Archive | março, 2009

Reconstruindo o mercado

Conversando no último fim de semana com um amigo que trabalha no setor imobiliário, ele me revelou que sua empresa – voltada a condomínios horizontais de alto padrão – teve em 2008 o melhor ano de sua história, que começou em 1995. Isso, até setembro, quando veio a crise. Outubro, novembro e dezembro foram meses praticamente parados. A surpresa veio em janeiro, que foi melhor do que o início de 2008. E continuou assim em fevereiro e março. 

Leio as notícias sobre reaquecimento do setor de construção civil e sou levado a juntar as duas coisas. O segmento imobiliário pode estar entrando numa fase de, literalmente, reconstrução. Se for assim, ótimo para o setor de sistemas residenciais, que sempre sofre quando caem as vendas de imóveis. Talvez o consumidor tenha percebido que manter seu dinheiro eternamente aplicado é um hábito que envolve altos riscos, como acaba de ser provado mundialmente. Melhor, então, investir em imóveis novos, ou na reforma do imóvel usado. 

Tomara que esse raciocínio esteja certo.

Mais um negócio suspeito

O excelente repórter e blogueiro Renato Cruz revela que a Oi está prestes a se envolver em mais um negócio no mínimo polêmico: a compra da Eletronet. Confesso que já tinha me esquecido desse verdadeiro elefante branco. A Eletronet foi resultado de uma megalomania dos tempos pré-privatização. Na época, os manda-chuvas do setor mandaram fazer uma rede de 16.000 quilômetros de fibra óptica, que cobre praticamente o País inteiro, do sul ao nordeste. A idéia era criar uma base para serviços de banda larga, internet etc. Para isso, foram contratadas duas gigantes (Furukawa e Alcatel-Lucent), que montaram a rede toda.

Acontece que a Eletronet faliu, com uma dívida estimada hoje em R$ 600 milhões (veja aqui um pouco dessa história). O controlador da empresa, financiada com dinheiro público, chama-se Nelson Santos e – segundo o repórter – tem ligações bem estreitas com um certo José Dirceu! Se você pensou que o governo está querendo “comprar de volta” a empresa, acertou. Em 2007, a Casa Civil tentou obrigar o Serpro a assumir o controle, mas os diretores do órgão pularam fora ao ver que aquilo cheirava mal. Agora, existe a Oi para assumir, e é o que está prestes a acontecer.

A pergunta que fica no ar é esta: será que a Oi, que já levantou junto ao governo mais de R$ 12 bilhões para comprar a Brasil Telecom, vai contar com ajuda oficial de novo? Bem, o Tesouro já depositou em juízo R$ 300 milhões para retomar a Eletronet. Não custa nada agora repassá-la à Oi. É só questão de tempo.

Brasil high-tech

A nova edição da pesquisa “O Futuro da Mídia”, divulgada na última sexta-feira pela empresa especializada Deloitte, dá um perfil detalhado do comportamento dos brasileiros em relação à internet e a vários aspectos da tecnologia em geral. Segundo a empresa, foram entrevistadas cerca de 9 mil pessoas em cinco países (EUA, Grã-Bretanha, Japão, Alemanha e Brasil), sendo que aqui os pesquisados foram 1.022 brasileiros. 

Como já se sabia, o Brasil é destaque entre os países que mais utilizam a internet e que mais assistem TV – daí porque também ter sido incluído no levantamento. Vou analisar com calma os números (a pesquisa é muito extensa), mas já deu para anotar algumas revelações:

*O brasileiro passa na web um tempo três vezes maior do que vendo TV. Isso mesmo: são 32 horas e meia por semana conectado, contra “apenas” 9,8 horas dedicadas à telinha. Vendo esses dados, me lembrei de que antigamente chamava-se a televisão de “máquina de fazer doido”. Como, então, deveria ser definida a internet?

*A maioria (55%) dos brasileiros entrevistados diz que passa a maior parte do tempo vendo filmes na televisão; 53% dizem que preferem a web. A faixa etária que mais vê filmes é a de 45 a 54 anos. 

*Uma maioria bem mais expressiva (82%) afirma que hoje o computador é mais importante, para entretenimento, do que a TV.

*Entre os aparelhos eletrônicos mais comuns no Brasil, a ordem é esta: celular, 92%; DVD, 88%; rádio, 86%; TV, 79%; computador (de mesa), 74%. Aqui, sou obrigado a desconfiar: como explicar que haja mais gente com DVD do que com TV?

