Archive | março, 2008

Eleições sem internet: acredite

Confesso que me esforço, mas raramente consigo achar uma boa notícia vinda de Brasilia. Vejam esta: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que a próxima campanha (para prefeitos e vereadores) não poderá usar a internet. Cada candidato só poderá fazer campanha através de seu próprio site.

Incrível, não? Será que eles pensam que somos bobos? Será que alguém que tenha um blog, como este, não poderá falar de um candidato ou de um partido? Não, não se preocupem, não vou fazer isso aqui, mas é inacreditável que, no momento em que cada vez mais pessoas se conectam à web, que é a mídia mais democrática que existe, alguém queira proibir seu uso.

Claro que tudo isso é jogar conversa fora: quem quiser usar a internet para fazer propaganda (seja do que for) dificilmente poderá ser impedido de fazê-lo. Ou não?

Como as tecnologias sobrevivem

foled_550x435.jpgInteressante artigo de Steve Lohr, um dos melhores repórteres especializados em tecnologia dos EUA, publicado semana passada no New York Times, mostra como velhas tecnologias resistem à mudança dos tempos. O mote do artigo foi o lançamento de uma nova versão do mainframe da IBM. Diz Lohr que a morte do mainframe (computador de grande porte, que já embute software e serviços destinados a corporações) havia sido prevista para 1996! E, no entanto, esse continua sendo um grande negócio para a empresa.

Pois é, a sobrevida de uma tecnologia que data dos anos 60 exemplifica a capacidade evolutiva do homem – e, por tabela, das técnicas que ele inventa. Lohr cita o caso do rádio e do cinema, que iriam morrer com a chegada da televisão (não era isso que diziam os antigos experts?). Pois tanto um quanto outro se reciclaram, adotaram novos formatos e continuam aí, fortíssimos.

Uma previsão atual (“sinistra”, segundo Lohr) é que a internet irá acabar com a mídia impressa e com o cinema. Ao mesmo tempo, lemos que os principais jornais e revistas do mundo estão levando seus conteúdos para a web e aprendendo a usar as ferramentas dessa nova mídia. Assim como os estúdios de cinema já estão adotando formas virtuais de distribuição. Quer dizer, imprensa e cinema estão evoluindo, certo?

cobras.gifO artigo cita ainda o escritor John Steele Gordon, para quem a evolução tecnológica pode ser comparada à dos animais. Vale a pena refletir a respeito: os dinossauros, diz Gordon, desapareceram há milhões de anos, mas seus descendentes – os pequenos répteis – não apenas sobreviveram como se multiplicaram. Hoje, existem no mundo mais de 8 mil espécies de répteis, contra “apenas” 5.400 de mamíferos.

Ou seja, nós, que viemos da mídia impressa, temos que agir como répteis… Bem, conheço algumas “cobras” nesse meio. Mas quero acreditar que Gordon está se referindo a outra coisa, não?

Conversando com seu carro

punto1.jpgFantástico o hot site do novo carro da Fiat, o Punto, que inclui um “test-drive virtual” com trilha sonora à escolha do usuário. Grande sacada!

A Fiat é uma das empresas que já confirmaram participação na Digital Home Expo, em São Paulo, no final de abril (veja aqui o site do evento). Outra sacada, já que o evento – embora voltado a tecnologias de uso residencial – receberá visitantes que se interessam por tecnologia em geral, e a maioria deles, com certeza, é formada por usuários de automóveis.

O Punto é o primeiro carro lançado no Brasil com recursos avançados de comunicação, como Bluetooth, Windows Mobile e viva-voz acionável a partir do volante (você não precisa tirar as mãos da direção para falar ao celular). Vale a pena dar uma olhada: http://www.fiatpunto.com.br/

Nossa lingua inglesa

Não me considero xenófobo e simplesmente abomino iniciativas como a do deputado Aldo Rabelo, que criou projeto-de-lei para abolir do uso comum expressões em lingua estrangeira. Pura demagogia.

imo07032202.jpgMas não consigo ficar calado diante de um anúncio imobiliário que vi hoje (não é o da foto). Vejam os confortos que o tal edifício oferece: streetball, swimming pool, party lounge, child care, kid´s pool, cine room e gourmet room. Será que os autores dessa pérola acham que venderiam menos apartamentos se escrevessem quadra de esportes, piscina, salão de festas, piscina infantil, sala de cinema e sala de jantar?

