TVs 4K: um “selo” de qualidade?

Está combinado: TVs, players Blu-ray e projetores 4K top de linha que forem lançados este ano poderão exibir o selo “Premium”, conforme comentamos aqui recentemente. Seria uma espécie de “certificado de qualidade” fornecido pelo consórcio UHD Alliance, formado pela maior parte dos fabricantes, estúdios de cinema, empresas de software e provedores de conteúdo online. A intenção é deixar claros para o consumidor os benefícios do padrão 4K (UHD), que vão além da resolução de imagem.

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A criação do selo se baseia numa série de especificações que a entidade definiu para  identificar os produtos mais avançados (detalhes neste artigo). Uma ótima ideia, só que, mais uma vez, a indústria eletrônica se perde nas justificativas. Nesta segunda-feira, a Sony anunciou que não irá utilizar o tal selo, embora seus TVs 4K, apresentados num evento em Nova York, estejam entre os mais badalados da atual safra. Em vez disso, a empresa pretende usar o selo ao lado. O problema é que nem todos os TVs Sony seguem as especificações da Alliance; se todos usarem esse selo, como saber quais são top de linha? Nem a própria Sony tem a resposta.

Para amplificar a polêmica, outro fabricante importante – a Vizio, que é de origem chinesa mas tem sede nos EUA – comunicou que não concorda com os critérios da Alliance. A marca é hoje uma das mais vendidas do mercado americano e, portanto, sua posição não pode ser subestimada. Por trás de tudo, há ainda uma disputa por royalties: a Vizio, assim como Philips e LG, pagam a licença do software Dolby Vision; e a Dolby, nos bastidores, tem interesse em desestabilizar a Alliance, que defende o padrão concorrente HDR.

Nem os roteiristas de Hollywood conseguiram imaginar um roteiro mais confuso.

Whatsapp e o novo mundo da (falta de) privacidade

Não tive tempo de comentar aqui a polêmica decisão daquele juiz que suspendeu o Whatsapp por três dias – apenas um dia foi cumprido, suficiente para causar pânico geral. O nome do juiz, que meses atrás também havia mandado prender o vice-presidente do Facebook, não vem ao caso; talvez estivesse apenas querendo seus minutos de fama. Mas sua decisão é simbólica dos tempos atuais: o Estado insiste em tentar controlar a comunicação entre os indivíduos e, para isso, é capaz de usar os meios mais esdrúxulos.

O problema não é apenas brasileiro. Esta reportagem mostra que os governos, invocando “proteger” a sociedade, vivem criando meios de impedir o fluxo independente de informações. Em países como Cuba, China e Coreia do Norte, esse fluxo praticamente não existe, e nos EUA recentemente houve uma disputa entre a Apple e o FBI devido ao uso do iPhone por terroristas. É a velha história de culpar o carteiro: este não sabe o que está escrito na carta, assim como Whatsapp, Facebook, Apple etc. não conseguem mexer no conteúdo das mensagens que veiculam, que aliás são criptografadas.

Como estamos vendo na crise política, parece que muitas pessoas não conseguem entender que os tempos são outros. Não é mais possível, felizmente, direcionar a informação como se fazia antes. As mídias se fragmentam a ponto de cada indivíduo ser, por si só, produtor e distribuidor de conteúdo, e assim atingir o “seu” público. No fundo, é a sociedade moderna tentando se adaptar à vida conectada.

InfoComm Brasil agita a semana em SP

Nesta 3a feira, começa a Expo TecnoMultimedia – InfoComm Brasil 2016, que acontece pelo terceiro ano consecutivo em São Paulo. É hoje o evento mais importante para o segmento de Pro AV, que concentra a indústria de equipamentos e serviços para projetos corporativos e espaços públicos. Um setor que movimenta muito mais negócios do que o residencial e que, aos poucos, e apesar das dificuldades econômicas, vai se profissionalizando no país.

Este ano, são cerca de 50 expositores, incluindo marcas mundiais como Kramer, Casio, Panasonic, Crestron, Barco, BenQ, Harman/AMX, Christie, Epson; e brasileiras que vêm se destacando, como Discabos, Neocontrol, AAT, AMCP. Entre diversos produtos que serão demonstrados, já sabemos de projetores Laser Phosphor (para grandes espaços), sistemas de projeção mapeada, distribuição de áudio digital para shows e eventos, redes de vídeo 4K, sinalização digital e soluções para videoconferência, aulas e reuniões utilizando dispositivos sem fio.

