Archive | maio, 2008

Anatel dividida no caso BRoi

Alguém terá de desempatar a decisão sobre a mudança na lei das teles que, se aprovada, permitirá a compra da Brasil Telecom pela Oi. No momento, o resultado é 2×2: dois conselheiros da Anatel são a favor da mudança, e dois são contra. O quinto… bem, este não existe no momento, ainda precisa ser nomeado.

consumidor3.jpgO assunto é complexo e, como já comentamos aqui, tem a ver com a concentração do setor nas mãos de poucos grupos – portanto, com menor competitividade, prejudicando o usuário. Para que a Oi efetue a compra da BrT, é necessário alterar o chamado PGO (Plano Geral de Outorgas), que hoje impede operadoras telefônicas de prestar serviços de TV. Para isso, são necessários os votos de pelo menos três conselheiros da Anatel. Com o empate, nenhuma decisão é tomada.

Segundo leio no Estadão de hoje, a divergência refere-se aos SCM (Serviços de Comunicação Multimidia), que exigem licença da Anatel. Pode ser. O fato é que o presidente da Oi, Luiz Falco, se mostra ansioso com a demora na decisão. Diz ele que o contrato assinado com a BrT dá prazo de 240 dias para que o PGO seja alterado. “Se não for, teremos que pagar multa de R$ 815 milhões”, diz ele.

O curioso é que foi o próprio governo quem incentivou o negócio, intitulando-o como “questão de segurança nacional”, já que essa super-tele seria a única com poder de competir com as multinacionais Telefonica/Vivo, Embratel e Claro. E, no entanto, a nomeação do quinto conselheiro da Anatel – que poderia desempatar o jogo – está parada desde novembro. Pelo jeito, ainda vai ser preciso muita conversa (ou algo mais do que isso) para que a Anatel saia desse impasse.

Adeus a um mito

No próximo dia 1ode julho, Sidney Harman, uma das maiores figuras da indústria eletrônica, sai de cena. Aos 89 anos, deixa a presidência do grupo que leva seu nome e vai descansar, depois de 55 anos dedicados a esse negócio.

harmansidneyweb.jpgHarman – como seus contemporâneos Henry Kloss, James B. Lansing, Ray Dolby e Saul Marantz, entre outros – entrou para a História ao construir um império a partir de sua paixão pelo áudio, pela música e pela fidelidade da reprodução sonora. Em 1958, foi da Harman Kardon (fundada por ele cinco anos antes, junto com seu então sócio Bernard Kardon) o primeiro receiver estereofônico, modelo TA230. Depois de separado de Kardon, Harman fez crescer seu grupo incorporando aos poucos marcas lendárias, como JBL, Mark Levinson e AKG, ou criando outras que se tornaram tão ou mais importantes, como Infinity, Crown, Lexicon, Revel etc.

Saíram dos laboratórios da Harman novidades como a primeira caixa acústica do tipo monitor de estúdio e o primeiro sistema de áudio para salas de espetáculo. A conquista do segmento musical abriu as portas para desbravar também o setor de P.A. (public address), voltado para shows ao vivo, a partir do final dos anos 60. Em seguida, a Harman entrou pesado também na área de som automotivo e tornou-se fornecedora das principais montadoras americanas.

Tive o privilégio de entrevistar o sr. Harman em 2001, durante a CES, e constatar de perto seu carisma e conhecimento de mercado. Nos últimos anos, o grupo se uniu a investidores de várias origens, tornou-se uma mina de ouro, mas não descuidou de suas marcas premium. No lugar de Harman, assume o indiano Dinesh C. Paliwal, que desde julho do ano passado vem sendo o vice de Sidney Harman.

Se Paliwal conseguir fazer 10% do que fez seu antecessor, também entrará para a História.

Caixa acústica transparente

Num mundo em que a aparência cada vez é mais valorizada, não estranha que as empresas invistam na imagem de seus produtos. Mesmo quando se trata de um produto criado para gerar… isso mesmo, som.

sonyspeakertube.jpg

É o caso desta nova caixa acústica, exibida esta semana em Tóquio pela Sony e que chega ao mercado do Japão no próximo dia 20. Toda transparente, compõe-se de um tubo de 1m de altura, com dispersão multirecional. À maneira dos subwoofers, que só trabalham com baixas freqüências (estas, por definição, espalham-se em todas as direções), a Sountina – este o nome comercial da caixa, segundo a empresa uma junção de “sound” e “fountain” – dispersa os sons em 360 graus. É indicada para som ambiente, salas de espera, lobbies de hotéis etc.

