Archive | abril, 2008

A TV do PlayStation

O blog inglês Pocket.Lint informa que a Amazon.com já está aceitando reservas para o PlayTV, receptor de TV que irá funcionar com o PlayStation 3. Oficialmente, a Sony entrega o produto às lojas do Reino Unido em 31 de julho. Pelo visto, a estratégia é a mesma ensinada pela Apple: gerar curiosidade e ansiedade em torno do lançamento, para maximizar as vendas com a repercussão na mídia.

playtv.jpgPara quem não conhece, o PlayTV (foto) é uma grande idéia: um receptor digital de TV com PVR integrado. Você pode baixar os programas que quiser, salvá-los na memória do próprio PlayStation 3, ou copiá-los para outro aparelho. Preço previsto: 60 libras, algo como 120 dólares. Não há dúvida que será um sucesso.

Quer saber mais? Veja este link.

Telas cada vez mais finas

Comentei aqui na semana passada um estudo do instituto americano de análise do mercado de tecnologia Display Search, sobre os displays de led. Pois agora o mesmo instituto revela sua previsão sobre os TVs OLED, considerados os sucessores dos atuais plasmas e LCDs: este ano serão vendidos, em todo o mundo, nada menos do que 17 milhões de displays desse tipo!

Bem, não vamos nos confundir. A tecnologia OLED (Organic Light-emitting Diode) é usada em TVs e principalmente telas pequenas, como as de celulares, PDAs, câmeras, media players, porta-retratos digitais etc. O número estimado leva em conta todos esses produtos. Ainda assim, será um salto fantástico: 380% em um ano. O estudo – que pode ser lido aqui em resumo – estende-se aos próximos anos, antecipando que em 2009 haverá um crescimento de 83% e em 2010 de outros 53%.

oled-xel-1.jpgNão me perguntem como eles fazem essas pesquisas. Mas o fato é que os OLEDs já estão à venda nos EUA (por enquanto apenas um modelo da Sony – veja a foto), e a previsão é de que ao longo do ano surjam lançamentos também da Samsung, LG e SDI. Serão vistos principalmente em notebooks e monitores para computador, com a identificação técnica de AMOLED (em português: painel de matriz ativa emissor orgânico de luz). Suas três características mais marcantes: brilho intenso, contraste várias vezes superior ao do LCD e principalmente a espessura mínima das telas, atingindo incríveis 2mm.

Já antevejo manchetes de alguns jornais e revistas no estilo “Jogue fora seu plasma”. Esse exagero é muito comum na mídia não especializada, dando a entender que toda novidade será um sucesso inevitável. O consumidor melhor informado sabe que não é assim. De qualquer modo, se as previsões do Display Search se confirmarem, o LCD vai ficar obsoleto antes do que se pensava.

TV aberta não é de graça?

algemado.jpgPor falar em televisão aberta, leio com espanto no site Tela Viva que as emissoras estão pressionando o Congresso para fazer mais uma alteração no já lendário projeto-de-lei 29/2007, aquele que prevê cotas para a TV paga. Pela legislação atual, as operadoras por assinatura são obrigadas a exibir o sinal das TVs abertas locais (o chamado must-carry), o que me parece justo: afinal, a pessoa que opta por fazer uma assinatura não pode ficar impedida de ver as emissoras abertas de sua cidade, certo?

Só que agora as emissoras se dizem insatisfeitas com isso: querem que as operadoras de assinatura paguem para exibir esse sinal. Isso mesmo: o sinal aberto seria cobrado. Daniel Slaviero, presidente da Abert (a entidade que representa as emissoras), nem ficou vermelho ao argumentar que esse pagamento seria para cobrir os custos com a produção de programas nacionais. A Abert vai mais longe: quer que a cobrança se estenda a todas as novas mídias, citando como exemplo a internet (IPTV).

Então, deixa ver se eu entendi: eles querem criar cotas para produção nacional; depois, querem que as TVs por assinatura paguem para exibir seus programas; e, naturalmente, isso vai ser cobrado do assinante. Ou seja, vamos pagar mais para ver o que não queremos nem pedimos.

Se isso for aprovado, o Brasil vai quebrar mais um tabu: será o primeiro país onde a televisão aberta deixará de ser gratuita.