É mesmo irritante essa mania de copiar modismos expressões estrangeiras como se isso significasse mais nobreza ou prova de cultura. Que tal copiar, por exemplo, o hábito de combater a corrupção?

Algo estranho no ar…

A manchete de praticamente todos os jornais importantes do País neste sábado foi o fechamento do acordo entre Oi e Brasil Telecom, que teria sido selado na noite de 6a. feira, mais ou menos nos moldes que comentei aqui em 16/02 e 19/03. Até aí, nada de mais: toda a mídia já vinha dando como certo o negócio, abençoado pelo Palácio do Planalto, via BNDES.

Estranho foi o comunicado da Oi divulgado nesta manhã, afirmando que o negócio ainda não está fechado. Diz o texto: “Tomamos conhecimento que obstáculos negociais relevantes existentes entre os acionistas controlados da BRT estariam próximos de serem superados e, se confirmado este fato, as negociações deverão se intensificar e tomar nova dinâmica para ultimar a pretendida aquisição”. 

O comunicado garante que ainda não houve acordo entre as várias partes envolvidas: os grupos La Fonte, Andrade Gutierrez, Opportunity e Citibank, além de vários fundos de pensão. Por que, então, teria sido divulgado um acordo que ainda não foi feito? Convém manter o pé atrás…

Curioso também que alguns especialistas, ouvidos pela imprensa nos últimos dias, continuam afirmando que o negócio irá aumentar a competição no setor de telecom, ao fortalecer a Oi em sua disputa com as outras três grandes (Vivo/Telefonica, Claro/Embratel e Tim). Ora, o que ajudaria a aumentar a competição seria justamente o contrário: estimular o surgimento de mais empresas, e não a fusão entre duas delas.

Não parece óbvio? Ou será que estou sendo ingênuo demais?

Amazon vs. iTunes: a nova batalha

downloads.jpgReportagem do USA Today joga um pouco de luz sobre uma silenciosa batalha que está sendo travada nos bastidores da combalida indústria fonográfica. Massacradas pela venda de downloads, as gravadoras estão tendo que rever seu modelo de negócios, baseado na venda de álbuns cuja qualidade só vem piorando há anos. Um dos vilões apontados nessa história era o iTunes, serviço de venda de downloads da Apple que hoje é o segundo maior vendedor de música do planeta (só fica atrás da rede Wal-Mart).

Pois bem. A Amazon, que continua sendo a maior loja virtual que existe, pegou o vácuo do iTunes e parece estar se dando bem. Segundo o jornal, a empresa fez acordo com três gravadoras que se negam a vender para a Apple (Universal, Sony e Warner) e passou a vender músicas sem DRM, proteção contra cópias ilegais que até pouco tempo atrás era questão de honra para a empresa de Steve Jobs.

Na verdade, todas temem o poder excessivo da Apple, que conseguiu fechar apenas com a EMI e algumas independentes. Resultado: hoje, o iTunes tem um acervo de 2 milhões de canções sem DRM (mais 4 milhões com proteção anti-cópia), enquanto a Amazon já alcança 4,5 milhões. Mais ainda: na ânsia de esvaziar o poder da Apple, as três co-irmãs negociam com outras lojas virtuais, como Rhapsody e as versões online da Wal-Mart e da BestBuy.

Será que o iTunes segura essa onda?

Motorola dá aula de marketing

hello-moto.jpgLeio no Meio&Mensagem entrevista com o diretor mundial de marketing da Motorola, Jeremy Dale. Curiosamente, esta semana saiu a notícia de que a empresa – terceiro maior fabricante mundial de celulares (já foi o primeiro, mas perdeu espaço para Nokia e Samsung) – decidiu dividir suas operações: parte será dedicada aos dispositivos móveis e parte se concentrará em soluções de banda larga e mobilidade.

