Archive | January, 2008

Demagogia tem limite

É até enfadonho ficar comentando, mas cada entrevista do ministro Helio Costa deveria ser seguida de uma errata, tal a quantidade de absurdos que esse homem diz.
 
A última, nesta 3a. feira (leia aqui), chega a dar saudades daquele outro ministro que dizia que “cachorro também é humano” e coisas do tipo. Ao anunciar a consignação dos canais de TV Digital para o Rio de Janeiro, Costa prometeu que as transmissões lá começam em abril. Até aí, tudo bem: o prazo inicial era janeiro, mas atrasos desse tipo até que são compreensíveis. O problema foi o complemento: “Tenho certeza que teremos conversores por R$ 200, já com interatividade”, disse o sr. ministro.
 
Ora, qualquer pessoa minimamente informada sabe que isso é pura demagogia. Pelo menos até o segundo semestre, não teremos no Brasil conversores a R$ 200, muito menos os modelos completos, que permitam a interatividade. Nem mesmo os conversores portáteis, para uso com notebook, custam isso!!!
 
Continuando seu desfile de abobrinhas, o ministro disse aos jornalistas que foram vendidos até agora em São Paulo 700 mil conversores e 12 mil televisores com conversor embutido. Incrível como alguém consegue chutar números com essa tranquilidade. Primeiro, não há estatísticas a respeito, pelo bom motivo de que nenhum fabricante divulga seus números de venda. Segundo, nem mesmo juntando a capacidade de produção de todos os fabricantes, chegaríamos a 700 mil conversores – até porque trata-se de um produto novo e que ainda está sendo testado pelo mercado. Nem a Casas Bahia, com todas as suas lojas, conseguiria vender tudo isso…
 
É por essas e outras que o consumidor brasileiro não entende essa tal de HDTV, como diz este texto.

Veredito final?

Aliás, meu amigo Miguel Winge – um dos primeiros a cantar a bola de que o Blu-ray ganharia essa parada – informa que Paramount e Universal já decidiram lançar também discos nesse formato. Não vão abandonar o HD-DVD, por enquanto, mas também não querem ficar vendo essa banda passar…
 
No acordo que tinham com a Toshiba, ambas havia colocado cláusulas prevendo essa possibilidade. O contrato da Paramount previa que, caso a Warner abandonasse o HD-DVD, o estúdio poderia fazer o mesmo. Isso, apesar de ter recebido, segundo se comentou na época, mais de US$ 150 milhões da Toshiba.
 
Como se vê, nessa guerra ninguém saiu ganhando.

A guerra acabou? Ainda bem…

   

Dados divulgados na semana passada pela publicação especializada Video Business revelam o tamanho do estrago causado no mercado pela felizmente quase extinta guerra dos formatos. Os números, como sempre, são do mercado americano, mas desconfio que podem muito bem ser estendidos aos principais mercados do mundo. Vejam.

    Em 2007, as vendas e locações de DVDs caíram 3,1%. Alguém pode perguntar: só isso? É que, quando se fala de EUA, nenhum número é pequeno. Esses 3,1% significam cerca de 700 milhões de dólares – uma receita que foi comida, em boa parte, pela dúvida dos usuários em relação à disputa entre Blu-ray e  HD-DVD.

    Reunidos, os presidentes dos principais estúdios de cinema chegaram à conclusão de que subestimaram o crescimento dos videogames, tidos hoje como concorrentes do DVD – embora muita gente assista seus filmes no PlayStation 3.

    Bem, a melhor prova de que a tal guerra dos formatos realmente afetou o segmento como um todo está em outra série de números: na segunda semana de janeiro, logo após a Warner ter anunciado que abandonará o HD-DVD, as vendas de players Blu-ray dispararam, atingindo 93% do total de aparelhos vendidos nos EUA; e as vendas de discos BD representaram 85% do total no mesmo período.

    Precisa dizer mais alguma coisa?

Tecnologias “verdes” vêm aí

A onda verde parece que chegou mesmo ao setor de tecnologia. Vem puxada não apenas por uma questão de marketing (pega bem divulgar que um produto não afeta o meio-ambiente), mas também porque há um esforço sincero de diversos setores em estimular o uso de materiais renováveis e agredir menos nosso tão mal-tratado planeta.

