Archive | fevereiro, 2009

Adeus a Sintra, com “S”

p1070794bHoje à tarde, terminado o evento da Philips, fomos conhecer a cidadezinha de Sintra – sim, estava escrevendo errado todos estes dias. “Cintra” é o nome antigo. Hoje, os locais fazem questão do “S”. Subimos de carro até o Palácio de Pena (foto), lá no alto, uma fortificação do tempo em que os mouros dominavam Portugal; e descemos a pé até o centro da cidade, uma caminhada de 3 quilômetros por entre pedras e escadas que devem estar ali há milhões de anos…

Foi uma bela despedida. A cidade é um encanto e, para quem vier a Lisboa, é um passeio obrigatório, pois está a apenas 30km. Aproveitando a estada em Portugal, este blog vai tirar uma semana de “férias”, bem longe do Carnaval. Na volta, dia 2 de março, prometo contar mais novidades sobre o que a Philips mostrou aqui, e que não foi pouca coisa.

Até a volta.

Em busca do áudio perfeito

Será que isso existe? Hans Van´t Riet, diretor da Philips, perguntou a alguns dos 130 jornalistas convidados da empresa aqui em Portugal. Queria saber como fazer para levar a Philips a uma posição de liderança em áudio, assim como mantém em TVs. Ninguém tem a resposta.

Seus argumentos: a Philips foi das primeiras a produzir aparelhos de rádio, na década de 30; inventou a fita cassete (anos 60), o CD (anos 80) e o SuperAudio CD (anos 90). Tem, portanto, uma íntima relação com o desenvolvimento do áudio. Mas colegas de outros países lembraram o óbvio: para ser reconhecida como uma marca nobre nessa praia, a Philips (ou qualquer outra empresa) precisa investir muito em pesquisa, produzir caixas acústicas e/ou amplificadores acima de qualquer suspeita e conformar-se em vender menores quantidades. Afinal, tudo isso custa caro, e não são muitos os consumidores dispostos a pagar. A maioria, aliás, compra mesmo pelo preço.

Quando foi minha vez de falar, disse a Hans que é fundamental também um trabalho mais consistente junto aos revendedores especializados, que deveriam inclusive ser convidados a eventos como este – fiquei sabendo depois que alguns do Brasil foram, na semana passada, mas não sei quais. Um colega da Noruega lembrou ser impossível um fabricante que só lança sistemas integrados ser reconhecido como “high-end”, no que também concordei.

mci500hfrontb1Hans então nos deu a notícia: a Philips planeja começar a fabricar suas próprias caixas acústicas, seguindo os máximos requisitos técnicos, e lançá-las em sistemas avulsos, aos pares, para compor salas de áudio estéreo. Por enquanto, não há data para isso. Mas o primeiro passo já foi dado, com o lançamento do MCi500 (foto), equipamento que capta áudio MP3 do computador (sem fio) ou de um iPod, processa, amplifica e distribui para duas caixas bookshelf.

É um começo. Mas, para chegar a high-end, ainda há um longo caminho pela frente.

Comparando, de novo

Comentei ontem que a comparação entre os TVs Philips, Sony e Samsung não tinha dado muito certo (para a Philips), e eis que hoje Danny Tack, diretor técnico do Centro de Pesquisas da Philips, nos deu uma aula sobre TVs. Já tinha conversado com ele, anos atrás, durante o lançamento da linha Ambilight, mas agora a conversa foi mais fundo. Danny trabalhou bastante: hoje pela manhã, os TVs estavam reafinados e a imagem do Philips me pareceu bem melhor. Comentei com ele o que tinha visto na véspera e ele ficou meio sem graça. Fazer o quê?

O fato é que os TVs Philips mostrados aqui neste evento são da linha 2009, enquanto os concorrentes são do ano passado (ainda não saíram as linhas 2009 da Sony e da Samsung). Então, a comparação fica prejudicada – o próprio Danny admite. Mas as especificações divulgadas pela Philips são animadoras. O tempo do resposta dos novos LCDs de LED chega a 1 milisegundo, contra 4 ou 5ms dos demais. A gama de cores (color gamut) aumentou sensivelmente, assim como a taxa de contraste: 5.000:1 na medição estática (a que realmente interessa) e 5.000.000:1 na dinâmica – isso mesmo: 5 milhões por 1.