O design foi pensado mesmo para impressionar. Com diâmetro de 95mm, o tubo é feito de material acrílico transparente e possui, por dentro, leds luminosos coloridos, posicionados de tal forma que o brilho das cores cria um efeito interessante, especialmente em ambientes pouco iluminados. Placas de aço escovado ajudam a refletir (e a ressaltar) as cores. Noriasu Kawaguchi, designer da peça, admite que não se trata de som high-end, nem nada parecido. É mais uma peça de decoração.

Que, por sinal, não custa nada barato: US$ 9.600 é o preço de lançamento para o mercado japonês.

Veja o vídeo promocional, que já está no YouTube.

TV: escolha o seu

No post de anteontem sobre televisores de tela fina, comentei que neste mês de maio saíram 25 novos modelos no País. Pois bem. O levantamento da Revista HOME THEATER – feito pelo cuidadoso Alex dos Santos – foi bem mais longe. Vejam só.

Já são nada menos do que 86 (você não leu errado: oitenta e seis) modelos desse tipo no mercado brasileiro, com a seguinte divisão:

          LG………………….. 15 LCDs e 7 plasmas                           

          Samsung…………. 14 LCDs e 4 plasmas

          Philips…………….. 12 LCDs

          Sony……………….. 9 LCDs

          Toshiba…………… 9 LCDs

          Panasonic………..  1 LCD e 4 plasmas

          AOC………………..  6 LCDs

          Olevia……………..  3 LCDs

          Aiko………………..  2 LCDs

          CCE………………..   1 LCD

Algumas observações importantes sobre esses produtos:

* 33 deles (40%) são Full-HD, com resolução de 1920×1080 pixels

* 4 têm resolução básica: 1024x768p

* Somente 1 (plasma LG) tem resolução de computador: 825x480p

* Todos os demais são standard: 1366×768

E o detalhe mais interessante: já são 17 os modelos que trazem conversor (set-top-box) embutido ou, no caso da Sony, “grudado” no painel traseiro. Também vale a pena mencionar que o maior de todos é o plasma Panasonic de 103 polegadas. Mas aumentou muito (já são 23) o número de TVs com tela de 32″, certamente visando o tipo de consumidor que está entrando no mercado agora, puxado pelo boom da economia. São modelos mais baratos, é claro, e somente um deles (da Samsung) é Full-HD.

Bem, como se vê, não será por falta de opção que alguém irá deixar de trocar de TV agora.

Em tempo: nesta 3a. feira, a Philips promete apresentar sua nova linha. Será que veremos mais novidades? A conferir.

                            

Aniversário bem festejado

Esta semana, estive em Joinville para a comemoração dos 25 anos da distribuidora Som Maior. A empresa fundada por Luis Assib Zattar em 1983 tornou-se referência para todo o mercado, principalmente graças à qualidade das marcas que trouxe para o Brasil, como B&W, SIM2, Rotel, Jeff Rowland, Classé e outras.

No evento, pude reencontrar velhos amigos e trocar idéias sobre os caminhos desse mercado cada vez mais complexo. É interessante notar o número de novos profissionais que estão surgindo, em substituição a antigos que, por razões diversas, não conseguiram se adaptar à evolução dos negócios e da tecnologia. Realmente, numa comparação superficial com o que tínhamos dez anos atrás, são poucas as empresas que sobreviveram – e, para a maioria delas, a Som Maior continua sendo referência.

Uma observação interessante de Luis Zattar, para explicar o sucesso de sua empresa (veja aqui o vídeo), é esta: paixão. Sim, algo que muitos empreendedores se esquecem: toda atividade só é bem-sucedida se for conduzida com paixão e envolvimento, não só do proprietário, mas de toda a sua equipe. Luis sempre foi um apaixonado por áudio, e talvez aí resida o segredo.

Todos os empreendedores (deste e de outros segmentos) têm na Som Maior, portanto, um bom ponto de partida.

Consumidor desinformado

plasmavlcd2.jpgPesquisa da empresa americana TFC Info, divulgada esta semana, revela como ainda estamos longe de uma verdadeira cultura tecnológica. Segundo o estudo, dois terços dos consumidores nos EUA preferem comprar um TV LCD do que um plasma; mas a maioria deles simplesmente não sabe diferenciar um do outro.

