Archive | junho, 2008

Os 4 magníficos

copyrt2.jpgVocê já ouviu falar do B.R.I.C. É o grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China, países que têm em comum características como população e território enormes, altíssimo potencial de desenvolvimento, crescimento acelerado, graves deficiências na distribuição de renda e… bem, os quatro fazem parte de um relatório chamado”Priority Watch List”, preparado pelo Departamento de Comércio do governo americano para monitorar as violações a patentes e direitos intelectuais.

Significa que as autoridades americanas estão permanentemente de olho nesses quatro quando se trata de proteger os direitos sobre seus produtos. No último relatório, divulgado em abril, três desses países foram incluídos na categoria com “maior incidência de contravenções e ilícitos” nessa área. Acreditem: só o Brasil ficou fora.

Nosso país foi incluído num segundo grupo, em que as violações foram consideradas “de nível médio”. Mesmo assim, a CEA (Consumer Electronics Association), que congrega mais de 1.500 empresas do setor eletrônico, está chamando a atenção de seus filiados para analisarem bem os investimentos que venham a fazer nesses países. “São economias que crescem muito rápido, e com uma emergente classe média de consumidores, que atraem investidores do mundo inteiro”, diz a CEA. “Ao mesmo tempo, com as contínuas violações dos direitos intelectuais, exigem-se planejamento e cuidados consideráveis ao analisar oportunidades de negócio nesses países” (a íntegra do documento pode ser conferida aqui).

Não sei até que ponto esse tipo de orientação influencia as decisões de investimento (acredito que muito pouco). Mas não é nada confortável estar numa lista de contraventores, é? Agora, se a situação aqui é considerada “de nível médio”, com o número de aparelhos e discos piratas que se vê por aí, alguém consegue imaginar como será entre chineses, russos e indianos?

Ainda as transmissões em HD

O sempre alerta Vinicius Barbosa Lima me corrige e mais uma vez acrescenta detalhes valiosos ao assunto que comentei hoje. Na verdade, diz ele, as corridas de Fórmula 1 não são transmitidas em HD em nenhum país do mundo, pois a FOM (Formula One Management), empresa que manda no circo, não deixa. É isso mesmo: a FOM é responsável por todas as imagens que você vê nas provas internacionais de F1, e não possui equipamentos de captação para gerar sinal de alta definição.

Aliás, acrescenta Vinicius, eles estão negociando com a Panasonic para fornecer esse tipo de equipamento, mas querem cobrar uma nota altíssima pela cessão dos direitos às emissoras. Até agora não houve acordo. Todas as corridas são geradas com sinal Standard Definition, embora em formato de tela 16:9. No Brasil, esse sinal só é captado pela via digital; na TV analógica, nem isso.

As duas únicas corridas em que a FOM não gera a imagem são a do Japão (cujo sinal é gerado pela FujiTV) e do Brasil (Rede Globo). Mas, mesmo aqui, a Globo quer transmitir em HD e a FOM não autoriza. Vamos ver se isso muda no GP Brasil deste ano.

Vendendo a própria vida!

Outro dia, recebi e-mail de alguém que se dizia “quebrado” e pedindo qualquer tipo de ajuda. A mensagem incluía até um número de conta bancária, caso eu quisesse colaborar para diminuir o sofrimento do pobre coitado…

Agora, essa história do cara que está “vendendo” sua vida pela internet (veja aqui o vídeo da Reuters). Bem, na verdade ele está leiloando os bens que possui através do maior site do mundo no gênero (E-Bay), e isso inclui uma bela casa na Austrália, com home theater, piscina e até spa, uma tremenda moto, jet-ski e também “os contatos com amigos que são pessoas muito legais”, disse o figura à TV americana ABC.

A internet está cheia dessas trapaças. Mas, convenhamos, que a mídia se ocupe desses assuntos só vem reforçar a tese de que o mundo está mesmo perdido!