Aliás, para os interessados no assunto, o Tela Viva presta excelente serviço ao disponibilizar a íntegra do projeto de lei. Leia aqui.

TV paga vs. TV aberta

Um detalhe interessante que vimos neste domingo, durante o 3oDigital Home Workshop, foi a queda-de-braço entre emissoras de TV aberta e operadoras de TV paga. No caso, a Globo e a Net – curiosamente, ambas tendo entre seus acionistas o mesmo grupo.

Pela manhã, Alessandro Maluf, da Net, culpou as TVs abertas pela confusão que se criou na cabeça do consumidor em torno da TV Digital. Seu argumento: as emissoras não explicaram corretamente ao telespectador a diferença entre TV Digital e Alta Definição. À tarde, Raymundo Barros, da Globo, culpou exatamente as operadoras (em particular a Net, a maior delas) pela mesma confusão, já que oferece aos assinantes uma solução em que o sinal que chega à casa do assinante vem misturado e este nem sempre tem certeza se trata-se de aberto ou fechado.

pay-tv.jpgO mais engraçado é que, a meu ver, ambos têm um pouco de razão. A Globo, uma das melhores emissoras do mundo e a que fez os maiores investimentos em TV Digital no Brasil, ainda não conseguiu convencer seus telespectadores das vantagens de assistir a programas em alta definição. Como não pretende oferecer multiprogramação nem parece apostar na interatividade, que seriam diferenciais mais visíveis ao nosso amigo do sofá, terá que investir mais no conceito de HD. E essa implantação com certeza não será rápida.

Já a Net, embora tenha hoje o melhor decoder digital, agora incrementado com software de HD e DVR, continua penando com problemas de serviço. Há usuários aguardando meses pela instalação do novo equipamento, o que é inconcebível considerando o custo dos pacotes. Para complicar ainda mais, acaba de surgir um novo concorrente: a Sky anuncia que agora irá oferecer também o sinal aberto da Globo aos seus assinantes, e pode ser que muitos optem pela anteninha parabólica em vez de aguardar o sinal do cabo digital.

Tudo isso só vem reforçar o argumento de que monopólito ou oligopólio nunca são recomendados, em nenhum mercado. Nada como a concorrência saudável.

Interesse nacional invadido

Sob o título “Invasão Bilionária”, a Folha de São Paulo traz hoje brilhante editorial sobre a BrOi, a nova operadora que está emergindo da fusão entre Oi e Brasil Telecom, com apoio do governo e financiamento do BNDES. Para quem quiser conferir, este é o link do texto. Permito-me reproduzir alguns trechos abaixo, que vão na mesma linha que defendo aqui, qual seja: é inadmíssível envolver dinheiro público numa transação privada, e que só pode beneficiar alguns grupos empresariais muito ligados ao governo.

Já comentei o escândalo em notas como “Mais Lenha na Fogueira da Oi/BrT” e “Para Onde Vão Nossos Bilhões? Mas é importante que a mídia, pelo menos aquela que ainda tem resquícios de independência, se manifeste contra mais este assalto oficial. Segundo o IDG Now, diversos advogados e órgãos de defesa do consumidor estão se manifestando contra o negócio. Mas não é só isso. A Folha compara os responsáveis pelo negócio aos invasores de terras, que agem sob a proteção governamental. Vejam o que diz o editorial:

“Invadidos em seus direitos podem se sentir os consumidores… Estarão expostos aos efeitos colaterais de uma decisão de gabinete, submetida à ação exclusiva de lobbies políticos e empresariais, que têm propensão genética a misturar-se na falta de luz”.

“O que o BNDES afirma tratar-se de uma consolidação de capital estratégica para o ´interesse nacional´beneficia basicamente duas empresas privadas. O segundo grupo de felizardos, mais difuso, vai se locupletar com as gordas comissões, explícitas ou implícitas, que o negócio vai movimentar. Nenhum tijolo será assentado com os R$ 2,6 bilhões de dinheiro público oferecido pelo banco estatal para viabilizar a aquisição”.

“Não haverá garantia de criação de um único posto de trabalho. Não existiriam meios de movimentar R$ 2,6 bilhões dessa carteira que gerassem mais empregos e investimentos produtivos, num país com carências gravíssimas na infra-estrutura e que precisa atrair setores industriais de ponta tecnológica?”

Assino embaixo. 

