Archive | novembro, 2008

Perdidos com GPS

Curiosa pesquisa foi divulgada esta semana pela Nokia, segundo leio no IDG Now. Diz que apenas 5% dos brasileiros usariam um sistema de navegação pessoal (GPS). O levantamento é internacional: 12 mil entrevistados em 13 países, sendo 1.000 deles em oito cidades brasileiras. Pelo visto, o pessoal não confia no sistema, o que tem lá sua lógica: numa cidade como São Paulo, o GPS é quase inútil, dadas as condições de tráfego, cada vez mais precárias e as constantes mudanças de mãos de direção ou interdições devidas a obras, acidentes ou – incrível – passeatas!

Conheço gente que tem GPS no carro e vive se perdendo. Um problema real é a má qualidade dos softwares de localização, que falham mais do que funcionam. Além do que, não são atualizados com a necessária agilidade para acompanhar as transformações urbanas. Um GPS para ser eficiente em São Paulo (e acredito que também nas outras grandes cidades brasileiras) deveria poder indicar caminhos alternativos, talvez interligado aos serviços que algumas rádios prestam, com repórteres percorrendo a cidade de helicóptero. Mesmo assim, quando chove forte nem os helicópteros conseguem circular…

Mas o mais extraordinário dessa pesquisa da Nokia é a revelação de que 15% dos brasileiros gostam de passar informações erradas a pessoas perdidas em suas cidades. Não é incrível? Em Fortaleza, a proporção desses idiotas sobe para 31%! 

Como castigo, deveriam ser obrigados a só dirigir seus carros (des)orientados por aparelhos de GPS.

Crianças e celulares (no Japão)

Sobre o comentário que fiz aqui ontem a respeito do uso indiscriminado de celulares pelas crianças, vejam a coincidência: acabo de ler notícia da agência AP dando conta de que o governo japonês pretende introduzir uma lei exatamente para esse tipo de controle. “Os pais estão dando celulares a seus filhos sem pensar”, comenta Masaharu Kuba, responsável pela iniciativa dentro do governo local. “No Japão, os celulares se tornaram um brinquedo muito caro”.

Kuba não se refere propriamente ao preço dos celulares, que lá custam (proporcionalmente) bem menos do que aqui. Fala dos crimes cibernéticos, aos quais crianças e adolescentes são induzidos pelo uso exagerado de equipamentos eletrônicos. A idéia por lá é fazer uma campanha que leve os pais a aumentar o controle sobre seus filhos. Esta semana, o primeiro-ministro Yasuo Fukuda aprovou moção de apoio a uma ação dentro das escolas para limitar o uso de celulares e também o tempo que as crianças passam na internet. Foi aprovada também recomendação para que os fabricantes lancem celulares que só possam ser usados para falar, e não enviar fotos, vídeos, mensagens de texto etc.

Ou seja, uma completa reversão na evolução tecnológica. Quanto menos recursos, melhor. E o pior é que o primeiro-ministro tem razão.

Futebol vende tecnologia?

Três empresas do setor eletrônico brigam para estampar, a partir de 2009, sua marca na camisa do São Paulo Futebol Clube, virtual tricampeão brasileiro. São elas: LG (a atual patrocinadora), Samsung e AOC. A Philips também estava na parada, e bem perto de vencê-la, mas teve que recuar após a saída de seu presidente, Paulo Zottolo, em outubro. Há ainda, correndo por fora, a poderosíssima Emirates Airlines, do Qatar, que já investe em clubes europeus e começou a operar no Brasil há pouco.

Até onde pude apurar, a Samsung tem grandes chances de “roubar” o São Paulo de sua maior concorrente, algo que vem tentando há uns três ou quatro anos. Os números: a LG paga anualmente ao clube R$ 16 milhões e seu contrato vence agora em dezembro (tem preferência na renovação). O São Paulo quer simplesmente dobrar esse valor, com o que a empresa coreana não concorda. A Philips chegou a oferecer R$ 27 milhões, valor que a LG não queria cobrir; não tivesse desistido e talvez a empresa holandesa a esta altura já fosse a escolhida.

Conhecendo um pouco da rivalidade entre Samsung e LG, dá para afirmar que ambas devem estar buscando todos os meios para ganhar a parada – uma derrota, no caso, pode ter até implicações políticas na Coréia, acreditem. A menos que os árabes resolvem abrir sua mala de petrodólares, minha aposta é que a decisão ficará mesmo entre as duas coreanas.