Futebol em alta definição

xavi_rusia2.jpgUm amigo me perguntou neste fim de semana por que é tão grande a diferença de qualidade de imagem entre as transmissões de futebol da Eurocopa e as do campeonato brasileiro, ou mesmo as dos jogos da seleção. De fato, muita gente que comprou conversor digital se decepcionou ao ver que a imagem, digamos, não é tão boa assim…

O exemplo é válido para reforçar o que já comentei aqui algumas vezes: o futebol pode ser o grande carro-chefe da TV Digital no Brasil. Conheço torcedores tão fanáticos que são capazes de pagar um pay-per-view de um jogo do seu time de coração, às vezes custando mais de R$ 30 (nos EUA, por exemplo, esse custo gira em torno de US$ 5). Esses mesmos telespectadores com certeza pagariam pelo equipamento digital – incluindo um TV padrão HD – para ver futebol habitualmente, se lhes fosse dada a certeza de que os jogos seriam em alta definição.

Para quem gosta de esportes – não só futebol, mas também Fórmula 1, tênis e qualquer evento esportivo ao ar livre – nada se compara a uma transmissão em HD. Mais ainda se você puder ter o som ambiente do estádio (ou do autódromo) ao vivo reproduzido num bom sistema surround, como usamos na sala de testes da Revista HOME THEATER. No entanto, as emissoras brasileiras ainda não acordaram para isso. A Globo transmite apenas um ou outro jogo em HD, geralmente nas tardes de domingo. E a Record, que bateu a Globo em audiência em alguns jogos da Eurocopa, encerrada neste domingo, não quis (ou não pôde) investir em transmissões mais refinadas.

Enquanto isso, a TV européia deu um banho de cobertura nesse evento, com um show de câmeras (dentro e fora do campo) captando praticamente todos os detalhes significativos de cada jogo. Isso, aliás, já vem acontecendo regularmente na Champions League, que é o campeonato europeu de clubes. Teoricamente, equivale à nossa Libertadores, mas esta fica a anos-luz em termos de charme e beleza dos espetáculos.

Vamos ver como se comportam as emissoras brasileiras nas Olimpíadas, em agosto. Será uma grande chance. Quanto ao futebol, temos que nos contentar com o que vem da Europa. Pior: depois dos últimos jogos da seleção brasileira e no estágio atual do campeonato brasileiro, está claro que, além da melhor qualidade de som e imagem, os europeus agora têm também muito melhor futebol. Ou não?

A propósito, neste link você pode ver vários vídeos do futebol europeu.

Telefone PlayStation

O blog Marketing Week, sempre muito bem informado, revela esta semana que a Sony prepara o lançamento de um telefone com a marca PlayStation. Seria um concorrente (mais um) do iPhone, só que utilizando uma marca fortíssima e – o mais importante – independente da Ericsson.

Na verdade, diz o blog, a relação entre a japonesa Sony e a sueca Ericsson, iniciada em 2001, embora bem-sucedida comercialmente, já não é das melhores.  A Sony, de olho no fantástico mercado de celulares, licenciou para a “sócia” duas de suas marcas mais fortes: Walkman e CyberShot. E se arrependeu. Como o PS3 já inclui conexão WiFi, transformá-lo num celular não chega a ser propriamente um desafio para os engenheiros da Sony. Algo que poderia ser alcançado mesmo sem ajuda da parceira sueca.

sony-ericsson2.jpgO modelo F305 (foto), lançado pela Sony Ericsson na semana passada (veja aqui), é um celular com cara de câmera CyberShot. A Sony não quis colocar nele a marca PlayStation, o que os analistas interpretam como ensaio para, em 2009, trazer ao mercado o “verdadeiro” PS3 Phone. Vamos aguardar.

Internautas brasileiros voam…

internet2.bmpNuma prova do potencial de mercado que temos aqui, o Brasil superou oficialmente a casa dos 40 milhões de internautas, segundo o último levantamento do Ibope/Net Ratings, relativo ao primeiro trimestre de 2008. São 41,565 milhões de pessoas com idade a partir de 16 anos que afirmaram ter acesso a algum tipo de conexão à web, seja em casa, no trabalho, na escola ou em locais públicos (lan-houses e cybercafés são os mais comuns).

