Archive | outubro, 2008

Panorama vindo de fora

Também a respeito dos preços de televisores, o instituto de pesquisas DisplaySearch, dos EUA, divulgou esta semana um novo estudo sobre as variações de preço nas lojas virtuais de vários países. Com estoques cheios, elas estão agindo rapidamente, em meio à crise de confiança do consumidor em geral. O estudo, que pode ser conferido aqui em detalhes, mostra que – ao contrário do Brasil – as promoções estão se ampliando nos EUA, Europa e Ásia. Se já havia intenção de incentivar o consumidor com a proximidade do Natal, agora essa tendência se escancara de vez.

Pelo levantamento, os preços dos plasmas caíram 27% entre setembro/07 e setembro/08. Para os LCDs, a média da queda é de 30%. Curiosamente, só aumentaram os preços dos TVs de tubo (4%), o que se explica: nos chamados mercados capitalistas maduros, quando um produto vende menos o preço sobe, porque ele se torna menos lucrativo para o vendedor; no movimento oposto, quando aumentam as vendas o preço tende a baixar. Só no Brasil é diferente, mas essa é outra história.

A pesquisa é útil também para comparar os preços dos mesmos produtos em mercados diferentes. Vejam só. Um TV LCD de 52″ nos EUA é vendido atualmente (em lojas virtuais) por US$ 1.951, na média, o que equivale a 30% menos do que um ano atrás. O mesmo LCD de 52″ no Japão caiu 12%, de US$ 3.177 para US$ 2.788; nos principais países da Europa, o aparelho teve queda 36%: de US$ 3.908 para US$ 2.512; e na China caiu 34%, de US$ 3.473 para US$ 2.302.

Vejam que não há tanta diferença para os preços praticados no Brasil. O problema é a oscilação constante do dólar. Conversando esta semana com um empresário do setor, ouvi a seguinte frase: “Se o dólar estabilizasse, mesmo que fosse em US$ 2,30 ou US$ 2,40, seria possível se planejar e trabalhar sobre essa base. O que atrapalha são as constantes variações”. Estas, acrescento, devem-se mais à especulação do que a qualquer motivo racional.

Sem falar que, se não fosse a tributação brasileira, com certeza esses e outros aparelhos poderiam muito bem ser vendidos pela metade do preço.

E os preços, como ficam?

A propósito de TVs e displays, saíram esta semana alguns números interessantes, no Brasil e no Exterior. O repórter Alex dos Santos, da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL coordenou interessante levantamento entre as principais lojas virtuais brasileiras sobre os preços de plasmas e LCDs (confira aqui). O que me chamou atenção não foram os aumentos propriamente ditos, mas a rapidez com que foram anunciados.

Ora, todo mundo sabe que o ciclo de produção de um TV é de, no mínimo, seis meses – do início da montagem, com os componentes importados que sofrem a pressão do dólar, até a entrega à loja. Os produtos que você encontra hoje nas prateleiras devem ter saído das fábricas há pelo menos dois meses. Como explicar, então, que de uma hora para outra o varejo aumente seus preços? Só porque a crise está no noticiário, ameaçando todo mundo? Só por causa das oscilações do dólar? Mas esses aparelhos não foram fabricados quando o dólar estava a R$ 1,60?

Isso está me parecendo mais especulação do que qualquer outra coisa. Racionalmente, não há motivo para ninguém – nem lojistas nem fabricantes – aumentar preço a essa altura do campeonato. Talvez sim, daqui a uns três meses, se até lá as notícias não tiverem melhorado.

Além de incoerente e injusta, essa política me parece meio burra. Acho mais correto o que está fazendo a Hyundai, fabricante coreana de automóveis: garante o dólar a R$ 1,60, mesmo com o atual sobe-e-desce da moeda americana. Claro, os carros já foram importados há meses, não por que subir de preço agora. Com isso, além de estimular as vendas, a empresa ainda se mostra mais simpática ao seus provavéis clientes.

Voltando aos TVs, a dica para o consumidor brasileiro é ficar atento às promoções. Ah! E é claro: cuidado com as lojas virtuais, especialmente aquelas sem tradição.

E chegou o plasma flexível!

