AT&T (Sky) quer entrar na telefonia móvel

Vários sites internacionais noticiaram nos últimos dias que a gigante AT&T prepara um plano para ampliar seus negócios no Brasil. Leia-se: atuar também no segmento de telefonia celular 4G, disputando o leilão da faixa de 700MHz que o governo promete fazer este ano. Seria uma chacoalhada e tanto nesse mercado, hoje liderado pela Vivo (com 75 milhões de clientes), seguida por Claro e TIM (60 milhões cada, aproximadamente). Podendo oferecer combos de TV+celular+internet, o grupo americano seria fatalmente um player de peso no país. Chegou a ser divulgado que entraria na disputa pela Oi (que atende 40 milhões de usuários), mas – se houve – esse interesse foi anulado pelas disputas judiciais envolvendo a operadora brasileira.

Segundo The Wall Street Journal, após fechar o acordo de compra da Time Warner pela bagatela de US$ 85 bilhões, a AT&T precisa de caixa. E a forma encontrada seria vender sua participação na DirecTV Latin America, dona da Sky. Só que, em vez de repassar tudo a um mesmo comprador, o plano é fatiar o negócio com vários parceiros e, assim, manter os pés no mercado latino-americano que, apesar de tudo, tem grande potencial. 

O Globo revela que o governo brasileiro já foi informado dos planos da AT&T, que assustam a concorrência. O maior obstáculo estaria na legislação atual, que proíbe a um grupo atuar ao mesmo tempo como provedor de acesso e fornecedor de conteúdo, como seria o caso da AT&T Time Warner. Mas o Cade, que analisa a questão da livre concorrência, já deu sinal verde, exigindo apenas que a Time Warner (dona da HBO e da Turner) mantenha operação totalmente independente no país.

Na prática, tudo isso pode cair por terra se o governo Trump conseguir, como pretende, impedir o negócio de US$ 85 bi. A decisão da Justiça americana sai em março. Se não puder fechar essa compra, a AT&T perderá força nos EUA. Em compensação, terá mais dinheiro para investir por aqui – quem sabe até comprando uma das concorrentes.

Samsung e SporTV se unem para a Copa

Como costuma acontecer a cada quatro anos, aguardam-se boas novidades nas transmissões da Copa do Mundo, a partir de 15 de junho. Uma delas nos foi confirmada nesta quarta-feira: Samsung e SporTV estão lançando em conjunto o aplicativo “4K na Rússia”, com conteúdos exclusivos, incluindo a transmissão de algumas partidas nessa resolução. Quem tiver um TV 4K Samsung lançado a partir de 2016 poderá ver tudo, mesmo que não seja assinante de nenhuma operadora.

Segundo Guilherme Campos, gerente de TVs da Samsung, essa será uma das principais ações da empresa para aproveitar o evento que mais mobiliza os brasileiros. “É uma mudança de patamar”, diz ele. “Já existem várias fontes de conteúdo 4K, mas quando se pega um evento como esse e transmite conteúdos ao vivo em 4K, estamos indo além daquilo que o consumidor esperava”.

Contratar o técnico Tite como seu garoto-propaganda foi a primeira dessas ações. “É um profissional vitorioso, mas sempre preocupado em aprimorar seu trabalho”, explica Campos, “e isso tem tudo a ver com a proposta da Samsung”. O treinador da seleção tem sido o principal “porta-voz” dos benefícios da resolução 4K, que tende a ocupar cada vez mais espaço no mercado. Hoje, segundo o executivo, cerca de 35% dos TVs Samsung são de tela grande (a partir de 65″), quase todos UHD. 

O acordo com a SporTV prevê que o novo app estará disponível a partir de março e até o final de julho. Nele, além das transmissões ao vivo, o usuário poderá ver replays, notícias, estatísticas etc. quando quiser, na própria tela de TV. “E o mais importante: não precisa ser assinante, nem fazer login. O app aparecerá automaticamente na tela, pronto para ser usado, com todos os conteúdos 4K. Claro, desde que você tenha um TV Samsung”.

Tecnologia e esportes, um ótimo casamento

Ainda a propósito das inovações tecnológicas usadas na Olimpíada de Inverno, recomendo a leitura deste artigo do colega Samuel Possebon, com base em opiniões que especialistas que debateram o tema durante a CES, em janeiro. Representantes de grandes redes de TV e produtoras de conteúdo não têm dúvida de que o esporte é um atrativo e tanto para explorar recursos interativos. Dos já conhecidos gráficos com estatísticas aos ângulos alternativos para tomadas de câmera, há uma infinidade deles. “Um evento só na TV não atende à demanda dos espectadores”, diz um executivo da Turner, que no Brasil é dona do Esporte Interativo. Embora um jogo de futebol (ou basquete, ou tênis) transmitido ao vivo possa ser assistido por alguns milhões de pessoas, usando as mídias online chega-se fácil a centenas de milhões. Além do que, para os fãs, o interesse vai muito além do ao vivo, o que abre a chance para mostrar os bastidores das equipes, a preparação dos atletas, suas interações nas redes sociais (tão comuns atualmente) e tudo mais que a tecnologia permitir.