Há quem diga que é o primeiro passo para vender a divisão de celulares, que vem registrando seguidos prejuízos (leia aqui). Pode ser. O fato é que a Motorola há tempos se consolidou como uma das empresas mais criativas do mundo – o que não tem necessariamente a ver com desempenho nas vendas. Seus anúncios são sempre brilhante e o design de seus aparelhos, idem.

Na última CES, tive oportunidade de experimentar alguns dos novos modelos, inclusive o badalado Z10, o primeiro celular que permite editar vídeos (veja aqui). A entrevista de mr. Dale confirma que, por trás desse e de outros lançamentos, há de fato cabeças pensando. O conceito que mais chama atenção é a integração do pessoal de marketing ao processo de concepção dos produtos, trabalhando em conjunto com os engenheiros. Algo difícil de implantar, porque em geral ambos (engenheiros e marketeiros) se odeiam.

Os números de vendas da empresa talvez desmintam essa tese. E Dale visualiza um futuro em que as sensações e reações do consumidor terão mais peso do que o design puro e simples. Pode ser que a Motorola nem sobreviva quando esse futuro chegar. Mas não importa. Admiro pessoas e empresas que buscam inovar e se reciclar constantemente. É isso que move o homem para frente, certo?

Como aperitivo, vejam aí um dos vídeos da última campanha da Motorola, que está no YouTube.

Lula e seu filho

Por falar em políticos, é impossível deixar passar a mais recente baixaria do presidente, ao referir-se a seu colega norte-americano. Coisa típica de novos ricos e deslumbrados, que não conseguem discernir o sucesso alcançado por esforço e mérito, daquele outro, que vem a golpes de sorte e esperteza. Chamar publicamente Bush de “meu filho” é tão de mau gosto quanto aquela história de “minha mãe nasceu analfabeta”.

Lauro Jardim, em seu blog Radar Online, comenta sarcasticamente que Bush, ao saber do escândalo “Dilmagate”, teria telefonado: “Lula, meu filho, resolve aí a tua crise”.

Melhor ainda saiu-se o impagável José Simão, na Folha de S.Paulo, ao explicar por que Lula deu carta branca ao ministro da Defesa na questão da dengue: é que ele não tem o que dizer mesmo, daí melhor deixar a carta “em branco”.

Perfeito. Como já disse alguém, cada povo tem o governo que merece.

Última forma

Depois que postei a nota sobre a Comissão de Defesa do Consumidor, da Câmara, ontem, li no Tela Viva News a notícia de que o presidente da tal comissão voltou atrás: não quer mais se envolver na discussão do projeto sobre as cotas de TV paga.

Sinceramente, não sei se é uma boa ou má notícia. Mas mostra como esses políticos são firmes em suas convicções…

Defendendo o consumidor?

Agora é a Comissão de Defesa do Consumidor, da Câmara Federal, que quer entrar no debate sobre as cotas de TV paga. Seria ótimo, se não conhecêssemos nossos políticos. A idéia, em si, é legal: como se trata de um serviço público, e o consumidor paga (caro) por ele, nada mais justo.

Só que estamos em ano eleitoral, e suspeito que os nobres deputados estejam de olho no palanque, e não exatamente no interesse do consumidor. Por que só agora acordaram para o projeto, que tramita na Câmara desde o ano passado, com altas discussões e polêmicas?

É bom ficar de olho nesse pessoal!

Telefonica: foco em novos serviços

O presidente da Telefonica, Antonio Carlos Valente, deu a senha ao site IDG Now: a operadora vai investir em novos serviços ao consumidor. Um deles já está no ar. Chama-se TecTotal: você compra um computador numa loja conveniada e a Telefonica instala na sua casa, incluindo conexão de banda larga e triple play (claro, se você quiser fazer a assinatura).