Dos EUA vem a notícia de que a rede Wal-Mart, simplesmente a maior varejista do mundo, está pressionando seus fornecedores a lançarem mais produtos que consomem menos energia. Bem, neste caso específico, não é nenhuma boa ação de cidadania: a rede, com suas cerca de 1.800 lojas espalhadas por vários países, utiliza milhares de displays para decoração e sinalização; além disso, mantém em suas prateleiras outros milhares, que precisam ficar ligados para chamar a atenção dos clientes.

Pois bem: todo esse estoque de TVs consome energia que, segundo a revista norte-americana Twice, seria suficiente para alimentar nada menos do que 53 mil residências por um ano inteiro! Lee Scott, CEO da Wal-Mart, fez um plano para até 2010 reduzir em 30% os gastos de energia com esse tipo de produto.

Quem conhece o mercado americano sabe que, quando a Wal-Mart pede, a indústria recebe o pedido como uma ordem.

TV Digital: incentivos polêmicos

    O governo confirmou na semana passada, no Diário Oficial, os prometidos incentivos à importação de equipamentos para TV Digital. Não, não são os conversores (set-top-box), nem muito menos os TVs que já vêm com conversor embutido. A medida refere-se apenas a equipamentos de transmissão e monitoração do sinal digital, a serem utilizados pelas emissoras.

    Usando de sua tradicional demagogia, o Ministério das Comunicações havia anunciado a medida meses atrás como uma prova de que o governo iria estimular o barateamento dos equipamentos. O ministro Helio Costa chegou a acusar os fabricantes de aplicarem preços abusivos nos conversores, dizendo que aquilo era “caso de polícia” (foram essas as palavras que Costa usou, em sessão no Congresso, leia aqui). 

    Quando perguntado se o governo estaria disposto a cortar impostos para ajudar a reduzir os preços, Costa disse que sim. Dias depois, apontou os incentivos à importação como mostra de que essa intenção era pra valer. Claro que não era. O que saiu no Diário Oficial é uma antiga reivindicação das emissoras, que alegam os altos custos de importação como um impedimento à implantação da programação digital. De fato, como se sabe, certos itens encarecem em mais de 50% quando entram no País. mas isso nada tem a ver com o que pede a indústria, que também paga altos impostos para importar componentes.

    Agora, as emissoras terão isenção no imposto de importação, o que teoricamente é ótimo para ajudar a desenvolver esse mercado. Mas o ministro não explicou até agora o que foi feito de sua idéia de importar conversores da China ou da Índia, que sairiam para o consumidor em torno de R$ 200!!! Lembram-se? Os usuários que ainda não concordaram em pagar o preço dos conversores continuam esperando.

Vírus ataca até em porta-retratos

 Você já deve ter visto por aí um porta-retratos digital. Pois o que parece uma inocente peça de decoração acaba de se transformar, nos EUA, numa ameaça. Segundo o IDG Now, a rede de lojas Best Buy confirmou que alguns porta-retratos vendidos com sua marca Insignia foram contaminados com um vírus, capaz de se infiltrar em qualquer PC conectado ao acessório.

   Assim que descobriu o problema, a rede retirou o aparelho de suas prateleiras e informou que iria procurar os clientes que haviam adquirido o produto. Segundo a empresa, trata-se de um vírus comum, que é transmitido através da conexão USB e pode ser detectado por qualquer programa de proteção.

    Nessa loucura que é a propagação de vírus pela internet, nada mais surpreende.

Downloads de filmes, a próxima onda

A Livraria Saraiva é a primeira empresa brasileira de grande porte a entrar no segmento dos downloads de filmes. Com seu vasto catálogo de clientes e poder de compra junto aos distribuidores, certamente terá um belo mercado se quiser, mesmo, investir nessa área.
 
Na verdade, outras empresas já estão atuando no setor. A loja virtual DVD World começou em dezembro, fazendo acordo com algumas distribuidoras – as primeiras são Foccus e Flashstar. Agora, negocia com as chamadas “majors”, as americanas Warner, Sony/Columbia, Fox etc. O problema é que essa decisão, em geral, é tomada na matriz, e cada estúdio tem uma visão diferente sobre a questão dos downloads. Por isso, as negociações talvez levem mais tempo do que seria desejável.
 
O fato é que não tem mais volta: a distribuição de filmes pela internet é uma realidade e veio para ficar. Depois do Blu-ray, não teremos mais suporte físico para filmes. Quem quiser comprar ou alugar irá fazê-lo virtualmente. Vai ser mais prático e mais barato. Aliás, o fenômeno “Tropa de Elite” derrubou as últimas dúvidas a respeito, não? Todo mundo que eu conheço já viu o filme, que ainda não saiu em DVD e – exatamente porque todo mundo já viu – deverá vender menos cópias em disco venderia, digamos, dois anos atrás.
 
