Oi: uma série em oito temporadas

16 de fevereiro de 2008: naquele dia, publicamos aqui o primeiro comentário sobre  a crise da Oi, que agora acaba de entrar com pedido de recuperação judicial, o maior do gênero na história do país. Na lei brasileira, isso acontece quando uma empresa reconhece que não tem mais condições de pagar suas dívidas (no caso, cerca de R$ 60 bilhões). Com forte ajuda dos governos Lula e Dilma, o grupo conseguiu continuar atuando nestes oito anos, apesar de todos os indicadores apontarem para uma gestão financeira no mínimo irresponsável. E agora há o risco de que o prejuízo seja estendido aos seus assinantes, alguns dos quais não têm nem a opção de mudar de operadora.

É como uma dessas séries dramáticas cujas temporadas vão se renovando a cada ano, com personagens que entram, aprontam e saem ao sabor da inspiração dos roteiristas. No início de 2008, o governo Lula anunciava seu plano de transformar a então Telemar numa “supertele”, capaz de competir com as gigantes Telefônica, América Móvil e DirecTV, inclusive em outros países. Alguns detalhes estavam no texto Para Onde Vão Nossos Bilhões?, publicado naquele dia.

Nesses pouco mais de oito anos, citamos aqui várias vezes o chamado “escândalo da BrOi”, com auxílio de sites especializados que a todo momento acrescentavam detalhes macabros da trama. Lembro particularmente do post Um Jantar de R$ 12 Bilhões, baseado numa reportagem de Elvira Lobato na Folha de São Paulo, que descrevia um encontro entre Lula e dois acionistas da empresa para sacramentar o desvio.

Outros comentários sobre o tema que saíram aqui: De R$2 para R$ 12 Bilhões (17/11/2008); O Novo Embrulho da Oi (14/07/2010); BNDES Continua Sendo Mãe (12/03/2013) e Banco dos Grandes Grupos (11/08/2010), este um microensaio sobre o papel do BNDES na política que depois seria apelidada de “bolsa-empresário”); Buraco Sem Fundo na Telefonia (07/02/2014); e o mais recente Troca de Multas por Investimentos da Oi. Pode Isso?, de autoria do pesquisador Dane Avanzi.

Dois jornalistas de alto calibre contribuíram nos últimos dias para elucidar detalhes da “série”: Elio Gaspari, em A Oi e os Delírios da Privataria, que saiu na Folha e em O Globo; e Samuel Possebon, do portal Teletime, com A Oi e os Interesses dos Controladores. O mesmo Teletime, aliás, fez nos últimos anos vários editoriais alertando sobre os problemas financeiros do grupo.

BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, fundos de pensão… o leitor tem aí um painel de como foram conduzidas as políticas públicas nos últimos anos. E entender melhor por que a Oi está chegando a esse ponto. Com 1,2 milhão de assinantes de TV paga e quase 50 milhões de usuários de celular, a crise da empresa é uma ameaça ao consumidor. E, infelizmente, um atentado ao contribuinte. 

Para quê um Ministério da Tecnologia?

Na linha do comentário anterior, cito aqui um precioso artigo do ex-ministro das Comunicações, Juarez Quadros, publicado no site Convergência Digital, detalhando o histórico da Coreia do Sul no campo de telecom. Não é necessário repetir o fenômeno desse pequeno país asiático que, ao final da 2a. Guerra, era um dos mais pobres do mundo, e hoje é uma potência. Profundo conhecedor do tema, Quadros mostra como os coreanos do sul chegaram ao que hoje se chama “Ministério da Ciência, Tecnologia e Planejamento Futuro” (MSIP) e que atua em conjunto com o “Ministério da Economia do Conhecimento” (MKE).

Parece ficção científica, mas é como se definem por lá as políticas públicas ligadas a essas áreas. O MKE resultou da fusão, em 2008, dos ministérios de Informação & Comunicação e de Comércio, Indústria & Energia. Há ainda uma agência reguladora, a Korean Communications Commission (KCC), vinculada à Presidência, nos moldes da americana FCC; e um Comitê Nacional de Ciência e Tecnologia (NSTC), que define as políticas públicas.

A troca de frequente de siglas e atribuições não impediu que a Coreia do Sul saísse de uma renda per capita africana (da ordem de US$ 67) para a de hoje (US$ 28 mil), uma das mais altas do mundo. Ao contrário, os coreanos foram aperfeiçoando seu sistema de gestão e planejamento em telecom, hoje modelar. Os detalhes estão no artigo original, mas o que mais chama atenção é que tudo se baseia no aperfeiçoamento contínuo do sistema educacional, para o qual a tecnologia é fundamental (98% dos lares coreanos estão conectados à internet).