CAPA-BUSINESS-TECH-#03-1Nossa publicação voltada a esse segmento, a revista BUSINESS TECH, está em sua terceira edição, que traz entre os destaques um interessante artigo de Vinicius Barbosa Lima sobre as novas necessidades do integrador profissional. Muitos tentam a migração da área residencial para a corporativa, mas acabam descobrindo que são quase dois mundos diferentes. Não só tecnologias distintas, mas os clientes (executivos de empresas) são mais exigentes e têm prazos mais rígidos. Vale a pena ler.

Aproveitando: BUSINESS TECH pode ser folheada em formato impresso convencional, mas também em sua versão eletrônica. Quem tiver interesse pode conferir aqui.

Turner está comprando a Band

Já se especulava no mercado há alguns meses, mas agora as negociações caminham para o final: o grupo Time Warner, através da Turner, está adquirindo o controle de 30% da Rede Bandeirantes de Rádio e TV. Com quase 50 anos de existência, a Band já chegou a ser a segunda rede do país, mas nos últimos anos vem perdendo anunciantes e – o principal – a confiança do mercado.

Pela legislação atual, um estrangeiro pode ter, no máximo, 30% do controle de uma concessionária de radiodifusão no Brasil. Se fosse possível, a Turner compraria 100%! O grupo americano – que é dono de vários canais pagos, tendo seu carro-chefe no Cartoon Networks (possui ainda TNT, CNN e outros) – decidiu há cerca de dois anos aumentar a aposta no mercado brasileiro. Comprou o ascendente Esporte Interativo (EI) e está provocando agito até dentro da Rede Globo.

Na semana passada, o EI anunciou ter fechado acordo para transmitir o Campeonato Brasileiro de Futebol, jóia do mercado publicitário, a partir de 2019, quando se encerram os contratos atuais da Globo. A especulação no mercado é que o EI está pagando nove vezes mais aos clubes… Nesse caso, as transmissões sairiam do SporTV e ficariam restritas aos canais EI (a Globosat manteria direitos apenas ao pay-per-view). Aqui, alguns detalhes sobre a investigação do Cade nessa questão. Vale lembrar que a Turner já comprou este ano a Champions League, antes tradicional na ESPN, dizem que também por uma fortuna.

O mercado de direitos esportivos para televisão é muito complexo para quem é de fora (aqui, publicamos uma boa explicação). Mas a entrada da Turner na TV aberta, se confirmada, tem efeitos e significados muito mais fortes do que a ação do EI. Apesar da família Saad possuir farto capital próprio, o fato é que a Band, como rede, se debate com a falta de conteúdo relevante. Opera hoje na semi-ilegalidade, já que aluga horários para igrejas diversas, o que é proibido aos concessionários de rádio e TV (conta com a conivência do Ministério das Comunicações e da Anatel, embora a empresa esteja sendo contestada na Justiça). Mantém apenas um programa de sucesso (o Masterchef), além de certo prestígio com o Jornal da Band.

O acordo com a Turner, segundo o site Yahoo, prevê que a empresa americana assumiria toda a parte artística, ficando a Band com o jornalismo. Novas notícias devem sair nos próximos dias.

Home vídeo, mercado em extinção?

Se em outros países há entusiasmo com a chegada de mais conteúdos em 4K, aqui as últimas notícias são péssimas para quem ainda cultiva o hábito da videoteca particular. O muito bem informado Blog do Jotacê informa que empresas importantes do setor estão simplesmente saindo do país. Uma delas seria a Paramount-Universal (união de duas marcas centenárias em Hollywood), que está transferindo sua distribuição para a SPHE (Sony Pictures). Já a Fox, que no Brasil vinha atuando em parceria com a Sony, passa ao controle da Warner. E a Disney entrega suas operações para a Cinecolor.

Nenhuma das empresas confirma, mas são três pancadas simultâneas num mercado que, como se sabe, vem despencando há alguns anos. As chamadas majors (leia-se: os estúdios de Hollywood) não lançam nada de relevante em DVD ou Blu-ray, espaço que agora é ocupado pela internet (incrível a quantidade de sites piratas) e pelos serviços VoD, especialmente o Now (Netflix é mais para séries). Lojas virtuais, como a DVD World, oferecem um vasto catálogo de filmes de arte e/ou raridades para colecionadores, pouca coisa mais.

