Archive | janeiro, 2009

Agora, o iPhone da Dell

Falando em iPhone, a outra notícia quente do mundo da tecnologia nesta sexta-feira é o provável lançamento do primeiro smartphone da Dell, no mês que vem. Quem dá a informação é o prestigioso The Wall Street Journal, que não costuma chutar. Seria um concorrente direto do iPhone, inclusive com tela touchscreen, mas usando as plataformas Android, da Google, e Windows Mobile, da Microsoft.

A empresa não confirmou. Mas a informação faz todo sentido. Segundo o jornal, desde que perdeu a liderança mundial em notebooks para a HP, em 2007, o fundador da empresa, Michael Dell, reassumiu o comando das operações e bolou um plano de crescimento extremamente agressivo. Entrar em outros segmentos seria uma de suas estratégias. Em 2008, ele contratou Ron Garriques, ex-Motorola, que por contrato só poderia trabalhar com smartphones a partir de fevereiro de 2009.

Bem, chegou a hora, certo?

iPhone: menor e mais barato?

Os rumores são fortes no Vale do Silício: a Apple estaria testando uma nova versão do iPhone, menor e mais barata. A notícia circula entre desenvolvedores de aplicativos para o aparelho – há centenas deles, só na Califórnia. O blog MacRumors, por exemplo, diz que especialistas em decifrar os códigos da Apple identificaram a nomenclatura “iPhone 2.1” no aparelho, sendo que a primeira versão tinha o código “iPhone 1.1” e a segunda (3G) era o “iPhone 1.2”.

A própria Apple não confirma nem desmente – aliás, como é seu hábito. Deixa os boatos correrem…

Recomeça o jogo

Nesta quinta- feira, o Senado americano aprovou nova lei adiando o fim das transmissões de TV analógicas. O negócio voltou à discussão por pressão do governo Obama, que quer porque quer o adiamento, de 17 de fevereiro para 12 de junho. Na próxima terça, a Câmara dos Representantes – que já votou contra – deve fazer nova votação. E agora com boas chances de vitória para Obama, porque apenas dois deputados haviam feito a diferença.

O governo americano tem um forte argumento para defender a mudança na data. Não há dinheiro para honrar mais de 3 milhões de cupons que foram emitidos na era Bush, dando direito à compra (com desconto) do conversor digital. Sem esse aparelho, como se sabe, é impossível captar o sinal de TV aberta. Cerca de US$ 1,34 bilhão já foi gasto nessa história de incentivo à TV Digital. O adiamento por quatro meses daria tempo a que todos (inclusive o governo) se preparassem melhor.

Mais um efeito da crise sobre o país mais rico do mundo.

Os novos passos da Globo

O colunista Daniel Castro, da Folha de S.Paulo, dá mais um furo na edição de hoje: a Globo vai investir mais em mídias alternativas. A Globosat foi escolhida para distribuir conteúdos de seus canais pagos via internet, celular, DVD e video-on-demand. Será “a maior frente de investimentos do grupo este ano”, garante o diretor da operadora, Alberto Pecegueiro.

Era mais do que esperado. Todos os grandes grupos de mídia internacionais estão partindo para isso, e no Brasil de hoje (diria até infelizmente) a Globo é a única que tem condições de oferecer conteúdos de qualidade e em quantidade. São mais de 500 horas por mês de produção própria, somando-se aí os canais Multishow, GNT, Globo News e SporTV. Não duvido nada que mais pra frente sejam incluídos na brincadeira programas especiais da própria TV aberta, como shows e mini-séries. É o futuro.

Aliás, a Globosat tinha planos de estrear este ano a programação HD desses canais, mas devido à crise econômica vai ter que esperar: o custo de produzir em alta definição continua muito alto, até mesmo para a Globo. Outro furo de Daniel esta semana foi que a Net prepara uma versão “popular” de seu decoder HD Max, cujo preço atual é de R$ 799.  Considerando a velocidade de expansão da Net pelo País afora, esta pode ser a alternativa da TV Digital brasileira – e não sua versão aberta.

