Emissoras se agitam na disputa digital

O colega Mauricio Stycer publica na Folha de São Paulo deste domingo um resumo da verdadeira novela em que se transformou a transição brasileira para a TV Digital. Este é o link para o artigo. Há nos bastidores uma disputa interessante entre emissoras abertas e operadoras de TV paga, que vai além daquela outra que comentamos aqui alguns dias atrás. Basicamente, é um duelo 4×4: de um lado, Record, Band, Rede TV e SBT; de outro, Claro/Net, Sky, Oi e Vivo.

As redes querem fazer valer seu direito de cobrar para ceder o sinal transmitido pelas operadoras – algo que nem a Globo pleiteia (porque não precisa). O assunto está no Cade, mas agora, com a proximidade do switch-off em São Paulo, ganha novas proporções. Toda operadora é obrigada, por lei, a oferecer os canais abertos a seus assinantes, sem cobrança adicional, mas até isso hoje está sendo questionado.

O faturamento das emissoras vem caindo ano a ano, e não há sinal de que vá se recuperar tão cedo. A audiência da TV aberta, como se sabe, nunca mais voltará a ser aquela de dez anos atrás. A própria Globo sofre com essa mudança de comportamento do telespectador. Mas, ao contrário das demais, investe em novas tecnologias, compra de direitos, exportação de seus conteúdos e no fortalecimento da Globosat, seu braço para o segmento de TV paga e multimídia.

O problema das redes abertas é que a maior parte de suas grades hoje está tomada pelo aluguel irregular de espaço, principalmente às igrejas e aos canais de televendas. Acabaram desenvolvendo uma interessante versão do velho dilema do ovo e da galinha: com programação sofrível, afastam os telespectadores; sem audiência, não têm publicidade e não podem melhorar sua produção. Investem quase nada em conteúdos próprios e contam com a conivência da Anatel e do Ministério das Comunicações (há limites para alugar horários a terceiros).

Nenhuma emissora admite que se, por exemplo, a Net tirar de seu guia de programação a Rede TV, poucos assinantes irão perceber! Mas essa é a realidade.

Google x Amazon: a guerra da voz

google_home_vs_amazon_echoGoogle e Amazon não participam das principais feiras de tecnologia (Apple também não), mas estão sempre lá. Não foi diferente na CES, em janeiro, nem na ISE, semana passada. Foi impossível contar o número de estandes em que os chamados “assistentes de voz” das duas gigantes estavam sendo demonstrados. É uma guerra nada silenciosa.

Voice assistant (VA) é a definição genérica para os dispositivos portáteis sem fio que, a partir de frases ditas pelo usuário, executam uma série de funções. A tecnologia de reconhecimento de voz não é nova; os primeiros estudos documentados datam da década de 1930. Mas Google e Amazon vêm avançando rapidamente nas aplicações, depois de adquirirem startups dedicadas ao tema. Google Home e Amazon Echo (foto) são os dois produtos mais badalados dessa safra atualmente.

Ambos funcionam a partir do mesmo princípio: pequenas caixas acústicas, de perfil cilíndrico, com sensores para captar áudio e microfalantes para distribuir o sinal em modo omnidirecional. Com o aperfeiçoamento dos aplicativos, passaram a integrar recursos básicos de automação, como controle de luzes, temperatura, portas e janelas. Nas feiras de tecnologia, fabricantes têm demonstrado que também é possível fazer/receber ligações telefônicas através desses aparelhos, usando a própria internet. E as novas versões “entendem” comandos de voz para, por exemplo, chamar o Uber, checar informações sobre filmes, pedir uma pizza e até cantar “parabéns a você”!!!

As diferenças entre Google Home (15cm de altura x 9cm de diâmetro) e Amazon Echo (23 x 7cm) começam no uso de seus respectivos sistemas operacionais. No primeiro, a empresa desenvolveu um aplicativo específico – o Google Assistant – para integrar as funções de seus outros produtos, como Google Play, YouTube e Chromecast. A Amazon, que saiu primeiro nessa corrida (2014) e já lançou várias versões de seu aplicativo Alexa, tenta conquistar o consumidor também com conteúdos variados, inclusive os vídeos da Amazon Prime, concorrente do Netflix.

Tudo, como se vê, está relacionado ao conceito de smart home, agregando o máximo possível de funções e caprichando na facilidade de operação. Não por acaso, a Crestron – líder mundial em automação – já incluiu o Alexa entre seus apps; um belo apanhado sobre os recursos do assistente da Amazon pode ser visto aqui.

Aliás, este vídeo do YouTube mostra um comparativo entre os dois produtos.