No mesmo evento FPD International, realizado em Yokohama (Japão), uma empresa japonesa de nome Shinoda Plasma está exibindo um display de 125 polegadas (3m de largura), e flexível. Vejam na foto. O fabricante explica que, em lugar do painel de vidro convencional, que é inflexível, usou pequenos tubos de vidro(???) com paredes de apenas 0,1mm de espessura, o que permitiria envergar ligeiramente o display, como na foto. A resolução é baixa (960×360 pixels) e, por isso, o aparelho só teria aplicação em sinalização digital, para ser visto a distância. A tela mede somente 1mm de espessura e pesa 3,60kg.

Sei não, essa história de dobrar vidro me parece mais coisa de Uri Geller (lembram dele? Aquele que entortava garfos e colheres com o olhar?). Mas a foto está aí para quem quiser conferir.

Telas finas ao extremo

Estamos aqui discutindo os displays chamados “ultra-finos”, com espessuras de 2mm, e eis que encontro no IDG Now notícia sobre um evento no Japão onde está sendo exibida esta semana uma tela OLED de (acreditem!) 0,9mm. Isso mesmo: menos de 1mm. A façanha seria da empresa chinesa CHI Mei EL, que conseguiu produzir um display de 25 polegadas com essa espessura. No mesmo evento, a coreana Samsung exibe o que seria o maior display OLED do mundo, de 40″, este um pouco mais “gordinho”: 8,9mm.

Fui conferir e descobri que o evento, cujo nome é FPD International (a sigla é de Flat Panel Displays), reúne cientistas e técnicos para uma discussão aprofundada dos novos desenvolvimentos da indústria em geral, com demonstração de protótipos. Aqui, é importante fazer uma observação: havia disso também na CEATEC, que cobrimos no Japão no início do mês, mas apenas entre empresas japonesas; no FPD, o coro é reforçado por chineses, coreanos e asiáticos em geral, o que lhe dá mais peso.

O evento mostrou, por exemplo, o “display com memória” (Memory-Function Display), da Sharp, que consegue memorizar as informações exibidas mesmo depois de desligado; o primeiro plasma da geração 4K, com resolução de 4.096×2.160 pixels, o dobro dos Full-HD (Samsung); e a “janela OLED”, feita de vidro translúcido em material orgânico que permite visibilidade de 30%.

Veja algumas fotos:

OLED de 0,9mm, da chinesa CHI Mei EL

OLED de 40″, da Samsung

 Janela OLED translúcida

 Plasma 4K, também da Samsung

 

A automação da Sony

Escrevi aqui anteontem sobre a tentativa de massificar o conceito de automação residencial, e agora vejo que a Sony confirma aquilo que anunciou meses atrás: está entrando firme nesse segmento, no mercado americano. Lá, com crise e tudo, as pessoas buscam a automação residencial como forma de economizar energia, tempo e dinheiro (além, é claro, de terem mais conforto e comodidade). Este é um conceito absolutamente consolidado entre os americanos.

Agora, com a entrada da Sony, tende a se popularizar. Ou, pelo menos, atingir uma camada da população que sequer sonhava com isso até algum tempo atrás. Para tanto, a empresa japonesa se associou à americana Control 4 (lembram-se? É a mesma que faz parceria com a Telefonica aqui no Brasil). O sistema Sony HomeShare pretende convencer as pessoas a implantar recursos de automação sem fio, que permitam não apenas utilizar vários produtos da Sony mas integrá-los a outros equipamentos da casa. Este site explica tudo em detalhes.

O conceito vem embutido na nova linha de produtos para home theater da Sony para o mercado dos EUA. Os receivers top de linha (modelos STR-DA4400ES e 5400ES), por exemplo, trazem recursos como conectores Cat5 e Ethernet, para facilitar a criação de redes domésticas, e acessam os serviços de download de música Rhapsody e ShoutCast. Há ainda uma linha de caixas acústicas e subwoofer de embutir, incentivando a instalação de sistemas multiroom a partir do receiver, integrado a uma central de automação sem fio (fornecida pela Control 4, mas vendida com a marca Sony).

É o que a empresa chama de “Sony Shower”, ou seja, um “banho” de som em toda a casa, conforme a figura.

