Salas de cinema chegam à era do LED

Foi inaugurado em julho, na Coreia, o primeiro cinema que substitui a tradicional tela de projeção frontal por um display LED. São 10,2 metros de largura por 5m40 de altura, algo em torno de 350 polegadas na diagonal, suficientes para extasiar quem já viu. Na semana retrasada, uma rede de cinemas da Tailândia tornou-se a primeira do mundo a adquirir essa preciosidade – a ser instalada em nada menos do que 668 salas de exibição do país, segundo o site Variety, especializado em entretenimento.

Com nome comercial de “LED Screen”, a tela produzida pela Samsung não é a primeira do gênero, mas tem a primazia de ter sido aprovada pelo DCI (Digital Cinema Initiatives), consórcio internacional formado pelos estúdios de Hollywood para ditar as normas no setor. Reproduz imagens 4K no formato de cinema (4.096 x 2.160 pixels), mais largo que o dos TVs, e decodifica sinais gravados em HDR (High Dynamic Range), com níveis de brilho especificados em 500 cd/m2 (candelas por metro quadrado), dez vezes o que se alcança com uma tela convencional.

Em material divulgado para a imprensa especializada na Europa e EUA, a Samsung informa que desenvolveu um algoritmo chamado Scene Adaptive HDR, capaz de ajustar a luminosidade a cada cena. Outro avanço estaria no balanço de cores, mais equilibrado do que na projeção frontal, em que o aumento do brilho fatalmente provoca perdas na colorimetria.

Meu colega Chris Chinnock, editor do site Inside Media e consultor de várias empresas, esteve na Coreia para ver de perto esse “super display” e voltou impressionado. Notou dois artifícios, não na imagem propriamente, mas nas legendas e créditos – o chamado “efeito halo”, que destaca exageradamente as letras e pode causar desconforto. Já notamos o problema em testes com imagens 4K HDR. Mas, no geral, ele aprovou a experiência: “Níveis de preto profundos e uniformidade em toda a tela, sem vazamentos nos cantos como estamos acostumados a ver”.

Não enxergar vazamentos numa tela de 350″ é mesmo algo impressionante. Como mostra este vídeo, a Samsung está em plena campanha para entrar com a linha LED Screen no segmento de cinemas digitais. Serão cerca de 200 mil salas em todo o mundo em 2020, das quais a empresa quer pelo menos 10%. A conferir. 

20 anos de automação no Brasil

Interessante um artigo publicado no site da Aureside (vejam aqui) sobre as duas décadas de evolução do mercado de automação residencial no Brasil. Lembro-me que, na revista HOME THEATER, publicamos o primeiro texto a respeito em abril de 1998. Falávamos então sobre controles remotos capazes de ir além do TV – um dos mais famosos foi o Philips Pronto (foto); dimmers de parede que acionavam as luzes de vários ambientes; e a chegada ao Brasil de marcas como Crestron, Lutron e AMX, líderes no mercado americano.

O artigo da Aureside faz uma retrospectiva desses vinte anos, citando até curiosidades como o jargão “casa dos Jetsons”, que alguma publicação da época inventou para se referir aos projetos de automação. Até hoje encontro pessoas que citam essa analogia – aliás, detestada pelos profissionais, pois passa uma falsa ideia de algo ficcional, inalcançável aos pobres mortais. Inúmeras reportagens já publicadas na imprensa foram ilustradas com a famosa foto da “banheira automatizada”, deixando em segundo plano os benefícios mais concretos da automação.

Enquanto aqui o maior problema para a expansão desse mercado é o desconhecimento (tanto dos usuários quanto de muitos profissionais) – embora o quadro hoje seja infinitamente melhor que o do final dos anos 90 – nos EUA, país onde a automação praticamente foi inventada, o problema é de outra ordem. Por lá, surgiu uma infinidade de soluções DIY (“faça você mesmo”, na sigla em inglês) que acabam competindo com as grandes marcas especializadas. E, não por acaso, aumentou a confusão entre siglas, formatos e protocolos.