E la nave vá…

Blu-ray 4K agora é pra valer

Sem Título-1Nesta segunda-feira, a UHD Alliance – consórcio de fabricantes e estúdios de cinema que apoiam o padrão Ultra High Definition (4K) de vídeo e televisão – certificou o primeiro player Blu-ray 4K, lançado no mês passado pela Samsung no mercado americano. Significa que a indústria decidiu mesmo dar impulso à produção e distribuição de discos de altíssima resolução, coisa que ainda estava em dúvida. Já havia certificação para streaming em 4K, mas como este depende da disponibilidade de banda a maioria dos especialistas acha que só mesmo os discos garantirão a entrega da qualidade prevista no UHD.

HO&A_037_UHDA_LOGO_FINAL_v6No início do ano, a UHD Alliance divulgou as especificações para TVs 4K (com o selo ao lado), sem mencionar os players. Parecia desnecessário especificar também estes, mas a nova decisão pode dar mais segurança aos consumidores, já que, em princípio, tudo será divulgado de forma transparente. Uma das preocupações da entidade é evitar mal-entendidos como o dos “TVs 3K”, que causaram polêmica mundial (no Brasil, o caso mais marcante foi o dos primeiros TVs 4K da LG, como relatamos aqui).

A entidade informou já ter certificado ao todo 30 modelos de players Blu-ray 4K, que devem ser lançados nos próximos meses no mercado internacional (o Brasil, com a crise atual, deve ficar fora disso ainda por algum tempo). Além da Samsung, estão previstos lançamentos da LG, Philips e Panasonic. Todos deverão portar o selo acima.

Eis aqui um resumo das especificações, pelas quais o usuário deve procurar quando for adquirir um aparelho 4K (seja player, TV ou projetor):

Resolução de imagem: 3.840 x 2.160 pixels

Processamento de cor: WCG (Wide Color Gamut), em 10-bit, padrão BT.2020

Processamento de vídeo: HDR (High Dynamic Range)

Decodificador H.265, também HEVC (High Efficiency Video Encoding), para descompressão de sinal da internet

Obs.: os aparelhos 4K também devem ter acesso direto à internet.

Para quem ainda não viu, aqui está um comparativo entre os TVs 4K e os Full-HD convencionais. Este outro teste também é interessante.

Startup americana compra a B&W

BWFoi confirmada nesta terça-feira a venda da inglesa Bowers & Wilkins para uma jovem empresa do Vale do Silício, a Eva Automation. Fundada há apenas dois anos, essa startup cresce rapidamente, apoiada por um fundo de investimentos chamado Formation 8, especialista no setor de tecnologia. Até agora, não foram revelados números do negócio, mas Joe Atkins, hoje o principal acionista da B&W, já pensava no assunto desde o ano passado.

Uma das líderes no segmento de áudio high-end, a B&W sofre como todos os seus pares a concorrência dos chamados “fabricantes de plástico”, com sistemas portáteis de baixo custo. Fundada há quase 100 anos, a empresa relutava em entrar nesse campo e, com isso, decepcionar seus devotados fãs. “Vamos ter que explicar isso a eles”, diz Atkins. “Com o tempo irão perceber que essa era a melhor solução para a empresa.”

De certa forma, esse acordo marca uma inversão no mundo atual: uma empresa centenária, com cerca de 1.100 funcionários e sólida reputação, é adquirida por uma micro desconhecida e com estafe de apenas 40 pessoas. Só não é surpresa para os investidores. Gideon Yu, presidente da Eva, era diretor financeiro do YouTube quando este foi comprado pelo Google, negócio estimado na época em US$ 2 bilhões. Depois, trabalho também no Facebook; hoje, é um dos golden boys do Vale.

Segundo Yu, a ideia é aproveitar o prestígio de uma marca consagrada para crescer nos segmentos de áudio e multiroom. Ao site de tecnologia da Bloomberg, ele prometeu que a marca B&W será seu carro-chefe. Curiosamente, Yu e Atkins só se conheceram há cerca de um mês.

Polêmica da banda larga vai longe

Prestes a deixar o governo, a presidente Dilma acena com a possibilidade de assinar um pacote de maldades, como costumam dizer as línguas ferinas de Brasilia. Já que não conseguiu viabilizar os apoios de que necessitava no Congresso, a quase ex-mandatária deixaria decretos-bomba para o sucessor. Uma das medidas seria a proibição, pura e simples, dos planos de franquia nos serviços de banda larga.