Com essa nova linha, a Philips está introduzindo uma série de novos processadores de imagem, destacando o Perfect Pixel HD, um avanço em relação ao Pixel Plus que a empresa lançou três anos atrás. E, para quem está curioso em saber se o TV Cinema 21:9, com tela superwide, virá com conteúdos especiais em 2.39:1, a resposta é: não. Isso vai ficar por conta dos estúdios. Por enquanto, quem comprar o aparelho – que sai na Europa em maio – vai ver seus filmes 16:9 “esticados” em cima, embaixo e nas laterais.

Mas, pelo que vimos aqui, esses “esticões” em nada comprometem a imagem. O TV é mesmo um espetáculo.

Um pouco de história

No jantar depois da demonstração da Philips, eu e meus colegas brasileiros aqui presentes pudemos conversar bastante sobre nossa profissão e sobre algumas figuras que deixaram marcas nas redações por onde passaram. Cada um tem pelo menos uma boa história para contar. E todos lamentam o fato de que o jornalismo cada vez mais dá lugar à picaretagem, às vezes disfarçada de relações públicas ou qualquer outro nome que se queira dar.

Um dos personagens citados recebeu, para teste, um carro fornecido por uma montadora, que deveria ser devolvido depois de algumas semanas. Não apenas não devolveu como simplesmente VENDEU o automóvel. Você não leu errado: o tal “jornalista” negociou o carro que não era seu, na maior cara de pau.

Outro colega, editor de um grande jornal, fez acordo com uma rede varejista de eletrônicos para publicar uma série de matérias sobre equipamentos à venda nas lojas da rede; em troca, equipou toda a sua casa com o melhor da tecnologia. Outro ainda, editor de uma grande revista de negócios, ao ser convidado para uma viagem ao Japão, revoltou-se porque a passagem não era de primeira classe. E deu a ordem para que ninguém mais na editora aceitasse convites desse tipo, política que se mantém até hoje.

Uma revista de turismo publica todo mês que não aceita convites para viagens pagas por companhias aéres ou agências em geral. Além de ser mentira (sei através de pessoas lá de dentro), é uma enorme bobagem: implica dizer que seus repórteres, se aceitassem ter as despesas pagas por outra empresa, dariam em troca somente informações favoráveis. Quem garante? Eu mesmo, aqui em Portugal a convite da Philips, não sofro nenhum tipo de pressão ou limitação no meu trabalho; e sei que os colegas aqui presentes também não sofrem. Nem deixariam que isso acontecesse impunemente.

Já perdi a conta das pessoas que tentei entrevistar e que perguntaram quanto custava a entrevista, sabendo que outros jornalistas cobram por isso. Há também aqueles que ameaçam seus anunciantes com matérias desfavoráveis, caso ousem não publicar seus anúncios. E por aí vai.

Lembrei então de uma história que me aconteceu nos anos 70, quando ainda iniciante no jornalismo. Trabalhando na editoria de cultura do Jornal da Tarde (SP), caiu-me nas mãos o texto de um colunista do jornal, com a recomendação do editor para que eu corrigisse “todos os erros”. Quando fui ver, o autor era um certo Carlos Drummond de Andrade (que, aliás, se assinava simplesmente “C.D.A.”) E lá fiquei eu, tentando achar erros no texto do homem. Claro que não encontrei nenhum, apesar das advertências do meu editor. Mas ficou a lição. Jornalismo é coisa séria, e com coisa séria não se brinca.

Infelizmente, muitos ainda não aprenderam essa lição.

O risco das comparações

O Brasil tem sido muito citado pelos executivos da Philips durante o evento mundial que estamos presenciando aqui em Portugal. Primeiro, por estar no grupo dos “emergentes”, nos quais a empresa aposta suas fichas para os próximos anos. Depois, por ter sido escolhido como uma espécie de “área de teste” para produtos que a Philips não lançou em outros territórios, como notebooks e players para carro.

Mas o que me chamou mais atenção foi a referência de Nils Leseberg, vice-presidente da área de TVs da Philips, à campanha levada ao ar no Brasil no final do ano passado, em que Ivete Sangalo apresenta os resultados de um teste comparativo entre TVs das marcas Philips, LG, Samsung e Sony. Como os leitores devem se lembrar, o teste foi assinado pelo Ibope, que teria ouvido 1.000 usuários e estes escolhido o modelo Philips como o melhor de todos. A pesquisa foi citada aqui, diante de jornalistas do mundo inteiro, como prova da superioridade da marca. E o vídeo com Ivete foi visto por todos os jornalistas presentes.