Para metade dos entrevistados, um dos fatores mais importantes em sua decisão de escolher um TV é o tempo de vida útil – e eles acreditam que um LCD dura em média cinco anos, mais do que um plasma. Ora, dizem os especialistas da TFC, os fabricantes argumentam sempre que um TV pode durar muito mais do que isso. Conclusão: não estão sabendo promover adequadamente seus produtos, mantendo o consumidor mal informado.

Curiosamente, e ao contrário do senso comum, o preço está longe de ser fator decisivo para quem vai comprar um TV de tela fina – pelo menos lá nos EUA. Pela ordem, segundo a TFC, os itens que mais afetam a escolha são estes:

                            Qualidade de imagem……………………… 97,5%

                            Confiabilidade…………………………………. 95,5%

                            Vída útil………………………………………….. 91,3%

                            Tamanho da tela……………………………… 90,8%

                            Preço………………………………………………. 87,8%

Bem, esse é o perfil do consumidor americano médio. Como será no Brasil? Aguarda-se uma pesquisa da indústria a respeito. A propósito, para que serve mesmo a Eletros (Associação Nacional dos Fabricantes de Eletroeletrônicos)?

Se você também está entre aqueles que ficam em dúvida entre plasma e LCD, dê uma olhada neste vídeo. E leia também este artigo.

Indústria de cabos, sem cabos…

hdmimm3.jpgOs participantes da sessão de abertura da CES/Hometech, feira internacional realizada esta semana em Dubai, levaram um susto quando ouviram de Noel Lee, o célebre fundador da Monster Cable, que a empresa aposta nas soluções sem fio. Afinal, a Monster é o maior fabricante mundial de cabos de conexão para aparelhos eletrônicos, com centenas de patentes registradas nessa área.Lee foi convidado ao evento para falar sobre a Monster, os cabos HDMI e o futuro da conectividade. E começou contando uma bela piada: “A revista Time publicou que eu não estou com medo dos produtos wireless. É mentira”, disse, para gargalhadas da platéia.

Na semana que vem, a Monster fará a premiere mundial de sua solução sem fio para distribuição de sinais de áudio e vídeo em banda ultra larga (UWB), no evento Digital Downtown, em Nova York. E, em setembro, durante a CEDIA Expo, demonstrará pela primeira vez o produto para os profissionais do mercado. “Estamos pesquisando o assunto há anos”, explicou Lee ao site Twice. “Os problemas da transmissão sem fio são os mesmos que temos enfrentado com os cabos HDMI: proteção do sinal, robustez para transportar altas quantidades de dados e confiabilidade contra interferências”.

Segundo Lee, todos os sistemas sem fio disponíveis atualmente são de má qualidade e não permitem trafegar alta definição. Para garantir a proteção dos dados, a Monster resolveu adotar o padrão HDCP. E para usar o padrão UWB associou-se a uma grande empresa, que Lee não quis identificar, por enquanto.

Bem, Lee é um visionário, como pude comprovar nas duas vezes em que o entrevistei (leia aqui). E a Monster é uma empresa sempre à frente do seu tempo (vale a pena dar uma olhada no seu site oficial). Vamos ver como se dará na era do wireless.

Leia a reportagem completa da Twice.

Upconversion: o futuro do DVD

upconversion2.jpgDepois que a guerra dos formatos foi decidida a favor do Blu-ray, a maioria dos fabricantes esperava que o consumidor saísse correndo atrás desses aparelhos. Como se sabe, não foi o que aconteceu: com os preços atuais, poucos farão essa opção – até porque nem mesmo os estúdios de cinema – que deveriam ser os maiores propagandistas do formato – parecem apostar nele.

Como já explicamos aqui, o consumidor ainda não “comprou” a idéia da alta definição, não só no Brasil mas em quase todos os países importantes. A alternativa mais lógica é investir em DVD players convencionais de alta performance, capazes de fazer a chamada upconversion: reproduzir em resolução 1080p filmes que foram gravados em disco com resolução inferior.

A Toshiba chegou a anunciar, logo após desistir do HD-DVD, que essa seria sua aposta; até agora não cumpriu. Mas a Sony, por exemplo, acaba de exibir no Japão o player DVP-NS708HDV, cujo principal diferencial é justamente a “conversão para cima”.

Deve ser apenas o primeiro de uma nova geração de DVD players.