Olimpíada: show de tecnologia no gelo

A cada grande evento esportivo, a tecnologia bate novos recordes. Coisas que pareciam impossíveis de se atingir numa Copa do Mundo ou Olimpíada tornam-se incrivelmente reais no evento seguinte. É o que acontece mais uma vez agora, com os Jogos Olímpicos de Inverno da Coreia do Sul – evento que ficará marcado na História pelo início da (tomara) reunificação das duas Coreias.

As imagens que chegam de PyeongChang são empolgantes, inclusive as transmitida ao vivo (este site é uma boa referência). Grandes redes de TV, como BBC e NBC, criaram canais exclusivos para cobrir as competições com tecnologia de última geração. A americana NBC montou o que diz ser “o maior esquema de todos os tempos” para essa cobertura, incluindo:

  • 1.800 horas de transmissão ao vivo, via streaming e aplicativo
  • Na TV, para quem mora nos EUA, são cinco canais dedicados às competições, inclusive o inédito Olympic Channel, que cobre as equipes americanas. 
  • 50 horas de transmissão em realidade virtual (VR)
  • Clipes ao vivo e “melhores momentos” podem ser assistidos no Snapchat e até em carros da rede Uber
  • Em acordo com a rede social BuzzFeed, os conteúdos gerados pela NBC são compartilhados e podem ser comentados em tempo real. 

Além disso, microcâmeras estão sendo montadas no corpo de alguns atletas para captar imagens nunca vistas antes, em modalidades como esqui alpino, saltos, snowboard e bobsled, que produzem aquelas imagens impressionantes sobre o fundo branco da neve (este vídeo é um bom aperitivo).

Em parceria com a Dolby, a operadora americana Comcast está aproveitando os Jogos para demonstrar conteúdos gravados em 4K HDR e com áudio Dolby Atmos. Assim como a brasileira Globo, a Comcast já havia feito testes desse tipo na Olimpíada de 2016, no Rio; agora, trabalha em conjunto com a japonesa NHK, que também faz testes com transmissões ao vivo em resolução 8K, diretamente da Coreia. A própria NBC aproveita parte desse material, que a NHK lhe fornece convertido para 4K.

Numa detalhada reportagem sobre o uso da tecnologia em PyeongChang, o site especializado TV Technology conta que o maior desafio para os técnicos está sendo trabalhar sob temperaturas constantes na faixa de 30 graus negativos e com ventos mais fortes que o habitual, mesmo para quem está costumado a cobrir Jogos de Inverno. No entanto, os recursos tecnológicos ajudam a contornar essa dificuldade. Boa parte da estrutura necessária agora é integrada nos chamados RIBs (racks-in-a-box), unidades de conexão que podem ser mais facilmente transportadas. Nos intervalos entre um evento e outro, os equipamentos são conectados e testados. A montagem final, que antes levava cerca de um mês, agora é feita em 2 ou 3 dias. 

Varejo prepara o seu futuro

 

 

 

Como sei que muitos profissionais de varejo acompanham o blog, peço licença para repassar aqui algumas dicas de Amtaabh Malhotra. Não precisa decorar nem mesmo ler o nome em voz alta. Basta saber que se trata de um dos maiores especialistas do mundo em plataformas digitais de compra e venda (se preferirem, e-commerce). No final do ano, ele escreveu para o site americano Twice, voltado exatamente a quem trabalha no varejo, um interessante artigo apontando o que considera as 6 principais tendências do setor para 2018 (e os próximos anos). 

Por minha conta, reduzi a lista para cinco porque a sexta tendência (a expansão das criptomoedas) está sob fogo cerrado após os resultados mais recentes. Cuidemos então das outras, que têm tudo a ver com o que geralmente comentamos aqui. Eis um resumo do que diz mr. Malhotra:

Interfaces de voz – Alexa, Siri, Hey Google etc. vão se tornando extensões daquilo que o consumidor (ou seja, todo mundo) faz com seus aparelhos smart. A tendência é que os grandes varejistas passem a adotar, já neste ano, dispositivos que combinem telas, voz e gestos. Conforme monitoram o comportamento de seus clientes, as lojas descobrirão que podem criar novos serviços para oferecer a eles. Pela voz, o usuário pode pedir mais informações sobre um produto que lhe chamou a atenção; e o sistema, também por voz, irá verificar o estoque, as formas de pagamento etc. Mais: torna-se possível o chamado self-checkout, quando o cliente compra e paga sem ajuda de um atendente (sobre isso, vejam aqui). Tudo caminha para a “compra personalizada”, eliminando filas, economizando espaço e reduzindo os custos operacionais da loja.