É triste afirmar isso, mas no Brasil ainda estamos na era Flintstone, a discutir a necessidade de uma agência reguladora, vítima nos últimos anos de esfacelamento via ingerências políticas. Mais: cientistas de alto calibre unem-se num movimento para questionar a fusão dos ministérios (no caso, Comunicações com Ciência & Tecnologia) como se a questão fosse meramente semântica – onde estavam todos eles durante toda a última década e o que fizeram para combater o aparelhamento político são duas questões em aberto.

TV e telecom na arena dos políticos

O governo Temer começou com polêmicas diversas, para todos os gostos, e algumas delas envolvem o setor de telecom. A unificação dos ministérios de Comunicações e de Ciência e Tecnologia parece racional, do ponto de vista administrativo, mas esbarra – como também aconteceu no Ministério da Cultura – na falta de visão do futuro e no corporativismo. Essas áreas nunca foram estratégicas no Brasil, embora as Comunicações tenham passado por revoluções nos governos militares e, mais tarde, no governo FHC. Já Cultura, Ciência e Tecnologia sempre foram tratados como temas acessórios.

Embora seja por definição provisório, com duração de no máximo 18 meses, o governo Temer tenta promover mudanças que exigem muito mais do que articulações políticas. E um símbolo dessa dificuldade é a disputa em torno do controle da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), transformada em verdadeira arena nas últimas semanas. Em pleno processo de impeachment, a presidente Dilma nomeou um novo presidente para o órgão, cujas credenciais técnicas são no mínimo discutíveis. Ao assumir, Temer o demitiu – desconsiderando o fato de que o mandato na estatal é de quatro anos; um ministro do STF suspendeu a demissão, que agora precisa ser confirmada (ou anulada) pelos demais juízes.

Como se vê, um imbroglio típico da política brasileira. Idealizada para ser uma espécie de redentora da TV pública no Brasil, a EBC foi tomada de assalto pelo governo do PT e se transformou em campeã de audiências judiciais. Os novos governantes promovem uma caça às bruxas que paralisa as poucas atividades da estatal. Caberia uma discussão elevada sobre qual deve ser o papel do Estado no financiamento e fiscalização das atividades de comunicação e cultura. Mas o clima não está para tanto. Os participantes não parecem nem um pouco preocupados com algo tão relevante para o país.

O artigo do colega Samuel Possebon, do site Converge.com, que republicamos aqui, é até agora um dos raros textos sensatos sobre a questão da EBC e os riscos envolvidos na disputa política. Não concordo com todos os argumentos, mas vale a pena ler e refletir a respeito.

Como em todas as demais polêmicas relacionadas ao governo Temer, é muito importante se informar antes de sair atirando via redes sociais, hoje a mídia mais usada. Nem tudo é o que parece, ou muito pelo contrário.

Celular ligado: perigo à vista!

Nomophobia-CoupleNão é de hoje que existem teorias sobre os males causados pelo uso intensivo do celular. Mas o hábito é mais forte, e poucas pessoas parecem preocupadas. Ao contrário, parte dos usuários já é considerada “nomofóbica”, ou seja, demonstra medo ou ansiedade com a possível falta de seu celular. Se você acha loucura, veja este site, que entre outras informações a respeito da doença, promove um “teste” para saber se você se encaixa na categoria.

Os sintomas apontados são diversos. Há aqueles que tremem só de pensar que seu celular pode ser perdido ou roubado, outros entram em depressão quando ficam muito tempo sem o aparelho. E, nesse mundo de Deus, veja só, ainda há 1 bilhão de desafortunados que não têm um! Isso mesmo: dos 7 bilhões de habitantes do planeta, “apenas” 6 bilhões possuem. Diz o site que é de 4,5 bilhões o número de mortais que contam com um vaso sanitário, quer dizer, 1,5 bilhão prefere usar o celular em vez de você sabe o quê.

Bem, assista a este vídeo que eles prepararam. Dá uma boa ideia dos riscos envolvidos. E continue usando seu celular o tempo todo, se for capaz. Abaixo, uma rápida transcrição dos pontos mais importantes:

*Na média, as pessoas passam 4,7 horas por dia olhando para seu celular. Somando as horas passadas em frente ao computador, isso resulta no aumento dos casos de miopia.

*Nos EUA, na década de 1970, um quarto da população sofria desse problema; hoje, são 50%. Na Ásia, é ainda pior: de 80% a 90% das pessoas têm algum problema de visão por causa disso.

*Se você está usando um celular agora, sua coluna vertebral está sendo submetida a um peso equivalente ao de uma criança de 8 anos.

*No jogo Candy Crush, o jogador atinge objetivos que acabam recompensando o cérebro com pequenas quantidades de dopamina. Por sua vez, esse hábito acaba desenvolvendo no cérebro um “vício compulsivo” (compulsion loop), que os cientistas associam ao mesmo processo causado pela nicotina e pela cocaína.