O tema foi bem explorado recentemente pela jornalista Julie Jacobson, do site CE Pro, que detalhou exemplos de produtos que oferecem basicamente os mesmos recursos mas não se comunicam entre si (ou, pelo menos, isso não é transparente para o usuário). Os fabricantes, em geral, não fazem muito esforço para explicar. E ela cita perguntas que são comuns a quem pensa ter em casa um sistema de automação: posso ligar na rede Wi-Fi da minha casa? O sistema se atualiza sozinho? Posso usá-lo enquanto faz o update, ou tenho que desligar tudo? E os módulos que funcionam com bateria, tenho que trocá-las periodicamente? 

Consolo, para os integradores especialistas: quem tiver essas respostas encontrará um belo mercado para trabalhar. Tanto lá quanto aqui.

Chineses agora adquirem a Toshiba

Talvez não seja coincidência. Falamos aqui dias atrás sobre a marca chinesa HiSense, e nesta terça-feira o grupo anunciou a compra da japonesa Toshiba. Por cerca de US$ 113 milhões, o negócio inclui a divisão de TVs e o uso da marca, ainda forte, fora do Japão, pelo prazo de 40 anos.  

O valor nem é muito alto: apenas um pouco mais que o prejuízo registrado pela Toshiba no último ano fiscal, encerrado em março. Vale lembrar que o grupo continua sendo um dos maiores do Japão, atuando em áreas como energia, semicondutores, telecom e equipamentos médicos, entre outros. Com mais de 153 mil funcionários, fatura atualmente US$ 11 bilhões por ano (vejam aqui).

Já o HiSense é um dos maiores grupos eletrônicos chineses, com forte participação de capital estatal. Está presente no Brasil, mas por enquanto de forma tímida. 

A Globo e seu futuro no streaming

A Globo se destacou nos últimos dias não propriamente por sua programação, mas por duas notícias polêmicas. Na semana passada, anunciou o lançamento (em 2018) de um serviço de streaming de apelo popular, algo que o mercado em geral espera com ansiedade. E na última quarta-feira afastou o jornalista William Waack, um de seus profissionais de maior prestígio, por fazer brincadeiras racistas num vídeo que circulou na internet.

Sobre este último caso, vejam nossa opinião aqui. Em relação ao novo serviço, que já foi ventilado no passado (citamos aqui há cerca de um ano), parece uma nova estratégia para combater os concorrentes da internet, especialmente Netflix, YouTube e Amazon – há especulações de que a Apple também estaria preparando uma versão reforçada do iTunes Video em português. Em comunicado a seus funcionários, a Globo não deu detalhes. Informou apenas que inicialmente o serviço oferecerá conteúdos da própria TV aberta, sem custo para o usuário, mais séries e alguns programas ao vivo, numa ampliação do atual Globo Play.

Num segundo momento, seriam agregados conteúdos dos canais Globosat e também de parceiros como Universal e Megapix. Está no radar ainda um serviço próprio de assinatura, via streaming, com esportes e conteúdos dublados a preços mais baixos, visando outra faixa de público que não tem o hábito da TV paga mas agora encontra acesso mais fácil à internet. A Globo corre contra o tempo para ter esses serviços rodando sem travamentos antes que os competidores gigantes lancem algo do tipo. Travamento, aliás, é o que mais temos experimentado nos testes com Globo Play.

Numa reportagem recente, o sempre bem informado Samuel Possebon, do Tela Viva, conta praticamente toda a história de como a Globo atravessou os últimos 15 anos, seu período de maior crescimento – e também de uma dívida que quase se tornou impagável. Muitos dados ali são questionáveis, mas é fato que o maior grupo de mídia do Brasil também sente efeitos da crise econômica, e ainda não sabe exatamente como irá se colocar no novo mercado de distribuição digital de conteúdos.

Aos que gostam de malhar a Globo, um lembrete: o grupo vem estudando o tema há anos (mais detalhes aqui) e é o único, no Brasil atual, que tem condições de enfrentar os concorrentes internacionais. Os outros nem chegam perto disso.

Nikon: Sayonara, Brasil!