Em maio, diz o estudo, 35,5 milhões de pessoas usavam a internet em casa, ou 29% a mais do que um ano atrás. Alexandre Magalhães, diretor do Ibope, diz ao Estadão que a responsável por esses números  é a classe C, que está aquecendo as compras de computadores. “As pessoas compram computadores porque acreditam que isso vai melhorar a vida dos filhos”, explica Magalhães. Interessante notar também que, desses mais de 40 milhões, 81,5% já têm em casa conexão de banda larga. “A classe C já está indo direto para a banda larga, faz mais sentido até do ponto de vista financeiro”, diz o executivo.

Completando a pesquisa, e confirmando a importância da internet no Brasil, o País assume agora a liderança mundial em termos de tempo dedicado à web. O brasileiro mantém-se diante do computador por nada menos do que 23 horas e 48 minutos por mês, em média, ou seja, quase uma hora por dia. O segundo colocado (Japão) vem muito atrás: 21h34m; França é o terceiro e Estados Unidos, o quarto.

O dono da classe C

Todo mundo que trabalha no mercado de consumo precisa ler a entrevista de Michael Klein, dono da Casas Bahia, à Veja desta semana. Não que ele faça grandes revelações – não é bobo! Mas pelo que diz sobre o país onde vivemos, mais especificamente sobre o fenômeno da ascensão da classe C.

klein.jpgKlein detona um a um todos os preconceitos que as pessoas têm sobre os supostos “pobres” brasileiros – que hoje talvez seja melhor identificar mesmo como “classe média” e pronto. Eles representam 70% dos clientes da Casas Bahia, se dispõem a pagar 4% de juros ao mês para realizar seus sonhos de consumo, raramente atrasam o pagamento (inadimplência de 10%) e voltam sempre. São, portanto, o sonho de todo comerciante.Detalhes que muitos revendedores que conheço deixam em segundo plano, Klein demonstra que são essenciais ao seu negócio. Exemplo: para vender móveis, estes têm que ser envernizados, pois isso passa a impressão de limpeza, e de preferência com espelho, que aumenta o tamanho da sala ou do quarto. Outra dica: não tente vender um plasma para quem não pode pagar. Que pode ser lida também ao contrário: não se limite a vender apenas um plasma para quem pode (e quer) comprar mais do que isso!

Só um detalhe que Klein não explica na entrevista: para manter esses sonhos vivos, a Casas Bahia gasta quase R$ 1 bilhão por ano em publicidade. Como seriam suas vendas se, de repente, parasse de anunciar?

FOTO: ANA PAULA PAIVA (ISTOÉ DINHEIRO)

Big Brother Google

Falando em Google, reportagem do New York Times nesta 6a. feira revela os planos da empresa que domina a internet para criar novos formatos de publicidade on-line. E são planos assustadores, acreditem.

google.jpgNick Fox, responsável por essa área na empresa, explicou ao jornal a nova estratégia publicitária. Como se sabe, a Google tem milhões de visitantes diários, que são catalogados num servidor através de códigos (os cookies). No início, a empresa jurava que jamais iria usar essas identificações para enviar mensagens indesejadas aos seus, digamos, clientes. Mas essa política mudou. Segundo Fox, desde o ano passado vem sendo montada uma plataforma comercial para permitir o envio de mensagens selecionadas de acordo com o perfil do usuário.

Diferentemente de outros mecanismos de busca, o da Google identifica os últimos sites que você visitou antes de entrar lá. Com isso, consegue determinar o que os experts chamam de behavioural targeting, algo como “comportamento virtual” do internauta. E assim pode criar mensagens publicitárias milimetricamente direcionadas, atingindo em cheio seu alvo. “Queremos saber o que a pessoa anda fazendo naquele momento, e não há um mês atrás”, diz Fox.

Ou seja, uma espécie de big brother dos tempos de internet, considerando que a Google domina hoje dois terços do mercado mundial de buscas. Não é por acaso, portanto, que a Federal Trade Comission – órgão que regula o livre comércio nos EUA – está analisando a nova estratégia comercial da Google para, quem sabe, impor regras a esse tipo de publicidade. Todos os donos de endereços gmail seriam, por esse raciocínio, potenciais vítimas do esquema.

Eis aí mais um tema para os estudiosos da web: nestes tempos de Googlemania, qual é o nosso grau de privacidade?

A propósito, para quem quiser entender mais desse assunto, recomendo dois livros obrigatórios (e seus respectivos links):

A Cauda Longa, de Chris Anderson e

Wikinomics, de Don Tapscott e Anthony D. Williams

Ah! Sim, e este é o link para a reportagem do NY Times.