Certamente não será com decretos demagógicos que se irá melhorar a prestação de serviços de telecom, nem atingir tarifas mais justas. A polêmica, como já comentamos, deve se estender por um bom tempo. É bom que seja assim, pois dará chance das pessoas conhecerem os diversos lados da questão. O colega Samuel Possebon, um dos mais competentes do setor, analisou detalhadamente as motivações e implicações da portaria publicada pela Anatel suspendendo a aplicação de franquias por 90 dias (o conselho da Agência promete dar um parecer antes disso). No site Gizmodo, Felipe Ventura comenta reportagem do The Wall Street Journal relatando que a controvérsia também existe nos EUA. E ontem, na Folha de São Paulo, Julio Wiziack mostra os limites de dados das atuais franquias.

Vários outros artigos têm sido publicados, inclusive por gente da área técnica, sem falar das manifestações “políticas”, como da OAB, IDEC e entidades ligadas a internautas. Por mais que alguns (como é comum no Brasil) queiram simplificar as respostas, o caminho é se informar e não cair na armadilha da gritaria. Daqui do nosso cantinho, vamos tentando ajudar.

Internet das Coisas gera disputa entre consórcios

Um grupo de gigantes da tecnologia – Microsoft, Intel, Cisco, Samsung e Qualcomm, entre outras – anunciou esta semana a criação da Open Connectivity Foundation. É o primeiro consórcio dedicado a normatizar o mercado de IoT (Internet das Coisas). A ideia é estabelecer protocolos “abertos”, que todos os fabricantes possam usar, não importando aspectos como sistema operacional, família de chips etc. Na teoria, qualquer pessoa poderia assim criar um novo dispositivo, ou aplicativo, para conectar aos que as empresas do grupo produzem. Não é bem novidade, vejam esta entrevista.

Digo “na teoria” porque essas mesmas empresas já participam de outros consórcios e o problema da padronização continua. Aliás, é o mesmo que afeta, por exemplo, os segmentos de Ultra HD (vejam aqui) e de comunicação sem fio, apenas para citar dois exemplos. Numa rápida pesquisa, encontramos nada menos do que oito consórcios voltados à IoT: Thread, Open Internet, AIOTI, IPSO, LoRa, Allseen, Industrial Internet e o próprio IoT Consortium, além dos já antigos Zigbee e Z-Wave.

Alguém aposta em um deles?

Ninguém tem solução para a banda larga

Como já havia ocorrido no caso da Condecine, que comentamos aqui semanas atrás, o Palácio do Planalto mandou negociar com as operadoras de telecom sobre a polêmica das franquias de banda larga fixa. Não se sabe se a ideia vinga, considerando o descrédito do governo atual, mas de qualquer modo o Ministério das Comunicações se empenha em buscar uma saída menos conflituosa – o problema é que ninguém enxerga essa saída.

O ministro André Figueiredo confirmou que está pouco familiarizado com o tema, ao afirmar que o Código de Defesa do Consumidor “impede a possibilidade de imposição de novas condições contratuais que gerem prejuízos ao consumidor sem anuência prévia”. Não é isso que se discute: só se pode alterar um contrato com a concordância das partes, determina outro Código, o Civil. O ministro disse ainda que os usuários mais afetados pelas franquias são uma minoria; de fato, e é justamente essa minoria que está se mobilizando nas redes para impedir a cobrança extra (detalhes, neste link).

Figueiredo também criticou o presidente da Anatel, João Rezende, por afirmar que a era da chamada “internet ilimitada” (que na prática nunca existiu) chegou ao fim. Na verdade, Rezende já vem dizendo isso pelo menos há dois anos, em meio a críticas sobre o desleixo de muitas operadoras (quase todas), cujo marketing publicitário criou essa ideia irreal. Banda larga sem limites é uma ficção, algo como o direito à privacidade na internet ou a promessa de sol 365 dias por ano.

A melhor prova disso é que já existem os pacotes das operadoras, e o assinante é obrigado a escolher um deles quando faz sua assinatura. A polêmica só surgiu agora por um descuido da Vivo (vejam o post anterior); Amos Genish, presidente da operadora, é um dos mais revoltados com a política do governo (ou a falta de) no setor. Até então, ninguém havia se incomodado, nem mesmo durante as controvertidas discussões para adoção do Marco Civil da Internet. Infelizmente, como tanto acontece no Brasil, muita gente acaba fazendo alarde sem se informar devidamente.

A propósito, o site Teletime publicou um excelente levantamento sobre a questão das franquias, comparando o Brasil com outros países. Vale a pena conferir os dados.