TV Digital, sem pressa

O Fórum da TV Digital quer fazer uma campanha publicitária para estimular o uso de conversores e a adesão da população às transmissões, que já cobrem sete capitais (a oitava deve ser Porto Alegre, a partir de novembro). Quem deu a informação foi Morris Arditti, diretor da Gradiente e membro do Fórum, durante a Futurecom, realizada esta semana em São Paulo. Segundo ele, será aberta concorrência para escolha de uma agência de publicidade que crie a campanha, ainda sem data para ir ao ar.

O Fórum, como se sabe, é composto por emissoras e fabricantes; teoricamente, não sofre interferência do governo. E, embora todos digam que a implantação da TV Digital no Brasil segue o mesmo ritmo de outros países, a verdade é que todos estão decepcionados com as vendas dos equipamentos até agora. Para os fabricantes, já ficou claro que não compensa fabricar conversores (set-top-box), pelo menos enquanto não for possível embutir neles um software de interatividade – que seria, este sim, um grande atrativo. Como as emissoras não se interessam em prestar serviços interativos, ninguém consegue enxergar uma saída.

E vem aí um complicador a mais: as eleições de 2010. O ministro Helio Costa não esconde que quer se candidatar a governador de Minas, e para isso irá precisar de muito apoio (financeiro, inclusive). Os financiamentos que ele havia prometido para estimular a expansão da TV Digital não saíram até hoje, e com a atual crise econômica não vão sair tão cedo.

Nesse quadro, haja criatividade para bolar uma campanha que faça o público aderir à novidade.

iPhone: aprendendo a desbloquear

Algumas tecnologias “de ponta”, os brasileiros podem ensinar ao mundo. Conheço dezenas de pessoas que já compraram seus iPhones desbloqueados (ou mandaram desbloquear) e os estão usando pelo Brasil afora. Pois é, agora leio no site CNet que um grupo de especialistas americanos foi formado para descobrir como fazer o tal desbloqueio!!!

O iPhone Dev Team tenta abrir o software que permite a conexão do aparelho com as operadoras designadas pela Apple. O blog Gizmodo traz até um vídeo demonstrando a experiência.

Ora, pessoal, nem precisava se preocupar. Era só chamar um “especialista” brasileiro que ele faria o serviço, baratinho.

Réquiem ao videocassete!

Esta notícia é para deixar com lágrimas nos olhos gente como meus amigos Yunosuke Murata, Antonio Salles Neto, Daniel Serrano, Flavio Penna, João Hipólito, João Carlos Jansen e tantos outros que fazem parte da História do vídeo no Brasil. Leiam com calma e de lenço na mão: “A JVC anunciou oficialmente no Japão que não irá mais produzir videocassetes”.

Alguém poderá perguntar: “Mas por que só agora? O VCR já não morreu faz tempo”? Sim, mas para a JVC – que tem no seu currículo a invenção desse produto revolucionário (na época) – não deve ter sido fácil tomar a decisão. Segundo o jornal japonês Nikkey Business Daily, citado pelo site CE Pro, para não abandonar totalmente os felizes proprietários de velhas fitas VHS empoeiradas (como eu), a JVC decidiu que continuará produzindo apenas os combos DVD+VCR, que permitem copiar as fitas em DVD. Mas videocassete mesmo, do tipo stand-alone, nunca mais!

O da foto é o modelo HR-3300, o primeiro lançado pela JVC nos EUA, em 1976, logo depois da Sony lançar o Betamax (as duas empresas mantiveram por quase dez anos uma “guerra” pior do que a recente Blu-ray vs. HD-DVD). A JVC ganhou a parada, ajudada pela Panasonic, mas não adiantou muito, considerando-se a situação da empresa hoje, praticamente desaparecida do mercado e tendo que se juntar à Kenwood. Segundo o jornal, nos últimos 32 anos foram fabricados mais de 900 milhões de videocassetes, sendo 50 milhões com a marca JVC. Em 2000, eram mais de 6 milhões por ano, só no Japão; em 2007, cerca de 280 mil.

Como ocorre hoje com os toca-discos de vinil, que ganharam status de “obras de arte”, não duvido nada que daqui a alguns anos alguém relance o velho VCR como “item de colecionador”.