Só torço para que os acordos saiam logo e que o preço dos downloads não seja proibitivo. E vamos preparar nossos computadores para baixar os filmes em alta resolução e assisti-los no home theater. Esse é o caminho.

O que os consumidores querem?

    A pergunta certamente é feita diariamente por milhares de executivos pelo mundo afora. Quase todas as respostas são vagas, apesar dos milhões que se gastam em pesquisas. Pessoalmente, não acredito muito nas chamadas “pesquisas de mercado”, até porque a opinião e a percepção das pessoas mudam com incrível facilidade.
 
    Quantos produtos já não foram lançados com base em pesquisas e acabaram se tornando fracassos? Por outro lado, algumas pesquisas são úteis para se analisar tendências, que no entanto precisam ser confirmadas pelos fatos. No caso do mercado de tecnologia, vejam esta pesquisa que encontrei num site americano (onde mais seria? Os americanos adoram pesquisas…)
 
    Segundo o estudo, 70% dos telespectadores trocariam de provedor de TV paga se pudessem ter acesso a mais interatividade. É bom lembrar que, nos EUA, a oferta de provedores é enorme. Os entrevistados não têm certeza se topariam pagar mais por isso, mas garantem que serviços interativos têm grande apelo para ficarem mais tempo diante do TV.
 
    A pesquisa, realizada pela empresa Ensequence (veja detalhes em http://www.ensequence.com/interactive-television) considera vários serviços interativos: concursos, votações, merchandising (“quero comprar a blusa da mocinha da novela”), venda de ingressos para shows, estatísticas durante eventos esportivos etc.
    Claro que tudo isso é muito legal, e já sabemos que será um dos grandes atrativos da TV Digital, quando ela de fato for implantada no Brasil. Mas prestem atenção: 72% daqueles mesmos entrevistados gostariam de ter interatividade para participar de reality shows.
 
    Bem, já começo a achar que a interatividade não é tão boa assim…

Abaixo-assinados agitam a briga do DVD

Esta notícia é no mínimo curiosa: um grupo de apoiadores do formato HD-DVD entrou à Warner um abaixo-assinado para que a empresa volte atrás em sua decisão de vender exclusivamente discos Blu-ray. O grupo conseguiu reunir 6 mil assinaturas on-line em menos de duas semanas de campanha.

O movimento -que se auto-intitulou “Save HD-DVD” (ou “salvem o HD-DVD”) começou no dia 5, dois dias depois que a Warner anunciou sua decisão. A Warner, por enquanto, não se pronunciou.

Mas esta semana surgiu um outro movimento, chamado “Let HD-DVD Die”, ou seja, “deixa o HD-DVD morrer”. Sim, são adeptos ferrenhos do Blu-ray pedindo à Paramount, à Universal e até à Toshiba que abandonem de vez o formato e acabem com essa guerra idiota. Segundo o site petitiononline.com, já são milhares de adesões.

Quem quiser entrar nessa disputa virtual, pode acessar os dois sites respectivos. Se você quer “salvar” o HD-DVD, entre em http://www.petitiononline.com/SAVEHDD/; já se você quer que o formato definitivamente seja enterrado, a opção é http://www.petitiononline.com/HDVDeath/.

Gostei das duas iniciativas: mostram que os consumidores, pelo menos nesse caso, estão atentos. Tudo bem que as empresas envolvidas devem estar por trás dos dois movimentos, mas é um bom começo.

Áudio high-end, a caminho do iPod

                               Alguns leitores comentaram meu post do dia 9, sobre a mudança de perfil do segmento de áudio high-end (poderia ter acrescentado também vídeo high-end, mas isso é outra história).
 
Citei marcas tradicionais – Krell, Mark Levinson, B&W – que nos últimos meses aderiram à onda do iPod. Agora, mais um ícone da audiofilia, a norte-americana Wadia, mostra que segue na mesma direção. A empresa exibiu durante a CES o iTransport (foto), definido como um “player dock”, capaz de extrair de um iPod um som igual ao de um CD. Será lançado nos EUA em março, por US$ 349, diz a empresa.
 
Ainda não ouvi nenhum desses produtos, mas parece evidente que empresas tão ciosas de seu padrão de qualidade não irão comercializar um reprodutor qualquer, ainda que seja para ouvir MP3 e WMA. Certamente, terão desempenho superior ao daqueles docks que você compra em qualquer esquina.
 