Gamificação – A palavra é horrível, mas pode ser traduzida como uma experiência de compra mais interativa, que lembra os videogames. É um recurso ideal para ações promocionais, como concursos entre os clientes da loja. Estes, percorrendo os corredores, ganham pontos ou descontos ao demonstrar fidelidade a uma marca, por exemplo. A técnica pode ser usada para direcionar as pessoas a uma área mais vazia da loja, ou áreas de interesse com base no perfil do cliente. O importante é aumentar o ticket médio e fazer com que ele volte mais vezes.

Corredores virtuais – Lojas físicas, como se sabe, ocupam espaço, e espaço custa cada vez mais. Para reduzir o problema, existe a tecnologia de Realidade Aumentada (AR). Andando pela loja, o usuário poderá ver num óculos especial imagens ampliadas contendo mais produtos relacionados ao que procura. Poderá apontar seu smartphone para determinado item e ver abrir uma tela com outros modelos, para comparar. Diante de um espelho, será possível “experimentar” uma roupa ou sapato que está no “estoque virtual” da loja. E definir a compra ali mesmo.

Comércio aumentado – A tradução literal também é infeliz (do original Augmented Commerce). De certa forma, esta tendência complementa a anterior, pois permite que o usuário aponte seu smartphone para determinados pontos da loja e com isso tenha acesso a promoções personalizadas. O dispositivo móvel passa a ser, de fato, o centro do processo de compra. Tudo é feito na telinha, inclusive o pagamento (via aplicativo), eliminando a necessidade dos caixas na saída da loja.

Pagamento social – A teoria diz que os consumidores atuais valorizam as experiências rápidas e práticas, seja dentro de uma loja ou até na hora de pagar um amigo. Além da conveniência, o lojista terá que aprender a trabalhar dentro de plataformas similares às redes sociais, que é onde muitas pessoas (talvez a maioria) já passam boas horas por dia. Aumenta consideravelmente o número de consumidores que admitem decidir suas compras com base em dicas dos amigos – portanto, a transição será natural. Um ótimo exemplo é o da rede chinesa WeChat, que combina site de compras, dicas entre os usuários, extensões patrocinadas por marcas e serviço de pagamento online.

Por fim, Malhotra lembra que as linhas divisórias entre venda on-line e off-line já não são tão claras. A maioria das transações atualmente envolve uma mistura de ambas, como sabe todo mundo que já pesquisou na internet algum produto para comprar. Com a pressão pelas vendas, irão se destacar os varejistas que souberem adaptar essas novas tecnologias ao perfil do seu público, criando experiências agradáveis e eficientes a todos.

Prisão para quem tiver TV pirata

Não foi muito divulgado na imprensa, mas em novembro último tivemos um grande passo na luta contra a pirataria de sinal de TV, o famoso “gatonet”. Na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado, a senadora Ana Amélia deu parecer favorável, como relatora, a um projeto de 2013 que fixa pena de seis meses a dois anos de prisão (além de multa de R$ 10 mil) a quem distribuir ou receber sinal irregular de TV paga. No ranking da própria Comissão, atualizado diariamente no site (vejam aqui), é esmagadora a maioria dos que apoiam o projeto, mostrando que o problema realmente preocupa.

A nova lei – que precisa agora ser aprovada pela maioria dos senadores na Comissão e depois no plenário da Câmara dos Deputados – aumenta a punição para quem comercializa conversores não autorizados pela Anatel (há centenas deles à venda na internet). E enquadra agora quem compra e utiliza esses aparelhos, não só em sua própria casa mas também ao compartilhar o sinal com vizinhos, amigos, parentes etc. Fabricação, importação, venda ou receptação não autorizada poderá levar a prisão de três anos.  

A ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura) calcula que existam hoje cerca de 3,3 milhões de conversores ilegais em uso nas residências brasileiras; em 2016, eram 4,5 milhões. Pode ser que alguns desses usuários não saibam que é crime, mas a maioria certamente é conivente com a pirataria. 

Senai-SP cria curso para instaladores

Talvez a instituição mais conhecida e respeitada do Brasil quando se trata de ensino profissionalizante, o Senai decidiu abrir suas portas para o mercado de áudio e vídeo. Sua Unidade Anchieta, no bairro de Vila Mariana, São Paulo, começa em março o Curso de Qualificação Profissional Instalador de Equipamentos Eletroeletrônicos de Audiovisual (Infraestrutura). Irá até 27 de junho, com um total de 180 horas/aula, três dias por semana (sempre à noite), e será aberto a qualquer pessoa que pretenda trabalhar na área.