Música em alta resolução, finalmente

MQA-logo

 

Se fosse o astronauta caminhando pela superfície da lua, provavelmente descreveria esta notícia como mais um “pequeno passo para o homem, mas um grande passo para a humanidade”. Foi o que me lembrei ao ler sobre o acordo entre a UMG (Universal Music Group), hoje a maior gravadora de música do planeta, e a MQA (Master Quality Authenticated), empresa que desenvolveu o software homônimo, tido como o mais avançado para reprodução de música. Pode ser o começo de uma revolução nesse mercado.

Basicamente, o acerto entre as duas empresas determina que todo o vasto catálogo da Universal seja comercializado também em versão MQA, resultando em arquivos digitais de alta resolução, para streaming. Esse software de compressão vem sendo adotado por alguns dos principais serviços de música online (o primeiro deles foi o Tidal). Com arquivos menores, fica mais fácil a distribuição e o compartilhamento. Durante a última CES, foi divulgada a campanha “Stream the Studio“, criada por fabricantes e gravadoras para estimular os usuários a buscar gravações musicais de melhor qualidade.

Uma marca como a da Universal, hoje pertencente ao grupo francês Vivendi, sem dúvida tem força para impulsionar essa ideia. Só para lembrar, fazem parte de seu catálogo os selos BMG, Polygram, Decca, Deutsche Grammophon, MCA, EMI, Virgin, A&M, Capitol, Island, Geffen, Def Jam e dezenas de outros, cobrindo praticamente todos os gêneros de música. Dos artistas de sucesso atualmente, lá estão Adele, Mariah Carey, Kanye West, Kiss e um enorme etc.

O padrão MQA foi lançado originalmente pela inglesa Meridian, fabricante de áudio high-end, e hoje é uma empresa independente. Bob Stuart, cofundador e a “cabeça” por trás do software, transformou-se em celebridade do setor, com justiça. Vamos ver agora a reação dos consumidores de música, especialmente daqueles cansados do MP3 e congêneres. É um primeiro passo.

Trump e o varejo de eletrônicos

Executivos das oito maiores redes varejistas dos EUA, especializadas em eletrônicos, foram chamados para uma reunião com o presidente Donald Trump nesta quarta-feira. E, como se esperava, rechaçaram a ideia de um novo imposto sobre importações, a princípio estimado em 20%. A política contra produtos importados faz parte da “cartilha Trump” e foi aprovada nas urnas. Mas, como já havia ocorrido com fabricantes de equipamentos e provedores de serviços digitais, não é aceita pelos lojistas. Lá, ao contrário do Brasil, o acesso a produtos importados é visto como saudável para a economia, pois mantém acesa a competição e ajuda a segurar os preços.

Segundo a NRF (National Retail Federation), que representa as redes de varejo, o chamado “ajuste de fronteira” – nome dado ao novo imposto de Trump – implicará em taxações da ordem de US$ 1 trilhão e fatalmente terá impacto os consumidores. Além disso, é grande a chance de provocar desemprego, diz a entidade. “Acho que não foi isso que a população votou em Novembro”, comentou com ironia o presidente da NRF, Matthew Shay, em entrevista ao site Twice, indicando que o aumento de preços atingirá desde eletrodomésticos até carros e alimentos.

Pode ser apenas “ruído”, mas a própria presidente do Banco Central americano, Janet Yellen, afirma que a sugestão de medidas como essas causa “incerteza” nos mercados. Trump e seus ministros ainda não conseguiram explicar como um aumento de 20% nas taxas de importação pode ser combinado com sua política de “redução de impostos” para as grandes empresas.

ISE, feiras de tecnologia e o futuro

20170209_172812Após uma semana de correrias (e alguns contratempos), cá estamos de volta com o balanço da ISE (Integrated Systems Europe), que acompanhamos em Amsterdã. O evento é dedicado principalmente a integradores de AV e automação, mas vimos também muitos usuários, que são executivos de empresas às voltas com a implantação ou atualização de seus sistemas. Como se sabe, em tecnologia tudo hoje é convergente. E a forma como é feita a integração pode ser a diferença entre sucesso e fracasso.

O segmento conhecido genericamente como Pro AV (já existe uma associação reunindo fabricantes no Brasil) atende todas as áreas de negócio: escritórios, hotéis, hospitais, escolas, igrejas, centros de convenções, cinema digital, estações de transportes, aeroportos, varejo, órgãos de governo, tribunais, espaços para eventos ao vivo… E abrange equipamentos de áudio profissional, displays, projetores, sistemas para redes, controles de acesso, segurança, iluminação e, é claro, automação integrando tudo isso. Para quem atua na área, a ISE é um show tão valioso quanto a InfoComm, que acontece em junho nos EUA – e tem sua versão brasileira, a TecnoMultimídia, em maio.