Até aí, tudo bem. Se a Philips tem esses dados, deve mesmo divulgá-los por todos os meios. Curioso é que, numa das salas de demonstração montadas aqui em Portugal, a empresa colocou lado a lado um de seus TVs LCD com modelos similares da Sony e da Samsung. A idéia era provar que o TV Philips é mesmo melhor. Mas, depois de examinar várias imagens nos três aparelhos, por cerca de 10 minutos, cheguei à conclusão de que a imagem do Sony está melhor do que a dos outros dois! E que o da Samsung está melhor do que o Philips.

Claro, posso estar equivocado. Já vi dezenas de comparações desse tipo e sei que o sinal pode ser manipulado à conveniência de que monta o cenário. E usei apenas os meus dois olhos, não os de 1.000 convidados do Ibope. Mas que esse tipo de comparação é complicado, lá isso é.

Quanta ignorância!

Enquanto esperávamos pela apresentação do TV 21:9 da Philips, eu e meus colegas brasileiros que aqui estão discutíamos como cada um gosta de passar suas horas vagas. Melhor: conversávamos sobre a relação de cada um com a televisão, que é – embora muitos sejam contra – a mãe de todas as formas atuais de entretenimento.

Pois é. Descobri que sou um completo ignorante em matéria de televisão. Meus colegas se divertem comentando em detalhes cenas inteiras dos seriados americanos, como Friends, Lost, Gossip Girl e C.S.I. E eu, que assisto pouco televisão, tive que ficar ouvindo sem entender nada. Mais ou menos como quando o assunto é música pop atual, na qual sou absolutamente desinformado.

Lembrei então de um amigo que anos atrás acordou num sábado sem ter o que fazer e resolveu ligar a TV. Acabou ficando o dia inteiro parado na frente na tela, zapeando sem gostar de nada do que via, mas também sem disposição para desligar e tentar outra ocupação. Resultado: de tão enfurecido com a situação, pegou um martelo e simplesmente destruiu o tubo de imagem. Isso mesmo: a marteladas!!! E jurou para si mesmo que nunca mais compraria um TV.

Até que sua mulher chegou em casa e fez o meu amigo dar a última palavra: “Sim, senhora”. No dia seguinte, a TV nova estava na sala. E o martelo, este sim, tinha ido para o lixo.

Enfim, aqui está ele.

p1070656cA foto não é das melhores, foi feita às pressas e com iluminação precária. Mas dá para ter uma idéia. A Philips demonstrou na noite desta quinta-feira dois exemplares do novo TV LCD Cinema 21:9, lado a lado com um modelo convencional, de tela widescreen 16:9. E o resultado foi que todo mundo ignorou o TV do meio… De fato, num mini-cinema de uns 40 lugares, o TV super-wide de 56″ fez bonito. Nada de distorções, apesar de sabermos que a imagem é artificialmente “esticada” nas laterais, já que o filme era um Blu-ray comum.

Vejam aqui o vídeo.

Speak português???

É curioso estar num país onde se fala em português e descobrir que muita gente simplesmente não fala esse idioma. Isso mesmo. Nos colocaram num magnífico hotel nas montanhas, construção do século 16, mas muitos dos atendentes são estrangeiros. E alguns só se dirigem aos hóspedes em inglês! Uma garçonete me pediu desculpas, mas por ser polonesa não tem a menor intimidade com o idioma de Camões. Teve até um garçom brasileiro que, ao chegar a nossa mesa (só de brasileiros), ficou falando em inglês. “Estou condicionado”, desculpou-se.

Confirma-se, assim, que o inglês virou mesmo lingua universal. Quando têm de falar com alguém, na dúvida eles preferem um “Good Morning” do que um belo “Bom Dia”. E, quando descobrem que estão falando com um brasileiro, ficam totalmente sem graça.

Coisas da globalização.

Mantendo o suspense…

Dos cerca de 130 jornalistas que a Philips convidou para seu evento aqui em Portugal, duvido que algum deles não esteja ansioso para ver o TV Cinema 21:9. Pois é, eu também estou. Mas estão mantendo todo mundo em suspense. Já vimos quase tudo, e só um pouquinho da tal “tela de cinema”.

Mas, respondendo à pergunta do leitor Rubens, já sei que o aparelho amplia, sim, a imagem widescreen convencional para preencher a largura da tela. A resolução do bichinho é de 2.560 pixels horizontais (por 1080 verticais), ou seja, maior do que o Full-HD que conhecemos.