*O uso contínuo do celular também pode afetar o sono. As frequências luminosas azuis da tela alteram o ritmo circadiano (ciclo biológico das 24 horas do dia), o que pode levar a doenças como diabetes, cancer e obesidade.

*Segundo pesquisadores de Harvard, pessoas que utilizam o celular nas duas horas antes de dormir têm mais dificuldade em produzir melatonina, hormônio responsável pela regulação dos ciclos do sono.

No mundo da sinalização digital

Começou neste fim de semana a edição 2016 da InfoComm, em Las Vegas, mais uma vez com um festival de demonstrações das mais avançadas tecnologias em displays. Se a edição brasileira já foi marcante nesse aspecto (vejam aqui), a InfoComm International é excepcional por reunir quase todos os fabricantes, que aproveitam o evento para mostrar como dominam a área.

Vamos acompanhar daqui as inovações, mas algumas já podem ser destacadas. Não são produtos direcionados ao segmento consumer, mas vale a pena prestar atenção porque frequentemente o setor audiovisual profissional cria soluções que chegam, mais tarde, às residências. Nas feiras ISE (Integrated Systems Europe), realizada em fevereiro, e DSE (Digital Signage Expo), que aconteceu em março, boa parte das empresas fizeram prévias do que estão desenvolvendo.

OLED LG SDIUm bom exemplo vem da LG, fortíssima no setor de displays profissionais, que está introduzindo a tecnologia OLED em aplicações de sinalização digital. Um de seus produtos mais elogiados é o display 4K Dual-view, de 75″, exibido em formatos plano e curvo (acima), que vem com upscaler, media player, processador de áudio e alto-falantes embutidos, além de um software que permite dividir a tela em várias “janelas”.

Abaixo, outra solução da empresa coreana: display de sinalização para teto. Nos próximos dias, mostraremos aqui outros produtos que podem estar indicando como será o futuro dos TVs.

display teto SDI

 

TV paga dobra audiência em três anos

O número de residências com acesso à TV por assinatura não sobe, mas a audiência dos canais pagos nunca esteve tão alta. Uma pesquisa do Ibope Media, divulgada nesta sexta-feira pela ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura), revela que no primeiro trimestre deste ano chegou a 2,2 milhões o total de pessoas sintonizadas nesses conteúdos; a audiência média era de 1,08 milhão de telespectadores em 2013. Vejam o gráfico:

grafico abta

Quem for verificar os dados oficiais da Anatel sobre venda de assinaturas pode se assustar. Com a crise, o total de domicílios atendidos era de 19,765 milhões em março do ano passado, e agora caiu para 18,952 milhões. Muita gente cancelou o serviço, ou não está conseguindo pagar a mensalidade. A maior queda se deu no segmento de satélite (DTH): eram 12 milhões de assinantes no primeiro trimestre de 2015, e este ano foram 10,9 milhões. As operadoras de cabo conseguiram aumentar sua participação, mas muito pouco (de 7,630 para 7,857 milhões), não incluídas aí as instalações com fibra óptica (FTTH), que somam 180 mil – estatísticas mais detalhadas estão no site da consultoria Teleco.

Tudo se explica, claro, pela economia: foi no DTH que se registrou o maior salto da TV paga no Brasil, nos hoje saudosos anos 2008-2012. A Classe C, e parte da Classe B, teve que dar um freio nas despesas domésticas. Mas, pelo visto, as programadoras não podem se queixar, pois estão roubando audiência da TV aberta. “O tempo de permanência do telespectador dos canais pagos vem crescendo a cada ano”, garante Roberto Nascimento, vice-presidente da Discovery e diretor da ABTA.

Junte-se a isso o fator mobilidade: operadoras e programadoras estão distribuindo cada vez mais seus conteúdos em plataformas móveis, e isso com certeza ajuda a manter a fidelidade do público.

Rio 2016: aquecimento tecnológico

jogosPelo menos no campo da tecnologia, a Olimpíada no Brasil promete boas novidades. Estamos produzindo material sobre o tema para as revistas HOME THEATER & CASA DIGITAL e BUSINESS TECH, e já se percebe que teremos um show talvez até melhor do que na Copa do Mundo.

Pra variar, quem lidera as iniciativas é a Globo, e em todas as plataformas: TV aberta, TV paga (via Globosat), internet, dispositivos móveis e o que mais houver em mídia. Só para se ter ideia, o SporTV terá nada menos do que 20 canais no ar, transmitindo praticamente todas as modalidades, não apenas as competições, mas bastidores, entrevistas etc. Além disso, terá 36 sinais diferentes rodando na internet, com conteúdos ao vivo!