Já houve algumas tentativas desse tipo, mas nunca encampadas por uma escola com infraestrutura adequada. Com sua longa tradição em cursos de formação técnica, é difícil imaginar outra entidade mais capacitada que o Senai a reduzir a enorme carência de mão de obra qualificada no segmento de projetos e instalação audiovisual. Conversei com o diretor da Unidade, prof. Augusto Lins, que diz ter se convencido após longas conversas com representantes da indústria.

Segundo ele, três empresas – Yamaha, Shure e Discabos – se prontificaram a fornecer os equipamentos necessários e sugestões para compor a grade do curso. “O Senai já tem uma filosofia educacional que precisa ser preservada. As aulas serão teóricas e práticas, com o objetivo de realmente formar profissionais para esse mercado. Estes quatro meses serão a primeira etapa do projeto”.

Além de conhecimentos técnicos, a proposta do curso – que será coordenado por Renan Dias, responsável pela área de Pro AV na Yamaha – é que os participantes se habilitem em exigências como trabalho em equipe, organização, raciocínio lógico, utilização das normas vigentes. E que consigam, de fato, promover a integração entre equipamentos diferentes.

Os detalhes e os requisitos para matrícula podem ser conferidos neste link. A iniciativa, claro, tem todo o nosso apoio.

TV por assinatura continua em queda

Prossegue o calvário do segmento de TV paga. Não é só no Brasil, claro, mas aqui a crise econômica obrigou muitos felizes assinantes a rever seus conceitos. Aumentou a inadimplência e, com ela, os cancelamentos – incentivados também pela enorme oferta de filmes e séries via internet. O último balanço divulgado pela Anatel mostra que o número de assinantes caiu 5% em 2017, chegando a incríveis 17,9 milhões de domicílios. Incríveis porque, em 2014, eram 19,6 milhões – e crescendo a caminho dos 20 milhões!

Ou seja, em três anos quase 2 milhões de famílias deixaram de usar TV paga. Em 2017, nada menos do que 447 mil residências paulistas e 97,8 mil cariocas abriram mão do serviço. Curiosamente, os estados considerados mais pobres foram os que apresentaram maior crescimento percentual: Piauí (7,7%) e Maranhão (3,86%). Nos casos de São Paulo e Rio, onde as conexões são mais rápidas, é bem provável que esteja funcionando o chamado “efeito Netflix”, em que o usuário troca os filmes pelas séries.

Sony chama o homem do dinheiro

 

Kenichiro Yoshida (foto), hoje responsável pelas finanças da Sony Corporation, assume em abril o posto de CEO, substituindo Kazuo Hirai, que sai depois de seis anos. Embora Hirai vá ocupar um cargo teoricamente mais alto (chairman, algo como presidente do Conselho de Administração), a troca indica uma mudança de rota na empresa-símbolo da tecnologia japonesa. Yoshida é tido como principal artífice da recuperação econômica do grupo, que na última sexta-feira apresentou seu melhor balanço dos últimos anos: lucro operacional de US$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre de 2017, um enorme salto sobre os US$ 180 milhões de um ano atrás.

No anúncio oficial, sobraram elogios de parte a parte, e Hirai, executivo com postura de superstar, bem diferente do estilo tradicional nipônico, “cai pra cima”, como se diz no idioma corporativo. Foi ele quem construiu a marca PlayStation, hoje a mais rentável do grupo, e colocou ordem na operação de cinema (Sony Pictures), hoje também lucrativa. Também vendeu a divisão de computadores Vaio e as fábricas de TVs, focando na produção de sensores de imagem (para câmeras e projetores).

Analistas de mercado em Tóquio comentam que Yoshida, um ano mais velho que Hirai, é totalmente focado nos números. Começou em 2012 um processo de enxugamento que ainda não está concluído, dizem. A partir de abril, saberemos se é só isso mesmo.

Voz: será que a Apple chegou atrasada?

Há quem diga exatamente isso: a Apple chega atrasada à disputa pelo mercado de assistentes de voz, já amplamente dominado pela Amazon (68% das vendas nos EUA), seguida pela Google (25%). Nesta quinta-feira, a empresa californiana colocou em seu site internacional a caixinha HomePod, equipada com o sensor de voz Siri, e que irá concorrer com a Amazon Echo e a Google Home. Chega às lojas da Europa e EUA no dia 9 de fevereiro.

Pelas descrições, oferece os mesmos recursos da concorrência, mas com um foco maior no desempenho de áudio. A Apple acredita que, além de “conversar” com o usuário, a caixa será muito usada para reproduzir música em alto volume, e não apenas para som ambiente. A conferir.