Vamos ver esta noite o resultado disso na prática.

Os números do mercado

Outra notícia que vi hoje na internet, esta um pouco mais animadora, refere-se ao balanço das vendas do setor eletrônico em 2008. Segundo a ABINEE, o mercado cresceu 10% no ano passado, apesar da queda no final do ano, faturando ao todo R$ 123 bilhões.

Os setores que mais cresceram foram os de telecomunicações (onde se incluem os celulares), com 18%, e de informática (12%). E os que mais caíram foram os de componentes (6%) e de eletrodomésticos (7%). Para 2009, a previsão é mais modesta, claro: apenas 4% de crescimento. A ABINEE, como quase todo mundo, imagina que as vendas de celulares este ano serão bem menores, apesar da chegada da geração 3G e dos smartphones.

Interessante é o que está acontecendo com os computadores. Em 2008, foram cerca de 12 milhões de unidades vendidas, mais que o total de televisores, que não consegue passar dos 11 milhões (por sinal, o site da Eletros, que deveria divulgar esses dados, está sem atualização desde novembro!). Na divisão do segmento de informática, os desktops representam 64% e os notebooks já são 36% das vendas, com tendência de crescimento. Não duvido nada que, ao final de 2009, os portáteis sejam mais de metade do total – como já acontece nos mercados maduros.

Piadas prontas

Não deixa de ser simbólico estar em Portugal e ler, na internet, uma notícia como esta: “Ex-chefe do combate à pirataria preso com discos piratas”. Me faz lembrar o genial José Simão e suas piadas prontas. O Brasil, como diz ele, é o país das piadas prontas!

Os portugueses podem se dar ao luxo de contar essa história como “piada de brasileiro”. Pena que, para nós, brasileiros, não tem a menor graça. A notícia está hoje no IDG Now: o “empresário” Carlos Gomes, de Goiânia, foi preso pela Delegacia de Repressão a Crimes contra o Consumidor com mais de 5 mil CDs e DVDs piratas em sua loja, na capital de Goiás. Anos atrás, Gomes foi presidente da Associação Goiana de Combate à Pirataria de CDs e DVDs. Muito bonito, não! A denúncia havia sido feita por uma cliente que comprou um CD do cantor Amado Batista. Ao pedir ao artista um autógrafo, ela ouviu a resposta: “Não autografo CD pirata”.

Dá para imaginar a cara da moça. O pior: pela lei, Gomes deveria pegar pena de dois a quatro anos de detenção. Alguém acredita nisso?

Quando os nerds atacam

gatesDurante o trajeto até Cintra, um assunto que agitou nosso grupo foi a existência de tantos nerds entre os jornalistas especializados em tecnologia. Sou mais veterano, comecei num tempo em que a palavra “nerd” nem existia. Hoje, parece, ela perdeu aquele seu tom pejorativo – nerd era sinônimo de imbecil – para definir a pessoa que é fissurada, mas fissurada mesmo, em tecnologia, particularmente em informática.

Pois bem, há vários deles escrevendo em publicações especializadas ou criando seus blogs pessoais para tratar do assunto. Isso em princípio é ótimo. É gente antenada e que certamente tem muito a contribuir. Mas alguns extrapolam. Conheço um que não pode ouvir falar de novidades que já quer logo comprar. Pode ser um smartphone de “ultimíssima” geração, um HD com X Terabytes de memória, um monitor com tempo de resposta zero (claro, estou brincando, esse produto ainda não existe, mas certos nerds parecem ansiosos, a sério, pelo lançamento!)

Essa “nerdice” pode descambar facilmente para a rabugice – também conheço alguns assim. São aqueles que se metem a criticar tudo que sai de novo, como se os fabricantes fossem uma espécie de Darth Vader querendo nos dominar a todos. Vade retro! O leitor precisa ficar atento. Tecnologia é uma coisa boa, desde que voltada para melhorar a vida das pessoas – e não apenas dos nerds.

E cá estamos nós…

homepage2Daqui de Cintra, a 30 quilômetros de Lisboa, nos preparamos para conhecer a nova linha de produtos Philips, que será apresentada nos próximos três dias a jornalistas do mundo inteiro. Do Brasil, estamos apenas eu e meus colegas Renata Mesquita, do blog Zumo, e Fabio Sabba, do Gizmodo Brasil. Agradáveis companhias.