Disney pode comprar a Netflix

netflixdisney_600x400Bastou uma nota assinada por um consultor financeiro de Nova York, especialista no setor de entretenimento, para detonar a boataria: a Disney, maior conglomerado de mídia do planeta, estaria negociando para assumir o controle da Netflix, a empresa que mais cresce nesse segmento.

Na verdade, ambas já trabalham muito em conjunto. Mas a Disney, financeiramente, está num mau momento. Seu CEO, Thomas Staggs, acaba de pedir demissão após o balanço de 2015 revelar a perda de nada menos do que 7 milhões de assinantes. Procura-se então um novo executivo-chefe, e este poderia ser Reed Hastings, fundador e atual presidente da Netflix, informa o site da revista Fortune.

Os dados mais recentes indicam que a Netflix já tem mais de 60 milhões de assinantes em todo o mundo e que caminha para 150 milhões até o final da década. Nos EUA, serviços concorrentes – como Amazon, Hulu e HBO – não conseguem lhe fazer sombra, embora seu modelo de negócio (séries originais e filmes não recentes à vontade, via assinatura de custo baixo) esteja sendo muito copiado.

Já existem até valores em discussão: a Disney pagaria algo em torno de US$ 100 bilhões, não tudo necessariamente em dinheiro, repassando a Hastings e demais executivos um percentual sobre as vendas de assinaturas; além disso, colocaria na rede da Netflix seus famosos personagens de animação e os conteúdos da ESPN.

É muito dinheiro, claro, mas não custa lembrar que foi exatamente assim que a Disney atraiu Steve Jobs e adquiriu a produtora de desenhos animados Pixar, em 2006. Jobs ficou mais bilionário do que já era, e a turma do Mickey evitou a expansão de uma grande concorrente.

A história pode se repetir agora.

Franquias: operadoras podem se complicar

O comentário abaixo havia sido publicado aqui na sexta-feira 15; nesta segunda, a Anatel divulgou duas medidas aparentemente contraditórias. Primeiro, determinou (não proibiu) que as operadoras, por 3 meses, não reduzam a velocidade da conexão de banda larga fixa quando o usuário ultrapassar seu suposto “limite de dados”. Depois, o presidente da agência, João Rezende, comentou que a chamada “conexão ilimitada” não é mais possível, ou seja, não há como impedir que as prestadoras de telecom façam a redução. Enquanto isso, o movimento se amplia nas redes sociais contra a postura das empresas. Atualizamos aqui de acordo com a situação de momento. Como dissemos, a discussão está apenas no começo.

A polêmica em torno da cobrança adicional pelas franquias de dados de internet está apenas começando. A Vivo, principal defensora da ideia, já tem um belo abacaxi para administrar: seu vídeo publicitário veiculado na semana passada ganhou rapidamente uma sátira, mostrando que os usuários não vai aceitar passivamente a mudança.

A questão é complexa mesmo. Quem usa muito celular já sabe como funciona: cada pacote admite determinada quantidade de dados; quando se ultrapassa, a velocidade cai ou, então, a tarifa sobe. A ideia agora é estender esse esquema de cobrança às redes de banda larga fixa. Legalmente, não há como impedir, se isso estiver no contrato original. Na verdade, é o que já fazem há anos as principais operadoras. O erro da Vivo foi ter anunciado que seus novos planos incluirão um teto a partir do qual a velocidade será reduzida. Quem assinar um plano desses não terá do que reclamar depois.

Segundo a Anatel, o sistema de franquias pode ser praticado, desde que seja claramente explicado ao assinante, inclusive através de página na internet. Mas isso não convence os usuários, especialmente aqueles que utilizam grande quantidade de dados. Daí porque começou uma campanha online, que até sexta-feira passada teria colhido 350 mil assinaturas, segundo o Movimento Internet sem Limites, criado no Facebook.

Esse debate, que agora chega ao Brasil, já aconteceu em vários países. Tem a ver com a chamada neutralidade de rede, mas só até certo ponto. Não há como impedir que a operadora, “dona” da estrutura de comunicação, reduza a velocidade da conexão a partir de determinado ponto. A discussão internacional é de que essa seria a forma mais justa de oferecer o serviço: quem usa mais paga mais.