O Brasil foi incluído no plano global de reestruturação da Nikon, uma das marcas icônicas do mundo fotográfico. Esta semana, a empresa anunciou a desativação de sua loja online brasileira (a partir de 31/12), mantendo apenas, por algum tempo, a assistência técnica. Dias antes, o grupo também havia anunciado o fechamento de sua fábrica na China, dedicada a câmeras compactas, cujas vendas despencaram nos últimos anos. De 2010 a 2017, a empresa deixou de vender cerca de 1,258 milhão de câmeras desse tipo, um segmento praticamente destroçado pelo avanço dos celulares.

Só na fábrica chinesa trabalham 2.200 funcionários, que estão sendo demitidos, diz o site South China Morning Post. O plano agora é se concentrar na produção de câmeras high-end, feitas apenas no Japão, e na divisão de semicondutores; câmeras populares talvez sejam produzidas ainda em países asiáticos afluentes, como Tailândia e Malásia, mas em menores quantidades. O site acrescenta que parar de produzir na China é a opção para grandes grupos internacionais do segmento eletrônico, já que ficou impossível competir com os fabricantes locais. A japonesa Panasonic e a americana Seagate anunciaram decisões semelhantes recentemente. 

Curiosidade extraída da reportagem: a câmera mais barata da Nikon atualmente (mod. J1) possui sensor para captar imagens de até 10.1 Megapixels, enquanto na mesma China celulares de marcas como Huawei e Oppo já oferecem mais que o dobro – e ainda permitem gravar vídeo com zoom manual ou eletrônico!!!

Apple TV traz mais conteúdos em 4K HDR

Por falar em 4K, uma boa novidade da semana é o lançamento oficial no Brasil (ou seja, com menu em português) do novo Apple TV. O produto marca a entrada da empresa no segmento top do mercado de vídeo, oferecendo boa variedade de filmes e séries em 4K com codificação HDR. Até agora, a oferta era restrita a algumas produções do Netflix e da Amazon, além do Globosat Play. Os acordos da Apple se estendem a HBO Go, Fox, Globo Play e Esporte Interativo, além do seu tradicional iTunes. Fica mais fácil, portanto, ver sucessos recentes do cinema com essa qualidade de imagem (faltou apenas áudio Dolby Atmos, que deve estar na próxima atualização).

TV Laser com projetor: outra opção

A propósito da nota que publicamos aqui semana passada, sobre o primeiro TV com projetor 4K integrado, da marca chinesa HiSense, o amigo João Carlos Jansen Wambier, sempre atento, me lembra que já existe no mercado brasileiro uma solução similar: o xTV, da marca italiana SIM2, distribuído com exclusividade pela Som Maior. Sinceramente, achei que havia sido descontinuado, mas o excelente blog da HomeDigital dá detalhes sobre o produto. Confiram.

Duas diferenças básicas: o modelo chinês vem com tela de projeção adaptada e reproduz imagens em resolução 4K. Já o italiano, com design sofisticado, pode projetar conteúdos (Full HD) até numa parede clara. 

Chineses podem salvar a Oi

Foi manchete da Folha de São Paulo nesta segunda-feira e vem sendo noticiado com regularidade nos últimos meses: os investimentos chineses crescem no Brasil, e o país já é nosso maior parceiro comercial, com mais de 25% do capital produtivo que entra. Neste link, há um bom resumo.

E da China pode vir também a solução para a novela da Oi, que se arrasta há tanto tempo. A China Telecom, hoje maior operadora do mundo, teria acenado com a possibilidade de investir, de imediato, R$ 10 bilhões na empresa brasileira, além de outros R$ 30 bilhões a médio prazo. Isso, desde que o governo tope estender os prazos para pagamento das dívidas com a Anatel (basicamente multas não pagas), hoje na casa dos R$ 11 bi, o que exige mudança na lei.

Neste momento, a disposição do governo é fazer de tudo para não perder a oportunidade de fechar com os chineses, garantindo a continuidade da Oi num setor cada vez mais concentrado (vejam aqui). Seria ótimo para o mercado. Mas, como lembra este outro artigo, há vários riscos envolvidos.