Para entender melhor os conceitos de upconversion e downconversion, eis alguns bons links:

Receivers HDMI com upconversion

Blu-ray player LG com upconversion

Mitos e verdades sobre upconversion

A matemática da resolução dos displays

Processamento de vídeo Faroudja

A hora de trocar de TV

tvs-ifa3.jpgUm rápido levantamento feito pela redação da Revista HOME THEATER constatou que, somente neste mês de maio, estão chegando ao mercado nada menos do que 25 novos televisores de tela fina, distribuídos entre três marcas concorrentes: LG, Philips e Samsung. Considerando que Sony e Toshiba renovaram suas linhas há menos de dois meses, e a chinesa AOC está entrando mais forte nesse mercado (ainda não vi seus novos modelos), podemos dizer que o consumidor brasileiro é um privilegiado em termos de opções em TVs.

De fato, o setor continua aquecido, embora não haja estatísticas oficiais confiáveis. Não houve a tradicional queda de vendas no primeiro trimestre do ano; ao contrário, segundo os principais revendedores, o período foi melhor que o de 2007. E é fora de dúvida que mais pessoas estão podendo comprar bens duráveis, entre os quais o televisor é sempre objeto de desejo. Diante desse quadro, não surpreende que marcas como a japonesa Sharp – agora efetivamente representada no Brasil – e a americana Olevia estejam aquecendo turbinas para também desembarcar no varejo, provavelmente no segundo semestre.

Para o consumidor leigo, fica sempre a dúvida: entre tantas alternativas, qual é a melhor? Existe algum TV que se destaca dos demais? Já fiz essa pergunta a executivos de várias empresas, aqui e lá fora, e não me convenci das respostas. Claro, cada um procura ressaltar os atributos de seus modelos. Mas é difícil fugir à constatação de que praticamente não há diferenças entre os produtos top. Se há, referem-se mais ao design e a um ou outro recurso operacional que pode ser sedutor para determinado tipo de usuário. A explicação é que todos os fabricantes compram seus componentes dos mesmos fornecedores. E a tecnologia chegou a tal nível de evolução que será difícil superar – pelo menos enquanto estamos falando de plasma e LCD, os padrões dominantes hoje.

Se você acha que estou ficando em cima do muro, não se perturbe. Eu mesmo tenho dúvidas na hora de escolher um TV novo. Só sei que essa hora é agora, com tanta oferta e tanta competição entre os fabricantes. No mais, siga seu instinto. Confie na sua marca preferida. E desconfie quando o preço for baixo demais.

Para ajudar a tirar as dúvidas, recomendo estes três artigos:

TV Digital: começa a revolução!

Muitos querem HDTV. Poucos sabem usá-la

Como evitar o burn-in nos TVs de plasma

Reinventando o marketing

google-earth.bmpDecididamente, não é por acaso que a Google está onde está. Vi esta semana reportagem da Globo News sobre a sede da empresa, em Mountain View (Califórnia), e de fato dá para sentir que ali o clima é diferente de uma empresa tradicional. Lá trabalham inclusive vários brasileiros, a maioria jovens com menos de 30 anos, e todos se confessam encantados com o universo que se descortina em suas carreiras.

Num mundo em que a maioria dos executivos vive estressada com metas, prazos e pressões de todo lado, é reconfortante saber que uma empresa com a cultura da Google está dando certo. E mais: que está derrubando uma série de mitos do marketing. Diria até: reinventando o marketing.

Vejam a última da Google: colocar o já célebre software Google Earth na telinha do iPhone. É aquele que permite “sobrevoar” continentes, países e cidades, clicando sobre um determinado ponto para enxergar mais de perto um bairro ou até uma rua (a sua, por exemplo). Num vídeo que encontrei esta semana no blog da Google (assista), a empresa Earthscape demonstra como é essa navegação usando a tela touchscreen do iPhone. Os mapas se transformam, literalmente, em globos terrestres com o simples toque dos dedos.

vulcaoequadorxn.jpg 

Agora, pense nisso não como uma diversão visual, mas como algo prático, um enorme GPS em 3D, que pode levá-lo aos lugares mais escondidos do planeta (como o vulcão da foto, localizado no Equador, em plena erupção). Tudo isso na palma da mão, via celular. Fantástico, não?

Claro, é apenas um protótipo, que por enquanto está sendo desenvolvido em parceria com a Apple. Mas que pode muito bem ser aberto a outras marcas no futuro. Basta estar numa rede 3G. E voar…

Em tempo: eis o link para assinar a versão beta do produto.