Ainda não vimos nenhum produto, mas já sabemos que entre as novidades estão:

*O novo TV LCD Cinema 21×9, que já comentei semanas atrás.

*O Net TV, primeiro modelo da Philips com acesso direto à internet (ambos devem chegar ao mercado internacional no meio do ano).

*Um novo Blu-ray player

*Uma dock-station para iPhone com viva-voz

*E uma série de produtos nas áreas que a Philips chama de health-care, além de eletrodomésticos variados.

A partir de amanhã, conto tudo aqui.

Um pulo na Terrinha

Hoje à tarde embarco para Portugal, a convite da Philips, que fará na cidade de Cintra um encontro com jornalistas de vários países para mostrar seus novos produtos. A revista HOME THEATER & CASA DIGITAL será a única publicação impressa brasileira presente, o que muito nos honra. Aqui neste blog e também no portal hometheater.com.br vamos mostrar o que encontrarmos de novidades nesse evento.

Fiquem ligados!

Na era do exabyte

atomVocê sabe quanto é 1 exabyte? Confesso que eu nem sabia que essa palavra existia, até ler, na semana passada, as projeções da Cisco Systems para o volume de tráfego nas redes móveis mundiais nos próximos anos. O tal Xb (acho que essa será a abreviatura) equivale a 1 milhão de gigabytes. Segundo a Cisco, esse será o total de dados transmitidos através de dispositivos móveis em todo o mundo, por mês, em 2.012.

Não sei de onde eles tiram essas previsões, mas o fato é que a empresa americana diz estar se preparando para uma enxurrada de informações. Segundo o The New York Times, 1Xb foi o volume trafegado, em todas as redes (móveis ou fixas), durante o ano de 2004!  Os dados da Cisco indicam que mobilidade, conectividade e interatividade serão os principais atributos dos equipamentos de comunicação daqui por diante. Um único smartphone irá trafegar o equivalente a 30 telefones comuns; e um notebook 3G será como se 450 celulares estivessem funcionando ao mesmo tempo.

Para dar vazão a todo esse volume – que inclui dados, voz, fotos, vídeos (inclusive em HD), transmissões de web radio e tudo o mais que você possa imaginar – os fabricantes de chips estão lançando este ano uma nova geração de processadores. Segundo a reportagem, os mais qualificados para uso em dispositivos móveis seriam o Atom, da Intel; o Snapdragon, da Qualcomm; e o Tegra, da NVidia.

Será que seremos capazes de absorver e utilizar tanta informação?

Eternamente otimistas

Interessante matéria saiu neste fim de semana no site da Reuters. O correspondente da agência no Brasil descreve o comportamento dos brasileiros em relação à crise, comparando-o com as reações de outros povos. Não escapa nem o velho jargão do “país do carnaval, do samba e do futebol”.

Deve ser assim que os estrangeiros estão nos vendo, neste momento em que o mundo quase todo entra em depressão. “Crise? Que crise”? disse o presidente Lula, segundo o repórter, apesar do aumento do desemprego. Depois de percorrer shopping-centers e se surpreender com o movimento, ele ouviu gente da rua e especialistas, para chegar a três explicações diferentes para esse eterno otimismo:

1) Causas naturais: o brasileiro parte do princípio de que “o futuro a Deus pertence”. Então, o negócio é relaxar.

2) Estamos menos expostos à crise global, porque nosso nível de comércio internacional é ínfimo: somente 22% do PIB, metade do México, por exemplo.

3) A força do hábito: estamos tão habituados às crises que elas nem nos impressionam mais. Nossa tendência é fingir que elas nem existem.

Pessoalmente, me inclino a acreditar mais nesta última hipótese. É mais ou menos como aquelas pessoas que moram numa casa no morro sabendo que ela pode cair a qualquer momento. Mas se recusam a sair de lá. Tendo novela, futebol e carnaval, o resto a gente vai levando.

Celular com energia solar

samsung-blue-earth2Demorou, mas aconteceu: a Samsung está demonstrando esta semana, no Mobile World Congress, em Barcelona, seu primeiro smartphone alimentado por energia solar. Batizado provisoriamente de Blue Earth (“terra azul”), o aparelho é, por assim dizer, todo verde. Feito de material reciclável – uma liga plástica produzida a partir de garrafas do tipo PET – tem ajuste de brilho da tela e backlight para diminuir o consumo de energia. Segundo a Samsung, 10 a 12 horas de exposição ao sol garantem energia para 4 horas de uso – o painel solar fica na parte de trás do aparelho, finíssimo (foto).