Para se ter uma ideia, o discurso de encerramento da ISE 2017 foi feito por Daniel Lamarre, CEO do Cirque du Soleil, hoje um dos maiores empreendimentos do mundo no setor de eventos e benchmark garantido para profissionais AV. Visitamos na Feira os estandes das principais empresas: Sony, Samsung, Panasonic, LG, Harman, Epson, BenQ, Kramer, Planar, Crestron e várias outras (eram cerca de 1.200 expositores), e pudemos conversar com muitos empresários e executivos.

A conclusão de quase todos é de que, embora a tecnologia esteja se tornando mais acessível (e barata), há um desafio a ser superado, que é o de usá-la para, de fato, resolver problemas. Ninguém tempo a perder, nem interesse em configurar manualmente um espaço de apresentações, por exemplo. Os usuários só querem entrar na sala e ver os conteúdos que lhe sejam úteis. Numa escola, o professor não fala mais sozinho, mas precisa interagir com os alunos, que também querem discutir o que está sendo apresentado. E muitas reuniões hoje são realizadas on-the-go, como dizem os americanos, com os participantes conectados via smartphone, não importa onde estejam fisicamente.

Isso tudo requer dos fabricantes e de seus integradores uma preocupação extra com a orientação do cliente. Os orçamentos estão apertados, mas todo mundo continua querendo a máxima qualidade, agilidade e confiabilidade na hora de usar os equipamentos. Como, aliás, acontece em todos os setores. Alguns dos produtos expostos na ISE estão no site Business Tech, que acompanha de perto esse movimento. E é diariamente atualizado.

Realidade virtual sofre derrota importante

oculus-rift-consumer-editionComo já comentamos aqui, o segmento conhecido como VR, que engloba as tecnologias de realidade virtual e realidade aumentada (são dois conceitos distintos), é um dos mais badalados do momento. Eventos de tecnologia pelo mundo afora vêm se esmerando nas demonstrações, com a expectativa de que seja um negócio emergente. Já ouvi de pessoas importantes (e já saíram pesquisas dizendo o mesmo) que até 2020 teremos milhões de pessoas usando os óculos escuros que revelam imagens espantosamente imersivas.

Bem, por enquanto é uma aposta. Mas um fato desta semana coloca em cheque essas previsões. A Best Buy, maior rede varejista de eletrônicos do mundo, anunciou que está desativando as demonstrações de VR em 200 das suas 500 lojas onde o produto foi lançado. Motivo: falta de público. Segundo o site Business Insider, que cobre os bastidores da indústria de tecnologia, a decisão foi tomada pelo Facebook, que havia escolhido a Best Buy para lançar seu Oculus Rift. Funcionários das lojas revelaram ao site que têm passado dias sem atender um único cliente! O que, no caso dessa rede, é sem dúvida preocupante – suas lojas vivem lotadas.

Em tempo: Google e Samsung, outras gigantes que disputam esse segmento, até o momento mantêm seus planos de investimento. Vamos ver como reagem ao pé-no-freio de mr. Zuckerberg.

TV analógica chega ao fim em SP, mas…

Enquanto cobrimos a ISE em Amsterdã, vamos acompanhando de longe as notícias do mercado brasileiro. Uma das mais importantes dos últimos dias foi a confirmação da data de 29 de março para o switch-off paulista, com o desligamento dos transmissores analógicos das emissoras de TV aberta. Essa era a data original, mas esteve perto de ser trocada até duas semanas atrás, por pressão das principais redes. O problema, como já havia acontecido em Brasilia (a primeira grande praça a fazer switch-off), é que nem todas as residências da Grande SP estão preparadas para receber sinal digital.

Essa é uma disputa que envolve muitos interesses, e talvez valha a pena conferir os detalhes nos dois sites que melhor cobrem esse segmento: Tela Viva e Convergência Digital, além do próprio site do Fórum SBTVD. As emissoras não querem correr o risco de perder telespectadores, enquanto as operadoras de celular – que irão herdar as frequências hoje ocupadas pelos canais analógicos – buscam fazer a transição o mais rápido possível, para lançar o quanto antes seus pacotes de banda larga 4G. É muito dinheiro envolvido.

O governo optou por uma solução conciliatória. A data oficial foi confirmada, ou seja, em 29/03 as emissoras devem desligar seus transmissores analógicos, passando a gerar somente sinal digital. A mais recente pesquisa do Ibope revelou que 8% da população na Grande SP ainda possui TV analógico, inclusive modelos de tubo; esse pessoal, portanto, ficaria sem ver TV aberta se o switch-off fosse hoje.  Mas é difícil crer que as emissoras o façam, abrindo mão desse público. Estima-se que isso represente aproximadamente 300 mil domicílios. E, como a audiência de todos os canais vem caindo (por causa da internet), são telespectadores que não podem ser desprezados.