A onda das soundbars

Elas estão chegando. E, parafraseando um antigo anúncio publicitário, pode-se acrescentar: você ainda vai ter uma! Pois é, estou falando das soundbars (também chamadas surroundbars), aquelas caixas acústicas que trazem vários alto-falantes embutidos e que, teoricamente, podem substituir um sistema completo de home theater.

ysp4000sl1Já vi várias delas funcionando, e posso dizer que a sensação de envolvimento é real, embora – claro – trate-se de uma simulação. Uma dessas caixas, da Yamaha, tem nada menos do que 40 (!) falantes. E praticamente todos os fabricantes agora estão lançando pelo menos um modelo, alguns dos quais já à venda oficialmente no Brasil. Na verdade, os falantes dessas caixas não são convencionais. São do tipo “beam”, cuja dispersão sonora é programada em computador e controlada dentro do gabinete. Através de software, consegue-se “domar” as ondas sonoras de modo que se espalhem em várias direções, resultando na tal sensação de envolvimento.

O problema é que esses falantes são minúsculos e sujeitos a muita distorção. Só que a tecnologia evoluiu a tal ponto que poucos ouvidos irão perceber. Sei que muitos instaladores não querem nem ouvir falar desse tipo de produto, mas essa é a realidade do mercado mundial: simplicidade e conveniência acima de tudo. Qualidade de áudio? Bem, essa é outra conversa.

A propósito, estes são alguns dos fabricantes que estão apostando nas soundbars: Polkaudio, B&W, Boston Acoustics, Sherwood, Philips,  Denon e Marantz, além da já citada Yamaha.

Quem é o pior ministro?

Falando em críticas ao País, junto com um amigo economista tentei outro dia listar as maiores bobagens deste governo. Era uma brincadeira levada a sério, pois usamos critérios “objetivos”. A classificação levava em conta principalmente os males que certas medidas fazem ao país como um todo e farão às gerações futuras. Da lista, acabou saindo uma espécie de ranking dos piores ministros que temos aí. Quem quiser votar, fique à vontade:

(  ) Tarso Genro, da Justiça – Negou asilo aos atletas cubanos que vieram para o Pan e agora concede asilo a um terrorista italiano acusado de vários assassinatos.

( ) Celso Amorim, das Relações Exteriores – Foi humilhado pela Bolívia e pela Venezuela, e é ignorado pela Europa e EUA.

(  ) Helio Costa, das Comunicações – Forçou a aprovação do sistema japonês de TV Digital, encheu a Anatel de políticos, prometeu vender 800 mil conversores digitais… Bem, neste caso, a lista é muito longa.

(  ) Miguel Jorge, do Desenvolvimento – Mandou criar a tal “licença prévia” para as importações, felizmente derrubada.

(  ) Carlos Luppi, do Trabalho – Queria (ainda quer) punir empresas que fizessem demissões e nada faz para mudar a estrutura sindical, da qual se beneficia.

Bem, há outros candidatos, claro. Mas acho que já chega!

Brasil, ame-o ou deixe-o

Um leitor que se assina apenas “Bolenca” – engraçado como as pessoas não gostam de se identificar na internet; parece que têm receio de alguma coisa – me convida, gentilmente, a ir embora do Brasil, já que aponto vários defeitos no País e virtudes em outros. Isso, a propósito do comentário que fiz ontem sobre a questão das importações. Essa é uma boa discussão, se puder ser levada em alto nível.

Não me incluo entre os ufanistas que acham que “o Brasil é o melhor lugar do mundo”. Poderia ser, mas lamento, não é. Se pudesse, realmente sair do País seria uma opção a se considerar. Mas sei que é bem diferente conhecer um país como turista, ou a trabalho, e viver lá como residente. Como não tenho escolha, vou ficando por aqui. Isso, no entanto, não me tira (nem a ninguém) o direito de criticar o que julgo errado. Até porque sei que não estou sozinho, pelo número de mensagens que recebo.

Aliás, é só assim que se consegue melhorar as coisas: criticando e apontando soluções. Ou será que o leitor prefere ficar elogiando nossas praias, nossa brava gente brasileira, nossas escolas, nosso governo? Francamente, isso me lembra meus tempos de juventude, quando a ditadura militar criou o slogan “Brasil: ame-o ou deixe-o”. Alguém tem saudades?