Mas a questão me parece mais profunda. Essas grandes marcas não querem perder o bonde da História, nem correr o risco de ficarem marcadas como “coisa de audiófilo”. Mesmo respeitando seu passado e levando em conta que sempre haverá usuários mais exigentes (e capazes de pagar por suas exigências), elas se curvam à realidade do áudio portátil.
 
Talvez tenha razão um amigo meu: para ouvir a música de hoje, com sua mediocridade, o MP3 até que serve.

A nova estratégia da Toshiba

 

A propósito da “guerra dos formatos”, comentada aqui na semana passada, o leitor Renato Parizzi conta que a Toshiba estaria mudando o foco de sua estratégia para emplacar o HD-DVD. Sinceramente, Renato, a essa altura não acredito que esse processo tenha mais volta: infelizmente para quem comprou um player HD-DVD, o Blu-ray ganhou essa guerra.
 
A idéia de criar uma “super-upconversion”, permitindo que o usuário assista até mesmo a DVDs comuns em alta definição, parece interessante. Mas dificilmente os fabricantes de Bliu-ray iriam ficar para trás ao sentirem que isso atrai o consumidor. Quanto aos estúdios de cinema, acho que não há como fazê-los voltar atrás. Afinal, estão perdendo (ou deixando de ganhar) milhões com essa estúpida disputa entre os formatos – segundo a Warner, até a venda de DVDs comuns está caindo por conta da confusão na cabeça dos usuários.
 
Na última CES, a Toshiba inovou apresentando um HD-DVD player portátil (foto), notebooks com drive HD-DVD e até discos com acesso direto à internet. Tudo isso o pessoal do Blu-ray já deve começar a oferecer em breve.
 
O pior é pensar que toda essa disputa poderia ter sido evitada.

Ainda as cotas de TV…

O colega Robinson Nelson dos Santos comenta meu post da semana passada sobre a implantação de cotas para programas nacionais na TV por assinatura. Agradeço os acréscimos, mas sinceramente não sou tão otimista assim quanto aos princípios do Congresso. Todo mundo sabe que a maioria das emissoras autorizadas a operar no Brasil é de propriedade de políticos.
 
Acho legal as pessoas interessadas se inteirarem sobre os projetos em tramitação e observarem as posições defendidas por esses parlamentares. Claro que a ABTA tem seus interesses e teme a concorrência das teles. Claro também que estas não têm condições de produzir conteúdo; terão que comprá-lo das próprias programadoras, nacionais ou estrangeiras, ou de produtoras independentes. Até aí, me parece que vale a concorrência.
 
O que discuto é essa obsessão de impor cotas: uma grande demagogia, apenas isso.

Um mundo sem discos: será possível?

 

Artigo do The Washington Post, a propósito da MacWorld Expo, evento organizado pela Apple em San Francisco, mostra que, mais uma vez, a empresa californiana pode estar ditando o futuro da tecnologia. Embora não tenha lançado nenhum produto revolucionário como foi o iPhone no ano passado, Steve Jobs mostrou o novo MacBook Air, até o momento o notebook mais fino do mundo (veja na foto).
 
E o que tem de mais esse aparelho além do fato de ser ultra-fino? Para desenhar um notebook assim, o pessoal da Apple constatou que teria de retirar dele o drive de CD/DVD. Ou seja, não há como inserir discos no notebook, a não ser através de um drive externo. Isso seria um problema. Ou não? Os designers de Jobs concluíram que não: num mundo cada vez mais virtual, as pessoas tendem a usar menos discos (ou qualquer suporte físico), substituídos por memórias flash ou – melhor ainda – por acesso rápido à internet.
 
Assim, em vez de colocar CDs ou DVDs no notebook para ouvir múica, assistir filmes ou baixar programas, o usuário pode fazer tudo isso virtualmente. O material pode estar num minúsculo pen-drive ou cartão de memória (o último modelo de cartão SD tem nada menos do que 32Gb), ou pode ser baixado de algum site ou servidor remoto.
 
Será esse o futuro que nos aguarda? Não, acho que já é o presente. Vamos ver agora como irá reagir a indústria do filme, que ainda não sabe que modelo de negócio adotar em lugar do atual DVD.

Design, acima de tudo

Os mais puristas certamente não vão gostar de saber. O site norte-americano Audio/Video Revolution publica que alguns dos principais fabricantes da atualidade estão hoje mais preocupados com o design de seus produtos do que com a qualidade técnica. A razão é que os equipamentos estão ficando tão parecidos que, para a maioria dos consumidores, torna-se cada vez mais difícil diferenciá-los do ponto de vista da performance. O aspecto visual, por isso, passa a ser mais valorizado.
 