O jeitinho brasileiro decidiu que a data oficial será, digamos, flexibilizada. A EAD (Entidade Administradora do Processo de Redistribuição e Digitalização), empresa criada pelas operadoras para coordenar o switch-off, promete acelerar a distribuição gratuita de kits às famílias de baixa renda. Os kits contêm antena e receptor digitais, que podem ser conectados a qualquer TV. Mas até agora somente 3% dos paulistanos se cadastraram para recebê-lo, demonstrando desconhecimento (ou desinteresse) sobre a mudança que irá afetar suas vidas – o que seria do brasileiro sem TV?

A Anatel concedeu um prazo extra de 60 dias (esse foi o jeitinho), a partir de 29/03, para concluir a distribuição – o total de kits reservados para SP é de 1,87 milhão, com prioridade para beneficiários do Bolsa Familia, Bolsa Escola, Minha Casa Minha Vida e outros programas sociais do governo federal. O cadastramento é feito através do site Seja Digital. A expectativa otimista é de que, até 29/05, todo esse pessoal esteja devidamente equipado. Será?

Detalhe: não são apenas as operadoras de celular 4G que têm pressa. O governo também corre contra o tempo, à espera de que elas paguem R$ 2.6 bilhões referentes às parcelas devidas do leilão das frequências de 700MHz, hoje usadas pelas emissoras. As operadoras – TIM, Vivo, Claro e Algar – tentam enrolar esse pagamento. E assim, de jeitinho em jeitinho, vamos levando.

Acompanhando o mercado Pro AV

20170208_132346Desde ontem, estou em Amsterdã para acompanhar a edição 2017 da ISE (Integrated Systems Europe), hoje o evento mais importante para os profissionais de áudio & vídeo fora dos EUA. Embora seja relativamente recente, essa Feira vem crescendo ano a ano, e agora conta com o apoio da InfoComm – sua equivalente no mercado americano – e também da CEDIA, a entidade que congrega profissionais do segmento AV e de automação residencial.

Embora o foco da ISE sejam os equipamentos para uso nas empresas, este ano aumentou a quantidade de participantes que atuam também com home theater. Ao todo, são mais de 1.200 expositores ocupando 12 pavilhões no centro de convenções RAI, na bela cidade holandesa. Aqui estão as marcas mais importantes do setor, das gigantes Sony e Samsung às segmentadas, como Biamp, Sennheiser, Barco e Kramer, também gigantes em seus respectivos nichos. É uma grande exposição de vídeo (muito áudio também) e um fórum de negócios, como todo trade show deve ser.

Estamos mostrando destaques da ISE 2017 no site businesstech.net.br, mas quem quiser saber os detalhes do evento (em inglês) pode acessar o site oficial – com notícias de todos os expositores – e também o americano Commercial Integrator, com site e vários feeds diários no Facebook e no Twitter.

Como melhorar a imagem, sem 4K

HDREsta semana, a Sony anunciou que passa a adotar o processamento HDR (High Dynamic Range) em toda a sua linha de TVs comercializada nos EUA e principais mercados da Europa e Ásia. Significa que, para usufruir desse benefício, não é mais necessário comprar um TV 4K, também os Full-HD da marca japonesa será compatíveis. Quem mais tem a comemorar são os usuários do PlayStation 4, pois o console já possui esse recurso. Até agora, somente usuários de TVs 4K conseguiam ver as imagens brilhantes e as texturas mais profundas do HDR.

Também esta semana, a Netflix revelou ao site inglês Tech Radar que seus conteúdos HDR podem ser melhor visualizados num TV com esse processamento, “mesmo que não seja um 4K”. A conferir. Como sabemos, são ainda poucos os conteúdos disponíveis em 4K, e menos ainda em HDR. Sem dúvida, é mais uma confusão na cabeça do consumidor, mas não deixa de ser interessante lembrar que os dois avanços (4K e HDR) são independentes. Todos os TVs HDR lançados até o momento são 4K (Ultra HD).

Para quem ainda não assimilou, vale a explicação. HDR não tem a ver com resolução; trata-se de um processamento digital no qual se intensifica a luminância, ou seja, o brilho da imagem. As cores ganham mais intensidade, e isso, quando bem calibrado, tem alto impacto sobre o espectador. Na foto acima, tirada do site Gizmodo, uma comparação entre imagens com e sem HDR.

Canais abertos na TV paga: a novela continua

A notícia de que algumas redes de TV aberta estão negociando com o Netflix já era esperada pelo mercado. Faz parte de uma disputa maior, em torno da obrigatoriedade de os canais pagos transmitirem os sinais das emissoras, como manda a legislação atual. As operadoras pressionam o governo para poderem escolher quais canais oferecer aos assinantes, mas essa é uma batalha difícil de ganhar. Na semana passada, a Anatel mais uma vez negou pedido encabeçado pela Sky (e encampado pela ABTA – Associação Brasileira de TV por Assinatura), encerrando – pelo menos temporariamente – as discussões.

