Mais canais nos TVs smart

Gradativamente, os canais de TV por assinatura – que por definição são pagos – vão se espalhando pelas novas mídias (gratuitas). Assim como comentamos ontem sobre a expansão mundial do Netflix, no Brasil alguns dos principais programadores procuram ocupar espaços no universo digital. Globosat é um dos mais ativos nessa estratégia. Agora, proprietários de TVs smart da LG também podem acessar conteúdos do Telecine Play pela plataforma WebOS, exclusiva dessa marca. Pelo app, pode-se assistir a filmes de grandes estúdios com áudio original, e sem custo extra. A conferir qual será o cardápio.

A mesma Globosat já oferece seu app para TVs smart, de várias marcas, além do Globosat 4K, que por enquanto tem poucos conteúdos. Através deles, é possível assistir a boa parte dos programas já exibidos em canais como Globo News, SporTV e Multishow – cada um com seu “canal dentro do app”. Outras programadoras – como Turner e HBO – lançaram aplicativos próprios, que podem ser baixados em qualquer dispositivo, inclusive TVs. No fundo, todas querem expandir seu alcance, atingindo públicos que não necessariamente estão diante de um TV ou têm uma assinatura.

No limite, essa prática significa “independência” do usuário em relação aos pacotes das operadoras, isto é, aquele usuário que não faz questão de assistir a programas ao vivo. No mercado americano, esse conflito – que lá foi apelidado de cord cutting – já se estabeleceu, como já explicamos neste artigo, até porque a oferta de serviços de TV online é muito maior (Netflix, Amazon, Hulu etc). Aqui, a força das operadoras ainda parece imbatível.

Netflix abre as asas sobre a TV

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O acordo anunciado na semana passada entre a Netflix e a Liberty Global, um dos maiores grupos de televisão do mundo, não é propriamente uma surpresa. Três semanas atrás, o serviço de internet havia fechado parceria com a Comcast, maior empresa do setor nos EUA, e a partir deste mês entra em vigor o contrato firmado com a Walt Disney em 2012: somente através do Netflix será possível aos americanos assistir às produções dos estúdios Disney, Marvel, Lucasfilm e Pixar, pertencentes ao grupo.

Somando tudo, não é pouca coisa. Já houve notícias de que Reed Hastings, fundador e CEO da Netflix, iria assumir a presidência da própria Disney, mas talvez sejam exageros. Fato é que sua empresa parece mesmo decidida a se expandir. Informa o site Investopedia, especializado em finanças, que após atingir a saturação em seu próprio país, com mais de 50 milhões de assinantes, Hastings montou um plano de ampliação feroz para cobrir nada menos do que 180 países; além disso, está investindo cada vez mais em produções próprias, e que tenham apelo multi-região, incluindo elenco não americano, como Narcos (que já tem mais duas temporadas sendo rodadas) e Sense8.

Porém, e sempre existe um porém, o mesmo site lembra que as ações da Netflix continuam sendo um problema. A queda este ano foi de 15%, e o número de assinantes adicionados ficou em 1,5 milhão (contra 2 milhões previstos em balanço). Manter uma operação global desse porte custa muito, muito caro; e produzir séries do mesmo nível de Narcos e Marco Polo, também. O crescimento mundial do serviço depende fundamentalmente da expansão das redes de banda larga, que é complicada em muitos países, e também da mudança nas normas de regulação (exemplo: como ficará a Europa em função do Brexit).

Mas, pelo menos, apetite não falta!

TVs: mais testes exclusivos

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Para quem ainda viu, um lembrete: a edição de setembro da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL traz os detalhes do teste exclusivo que nossa equipe fez durante os Jogos Olímpicos, avaliando as transmissões do SporTV em 4K. Recebemos um decoder especial, instalado pela NET, para acessar o canal 804, que transmitiu as duas cerimônias (abertura e encerramento) e algumas competições em 4K HDR. Foi uma oportunidade única, pois não se sabe quando haverá outras transmissões desse tipo. Deu para perceber que os níveis de brilho e contraste são mesmo excepcionais (este vídeo mostra um pouco do trabalho).

Nos testes, utilizamos dois TVs compatíveis com 4K HDR: Panasonic DX900B e Samsung KS9000, ambos de 65″. Aproveitando, estamos publicando também na edição de setembro o teste completo do TV Panasonic (aqui, um vídeo apresentando o produto). Aliás, os dois aparelhos estão certamente entre os melhores da atualidade (o teste do Samsung sai na edição de outubro).