Outro serviço que vem aí tem o nome provisório de “Passarela Digital”: seria a integração sem fio do computador com o TV. Sei que existe uma divisão na empresa totalmente voltada a criar soluções residenciais como essa, embora não haja prazo para lançamento comercial. Mas já é um começo, alinhado com o que de mais moderno existe atualmente no mundo.

Espero que não demore. E que funcione mesmo.

Eurocopa em HDTV

Cada vez mais me convenço de que o esporte (principalmente o futebol) é a grande arma das emissoras brasileiras para fazer pegar a TV Digital. A partir de abril, com as finais dos campeonatos estaduais, Globo e Band poderão comprovar isso. Depois de maio, com o campeonato brasileiro, mais ainda. As Olimpíadas de Pequim talvez não sirvam de parâmetro, porque aqui os jogos seão vistos de madrugada.

Mas um bom teste teremos em junho, com a Eurocopa, o campeonato europeu de seleções que, depois da Copa do Mundo, é o torneio mais importante do futebol mundial. Record e Globosat têm os direitos de transmissão para o Brasil e prometem fazê-lo em HDTV, a primeira com sinal aberto e a segunda através de seu canal HD 24 horas, exclusivo para assinantes da Net.

Como todos se lembram, o mesmo foi feito por Band e TVA na Copa de 2006, mas na épooca ainda não havia conversores digitais. Talvez um evento como esse seja o que falta para animar os telespectadores a embarcar de vez na onda digital. Vamos aguardar.

Cotas, cotas, cotas…

O leitor João (sem sobrenome) comenta o post da semana passada sobre as cotas para TV paga. Ele diverge de minha opinião, denunciando um suposto esquema de manipulação das operadoras – orquestrado pela Sky – contra a nova lei.

Acho válido mesmo discutir o assunto, e para isso recomendo o blog do João:

http://www.cotastvpaga.blogspot.com

Só lembro que lobbies são mais do que comuns nesses casos, ainda mais quando se trata de um projeto de lei tramitando no Congresso. Há esquemas de todos os tipos e para todos os gostos – o que, aliás, não considero um mal. Cada um defende seus interesses como pode. O importante é que o tema seja discutido de forma responsável, de preferência por pessoas que entendam do assunto, e pensando no benefício coletivo.

De minha parte, me comprometo a postar aqui, sempre que possível, tudo que for interessante a esse respeito.

Apple no Barra Shopping

Enquanto prepara a abertura de suas primeiras Apple Stores em São Paulo, a empresa de Steve Jobs fecha acordo com a FNAC para inaugurar uma Apple Shop no Barra Shopping, Rio de Janeiro. Em paralelo, a empresa ainda abre espaços maiores em magazines como o Wal-Mart.

apple.bmpAo seu estilo, a Apple não comenta sobre estratégias de mercado; quando muito, envia releases de alguns produtos. Nesta 5a, inaugura a loja do Rio e quem se pronuncia é a FNAC, que diz ser a maior vendedora Apple no Brasil. As Apple Stores, construídas pela Fast Shop, devem ser inauguaradas também nos próximos dias, nos shoppings Iguatemi e Market Place, em São Paulo.

A principal diferença é que estas não venderão somente produtos Apple, enquanto o esquema da FNAC é promover a experimentação e o envolvimento com a marca.

Por sinal, Sony e Bose também inauguram lojas de grife nas próximas semanas, no novo Shopping Cidade Jardim, voltado aos consumidores de produtos de luxo, numa reedição do conceito Daslu.

Uma blogueira contra Cuba?

yoani_graffiti.jpgO título acima está propositadamente incorreto. Melhor seria dizer “contra Castro” (ele mesmo, Fidel) e seus comparsas. A história de Yoani Sanchez (foto) e seu blog Generacion Y é, no mínimo, comovente. Tida como a mais famosa blogueira cubana, ela acaba de ser censurada pelo governo comunista da ilha, que deve achar seus posts incômodos demais.