Faltam só 20 dias…

Já estava desligando o computador quando chegou a notícia: a Câmara dos Representantes (equivalente à nossa Câmara dos Deputados) vetou agora há pouco a proposta de adiar para junho o swtich-off nos EUA. Só lembrando: esse é o prazo para todas as emissoras de TV desligarem seus transmissores analógicos e passarem a emitir somente sinal digital. Fica mantida a data inicialmente programada: 17 de fevereiro. Portanto, daqui a 20 dias.

Dois dias atrás, o Senado havia votado por unanimidade a favor de um adiamento para 12 de junho. A intenção era dar tempo às famílias que ainda não possuem equipamento digital para se prepararem para a mudança. Nada feito. Essas pessoas – um total estimado em 7 milhões de residências – ficarão mesmo sem ver TV se não atualizarem seus receptores até dia 17.

Como lá (ao contrário daqui) o governo está legitimamente preocupado com os efeitos de suas ações sobre os cidadãos, e o presidente Obama havia defendido ele próprio o adiamento, o que se discute agora é como amenizar a situação das pessoas que podem ficar sem sua forma de lazer e informação preferida, a televisão. O mais provável é que o governo banque a conta, distribuindo conversores a quem provar que não pode pagar. E depois divida esse custo com as emissoras, que são as maiores interessadas.

Nada mais justo.

Tendências para 2009

Institutos de pesquisa internacionais vêm divulgando “estudos” sobre as principais tendências do mercado de tecnologia para este ano.  Já disse aqui que não levo muito a sério esse tipo de pesquisa, mas é fato que algumas tendências são perfeitamente identificáveis.

Conversando com o pessoal do varejo, é fácil perceber que eles apostam nas soluções móveis e compactas como o grande trunfo de vendas em 2009. Aparelhos como smartphones 3G (com receptor 1-seg para sinal de TV Digital), mini-notebooks e dispositivos de memória flash sem dúvida serão cada vez mais procurados. São produtos que reúnem os três requisitos a meu ver mais valorizados pelo usuário de hoje:

*Tamanho pequeno – É o que todo mundo quer, para poder carregar consigo onde for mais conveniente.

*Conectividade – Da mesma forma, todas as pessoas buscam se comunicar em qualquer lugar e a qualquer hora.

*Simplicidade – Poder ligar e operar sem complicações é outro anseio de 10 entre 10 consumidores.

1033167_62762779A propósito, o site americano Cellular News traz uma análise sobre o futuro do mercado de sistemas móveis que confirma tudo isso e muito mais. Ou seja, não estou falando nenhuma novidade. O problema, no Brasil, é saber como essas inovações irão chegar ao consumidor por um preço acessível. E quando nossa infraestrutura de conexões estará preparada para dar conta dessa demanda. Só Deus sabe.

Volta atrás

No final da tarde de hoje, o governo anunciou ter voltado atrás na tal “licença prévia” às importações. Menos mal. A lista de produtos incluídos foi bem reduzida (eletrônicos ficaram fora), depois que um grupo de empresários esteve em Brasilia para questionar a medida. Leio na Folha Online que o pessoal da FIESP está comemorando, mas não sei se é o caso.

Diz a tradição “deste país” que essas decisões são como o famoso bode na sala. Foi colocado lá apenas para dar um susto; quando as pessoas reclamam, retiram o bode. Mas sempre fica a ameaça de trazê-lo de volta. Já foi assim inúmeras vezes. O recado que o governo deixa no ar é o seguinte: se a gente quiser, e se vocês não se comportarem direitinho, podemos voltar com a exigência da licença.

Muito sutil.

WiFi no parque

Boa notícia vem da Prefeitura de São Paulo: três parques da cidade – inclusive o mais famoso deles, o Ibirapuera – terão em breve conexão WiFi gratuita. Lembram que a candidata Marta Suplicy prometeu, no ano passado, se fosse eleita, instalar internet grátis em toda a cidade? Pois é, era pura demagogia. Mas, da forma como a idéia está sendo apresentada agora, parece bem viável.