Agora, uma pergunta: será que colocar sua marca na camisa de um time vale tudo isso? Executivos com quem conversei a respeito acham que não. E eu concordo.

TV Digital e Política

O excelente repórter Renato Cruz, do Estadão, está lançando um livro que ainda não li, mas que já posso afirmar: vale a pena ler. Chama-se “TV Digital – Tecnologia versus Política”, um título que é autoexplicativo. Afinal, o que está sendo esse longo processo de implantação do sistema SBTVD no Brasil, se não uma grande briga política? Neste vídeo, Renato dá entrevista sobre o livro e algumas opiniões sobre o assunto. Também vale a pena ver. Entre outras, diz ele: “A internet está engolindo as outras mídias”. Seu raciocínio, com o qual concordo, é que todas as demais mídias (TV, rádio, jornal etc.) são complementares, enquanto a web “rouba” funções e recursos de todas.

Parabéns, Renato. É por aí mesmo.

Celular nas escolas

Assinei hoje o contrato de matrícula de meu filho para 2009. Primeiro item que tive de ler: é proibido aos alunos levar à escola aparelhos eletrônicos, como CD player, MP3, celular e similares. A escola não se responsabiliza por esses e outros objetos de uso pessoal, que nada têm a ver com as atividades educacionais.

Muito bonito. Só quero ver como os administradores da escola farão para cumprir essa “lei” que eles mesmos criaram. Amigos que têm filhos em outras escolas relatam a mesma hipocrisia. Crianças e adolescentes entram na escola munidos de tudo isso e muito mais, sem serem incomodados. Ano passado, a escola nos enviou carta condenando o uso dos aparelhos pelos alunos, que chega às raias do absurdo. Ouvem música na sala de aula, em vez de prestar atenção ao que diz o professor. Já houve casos de estudantes que falavam ao celular durante a aula, sem se incomodar com as reações do professor e dos colegas. No absurdo dos absurdos, a escola identificou estudantes que faziam “cola” pelo celular durante as provas!

Como acabar com esses abusos? É o que se perguntam pais, professores e orientadores. Realmente, não é fácil. A mesma escola onde estuda meu filho já identificou casos de mães que ligam para os filhos no celular em pleno horário de aula. Pode haver exemplo mais danoso do que esse? O que terá pensado o aluno (no caso, um adolescente), quando a própria mãe desrespeita as regras mínimas de convivência social?

Não adianta matricular seu filho na melhor escola do mundo e passar a ele exemplos como esses. Pior: tem gente que faz isso e depois culpa a escola quando o filho vai mal?

Ajuda a Santa Catarina

Como tenho vários amigos que moram no Estado, não pude deixar de me sensibilizar com a tragédia desta semana. Blumenau, Itajaí, Joinville e Florianópolis são cidades agradáveis, onde eu moraria com certeza. Infelizmente, neste momento suas populações têm que reconstruir suas casas e suas vidas, e as imagens da televisão não deixam dúvidas de que será uma tarefa árdua.

Daqui, só posso mandar meu abraço de solidariedade aos amigos catarinenses. E me juntar às ações de ajuda, que nessas horas são o único consolo. Quem puder colaborar será certamente bem-vindo.

Falando de jornalismo

Um dos blogs mais legais para quem gosta (ou vive) de comunicação é este: www.geneton.com.br. Para quem não se lembra, Geneton Moraes Neto, o autor, é repórter e produtor da TV Globo, trabalhando principalmente para o canal GloboNews. A lista de personagens que Geneton já entrevistou, e dos quais tirou declarações marcantes, não deixa dúvidas sobre sua competência. Vejam só alguns nomes: Woody Allen, Caetano Veloso, Chico Buarque, Nelson Rodrigues, Oscar Niemeyer, José Saramago, João Saldanha, o escritor americano Anthony Burgess, o historiador inglês Paul Johnson e um longo etc. Entre no blog e confira.

Foi lá que encontrei um artigo intitulado “Anúncio Fúnebre: Os Jornalistas Estão Enterrando o Jornalismo”, em que Geneton detona, de modo brilhante, a classe à qual pertencemos (eu e ele). A constatação é dura, porem inevitável: em sua grande maioria, as pessoas que comandam os jornais hoje são burocratas que não se dão ao trabalho de ir buscar as notícias que realmente interessam ao caríssimo leitor. Esse é, diz Geneton, um dos motivos da queda contínua nos índices de leitura pelo mundo afora.