Sim, agora podem guardar seus lenços.

Lixo eletrônico “made in Brasil”

Fiquei feliz ao ler no IDG Now que a Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo irá promover, nesta 5a. feira, seu primeiro Mutirão do Lixo Eletrônico (que eu saiba, é também o primeiro do Brasil). Diz a notícia que funcionários da Secretaria estarão recolhendo pilhas, baterias e celulares usados, para enviar à reciclagem.

A coleta será feita ao mesmo tempo em 372 cidades do Estado, onde haverá 2.162 urnas para que as pessoas depositem seu lixo tecnológico, das 8 às 18hs. Os locais estão listados no site que a Secretaria criou especialmente para esse projeto. A reciclagem será feita na Suécia e na Bélgica, sob responsabilidade da empresa especializada Umicore. A Secretaria diz que um mutirão do gênero já começou em Campinas, onde foram recolhidas 4 toneladas de lixo eletrônico.

Que ótimo! Espero que seja o primeiro de uma série. E que se amplie para outros estados. E que em breve inclua outros tipos de produtos que as pessoas costumam descartar por aí: teclados, mouses, pen-drives, cabos, fitas magnéticas, CDs, disquetes e principalmente TVs e monitores CRT. Digo principalmente porque os tubos de raios catódicos (CRT) possuem componentes químicos tóxicos que, dependendo da forma como são manipulados, podem até matar.

Então, estamos todos convocados para fazer a nossa parte nesta 5a. feira, certo?

Automação em massa

Estive hoje na Futurecom, evento que se transformou no maior do País na área de tecnologia. Lembrei dos bons tempos da Comdex, que durante alguns anos foi o grande palco brasileiro para os serviços de tecnologia corporativa. A Futurecom, que acabou ocupando o espaço da antiga Telexpo, hoje atrai praticamente todos os fabricantes e produtores de serviços tecnológicos que têm relevância no mercado nacional.

Curiosamente, das coisas que vi, uma das que chamaram atenção é destinada ao segmento residencial, e não corporativo. Está no estande da Telefonica (para quem quiser ver, ainda há tempo: a exposição termina amanhã, 4a. feira). A operadora teve a grande sacada de massificar os sistemas de automação residencial. Como? Fechando parceria com a Disac, distribuidora da marca americana Control 4, que possui algumas das soluções mais acessíveis nesse setor. A Disac irá oferecer sistemas de automação para serem implantados em apartamentos de alto padrão, através de acordos negociados diretamente com as construtoras. Ou seja, ao comprar o apartamento o usuário já recebe o sistema instalado e pronto para ser usado.

A idéia é que, a partir daí, a Telefonica ofereça os serviços agregados à automação: banda larga, TV a cabo ou satélite, triple play, sistema de segurança, ar-condicionado, iluminação automatizada etc., dependendo do orçamento e das necessidades do usuário. O primeiro empreendimento desse tipo já está em construção, na Barra da Tijuca (RJ). Como já noticiamos, a Telefonica está mesmo disposta a conquistar o segmento residencial com oferta de alta tecnologia. Tem cacife para isso. E, pelo visto, está buscando os parceiros certos.

Para ver a demonstração, clique aqui.

Quer uma secretária virtual?

O sempre atento amigo Julio Cohen me manda o link para reportagem de Elis Monteiro, publicada em O Globo, sobre tele-presença. Não, não saiu na página de religiões, nem na de medicinas alternativas. “Telepresence” é como se chama um novo tipo de videoconferência, demonstrado pela Cisco neste vídeo do YouTube. Dois executivos da empresa conversam como se estivessem frente a frente, só que um está na Califórnia e outro na Índia! Melhor: com imagens em alta definição e holográficas. Confira.

O mais interessante da reportagem é a história de Margareth, secretária do vice-presidente da Cisco. Ela trabalhava na sede da empresa, na cidade de San Jose (Califórnia), mas decidiu mudar-se para Dallas, no Texas, a mais de 2.000 quilômetros de distância. Pois bem. O chefe gostava tanto dela que mandou instalar um sistema de tele-presença na casa da moça; onde ficava sua antiga mesa, ele colocou uma tela de 60″ para poder conversar com Margareth como se ela ainda trabalhasse ali. A secretária, que agora é chamada de “Virtual Margareth”, pode até bater papo com os colegas e tomar café com eles, a distância.