O projeto da HomePod inclui 7 tweeters montados em círculo, com a tarefa de dispersar o som em todas as direções, o que pode ser um bom diferencial, e um woofer de alta excursão (20mm) para maior impacto. A Apple encomendou um novo chip (A8) para processar os sinais de áudio e o tráfego de informação que um assistente de voz exige. Isso inclui, por exemplo, ajuste automático dos falantes conforme as características do ambiente (outro diferencial). Para receber os comandos por voz, há 6 microfones, permitindo responder mesmo quando a música está tocando em volume alto (vejam o vídeo promocional).

Talvez mais importante: a Apple decidiu posicionar a HomePod numa faixa de preço bem acima das demais, como dizendo, desde já, que não é um produto para qualquer um. Se vai dar certo, veremos a partir do dia 9.

TV 8K: perigo à vista

Ainda como adendo ao comentário sobre lojas virtuais: uma busca no Google sobre “TVs 8K” me levou a entrar no site da Ponto Frio, onde encontrei a chamada smart tv ultra hd 8k (assim mesmo, em minúsculas). Sabendo que, por enquanto, somente no Japão pode-se comprar um TV desse tipo, ainda assim um único modelo, da Sharp, fui conferir as ofertas da loja brasileira. 

Ali, como é comum hoje em dia, misturam-se TVs Full-HD e UHD (4K) sem a menor cerimônia. O consumidor menos informado, mais uma vez, corre altos riscos. Percorrendo todos os itens, um total de 64, não há um só TV 8K. Nem poderia haver, porque nenhum fabricante lançou ainda, nem deve lançar tão cedo. Quando (e se) o fizer, o preço será tão alto que afugentará os mortais.

Para não parecer má vontade, continuei a busca e… bingo: no no site do Extra, aparecem nada menos do que 430 itens como “smart tv 8k”, e – pior ainda – misturando todo tipo de acessório que possa, ainda que vagamente, lembrar um TV. Deve ser o fenômeno das fake news chegando ao varejo. 

Talvez nada disso seja novidade, mas fica aqui a dica. Na maioria dos sites de compras, um simples letrinha (no caso, “K”) pode fazer muita diferença, ainda mais com as fontes gráficas minúsculas que se usam. Fuja!

Via Varejo cria loja omnichannel

A “loja virtual” da Amazon nos EUA, citada no post anterior, não existe por acaso. E a melhor prova é a inauguração de algo similar aqui mesmo em São Paulo. A ideia é da Via Varejo, empresa de e-commerce que resultou da fusão entre as lojas online da Casas Bahia e Ponto Frio. Talvez seja hoje a maior do Brasil no segmento. Sua iniciativa inovadora segue o conceito omnichannel, em que se adotam novas tecnologias unindo os dois formatos (loja física e virtual) para melhorar a experiência do consumidor.

Não sei se o projeto da Via Varejo é o primeiro no país, mas com certeza é o mais ambicioso até agora. Numa loja Ponto Frio do Shopping Vila Olimpia, os clientes agora podem conferir cerca de 10 mil produtos oferecidos no site da empresa – embora a loja física ali tenha apenas uns 1.000 produtos. Isso é possível graças a uma “vitrine digital”, que exibe os produtos em tamanho real numa tela touchscreen; tocando na tela, pode-se conferir detalhes sobre cada produto. Na seção de móveis, a interface são óculos de realidade virtual, que o cliente usa para escolher cores, tamanhos e formatos das peças disponíveis.

Na loja, também foi montado um sistema de digital signage para os clientes B2B. Uma das forças da Via Varejo é seu marketplace, que atende milhares de pequenas empresas (e grandes também); o novo sistema facilita fazer promoções e direcionar mensagens a públicos específicos. Vale lembrar que a loja é forrada de sensores e câmeras que analisam em tempo real o comportamento dos usuários.

No segmento de eletrônicos, a Samsung é a primeira fabricante a aproveitar a oportunidade. Reservou o espaço (foto) por três meses para ações focadas nas linhas de TV QLED, smartphones Note8 e óculos VR. 

Já existe o “minimercado do futuro”

Há pouco mais de um ano, falamos aqui da Amazon Go, projeto de “loja tecnológica” onde tudo seria feito para tornar mais prático e rápido o processo de compra. Pois acaba de ser aberta ao público, na cidade de Seattle, onde fica a sede do grupo. A ideia é que você entre, escolha os produtos que deseja, pague e vá embora no menor tempo possível – e sem nenhum atendente por perto. Deve ser uma experiência interessante. Vários sites da internet foram lá para experimentar (vejam este vídeo).