Nesta semana, começaram a funcionar redes WiFi gratuitas no campus da USP (Cidade Universitária) e no Centro Cultural São Paulo. Segundo os jornais de hoje, muita gente já está usando (e aprovando). É o primeiro passo de um projeto-piloto que deve durar um ano. João Octaviano Machado, diretor da Prodam (Companhia de Processamento de Dados do Município), diz que todos os usuários precisam se cadastrar para usar a rede, pois um dos requisitos é evitar a propagação de crimes virtuais. Perfeito.

Só espero que não aconteça o mesmo do Centro Cultural da Juventude, cuja rede foi inaugurada em 2007 e interrompida no ano passado por falta de manutenção. Também não acho imprescindível que o serviço seja gratuito indefinidamente. As pessoas precisam pagar pelo uso, ainda que um valor simbólico.  É assim que funciona no mundo inteiro, e não há por que se querer fazer benevolência com dinheiro do contribuinte. Importante é que funcione e seja útil a todos.

Os reis da trapalhada

Desde ontem, o noticiário econômico destaca em manchetes a estúpida decisão do governo brasileiro de exigir uma “licença prévia” para liberar importações. Depois que comentei o assunto aqui, vasculhei os sites dos principais jornais e revistas e percebi que o tamanho da besteira é muito maior do que eu mesmo imaginava. É daquelas decisões que talvez não tenham mais conserto, de tantos estragos que pode causar, mesmo que agora o governo volte atrás (no momento em que escrevo, a última notícia é de que alguns setores serão excluídos da tal exigência).

O Valor Econômico dá detalhes interessantes hoje, deixando no ar que os ministros Guido Mantega e Miguel Jorge combinaram tudo sem consultar o presidente. Este, por sinal, havia acabado de conversar com seu colega americano, Barack Obama, justamente sobre a idéia de eliminar barreiras comerciais (e não criar novas). No Estadão, leio sobre os transtornos que a medida já provoca, com empresas cancelando entregas e perdendo contratos por conta de mais essa burocracia. Meu amigo Celso Ming, colunista de peso, simplesmente detona os autores da estapafúrdia idéia, que segundo ele só trará prejuízos (de vários tipos) ao País. Na Folha Online, empresários e analistas de mercado mostram as várias faces da bobagem.

Pior do que isso, mesmo, talvez só aquela idéia de dar asilo a um terrorista italiano. Ou será que ainda veremos coisas piores por aí?

O maior audiófilo do mundo!

Meu colega Robert Harley, editor da The Absolute Sound, escreve em seu blog a história da viagem que fez à China, no final do ano passado. O mais interessante, diz ele, foi ter conhecido um sujeito chamado Ji Hui Li, que lhe apresentaram como “o maior audiófilo do mundo”.

audiophileO título não era de graça. Li mora num prédio – isso mesmo, uma “casa” de sete andares – onde guarda verdadeiro museu de equipamentos de áudio. Harley, que já teve nas mãos praticamente todos os produtos high-end lançados nos últimos 30 anos (e os conhece em detalhes), ficou extasiado. O cara tem centenas de aparelhos. Harley contou pelo menos 100 pares de caixas acústicas, incluindo a preciosidade da foto, uma Martin Logan Statement de mais de 2 metros de altura, e um par de caixas Venture, cujo preço de mercado, nos EUA, gira em torno de US$ 65 mil.

Ficou curioso para conhecer? Clique aqui.

Como é bom consumir!

Nos últimos dias, ouvi de dois representantes do varejo de eletrônicos que a crise ainda não chegou ao setor. Parece que o consumidor ainda não se sente afetado, ou não vem prestando atenção ao noticiário. Melhor assim.

Das explicações que ouvi, a mais convincente é que o brasileiro demora para reagir nessas situações. Claro, quando se trata de comprar um carro ou um apartamento, é mais complicado: uma decisão errada pode levar uma família inteira à ruína. Então, é mais seguro evitar dívidas. Mas eletrônicos fazem parte do dia-a-dia; aliás, até ajudam a enfrentar o stress, pois sempre representam garantia de momentos de lazer em casa (que é mais barato, por exemplo, do que o lazer fora de casa).