Na era da televisão e da internet, as duas mídias mais poderosas que o homem já inventou, jornais diários limitam-se a reproduzir em manchetes as mesmíssimas notícias que o público já digeriu no dia anterior através dos meios eletrônicos. Que interesse há, por exemplo, numa manchete como “Chuvas em Santa Catarina matam 20” (saiu em vários jornais nesta 2a. feira), quando todo mundo – ou, vá lá, a maioria – já havia lido, visto e ouvido sobre isso no domingo? O mau hábito se repete insanamente todos os dias, nas manchetes sobre economia, esportes, política, enquanto os detalhes que explicam esses fatos, e que deveriam ser a matéria-prima dos jornais impressos, ficam em segundo plano.

Bem, deixo para os leitores a tarefa de entrar no www.geneton.com.br e conferir esse e outros deliciosos artigos do cara. No caso, a definição é perfeita: Geneton é o cara!

E os nossos japoneses…

Estive hoje na Semp Toshiba, onde conheci pessoalmente Caio Ortiz, novo vice-presidente da empresa. Para quem não sabe, Ortiz é um dos principais publicitários do País, co-fundador da agência Fischer&Justus, de Eduardo Fischer e Roberto Justus, que foi fundamental no desenvolvimento da propaganda brasileira nas décadas de 80 e 90. Ortiz, que já havia trabalhado na Semp Toshiba, foi chamado de volta por Affonso Hennel para reestruturar o marketing da empresa.

E já começou a trabalhar, montando uma equipe extremamente profissional e criando – junto com a Talent – uma campanha institucional para revigorar a marca. Embora seja muito identificada com a Toshiba japonesa, a Semp Toshiba é uma empresa nacional (60% pertencem à família Hennel e 40% aos japoneses). Sempre foi muito fechada, e até conservadora, embora trabalhe há anos com a Talent, de Julio Ribeiro, que é uma das agências mais criativas do País. O famoso bordão “nossos japoneses são mais criativos que os deles” pegou de tal forma que ficou difícil associar a Semp à Toshiba.

Agora, dando força à marca STI (que vem de “Semp Toshiba Informática”), a empresa pretende dar um salto em termos de comunicação e marketing. Num momento em que muitas empresas se recolhem com medo da crise, não deixa de ser uma boa notícia.

Top of Mind

Meu amigo de tantas jornadas Nelson Sassaki está comemorando, com toda justiça, o prêmio “Top of Mind”, que sua empresa, a Antares, acaba de receber. O prêmio é concedido pela revista Casa & Mercado, com base numa votação de aproximadamente 300 arquitetos e decoradores, em várias categorias. A Antares, uma das empresas mais tradicionais do setor, foi a mais lembrada nos itens “home theater” e “automação”. Parabéns ao Nelsinho e sua equipe.

Infelizmente, não há muitos prêmios como esse no Brasil, o que só valoriza mais a conquista da Antares. A maioria das iniciativas do gênero escorrega justamente no ponto mais importante: a credibilidade, algo que só se conquista a longo prazo e com muita seriedade. E que nunca deve (ou deveria) ser misturado com interesses comerciais ou pessoais.

Qual game consome mais?

Você é um gamemaníaco? Daqueles que passam horas jogando, até doer as mãos? Pois saiba que você pode estar sendo responsável por boa parte do consumo de energia em sua casa. Se for o seu filho, olho nele!

O recado vem da empresa americana Ecos, especializada em meio ambiente, e do National Resources Defense Council, espécie de ONG dedicada ao mesmo assunto. Segundo o site CNET, eles fizeram testes comparativos com os principais consoles de videogame, para verificar quanto gastam de energia, não apenas quando estão sendo usados mas também quando em standby. Isso mesmo: os pesquisadores concluíram que a maioria dos jogadores tem o hábito de não desligar seus consoles quando interrompem o jogo para, por exemplo, ir ao banheiro ou atender ao telefone.