Espionagem no Senado

Notícia do IDG Now revela uma escabrosa história de espionagem praticada dentro do próprio Senado da República. Um certo Rildson Moura, que se identificou como jornalista, mas portava crachá vencido em 2005, foi preso quando fuçava em documentos privativos dos membros da CPI da Pedofilia. Flagrado pelas câmeras de segurança, Moura admitiu trabalhar para a empresa ArkoAdvice e estar ali a serviço da Google Brasil.

Como se sabe, a Google é responsável pelo Orkut, onde circulam milhares de pedófilos. Os documentos que Moura bisbilhotava contêm perfis de usuários do Orkut, informações sobre crianças que teriam sido vítimas de abuso sexual através da rede e um requerimento para que o presidente da Google, Alexandre Hohagen, deponha novamente na CPI.

Esse assunto (pedofilia) me revolta tanto que o simples fato de alguém estar bisbilhotando sobre o tema já me parece motivo de cadeia. A Google precisa explicar direitinho essa história (leia aqui a reportagem). Agora, outra pergunta: com tanta segurança, como é que alguém entra no Senado com um crachá falso – e ainda por cima vencido?

Sobrevida para o XP?

windows-xp.jpgNesta 2a. feira, termina o prazo fixado pela Microsoft para comercializar o Windows XP. A partir do dia 30, a empresa não irá mais licenciar o programa aos fabricantes de computadores – que serão obrigados a incluir em suas máquinas o Windows Vista – nem irá mais fornecer os pacotes aos revendedores de software.

Bem, isso na teoria. As queixas dos usuários vêm sendo tantas e tão freqüentes que a empresa já admite rever esse cronograma. O blog Engadget entrevistou Bill Veghte, vice-presidente da MS, que confirmou o plano de estender o suporte aos usuários do XP. “Os que ainda precisarem do XP terão”, disse Veghte. Segundo o blog, embora não pretenda mais fornecer o software, a MS continuará fazendo upgrades até 2014!

Ótima notícia para quem ainda não se adaptou ao Vista – que, aliás, continua sendo bombardeado por todos os lados, como já comentei em posts dos dias 18 de abril e 8 de maio. A própria Microsoft se rende a essas críticas ao anunciar o Windows 7, que estará no mercado, se tudo der certo, em janeiro de 2009. A se confirmar, o Vista terá sido o sistema operacional de vida mais curta na história da empresa (foi lançado em janeiro de 2007). A MS, por sinal, promete corrigir no W7 todos os problemas detectados no Vista (veja aqui uma demo, entre as muitas que já estão no YouTube).

Cachorros grandes: a continuação

capa_estado27_jun.jpgMais um capítulo na disputa entre os grandes grupos de mídia brasileiros. Já vinha sendo comentado nos bastidores há algumas semanas, e agora saiu no Meio&Mensagem: a Globo negocia a compra do Estadão. Seria o maior negócio do setor de comunicação no País, dado o tamanho do Grupo Estado.

De concreto, sabe-se que as negociações realmente existem, mas não apenas com as Organizações Globo (que para fechar o negócio usaria seu braço editorial, a Infoglobo). Também estão na parada a Editora Abril, o grupo mineiro Sempre (dono de vários jornais regionais) e o político/empresário Orestes Quércia (que já foi dono da IstoÉ e teve participação na Carta Capital). O colunista Milton Coelho da Graça, do site Comunique-se, acrescenta à lista ainda o deputado federal Vittorio Medioli, do grupo mineiro Sada, do setor de transportes, e também dos jornais Supernotícias e Tempo, segundo ele atualmente com boa vendagem. Vejam quantos cachorros grandes!

Embora possa ser surpresa para os leitores, a possível venda do Estadão – certamente o jornal mais tradicional do País e aquele que por mais tempo conseguiu manter suas convicções políticas – já era esperada nos bastidores da imprensa paulista. O grupo vive uma crise financeira há pelo menos dez anos, decorrência de disputas na família Mesquita, fundadora do jornal, que há três anos foi afastada do comando. Como depende fundamentalmente de seus veículos jornalísticos (ao contrário de outras empresas do setor, o Estadão não tem negócios paralelos), o grupo está sentindo fortemente a crise do mercado editorial – que, é bom lembrar, não se restringe ao Brasil, é mundial.