E, completando o serviço, montamos um quadro comparativo das quatro marcas de TVs 4K mais avançadas (as outras duas são LG e Sony) e suas respectivas características. Certamente será útil para quem está pensando num upgrade de TVs neste final de ano.

Para ver a versão digital da revista, é só entrar aqui. E fazendo o download do aplicativo, que é grátis, é possível ainda acessar edições anteriores.

Indústria pressiona o governo Temer

Reportagem da Folha de São Paulo na última sexta-feira revela que os fabricantes de aparelhos eletrônicos e as operadoras de telefonia estão pressionando o governo federal a acabar com a obrigatoriedade do software Ginga instalado nos TVs produzidos no país. O excelente repórter Julio Wiziack apurou que a Eletros – entidade do setor – enviou carta a ministros pedindo o fim da exigência, que começou em 2012. Na época, comentamos aqui a polêmica e a inocuidade da medida: na era da internet, não faz sentido embutir um software nos TVs, pois qualquer pessoa tem acesso a aplicativos conforme suas necessidades.

Pode parecer detalhe, mas essa questão envolve bilhões de reais. O Ginga é obrigatório nos receptores de TV digital que terão de ser distribuídos gratuitamente às famílias de baixa renda, conforme o cronograma de switch-off da TV analógica (detalhes aqui). E a tarefa de distribuí-los é das operadoras de telefonia celular, que irão herdar as atuais frequências de UHF, leiloadas em 2014. Cabe a elas investir nisso e repassar os aparelhos aos usuários que não tenham condições financeiras de adquirir um TV digital. A conta, diz o jornal, seria de R$ 2,2 bilhões.

Os governos Lula e Dilma fingiram o tempo todo que queriam adotar o Ginga, para não desagradar empresas de software e setores das universidades interessados. Até que não seria má ideia. O governo poderia criar serviços mais do que bem-vindos, em áreas como previdência, FGTS, agendamento de consultas no SUS, ações trabalhistas etc. Só que, para isso, seria necessário adotar o Ginga em todos os órgãos públicos e integrar seus sistemas, o que demanda altos investimentos. Além disso, boa parte dos serviços já é acessível hoje via celular, que é um meio de comunicação mais rápido e eficiente.

Como o governo Temer adotou a política de eliminar tudo que lembre o PT (vide o que está sendo feito na EBC), a indústria procura aproveitar a oportunidade para acabar com o Ginga; segundo o presidente da Eletros, o software encarece cada TV em R$ 50. Na verdade, o Ginga nunca existiu de verdade; já nasceu morto.

Projetores, na era do 4K

sim2-cinemaquattroNa próxima semana, acontece em Dallas a edição 2016 da CEDIA Expo, principal evento dedicado a integradores de sistemas residenciais. E uma das atrações prometidas é a disputa pelo mercado de projetores de alto padrão. “Disputa”, porque até agora a Sony estava praticamente sozinha no segmento de projetores 4K, com seus excelentes (e caros) modelos SXRD.

A novidade é a introdução do chip UHD da Texas Instruments, dona da patente DMD (Digital Mirror Device), usada nos projetores DLP. Sony e Epson estão entre os poucos grandes fabricantes que até hoje não aderiram a essa tecnologia, lançada nos anos 1990, preferindo se fixar no LCD; desde 2004, a Sony mantém no mercado também os SXRD, criados para competir com os DLP. Como é uma patente exclusiva, outros fabricantes não podem utilizar esse chip. Em 2015, foi lançado o primeiro SXRD 4K (vejam aqui).

Com o novo chip 4K DLP, abriu-se uma nova frente de mercado. Gigantes como Barco, Christie, DPI, Panasonic, BenQ e SIM2 agora também estão nesse segmento. Além de mais avançado, esse chip é mais barato que as versões anteriores, desenvolvidas para o segmento de cinema; permitem a produção até de projetores “populares”, na faixa de 1.000 dólares (preço americano); só como comparação, o mais recente SXRD da Sony é cotado em US$ 10.000.

Na CEDIA, será demonstrado também o Cinemaquattro, da italiana SIM2, com três chips DLP 4K e brilho especificado em 10.000 ANSI Lumens, mostrado na foto acima.