E qual é o problema desse hábito? Simples: em standby, o aparelho continua consumindo quase a mesma quantidade de energia. Considerando os custos da energia nos EUA, o estudo calculou que o prejuízo pode chegar a 100 dólares por ano (veja a tabela). Dizem eles que o Wii, da Nintendo, é o que consome menos (16 watts) – até aí, nenhuma novidade. O problema é que os dois games concorrentes – PlayStation 3, da Sony, e XBox 360, da Microsoft – consomem demais: 150W e 119W, respectivamente. E não oferecem ao usuário a opção de acionar o desligamento automático. Fui checar com o pessoal da Microsoft Brasil, e eles garantem que a versão brasileira do XBox oferece essa opção no menu.

De qualquer forma, a Ecos e o NRDC querem que os fabricantes incluam esse recurso automático nas próximas versões dos aparelhos. Vamos ver o que eles dizem. Enquanto isso, você aí que gosta de jogar tanto que até esquece a hora de comer, pode dar a sua pequena contribuição desde já: é só desligar seu console quando para de jogar. Simples, não?

Aos interessados, este é o link para o estudo.

Até tu, Google?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As fofocas estão correndo soltas no Vale do Silício, sobre possíveis demissões na Google, a empresa de maior sucesso nos últimos anos. Aparentemente, seria um sucesso tão retumbante que nem mesmo a atual crise afetaria seus negócios. Mas pode não ser bem assim, segundo o jornal Mercury News e o blog Web Guild, que cobrem o dia-a-dia das empresas americanas de tecnologia.

Nesta 2a. feira, o blog literalmente detonou a Google por sua política trabalhista. A partir da informação de uma fonte não identificada de que a empresa teria demitido 10 mil funcionários nas últimas semanas, o blog detalha supostas manobras da Google para driblar o fisco e a legislação trabalhista americana. Um corte desse tamanho seria devastador, considerando que a Google possui, oficialmente, pouco mais de 20 mil empregados. Na verdade, diz o blog, os tais 10 mil infelizes demitidos seriam trabalhadores freelancers, que a empresa classifica em seus balanços como “despesas operacionais temporárias”.

Indo mais fundo na história, Daya Baran, colunista do blog, conta que esse tipo de classificação nada mais é do que uma manobra jurídica para enganar a legislação trabalhista. De um lado, para acionistas e investidores a Google informa que possui somente 20 mil trabalhadores contratados. Com isso, demonstra em balanço um maior grau de produtividade, o que – pelas regras de Wall Street – faz subir o valor das ações. Do outro lado, os 10 mil freelancers trabalham em tempo integral, mas não recebem salários equivalentes, nem os benefícios que a lei garante aos contratados, como plano de saúde e seguro. Além disso, esses trabalhadores temporários mudam de função a toda hora, o que é outra forma de iludir a lei para não caracterizar o chamado vínculo empregatício, como se diz aqui no Brasil.

“Temos trabalhadores demais”, teria dito Sergei Brin, co-fundador e presidente da Google, segundo o blog, que informa existirem funcionários que estão nessa situação de “temporários” há nada menos do que cinco anos…

Bem, agora o outro lado. Esse blog Web Guild pode estar a serviço dos concorrentes da Google (vejam que ridícula a foto que eles dão, dos fundadores da empresa, Larry Page e Sergei Brin, como se estivessem numa sauna gay). Embora o blog informe que a empresa também está sendo afetada pela crise, e que as demissões teriam a finalidade de acalmar investidores, na verdade os últimos balanços oficiais mostram o contrário: a Google continua aumentando seu faturamento e, portanto, não haveria necessidade de cortes.

Quem estará falando a verdade?

Mídia impressa e mídia on-line

Entre as vítimas da crise econômica internacional, já podemos incluir um bom número de publicações impressas que estão deixando de circular. A notícia mais recente refere-se à PC Magazine, uma das mais tradicionais revistas de informática do planeta. Fundada em 1982, teve durante anos edições mensais que pareciam listas telefônicas, com 600 ou 700 páginas, a maioria de anúncios. A editora Ziff Davis comunicou na semana passada que, a partir de janeiro, irá manter apenas o site www.pcmag.com, descontinuando a edição impressa.

Venho acompanhando há pelo menos dois anos – portanto, bem antes da atual crise – esse movimento de migração das mídias tradicionais para as on-line. Nesse período, jornais como The New York Times e Financial Times passaram a disponibilizar na internet todo o seu conteúdo, gratuitamente, diante da evidência de que dessa forma atingem um contingente de leitores muito maior. Faltava ainda o “pulo do gato”: a receita publicitária da internet teria que cobrir os custos. Pelo visto, isso agora começa a acontecer.