Abobrinhas tecnológicas

Comentei aqui na semana passada sobre o congestionamento de informações que pode travar a internet em 2010. Pois é, poucas pessoas parecem preocupadas com o problema, e a mídia em geral faz muito pouco para ajudar.

hightech3.jpg

A revista Veja desta semana traz uma interessante reportagem sobre o acúmulo de informação circulando pela internet. Interessante, porém inútil, ou mera curiosidade para quem não enxerga a tecnologia como algo prático para o dia-a-dia das pessoas, e sim mera curtição.

Vejam só o tipo de dados que a revista considera relevantes:

* Em 2007, foram enviados em todo o mundo 97 bilhões de e-mails por dia.

* As contas de luz dos data-centers existentes em todo o mundo, somadas, chegam a US$ 7,2 bilhões de dólares (mais da metade do PIB do Paraguai).

* Em um ano, os data-centers americanos consomem o dobro de toda a eletricidade gasta pelos moradores da cidade de São Paulo.

* As informações que circulam pelo mundo digital atingem o volume de 281 bilhões de gigabytes

* E este primor: se essas informações fossem impressas, a quantidade de papel utilizada daria para “embrulhar” o planeta sete vezes.

Incrível que alguém se preocupe em levantar (sabe-se lá como) esse tipo de dados, e ainda por cima divulgá-los. Respondam: o fato de saber disso tudo vai alterar de alguma forma a sua vida ou a sua atitude diante do problema? Duvido muito.

Bem, de qualquer forma, se alguém quiser perder seu tempo lendo isso, aqui está o link.

Globo não terá multiprogramação

globo.jpgA direção da TV Globo já decidiu: embora esteja disposta a investir mais ainda nas transmissões digitais, a emissora não terá multiprogramação. “Nosso foco é todo na alta definição”, diz Raymundo Barros, diretor da engenharia da Globo/SP, que neste domingo fez palestra durante o 3o. Digital Home Workshop.

Enquanto procura resolver os problemas de recepção em Belo Horizonte e Rio de Janeiro, onde as transmissões estão se iniciando, a Globo quer mesmo é melhorar a imagem (sem trocadilho) que ficou do lançamento tumultuado do sistema em São Paulo, no final do ano passado. Seu mapa de cobertura da capital paulista é minucioso, identificando os chamados “pontos de sombra” e tentando atuar junto aos fabricantes de TVs e conversores e aos instaladores de antenas coletivas – segundo Raymundo, a má qualidade dessas instalações é uma das principais responsáveis pelos problemas registrados até agora.

Quanto à programação em HD, a Globo quer mesmo aumentar expressivamente o número de horas com esse tipo de sinal já neste ano. Estão previstos também – embora ainda sem data definida – recursos interessantes, como o chamado audio description, em que cada programa possui uma trilha de áudio separada com uma descrição específica para deficientes visuais; e o áudio 5.1 em filmes, shows e até jogos de futebol.

Este último caso representa um desafio particularmente complicado para os técnicos da emissora, pois é preciso equalizar corretamente a narração, os sons vindos do gramado e os ruídos da torcida. Já vi transmissões de futebol com áudio 5.1 nos EUA e garanto que, para quem é fã desse esporte, é quase como estar dentro do estádio.

A força dos relacionamentos

p1040073b.jpgEncerramos neste domingo a 3a. edição do Digital Home Workshop (foto), com um saldo mais uma vez bastante positivo. Não apenas pelo conteúdo gerado (foram oito sessões, em um dia e meio), mas principalmente pela cadeia de relacionamentos que esse tipo de evento propicia. Além do link direto com a CEDIA, nos dois primeiros dias, os participantes puderam ver e conversar com alguns dos maiores experts em tecnologia do País.

A reação de todos – palestrantes e platéia – confirmou o que, para nós, já é fato há muito tempo: os profissionais brasileiros estão correndo contra o relógio em termos de aperfeiçoamento tecnológico, mas também ávidos por ganhar conhecimento. Infelizmente, nem todos percebem que o trem está passando e ainda se apegam a conceitos vencidos, como aquela teimosa lamentação contra os preços mais baixos dos magazines. Outros querem simplesmente receber tudo de mão beijada, limitando-se a criticar fabricantes, distribuidores, concorrentes, governo etc.