Além de ter uma conta aberta na Amazon.com, é necessário baixar o aplicativo Amazon Go, que instala no seu celular um QR Code. Esta será, digamos, sua “carteira digital”. Ao tirar um produto da prateleira, o sistema identifica o item colocando-o no seu “carrinho de compras” virtual. Todos os itens expostos na loja são marcados eletronicamente. Ao se encaminhar para o que seria o caixa, o cliente passa por um leitor de QR: basta aproximar seu celular para concluir a transação e liberar a saída.

Tudo foi pensado para evitar filas e reduzir o tempo de compra. Bem, quanto às filas, não deu muito certo nos primeiros dias porque muita gente quis conferir de perto. Vídeos mostram pessoas duvidando do sistema de segurança, na crença de que poderiam sair sem pagar. Só que a loja é infestada de microcâmeras que “enxergam” tudo. Se você pega um produto e dá para outra pessoa, por exemplo, a compra será bloqueada na saída, pois o sistema já vinculou aquele item à sua conta pessoal. Esta reportagem dá mais detalhes.

Mas, pelo visto, o sistema não é totalmente seguro. Uma repórter da rede de TV CNBC foi escalada para experimentar a Amazon Go e fez suas compras como qualquer cliente comum. Depois de sair da loja, percebeu que um iogurte que havia pego não tinha sido cobrado. Falha do sistema, que a moça incluiu em sua reportagem (vejam aqui); a reação da Amazon não demorou: “Bom proveito”, comentou a diretora da loja, Gianna Puerini, acrescentando: “A chance de isso acontecer é tão remota que nem nos preocupamos em pedir a devolução do produto. Tudo aqui é feito com base na confiança que nosso cliente merece”. 

Primeira fusão no mercado Pro

 

Apesar de existir há mais de vinte anos, o mercado brasileiro de projetos eletrônicos para uso profissional, mais conhecido como “Pro AV”, não conseguiu desenvolver ainda um número grande de empresas especializadas. Infelizmente, são poucas as integradoras, conceito que combina a capacidade de projetar e instalar sistemas de áudio, vídeo e automação, de pequeno ou grande porte, além de fornecer orientação e suporte pós-venda aos usuários.

Duas das empresas que podem ser encaixadas nesse perfil, as paulistanas Eletroequip e Solutione, estão se fundindo numa só. Terão uma nova marca, e já estão operando na mesma sede para se transformar, provavelmente, no principal player do setor. Ao que se saiba, é o primeiro caso desse tipo no país. Fusões e consolidações são comuns, por exemplo, na Europa e nos EUA, demonstrando o dinamismo de um setor que precisa evoluir no ritmo dos avanços tecnológicos.

A Eletroequip nasceu em 1971, como fornecedora de equipamentos e acessórios para o então nascente mercado de telecomunicações. Nos anos 1990, passou a atuar no segmento AV, projetando soluções para empresas em geral. Com a chegada da automação, conseguiu montar um interessante portfólio de serviços, conquistando até clientes multinacionais de grande porte.

Já a Solutione surgiu em 1999, exatamente quando as soluções AV de padrão profissional começaram a ser mais demandadas. Também soube se posicionar na faixa premium do mercado, atendendo grandes clientes e introduzindo inovações como as soluções de realidade virtual. 

Até o ano passado, as duas empresas eram concorrentes. Mas, segundo Claudio Younis, filho do fundador da Eletroequip, se aproximaram a partir de valores comuns, como o foco em compliance (infelizmente raro no Brasil), nas tecnologias premium, oferta de soluções completas com acompanhamento integral, treinamento e atualização constante dos funcionários. “Não fazemos questão de ser a maior integradora do mercado, mas vamos trabalhar muito para ser a melhor”, diz Claudio.

Odair Tremante, diretor da Solutione e agora responsável pelos projetos na nova empresa, compartilha desses conceitos. E acrescenta: “Uma parte do nosso trabalho é mostrar às empresas em geral o valor de tudo isso. Nossos clientes atuais já sabem quanto custa elaborar e implantar um projeto eficiente e confiável”. No ano passado, a Solutione conquistou o prêmio da InfoComm para melhor projeto de integração da América Latina, com o Innovation Center da consultoria americana Accenture, instalado em Recife.

Dolby Atmos, no cinema e na TV

 

 

Em artigo publicado hoje no site da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL (vejam aqui), Rodrigo Meirelles, um dos responsáveis técnicos pelos conteúdos da TV Globo, nos dá uma aula sobre Dolby Atmos e os demais padrões de “áudio imersivo”. Ele conceito, criado inicialmente para o cinema, está sendo considerado uma revolução na produção de áudio, já que interfere diretamente na relação entre o usuário e os conteúdos que assiste.