Pura bobagem. Yoani conseguiu driblar a censura e continua editando seus comentários libertários para que o mundo inteiro leia e comente (só hoje, há mais de 1.200 comentários listados). Yoani conta que os censores cortaram a luz de sua casa, em Havana, e simplesmente a proíbem de sair, além de não deixar entrarem seus amigos. Dentro do país, é praticamente impossível acessar seu blog. Em seu texto mais recente, ela ironiza: “Essa repressão é tão inútil que dá pena, e tão fácil de burlar que se transforma em incentivo”.

Corajosa, minha colega blogueira ri de si mesma ao contar que vem sendo ingênua por tentar escrever livremente numa cidade como Havana. “Com meus 32 anos impertinentes, já estou merecendo um corretivo”.

Espero sinceramente que nada de mal lhe aconteça. O regime cubano já matou tanta gente que não lhe custaria nada mais uma vítima. E que o exemplo de Yoani se prolifere, no mínimo para comprovar que a internet pode ser uma grande aliada contra todo tipo de opressão.

Para quem quiser acompanhar o trabalho de Yoani, eis o link.

O notebook da Intel

pic10_ftec_smartbook-with-kids.jpgDeve ter sido uma festa para as crianças de Kuala Lumpur, na Malásia, ao receberem em sua sala de aula os primeiros exemplares do Netbook, nome genérico do primeiro notebook totalmente desenhado pela Intel. Aconteceu nesta 3a. feira (foto), segundo o excelente site Engadget, e a idéia da empresa é que a festa se repita por outros países do Terceiro Mundo.

netbook_2.jpgSão modelos de 7″ e 9″, pensados para uso em escolas (mas não só: a Intel visa também o público da terceira idade, donas-de-casa e iniciantes que têm pouca familiaridade com computadores). Dois fabricantes foram licenciados para o projeto: a FTEC (da Malásia) e a americana CTL (www.ctlnotebooks.com). São, portanto, aparelhos simples de operar – embora nem tanto em termos de recursos.

Que tal? Memória RAM de 512Mb, conexão WiFi b/g, disco rígido de 40Gb, Windows XP e Linux OS já instalados, entrada USB 2.0 e webcam embutida. Nada mal. O preço gira em torno de 400 dólares.

Bem, ainda está longe do notebook de 100 dólares, delírio do dr. Negroponte. Mas talvez estejamos, finalmente, diante de uma opção popular e eficiente. Confesso que torço para dar certo.


 

Tempo quente para o Blu-ray

blu_ray.jpgO tempo esquentou na última reunião do DVD Consortium, realizada em Los Angeles no início do mês. Aos poucos, vão sendo revelados detalhes do encontro, que deveria servir como ponto de partida para uma ação integrada entre estúdios de cinema, produtores de conteúdo, provedores de acesso e fabricantes de equipamentos, agora que o Blu-ray se tornou padrão único.

Num esforço digno de elogios, a direção do Consórcio convidou a Toshiba a continuar no comitê de direcionamento, principal órgão do grupo, cuja função é dar as diretrizes básicas. Depois de perder a batalha do HD-DVD, esperava-se que a Toshiba simplesmente ficasse fora das discussões, mas não foi isso que aconteceu. A empresa, que havia desenvolvido (em parceria com a Microsoft) uma série de ferramentas legais para estender os benefícios do DVD de alta resolução, aceitou continuar avançando nesse caminho.

O Comitê decidiu criar um grupo, apelidado WG-12, para “estudar e especificar aplicações de networking” nos novos produtos baseados em Blu-ray. O grupo deverá trabalhar por uma cada vez maior interoperabilidade entre os aparelhos e pela inclusão de recursos interativos nos discos e nos softwares de alta definição. Não está fora de cogitação a criação de uma espécie de “versão premium” do Blu-ray, que já é chamada em alguns círculos de “DVD 2.0”. Essa versão incluiria avanços como o software HDi, da Microsoft, criado especialmente para aumentar a interatividade no agora extinto HD-DVD.