Só para citar um exemplo ouvido durante a palestra de Fabio Oguri sobre cabos digitais, neste domingo. Um dos presentes queixou-se de que os fabricantes de equipamentos não fornecem os cabos de conexão ou, quando o fazem, são cabos de péssima qualidade; isso acaba prejudicando a qualidade final do sistema de home theater previamente instalado. Ora, esse é justamente o trabalho do revendedor ou instalador especializado: aproveitar uma falha do fabricante para oferecer seus serviços ao usuário, orientando-o e, com isso, quem sabe, abrir novas oportunidades de negócio.

Não, é mais cômodo ficar reclamando. Bem, mas esse tipo de profissional, tenho a impressão, não tem muito futuro. O trem não vai esperar por ele.

O lobby vence mais uma vez

Não tem nada a ver com tecnologia, mas é um fato da semana que gostaria de juntar a meu comentário do último dia 24 sobre os lobbies contra e a favor do projeto que institui cotas na TV paga. Leio na imprensa que os representantes da indústria de bebidas pressionaram o Congresso e conseguiram adiar para 2011 (isso mesmo, só daqui a três anos) a entrada em vigor da lei que limita a propaganda de bebidas alcoólicas na televisão e em espaços públicos.

beer-before-bed2.gifO Movimento ‘Propaganda Sem Bebida’, hoje com cerca de 300 filiados, incluindo aí o Conselho Regional de Medicina de São Paulo e um grupo de médicos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), conseguiu abaixo-assinado com cerca de 600 mil nomes solicitando a aprovação da lei. Mas houve o contra-ataque da Associação Brasileira das Agências de Propaganda (Abap), que está em plena campanha contra. “Não há urgência nessa aprovação, e a questão precisa ser melhor discutida”, diz o mote da campanha, criada pela agência F/Nazca.

Não por mera coincidência, essa é a agência que faz os comerciais da cerveja Skol, cujo fabricante é um dos maiores anunciantes do País. Um único fabricante, a Ambev, gastou no ano passado R$ 237 milhões em anúncios. Publicitários e fabricantes de bebidas acusam de “cinismo” o movimento criado pelos médicos contra a propaganda, alegando que os anúncios são “bem feitos e bem sucedidos”, nas palavras de Dalton Pastore, presidente da Associação Brasileira das Agências de Propaganda.

Ora, não é isso que está em discussão, responde o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Unifesp, citando uma pesquisa recente que diz que 52% dos adolescentes brasileiros já bebem cerveja. É justamente o fato de os anúncios serem bem feitos, cheios de jovens deslumbrantes, que estimula mais e mais jovens a começar a beber cedo na vida. Ou não?

Bem, pelo visto, o lobby da bebida ganhou mais uma. Os anúncios podem continuar até 2011 – se é que não vão encontrar outra maneira de empurrar esse assunto com a barriga (cheia de cerveja).

A CEDIA e o futuro


Um dos executivos da CEDIA que vieram ao Brasil esta semana para o 1oTreinamento Oficial da entidade dedicado aos profissionais brasileiros de tecnologia revelou uma preocupação que ele e seus colegas tinham antes da viagem: qual seria a imagem que os EUA projetam aos outros países?
Eles sabem muito bem – e nós também – que o governo Bush piorou muito a imagem dos norte-americanos perante o mundo, e é claro que isso pode prejudicar negócios e parcerias. “Não somos tão ruins assim”, comentou o executivo, demonstrando certo temor de que, como no passado, os brasileiros pudessem reagir como certos esquerdistas que ainda vivem no tempo do “Yankees, Go Home”.

Foi com agradável surpresa que o pessoal da CEDIA encontrou, nesta 6a. e sábado, em São Paulo, um público receptivo e ansioso por ouvir suas experiências no trato com a indústria e com o consumidor americano. Embora carente de informação e de educação especializada (ou quem sabe exatamente por causa disso), os profissionais que participaram do evento confirmaram aos americanos a impressão de que há muito trabalho a ser feito e de que o mercado brasileiro tem grande potencial de crescimento (clique aqui para saber mais a respeito).