Já comentamos aqui sobre o padrão patenteado pela Dolby. Vários fabricantes de equipamentos aderiram à novidade (e pagam royalties por isso), encontrada em receivers, caixas acústicas e até TVs. Numa explicação superficial, trata-se de um software de processamento que permite definir cada tipo de som como um “objeto” – daí o nome em inglês: object-based audio, que alguns fabricantes estão chamado “áudio 3D”. Dessa forma, o diretor do filme (ou o técnico responsável pela mixagem) consegue situar o caminho espacial dos efeitos sonoros. E o usuário se vê cercado por eles de uma forma muito mais envolvente (e impactante) do que aquilo a que estamos acostumados.

Bem, desculpem a síntese; prefiro que todos leiam o artigo do Rodrigo para entender exatamente como tudo acontece. Interessante é que a Globo é a primeira emissora do mundo, que se saiba, a adotar áudio imersivo em suas próprias produções. A novela Deus Salve o Rei, que está no ar, é uma delas. No ano passado, as transmissões ao vivo do Rock in Rio também utilizaram esse processamento de áudio. Outras atrações certamente virão ao longo deste ano.

Desemprego e a “culpa” da tecnologia

Não é de hoje que vêm sendo divulgados estudos internacionais sobre a relação entre tecnologia e desemprego. Neste domingo, o jornal Folha de São Paulo acrescenta mais um detalhado levantamento a respeito. Como de costume, relaciona-se a redução nas vagas de trabalho à evolução dos equipamentos, especialmente computadores e sistemas de automação. Nesse contexto, a figura do robô – tão simpática nos tempos de séries como Perdidos no Espaço ou, mais recentemente, Star Wars – ganha contornos sinistros.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o número de robôs em uso no mundo vem crescendo 9% ao ano desde 2010. Nesses oito anos, estima-se que o número de desocupados (pessoas que não conseguem encontrar trabalho) tenha chegado a 850 milhões; é impossível saber o número exato, especialmente numa época em que muitos decidem trabalhar por conta própria e outros tantos acabam sendo obrigados a aceitar sub-empregos. 

Um aspecto cruel desse processo é que a tecnologia reduz os custos de produção, levando a maioria das empresas a investir em máquinas para produzir mais em menos tempo e, assim, sacrificar a mão-de-obra que não é qualificada. As maiores vítimas são, portanto, as populações de baixa renda e com baixo nível de instrução. Embora esteja entre as dez maiores economia dos planeta, todos sabemos que o Brasil é um vexame na matéria, com índices educacionais que alguns especialistas consideram piores do que 20 ou 30 anos atrás.

Mas, mesmo entre os trabalhadores com curso superior e boa formação profissional, os desafios são severos. Algumas profissões simplesmente estão desaparecendo, como mostra este link, enquanto a própria tecnologia criar novas atividades: professor freelancer (que pode dar aula presencial ou online), fazendeiro urbano (cuida da produção e distribuição de alimentos orgânicos em áreas urbanas), designer 3D, instalador de sistemas smart (nem tudo será plug-and-play), técnico em telemedicina, gestor de comunidades digitais, operador de drones e – não poderia faltar – mecânico de robôs! A lista foi extraída de um estudo da Associação Brasileira de Química, que pode ser conferido aqui.

Nesse contexto, por mais que pareça odioso, reformas como a trabalhista – aprovada pelo Congresso no final do ano passado – são não apenas necessárias como inevitáveis. Empresas e trabalhadores têm que se adaptar à nova ordem mundial do trabalho, pelo simples fato de que não há alternativa. E, nesse aspecto, talvez seja melhor pensar na tecnologia como uma aliada, já que permite a qualquer profissional (ou mesmo estudante) aprender novas habilidades em tempo muito mais curto e a custo infinitamente mais baixo.

Vale a pena lembrar aqui os cases da Khan Academy, pioneira no ensino de matemática e outras disciplinas a distância, que no Brasil é associada da Fundação Lehman; do Senac/Senai, especialistas em cursos técnicos profissionalizantes; da USP, que mantém atualizado um programa de cursos gratuitos online em diversas áreas; e da própria Universidade Harvard, a mais famosa do mundo, onde também é possível estudar de graça (clique aqui para saber como, desde que você domine o inglês).

Mais do que nunca, aprender é preciso. Aprender para sobreviver. 

Sessão nostalgia: cassete e vinil

 

Em meio a tantas inovações tecnológicas, às vezes é bom dar uma respirada. Que tal esta notícia? As vendas de fitas cassete de áudio – isso mesmo, como essas que você vê na foto – subiram 35% nos EUA em 2017. Foram mais de 174 mil delas, o que não acontecia desde o longínquo 2012, diz uma pesquisa da Nielsen sobre o mercado musical. 