No caso da PC Magazine, diz a editora, a receita on-line já representa 70% de todo o faturamento da revista, o que é auto-explicativo. E, pelo que vejo no blog Alley Insider, que discute os negócios da indústria de tecnologia em geral, ninguém irá sentir muita falta do papel. Há os saudosistas, é claro, aqueles que ainda acham que não dá para levar o computador para ler na praia ou na cama, mas estes também parecem ser espécies em extinção.

No Brasil, ouço que algumas editoras estão se antecipando à crise de 2009 e já cortando empregos e até publicações inteiras, com suas respectivas equipes. Ao contrário do que ocorre nos EUA, não estão colocando em seus lugares sites ou outros veículos on-line que possam atender a seus leitores “órfãos”. Uma pena. E talvez uma prova de que ainda não entenderam o que significa a internet.

A internet e os jovens

Estudo publicado nos EUA pela MacArthur Foundation – uma das entidades mais interessantes da atualidade, com grandes trabalhos sociais, mas também nas áreas de meio ambiente e tecnologia – revela detalhes da relação entre os jovens e a web. Os pesquisadores concluíram que, ao contrário do que muitos (eu inclusive) pensam, o tempo que a maioria dos jovens passa navegando, seja em sites, blogs ou redes sociais, é extremamente produtivo. Além de ajudá-los a formar sua personalidade, essa atividade virtual é muito importante para que os jovens se tornem mais confiantes e seguros quando têm que tomar alguma decisão em suas vidas.

Será mesmo? O ponto de partida da pesquisa, que entre 2005 e 2008 entrevistou dezenas de jovens em vários países (pessoalmente e via web), é que as redes de relacionamento em que eles se envolvem hoje são mais importantes em sua formação do que o próprio relacionamento com os adultos, inclusive seus pais. Claro, a pesquisa considera que a maioria se relaciona com pessoas da mesma faixa etária – o que pode ter sido verdadeiro no âmbito do trabalho em si, mas não é necessariamente o que acontece na vida real. Bem, mas essa é outra história.

O importante, na minha opinião, é a constatação de uma mudança de comportamento significativa dos jovens de hoje em relação às gerações anteriores. “A juventude atual também busca afirmação e autonomia, como no passado. Só que, para isso, utiliza meios que nem existiam dez anos atrás, como redes sociais, jogos interativos, sites de troca de arquivos, iPods e celulares. Trata-se de um mundo novo para se comunicar, fazer amigos, se divertir e se exprimir”, diz a introdução do estudo, que pode ser lida aqui.

No mínimo, é uma preciosa fonte para pais, filhos e educadores aprenderem a conviver melhor com esse novo mundo.

 

TV pública vs. grandes redes

Um debate interessante está acontecendo nos bastidores do Congresso Nacional (quem tiver paciência pode até acompanhar parte das discussões, transmitidas na TV Câmara). Trata-se de uma nova lei que obriga as redes de televisão a ceder, gratuitamente, a autorização para que emissoras públicas transmitam determinados eventos. As redes naturalmente são contra. Mas é curioso observar alguns dos argumentos levantados pelas partes.

Segundo o muito bem informado site Tela Viva News, o projeto trata da cessão gratuita de eventos esportivos envolvendo atletas e seleções que representam o País em competições internacionais, quando esses eventos não são transmitidos pela emissora que detém os direitos. A alegação das TVs públicas é que a Globo, por exemplo, adquire os direitos para determinados eventos mas não os transmite; ou seja, quer apenas impedir que a concorrência o faça. É verdade.

Por sua vez, a Globo alega que existem no País muitas emissoras “pseudo-educativas”, que em vez de transmitirem programação cultural fazem proselitismo político e até vendem publicidade fora da lei. Também é verdade. Essas emissoras teoricamente seriam beneficiadas se a lei for aprovada.

Até aí, todo mundo – parece – está falando a verdade. Mas num dos debates travados esta semana no Congresso, representantes das redes extrapolaram. Marcelo Campos Pinto, da Globo, queixou-se de que os promotores de eventos exigem exclusividade nas transmissões, para forçar o preço para cima. Então, quer dizer que a emissora não transmite sozinha os eventos porque quer, mas porque é obrigada??? Já Eduardo Zebini, da Record, sugeriu que as TVs educativas – que não podem transmitir, por exemplo, Olimpíadas e Copa do Mundo – busquem eventos alternativos, como Universíadas e Jogos do Exército!!!