“Estivemos na Argentina e não encontramos o mesmo ambiente”, disse um deles. Mesmo no México, onde a CEDIA já atua há seis anos, o interesse inicial foi bem mais restrito do que aqui. A forma como os brasileiros encararam o evento anima a entidade a reforçar seus planos para o País. Em julho próximo, a CEDIA deve participar – como convidada – do 4oDigital Home Workshop, com data e local ainda a serem marcados; em setembro, acontecerá em São Paulo o 2otreinamento oficial; e, em novembro, se tudo der certo, será organizada a 1aConvenção da CEDIA no Brasil. cedia1.jpgPara 2009, o plano é instituir oficialmente os programas de certificação da CEDIA para os profissionais brasileiros, que poderão assim se graduar assistindo a aulas ao longo de todo o ano e, ao final, passar por um exame cuja aprovação dá direito a um certificado que – para a indústria como um todo – tem valor de um diploma técnico.

Bem, tudo isso são planos que dependem da consolidação da CEDIA no Brasil. E isso, por sua vez, depende da capacidade dos profissionais brasileiros se organizarem para criar um capítulo da entidade aqui, como já existem em países como México, Inglaterra, Austrália e Rússia. Essa união só pode trazer benefícios para todos – e é aí que, a meu ver, os profissionais brasileiros ainda precisam aprender a deixar de lado interesses pessoais, ou pequenos desentendimentos, para trabalhar em conjunto pelo bem comum.

Utopia? Pode ser. Mas é dos sonhos e utopias que se constrói o destino, não é mesmo?

Skype está à venda?

skype.jpgVejam como é engraçado esse mundo da tecnologia. Para muitos, o Skype – que permite fazer ligações gratuitas em qualquer lugar do mundo – foi a maior revolução dos últimos anos. Um fantástico case de sucesso, que tornou milionários seus criadores.

Pois bem, em 2005 a empresa foi comprada pelo grupo eBay, dono do maior site de leilões do mundo, por nada menos do que US$ 3,1 bilhões. Foi um dos maiores negócios da década. Agora, diz o blog TechCrunch que o Skype está sendo leiloado! Isso mesmo: a eBay não está satisfeita com os resultados e quer negociar a empresa, provavelmente por um valor menor do que pagou, ou seja, com prejuízo. Os antigos proprietários, Niklas Zennstroem e Janus Friis, estariam em busca de financiamento para recomprar a Skype, e até já receberam uma oferta da Google.

Difícil de acreditar, não? O problema continua sendo o mesmo: como ganhar dinheiro com a internet. eBay, Google, Amazon e mais alguns poucos descobriram a fórmula, mas são casos ainda raros. Pessoalmente, acho que nenhum negócio pode se sustentar muito tempo com base em serviços gratuitos, por mais revolucionário que seja.

Como em tudo na vida, alguém de pagar a conta. Ou não?

Para quem quiser saber mais detalhes, sugiro este texto, traduzido pela Info Online.

A importância de aprender

mg_9960.jpgEstamos encerrando um longo dia de trabalho. Ufa! Mas está valendo a pena. Começamos nesta 6a. feira o 1o Treinamento da CEDIA no Brasil. Este primeiro dia foi uma experiência fantástica para todos os envolvidos, incluindo os quase 100 profissionais participantes. Mas acho que foi mais ainda para os instrutores norte-americanos, que vieram a São Paulo especialmente para esse evento.Eles fizeram no mês passado algo semelhante em Buenos Aires e não conseguiram reunir mais do que 50 pessoas. No México, quando começaram, em 2003, eram menos de 20 (hoje, são 80 filiados). Claro, todos sabem que o mercado brasileiro é muito maior, mas isso não faria muita diferença se não houvesse entre nós uma boa quantidade de profissionais ansiosos por aprender e se aperfeiçoar.

Já tínhamos percebido isso em eventos anteriores, mas agora, através da parceria com a CEDIA, haverá condições de avançar muito nesse sentido. Como sei que muitos instaladores e revendedores especializados lêem este blog, deixo no ar uma sugestão – que, dependendo de quem leia, pode até soar como um alerta: não se deve perder uma oportunidade como essa.

cedia2.jpgNão falo apenas pelos conhecimentos técnicos que o pessoal da CEDIA acumulou em quase vinte anos de existência da entidade (para quem não conhece, que tal uma visita ao fantástico site www.cedia.org?) Falo também pela experiência de vida que eles nos trouxeram.Utz Baldwin, atual presidente, é voluntário. Possui sua própria empresa de projetos em Houston, com 12 funcionários, mas dedica 30% do seu tempo a esse trabalho educacional com a CEDIA – sem ganhar nada por isso. Como ele, há outros 400 profissionais americanos com o mesmo espírito. Baldwin perdeu, na 4a. feira, um jogo de beisebol de seu filho de 14 anos por causa dessa viagem ao Brasil; saiu correndo esta tarde para o aeroporto: o menino joga de novo neste sábado e ele logicamente não queria perder de novo!