Isso é que é realidade virtual.

Para os curiosos, eis o link da reportagem.

Os desafios do Blu-ray

Por falar em Blu-ray, o instituto de pesquisas americano NPD Group acaba de divulgar novo levantamento sobre a penetração do formato no maior mercado do mundo. E as conclusões não são animadoras. Apenas 6% dos consumidores dizem pretender comprar um player Blu-ray. A maioria afirma estar plenamente satisfeita com seus DVDs atuais.

O desafio dos fabricantes – que estão aumentando as promoções – é convencer os usuários de que vale a pena investir num formato que oferece melhor qualidade de som e imagem (e pouco mais além disso). O maior teste será neste final de ano. O problema é que, com a crise econômica, os analistas prevêem um Natal bem fraquinho…

Agressividade coreana

A Samsung anunciou oficialmente na semana passada que desistiu de adquirir o controle da americana  SanDisk, o que lhe daria praticamente a hegemonia no mercado mundial de memórias flash. Mas a empresa coreana não para. De um lado, briga com a Apple no setor de smartphones, com seu modelo Omnia, que está sendo lançado inclusive no Brasil; de outro, acaba de fechar acordo com a Netflix, hoje a principal fornecedorade filmes on-line do mercado americano.

Pelo acordo, os novos players Blu-ray Samsung virão equipados para baixar filmes direto da internet. Na verdade, a Netflix já tinha feito parcerias semelhantes com a LG e com a Microsoft, esta para usuários do videogame XBox 360, que também podem baixar conteúdos do site. Só que, no caso da Samsung, o serviço vale também para quem já possui um player Blu-ray da marca, se for um dos modelos BD-P2500 ou 2550. Estes podem fazer o upgrade para baixar seus filmes. Por enquanto, apenas em definição standard. Por enquanto!

Para entender melhor como funciona, este é o site da Netflix.

Testando caixas acústicas

Precioso artigo de Vinicius Barbosa Lima, que sai na próxima edição da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL, mostra como se pode (e se deve) fazer um bom teste de caixas acústicas – de preferência antes de comprá-las. Este é talvez o item mais complicado de um sistema de áudio, o que provoca as mais quentes polêmicas e o que, muitas vezes, induz o consumidor a erros.

O texto de Vinicius é extremamente didático e detalhista. Coincidentemente, encontrei esta semana no site americano AVR Forum o relato de uma experiência que, se bem feita, poderá ser de grande utilidade a todo mundo que atua no setor. Aliás, uma experiência que eu mesmo já pensei em promover, mas até hoje não foi possível. Eles selecionaram 2.000 pessoas – pelo menos, é o que dizem – que têm alguma familiaridade com equipamentos de som; não necessariamente profissionais, mas gente que se preocupa com o assunto e mantém o hábito de ouvir música de qualidade. Esses 2.000 eleitos vêm passando por sessões “cegas” de testes com diversos equipamentos, principalmente caixas acústicas.

Detalhe: para viabilizar o trabalho, foram construídas cinco salas de audição idênticas, com o grupo dividido em turmas de oito pessoas. Em horários determinados, os integrantes de cada grupo se reúnem numa sala e passam algumas horas ouvindo caixas ocultas, sem identificação de marca ou modelo. Mantêm-se o mesmo equipamento de amplificação, a mesma fonte de sinal e os mesmos cabos em todas as salas, e as audições são sempre com os mesmos discos: faixas selecionadas de Pink Floyd, do cantor country Waylon Jennings, do grupo de rap/soul Public Enemy e trecho de uma peça de Beethoven.

Bem, se tudo isso é verdade não sei. O site já divulgou um resultado parcial dos testes, nos quais duas marcas ganharam a preferência “cega” dos ouvintes: Magnepan e Martin Logan. Difícil acreditar numa supremacia tão destacada, considerando que, segundo os coordenadores, foram avaliadas “dezenas” de marcas e modelos. Mas o trabalho continua e eles prometem divulgar os resultados finais quando terminarem. Agora, o interessante é a metodologia: sinceramente, não conheço outra forma mais justa de avaliar equipamentos eletrônicos.