Curiosidade: para dar um ar ainda mais “eco” ao produto, a Samsung incluiu um “sensor de caminhada”, que informa ao usuário quanto CO2 ele está deixando de jogar na natureza ao caminhar em vez de dirigir. Ninguém falou, mas acredito que esse dispositivo se desliga automaticamente – envergonhado – quando o sujeito usa o celular ao volante.

Em tempo: a LG também está exibindo em Barcelona um smartphone do gênero, mas ainda como protótipo; a Samsung promete lançar o seu na Europa no segundo semestre.

Contra qualquer protecionismo

No momento em que ativistas no mundo inteiro defendem medidas protecionistas dos governos para proteger seus empregos, merece aplausos a postura da CEA (Consumer Electronics Association), que na última sexta-feira divulgou comunicado contra eventuais leis protecionistas do governo Obama. Como se sabe, há hoje uma acirrada disputa nos meios políticos e empresariais dos EUA, com forte apelo nacionalista. A idéia – que Obama acatou, em parte – é criar mais barreiras aos produtos importados e à contratação de trabalhadores estrangeiros, dando prioridade ao que é americano.

A campanha ganhou o nome de “Buy American” e conta com forte apoio de sindicatos (sempre eles!), empresários e políticos, principalmente os republicanos, que querem porque querem tumultuar a nova administração. Em meio à maior recessão das últimas décadas, Obama tende a aceitar parte dessas pressões. O pacote financeiro aprovado pelo Congresso na semana passada (e que o presidente ainda precisa assinar) inclui medidas como a obrigatoriedade de se usar aço, ferro e produtos manufaturados produzidos no País em todo projeto de obra pública.

A CEA antecipou-se à decisão de Obama e mandou o recado: é contra qualquer tipo de protecionismo! “Isso sinaliza para nossos parceiros comerciais que os EUA estão voltando aos velhos tempos do nacionalismo econômico”, diz o comunicado da entidade. “Em vez de estimular a economia, esse tipo de medida só irá causar retaliações e poderá custar milhares de empregos dentro do País”.

E conclui: “Se fecharmos nossas fronteiras ao comércio internacional, vamos agravar ainda mais a recessão mundial. E isso no futuro irá se voltar contra nós mesmos”.

Infelizmente, idéias protecionistas estão em discussão em vários países. Não sou economista, mas de tudo que já li a respeito aprendi uma coisa: protecionismo nunca fez bem a país nenhum. Espero que Obama não caia nessa.

Notebook roubado? Não desista.

Notícia que vi hoje no site Info Online revela um trabalho interessante da empresa NotePolice. Eles dizem ter desenvolvido um software especial para rastrear notebooks roubados. O serviço chama-se “Notebook Guardian”. Por R$ 90 mensais, o cliente da empresa manda instalar um software oculto e tem direito a apoio judicial no caso de seu aparelho ser roubado. Quando o ladrão liga o notebook à internet, o software se comunica com a NotePolice, informando o IP da conexão. Sem saber, o espertinho estará então sendo procurado e – se tudo der certo – localizado e preso. Segundo a empresa, o software rastreia aparelhos em qualquer lugar do mundo, mas o serviço só funciona se o computador roubado estiver no Brasil.

Melhor de tudo: se em 60 dias o notebook não for encontrado, eles devolvem o dinheiro já pago.

Esta é daquelas notícias tão boas que é difícil de acreditar que seja verdade!

Menos surpreendente, ainda dentro do assunto notebooks, é esta que circulou hoje na imprensa: o mercado cinza de notebooks voltou a crescer. Em 2008, os aparelhos contrabandeados representaram 35% de todas as unidades vendidas no País, segundo a Receita Federal. Não sei como é feito esse controle, mas é fácil de ver, pelas máquinas que circulam por aí (inclusive as comercializadas pela internet), que o produto nacional não está com essa bola toda.

A informação foi prestada pelo IBL (Instituto Brasil Legal), criado por fabricantes de diversos setores para monitorar a pirataria e o contrabando. Segundo Edson Vismona, presidente do IBL, em 2008 a Receita registrou um total de 152.537 notebooks entrando no País; só que, pelas contas dos fabricantes, foram vendidos 728.972 aparelhos! Por onde teriam entrado os outros 576.435?

Veja aqui a notícia completa.