Ajudando quem mais precisa

Deixamos aqui uma nota de apoio e elogio à Raul Duarte, tradicional endereço paulistano para fãs de equipamentos AV. Louvável a iniciativa das irmãs Eliana, Fernanda e Patricia Duarte de montar uma sala de cinema no Lar Madre Regina, que atende cerca de 80 idosos. Uma animada e emocionante festa marcou a inauguração do espaço. Segundo elas, mais de 800 CDs, DVDs e Blu-rays doados por clientes e amigos da loja agora fazem parte da casa, ajudando a alegrar a vida dos moradores. A iniciativa foi coordenada junto ao pessoal do Projeto Velho Amigo, que realiza um trabalho espetacular.

Pirataria de vídeo cresce e assusta

Falar em pirataria no mercado de tecnologia é quase redundância. Mas engana-se quem pensa que esse problema prejudica apenas os estúdios de cinema. Quanto maior a fragmentação das mídias, mais setores são afetados. E a atitude, ainda comum, de querer levar vantagem só faz piorar as coisas.

No início do mês, saiu um dos estudos mais amplos sobre a questão do tráfico de equipamentos e conteúdos, atividade já reconhecidamente dominada por máfias internacionais. Veio da Nagra, empresa suíça que produz sistemas para redes de TV por assinatura usados por operadoras de vários países. Além de reafirmar as dificuldades do setor diante do impacto dos serviços digitais, o relatório destaca como a pirataria está crescendo. “Nos velhos tempos do BitTorrent, podíamos, pelo menos, medir sua extensão, mas agora é muito mais difícil, já que ele mudou para IPTV e OTT”, comentou um dos entrevistados.

Mais sofisticada que a antiga cópia de mídias físicas, a pirataria no universo online é classificada em vários segmentos. Vejam os percentuais de empresas que se dizem afetadas em cada uma delas:

*Streaming irregular: 79%

*Downloads privados (peer-to-peer): 57%

*Desvio de sinal via set-top box IPTV: 45%

*Roubo de sinal (incluindo clonagem de cartões): 43%

*Copiagem ilegal de discos e dispositivos USB: 30%

*Gravação a partir da tela: 19% 

América Latina e Ásia são as regiões onde a ação dos piratas é mais sentida. Incrivelmente, grande parte dos equipamentos considerados ilegais é vendida em sites comuns de compra. E já vem pré-carregada com extensões para acesso de conteúdos internacionais. 

Para os interessados, este link faz um bom resumo do estudo. Para vê-lo na íntegra, em inglês, clique aqui

TV? Projetor? Os dois juntos.

LED, OLED, QLED… bem, temos agora um novo tipo de TV para comentar. Acaba de sair nos EUA o primeiro “TV-projetor” da era 4K, da marca HiSense, hoje uma das gigantes chinesas. Para quem possa achar estranho, é bom lembrar que essa solução não é propriamente novidade. Consiste de dois módulos (projetor e display) montados como se tivessem sido feitos um para o outro.

A maioria dos fabricantes resiste porque, de fato, é complicado obter bons níveis de luminosidade com projeção frontal em ambientes claros. Para garantir a nitidez e a profundidade exigidas pela resolução 4K, mais difícil ainda. A alternativa encontrada está num novo tipo de chip DLP, da Texas Instruments, e no uso de projeção a laser. O modelo da HiSense é, na prática, um projetor com lente de curta distância (short-throw) que exibe imagens de 3.000 lumens sobre um display de 100 polegadas. 

Na versão USA, o “Smart Laser TV”, como o fabricante está chamando, vem com suporte de parede para a tela, um par de alto-falantes, processador estéreo com simulador de canal central, subwoofer sem fio, receptor de TV digital e plataforma smart integrada. A tela é produzida pela Screen Innovations sob encomenda da HiSense, com película anti-reflexo. 

Lançado na CEDIA, em setembro, o produto foi bem recebido pelos integradores e mídia especializada (um protótipo já havia sido mostrado na CES, em janeiro). Com preço sugerido de US$ 9.999, é de longe o melhor custo por polegada do mercado americano (um TV LED de 100″ não sai por menos de US$ 20.000 por lá).

A HiSense não tem, por enquanto, distribuição regular no Brasil (neste link, há algumas informações), e por isso não é possível saber se o Smart Laser TV será lançado aqui. Vamos ficar atentos às repercussões internacionais.