Os Jogos Olímpicos serão também o primeiro grande teste da plataforma Globo Play, lançada pela emissora no ano passado, que dá acesso online a grande parte da programação da rede aberta. Agora, será criado o canal “Play nos Jogos” (OK, o nome não é lá muito original…), gratuito e com 24 horas de conteúdos sobre o evento. Serão conteúdos complementares aos da TV aberta, certamente aproveitando a enorme quantidade de material que a equipe da Globo – mais de 1.000 profissionais – estarão produzindo.

Segundo a emissora, algumas competições só poderão ser assistidas nas plataformas digitais, o que é natural, considerando que serão 42 modalidades, incluindo as estreantes (golfe e rugby, por exemplo). Como, quando e onde se consegue ver tudo? Mesmo os 20 canais do SporTV talvez não sejam suficientes. No canal “Play nos Jogos”, o usuário terá também acesso a um serviço de busca por atleta, país ou modalidade, para rever o que não conseguiu assistir.

Sem falar que, como já foi feito na Copa, a Globo trabalhará em cooperação com a NHK, do Japão, para fazer transmissões em resolução 8K das cerimônias de abertura e encerramento. Vamos acompanhar de perto esse trabalho para informar aqui.

TVs 4K: um “selo” de qualidade?

Está combinado: TVs, players Blu-ray e projetores 4K top de linha que forem lançados este ano poderão exibir o selo “Premium”, conforme comentamos aqui recentemente. Seria uma espécie de “certificado de qualidade” fornecido pelo consórcio UHD Alliance, formado pela maior parte dos fabricantes, estúdios de cinema, empresas de software e provedores de conteúdo online. A intenção é deixar claros para o consumidor os benefícios do padrão 4K (UHD), que vão além da resolução de imagem.

Sony4KHDRlogo

 

A criação do selo se baseia numa série de especificações que a entidade definiu para  identificar os produtos mais avançados (detalhes neste artigo). Uma ótima ideia, só que, mais uma vez, a indústria eletrônica se perde nas justificativas. Nesta segunda-feira, a Sony anunciou que não irá utilizar o tal selo, embora seus TVs 4K, apresentados num evento em Nova York, estejam entre os mais badalados da atual safra. Em vez disso, a empresa pretende usar o selo ao lado. O problema é que nem todos os TVs Sony seguem as especificações da Alliance; se todos usarem esse selo, como saber quais são top de linha? Nem a própria Sony tem a resposta.

Para amplificar a polêmica, outro fabricante importante – a Vizio, que é de origem chinesa mas tem sede nos EUA – comunicou que não concorda com os critérios da Alliance. A marca é hoje uma das mais vendidas do mercado americano e, portanto, sua posição não pode ser subestimada. Por trás de tudo, há ainda uma disputa por royalties: a Vizio, assim como Philips e LG, pagam a licença do software Dolby Vision; e a Dolby, nos bastidores, tem interesse em desestabilizar a Alliance, que defende o padrão concorrente HDR.

Nem os roteiristas de Hollywood conseguiram imaginar um roteiro mais confuso.

Whatsapp e o novo mundo da (falta de) privacidade

Não tive tempo de comentar aqui a polêmica decisão daquele juiz que suspendeu o Whatsapp por três dias – apenas um dia foi cumprido, suficiente para causar pânico geral. O nome do juiz, que meses atrás também havia mandado prender o vice-presidente do Facebook, não vem ao caso; talvez estivesse apenas querendo seus minutos de fama. Mas sua decisão é simbólica dos tempos atuais: o Estado insiste em tentar controlar a comunicação entre os indivíduos e, para isso, é capaz de usar os meios mais esdrúxulos.

O problema não é apenas brasileiro. Esta reportagem mostra que os governos, invocando “proteger” a sociedade, vivem criando meios de impedir o fluxo independente de informações. Em países como Cuba, China e Coreia do Norte, esse fluxo praticamente não existe, e nos EUA recentemente houve uma disputa entre a Apple e o FBI devido ao uso do iPhone por terroristas. É a velha história de culpar o carteiro: este não sabe o que está escrito na carta, assim como Whatsapp, Facebook, Apple etc. não conseguem mexer no conteúdo das mensagens que veiculam, que aliás são criptografadas.

Como estamos vendo na crise política, parece que muitas pessoas não conseguem entender que os tempos são outros. Não é mais possível, felizmente, direcionar a informação como se fazia antes. As mídias se fragmentam a ponto de cada indivíduo ser, por si só, produtor e distribuidor de conteúdo, e assim atingir o “seu” público. No fundo, é a sociedade moderna tentando se adaptar à vida conectada.