Embora o Ministério das Comunicações tenha solicitado à Anatel que evite abusos, na prática a agência não tem como fazê-lo. E cada operadora adota a política que julga mais conveniente (a Vivo, por exemplo, terá que fazer alguma concessão se quiser manter seus clientes agora tão insatisfeitos). Tim e Algar são duas que não querem adotar as franquias, garantindo que não bloqueiam acessos nem reduzem velocidades. A Tim, aliás, tenta aproveitar essa polêmica toda para reforçar sua imagem de “transparência”, como diz seu presidente Rodrigo Abreu, segundo o site Inova.jor.

Mas, como dissemos no início, a discussão está apenas começando.

Vem aí a TV Digital 3.0

ATSC-3No Brasil, mal começamos o processo de transição da TV analógica para a digital. Culpa da política. Enquanto isso, os americanos já discutem como passar da TV Digital para a próxima geração tecnológica, que eles estão chamando de Next-Gen TV, ou ATSC 3.0. ATSC, como se sabe, é o nome do padrão atual deles, que em alguns aspectos se equipara ao nosso ISDB-T e ao europeu DBV-T. Esta semana, as duas principais entidades do setor entregaram uma petição à FCC (Federal Communications Commission), agência reguladora a quem cabe definir as normas em telecom e broadcast. E a sugestão é interessante.

Trata-se de um padrão de transmissão totalmente baseado nos protocolos da internet. As emissoras ficariam autorizadas a distribuir seus sinais de TV aberta via IP, inclusive em resolução 4K, podendo adicionar canais, interatividade, multicast, compartilhamento de dados, canal de vendas e até serviços públicos de saúde, segurança, defesa civil etc. O padrão é tecnicamente tão avançado que já prevê, por exemplo, a transmissão de áudio Dolby Atmos!

A recepção poderia ser feita via antenas internas, em casas e edifícios, mas também em veículos; e o sinal, retransmitido em redes Wi-Fi para dispositivos móveis. Importante: não seria um padrão obrigatório, como hoje; cada emissora poderá escolher como e quando entrar nessa nova rede. Para captar o sinal, o usuário precisará adquirir um TV compatível. Mas quem quiser pode continuar com seu equipamento atual, pois o sinal ATSC 3.0 permite conversão para o padrão convencional.

Os detalhes da Next-Gen TV estão neste artigo, traduzido do site Twice. Importante lembrar que as duas entidades citadas (outras já estão aderindo) têm interesse comercial evidente na mudança. São elas a CTA (Consumer Technology Association, antiga CEA), que representa os fabricantes; e NAB (National Association of Broadcasters), constituída basicamente de emissoras e produtoras de conteúdo.

No primeiro caso, abre-se um novo segmento de negócios, com os TVs Next-Gen, voltados ao maior mercado consumidor do mundo. Quanto às emissoras, a petição se enquadra na estratégia de ampliar a distribuição de programas via web; a cessão de direitos às operadoras de TV paga tende a ser uma gigantesca fonte de receitas.

Deveremos ter mais novidades a partir desta 2a feira, durante a convenção da NAB, em Las Vegas.

LG e Samsung podem atuar juntas

TCL+8800S+IFA+2015+Promo+shotÉ difícil acreditar, mas existe uma possibilidade de que os dois maiores fabricantes mundiais de TVs se unam por uma causa comum: enfrentar a concorrência chinesa. A notícia saiu na semana passada no site Korea Times, que deu destaque a uma declaração do CEO da LG Displays, Han Sang-beom, citando a Samsung. É talvez a primeira vez em que um executivo de um dos grupos menciona o nome do concorrente em público. Para quem entende a disputa coreana, esse detalhe tem um tremendo peso!

Mr. Han falava durante encontro de CEOs com o ministro do Comércio, em Seul. “A Samsung vai se juntar a nós”, disse, referindo-se aos esforços em torno da tecnologia OLED. Até agora, a LG se mantém solitária nesse segmento, que de certa maneira é desdenhado pela concorrente. Todos concordam que OLED é o futuro, mas a Samsung acha que o investimento ainda não se paga.

Só que há uma ameaça mais forte: os chineses já estão produzindo TVs OLED e começando a inundar o mercado local. Daí a preocupação do governo coreano, que criou incentivos para a LG construir duas novas fábricas e concorda fazer o mesmo com a Samsung. Segundo o Korea Times, esta já solicitou a fornecedores os equipamentos necessários para ter sua própria unidade de produção de OLED. “Achávamos que não era viável comercialmente, mas agora estamos revendo nossos planos”, disse Park Dong-geun, CEO da Samsung Displays, sem dar mais detalhes.