A queda nas receitas publicitárias e a concorrência cada vez mais forte da internet (como, aliás, comentei aqui anteontem) só fazem acelerar esse processo. De qualquer forma, a concentração das mídias nas mãos de poucos grupos – também um fenômeno mundial – não é boa para o cidadão comum. Melhor seria se o Estadão se recuperasse pelas próprias pernas e voltasse a ser o grande defensor da democracia que um dia já foi.

Velocidade máxima

Com rapidez inédita, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) decidiu investigar a operadora Net por retirar do ar o sinal do canal Record News em algumas praças. A denúncia partiu de dois assinantes, das cidades de Santos e São José dos Campos. O argumento da Net é que não é obrigada a transmitir essa emissora, com quem não tem acordo comercial, e que precisa do canal para levar ao ar a nova TV Brasil (sobre esta, aliás, falaremos em breve).

Bem, o caso agora está na Secretaria de Direito Econômico, do Ministério da Justiça, a quem cabe averiguar se houve mesmo irregularidade. Só lembrando: a Net comprou a operadora Vivax e, para autorizar o negócio, o Cade obrigou o cumprimento de algumas regras. Agora, diz que pediu várias informações à Net, mas não obteve resposta – tecnicamente, isso é considerado um desrespeito a um órgão de fiscalização (veja aqui o texto do Cade, conforme publicado no site PayTV).

Vai dar em alguma coisa? Quem sabe. Importante aqui é registrar a atitude dos dois assinantes, que levaram o caso à frente. Quem dera outros fizessem o mesmo. Mas não deixa de ser estranha a rapidez com que o Cade tomou providências. Decididamente, isso não é comum.

Babysitter de US$ 224 milhões

hyundai.jpgA foto – divulgada na imprensa mundial nesta 5a. feira – é mais do que sugestiva: o ex-presidente da montadora coreana Hyundai, Chung Mong Koo, dando madadeira a um bebê, numa creche perto de Seul. É a pena alternativa aplicada pela Justiça coreana, que condenou Koo por um desfalque estimado em US$ 224 milhões na empresa. Aos 68 anos, o executivo chegou a ser preso. Agora, passa suas tardes na tal creche.

Não dá o que pensar? O crime de Koo foi ter subornado funcionários do governo. Crime? Sim, lá dá cadeia. Aqui, é mais provável que desse uma medalha ou, quem sabe, um cargo no governo.

Agora, vendo por outro ângulo: tomara que o sr. Koo não queira ensinar o que sabe às pobres criancinhas coreanas.

Publicidade na web

online_advertising2.jpgSe ainda faltava algum argumento para comprovar a força da internet como mídia, aqui está: a respeitadíssima revista Advertising Age, bíblia do mundo publicitário, divulgou esta semana estudo mostrando que em 2007 os anunciantes norte-americanos retiraram mais de US$ 1 bi (isso mesmo: um bilhão de dólares) de duas das mídias mais tradicionais – jornais e televisão – para destinar à publicidade on-line.

O levantamento refere-se apenas aos 100 maiores anunciantes, mas acho que basta, não? Afinal, essas empresas respondem por mais de 40% do bolo total. A conta é até simplória: ao longo do ano, os jornais americanos perderam US$ 674 milhões em faturamento publicitário, enquanto a mídia TV (aberta) teve sua receita diminuída em US$ 406 milhões. Total: US$ 1,080 bilhão. Já os veículos on-line aumentaram suas vendas em 33%.

Dissecando um pouco mais o estudo, encontrei dados interessantes sobre como a publicidade nos EUA se divide entre as diversas mídias (veja aqui). De fato, jornais e TVs abertas são os veículos que mais perdem receita nestes tempos on-line. O que, sem dúvida, tem a ver com o fato de que as pessoas cada vez passam mais tempo no computador, que é onde buscam informação e entretenimento.

Bem, lá os anunciantes já estão percebendo os novos ventos. E aqui?