InfoComm Brasil agita a semana em SP

Nesta 3a feira, começa a Expo TecnoMultimedia – InfoComm Brasil 2016, que acontece pelo terceiro ano consecutivo em São Paulo. É hoje o evento mais importante para o segmento de Pro AV, que concentra a indústria de equipamentos e serviços para projetos corporativos e espaços públicos. Um setor que movimenta muito mais negócios do que o residencial e que, aos poucos, e apesar das dificuldades econômicas, vai se profissionalizando no país.

Este ano, são cerca de 50 expositores, incluindo marcas mundiais como Kramer, Casio, Panasonic, Crestron, Barco, BenQ, Harman/AMX, Christie, Epson; e brasileiras que vêm se destacando, como Discabos, Neocontrol, AAT, AMCP. Entre diversos produtos que serão demonstrados, já sabemos de projetores Laser Phosphor (para grandes espaços), sistemas de projeção mapeada, distribuição de áudio digital para shows e eventos, redes de vídeo 4K, sinalização digital e soluções para videoconferência, aulas e reuniões utilizando dispositivos sem fio.

CAPA-BUSINESS-TECH-#03-1Nossa publicação voltada a esse segmento, a revista BUSINESS TECH, está em sua terceira edição, que traz entre os destaques um interessante artigo de Vinicius Barbosa Lima sobre as novas necessidades do integrador profissional. Muitos tentam a migração da área residencial para a corporativa, mas acabam descobrindo que são quase dois mundos diferentes. Não só tecnologias distintas, mas os clientes (executivos de empresas) são mais exigentes e têm prazos mais rígidos. Vale a pena ler.

Aproveitando: BUSINESS TECH pode ser folheada em formato impresso convencional, mas também em sua versão eletrônica. Quem tiver interesse pode conferir aqui.

Turner está comprando a Band

Já se especulava no mercado há alguns meses, mas agora as negociações caminham para o final: o grupo Time Warner, através da Turner, está adquirindo o controle de 30% da Rede Bandeirantes de Rádio e TV. Com quase 50 anos de existência, a Band já chegou a ser a segunda rede do país, mas nos últimos anos vem perdendo anunciantes e – o principal – a confiança do mercado.

Pela legislação atual, um estrangeiro pode ter, no máximo, 30% do controle de uma concessionária de radiodifusão no Brasil. Se fosse possível, a Turner compraria 100%! O grupo americano – que é dono de vários canais pagos, tendo seu carro-chefe no Cartoon Networks (possui ainda TNT, CNN e outros) – decidiu há cerca de dois anos aumentar a aposta no mercado brasileiro. Comprou o ascendente Esporte Interativo (EI) e está provocando agito até dentro da Rede Globo.

Na semana passada, o EI anunciou ter fechado acordo para transmitir o Campeonato Brasileiro de Futebol, jóia do mercado publicitário, a partir de 2019, quando se encerram os contratos atuais da Globo. A especulação no mercado é que o EI está pagando nove vezes mais aos clubes… Nesse caso, as transmissões sairiam do SporTV e ficariam restritas aos canais EI (a Globosat manteria direitos apenas ao pay-per-view). Aqui, alguns detalhes sobre a investigação do Cade nessa questão. Vale lembrar que a Turner já comprou este ano a Champions League, antes tradicional na ESPN, dizem que também por uma fortuna.

O mercado de direitos esportivos para televisão é muito complexo para quem é de fora (aqui, publicamos uma boa explicação). Mas a entrada da Turner na TV aberta, se confirmada, tem efeitos e significados muito mais fortes do que a ação do EI. Apesar da família Saad possuir farto capital próprio, o fato é que a Band, como rede, se debate com a falta de conteúdo relevante. Opera hoje na semi-ilegalidade, já que aluga horários para igrejas diversas, o que é proibido aos concessionários de rádio e TV (conta com a conivência do Ministério das Comunicações e da Anatel, embora a empresa esteja sendo contestada na Justiça). Mantém apenas um programa de sucesso (o Masterchef), além de certo prestígio com o Jornal da Band.

O acordo com a Turner, segundo o site Yahoo, prevê que a empresa americana assumiria toda a parte artística, ficando a Band com o jornalismo. Novas notícias devem sair nos próximos dias.

Home vídeo, mercado em extinção?

Se em outros países há entusiasmo com a chegada de mais conteúdos em 4K, aqui as últimas notícias são péssimas para quem ainda cultiva o hábito da videoteca particular. O muito bem informado Blog do Jotacê informa que empresas importantes do setor estão simplesmente saindo do país. Uma delas seria a Paramount-Universal (união de duas marcas centenárias em Hollywood), que está transferindo sua distribuição para a SPHE (Sony Pictures). Já a Fox, que no Brasil vinha atuando em parceria com a Sony, passa ao controle da Warner. E a Disney entrega suas operações para a Cinecolor.