Não seria por outro motivo que empresas como Samsung, Philips e LG, entre outras, destacam o design de seus produtos com tanta ênfase. De fato, nos últimos dois anos houve uma avalanche de aparelhos com apelo mais, digamos, estético. Pode-se citar como exemplos os TVs Ambilight (Philips) e Tulip (Samsung), o celular Prada (LG) e o computador Vaio (Sony). Sem falar no iPhone, que já virou ícone do design eletrônico.
 
Na última CES, o novo chefão da Philips, Andrea Ragnetti, disse abertamente que a nova estratégia da empresa se inspira na opinião das mulheres que, como se sabe, são mais adeptas do design. A parceria da empresa com a fábrica de jóias Swarovsky se encaixa exatamente nessa política (veja este vídeo). Assim como os celulares da Samsung assinados por Giorgio Armani ou pela cantora Beyoncé, que também vimos na CES.
 
Será que tudo isso significa deixar de lado a performance técnica dos aparelhos? Não acredito. O que o consumidor precisa entender é que os processos de produção se globalizaram e, por uma questão de escala, até mesmo os grandes fabricantes utilizam pequenas empresas da China, Taiwan, Malásia etc. como fornecedores de componentes. A conseqüência é que, tecnicamente, existem mesmo poucas diferenças entre, por exemplo, um TV Sony e um Philips. Um ou outro recurso, talvez. Mas, assim como acontece na indústria automobilística, adquirindo uma marca de prestígio você sempre estará bem servido.
 
Entram em cena nessa hora questões como o gosto pessoal, a preferência por esta ou aquela marca, detalhes estéticos – e, em muitos casos, também o preço. É a lei da globalização, que não tem mais volta.

A guerra de formatos acabou…

As notícias que vêm dos EUA dão conta de que a Toshiba está liqüidando seus players HD-DVD. Depois que a Warner abandonou o barco, vimos na CES o pessoal do HD meio cabisbaixo – a festa que a Toshiba iria fazer no domingo dia 6 foi cancelada.

Se a notícia é ruim para a Toshiba (e pior ainda para quem comprou um player HD-DVD), temos que reconhecer que pode ser excelente para o mercado em geral. Disputas em torno de formatos e padrões técnicos nunca são saudáveis; tudo é melhor quando os fabricantes se entendem e trabalham em conjunto para melhorar a qualidade e baixar os preços. Certamente, se Toshiba e Sony tivessem chegado a um acordo antes, não seria necessário queimar preços como estamos vendo agora.

A Microsoft já dá sinais de que também irá adotar o Blu-ray na próxima geração do XBox 360, pois não pode ficar assistindo parada ao crescimento do PlayStation. E este, como se sabe, é o maior responsável pelo sucesso do Blu-ray.

Resta saber como o público irá reagir. Será que os consumidores agora vão mergulhar de cabeça no Blu-ray, que por sinal também passando por uma liquidação pós-Natal no mercado americano? Será que os estúdios de Hollywood vão mesmo aumentar a quantidade de lançamentos em Blu-ray? Este vídeo  dá algumas pistas.

Anatel em crise

Volto à questão das telecomunicações para comentar o relatório do ouvidor da Anatel, Aristóteles dos Santos, divulgado esta semana, que coloca a agência numa verdadeira sinuca. Segundo ele, a Anatel defende mais as operadoras do que o consumidor e não cumpre as funções para as quais foi criada.

Não sou propriamente especialista no assunto, mas acompanho com interesse essa questão desde quando teve início a discussão sobre a TV Digital. Acho estranho o sr. Aristóteles começar seu relatório condenando a “desestatização” do setor, como se antes vivêssemos no melhor dos mundos. Dá a entender que, se o setor não fosse privatizado, teríamos um serviço de melhor qualidade, preços mais baixos etc.

Bem, apenas um comentário: assim como foi alijada da discussão sobre a TV Digital, a Anatel vem sofrendo pressões políticas de vários setores do governo e já teve seu quadro de direção alterado várias vezes por causa disso. O chamado pacote de telefonia para a baixa renda, apontado pelo ouvidor como fracassado por culpa da Anatel, na verdade não passa de demagogia. Não é para isso que existe uma agência reguladora, em nenhum país do mundo, e o governo faria melhor se deixasse as agências trabalharem, com técnicos competentes e respeitados.