Já tive experiência com a CEDIA no passado, e garanto que antes a conversa era bem outra. Eles agora não vêm ao Brasil pelo dinheiro (não neste primeiro momento), mas pela possibilidade de multiplicar o conceito de aprender a usar e implantar tecnologia no maior número possível de residências. Isso, indiretamente, será benéfico para a indústria como um todo, de quem a CEDIA – assim como a CEA – é beneficiária.

Vamos aprender com eles?

O futuro é do LED

Estudo do respeitadíssimo DisplaySearch prevê que a questão ambiental será cada vez mais levada em conta pela indústria eletrônica no design e fabricação de seus produtos – entre eles, é claro, TVs e displays. Os especialistas dizem que o sucesso de idéias como o MacBook Air (foto), da Apple, fará com que os fabricantes busquem novas soluções para consumir menos energia e, com isso, seduzir o consumidor.

macbook.jpgO segredo seria o uso de leds (diodos emissores de luz, em inglês) em lugar das lâmpadas convencionais CCFL (de catódio frio fluorescente) que fornecem brilho aos displays. O Air foi um dos primeiros notebooks com essa característica e, além de oferecer mais brilho e contraste, ainda economiza energia e representa menos risco ao meio ambiente porque em sua fabricação não são utilizados materiais nocivos como o mercúrio. Os leds também permitem produzir telas mais finas, como é o caso do Air e dos novos TVs OLED que Sony e Samsung estão lançando em alguns países (estes são um aperfeiçoamento da tecnologia de leds – veja este vídeo). “As lâmpadas são 50% mais finas”, diz Luke Yao, analista do DisplaySearch.

Por enquanto, os leds ainda custam aproximadamente o dobro das CCFL, mas isso está mudando rapidamente. Talvez não tenhamos tão cedo TVs de tela grande com essa tecnologia, mas para notebooks e dispositivos portáteis não há dúvida de que está aí a solução. O pessoal do DisplaySearch acha que até o final deste ano o número de aparelhos com tela de leds deverá quadruplicar, chegando a 16,7 milhões em todo o mundo. E os usuários de notebooks provavelmente serão os maiores beneficiados: a quantidade de computadores portáteis com led, que em 2007 representava apenas 0,1% do total, deve chegar a 38% em 2010, diz o estudo.

Se você quer se informar melhor sobre essa tecnologia, eis alguns links legais:

http://www.led-signs.com/

http://www.futurlec.com/LEDDisp.shtml

http://www.hitechled.com/

http://www.signsoutlet.com/

http://www.cs.nyu.edu

E lá também…

Bem, mas essa história de cada um defender o seu não é privilégio dos brasileiros. Em Nova York, recentemente houve uma greve de motoristas de taxi – e isso lá é coisa séria, pois afeta metade da cidade – contra a instalação de GPS nos carros (veja a notícia aqui).

A prefeitura de Nova York havia tornado obrigatória para os táxis credenciados a adoção de novas tecnologias, como pagamento com cartão de crédito e débito, monitor no banco traseiro para o usuário e um sistema de mensagens de texto. Os taxistas alegavam o alto custo de instalação e a invasão de sua privacidade, vejam só! Um juiz federal deu a sentença à favor da Prefeitura e agora todos são obrigados a instalar os novos recursos, ou não terão suas licenças renovadas.

taxis.jpgNesse caso, venceu o bom senso. O juiz disse que o interesse público (no caso, dos passageiros) é mais importante do que o interesse individual (dos taxistas). Faz lembrar dois movimentos semelhantes que aconteceram em São Paulo há alguns anos. O primeiro foi quando a Prefeitura resolveu obrigar os ônibus a instalarem catracas eletrônicas; os cobradores foram contra, e a idéia acabou abandonada. Depois, foram os frentistas de postos de combustível, que se rebelaram contra a instalação de máquinas automáticas para abastecimento (aquelas que o próprio motorista liga e desliga e que hoje são comuns em vários países).