Para quem não está familiarizado com esse jogo político: em setembro passado, três das principais redes (Record, SBT e Rede TV) criaram uma empresa chamada Simba, com o objetivo de negociar a distribuição de seus programas fora da rede aberta. A justificativa era que as operadoras de cabo e satélite deveriam pagar para exibir o sinal dessas emissoras. Net/Claro, Vivo, Sky e Oi naturalmente não aceitam, o que cria um impasse: o que aconteceria se, digamos, a Net deixasse de veicular o SBT? Perderia assinantes por causa disso?

Na semana passada, o colunista Ricardo Feltrin divulgou em seu blog que a Simba começou a negociar com a Netflix e pretende fazê-lo também com a Amazon, numa ameaça velada às operadoras. Descontando o fato de que dificilmente os assinantes da Netflix teriam interesse nos conteúdos daqueles três canais, fica claro o jogo de pressões.

TVs conectados já chegam a 74%

A proporção de residências com pelo menos um TV conectado à internet (claro, nos EUA) chegou a 74% em 2016. Três anos antes, eram “apenas” 50%, confirmando que grande parte das pessoas já enxerga seu TV como uma forma de acesso à internet. Os dados estão numa pesquisa anual da consultoria TDG, que afirma ter entrevistado cerca de 2 mil usuários de banda larga (aqui, os detalhes).

Assim como o celular deixou de ser apenas um telefone, o televisor não serve mais somente para ver os canais convencionais. Aliás, muitos usuários já têm no seu smartphone o próprio controle da TV. E, se pensarmos que com um adaptador do tipo Chromecast é possível acessar a internet usando qualquer TV, o número deve ser maior ainda.

No Brasil, infelizmente, não há estatísticas a respeito. Mas basta entrar em qualquer loja, ou visitar um site de vendas, para constatar que está mais fácil comprar um TV smart (“inteligente”) do que um dumb TV (“burro”).

Indústria de tecnologia enfrenta Trump

E o que parecia ficção está acontecendo na vida real. O decreto de Donald Trump (ainda não me acostumei a chamá-lo de “presidente”) proibindo a entrada de pessoas vindas de alguns países causou verdadeiro caos em diversos aeroportos americanos no fim de semana. Além dos protestos, já esperados, muitos passageiros (e até tripulantes) ficaram retidos ou foram simplesmente mandados de volta. Como a decisão não foi antecipada, nem devidamente explicada, os agentes de segurança em serviço não sabiam exatamente o que fazer. Muitos passaram a agir por conta própria. Alguns detalhes, aqui.

O problema atinge em cheio a indústria de tecnologia. Como se sabe, empresas como Apple, Google, Microsoft etc. mantêm centenas de executivos em outros países, alguns deles praticamente viajando sem parar. Se os novos métodos forem efetivados (alguns juízes estão decidindo contra o presidente nesse quesito), ficará bem complicado trabalhar no setor. Por enquanto, o decreto vale por 90 dias.

Quem conhece o Vale do Silício sabe que aquilo não existiria sem a presença de profissionais não americanos. Só ali estão as sedes de 40 empresas listadas entre as maiores do setor pela revista Fortune. Cidades como Seattle, Los Angeles, San Diego, Phoenix, Dallas e Austin servem de base a pelo menos outras 50 corporações ligadas a internet e/ou telecom. A proibição foi extensiva até a quem possui um green card, ou seja, estrangeiro com direito de viver e trabalhar nos EUA. Muitos deles são oriundos do Irã e demais países do Oriente Médio afetados pela medida.

As reações vieram quase que na mesma hora, como vimos no site The Globe and Mail, que cobre o mercado de tecnologia. Reed Hastings, fundador e presidente da Netflix, comentou que as as atitudes de Trump são “antiamericanas”, pois prejudicam os funcionários da empresa em diversos países. Tim Cook, da Apple, enviou mensagem a seus executivos afirmando que “a Apple não existiria sem os imigrantes”. Mark Zuckerberg, da Facebook, lembrou que seus parentes e os de sua esposa também foram imigrantes. A direção da Google emitiu uma ordem chamando de volta todos os seus executivos internacionais dos países envolvidos, com medo de que mais tarde eles não consigam entrar.

Travis Kalanick, CEO da Uber, revelou que irá questionar o presidente em reunião que está marcada para a próxima semana, em Washington, com a presença de vários executivos de tecnologia. “Essa decisão irá prejudicar muita gente inocente”, afirmou ele em sua página no Facebook.