DRM: você sabe (bem) o que é?

drm.jpgNão sei se é uma boa ou má notícia, mas como saiu no prestigioso Financial Times acho que merece algum crédito: fabricantes de equipamentos e produtores de conteúdo (leia-se: gravadoras de discos e estúdios de cinema) retomam as conversações para um acordo em torno do DRM (Digital Rights Management), que vem a ser um protocolo provisório criado para proteger os direitos autorais dos produtores.

Na Europa, por exemplo, cada MP3 player ou celular vendido inclui em seu preço uma pequena parcela destinada aos estúdios e gravadoras, que assim seriam, na teoria, remunerados pelos milhões de cópias que aquele aparelho poderá gerar. A notícia fresquinha é que um grupo de fabricantes, entre eles Nokia, Apple e Motorola, enviou carta à União Européia (que equivale a um “governo” do continente) sugerindo reatar negociações para acabar com essa cobrança.

(É bom lembrar que essa taxação é válida em 22 dos 27 países que fazem parte da UE, e que essa disputa vem de muito antes do MP3 e do celular: começou em 1960, quando surgiram as fitas magnéticas. Estúdios e gravadoras alegam que perdem, a cada ano, entre 500 milhões e 1,5 bilhão de euros com as cópias não autorizadas. Mas não há uma política única: na Alemanha, uma impressora paga 100%; na Holanda, não paga nada).

Mas, por que eu disse que um acordo desse tipo pode ser má notícia? Simples: o DRM está caindo aos poucos em quase todas as mídias. Depois que a iTunes fez acordo com as principais gravadoras para vender músicas sem proteção, esse tipo de discussão torna-se anacrônica. As demais lojas virtuais seguem a mesma trilha. Seria melhor, então, acabar logo com essa taxação, que virou um grande me-engana-que-eu-gosto.

Para entender melhor o assunto, recomendo estes links:

Artigo no Uol Tecnologia

Electronic Frontier Foundation

Opinião do Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC)

Dicionário de tecnologia Whatis

Wii Fit: aposta certeira

A Nintendo apresentou hoje em São Paulo sua mais recente revolução: o Wii Fit, acessório para o videogame Wii que permite ao usuário praticar exercícios enquanto se diverte jogando. O produto já esgotou no Japão, onde vendeu cerca de 2 milhões de unidades, e nos EUA caminha para a mesma performance. No Brasil, não há por que ser diferente.

wiifit2.jpgComo já comentei aqui, a Nintendo não é apenas uma das empresas mais criativas da atualidade. É também uma fonte inesgotável de idéias de marketing, a maioria delas bem sucedidas. O Wii Fit pode ser enquadrado nessa categoria. Não é um videogame convencional, ao contrário, nada tem da violência, corridas e labirintos comuns no PlayStation e no XBox; também não tem a qualidade de som e imagem desses concorrentes. Mas isso está longe de ser uma desvantagem. O Wii se destina a um público que não gosta de videogames, e essa é, por incrível que pareça, a principal razão de seu sucesso.

Os números divulgados hoje por Bill Van Zyll, diretor da Nintendo para a América Latina, são de impressionar. No mundo todo, já foram vendidos mais de 13 milhões de consoles da empresa, cujo mote é “put a smile on people´s faces”, ou seja, colocar um sorriso no rosto das pessoas. No Japão, seus jogos representam 83% do mercado; na Europa, 63%. O Wii, que surgiu em 2006, atingiu no final de 2007 o share de 18% no mercado americano. E, enquanto as vendas de CDs e DVDs caem, as de videogames só fazem subir (a Nintendo, diz Van Zyll, é responsável por 60% desse crescimento mundial).

O mais interessante é que o público-alvo da empresa vai de 5 a 95 anos! Sim, boa parte das campanhas publicitárias da marca em outros países é dirigida a pessoas da terceira idade, como expliquei aqui há alguns dias. Mais curioso ainda: com o sucesso da Nintendo, as mulheres – que em 2005 representavam apenas 9% do universo de gamers – hoje respondem por 31%.

São ou não são números que fazem pensar? Dê uma olhada nos sites http://us.wii.com/ e http://www.wii-brasil.com/ e entenda melhor o fenômeno.