Alguém se habilita a promover algo assim no Brasil? Para entender melhor como é feito o teste do AVR Forum, leia aqui.

GPS do futuro

Enquanto por aqui ainda estamos tentando nos achar com nossos GPS (não tenho, mas conheço várias pessoas que têm e sentem-se mais perdidas do que antes), no Primeiro Mundo já se trabalha com uma visão futurista dessa fantástica invenção. Vi pessoalmente no Japão um GPS que conversa com o usuário, num papo animado que mais parece um programa de entrevistas. Agora, descubro no curioso site www.popsci.com a notícia de que o famoso MIT (Massachusetts Institute of Technology), dos EUA, está desenvolvendo um projeto-piloto chamado CarTel – que não se perca pelo nome!

A idéia até que é simples: dotar os veículos de um sensor que envia permanentemente informações a uma central de monitoramento do trânsito. Essa central analisa os dados recebidos de todos os carros conectados, processa e devolve na forma de orientações sobre congestionamentos, acidentes e melhores rotas. No momento, o projeto está sendo desenvolvido pelo MIT na cidade de Boston, apenas numa área delimitada e com 50 carros interligados. “Já diminuí meu tempo de trajeto de casa para o trabalho em 25%”, diz o coordenador do estudo, Hari Balakrishnan.

Se der certo, a idéia será ampliada para outras áreas da cidade e para outras cidades americanas que se interessem pela experiência. Há quem duvide que as pessoas aceitem ter seus carros monitorados dessa forma – claro, o pessoal da Central sempre irá saber onde você está. Mas esse talvez seja o preço a pagar para escapar dos terríveis congestionamentos e ter uma qualidade de vida um pouco melhor.

E então, você, que mora numa grande cidade e passa horas por dia dentro do seu carro, toparia aderir a um sistema como esse? Está em dúvida? Veja mais detalhes neste link.

Ironias de barriga cheia

Recorro mais uma vez ao Estadão para comentar reportagem deste sábado sobre a entrada da Oi no mercado paulista. Em entrevista, o presidente da operadora, Luiz Falco, faz ironias com as concorrentes (Vivo, Claro e Tim, além da minúscula Aeiou). “Gostaria de agradecer aos concorrentes, porque deixaram uma parcela de mercado reservada para nós”, disse o executivo.

Essa parcela, segundo ele, é calculada em pelo menos 12% do mercado no maior estado do País, que teria somente 79% de sua área coberta pelos serviços de celular, enquanto o Rio teria 91%. Isso dá mais ou menos 2 milhões de novos assinantes, que é quanto a Oi espera conquistar até o fim deste ano, com uma série de promoções bem agressivas.

Bem, deixando de lado a disputa de mercado, que é sempre salutar, vale lembrar as condições em que a Oi está entrando no mercado paulista. Como se sabe, a operadora é apadrinhada do governo federal. Recebeu mais de R$ 8 bilhões do BNDES e do Banco do Brasil para adquirir o controle da Brasil Telecom, mesmo estando esse negócio ainda dependente de decisões da Anatel e da Justiça. Quer dizer, o governo Lula antecipou o financiamento a um acordo que pode nem sair (embora eu, sinceramente, não acredite). E por quê? Porque a Oi (ex-Telemar) é de propriedade dos grupos LaFonte e Andrade Gutierrez, que são sócios do filho do presidente Lula e estiveram entre os principais financiadores da campanha de Lula em 2006.

Resumindo: a Oi não é uma operadora qualquer. Pode se dar ao luxo de gastar o que quiser em promoções, marketing etc., que – como diz o jornalista Elio Gaspari, da Folha de S.Paulo – “a viúva garante”. Se estivéssemos num regime de plena concorrência, seria ótima a entrada de mais uma operadora no mercado. Mas, infelizmente, não é o que se vê.