Smartphone: recall incendiário

recallImpressionante a repercussão negativa do recall anunciado pela Samsung do Galaxy Note 7. Nesta sexta-feira, a Comissão de Segurança de Produtos de Consumo (CPSC), dos EUA, recomendou aos usuários que não liguem nem tentem recarregar o aparelho; já no sábado, a própria Samsung pediu aos proprietários do Note 7 nos EUA e na Coreia do Sul que os devolvam. Ao longo da semana, diversas companhias aéreas também proibiram passageiros de carregarem esse modelo de smartphone. A emissora Fox News divulgou vídeo em que uma família da Flórida vê seu carro pegar fogo enquanto o celular era recarregado no painel (detalhes aqui).

No dia 2, a Samsung havia feito um inédito recall mundial do produto, inclusive cancelando o lançamento no Brasil. A falha seria na bateria, certamente fornecida por outra empresa, mas o fato repercute sobre a imagem da gigante coreana, justamente agora que seu maior concorrente (a Apple) vem registrando queda nas vendas do iPhone. Há anos que uma marca de tal peso não era obrigada a fazer recall. Este vídeo dá uma ideia do estrago.

PlayStation 4K chega em duas versões

ps4-proComentamos aqui há cerca de um mês sobre o videogame Xbox One S, o primeiro compatível com sinais de vídeo 4K, e a polêmica resposta da Sony, que seria o “PlayStation Neo”. Errado: nesta quarta-feira, em Nova York, a empresa japonesa anunciou oficialmente como pretende enfrentar a rival. A partir de novembro, estará à venda o PS4 Pro, com 1 Terabyte de memória e capacidade para reproduzir imagens na definição 3.840 x 2.160 pixels, inclusive as codificadas em HDR.

A estratégia da Sony para esse lançamento merece algumas observações. Neste dia 15 de setembro sai uma versão “turbinada” do PS4 atual, mais leve, com 500GB de memória e menor consumo de energia. A empresa anuncia que futuramente poderá ser baixado upgrade para esse modelo aceitar sinal HDR. Isso mesmo: imagens de filmes e jogos poderão ser assistidas com mais contraste, que é o principal diferencial do HDR.

Mas 4K, mesmo, só em novembro. O PS4 Pro terá processador ADM Polaris, com o dobro da velocidade do atual, e upscaling para melhorar as imagens Full-HD. Mas não será capaz de tocar discos Blu-ray 4K, o que é estranho; indica que a Sony não aposta na sobrevivência dos discos físicos, o que, aliás, é a opinião de muitos especialistas. Vale lembrar que Samsung e Panasonic já lançaram seus players Blu-ray 4K, mas a Sony não.

No mais, o evento de lançamento foi cercado mais de mistérios do que de informações. Não há ainda uma pré-lista de títulos a serem lançados em 4K, nem mesmo filmes da própria Sony Pictures, apenas a vaga revelação de que o PS4 Pro permitirá acessar vídeos em 4K do Netflix e do YouTube. Veremos se e quando.

Nova “Biblia” para os fãs de áudio

cysne2É com prazer que registramos o lançamento de “A Nova Bíblia do Som”, do amigo e mestre Luiz Fernando Cysne. É tão escassa a literatura sobre áudio e vídeo em português que um projeto desses já nasce com êxito: irá preencher uma enorme lacuna informativa, tanto entre os entusiastas de equipamentos de qualidade quanto entre músicos e pessoas em geral que prezam seus ouvidos, sem falar nos milhares de projetistas e integradores espalhados pelo país.

Cysne foi professor de muitos profissionais que hoje atuam no mercado AV, alguns inclusive no Exterior. Basta dizer que começou a pesquisar o assunto em 1957, ainda antes do curso de Engenharia. Quando o conheci, nos anos 1980, já ocupava posição de destaque entre projetistas e consultores, trabalhando para empresas de todas as áreas e tamanhos. Projetou e construiu amplificadores e caixas acústicas, tornando-se referência para muitos fabricantes. E tornou-se um dos raros especialistas brasileiros em desenhar, instalar e configurar salas de audição para finalidades diversas – Teatro Municipal de São Paulo, Estúdios da Rede Globo (RJ), estações do Metrô (SP), Radio City Music Hall (Nova York), Palácio de Convenções do Kremlin (Moscou), estádios, teatros e igrejas em vários países, tudo isso está em seu currículo (confirmem aqui).

