Onde estão os audiófilos?

9 de janeiro de 2008

 

Tenho ouvido essa pergunta com freqüência ultimamente, e mais ainda aqui na CES. Com a pulverização dos fabricantes tradicionais de equipamentos high-end, o que foi feito dos verdadeiros amantes do áudio, aqueles que antigamente se ajoelhavam diante de um amplificador Jeff Rowland, um toca-discos de vinil Garrard ou até um gravador de rolo Akai?
 
Segundo um executivo da Marantz com quem conversei, eles estão por aí, mas com uma diferença essencial em relação aos consumidores, digamos, normais. Estes continuam comprando seus produtos preferidos, enquanto os audiófilos… bem, estes ficam apenas lendo revistas de áudio e não compram nada.
 
Não sei se é uma boa definição, mas o fato é que, goste-se ou não, a era do MP3 colocou no limbo toda uma geração de belos produtos criados pelo gênio humano. Por isso, quando topamos com uma caixa acústica como esta McIntosh, com nada menos do que 110 alto-falantes e 2m10 de altura, não dá para não ficar extasiado. Quantas casas hoje em dia terão espaço para tal preciosidade?
 
Sensação parecida tive diante da nova Evidence, da Dynaudio, também exposta aqui em Las Vegas. Mas foram momentos raros, pelo menos até agora. Os grandes nomes do áudio estão escondidos em pequenas salas, ou então desapareceram de vez, dando lugar à geração made in China.
 
Recentemente, a Krell anunciou que estava lançando um dock para iPod. Na semana passada, a Mark Levinson uniu-se à LG para produzir – pasmem – sistemas compactos de home theater. Para quem conviveu um bom tempo com essas e outras marcas de igual quilate, não deixa de bater uma certa nostalgia.
 
Voltarei ao assunto em breve, mas por hora quero deixar registrado um momento único, proporcionado hoje pela B&W, aqui na CES: uma reexibição da célebre Nautilus, a original, em três versões comemorativas. Ao tirar a foto, confesso que o coração bateu mais forte.

4 Replies to “Onde estão os audiófilos?”

  1. Antonio Salles disse:

    Caro Barrozo,
    Brrr…que frio! Diria o Golias, o Bronco. Acho que ser do tempo do Golias tem a ver com essa aparente letargia de muitos amantes da arte musical. Para mim foi impossível acostumar-me com MP3. Além de ser muito ruim, não tolero ser um zumbi que ouve apenas com os ouvidos e não sente a vibração cutânea da música ou a batida do grave na barriga.
    E com as dúvidas entre padrões de HiFi, o jeito é contentar-se com os velhos CDs e DVDs antes de gastar um monte de dinheiro em um Betamax.
    Parabéns pelo trabalho. Não traga o frio, só as noticias.
    Abração
    Toninho

  2. José Olimpio Sousa/Salvador/Bahia disse:

    Os Audiófilos estão com um pé atrás.Depois de tanta tecnologia digital estou retornando ao vinil.Comprei recentemente um toca discos belt drive Roksan,uma cápsula Moving Coil sumiko blackbird,um pré de phono reference da Clearaudio e passei a ter um som melhor que o Sacd.Reconheço que o DSD trouxe algum avanço,apesar do CD também ter melhorado muito nos ultimos 10 anos,porém o corpo harmônico dos instrumentos no vinil é extremamente melhor.O piano na região média é muito mais harmônico.A tecnologia também mexeu e virou e o velho amplificador á valvula ainda é o melhor com um som mais doce,quente e relaxado que os transistorizados.Possuo um sistema bi-amplificado com um transistorizado para os graves e um valvulado para os médios.

  3. João Carlos jansen Wambier disse:

    Oi, Orlando!

    Os audiófilos sempre foram uma minoria e podem até entar na lista de espécies em extinção, pois as novas gerações estão cada vez mais se acostumando a ouvir apenas música em MP3 através de fones de ouvido de má qualidade. Ou então em seus sistemas turbinados de car audio, onde o mais importante não é a fidelidade do som, mas garantir “democraticamente” que todo um quarteirão compartilhe de suas preferências musicais.
    E por falar em música, é ela evidentemente que move toda a indústria de áudio. O problema é que o nível de qualidade da música destinada aos jovens parece ser cada vez mais baixo. Até a crítica musical piorou, tornando-se complacente com a mediocridade geral.
    Um outro aspecto é a ganância dos fabricantes de equipamentos, que faz com que uma boa parte do público que se interessa por seus produtos seja obrigado a apenas ficar lendo revistas sem comprar nada, como disse o tal executivo da Marantz.

    Um abraço e paciência nas filas.

  4. José Olimpio Sousa/Salvador/Bahia disse:

    Caro Barrozo
    Os audiófilos nunca vão estar em extinção.A própria sony afirmou que na época do lançamento do CD foram os audiófilos que deram o pontapé inicial no sistema digital tornando-o realidade.Você ha de convir que apesar dos avanços do sistema digital até hoje começou haver muita confusão com diversos sistemas imcompatíveis uns com os outros confundindo a cabeça do consumidor além desta parafernália de mp3, e ipods com excesso de compressão dinâmica que a indústria do audio quer nos empurrar.Aconselho muitos a fazerem um curso de percepção musical ou aprender a gostar de música erudita e passar a repudiar estas mídias sem qualidade.

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