Nos dois episódios, venceram o atraso e o corporativismo, sob a duvidosa alegação de que seriam cortados empregos para implantar as novidades. Como se um cobrador de ônibus (ou um frentista ou um motorista de taxi) estivesse condenado a exercer essa função pela vida toda.

Agora mesmo, há uma reação fortíssima em São Paulo contra a idéia de limitar o tráfego de caminhões em algumas áreas da cidade. As transportadoras já fazem até anúncios para dizer que o caminhão não é o culpado pelos problemas do trânsito. Por esse raciocínio, não há mesmo o que fazer: ninguém é culpado de nada, certo? Então, vamos nos conformar com os congestionamentos, só para não prejudicar o negócio das transportadoras.

Cada um defende o seu

O site Tela Viva, que talvez seja o mais completo do País quando se trata de analisar o mercado de televisão, traz um interessante apanhado dos debates sobre o já famoso projeto-de-lei 29/2007, que estabelece cotas e novas regras para as operadoras de TV paga. São tantas as posições, com cada um querendo defender seu naco nesse bolo, que para quem está de fora fica até difícil se situar. Na verdade, é que os interesses em jogo são muitos – e nem sempre confessáveis.

Já expressei aqui minha opinião sobre o projeto. Tomei a liberdade de extrair do Tela Viva algumas frases que podem ser ilustrativas. Mas não se enganem: esse assunto está longe de acabar. Como acontece muito neste País, é um caso típico em que os perdedores não vão sossegar enquanto não tiverem alguma compensação. Vejam:

“Somos signatários da convenção de diversidade cultural da Unesco e agora temos a ferramenta para honrar esse compromisso. Ficar sem cotas é ficar com uma única cota de 100% aos conteúdos internacionais”. (Paulo Rufino, que representa os produtores de cinema).

“O projeto introduz o retrógrado modelo de cotas. O consumidor estará a mercê das redes monopolistas. Cotas e reservas de mercado jamais foram capazes de estimular a qualidade” (Alexandre Annenberg, da Associação Brasileira de TV por Assinatura, que representa as operadoras).

“O projeto marca o início da atualização do marco regulatório. As cotas são fundamentais. A campanha da ABTA é imoral e ilegal”. (Braulio Ribeiro, da Intervozes, entidade que congrega os produtores de conteúdo).

“O projeto trará aumento de preço ao usuário, custo da produção, queda da qualidade e ampliação da intervenção do estado em uma atividade privada”. (Carlos Akmim, da Associação Brasileira dos Programadores de TV por Assinatura).

“O projeto atende mais a interesses privados do que públicos. Há uma forte regulação de um serviço prestado em regime privado que chega a 5% da população, deixando de fora a TV aberta que atende a toda a população”. (Sayonara Leal, da Universidade de Brasilia).

“O texto não é o ideal e nenhuma das partes sai inteiramente satisfeita, mas é um grande passo. Inacreditável que apenas 31,5% do conteúdo dos canais seja brasileiro. Até hoje, nossa saída tem sido o aeroporto. Exportar é importante, mas quando o mercado interno está dominado”. (Fernando Dias, da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de TV).

“Temos que lutar para ter 50% da programação na mão de brasileiro, e não na mão de um grupo. Hoje temos um entrave: um único grupo que controla a distribuição. Nossos canais só entram na NeoTV”. (Johnny Saad, da Rede Bandeirantes).

“Ao invés de obrigar, o projeto deveria incentivar. Deveria prever benefícios tributários para quem levasse mais conteúdo nacional”. (Neusa Risetti, da operadora NeoTV).

Furo de reportagem!

O site hometheater.com.br deu com exclusividade, nesta 4a. feira, a notícia de que a Toshiba vai lançar um novo formato de DVD de alta definição, em substituição ao finado HD-DVD (leia aqui). Quem deu a informação foi o próprio presidente da Semp Toshiba, Afonso Hennel, que voltou do Japão na semana passada e disse ter visto a novidade, até este momento mantida como absoluto segredo.

Segundo ele, será algo compatível com os DVDs atuais, e os usuários que adquiriram players HD-DVD terão algum tipo de privilégio para comprar essa novidade.