Nenhuma das empresas confirma, mas são três pancadas simultâneas num mercado que, como se sabe, vem despencando há alguns anos. As chamadas majors (leia-se: os estúdios de Hollywood) não lançam nada de relevante em DVD ou Blu-ray, espaço que agora é ocupado pela internet (incrível a quantidade de sites piratas) e pelos serviços VoD, especialmente o Now (Netflix é mais para séries). Lojas virtuais, como a DVD World, oferecem um vasto catálogo de filmes de arte e/ou raridades para colecionadores, pouca coisa mais.

E la nave vá…

Blu-ray 4K agora é pra valer

Sem Título-1Nesta segunda-feira, a UHD Alliance – consórcio de fabricantes e estúdios de cinema que apoiam o padrão Ultra High Definition (4K) de vídeo e televisão – certificou o primeiro player Blu-ray 4K, lançado no mês passado pela Samsung no mercado americano. Significa que a indústria decidiu mesmo dar impulso à produção e distribuição de discos de altíssima resolução, coisa que ainda estava em dúvida. Já havia certificação para streaming em 4K, mas como este depende da disponibilidade de banda a maioria dos especialistas acha que só mesmo os discos garantirão a entrega da qualidade prevista no UHD.

HO&A_037_UHDA_LOGO_FINAL_v6No início do ano, a UHD Alliance divulgou as especificações para TVs 4K (com o selo ao lado), sem mencionar os players. Parecia desnecessário especificar também estes, mas a nova decisão pode dar mais segurança aos consumidores, já que, em princípio, tudo será divulgado de forma transparente. Uma das preocupações da entidade é evitar mal-entendidos como o dos “TVs 3K”, que causaram polêmica mundial (no Brasil, o caso mais marcante foi o dos primeiros TVs 4K da LG, como relatamos aqui).

A entidade informou já ter certificado ao todo 30 modelos de players Blu-ray 4K, que devem ser lançados nos próximos meses no mercado internacional (o Brasil, com a crise atual, deve ficar fora disso ainda por algum tempo). Além da Samsung, estão previstos lançamentos da LG, Philips e Panasonic. Todos deverão portar o selo acima.

Eis aqui um resumo das especificações, pelas quais o usuário deve procurar quando for adquirir um aparelho 4K (seja player, TV ou projetor):

Resolução de imagem: 3.840 x 2.160 pixels

Processamento de cor: WCG (Wide Color Gamut), em 10-bit, padrão BT.2020

Processamento de vídeo: HDR (High Dynamic Range)

Decodificador H.265, também HEVC (High Efficiency Video Encoding), para descompressão de sinal da internet

Obs.: os aparelhos 4K também devem ter acesso direto à internet.

Para quem ainda não viu, aqui está um comparativo entre os TVs 4K e os Full-HD convencionais. Este outro teste também é interessante.

Startup americana compra a B&W

BWFoi confirmada nesta terça-feira a venda da inglesa Bowers & Wilkins para uma jovem empresa do Vale do Silício, a Eva Automation. Fundada há apenas dois anos, essa startup cresce rapidamente, apoiada por um fundo de investimentos chamado Formation 8, especialista no setor de tecnologia. Até agora, não foram revelados números do negócio, mas Joe Atkins, hoje o principal acionista da B&W, já pensava no assunto desde o ano passado.

Uma das líderes no segmento de áudio high-end, a B&W sofre como todos os seus pares a concorrência dos chamados “fabricantes de plástico”, com sistemas portáteis de baixo custo. Fundada há quase 100 anos, a empresa relutava em entrar nesse campo e, com isso, decepcionar seus devotados fãs. “Vamos ter que explicar isso a eles”, diz Atkins. “Com o tempo irão perceber que essa era a melhor solução para a empresa.”

De certa forma, esse acordo marca uma inversão no mundo atual: uma empresa centenária, com cerca de 1.100 funcionários e sólida reputação, é adquirida por uma micro desconhecida e com estafe de apenas 40 pessoas. Só não é surpresa para os investidores. Gideon Yu, presidente da Eva, era diretor financeiro do YouTube quando este foi comprado pelo Google, negócio estimado na época em US$ 2 bilhões. Depois, trabalho também no Facebook; hoje, é um dos golden boys do Vale.

Segundo Yu, a ideia é aproveitar o prestígio de uma marca consagrada para crescer nos segmentos de áudio e multiroom. Ao site de tecnologia da Bloomberg, ele prometeu que a marca B&W será seu carro-chefe. Curiosamente, Yu e Atkins só se conheceram há cerca de um mês.

Polêmica da banda larga vai longe

Prestes a deixar o governo, a presidente Dilma acena com a possibilidade de assinar um pacote de maldades, como costumam dizer as línguas ferinas de Brasilia. Já que não conseguiu viabilizar os apoios de que necessitava no Congresso, a quase ex-mandatária deixaria decretos-bomba para o sucessor. Uma das medidas seria a proibição, pura e simples, dos planos de franquia nos serviços de banda larga.