A primeira “Biblia do Som” foi lançada em 1989. Uma 2a. edição saiu em 2006 e a 3a, que chega nas próximas semanas (apenas em versão digital), traz uma quantidade de informações que equivalem ao dobro da anterior. Se algum maluco quisesse vê-la impressa, teria que carregar uns 8kg de papel, diz o autor.

Nada escapou ao seu conhecimento: dos conceitos acústicos básicos à ciência da engenharia de áudio (que envolve muito de mecânica e elétrica), passando pelas inúmeras formas como são gerados e transmitidos os sinais; a capacidade do ouvido e do cérebro humanos para identificá-los e organizá-los; os segredos de um bom projeto, seja para pequenos ou grandes espaços; e a infinidade de recursos técnicos hoje disponíveis para quem quer trabalhar na área.

Tudo isso vem organizado em capítulos, facilitando a busca, e enriquecido por algo que era impossível nas versões impressas: links, centenas de links, direcionando o leitor para as fontes que o autor tão cuidadosamente cadastrou ao longo de sua vitoriosa carreira. Na foto acima, Cysne em um dos cursos que organizamos juntos no início do ano.

cysne3Precisa dizer mais? Sim: um resumo da “Biblia 2”, lançada em 2006, pode ser encontrado no site do autor: lcysne.com. E uma detalhada apresentação da “nova Biblia” está em sua página no Facebook. Ali, também, é possível fazer as encomendas.

Tomadas, uma questão internacional

bbc-tomadasInteressante artigo publicado esta semana pelo site da BBC Brasil, tratando de um tema que gerou intensa polêmica no país: a mudança dos plugues elétricos. Não chega a ser um alívio, mas o texto informa que estamos longe de um consenso internacional a respeito: são tantos os padrões adotados (como, aliás, sabe qualquer turista) que o caso brasileiro é regra, não exceção.

Sim, se o Brasil quis reinventar a roda criando um plugue elétrico “exclusivo”, o mesmo fizeram países como Israel, Austrália e Suíça, entre outros. O formato brasileiro só foi seguido pela África do Sul. E sabe-se lá por que Jordânia e Ruanda resolveram adotar o formato suíço, que não é utilizado em nenhum outro país europeu. Já a Argentina foi a única nas Américas que partiu para o formato australiano, também usado na Nova Zelândia.

Ao todo, existem 14 padrões de plugue elétrico, sem contar que certos conectores USB também se prestam a ligação de energia. Este, aliás, pode vir a ser um padrão comum no futuro, diz Gabriela Ehrlich, porta-voz da IEC (Comissão Eletrotécnica Internacional). Isso, se a entidade conseguir cumprir uma de suas missões: convencer os governos dos países a facilitar a vida do distinto público e implantar um formato só, e pronto. Tarefa de que a IEC não foi capaz em 110 anos (foi fundada em 1906).

O texto, com as fotos dos 14 padrões, pode ser lido aqui. Vale a pena saber, antes de continuar xingando nosso maldito plugue.

LED ou OLED: qual é o melhor?

IFA 2016

Ainda sobre a IFA, que citamos no comentário anterior, vale registrar que a LG parece aumentar sua aposta nos painéis orgânicos (OLED). A entrada de seu estande na Feira é um enorme “túnel orgânico” (5m de altura x 15m de comprimento), formado por nada menos do que 216 displays OLED de 55″ cada e exibindo imagens impressionantes, como mostra este vídeo.

Só que as notícias mais importantes da empresa foram dadas, não em Berlim, mas em Seul, onde o vice-presidente, Kwon Bong-suk, disse ao site Business Korea que os TVs OLED atuais são apenas o começo. O grupo decidiu que essa tecnologia deve ser o segmento premium do mercado, ficando os LED-LCDs numa faixa de consumo ligeiramente mais baixa. “OLED é voltado para apenas 2% dos consumidores, num setor que hoje representa 200 milhões de aparelhos vendidos por ano”, disse Suk. “Os preços dos OLED serão sempre mais altos, aproximadamente 1.000 dólares a mais que um LCD, no caso das telas de 55″ a 77″. Vamos lançar nossa própria linha de Quantum Dots, para atender às outras faixas de público”.