Confesso que pesquisei hoje em vários sites e blogs internacionais de tecnologia e nada encontrei a respeito. O que só faz aumentar a curiosidade.

A USP e o lixo eletrônico

usp.jpgA propósito do comentário que fiz aqui anteontem sobre a falta de uma política no Brasil para a reciclagem de eletrônicos, recebo com satisfação notícia que me chega pela Agência da USP, sobre um certo Plano para a Cadeia de Transformação de Resíduos de Informática. A idéia, ao que parece, seria reaproveitar e reciclar materiais de informática como hard-disks, drives e placas, entres outros.

A se confirmar, é a primeira iniciativa do gênero no Brasil e deve ser saudada com alegria.  O Centro de Computação Eletrônica (CCE) da USP uniu-se na semana passada ao S-Lab (Laboratório de Sustentabilidade) da Sloan School, do celebrado Massachusetts Institute of Technology (MIT), para estudar formas de reaproveitar equipamentos eletrônicos usados na Universidade. Na USP, como de resto em todo o Brasil, não há uma política oficial de reciclagem, e podem-se encontrar placas e outros componentes depositados em lixos comuns. Nesta etapa inicial, uma comissão está levantando o volume de lixo eletrônico produzido pelo CCE e especificando alternativas para a reciclagem. Mais tarde, a intenção é levar esse trabalho a todas as unidades da USP.

Claro que idéias como essa precisam ser estimuladas. Aproveitando, não posso deixar de ccomentar que a Agência da USP é a herdeira de um trabalho que ajudei a construir, com muito orgulho, nos anos 70, quando estudava na Escola de Comunicações e Artes. Junto a vários colegas, e sob orientação dos grandes professores Cremilda Medina e Paulo Roberto Leandro, participei da AUN (Agência Universitária de Notícias), que foi uma grande escola de jornalismo. Espero que os estudantes atuais da ECA também tenham a chance de aproveitar esse aprendizado.

Desconstruindo a Philips

Só para reforçar o que dissemos aqui na semana passada, a Philips acaba de anunciar mais um passo em seu redirecionamento estratégico. Nos EUA, a empresa confirmou que está saindo do negócio de set-top-box e vendendo também sua unidade de home networks para a inglesa Pace. Os dois acordos vão gerar receita de aproximadamente US$ 120 milhões, representados por ações da empresa compradora, mais US$ 8 milhões em dinheiro, a serem pagos nos próximos três anos.

Nada mal, para duas áreas em que a rentabilidade vinha caindo ferozmente (caso dos conversores de TV Digital) ou que estão completamente fora do core que o grupo Philips pretende carregar daqui por diante.

Congestionamento digital

A propósito, li hoje a notícia de que a internet pode estourar sua capacidade de tráfego em 2010!!! Pois é, estaríamos a dois anos do novo bug do milênio?

youtube.jpgQuem afirma é Jim Cicconi, vice-presidente da AT&T, que vem a ser simplesmente a maior empresa de telefonia dos EUA. Numa palestra a autoridades inglesas em Londres, Cuccioni afirmou – diz o site ZDNet – que a rede atual não suporta o aumento contínuo do tráfego de dados, principalmente o compartilhamento de vídeos típico de sites como o YouTube. “Daqui a três anos, vinte residências médias irão gerar mais tráfego do que toda a internet atual”, prevê o especialista, em tom dramático.

Cicconi diz que seriam necessários investimentos da ordem de US$ 130 bilhões para um upgrade na estrutura atual da web que evitasse esse colapso. O volume de dados trafegado atualmente, prevê, irá aumentar cerca de 50 vezes até 2015. E há, segundo Cicconi, um vilão nessa história: a alta definição. Embora não seja necessário (as telas pequenas dos computadores não comportam esse tipo de sinal), cada vez mais internautas jogam na rede vídeos em HD, o que ajuda a enforcar ainda mais o tráfego.

“São oito horas de vídeos sendo despejados no YouTube a cada minuto”, revela Cicconi. “Logo, tudo será em HD, o que engole de sete a dez vezes mais banda. Para piorar, as pessoas querem compartilhar cada vez mais vídeos, que representa 30% do tráfego hoje mas vai subir para 80% em 2010. Não há espaço para isso”.

Alguém tem sugestões a respeito?