Certamente não será com decretos demagógicos que se irá melhorar a prestação de serviços de telecom, nem atingir tarifas mais justas. A polêmica, como já comentamos, deve se estender por um bom tempo. É bom que seja assim, pois dará chance das pessoas conhecerem os diversos lados da questão. O colega Samuel Possebon, um dos mais competentes do setor, analisou detalhadamente as motivações e implicações da portaria publicada pela Anatel suspendendo a aplicação de franquias por 90 dias (o conselho da Agência promete dar um parecer antes disso). No site Gizmodo, Felipe Ventura comenta reportagem do The Wall Street Journal relatando que a controvérsia também existe nos EUA. E ontem, na Folha de São Paulo, Julio Wiziack mostra os limites de dados das atuais franquias.

Vários outros artigos têm sido publicados, inclusive por gente da área técnica, sem falar das manifestações “políticas”, como da OAB, IDEC e entidades ligadas a internautas. Por mais que alguns (como é comum no Brasil) queiram simplificar as respostas, o caminho é se informar e não cair na armadilha da gritaria. Daqui do nosso cantinho, vamos tentando ajudar.

Internet das Coisas gera disputa entre consórcios

Um grupo de gigantes da tecnologia – Microsoft, Intel, Cisco, Samsung e Qualcomm, entre outras – anunciou esta semana a criação da Open Connectivity Foundation. É o primeiro consórcio dedicado a normatizar o mercado de IoT (Internet das Coisas). A ideia é estabelecer protocolos “abertos”, que todos os fabricantes possam usar, não importando aspectos como sistema operacional, família de chips etc. Na teoria, qualquer pessoa poderia assim criar um novo dispositivo, ou aplicativo, para conectar aos que as empresas do grupo produzem. Não é bem novidade, vejam esta entrevista.

Digo “na teoria” porque essas mesmas empresas já participam de outros consórcios e o problema da padronização continua. Aliás, é o mesmo que afeta, por exemplo, os segmentos de Ultra HD (vejam aqui) e de comunicação sem fio, apenas para citar dois exemplos. Numa rápida pesquisa, encontramos nada menos do que oito consórcios voltados à IoT: Thread, Open Internet, AIOTI, IPSO, LoRa, Allseen, Industrial Internet e o próprio IoT Consortium, além dos já antigos Zigbee e Z-Wave.

Alguém aposta em um deles?

Ninguém tem solução para a banda larga

Como já havia ocorrido no caso da Condecine, que comentamos aqui semanas atrás, o Palácio do Planalto mandou negociar com as operadoras de telecom sobre a polêmica das franquias de banda larga fixa. Não se sabe se a ideia vinga, considerando o descrédito do governo atual, mas de qualquer modo o Ministério das Comunicações se empenha em buscar uma saída menos conflituosa – o problema é que ninguém enxerga essa saída.

O ministro André Figueiredo confirmou que está pouco familiarizado com o tema, ao afirmar que o Código de Defesa do Consumidor “impede a possibilidade de imposição de novas condições contratuais que gerem prejuízos ao consumidor sem anuência prévia”. Não é isso que se discute: só se pode alterar um contrato com a concordância das partes, determina outro Código, o Civil. O ministro disse ainda que os usuários mais afetados pelas franquias são uma minoria; de fato, e é justamente essa minoria que está se mobilizando nas redes para impedir a cobrança extra (detalhes, neste link).

Figueiredo também criticou o presidente da Anatel, João Rezende, por afirmar que a era da chamada “internet ilimitada” (que na prática nunca existiu) chegou ao fim. Na verdade, Rezende já vem dizendo isso pelo menos há dois anos, em meio a críticas sobre o desleixo de muitas operadoras (quase todas), cujo marketing publicitário criou essa ideia irreal. Banda larga sem limites é uma ficção, algo como o direito à privacidade na internet ou a promessa de sol 365 dias por ano.

A melhor prova disso é que já existem os pacotes das operadoras, e o assinante é obrigado a escolher um deles quando faz sua assinatura. A polêmica só surgiu agora por um descuido da Vivo (vejam o post anterior); Amos Genish, presidente da operadora, é um dos mais revoltados com a política do governo (ou a falta de) no setor. Até então, ninguém havia se incomodado, nem mesmo durante as controvertidas discussões para adoção do Marco Civil da Internet. Infelizmente, como tanto acontece no Brasil, muita gente acaba fazendo alarde sem se informar devidamente.

A propósito, o site Teletime publicou um excelente levantamento sobre a questão das franquias, comparando o Brasil com outros países. Vale a pena conferir os dados.