Faça você mesmo, se puder

O site da Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial) publica tradução de um interessante artigo da colega jornalista Julie Jacobson, editora do CE Pro, voltado a integradores e profissionais do mercado americano. O título já dá a pista: “Boas notícias para os profissionais: automação residencial está mais confusa do que nunca”!

Diz ela que o excesso de sistemas, padrões e protocolos, e das chamadas soluções DiY (do it yourself, ou “faça você mesmo”), acaba criando uma oportunidade de negócio para os especialistas, já que o consumidor não conseguirá sair sozinho desse emaranhado. E dá exemplos: Sonos, Amazon Alexa, Z-Wave vs ZigBee… alguns dos quais até já comentamos aqui, aqui e aqui.

De fato, é uma overdose! Pode ser que muitas dessas “soluções” (ou seriam problemas?) desapareçam em pouco tempo. Enquanto isso, cabe ao profissional especializado traduzir as novidades para a linguagem do usuário, o que exige mais estudo e dedicação. Até porque o tal DiY é muito mais fácil de falar do que fazer.

Filmes a toda hora, em qualquer tela

Cinco dos principais estúdios de Hollywood (Disney, Fox, Sony, Universal e Warner) e quatro das maiores plataformas de streaming (Amazon, Google Play, iTunes e Vudu) acabam de se associar num projeto mundial que ainda vai dar o que falar. Chama-se Movies Anywhere, e poderá ser acessada em praticamente todos os dispositivos de acesso à internet: Chromecast, Android, Roku e as linhas completas da Apple e da Amazon.

Uau!!! Parece a solução para todos os problemas de quem é fanático por filmes. Mas, muita calma nessas horas. A ideia é uma plataforma de acesso rápido e descomplicado, com uma quantidade de conteúdos inédita até hoje. Vale lembrar que o Netflix continua sendo pobre em filmes recentes, embora imbatível nas séries, e seu catálogo é limitado aos acordos com os estúdios (Disney, por exemplo, já anunciou que está saindo).

A participação das principais empresas de internet garante ao Movies Anywhere um trunfo impossível de medir em números: o usuário terá acesso a sua biblioteca pessoal, incluindo títulos que já viu, através de qualquer dispositivo. Pode, por exemplo, começar a ver um filme no iPad, dar pausa e continuar assistindo num TV conectado a um Chromecast, por exemplo. Ou Amazon Fire. O filme que você comprou na Amazon ficará armazenado na plataforma MA, para ser visto ou revisto a qualquer momento, onde você estiver. Simples assim. 

MA começa com um catálogo de 7.300 títulos, incluindo sucessos do cinema na temporada corrente, mais trailers e making-ofs. Não se paga assinatura. Informações mais detalhadas já estão nos sites de cada estúdio, além do apple.com, android.com e amazon.com.

A partir de agora, com o serviço no ar (por enquanto, somente nos EUA), devem começar a aparecer as dúvidas, reclamações etc. Lembremos que tudo depende muito da conexão de banda larga disponível. E vamos ver como reage a Netflix, hoje reinando soberana. Se o MA der certo, outros estúdios se unirão ao esquema, e também outras plataformas online, inclusive as de TVs Smart, e o mundo será perfeito!

A nova geração de câmeras

Recentemente, comentamos aqui a primeira câmera de uso profissional com resolução 8K, exibida pela Sony. Bem, já não é a única. Se você não se importa em pagar US$ 10.500 (preço no mercado americano), talvez fique curioso pela 360 Round, da Samsung. Parece que nessa câmera tudo é over. São nada menos do que 17 lentes num diâmetro de apenas 20cm, sendo dois conjuntos de oito mais uma lente central; tudo isso, claro, de olho nos entusiastas da realidade virtual (VR).

As especificações divulgadas pelo fabricante indicam que o design foi pensado para quem quer captar conteúdo 3D em 8K e fazer o streaming ao vivo com o mesmo aparelho. Segundo o site CNET, um protótipo da 360 Round já circulava em 2014, quando pouco se falava em VR. Agora aprimorado, pesa 1,93kg, possui 6 microfones embutidos, memória interna de 10GB (pequena para armazenar conteúdos em 8K) e proteção contra água e poeira. No quesito memória, pode registrar até 2TB em HD externo SSD.  