O executivo anunciou que já na CES, em janeiro, serão demonstrados esses novos aparelhos. Para quem não acompanha, os painéis Quantum Dots (QD) são usados atualmente por Sony e Samsung, embora com nomes diferentes, para aproximar a reprodução da qualidade ainda superior dos OLED. Nos bastidores, há notícias que Panasonic e Sony também lançarão TVs OLED no ano que vem, utilizando painéis fornecidos pela própria LG, algo que a Samsung se recusa a fazer (nenhuma das empresas confirma).

Em alguns países, a LG já lançou displays OLED para uso comercial – muito elogiados, aliás. E Suk acrescentou mistério na entrevista: “A competição em torno do OLED irá aumentar em 2017, mas nossos novos TVs serão baseados num outro tipo de hardware, que só a LG pode fabricar”.

Fato é que, enquanto a LG for a única fabricante, a tecnologia OLED continuará gerando alguma desconfiança: toda vez que uma empresa fica sozinha num mercado, este acaba não se desenvolvendo. Será diferente agora?

Novidades que vêm de longe

IFA 2016

IFA 2016

Enquanto acontece a IFA esta semana em Berlim (desta vez, não pudemos estar presentes), fazemos aqui um resumo das notícias que merecem mais destaque vindas de lá. Curiosamente, em matéria de TVs o mercado brasileiro não está defasado – nas vendas, sim, é claro, mas essa é outra discussão. Os modelos exibidos “em primeira mão” no evento são, quase todos, versões europeias daqueles que as principais marcas estão entregando por aqui.

Na edição de setembro, a revista HOME THEATER & CASA DIGITAL faz um apanhado dos lançamentos das quatro principais marcas: LG, Panasonic, Samsung e Sony, todas com TVs 4K já compatíveis com o padrão HDR. Alguns já podem ser encontrados nas lojas e outros – como o Sony de 100″ – estão prometidos para outubro. Na IFA, repete-se a disputa entre os fabricantes em torno de recursos que, na maioria dos casos, são idênticos, apenas com nomes diferentes. Exemplo: a Sony adota o backlight chamado Master Drive, que vem a ser o já conhecido Local Dimming, por sua vez denominado pela Panasonic como Ultra Local Dimming.

Não por acaso, os produtos que mais se destacam nessa Feira não são os TVs, mas os de áudio e os portáteis em geral. A Sony anunciou o lançamento do PS VR, ou seja, PlayStation na versão para realidade virtual. Há até um jogo chamado Playroom, pensado para grupos de cinco jogadores. Nesse segmento, aliás, a grande concorrente é a Samsung, que até já lançou no Brasil o kit VR.

Olimpíadas: até onde a tecnologia pode levar

cycling-velodrome-photoSe alguém não acompanhou o espetáculo tecnológico ao longo das duas semanas da Rio 2016, basta ter visto (e poder rever infinitas vezes) a cerimônia de encerramento. A genial ideia de trazer o primeiro-ministro japonês para posar de Super Mario em pleno Maracanã lotado foi mais do que a cereja do bolo. Como anfitrião da próxima Olimpíada, o Japão tinha que participar da festa no Rio. Mas extrapolou o protocolar “see you in 2020”; num extraordinário case de marketing, certamente ajudou a vender muitos Nintendos pelo mundo afora.

Um fecho apoteótico para um evento que, como disse um jornalista inglês, teve cara de “improviso que deu certo”. Na área tecnológica, no entanto, foi tudo muito bem planejado, e o que se viu nestes 15 ou 20 dias pode ser considerado (r)evolucionário. No quesito segurança, preocupação de todos, talvez tenha sido a Olimpíada mais tranquila de todas. Assessoradas por agentes de vários países, as autoridades brasileiras utilizaram drones, lasers e sensores de última geração.

balaoO tempo todo havia balões como este sobrevoando a cidade com câmeras de alta definição e enviando imagens em tempo real ao centro de controle dos Jogos. Os balões são desenvolvidos por uma empresa brasileira, a Altave. Drones também foram usados pelas emissoras de TV para captar cenas que nunca antes tinham sido vistas num evento esportivo – exemplo: numa prova de ciclismo, pudemos ver tomadas incríveis entre morros e praias, uma paisagem tão impactante que se fica perguntando como não tirou a concentração dos atletas.