Mr. Park não citou a concorrente. Mas, pelo menos, admitiu a possibilidade.

NET com Claro, Vivo com GVT

Neste fim de semana, começou a campanha da América Móvil para comunicar a união entre as marcas NET e Claro. Juntando as duas, são quase 100 milhões de usuários de telefone, TV e banda larga. É bom lembrar que a Claro herdou a imensa rede da antiga Embratel, adquirida pelo grupo mexicano em 2005; a Embratel continua atuando em serviços de telefonia e redes, especialmente para empresas.

A partir de agora, clientes de NET e Claro vão começar a receber os mesmos tipos de ofertas e serviços conjugados. O grupo tem metas agressivas em toda a América Latina (leia-se: não deixar espaço para Vivo/Telefônica nem DirecTV/Sky/AT&T). E a crise brasileira, que afeta particularmente a Claro, é um desafio e tanto para a equipe de José Felix, presidente do América Móvil, que comandou a NET nos bons tempos do mercado.

Só para se ter uma ideia: em 2015, o número de celulares em uso no país caiu 8% (de 280 para 257 milhões), a primeira queda desde que essa tecnologia existe; e o número de domicílios com TV paga, que em 2014 era de 19,6 milhões, passou para 19,1. Como os acessos a banda larga aumentaram (de 24 para 25,5 milhões), conclui-se que menos gente está usando as redes; mas quem usa o faz com maior intensidade. Ou seja, é o refluxo da chamada Classe C, que fez o setor disparar entre 2008 e 2013. Mais detalhes podem ser vistos no site da consultoria Teleco.

Curiosamente, a junção NET/Claro acontece em paralelo com a incorporação da GVT pela Vivo, que somam cerca de 80 milhões de assinantes. A concentração é inevitável, num setor que exige tantos investimentos, e a longo prazo. Sobra pouco espaço para os concorrentes.

Notícias da hora: pague para ler

blendleBlendle é como se chama um novo aplicativo de notícias, baseado em material produzido por grandes jornais e revistas. O conceito é simples, mas radical: se você não quer mais (ou não pode) pagar por uma assinatura de seu jornal ou revista, pague por alguns conteúdos (artigos, notícias, reportagens). Pague individualmente, para cada assunto que quiser ler, mas pague.

Os idealizadores do Blendle são jovens holandeses, liderados por Alexander Klöping, jornalista, apresentador e empreendedor de apenas 29 anos. Começaram um ano atrás, revendendo conteúdos de publicações de lá, e agora, com financiamento de dois grupos de mídia (Wall Street Journal e o alemão Axel Springer, partem para a internacionalização. Já contam com cerca de 10 mil assinantes, mas a versão beta já é dirigida a mais de 25 mil ao redor do mundo.

Segundo reportagem da Advertising Age, bíblia do marketing e da publicidade (a tradução está aqui), eles já conseguiram atrair para o projeto grifes como The New York Times, Fast Company, Financial Times, Bloomberg, Time e a própria AdAge, que se dispõem a “vender notícias no varejo” (e que outra denominação se pode usar?).

Cadastrando-se no Blendle, você pode adquirir um artigo que lhe interessa pagando na hora, via cartão, PayPal ou algo do gênero, como se faz no Uber ou na Amazon. Os preços variam entre US$ 0,09 e US$ 0,40 para os conteúdos de revistas, e de US$ 0,19 a US$ 0,39 para os de jornais. Cada publicação decide quanto quer cobrar, ficando com 70% da receita.

Ou seja, o Blendle calcula que possa sobreviver recebendo apenas 30% de US$ 0,09 (o que dá US$ 0,03, hoje equivalente a 11 centavos de real) para cada texto de uma Businessweek, por exemplo. Devem imaginar que muita gente aceite pagar, ou não montariam uma equipe para manter o sistema funcionando.

Confesso que torço para que esse tipo de iniciativa dê certo. Klöpping diz que a maioria das pessoas, a partir de um estímulo inicial, acaba procurando mais conteúdos para comprar; como o valor unitário é baixo, a ação é intuitiva, quase automática. Mais: se não gostar do que leu, você pode pedir seu dinheiro de volta. Não sei como se aplicaria, na prática, este último recurso. Mas não custa tentar. Já me cadastrei.