Disney pode comprar a Netflix

netflixdisney_600x400Bastou uma nota assinada por um consultor financeiro de Nova York, especialista no setor de entretenimento, para detonar a boataria: a Disney, maior conglomerado de mídia do planeta, estaria negociando para assumir o controle da Netflix, a empresa que mais cresce nesse segmento.

Na verdade, ambas já trabalham muito em conjunto. Mas a Disney, financeiramente, está num mau momento. Seu CEO, Thomas Staggs, acaba de pedir demissão após o balanço de 2015 revelar a perda de nada menos do que 7 milhões de assinantes. Procura-se então um novo executivo-chefe, e este poderia ser Reed Hastings, fundador e atual presidente da Netflix, informa o site da revista Fortune.

Os dados mais recentes indicam que a Netflix já tem mais de 60 milhões de assinantes em todo o mundo e que caminha para 150 milhões até o final da década. Nos EUA, serviços concorrentes – como Amazon, Hulu e HBO – não conseguem lhe fazer sombra, embora seu modelo de negócio (séries originais e filmes não recentes à vontade, via assinatura de custo baixo) esteja sendo muito copiado.

Já existem até valores em discussão: a Disney pagaria algo em torno de US$ 100 bilhões, não tudo necessariamente em dinheiro, repassando a Hastings e demais executivos um percentual sobre as vendas de assinaturas; além disso, colocaria na rede da Netflix seus famosos personagens de animação e os conteúdos da ESPN.

É muito dinheiro, claro, mas não custa lembrar que foi exatamente assim que a Disney atraiu Steve Jobs e adquiriu a produtora de desenhos animados Pixar, em 2006. Jobs ficou mais bilionário do que já era, e a turma do Mickey evitou a expansão de uma grande concorrente.

A história pode se repetir agora.

Franquias: operadoras podem se complicar

O comentário abaixo havia sido publicado aqui na sexta-feira 15; nesta segunda, a Anatel divulgou duas medidas aparentemente contraditórias. Primeiro, determinou (não proibiu) que as operadoras, por 3 meses, não reduzam a velocidade da conexão de banda larga fixa quando o usuário ultrapassar seu suposto “limite de dados”. Depois, o presidente da agência, João Rezende, comentou que a chamada “conexão ilimitada” não é mais possível, ou seja, não há como impedir que as prestadoras de telecom façam a redução. Enquanto isso, o movimento se amplia nas redes sociais contra a postura das empresas. Atualizamos aqui de acordo com a situação de momento. Como dissemos, a discussão está apenas no começo.

A polêmica em torno da cobrança adicional pelas franquias de dados de internet está apenas começando. A Vivo, principal defensora da ideia, já tem um belo abacaxi para administrar: seu vídeo publicitário veiculado na semana passada ganhou rapidamente uma sátira, mostrando que os usuários não vai aceitar passivamente a mudança.

A questão é complexa mesmo. Quem usa muito celular já sabe como funciona: cada pacote admite determinada quantidade de dados; quando se ultrapassa, a velocidade cai ou, então, a tarifa sobe. A ideia agora é estender esse esquema de cobrança às redes de banda larga fixa. Legalmente, não há como impedir, se isso estiver no contrato original. Na verdade, é o que já fazem há anos as principais operadoras. O erro da Vivo foi ter anunciado que seus novos planos incluirão um teto a partir do qual a velocidade será reduzida. Quem assinar um plano desses não terá do que reclamar depois.

Segundo a Anatel, o sistema de franquias pode ser praticado, desde que seja claramente explicado ao assinante, inclusive através de página na internet. Mas isso não convence os usuários, especialmente aqueles que utilizam grande quantidade de dados. Daí porque começou uma campanha online, que até sexta-feira passada teria colhido 350 mil assinaturas, segundo o Movimento Internet sem Limites, criado no Facebook.

Esse debate, que agora chega ao Brasil, já aconteceu em vários países. Tem a ver com a chamada neutralidade de rede, mas só até certo ponto. Não há como impedir que a operadora, “dona” da estrutura de comunicação, reduza a velocidade da conexão a partir de determinado ponto. A discussão internacional é de que essa seria a forma mais justa de oferecer o serviço: quem usa mais paga mais.

Embora o Ministério das Comunicações tenha solicitado à Anatel que evite abusos, na prática a agência não tem como fazê-lo. E cada operadora adota a política que julga mais conveniente (a Vivo, por exemplo, terá que fazer alguma concessão se quiser manter seus clientes agora tão insatisfeitos). Tim e Algar são duas que não querem adotar as franquias, garantindo que não bloqueiam acessos nem reduzem velocidades. A Tim, aliás, tenta aproveitar essa polêmica toda para reforçar sua imagem de “transparência”, como diz seu presidente Rodrigo Abreu, segundo o site Inova.jor.

Mas, como dissemos no início, a discussão está apenas começando.