Continuam saindo notícias de demissões em vários setores, mas pelo menos dois fabricantes de peso preparam muitos lançamentos para os próximos meses.

Andando para trás

Quando se pensa que o governo “deste país” esgotou seu estoque de idéias ruins, ele sempre nos surpreende. Agora essa história de exigir uma “licença prévia” das empresas importadoras. Como se já não bastassem a excessiva burocracia e a obscena carga tributária, agora quem quiser importar terá que pedir licença, literalmente.

Segundo o jornal Valor Econômico, a medida se aplica a 60% dos produtos importados pelo País. Inclui de roupas a ferro e alumínio, de plásticos a reatores nucleares. No caso específico dos eletrônicos, são citados nominalmente “aparelhos de gravação e reprodução de som e imagem e suas partes e acessórios”. Quer dizer, vale também para componentes, o que com certeza afeta a indústria como um todo.

A explicação oficial é controlar melhor as importações, já que a balança comercial está deficitária. Mas, além de ineficaz – seria melhor incentivar as exportações – essa medida pode gerar represálias dos países que importam do Brasil. Pior: vai na contramão da História, porque a tendência mundial hoje é estimular (e não bloquear) os negócios entre os países.

Faz lembrar os nada saudosos tempos da reserva de mercado, quando o governo vivia publicando esse tipo de lista. Só serviu para manter o país no atraso e estimular o contrabando.

Admirável mundo sem fio

Uma das demonstrações mais interessantes que vi na CES foi no estande da Monster (veja aqui o vídeo). A empresa que é líder mundial em cabos e conectores quer se tornar, também, a primeira em sistemas sem fio, e vem investindo nisso há pelo menos seis anos. Seu fundador, Noel Lee, é um dos que considero visionários da indústria. Detalhe que não pode passar em branco: este ano, com crise e tudo, a empresa aumentou seu espaço no evento.

Bem, vários fabricantes exibiram soluções sem fio, seja na forma básica (sistemas de home theater com caixas acústicas traseiras ou subwoofers acionados por RF) ou em configurações mais complexas. O desafio que todos se colocam é conseguir transportar sinal de alta definição e banda larga via conexão WiFi ou equivalente. Os consórcios Z-Wave e Zigbee trabalham nessa direção, mas por enquanto não há consenso sobre a tecnologia mais confiável. A Monster, por exemplo, adotou uma chamada UWB (Ultra Wide Band).

Mas podemos esperar novidades do WirelessHD Consortium, que reúne alguns líderes mundiais em tecnologia (Intel, Samsung, LG, Sony etc). No mês que vem, o grupo começa os testes do CTS 1.0 (Compliance Test Specification), desenhado para ser a primeira normatização da alta definição sem fio e, portanto, seguida por todos os fabricantes que quiserem usar o logotipo “WiHD”. A denominação 1.0 já indica que essas normas poderão passar por revisões periódicas, como acontece com quase tudo em tecnologia. Mas o Consórcio quer evitar desvios na padronização, para garantir que todos os aparelhos possam “conversar” entre si.

Digamos que este é um excelente primeiro passo.

TV vs. computador

A propósito dessa questão de internet na TV, conversando outro dia com um amigo – especialista no assunto – ele comentava a questão da interatividade na TV Digital. Algo que causa ansiedade em muita gente, mas que, como já comentei aqui, dificilmente irá se tornar realidade tão cedo.

Um dos motivos, segundo esse meu amigo, é que TV e computador são aparelhos diferentes, concebidos para finalidades distintas e que atingem públicos também distintos. Enquanto o computador é trabalho ou pesquisa, TV é entretenimento. Quem liga a TV quer ver show – ainda que seja na forma de um “Jornal Nacional”, em que notícias de tragédias e crimes ganham colorido e até efeitos especiais. Quem vai para o computador quer, antes de mais nada, se comunicar, buscar informação útil para seu trabalho ou estudo; ou então se relacionar, como acontece nos Orkuts da vida.