Holografia ao vivo

O site Engadget está exibindo este vídeo como prova de que já é possível fazer uma transmissão ao vivo com imagens holográficas. Mesmo com a imagem escura, dá para ter uma boa idéia do efeito. Aconteceu durante um evento para executivos na Austrália, onde a operadora telefonônica Telstra demonstrava a novidade: uma rede de alta velocidade e alta capacidade de dados, chamada (na falta de nome melhor) de NDW (Next Dimension Working).

O nome prova que nem os próprios inventores sabem bem com que estão mexendo. A descrição oficial diz que trata-se de um “sistema de projeção de vídeo em alta definição holográfica, que permite exibir imagens tridimensionais ao vivo”.

Aguardam-se explicações mais detalhadas.

Unhas, pra que te quero!

nails2.jpgEssa deu no Los Angeles Times: mulheres americanas reclamando do iPhone por causa da tela touchscreen! Pois é, quem tem unha grande fica sem poder usar o aparelho.

Mas, como é que a Apple não pensou nessas coitadinhas? A colunista Rachel Cericola, do Yahoo, fez a melhor piada a respeito: quem não consegue operar um iPhone, provavelmente não consegue fazer mais nada com as mãos.

O que vem da China?

notmadeinchina3.jpgO leitor Adelino Coletto escreve sobre comentário que fiz aqui queixando-se de que muitos produtos japoneses vêm com o selo “made in China”. Dá a entender que tudo que vem da China é de má qualidade, um preconceito herdado dos muitos anos em que os fabricantes chineses simplesmente copiaram (a custo baixo) o que se fazia em outros países.

Na verdade, isso ainda acontece hoje, mas em escala bem menor. As indústrias japonesas e coreanas também utilizam componentes feitos na China, cujo custo de fabricação é absurdamente mais barato. As empresas sérias, no entanto, mantêm domínio total sobre seus processos de fabricação e não abrem mão do controle de qualidade. Isso vale também para fabricantes europeus e americanos, muitos dos quais recorrem a fornecedores chineses de componentes eletrônicos.

O que é preciso entender é a regra infalível do sistema capitalista: produzir pelo custo mais baixo e vender pelo preço mais alto. Todos os fabricantes buscam essa fórmula, e hoje, como se sabe, nenhum país consegue competir com a China em custo de mão-de-obra. É por esse motivo, entre outros, que os aparelhos em geral vão ficando cada vez mais parecidos. O que, por sua vez, faz crescer a importância do design, que é uma forma de se diferenciar um produto ou uma marca.

Mas não tem jeito, meu caro Adelino, ainda vamos comprar muita coisa “made in China”. Para quem quiser se aprofundar no tema, este é um bom link.

china.jpgAliás, é cada vez maior o número de empresas chinesas nas grandes feiras internacionais. E a CES, que é a mais importante delas, acaba de fechar acordo com o governo e as indústrias da China para promover a SINOCES, que é uma versão chinesa do evento.

Aparelhos usados, aqui

Comentei outro dia sobre reciclagem de aparelhos usados, e meu amigo Fernando Ely – que não dorme no ponto – manda a dica: sua empresa, em Porto Alegre, divulga itens usados pertencentes a clientes que acabam de trocá-los por novos. É um serviço adicional ao cliente que, dessa forma, sente-se melhor protegido. De fato, muita gente tem medo de comprar coisas novas achando que podem ficar obsoletas rapidamente. E muitas vezes ficam mesmo!

A saída é comprar de fonte segura, com o máximo possível de informação. Para quem se interessar, este é o link: http://www.audioevideo.com/

TV com kit completo

aurea2.jpgBoa idéia da Philips para promover seu novo TV Aurea (foto). O comprador recebe junto um precioso kit, que inclui: controle remoto finíssimo (da linha Prestigo, um dos tops do momento); conversor de TV Digital (set-top-box), até onde sei o melhor do mercado; gravador de DVD com HD interno de 160Gb; e suporte para instalar o TV na parede.

Bem, há de perguntar você, quanto custa essa brincadeirinha? Nada menos do que R$ 14.999. Claro, não é para qualquer mortal. Mas esse não é o tipo de produto destinado aos mortais comuns. Ah! E a moça da foto também não vem junto.

Como já disse alguém, não é caro, não; você é que ganha pouco.