver um painel de cristal líquido, do tipo IPS, capaz de produzir níveis de contraste 600 vezes mais altos que um display LCD comum.

pana-novo-lcdO segredo seria a inclusão de células para modulação da luz emitida pelo backlight (vejam o desenho ao lado). Essas células atuariam junto a cada pixel, regulando individualmente a intensidade luminosa, o que evitaria o fenômeno conhecido como “flutuação de preto” (quando as partes mais escuras da tela sofrem vazamento de luz).

Bem, essa não é a única diferença entre LCD e OLED. Mas, sem dúvida, a questão do contraste é o que mais incomoda nos TVs convencionais, principalmente quando se tem um ambiente escuro. Mesmo com os enormes avanços dos últimos anos (e não foram poucos), ainda é possível notar os tais vazamentos; na verdade, cada pessoa reage de modo diferente ao problema (algumas nem percebem). Nos OLED, o vazamento não acontece.

Durante os Jogos Olímpicos, fizemos testes com o atual TV top de linha da Panasonic, mod. DX900, de 65″ (foto maior), inclusive captando imagens dos jogos em HDR transmitidas pela Globosat, com um decoder especial da NET (vejam o vídeo). Ficou claro que a intensidade de luz era maior que nos outros modelos, resultando em cores muito mais brilhantes – às vezes, até em exagero. Não era um painel IPS, como o do modelo agora anunciado no Japão, mas um do tipo VA: a principal diferença é que os IPS apresentam melhor ângulo de visão.

Esse novo aparelho, a princípio voltado para o segmento profissional (não residencial), tem lançamento previsto para janeiro no Japão.