Pelo visto, só quem está satisfeito com as medidas de Trump é a indústria canadense de tecnologia, que vem perdendo cada vez mais talentos para o Vale do Silício. “Agora, temos a chance de reverter isso”, comentou Jim Balsillie, ex-CEO da Blackberry e hoje membro do Conselho Canadense de Inovação. “É triste, porque toda empresa de tecnologia é por natureza multicultural, mas quem sabe o governo do Canadá não aproveita para facilitar a concessão de vistos a profissionais da área”?

Atualizando: o movimento se expande – Linked In, o site de relacionamento profissional para onde tantos acorrem diariamente em busca de emprego, criou o comitê especial para ajudar refugiados a encontrar recolocação. Airbnb, famoso serviço de auxílio a viajantes de todo o planeta, promete acomodações gratuitas para pessoas atingidas pelas restrições do governo Trump. E a rede de cafeterias Starbucks nunca a contratação de 10 mil refugiados, nos próximos cinco anos, em 75 países onde atua.

Fox vs Sky: como fica a TV por assinatura?

Em comunicado à imprensa, a Fox Networks – dona de alguns dos canais mais assistidos da TV paga – anunciou nesta terça-feira que a partir de fevereiro não estará mais na grade da Sky. O motivo, como sempre, é a renegociação dos valores pagos pela operadora para oferecer a seus assinantes os seis canais do grupo: Fox, Fox Life, Fox Sports, NatGeo, FX e Baby TV.

Não é a primeira vez que a Fox faz esse tipo de anúncio. No ano passado, informou que sairia da Oi TV – e voltou depois de uma semana. Também é agressiva nas negociações com as operadoras pequenas e médias, algumas delas representadas pela Associação NeoTV, como mostrou na época o site Converge.com. No novo comunicado, a Fox deixa em aberto a possibilidade de continuar na Sky, o que parece mais provável – a separação não interessa a ninguém.

Nos bastidores do mercado, a Fox é conhecida por fazer esse tipo de ameaça em público. Parece deselegante, até porque as negociações estão em andamento, e certamente serve como pressão sobre a outra parte, pois acaba influenciando a decisão de muitos possíveis assinantes. No entanto, com a concentração do setor em três grupos econômicos (Claro/NET, Vivo/Telefônica e Sky/DirecTV), vai ficando cada vez mais complicado para as programadoras internacionais imporem suas condições de contrato, como acontecia anos atrás. O colega André Mermelstein, do Tela Viva, tem mais detalhes a respeito.

Considerando a situação atual do mercado de TV paga (queda de mais de 300 mil assinaturas em 2016), principalmente no segmento DTH, dificilmente a Sky irá aceitar. Foi a operadora que perdeu mais clientes no ano (vejam aqui). Vamos aguardar.

CEDIA não é mais dona de sua Feira

Muitos profissionais brasileiros costumam ir à CEDIA Expo, sempre no mês de setembro, cada ano numa cidade americana diferente (a próxima será em San Diego, California). É um evento totalmente dedicado ao segmento de áudio/vídeo e automação, que como se sabe vem passando por transformações. Nesta quinta-feira, a CEDIA (Custom Electronics Design and Installation Association) – entidade fundada em 1979 e hoje com mais de 3.700 filiados – anunciou que está cedendo a organização da Feira para a Emerald Expositions, maior empresa do setor de eventos nos EUA.

São duas as explicações. Primeiro, o interesse da Emerald, que organiza todo ano mais de 50 eventos segmentados e tem longo know-how no assunto. Com mais de 18 mil visitantes na edição 2016, a CEDIA Expo (agora renomeada apenas “CEDIA”) é uma das feiras mais bem-sucedidas do setor. Segundo: a nova direção da entidade quer investir mais em educação, com cursos e treinamentos técnicos para profissionais, mas sem aumentar seu orçamento. “Tenho 41 funcionários, e eles passam a maior parte do ano cuidando da feira”, disse Vin Bruno, diretor-geral da CEDIA, ao site CE Pro, explicando o acordo. “Agora, eles terão de se reinventar em outras funções”.

TV 3D, enfim, está morta!

TV-3DQuem afirma é o respeitado site americano CNET: a TV 3D, como a conhecemos, foi declarada morta na última CES, quando os dois principais fabricantes (LG e Samsung) anunciaram que não darão mais suporte ao formato. Como se fosse novidade… Há tempos que ninguém mais sequer menciona o recurso nos materiais de divulgação dos TVs, e os tais óculos só deverão ter espaço, agora, como peças de museu.

É curioso lembrar o interesse que o 3D despertou há cerca de oito anos, quando foi relançado, primeiro nos cinemas, depois em DVD e Blu-ray. Vejam este post publicado aqui no início de 2008, antes da moda pegar. Lembram-se do furor causado por Avatar, aquela superprodução de James Cameron, o maior entusiasta de todos, que anunciava o 3D como “o futuro do cinema”? É até hoje a maior bilheteria do cinema mundial, e muito de sua fama deve-se ao fato de ter sido o primeiro filme totalmente rodado em 3D.