Francamente, não sei se é para rir ou para chorar…

A febre dos netbooks

Este Natal era para ser uma festa dos fabricantes e revendedores de notebooks. Tudo indicava isso. Mas pode não ser bem assim. Pelo menos, não no mercado americano – o maior do mundo. Segundo a revista Business Week, será o “Natal dos netbooks”, os notebooks compactos, mais baratos e mais simples de transportar e operar, que estão roubando boa parte do mercado de seus primos maiores, como diz a revista.

Os números não deixam dúvida: em 2007, foram vendidos 182 mil desses pequenos computadores em todo o mundo, segundo o IDC. Para 2008, a previsão é chegar a dezembro com um total de 11 milhões!!! A crise econômica, por sinal, está colaborando: os netbooks chegam a custar a metade dos notebooks, considerando equipamentos de características semelhantes, e 10% dos consumidores já fizeram sua migração.

Essa notícia não é boa para os fabricantes em geral. Como todo produto de baixo custo, a venda de netbooks é menos lucrativa. Diz a Business Week que, numa reunião recente, o diretor financeiro da Microsoft, Chris Liddell, queixou-se do problema. Netbooks têm baixa capacidade para, por exemplo, funcionar com Windows Vista. Problema também para os fabricantes de chips, como Intel e AMD, pois esses aparelhos utilizam processadores baratos. Todos devem estar se perguntando: como ganhar dinheiro com os netbooks?

Mais uma vez, o tal de mercado pode colocar a indústria contra a parede.

Para quem quiser saber mais a respeito, este link é uma boa referência.

Um jantar de R$ 12 bilhões

Não quero ser chato (e já estou sendo), mas volto aqui a falar de nosso presidente. O motivo é a reportagem publicada na Folha de S.Paulo de hoje por Elvira Lobato, que considero a melhor jornalista brasileira do setor de tecnologia. Elvira levantou junto à Anatel quanto devem as operadoras de celular pela compra das licenças do sistema 3G, que está sendo implantado agora no País. Leia sentado: R$ 3,5 bilhões é o valor da dívida (a Claro, que comprou o lote mais caro, pagou à vista R$ 1,426 bilhão e, portanto, não deve nada).

As outras cinco operadoras – Vivo, Tim, Oi, Brasil Telecom e CTBC – pagaram apenas parte do que deviam e agora alegam que, devido à crise internacional (!!!), não têm como cumprir os prazos de pagamento, que vencem no próximo dia 10. Já comentei aqui a pretensão da Oi, que foi a primeira a fazer essa absurda alegação. Mas agora o movimento toma ares de disputa política. A Anatel, com toda razão, quer seguir as regras do leilão, que dá às operadoras a opção de financiar a dívida em até nove anos (com mais três de carência), pagando juros de 12% ao ano mais a correção pelo IST (Índice do Setor de Telecomunicações).

Pois nem isso as operadoras aceitam. Segundo a reportagem, elas querem simplesmente que o prazo para pagamento sem juros seja estendido por mais 18 meses. Executivos do setor acham que os juros cobrados são muito altos. Interessante, não? Esses juros foram fixados lá atrás, quando houve o leilão das redes 3G, e mesmo assim todos aceitaram participar… Caso o pedido das operadoras seja atendido, o Tesouro (ou seja, nós, contribuintes) arcará com uma renúncia fiscal de R$ 1 bilhão.

Além do paradoxo que seria prestar esse tipo de ajuda a apenas algumas empresas do setor (afinal, a Claro pagou sua parte à vista), a repórter levantou que até mesmo entre elas há divergências – algumas têm o dinheiro para pagar e não querem ficar com a imagem de más pagadoras. Além disso, diz o texto, segundo o Banco Central as operadoras que são ligadas a multinacionais enviaram este ano a suas matrizes um total de US$ 691 milhões em lucros, um aumento de 194% (isso mesmo: cento e noventa e quatro por cento) sobre o ano passado.

Mas por que eu disse que o problema está entrando na esfera política? Simples: esta semana, houve no Rio de Janeiro um jantar do presidente Lula com os presidentes da construtora Andrade Gutierrez e do grupo LaFonte, que são donos da Oi. Como se sabe, as duas empresas foram as maiores financiadoras da campanha de Lula à reeleição, e a Oi tem ainda participação numa sociedade com o filho do presidente. O que teria sido discutido nesse jantar? Seriam, por acaso, os R$ 12 bilhões que a Oi já obteve junto ao BNDES e ao Banco do Brasil para comprar a Brasil Telecom? Ou quem sabe uma ajudinha para pagar a dívida com a Anatel, que no caso da Oi é de R$ 867 milhões?