Para quem se liga em câmeras, nada melhor do que este vídeo de apresentação

Mais células, mais pixels

Os consumidores que forem às lojas agora no final do ano – e/ou nos próximos meses, talvez pensando na Copa do Mundo, como é de lei – encontrarão mais uma variedade até agora pouco falada. São os TVs Nano Cell, lançados pela LG para fazer frente aos QLED, da arqui-inimiga Samsung. O leitor, atônito, talvez queira perguntar: mas os QLED não surgiram exatamente para competir com os OLED, da mesma LG? 

Pois é, pode-se afirmar que são coisas iguais, mas diferentes. Informa a LG que os elementos de imagem num painel Nano Cell têm 1nm (nanômetro, medida equivalente a um milionésimo de milímetro), enquanto os pontos quânticos (Quantum Dots) medem de 2 a 11nm. Por serem menores, essas partículas retêm maior quantidade de luz e variações de cor, o que daria mais estabilidade aos pixels. Também teriam menor custo de produção, diz a empresa.

Claro que a Samsung não concorda com essas explicações, embora oficialmente não se manifeste. No Brasil, a TCL também está lançando TVs de pontos quânticos, algo que a Sony também já oferece, só que com a denominação Triluminos. O que varia é a eficiência do processador usado pelos diversos fabricantes.

Ainda há poucas referências sobre o desempenho dos TVs Nano Cell; aliás, estamos aguardando um para testes, e talvez assim possamos compará-lo com as outras tecnologias.

Lojas online: quem ganha e quem perde

Nos últimos dias, caíram na Bolsa as ações do Magazine Luiza e da B2W (Submarino e Americanas.com), simplesmente com a notícia de que a Amazon iria iniciar suas operações no segmento de eletrônicos. A gigantesca marca americana já está no Brasil desde 2012, mas até agora vendia apenas livros. Como comentamos recentemente aqui, decidiu investir pesado no mercado brasileiro.

O market place da Amazon entrou no ar nesta quarta-feira 18, provavelmente com centenas de milhares de cliques. Nessa modalidade de loja virtual, o dono do site oferece sua plataforma para que varejistas de pequeno e médio porte – e também fabricantes, com suas lojas próprias – vendam produtos ao consumidor. É o modelo de sucesso do Luiza, por exemplo, aprimorado com ferramentas de big data, cada vez mais sofisticadas. Outros nomes fortes no segmento: Netshoes, Via Varejo e Dafiti.

Só que, nesse quesito, ninguém bate a Amazon, primeira loja virtual do planeta, criada em 1996, ainda antes da explosão da internet. Não sei se é motivo para tantos temores, mas fato é que o chamado “mercado” entendeu a novidade como ameaça aos sites brasileiros, daí a queda nas cotações (em parte revertida já nesta 4a). Além de todo o seu aparato tecnológico, a Amazon tem dois trunfos com os quais é difícil competir: cobra menos de seus parceiros, que assim podem praticar preços mais baixos ou, se preferirem, aumentar suas margens; e garante a entrega (ou reembolso do valor pago), mediante um rigoroso sistema de avaliação e pontuação dos vendedores.

Como disse um especialista, a Amazon é como “um urso entrando na sua casa: ele vai escolher onde quer sentar, e você que trate de se adaptar ao visitante”. Vamos acompanhar os próximos passos. 

Marketing e comunicação na era digital

Atendendo a um honroso convite da Associação Brasileira de Automação Residencial, participaremos na próxima semana do Fórum Aureside Marketing, Vendas e Gestão, voltado a empresários do setor. A proposta é discutir as tendências deste complicado mundo digital, principalmente para quem se dispõe a atuar no segmento de tecnologia e integração de sistemas. Não será um evento propriamente técnico, até porque nessa matéria a Aureside já acumula longa tradição em cursos, feiras e certificações. Tentaremos contribuir com nossa experiência em comunicação e marketing voltados a um consumidor cada vez mais informado (embora às vezes confundido com tantas informações) e exigente.

