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Desculpem a insistência, mas a quantidade de informações que me chegam do Japão vem sendo grande nos últimos dias. E são coisas importantes. Nesta 6a. feira, consumou-se a reunião que definiu a fusão entre Panasonic e Sanyo, que comentei aqui no início da semana. Para afastar qualquer polêmica ou especulação, os dois grupos divulgaram uma detalhada nota oficial (e não apenas um comunicado enxuto e genérico), confirmando que pretendem mesmo se juntar e transformar a Sanyo em “subsidiária” da Panasonic.

A nota diz que ambas querem intensificar os esforços em favor das tecnologias limpas, o que não é mera jogada de marketing. As duas empresas já têm um belo histórico nesse campo. Um setor prioritário será o de baterias recarregáveis, para celulares, notebooks, câmeras e demais aparelhos portáteis, área em que a Sanyo é líder mundial. “Vamos expandir nossas linhas de produtos e maximizar nossos canais de venda, reduzindo custos e contribuindo para melhorar a vida das pessoas, respeitar o meio ambiente e ganhar maior admiração em todo o mundo”, diz o texto.

A idéia é detalhar esses planos até dezembro.

Aproveitando o comunicado divulgado hoje em Osaka, onde ficam as sedes dos dois grupos, reproduzo aqui alguns números interessantes:

*A Panasonic tem patrimônio superior a 7 trilhões de iênes, o que dá cerca de 70 bilhões de dólares; a Sanyo é bem menor: US$ 16 bilhões.

*O maior acionista individual do grupo Panasonic é o conglomerado financeiro inglês Moxley & Co., com 8,85% das ações. Esse grupo é o dono, por exemplo, do J.P.Morgan, maior banco de investimentos do mundo e um dos poucos que não foi abalado – que se saiba – na recente crise das Bolsas. Por sinal, o Moxley também detém participações na Sony, Honda, Nissan e outras empresas japonesas e chinesas. Outros acionistas da Panasonic são a seguradora Nippon Life e os bancos Master Trust, Trustee Services e State Street, todos japoneses.

*Já as ações da Sanyo Electric Co. são concentradas em dois grupos financeiros (Evolution e Oceans), que detêm 49%. Entre os acionistas minoritários estão o banco Sumitomo Mitsui e o fundo de pensões dos funcionários. Curiosidade: da lista fazem parte também os mesmos bancos Master Trust, Trustee Services e State Street que estão no board da Panasonic.

Isso é que é transparência.

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