Blu-ray: tô nem aí…

Esta parece ser a percepção do consumidor em relação ao novo formato. Pelo menos, é o que diz Eric Taub, um dos mais importantes jornalistas americanos especializados em tecnologia. Em uma de suas últimas colunas no The New York Times, Taub foi fundo na ferida: o consumidor não está nem aí com essa tal de alta definição, ainda mais se tiver de pagar por ela.

blu-ray.jpg

Taub se baseia numa pesquisa da empresa ABI Research, que concluiu que a maioria dos usuários leigos não consegue sequer enxergar a diferença entre uma imagem em DVD e uma em Blu-ray. Sério, não? Some-se a isso o custo de um disco Blu-ray e o fato de que muitos DVD players já permitem upconversion de vídeos standard para HD, e fica fácil entender a reação do público (notem, estamos falando do consumidor americano, que tem longa tradição de aderir a novidades como essa).

Taub compara: se um player Blu-ray custa na faixa de 300 dólares, um DVD player com upconversion sai por 60!!! Precisa dizer mais? Sim, para usufruir das tais 1080 linhas, é preciso investir num TV mais sofisticado; para um DVD, basta um plasma ou LCD com 720 linhas (padrão médio). Os pesquisadores da ABI acham que, pelo menos até 2013, o mercado de players Blu-ray não conseguirá chegar perto do PlayStation 3, que hoje responde por 85% da base instalada de Blu-ray no mundo.

Diante desses dados, dá até para entender por que a Toshiba ainda fala em reagir diante da derrota do seu HD-DVD. Não há necessidade de criar um novo padrão (essa notícia surgiu tempos atrás, mas até agora não foi confirmada). Basta aperfeiçoar os DVD players convencionais para que realizem a melhor performance em upconversion. E, é claro, manter seus preços lá em baixo.

Para entender melhor a complexidade do tema, eis alguns links legais:

Blu-ray ainda não recuperou mercado de DVDs

Muitos querem HDTV. Poucos sabem usá-la

Blu-ray Market Overview

PS3 atrapalha mercado de Blu-ray

Set-top-box: quem dá menos?

A empresa chinesa AOC, um dos maiores fabricantes de displays do mundo e com bilhões para investir em países emergentes, anunciou na semana passada – leia o texto – que desistiu de fabricar aqui seus conversores para TV Digital (os chamados set-top-box). E deu nome a quem de direito: as seguidas declarações do ministro Helio Costa, defendendo que o aparelho não pode custar mais do que R$ 200 (quando todo mundo na indústria – e as pessoas sérias do governo – sabe que isso é impossível), tornam impraticável um investimento desse porte.

A AOC já produz um receptor digital para aparelhos móveis, mas não vai mais se arriscar a produzir um conversor para TV. “O ministro pediu para o consumidor esperar a queda de preços para depois comprar”, foi a justificativa. Pois é, o ministro veio com essa história na época do lançamento da TV Digital, voltou a tocar no assunto uma ou duas vezes, e acabou – pelo visto – recolhendo-se a sua real insignificância. Mas nenhum investidor sério entra nessa, a menos que tenha muito (mas muito mesmo) incentivo, como parece ser o caso da paranaense Positivo, que é hoje a maior fornecedora de aparelhos eletrônicos ao governo federal.

set-top2.gifCom receio de ser repetitivo, lembro que um set-top-box é quase um computador. Possui memória interna, processador, clock, dissipador de calor, placa de vídeo etc.; ao contrário do que muitos imaginam, não é uma mera “caixinha”. A Philips, por exemplo, levou dois anos para desenvolver o seu modelo, e acredito que os demais fabricantes também (pelo menos aqueles cujos produtos não travam). Este, aliás, é outro detalhe importante na história: todo computador trava, como sabe bem qualquer pessoa acostumada a trabalhar num. Pois o conversor não pode travar exatamente na hora do jogo final do campeonato, ou no meio do capítulo da novela, certo?

Daí porque um produto assim tem mesmo custo alto. O custo da confiabilidade. Para entender um pouco mais, sugiro este link.

Uma breve repassada em lojas virtuais constata que existem no mercado no máximo quatro marcas de conversores para TV Digital: Positivo, Philips, Semp Toshiba e Sony, sendo que este último só funciona com TVs da mesma marca; Aiko e Gradiente também lançaram, mas pelo visto os estoques acabaram; encontrei ainda um modelo da marca Cromus, da qual nunca ouvi falar, anunciado no Mercado Livre como “última peça”, por R$ 609. Mas, convenhamos: dá para confiar num produto que é anunciado dessa forma?