Pouco depois, publicamos este outro post, levantando dúvidas sobre as perspectivas do 3D – dúvidas essas compartilhadas por milhares de especialistas. Mas foram centenas de lançamentos, até que a partir de 2013 os fabricantes foram pouco a pouco se retirando desse nicho. O “fim” então começou a ser admitido, como mostramos neste outro comentário. Interessante observar que a maioria dos links que nos serviam de base simplesmente não existem mais…

Um repórter do mesmo site CNET comentou eufórico uma demonstração do filme Star Wars: O Despertar da Força em 3D com novo TV LG 4K OLED na última CES, lamentando que a empresa tenha confirmado que essa seria sua última linha de TVs da categoria. Segundo ele, é uma decisão errada, justamente agora que a qualidade das imagens está ficando melhor…

Mas a maioria dos consumidores certamente concorda com o fim dessa ilusão.

“Janela” dos filmes pode ser reduzida

Provavelmente ainda demora para chegar aqui, mas nos EUA estão caminhando as negociações para mudar uma das regras mais sagradas da indústria do entretenimento. Executivos da Warner e da Universal conversam com redes de exibidores para diminuir a chamada “janela”, tempo em que um filme permanece sendo mostrado apenas nos cinemas, antes de ser lançado em vídeo. Segundo a agência de notícias Bloomberg, a queda irreversível nas vendas de DVDs – que até alguns anos atrás representavam a maior receita para os estúdios – é que está provocando a mudança. E a renda com downloads e streaming está longe de compensar essas perdas.

A ideia seria oferecer ao consumidor de filmes mais opções para decidir como quer assisti-los. Atualmente, durante três meses (em média) um sucesso de Hollywood só pode ser visto nos cinemas das grandes cidades; esse prazo já chegou a ser de seis meses! As maiores redes exibidoras naturalmente resistem. Cinemark e Regal, cada uma com mais de 4 mil salas nos EUA (a primeira é líder também no Brasil), já boicotaram a Paramount por ter lançado filmes em vídeo com apenas dois meses de janela.

Mas, como lembra o site Digital Trends, a realidade tende a se impor. Cada vez mais gente prefere ver seus filmes na tela pequena, e não na grande.

Dolby Atmos, também nas soundbars

soundbarComo já aconteceu no passado com o estéreo e o surround, o mais recente padrão de processamento Dolby (Atmos) aos poucos vai conquistando mais segmentos no mercado. Na CES 2017, confirmou-se o que muitos especialistas já previam: estão chegando as soundbars com esse processador, que amplia em muito a percepção de envolvimento sonoro. Já comentamos aqui e aqui sobre o tema, e fizemos vários testes com produtos Dolby Atmos, e será interessante analisar os simuladores embutidos nessas caixas compactas.

Apenas para citar as empresas mais conhecidas: Sony, LG, Samsung, Pioneer, Onkyo e Yamaha demonstraram soundbars Atmos na CES, sendo que as duas últimas renovam de tempos e tempos suas linhas de receivers com esse recurso. Prova de que a Dolby realmente continua sendo referência em processamento de áudio. Para quem não conhece, este vídeo é bem interessante. E há detalhes atualizados neste link.

Uma surpresa: a Lenovo, hoje maior fabricante mundial de computadores, anunciou parceria com a Dolby para lançar os primeiros PCs Atmos, começando com um modelo dedicado a jogos (Legion Y720). Com isso, os games poderão ouvir seus personagens e efeitos sonoros literalmente pelas paredes.

Preparando a cama para Trump

trumpA uma semana da posse do novo presidente americano, ainda há quem duvide que sua eleição tenha mesmo acontecido. Como já vemos no Brasil desde 2014, os EUA são hoje um país dividido – e o mundo parece caminhar para a mesma separação, entre inimigos e/ou temerosos de Trump e seus apoiadores e/ou aqueles que não o levam a sério nem vêm o menor problema em suas ameaças.

Falando especificamente de tecnologia: na semana passada, Tim Culpan, o correspondente da agência Bloomberg em Taiwan, publicou uma nota curiosa sobre uma dessas ameaças: a de obrigar empresas americanas a fabricar seus produtos no próprio país. O texto é escrito como se o autor fosse ninguém menos do que Terry Gou, o chamado “rei do iPhone”, dono da Foxconn (e agora também da Sharp), principal montadora dos produtos Apple. Já comentamos sobre ele aqui, aqui e aqui.