A crise e o choro

Meu comentário de 6a. feira sobre os efeitos psicológicos da crise econômica mundial geraram algumas reações de leitores que merecem reflexão. Talvez eu não tenha sido muito claro: não quis dizer que a crise é “apenas” efeito das notícias ruins que saem todo dia na imprensa; apenas, que o noticiário ruim tem, sim, influência para agravar o pessimismo dos empresários e de todos os que têm por função decidir investimentos nas empresas (leiam aqui).

Curiosamente, este é o teor de um artigo do Washington Post, traduzido no Estadão de hoje, sob o título “O papel do medo no mercado“. O articulista comenta justamente a paranóia em que se transformou o mercado financeiro, com as notícias circulando numa velocidade tão grande que acabam tendo um efeito gangorra, ou seja, oscilações praticamente a cada minuto. “O psicológico e o emocional constituem boa parte daquilo que impulsiona o mercado. Estamos obviamente passando por um momento extremamente emotivo e esquizofrênico”, é o relato de um analista de Wall Street, citado pelo jornal.

Transportando esse clima para o Brasil, o que tenho sentido nos últimos dias é um efeito cascata que pode trazer conseqüências ruins para o País e as empresas. Soube de empresários que estão demitindo equipes inteiras porque dois ou três contratos foram cancelados. Não acho, como alguns, que o Brasil ficará imune à crise internacional. Claro, ninguém ficará. Mas a situação hoje é bem diferente de, por exemplo, 1999 ou 2002, quando as crises pegaram o País literalmente desarticulado.

Desta vez (e aí é preciso reconhecer o mérito do governo), houve o cuidado de se antecipar a possíveis crises como esta. O mercado interno se ampliou e há dinheiro em circulação, embora – como sempre – os bancos estejam segurando para tirar o máximo proveito do clima de incerteza. O problema é que, como diz lá o artigo, as notícias viajam tão rápido que um balanço trimestral ruim de determinada empresa, por exemplo, pode desencadear medidas intempestivas das outras, gerando uma bola de neve esquizofrênica.

Mais do que nunca, é preciso cuidado com o que se lê e se ouve.

Tendencioso? Isso não…

De vez em quando, é bom uma certa polêmica. Afinal, é da discussão (inteligente e em alto nível, sem agressões) que nascem as melhores idéias, certo? O leitor Eduardo Vieira, de João Pessoa, questiona o comentário que fiz sobre a comparação entre plasma e LCD, feita pelo site CNet. E insinua que fui “tendencioso” ao deduzir que eles preferem o plasma Pioneer Kuro a qualquer outro tipo de display disponível no mercado. Eduardo me dá ainda um certo crédito, ao admitir que talvez eu não tenha entendido corretamente o texto original.

Bem, preferências à parte (como ele, também não sou entusiasta nem do plasma nem do LCD, continuo achando que o CRT ainda não foi superado), diz lá o comentarista do CNet: “But as good as the Sony is, it still couldn’t knock out the champion of the superheavyweight plasma division, Pioneer’s Elite Kuro, which still reigns supreme as the best HDTV overall and it costs less, even at 60 inches, than the 55-inch KDL-55XBR8″. Precisa traduzir? O Kuro “reina supremo” como o melhor HDTV de todos.

Ao postar aquele comentário, quis apenas dar mais referências a quem está na dúvida entre as duas tecnologias, usando como fonte um dos sites de tecnologia mais sérios que conheço. Valeu, Eduardo, a intenção era exatamente estimular o debate. Mas “tendencioso”, jamais!

Para rir e não chorar

Aliás, sobre o comentário anterior, não resisto a repassar aqui a frase que recebi esta semana, por e-mail, que deve ter sido escrita por um americano bem-humorado (algo não muito comum). Lá, sim, a crise está pegando, e mesmo assim alguém escreveu:

“O governo dos EUA comunica que, diante da crise energética e econômica, a luz no fim do túnel terá de ser apagada”. Ao que me deu vontade de acrescentar, parafraseando José Simão: “A vaca está indo para o brejo, mas do jeito que as coisas estão, corremos o risco de faltar brejo”.

O que me fez lembrar de uma bela frase do grande fílósofo e dramaturgo Bernard Shaw: “Acredito piamente em meus princípios, mas jamais morreria por eles. Afinal, eu posso estar errado”.

É isso que dá ficar lendo notícia ruim.