Mas, quando as conversas foram direcionadas para a questão da copiagem de discos e downloads, a turma dos estúdios de Hollywood esbravejou. O representante da Microsoft fez uma explanação sobre um estudo desenvolvido em conjunto com a CCA (Copy Control Association), que permitiria adotar um novo padrão de proteção “controlada” das cópias de DVDs. Nesse padrão, o usuário teria permissão para copiar conteúdos dentro de uma rede doméstica, com criptografia.

A reação dos estúdios à idéia foi tão agressiva que o representante da Microsoft simplesmente abandonou a sala. Caberá agora à Toshiba tentar impedir que a idéia morra.

Os efeitos da crise americana

money.jpgDemorou, mas a crise do setor imobiliário nos EUA chegou também ao mercado de consumo. Redes varejistas contabilizam perdas seguidas, diz uma pesquisa da empresa especializada ChangeWave, divulgada na semana passada. Apenas 19% dos 4.427 consumidores ouvidos disseram que pretendem gastar mais em aparelhos eletrônicos nos próximo três meses, em comparação com o que gastaram no trimestre encerrado em fevereiro.

Péssimo sinal, mas nada surpreendente. O fenômeno está afetando, sem exceção, todas as grandes redes, tanto as chamadas mass-merchants, como Wal-Mart (queda de 12% nas vendas) e Costco (23%), quanto especializadas como Best Buy (45%) e Circuit City (14%). Inclui ainda a loja da grife Apple (6%) e as lojas virtuais Amazon (16%) e Ebay (7%).

Os produtos que mais devem sofrer nos próximos meses, dizem os analistas da ChangeWave, são TVs LCD (queda prevista de 10%), celulares (8%) e câmeras digitais (7%). Exceções? Sim: o videogame Nintendo Wii, os navegadores GPS e e os players Blu-ray. Boa parte dos entrevistados disse que pretende comprar pelo menos um desse três itens, apesar da crise.

huge_decline_in_us_consumer_electronics_spending_1.gifMesmo assim, é pouco diante do tamanho da crise (veja o quadro). O governo acena com redução de impostos para estimular o consumo, mas a pesquisa avaliou que a maioria das pessoas pretende usar esse incentivo para pagar dívidas (33%), aplicações financeiras (28%) ou simplesmente poupança (21%).

Quem diria? O povo mais consumista do mundo está revendo seus conceitos.

Nokia aposta na nanotecnologia

Um vídeo que circula no YouTube (veja aqui) mostra que a finlandesa Nokia enxerga o futuro do celular de um modo diferente dos demais fabricantes. Trata-se de uma animação que mostra o protótipo de um aparelho-conceito chamado Morph. Se você acha que o iPhone é o máximo em avanço tecnológico, dê uma conferida.

O celular vai poder ser “vestido” como um relógio de pulso. Será feito de materiais recicláveis e repelentes a sujeira e bactérias. Se você, por acaso, derramar café ou refrigerante sobre o aparelho, a superfície de que é feito simplesmente expelirá o líquido, impedindo que penetre.

Seus componentes serão nanomoléculas: 10.000 delas juntas formam a espessura de um cabelo. E a alimentação será por energia solar.

nokia.jpgEm depoimento ao site NewsFactor, o diretor de design da Nokia, Bob Ianucci, explica que o projeto é resultado de incontáveis brainstorms com a participação de blogueiros e jornalistas especializados em tecnologia. “Queríamos idéias muito loucas”, conta ele, “não apenas inovadoras”.

A intenção é explorar as idéias de sua enorme base de clientes (a Nokia é o maior fabricante mundial de celulares), que poderão enviar sugestões e estas, garante Ianucci, serão mesmo analisadas. É o conceito de web-sharing levado às últimas conseqüências. Mas nada que tenha surgido por acaso. Há 16 anos, essa empresa fundada na Finlândia em 1865 decidiu abandonar todas as outras áreas de negócio em que estava envolvida e concentrar-se na criação e fabricação de celulares.

Como se vê, acertou em cheio: é hoje a 5a. marca mais valiosa do mundo da tecnologia, segundo o ranking da Interbrands.