Será no dia 24, a partir das 9h da manhã, no Espaço Ettore. Lembrete: é preciso se inscrever antes (a inscrição é gratuita para associados da Aureside).

Apple entra no streaming com Spielberg

Todos os olhos estão voltados para Amazon e Netflix, mas há outras forças de olho no mercado mundial de streaming. E uma delas é a Apple, que decidiu aproveitar sua enorme base de usuários e seguidores para lançar um serviço exclusivo de filmes. Pelo que divulgou o The Wall Street Journal, que não costuma errar nessas contas, a empresa reservou nada menos do que US$ 1 bilhão para esse projeto. Vai produzir conteúdo original (séries e filmes) que só poderão ser vistos através de aparelhos Apple.

E, para mostrar que a aposta é pra valer, contratou simplesmente Steven Spielberg, o mais bem-sucedido produtor de todos os tempos, para a primeira de suas séries. Será um remake de Amazing Stories, que o próprio Spielberg produziu em 1985 (e que saiu no Brasil na época como Histórias Maravilhosas), inspirado numa série de TV dos anos 60, chamada Twilight Zone (aqui, Além da Imaginação). Mais: a Apple contratou para comandar sua divisão de streaming dois executivos da Sony, que entre outros êxitos têm no currículo Breaking Bad, The Blacklist, Better Call Soul e Masters of Sex.

No mínimo, esses caras vão fazer barulho. Aqui, um resumo do plano da Apple. E, aqui, um vídeo promocional que, 30 anos atrás, dava o que falar.

Amazon em casa: vantagem ou desvantagem?

Ainda sobre o Custom Home Service, da Amazon, e agora falando diretamente aos profissionais brasileiros desse segmento, acho importante ponderar que essa é a tendência mundial (e irreversível): grandes marcas oferecendo serviços adicionais, seja com ou sem parceria de fornecedores especializados. No Brasil, a própria Amazon planeja uma expansão, como já mostramos aqui, e quem sabe se não caminhará no sentido da ‘casa inteligente’? “Não queremos tomar o mercado de ninguém, queremos sim colocar o Alexa em todo lugar”, resumiu Dan Quigley, diretor da Amazon. Abaixo, algumas de suas ideias apresentadas ao jornalista Jason Knott, do CE Pro:

*Alexa, assim como outros produtos da Amazon, é uma plataforma aberta. Qualquer fabricante pode integrá-la a seus aparelhos, e muitos já vêm fazendo isso. Só para citar alguns: LG, Sony, Honeywell, Leviton, Crestron, Control4, RTI, Lutron, Nest, Philips, Onkyo, TP-Link…

*No mercado americano, apenas 10% das residências possuem algum aparelho smart (quantas serão no Brasil?). Ou seja, há muito a crescer, e a força de uma marca como Amazon é inquestionável. Acrescento: melhor estar “com ela” do que “contra ela”.

*O uso dos comandos por voz será cada vez mais comum, para as pessoas acessarem seus serviços em qualquer ponto da casa. Os aplicativos que exigem vários cliques tendem a desaparecer. Esse era um mercado praticamente inexistente em 2014; na época, os serviços por voz eram ineficientes, falhavam em 99% dos casos. Hoje, respondem por mais de 10% de todo o tráfego online nos EUA.

*Com o Alexa, a Amazon procura evitar o erro de outras plataformas, que são fechadas (Quigley cita especificamente Z-Wave e ZigBee). Antes de lançar um serviço novo, a Amazon procura três fabricantes ou desenvolvedores para colher sugestões e fazer testes. E já tem mais de 1.000 itens lançados.

*Os integradores são os “arquitetos” dos sistemas smart home, acrescenta o diretor da Amazon. O problema é que a maioria dos clientes nem sabe que esses profissionais existem, pois seguem indicações de amigos. Ao se cadastrar no programa da Amazon, o integrador será indicado aos potenciais clientes de sua região e poderá obter descontos se utilizar produtos da empresa.

Resta ver como tudo isso se dará na prática. É bom ficar ligado.