Reciclagem por boas causas

Como já abordamos aqui, campanhas de reciclagem de produtos tecnológicos estão se multiplicando pelo mundo afora, com uma bela ajuda da internet. Mas esta agora é certamente uma das mais originais – e polêmicas.

soldier-cellphone2.jpgA Amazon.com está “premiando” seus clientes com um ícone chamado “Cell Phones for Soldiers”. A idéia – com patrocínio da AT&T, que nos EUA é a operadora oficial do iPhone – é estimular quem está trocando de celular a devolver seu modelo antigo para reciclagem. Como? Basta remeter pelo correio o aparelho velho que ele será entregue, sem custo, à central de operações da AT&T. E quem tem, como milhares de americanos têm, um parente ou amigo servindo o exército em algum país distante (onde é que não há tropas americanas hoje?) pode aproveitar a promoção e pedir para que o celular usado seja enviado ao parente. Assim, este soldado poderá se comunicar mais facilmente com família e amigos.

Não é uma grande idéia, num país militarista por natureza? Sim, mas vamos agora às más notícias. A AT&T, que já foi a maior operadora telefônica do mundo, bolou essa campanha para tentar melhorar sua imagem, depois de vários acontecimentos comprometedores nos últimos meses. O interessante blog The Sietch, dedicado à defesa da natureza, conta que a empresa vem sendo seguidamente acusada de espionagem a serviço de órgãos ligados ao governo Bush, que utilizam para isso os técnicos da AT&T; estes muitas vezes trabalham a contra-gosto. Para quem não sabe, a AT&T é a principal fornecedora de equipamentos de comunicação ao governo americano.

Uma das acusações partiu de um ex-funcionário da empresa, que em reportagem da revista Wired (leia aqui) denunciou ter presenciado ações ilegais de agentes do governo, bisbilhotando a vida de pessoas com ajuda dos sistemas de telecomunicações da AT&T. O pessoal do The Sietch (onde saiu a ilustração acima), que pelo jeito não tem muitos amigos dentro da empresa, foi mais longe e levantou um caso de 2006, em que a operadora foi obrigada a pagar uma indenização de US$ 25 milhões (!) por poluir com produtos tóxicos as águas da região de Oakland, na Califórnia (leia o texto do acordo).

O mais interessante é que tudo isso pode ser acompanhado via web – seja você contra ou favor da AT&T.

Onde está o desemprego?

As estatísticas oficiais indicam que está caindo o nível de desemprego em todo o País. A ascensão das classes C e D, somada aos ventos favoráveis da economia internacional, aumentam o grau de atividade econômica e a procura das empresas por mão-de-obra qualificada.

unemployed2.jpgMas uma matéria do Estadão nesta semana me chamou atenção por levantar um detalhe preocupante. Segundo o insuspeito IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), da USP, 46% dos desempregados estão na faixa entre 15 e 24 anos (leia o texto completo aqui). Entre dez países pesquisados pelo IPEA, o Brasil é o que ostenta a maior porcentagem: nada menos do que 19% dos brasileiros nessa faixa etária estão desempregados. “O custo para uma empresa contratar um jovem inexperiente é o mesmo de contratar um adulto com experiência”, explica o sábio professor José Pastore, da USP, especialista no assunto. “Nesse caso, elas optam pelo funcionário que provavelmente trará resultados mais rapidamente.”

Acredite se quiser: esse custo, diz o mestre, é hoje de 103% sobre o valor do salário real. Na verdade, no mundo inteiro o desemprego é maior entre os jovens do que entre os adultos, pois estes tendem a possuir melhor qualificação e experiência profissional. No Brasil, porém, o problema é mais grave porque, com o aquecimento da economia, as empresas procuram (e não encontram) gente qualificada – conseqüência direta da falta de base educacional.

Diante desse quadro, o setor de tecnologia é certamente um dos mais afetados: pessoas sem um mínimo de qualificação não têm a menor chance nesse mercado.

Para os interessados, um bom endereço para pesquisar o assunto é este: http://www.desempregozero.org.br/

Exemplo ignorado

23jefferson1.jpgNão costumo falar aqui de políticos, mas hoje abro uma exceção para a morte de Jefferson Peres (foto), talvez um dos poucos parlamentares de quem os brasileiros podem se orgulhar. O senador morreu nesta sexta-feira, em Manaus, e logo surgiram os hipócritas de plantão para saudar o seu “exemplo” – incluídos aí muitos que brigaram feio com ele nos últimos dois anos, quando Peres, entre outras coisas, foi figura de destaque na CPI do Mensalão.