O artigo – que também cita o Brasil – é tão cômico (aqui está o original) que vale a pena repassar alguns trechos:

“Caro Mr. Trump, você não me conhece, mas eu sou Terry Gou, o homem que produz seu iPhone. Sua vitória me fez pensar em me candidatar. Da próxima vez que você conversar com o presidente de Taiwan, talvez seja eu do outro lado da linha.

“Temos muito em comum, você e eu. Ambos somos bilionários (embora eu seja mais rico), gostamos de construir coisas, somos casados com mulheres lindas, e ambos odiamos Wall Street. Sei que você vem prometendo criar um monte de empregos, por isso quero lhe dar alguns conselhos. Primeiro, você na verdade não precisa criar nenhum emprego, precisa apenas fazer as pessoas pensarem que irá criá-los. Tenho certeza que sabe como fazê-lo.

“Posso ajudá-lo, aliás. Se olhar para países como Brasil, Indonésia, Índia e meia dúzia de províncias chinesas, verá que meu trabalho fala por si. Não produzi lá nem um simples iPhone, e nunca o farei. Mesmo assim, eles passaram a acreditar que eu investiria US$ 10 bilhões numa fábrica de iPhones. Não tenho culpa se algum político mal intencionado engana a mídia.

“Ouvi dizer que você quer obrigar a Apple a fabricar coisas nos EUA. Sabe, Tim Cook (N.R.: presidente da Apple) não fabrica nada, eu sim. Na verdade, tive US$ 75 bilhões de faturamento com eles no ano passado.

“Eu sou um fazedor, mr. Trump. Eu faço as coisas acontecerem. Quando a Apple me pediu para produzir iPhones no Brasil para driblar as tarifas de importação, eu fiz. Não criei muitos empregos, apenas exportei iPhones pré-fabricados para eles montarem lá, como se fosse Lego. Mas fiz o que pediram. Tanto Apple quanto os políticos brasileiros ficaram felizes. E quem você acha que pagou por isso? Não fui eu.

“Se você quiser que eu monte iPhones nos EUA, posso fazer. Posso até produzir uma linha de montagem numa de suas Trump Towers, se você quiser, só que os custos serão aaaaaltos! Tenho que pagar minhas despesas: fábricas, trabalhadores, transporte. Sabe, eu não fabrico na China só porque é mais barato, mas porque lá estão milhares de fornecedores e mais de 1 milhão de pessoas que emprego.

“Posso instalar mais robôs nos EUA, claro, mas vai demorar meses para treiná-los, quando um humano pode ser treinado em poucas horas. Além disso, mais robôs significam menos empregos. Aumentar suas tarifas de importação não vai adiantar muito, mas me dê algumas isenções de impostos, subsídios para contratar trabalhadores, energia barata e terra grátis. Tenho certeza de que poderemos chegar a um acordo. Me diga quais os números que você quer tuitar e terá todo o meu apoio.

“Mas, lembre-se: como aquele muro que você está pensando em construir, alguém terá de pagar a conta. E não serei eu, isso eu lhe garanto.

“Felicidades, Terry Gou, Chairman, Foxconn Technology Group”.

TV na parede, com apenas 2,5mm de espessura

LG OLED novo cópiaA maioria dos relatos sobre a CES 2017 mostra que a nova linha de TVs OLED W, da LG, foi campeã em elogios. Ganhou quase todos os prêmios “best of show” concedidos por publicações especializadas. Não à toa, leva o apelido wallpaper: com incríveis 2,5mm de espessura (vejam no detalhe abaixo), pode ser praticamente “colado” na parede. A qualidade de imagem é a mesma dos demais OLEDs que já se conhece, cujos níveis de contraste são imbatíveis. O modelo de 65 polegadas (haverá outro, de 75″, em breve) – compatível com imagens 4K HDR10 e Dolby Vision – foi colocado em pré-venda na Best Buy por US$ 8.000. Ainda não há previsão de lançamento no Brasil.

detalhe OLED

 

O que mais chama atenção nesse produto é a forma minimalista de montagem na parede. São apenas dois pontos de suporte na parte superior do painel traseiro e dois magnetos embaixo; todos os conectores (HDMI, USB, Ethernet e coaxial) ficam à parte, numa soundbar que acompanha o TV e que funciona como hub. Um pequeno cabo do tipo fita (ribbon) é ligado entre a caixa e o TV, uma solução simples e prática. Por isso mesmo, a LG não está produzindo suportes de mesa ou de piso para os TVs W, que foram desenhados exclusivamente para paredes.

Único probleminha: o tal cabo ribbon também transporta sinal de força e, portanto, precisa ser homologado pelas autoridades da área de energia elétrica, como descobriu o site CE Pro (a LG não tinha avisado). Uma instalação correta na parede vai exigir a presença de um profissional especializado, a menos que o feliz proprietário não se importe em deixar o cabo aparecendo…