Omega-Photo-Finish-CameraAliás, competidores de várias modalidades se beneficiaram, e muito, da tecnologia. A fabricante de relógios Omega desenvolveu uma nova tecnologia de cronometragem chamada Photofinish, que simplesmente não deixa margem a dúvidas (vejam neste vídeo): a câmera acima registra nada menos do que 10 mil fotos digitais por segundo!

Outro marco: a impressionante rapidez na geração de caracteres e legendas de cada jogo ou prova se deveu a um software desenvolvido pela Atos especialmente para a Rio 2016; os dados foram usados não apenas pelas emissoras, mas também por árbitros, treinadores e atletas, via tablets, smartphones e smart watches.

E, embora poucos tenham visto, tivemos ainda a revolução da realidade virtual. Foram mais de 100 horas de conteúdo sobre as competições, além de tours virtuais pela cidade e suas arenas, gente na rua, torcidas e bastidores, praticamente sem deixar escapar nada (este site explica em detalhes como isso foi feito).

Games 4K chegam para mudar o mercado

xbox-one-s-hero-logoSaiu nos EUA (e alguns países da Europa) a versão 4K do Xbox One, o videogame da Microsoft que vem rivalizando com o PlayStation nos últimos anos. O modelo One S (foto) acrescenta algumas funções, mas o principal é seu processador de upscaling, para elevar a resolução de imagem. Como na maioria dos TVs 4K, esse recurso permite assistir aos conteúdos convencionais Full-HD com a “sensação” do 4K.

Aguarda-se para setembro a chegada do PlayStation Neo, que será a resposta da Sony ao Xbox One S. E a própria Microsoft já anuncia para 2017 o Scorpio, que seria então o primeiro console com 4K nativo. As duas empresas, como sempre, fazem suspense sobre as especificações dos produtos, deixando neuróticos os sites especializados. Segundo o 4k.com, o S traz maior capacidade de armazenamento que o Xbox One original (2 Terabytes), utilizando um chip quad-core semelhante. E reproduz discos Blu-ray 4K 60P e é compatível com conteúdos transmitidos em HDR, inclusive da internet, o que já é muito. Estão chegando também versões para 1TB e 500GB.

Quanto ao Neo e ao Scorpio, há mais especulações do que informações. Vamos ter de aguardar. De qualquer modo, esses anúncios apontam para um novo salto de qualidade e velocidade no mundo dos games. Eis aí um segmento que mantém o vigor, apesar das oscilações econômicas, sustentado por uma legião de fãs. Quando eles começarem a ver seus jogos em 4K, vai ser difícil segurar.

Grandes TVs, para grandes imagens

Ainda não há estatísticas oficiais sobre o impacto dos Jogos Olímpicos nas vendas de TVs. Mas saiu uma mostrando que pelo menos a expectativa gerada foi intensa. O site chinês Digitimes publica que os pedidos aos fabricantes no primeiro semestre chegaram a 24,8 milhões de painéis UHD, um crescimento de 70% em relação ao ano passado. O segmento de TVs 4K já representa 20% do total de encomendas, e 55% das vendas de TVs de 55″ ou mais. Nesse nicho, a LG está em primeiro lugar, diz a pesquisa, seguida pela Samsung e pelas chinesas AUO, China Star e BOE; vale lembrar que a LG fornece painéis para outras marcas, como Panasonic e Vizio.

A mesma fonte indica que a estimativa para o ano é de 59 milhões de TVs UHD, equivalente a 23% do total de displays.

Medalha de ouro para o controle remoto

TOPSHOT - USA's Carlos Zenon Balderas Jr. lands a punch on Kazakhstan's Berik Abdrakhmanov during the Men's Light (60kg) match at the Rio 2016 Olympic Games at the Riocentro - Pavilion 6 in Rio de Janeiro on August 6, 2016. / AFP PHOTO / Yuri CORTEZYURI CORTEZ/AFP/Getty Images ** OUTS - ELSENT, FPG, CM - OUTS * NM, PH, VA if sourced by CT, LA or MoD **

Assistir à Olimpíada com o controle remoto na mão é um perigo. A julgar pelos primeiros dias, a chance de “viciar” é enorme. São 25 canais transmitindo de tudo, em quadras, campos, piscinas, pistas, tablados e tatames. Fora as reprises. O efeito zapping tem algo de neurótico. Fica mais difícil se concentrar, e parece maior a expectativa pelos momentos decisivos, como as disputas por medalhas. Quando você vê, já passou duas ou três vezes por todos os canais, só para descobrir que os americanos ganharam mais uma medalha na natação.