Outra diferença que acrescento: ver TV é uma atividade compartilhada, algo que se faz entre amigos ou familiares, até para que todos possam depois comentar o que viram. No computador, a pessoa quer mais é solidão; não quer compartilhar o que está vendo ou fazendo. É, portanto, uma atividade necessariamente individual.

Conclusão: não vamos querer misturar as coisas. A tal “TV interativa” pode ser uma bela curiosidade, mas não passa disso.

Alguém discorda?

TV com web, sem PC

Lembro que, há uns cinco anos, alguém lançou no Brasil um produto chamado “WebTV”. Alguns jornais e revistas trataram como a oitava maravilha do mundo, uma verdadeira revolução. Durou menos de um ano e, pelo que soube na época, a empresa responsável simplesmente quebrou.

Hoje, quando o tema volta a ser discutido, é de se perguntar por que, então, não deu certo. Talvez o mundo não estivesse preparado… O fato é que em quase todas as análises que li sobre a última CES a TV com internet aparece em destaque. Concordo que trata-se de uma solução ansiada pela maioria dos usuários. Na verdade, uma idéia simples: em vez de juntar computador e TV (aparelhos que têm finalidades distintas), por que não “embutir” o computador no TV? Melhor ainda: de tal modo que o usuário nem perceba.

Vimos na CES uma série de fabricantes exibindo TVs com capacidade de acessar a web sem ter que passar pelo PC. Acho mais viável do que, por exemplo, emplacar o conceito de media center. Este, com todos os seus recursos, soa complicado para o consumidor médio. Quantas pessoas você conhece que querem ficar diante do TV olhando suas fotos antigas? E quantas organizam seus discos? Não me parece um atrativo interessante.

Agora, se eu puder baixar filmes e vídeos da internet e assisti-los na hora, com boa qualidade, sem ter que levantar do sofá, aí sim a brincadeira passa a ser interessante, certo? Claro, temos ainda um longo caminho a percorrer. No mercado internacional, espera-se que os primeiros TVs desse tipo cheguem no meio do ano. Vamos ver a que preço. Se a recessão mundial se prolongar, pode até ser um furo n´água!

Tomara que não.

Curiosamente, pesquisando o verbete “WebTV” no Google, encontrei estas preciosidades:

“A primeira webTV espírita do mundo”

Canal de TV pela internet (grátis)

Listagem de canais de TV web do mundo inteiro

Canais de TV web em Portugal

Mais de 15 mil canais de TV em streaming

Como se enxergava a webTV em 1997!

E por aí vai… Como se vê, o que temos agora é apenas aperitivo!

Imprensa (in)dependente

O governo francês anunciou ontem um pacote de 600 milhões de euros para ajudar empresas jornalísticas em dificuldades. Parece que virou moda: bancos, montadoras de automóveis, siderúrgicas… todo mundo aproveita a desculpa da crise para pedir socorro aos cofres públicos. Como se vê, não é só no Brasil.

O problema é que estamos falando de mídia. O pacote inclui, por exemplo, 100 milhões de euros em publicidade oficial nos sete principais jornais franceses. E nenhum governante resiste à tentação de comprar a mídia. Segundo o jornal Le Monde, o presidente Nicolas Sarkozy afirmou: “Espero que essa ajuda não seja entendida como um atentado à independência dos jornais”. Infelizmente, presidente, será sim. Vai ser difícil alguém ler uma notícia favorável ao governo e não desconfiar.

O único consolo – se é que posso usar essa palavra – é que tudo está sendo feito à luz do dia, com a possibilidade da opinião pública fiscalizar, inclusive usando para isso a força da internet. No Brasil, sabe-se que existem vários jornais e revistas “comprados” pela publicidade oficial, mas tudo corre nos bastidores. E, com exceção deste ou daquele blog, funciona uma espécie de pacto de autoproteção, em que nenhum veículo comenta as falcatruas do outro. O resultado são as tais pesquisas que medem os índices de popularidade dos governantes, sempre em alta.

Como sempre, cabe ao leitor ficar mais e mais atento.