Uma coisa dá para ter certeza: quem pagou esse jantar fomos eu, você e todos os que trabalham honestamente e pagam seus impostos em dia.

Enquanto isso, por aqui…

Sem que fosse minha intenção, o comentário de ontem sobre Barack Obama coincidiu com o noticiário dos últimos dias sobre Lula. Vejam quanta diferença! De repente, o presidente decidiu desancar a televisão brasileira, que segundo ele é responsável “pela degradação da família”. Não sei se Lula se refere ao baixo nível da programação, ou ao uso político da televisão – o que, aliás, vem a dar no mesmo.

Mas o argumento é bom para se refletir. É difícil encontrar alguém de boa formação que goste do nível geral dos programas de TV. Mas Lula, que não é propriamente um expert no assunto, deveria cuidar de outros problemas que, a meu ver, têm muito mais ligação com a tal degradação da família brasileira. Exemplos? O tráfico de drogas, com a conivência das autoridades; o abandono de crianças na rua; a violência urbana, que já atinge até as escolas; o mensalão e seus derivados; o estado calamitoso das estradas; o caos e a corrupção no sistema de saúde; a pornográfica carga tributária; o loteamento de cargos públicos para amigos e apadrinhados… Precisa mais?

Nosso presidente não tem como interferir na programação das emissoras, a menos que voltemos aos tempos da censura pura e simples. Já quanto aos outros problemas citados, tem não apenas os meios, mas a obrigação de interferir para corrigi-los. Ou será que, em vez disso, ele quer ficar vendo TV?

Presidente high-tech

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Que a vitória de Barack Obama tem muito a ver com a internet, todo mundo já sabe. Obama foi o primeiro candidato a presidente dos EUA a perceber a força das mídias on-line. Montou seu blog e seu website (foto) logo no início da campanha, enviou a maior parte de suas mensagens aos eleitores por e-mail e- claro – contou com a força de seu carisma para aparecer sempre com aquele largo sorriso em todas as telas possíveis. Palmas para ele!

É evidente que a situação a partir de janeiro, quando Obama assume de fato, será bem diferente. Não bastará um sorriso de anúncio de creme dental, nem bilhões de e-mails, se ele não souber enfrentar a terrível crise em que seu país está mergulhado. Mas ele parece bem assessorado nessa área. Um dos efeitos de sua estratégia foi fazer os americanos se interessarem mais por política. O número de abstenções na última eleição foi significativamente menor do que nas anteriores.

Agora, Obama mantém a postura. Segundo a agência Associated Press, além de seu programa semanal de rádio ele fará aparições semanais no YouTube. Aliás, um vídeo gravado especialmente por ele já está lá para quem quiser conferir, entre dezenas de outros.

Espero sinceramente que essa não seja a única diferença entre Obama e os demais políticos.

Saindo de fininho…

Fiquei sabendo esta semana que a Philips não irá participar da CES, em janeiro. Será a primeira vez que a gigante holandesa se ausenta do evento mais importante da indústria. À primeira vista, pode parecer sinal de fraqueza. Mas não é bem assim. A empresa terceirizou todos os seus negócios na América do Norte, e a CES, como se sabe, é um evento muito focado no mercado americano.

Na verdade, o que a Philips fez foi um acordo com a japonesa Funai, que desde meados deste ano tornou-se responsável pela comercialização de seus produtos nos EUA e Canadá. Primeiro, foram os televisores, agora os DVD e Blu-ray players, além de sistemas de home theater. A disputa contra chineses e coreanos, cada vez mais acirrada, parece que não vale mais a pena para os holandeses, que preferem se concentrar em outros segmentos.

Segundo fui informado, a decisão vale apenas para a América do Norte. Não afeta os negócios da Philips na Europa, que sempre foram sua prioridade. Mas é um indicador: a empresa não quer mais perder dinheiro, no que faz muito bem. Quanto ao Brasil e à América Latina, há um enorme ponto de interrogação. O presidente é interino (o titular, Paulo Zottolo, saiu há cerca de dois meses), e enquanto não for escolhido o novo, nada – ou muito pouco – poderá ser feito.