Para quem se interessa por tecnologia, uma diversão sádica é ficar procurando falhas nas transmissões – como se os milhares de profissionais que participam da cobertura fossem imunes aos erros. Nem Michael Phelps é. Particularmente impressionantes são as tomadas sob a água, que permitem observar em detalhe o grau de esforço e a perfeição dos movimentos dos atletas (sem falar no efeito plástico da própria água).

Após 20 ou 30 minutos apertando o controle remoto e misturando rúgbi com polo aquático, não é fácil desligar. O que é ótimo, se você não tem que trabalhar. E pense bem: pior é a situação daqueles que se aventuram pelo mundo multimídia, e são impiedosamente atingidos por centenas de mensagens, tuítes, apps e compartilhamentos, tudo falando de Olimpíada. Esses, acho que só vão dormir depois do dia 21.

Mais ou menos como o lutador da foto, que aliás foi publicada no primeiro dia dos Jogos. Era só o começo!

Olimpíada em 4K HDR: testando…

abertura5A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos foi mesmo inesquecível. Um primor de criatividade na parte cênica, e um show de tecnologia audiovisual. Excelente a ideia dos organizadores de convidar Fernando Meirelles, um dos melhores cineastas do país, para dirigir o espetáculo, que naturalmente foi pensado para a televisão. Com ele trabalharam a cenógrafa Daniela Thomas e a coreógrafa Déborah Colker.

Em nossa sala de testes, começamos na própria sexta-feira a analisar as transmissões especiais do SporTV em 4K HDR, inéditas num evento desse porte. Estamos utilizando um decoder da NET e dois TVs compatíveis com esse padrão, que nos foram cedidos pelos fabricantes (Samsung KS9000 e Panasonic TC-65DX900B), ambos de 65″. Detalhes aqui.

As primeiras imagens levadas ao ar ao vivo deixaram dúvidas: o sinal em HDR era inferior – em cores e contraste – ao sinal do SporTV transmitido em HD e convertido para 4K pelo próprio TV. Deu a impressão de que estavam sendo feitos ajustes conforme o show ia se desenvolvendo, dada a instabilidade da imagem.

Assistam ao vídeo e comentem.

Vamos continuar acompanhando. O SporTV promete mostrar em 4K HDR também algumas competições. O canal especial só pode ser captado com o decoder, que a NET também está testando e, claro, com um TV como os dois citados (solicitamos também para Sony e LG, mas os aparelhos não chegaram a tempo).

Será que o Rio vai virar Londres?

here eastEm meio à expectativa para o início dos Jogos Olímpicos, o canal GNT exibiu na semana passada uma minissérie (apenas 3 episódios) apresentada pelo ex-jogador Raí sob o título Londres Depois dos Jogos. Foi uma boa sacada. Depois de organizar o evento em 2012, o que teriam feito os ingleses com as grandes instalações construídas? Como no Rio agora, o centro olímpico londrino foi erguido numa região da cidade cuidadosamente escolhida – a diferença, uma delas, é que lá decidiram restaurar uma parte degradada, aproveitando os Jogos para revitalizá-la; aqui, preferiram a região da Barra, que já há alguns anos é uma das mais valorizadas do Rio.

Vale a pena assistir à minissérie (pelo aplicativo GNT Play) para conferir. Os preparativos em Londres começaram em 2005, quando a cidade foi oficializada como sede dos Jogos. Onze anos depois, a região que ficou conhecida como Parque Olímpico Rainha Elizabeth, no lado oeste da capital britânica, se transforma num dos mais importantes centros de tecnologia da Europa. Um grupo de investidores conseguiu atrair dólares do Qatar para aproveitar os prédios erguidos antes dos Jogos e construir ali o Here East, a ser inaugurado em janeiro de 2017.

Será uma espécie de “centro tecnológico de economia criativa”, onde empresas poderão alugar espaços para escritórios e laboratórios de pesquisas, aproveitando a malha de transportes que foi implantada ali para a Olimpíada. O East Side era (continua sendo) umas das regiões mais pobres da cidade, com grande número de desempregados. Segundo os administradores, já há uma lista de espera com empresas de áreas como fitness, moda, esporte e Internet das Coisas, querendo ocupar a área de 6 mil metros quadrados.