Mas isso, pelo visto, é querer demais.

Diminuindo a barriga

tv_alaser.jpg

No texto anterior, faltou dizer que nós, da HOME THEATER, também não demos o lançamento da TV a laser na CES. A falta de informação sobre o assunto era tão grande que chegamos a achar que o lançamento tinha sido cancelado, como já fora na IFA, em setembro.

Agora, encontramos – graças ao nosso colaborador Daniel Serrano – um pequeno texto que saiu no blog Engadget sobre o evento, inclusive com algumas fotos e, finalmente, o tamanho do aparelho: 65 polegadas! Menos mal. Vamos ficar de olho para ver se a Mitsubishi fornece mais detalhes; e se, de fato, lança o produto, conforme promete.

Para quem quiser conferir, a nota está neste link:
http://www.engadget.com/2008/01/08/mitsubishi-laser-tv-unveiled/

A TV a laser sumiu?

Agora, quase uma semana depois de terminada a CES, fica mais fácil fazer um balanço da cobertura que a mídia deu ao evento. Este é um exercício interessante, porque mostra como o tema tecnologia (aliás, outros temas também) é tratado pela imprensa, incluindo a especializada.
 
Em jornalismo, cunhou-se há anos o termo “barriga” para definir artigos e reportagens que algum veículo publica e que, depois, verifica-se serem invenção ou desinformação de quem escreveu. Nesta CES, o exemplo mais gritante foi o da TV a laser, anunciada meses atrás pela Mitsubishi. A empresa chegou a divulgar, no final do ano passado, uma foto do aparelho, que substituiria plasmas, LCDs e demais tecnologias de projeção por um dispositivo baseado em leitor óptico, com resultados muito superiores e a um custo de produção mais baixo.
 
Vários sites – inclusive internacionais – divulgaram que a Mitsubishi exibiria o protótipo na CES, e muitos jornalistas (eu próprio) saímos pelos pavilhões de Las Vegas à procura dessa preciosidade. Inútil. A TV a laser não estava no evento. Ou melhor: foi mostrada durante apenas um dia, numa pequena suíte no hotel Palms, bem longe do Convention Center, sendo que a imprensa não foi convidada e o próprio fabricante não divulgou detalhes sobre o aparelho, nem mesmo uma única foto.
 
Apesar disso, até grandes sites e jornais brasileiros elogiaram a “excepcional” qualidade da imagem a laser. Houve jornalistas que foram a Las Vegas para fazer compras, ou jogar nos cassinos, e até aqueles que nem encontraram a sala de imprensa do evento. Acabaram falando sobre o que não viram!

Widescreen para quê?

Recebo de um leitor queixa sobre o fato de as transmissões de televisão não estarem sendo em formato widescreen (16×9), apesar de já estarmos na era da TV Digital. “Fico tremendamente insatisfeito”, diz ele, com razão, após comprar um LCD e constatar que a maioria das transmissões continuam sendo em 4×3. Afinal, há anos temos dito e ouvido que o widescreen seria o formato padrão da TV Digital.
 
É mesmo frustrante adquirir um produto que promete tal benefício e verificar que “nem sempre” esse benefício é oferecido. No caso, claro, não depende dos fabricantes, mas das emissoras. Como estamos constantando, estas (em sua maioria) não estão preparadas para gerar sinal digital, muito menos de alta definição. Parte da culpa cabe também ao governo, que acelerou o processo de lançamento da TV Digital, dando a entender que teríamos uma solução pronta – na verdade, estamos longe disso.
 
Mas há também uma dúvida comum entre usuários, profissionais e mídia, quanto à verdadeira natureza da TV Digital que temos hoje. O formato widescreen foi padronizado para programas de alta definição, como a atual novela das 8 (ou das 9?). Mas programas digitais podem ser transmitidos em qualquer formato, e para isso foi planejado um período de transição, que teve início justamente em 2 de dezembro último. O plano prevê que a transição termine em 2015, mas teremos que pagar para ver…
 
Se outros consumidores também se sentem insatisfeitos, minha sugestão é que se acalmem. Procurem curtir seus TVs de plasma ou LCD com belos filmes e shows em Blu-ray, ou mesmo videogames XBox ou PlayStation 3, e aguardem que as transmissões em HD terão de vir, mais cedo ou mais tarde. Por enquanto, o mais importante é que as emissoras melhorem, mesmo, a qualidade de seu sinal, para justificar o investimento que muitos estão fazendo em novas telas finas.