Querem mais? As vendas de LPs continuam subindo desde 2005 e hoje representam 14% de todas as gravações comercializadas em mídia física. E, se você não sabia, CDs e DVDs de shows e concertos continuam indo bem, obrigado. 

O pessoal da Nielsen, ouvido pelo site Digital Trends, explica que milhões de jovens estão sendo atraídos a buscar gravações antigas (leia-se: anos 80 e 90) devido ao sucesso de séries como Stranger Things e filmes como Guardiães da Galáxia, cujas trilhas sonoras foram lançadas em fita cassete e vinil. Será só isso? No caso das fitas, até pode ser. Mas o vinil voltou à moda há uns 15 anos, ou seja, já deixou de ser “moda”.

Não, os serviços de streaming não vão acabar. iTunes, Spotify e similares são hoje a maior fonte de receita das gravadoras, e não há sinal de que isso vá mudar tão cedo. Mas sempre haverá lugar para a nostalgia.

Pós-CES: mais uma guerra de displays

Ainda a CES (e certamente falaremos muito do evento nas próximas semanas): nosso enviado especial JULIO COHEN produziu diversos vídeos, mostrando especialmente a enorme variedade de TVs que desfilaram em Las Vegas (vejam aqui). E, embora alguns sejam protótipos, já é possível delinear as tendências daqui para frente.

Basicamente, há hoje cinco tipos de display:

LCD – É o mais antigo e domina o mercado mundial, mas aparentemente não tem muito o que evoluir. Para facilitar o marketing, a indústria adotou a denominação “LED”, referência ao painel de iluminação interna desses TVs (antes, eram lâmpadas). Talvez seja mais correto manter “LED-LCD”, ou “LCD-LED”.

OLED – Está em expansão e, no momento, é considerada a tecnologia com melhor performance. Substitui os leds comuns por elementos orgânicos, que produzem a própria luz e, por isso, dispensam o tal painel interno. 

Pontos Quânticos – Sem dúvida um aprimoramento em relação ao LCD: embora ainda dependendo de iluminação interna, utiliza nanocristais para formação da imagem. São os QDs (Quantum Dots), elementos inorgânicos com altíssima sensibilidade para transformar impulsos elétricos em variações de luz. Samsung e TCL utilizam a marca “QLED”, mas Sony e LG também possuem TVs desse tipo.

Laser TV – Aqui, é preciso cuidado para evitar confusão: o “TV” é, na verdade, um conjunto composto por tela e módulo de projeção. Neste, uma unidade óptica à base de laser projeta luz de altíssima intensidade sobre um painel interno de LCD; com lentes especiais, a imagem é direcionada a uma tela também ultra-sensível.

MicroLED – A novidade exibida na CES pela Samsung propõe uma alternativa ao OLED, da rival LG. Os elementos que formam a imagem são microscópicos, emissivos e inorgânicos, ou seja, emitem a própria luz e teoricamente possuem maior estabilidade e durabilidade.

Essa última característica foi muito realçada pela Samsung durante o evento, com base no fato de que os TVs OLED se deterioram com o tempo, o que ainda está por ser provado. Toda tecnologia nova exige um período de maturação, e somente após alguns anos a experiência prática confirma (ou não) esse tipo de deficiência. Teremos que ver isso daqui a alguns anos, tanto nos OLED quanto nos MicroLED e nos QLED.

Em futuros posts, comentaremos aqui outros detalhes dos TVs MicroLED, que chamaram muito a atenção dos visitantes da CES, especialmente com o gigante de 146 polegadas que a Samsung demonstrou (vejam o vídeo). Enquanto esse produto não chega ao mercado, vale lembrar que o OLED da LG foi o TV mais premiado da Feira (mais detalhes aqui). 

Show de tecnologia em Copacabana

Na semana passada, acompanhamos ao vivo um grande espetáculo tecnológico. O centenário Copacabana Palace, no Rio, emprestou sua fachada para a exibição do Video Mapping Challenge, competição internacional de projeção mapeada promovida pela Epson. Oito projetores a laser foram montados em torres erguidas sobre a areia da praia, bem de frente para um suntuoso edifício, construído há quase 100 anos – foi inaugurado em 1923. Em terra, um sofisticado equipamento da empresa sueca Dataton rodava o software WatchOut, criado justamente para projeção mapeada. No computador, o designer cria a imagens sobre uma réplica do prédio; ao serem projetadas, tem-se um show de cores e luzes, irresistível até para quem estava na praia, como mostra este vídeo.

Video Mapping, garantem os especialistas, começa a se transformar no recurso técnico de maior impacto para espetáculos ao vivo. Quem frequenta shows de música já deve ter visto. Este link mostra slideshow com alguns belos exemplos. Quando se une tecnologia a uma paisagem como aquela, revela-se até onde pode ir a criatividade humana.