Netflix reduz a oferta de filmes e séries

Oferecer menos para ganhar mais. Assim pode ser resumida a nova estratégia da Netflix, segundo um relatório divulgado na semana passada pela AdvancedMedia, agência de consultoria em marketing e mídia. Em pouco mais de dois anos, o serviço reduziu em 34% (de 1.609 para 1.197) o número de séries disponíveis, que são, de longe, seu principal atrativo para os assinantes; e a oferta de filmes caiu quase 50%, de 6.494 para 4.335 títulos.

Existem duas explicações, dizem os consultores. A primeira é que o custo dos direitos sobre os conteúdos vem aumentando expressivamente, conforme cresce a audiência de serviços concorrentes do Netflix; nos EUA, os dois principais são Amazon e Hulu. Já comentamos aqui que um dos maiores desafios dos provedores de vídeo online, inclusive Netflix, é fechar as contas. O conceito é cobrar pouco pela assinatura, mas se o número de usuários se expande torna-se mais complicado então manter a estrutura de rede. No fundo, é um dilema que afeta toda a internet.

Mas a segunda explicação talvez seja mais decisiva: reduzindo a oferta de títulos, diminui-se a quantidade de dados trafegando pela rede e minimizam-se os “gargalos” que alguns assinantes enfrentam. Segundo o estudo, os administradores do Netflix estão renegociando os direitos na compra de séries, preferindo pagar aquelas que atraem mais público. E, enquanto isso, esperam a estreia de mais produções próprias como House of Cards e Orange is the new black. Algumas delas estão neste link.

Foxconn e Sharp: qual é o futuro?

sharpConfirmada a aquisição da Sharp Corporation pela taiwanesa Foxconn (aquela mesma que produz iPhones e iPads para a Apple), executivos da indústria começam a se perguntar o que vem por aí.

Apenas atualizando: os dois grupos negociavam há pelo menos dois anos, e o acordo só não havia saído ainda pela influência do governo japonês. Fizeram de tudo para evitar a venda a um outro país, ainda mais sendo a China, rival histórica em diversos conflitos regionais. Mas, no final, a única forma de evitar seria o próprio governo colocar dinheiro na Sharp, o que foi descartado. E o Foxconn acabou levando, aliás pagando menos (US$ 3,5 bilhões) do que sua oferta inicial (US$ 6 bi), por 66% das ações.

Vale acrescentar que o negócio envolve toda a Sharp Corporation, que é (ainda) a maior fabricante mundial de displays LCD e, no Japão, tem forte presença nos segmentos de linha branca, celular e painéis solares. Com tantos prejuízos nos últimos anos (mais de US$ 10 bilhões, segundo os balanços oficiais), continua sendo uma potência. Os taiwaneses estão comprando nada menos do que 103 anos de história tecnológica.

Terry Gou, CEO do Foxconn, anunciou no sábado que pretende manter a marca Sharp e investir na sua expansão internacional. A maior parte da diretoria será substituída até junho. Será dada prioridade ao desenvolvimento de displays OLED para TVs, smartphones e tablets, tecnologia na qual a Sharp possui uma série de patentes mas – por falta de dinheiro – não vinha conseguindo utilizá-las.

Pode estar nascendo assim um novo gigante.

Mais um gênio se vai…

andy-groveNesta segunda-feira, morreu Andy Grove, reconhecido como um dos homens mais importantes na história da tecnologia. A morte foi anunciada oficialmente hoje, no site oficial da Intel, empresa que ele ajudou a transformar numa usina de inovações. Só para se ter uma ideia, Marc Andreessen – criador do Netscape e cérebro por trás de diversas empresas que dominam o setor atualmente – escreveu no Twitter: “Foi o melhor administrador que o Vale do Silício já viu e que provavelmente jamais verá.”

Grove, que nasceu na Hungria e conseguiu fugir de lá em 1956, após enfrentar a dureza do nazismo e do comunismo, fundou a Intel em 1968, em sociedade com Gordon Moore e Robert Noyce, este o coinventor do microprocessador (ambos aparecem com ele na foto da parede; Grove é o de bigode). Grove ocupou a presidência da Intel de 1979 a 2004, período em que a empresa se transformou na maior fabricante mundial de chips. Idolatrado por figuras como Steve Jobs e Bill Gates, foi ainda conselheiro de várias corporações. E escreveu pelo menos dois livros obrigatórios no mundo do marketing e do empreendedorismo: “High Output Management” (de 1995) e “Só os Paranóicos Sobrevivem” (96), este um clássico (este texto antigo dá algumas pistas sobre seu estilo de gestão).