No Rio, vamos ver.

Olimpíada em 40 canais. Ou mais.

ginasticaA Olimpíada Rio 2016 começou nesta quarta-feira, e é possível ter uma ideia de como acontece um evento desse porte na era da comunicação instantânea. Em março, já tínhamos informações sobre como funcionaria o esquema técnico da cobertura, que pela primeira vez une TV e internet em tempo real. Mas eram apenas planos. Agora, podemos ver na prática.

Quem tem um decoder NET da nova geração, por exemplo, pode acessar pela TV os 40 canais especiais do SporTV Play dedicados aos Jogos. NET e Globosat decidiram se unir nesse trabalho e, assim, o sinal que inicialmente só poderia ser acessado pela internet entra também na rede da operadora. A promessa da Globosat é manter no ar, durante todo o período dos Jogos, os sinais gerados pela OBS (Olympic Broadcasting Services) com som ambiente (sem narração), para quem quiser acompanhar imagens de suas modalidades favoritas. Segundo a NET, alguns destaques do evento vão entrar também na grade do Now, ou seja, o assinante poderá revê-los a qualquer momento.

A atual geração de decoders já é híbrida: pode receber tanto os sinais de TV quanto os de internet. E, por ser patrocinadora dos Jogos (através da Embratel, que adquiriu os direitos ainda em 2010), a NET/Claro consegue explorar melhor as possibilidades da comunicação digital, conciliando banda larga e redes 3G e 4G (mais detalhes aqui).

Estes Jogos Olímpicos serão, ao mesmo tempo, um acontecimento histórico e um desafio de tecnologia, pois com certeza haverá explosão de tráfego nas competições mais importantes. Imaginem uma final de futebol entre Brasil x Argentina, ou a disputa do ouro nos 100m rasos com o fenômeno Usain Bolt. Todo mundo vai querer ver.

Displays OLED, em vários estilos

LG-Arched-OLED-Display-1024-1024x768E, já que falamos tanto nos últimos dias sobre TVs LED-LCD com resolução 4K HDR, vale a pena lembrar a evolução da tecnologia de painéis orgânicos (OLED). Na verdade, todo o esforço dos fabricantes de LCD hoje é para se equiparar em qualidade de imagem ao OLED, que por enquanto não foi superado. Os TVs Quantum Dots, também chamados “pontos quânticos”, ou “nanocristais”, são os que mais se aproximam em contraste e profundidade de cores.

Como se sabe, OLED é uma tecnologia ainda em evolução e que sofre com o fato de somente um fabricante, até agora, estar investindo forte: a LG. Por melhor que seja o desempenho, historicamente essa solidão não é um bom sinal. Os exemplos mais conhecidos são os do videocassete Betamax, da Sony, que era considerado superior ao VHS mas acabou perdendo a disputa quando a empresa ficou sozinha (década de 80); e o HD-DVD, da Toshiba, que pela mesma razão foi superado pelo Blu-ray (2008).

Em tecnologia, quase nada é possível de se fazer sem o apoio de um grupo de empresas, geralmente na forma de consórcio, colaborando para avançar nas inovações e no grau de conhecimento do público. Sabe-se, por exemplo, que o processo de fabricação dos painéis orgânicos é complexo e oneroso; o custo certamente cairia se houvesse mais empresas desenvolvendo. Fala-se ainda que a performance dos displays tende a cair com o uso contínuo, mas ainda é cedo para afirmar isso.

Bem, seja como for, está prestes a ser lançada no Brasil a linha HDR da LG (notícias nas próximas semanas). Em alguns países, já estão à venda modelos de 55″, 65″ e 77″, planos e curvos. Mas o que mais nos chama a atenção é a evolução dos painéis orgânicos na área de sinalização digital (digital signage), como mostra este link. Foram considerados os melhores da última InfoComm, em Las Vegas, onde houve demonstrações em vários formatos: curvos (côncavos e convexos, como na foto acima), stretched (mais largos), pendurados em suportes móveis, em videowalls e até em dual-view (imagens em 4K exibidas dos dois lados da tela).

O link traz também um vídeo sobre o aeroporto de Seul, onde houve a “estreia oficial”.