Ao ouvir vários desses políticos prestarem tributo a Peres, me lembrei da morte de Mario Covas, em 2002. Na ocasião, não foram poucos os deputados e senadores que elogiaram o “exemplo” de seriedade e honestidade deixado por Covas. Um desses foi Jader Barbalho, que dispensa comentários a respeito.

Seria cômico se não fosse trágico. Se prezam tanto assim tais exemplos, por que não agem como Covas e Peres sempre agiram em sua vida pública.? Por que será? 

Microsoft paga para você!

windows_live_search_logo_thumb.pngNa incessante procura por modelos de negócio lucrativos para a internet, a Microsoft acaba de dar um passo bem agressivo – para não dizer arriscado. A empresa anunciou nesta 4a. feira que irá reembolsar os usuários de seu serviço de busca Live Search toda vez que fizerem compras pelo site. Este já tem mais de 700 lojas cadastradas, segundo a agência de notícias AP. A Microsoft se compromete a devolver ao usuário parte do valor pago em cada compra.

A idéia, segundo o próprio Bill Gates, é aumentar expressivamente o tráfego no site, atraindo assim maior número de anunciantes. Mais ainda: muitas empresas vão querer ter seus produtos listados no Live Search, e a MS poderá cobrar por esse serviço. Trata-se, é claro, de mais um round na luta contra o Google, senhor absoluto das buscas na web. Outro round, ainda não totalmente perdido, é a tentativa da Microsoft de comprar o Yahoo, ainda o maior concorrente do Google.

Até onde isso irá levar? Difícil prever. Mas não deixa de ser curioso que, segundo a AP, essa brincadeira começou quando Danny Sullivan, editor do site SearchEngineLand.com, sugeriu à MS que, para enfrentar o Google, pagasse aos internautas. “Era uma piada de 1ode abril”, comentou depois Sullivan.

Bill Gates e seus colegas, no entanto, acreditaram que era verdade. E foram em frente.

Cegueira aclamada

blindness_01.jpgJá disse aqui que sou fã de Fernando Meirelles há muito tempo. É talvez o melhor cineasta brasileiro de sua geração e um dos melhores do mundo na atualidade. Seu filme mais recente, “Blindness” (foto), baseado no livro “Ensaio sobre a Cegueira”, do português José Saramago, foi aclamado na semana passada no Festival de Cannes, como já tinham sido, em várias partes do mundo, seus dois anteriores: “O Jardineiro Fiel”, que até ganhou um Oscar, e o genial “Cidade de Deus”, para mim o melhor filme brasileiro de todos os tempos.

Na Folha de S.Paulo de anteontem, Meirelles nos dá mais um motivo para admirá-lo – não só quanto ao seu talento, mas quanto a sua cabeça. Num artigo exclusivo para o jornal, ele narra sua emoção ao mostrar o filme para Saramago, em Lisboa. Fiquei emocionado ao me colocar no lugar de Meirelles, levado pelo texto (leia aqui). Viajei no tempo, lembrando dos momentos em que, como repórter, me vi frente a frente com figuras quase mitológicas, como Elis Regina, Pelé, B.B.King, Mario Covas e Bernardo Bertolucci – ídolos que tive o privilégio de entrevistar quando estavam no auge de suas respectivas carreiras.

Voltando a Meirelles, ainda não vi seu filme, mas já gostei (este é o link para o trailer). Não sei se ganha em Cannes, mas não importa. Embora não seja particularmente fã de Saramago – é, com certeza, um dos escritores mais depressivos da atualidade – estou ansioso para ver “Blindness”. O relato do encontro entre escritor e cineasta faz de ambos duas figuras admiráveis mais ainda.

A propósito, Meirelles mantém na web um blog que, nos últimos meses, se transformou em “Diário de Blindness”, contando detalhes sobre o imenso trabalho de produção e finalização do filme, as reações na imprensa e o tanto de sua própria vida que ele dedicou a esse projeto. Vale a pena conferir. Não tem nada da autobajulação que é comum nesse tipo de blog, ao contrário, são verdadeiras confissões de um homem/artista que trabalha sobre suas limitações (inclusive as de viver num País onde o talento verdadeiro raramente é reconhecido) e quer sempre atingir o máximo potencial criativo.

Parabéns, Fernando.