*Detalhes importantes: 13% já têm media center (ou algo similar), 17% têm algum tipo de PVR (Personal Video Recorder) e 27% têm rede sem fio. E mais: 3% já têm Blu-ray, mas 50% nunca ouviram falar.

*E 85% disseram que gostariam de conectar seus TVs à internet e assistir na tela grande a seus conteúdos de computador

O futuro da Sky

Mais uma vez, leio no Tela Viva News que a Sky irá lançar sua programação em HD. A data marcada agora é “abril”. Coloco as aspas de propósito, porque esse anúncio já foi feito tantas vezes…

Segundo o site, o presidente da empresa, Luis Eduardo Baptista, quer cumprir esse cronograma, mas ainda não tem nada assinado com nenhum fornecedor de conteúdo!!! O plano da Sky era oferecer a seus assinantes a grade completa, inclusive com os canais abertos, em sinal digital HD. “Mas não existe espaço disponível para carregarmos os sinais”, admite Baptista. Nos EUA, a DirecTV utiliza uma solução híbrida: o receptor de sinal terrestre é incorporado ao conversor, que digitaliza tudo antes de enviar ao TV. O usuário recebe assim uma programação única, com emissoras abertas e fechadas, de acordo com o pacote que comprou.

O problema de usar o mesmo esquema no Brasil, segundo Baptista, é “quem vai pagar a conta”. Distribuir o sinal das TVs abertas gratuitamente, nem pensar.

Apple já não é mais a mesma?

rottenapplePesquisa divulgada esta semana na ComputerWorld americana indica que a hegemonia da Apple entre os fabricantes de computadores já não é tão grande. Segundo a empresa de pesquisas RescueCom, que analisa o desempenho dos fabricantes mês a mês, a empresa de Steve Jobs está sendo superada pelos chineses, pelo menos no item “confiabilidade”. A RescueCom montou um ranking baseado nas opiniões dos revendedores e assistências técnicas: quanto mais reclamações sobre uma marca, menor a sua pontuação. E, neste início de ano, o número de queixas contra produtos da Apple aumentou significativamente.

Em 2007 e 2008, a posição da Apple era absoluta nesse quesito. Agora, não mais. Nos dois primeiros meses de 2009, os líderes foram Asustek (fabricante dos já famosos netbooks Eee) e Lenovo; a Apple ficou em terceiro lugar, seguida por Toshiba, Acer e HP. Bem, os números não são absolutos. Segundo Josh Kaplan, diretor da RescueCom, a pontuação é calculada comparando-se a porcentagem de reclamações com o market-share da marca. Como os chineses cresceram muito nos últimos meses, é natural que sua pontuação aumente num primeiro momento. 

Outro ponto destacado por Kaplan: a pesquisa não inclui as Apple Stores. E, quando se trata de reclamação, ninguém consegue ser atendido numa loja Apple, dado o enorme movimento de pessoas lá dentro. Por isso, os usuários acabam procurando mais as assistências técnicas que não são da própria empresa. Então, claro que o percentual é maior nestas.

Será preciso ver o que vai acontecer a médio prazo. Mas não deixa de ser um alerta.

Sharp e Sony, juntas no LCD

O leitor Raul Castro diz que meu comentário sobre a Panasonic, que agora anuncia altos investimentos em LCD, foi “tendencioso”. Errou. Também acho que o plasma é melhor, mas não posso fechar os olhos para a realidade: o LCD está conquistando cada vez mais mercado. No Brasil, por exemplo, as estimativas que obtive (não há dados oficiais) são de uma proporção 80/20, ou seja, 80% dos TVs de tela fina seriam LCDs, e apenas 20% plasmas. Nos principais mercados mundiais, a situação se repete.

sakaiVejam agora que Sharp e Sony, dois dos maiores fabricantes de LCD, oficializaram sua união. Em abril, começa a funcionar a Sharp Display Products Corp, com 66% de capital da Sharp e 34% da Sony, segundo o The Wall Street Journal. A crise obrigou as duas empresas (aliás, todas) a rever seus planos de expansão, mas está mantido o cronograma de inauguração da super-fábrica de LCDs em Sakai, próximo de Nagoya, que inicia operação em fevereiro de 2010. De lá sairão os painéis de oitava geração, com os quais é mais fácil e barato produzir TVs de até 65″ (veja aqui os modelos em preparação).

A joint-venture acaba sendo útil para as duas empresas, neste momento difícil. A Sony, que está prestes a terceirizar toda a sua fabricação de TVs para fornecedores chineses (já contratou 3 milhões de displays com a Hon Hai Precision, diz o Journal), pode ter na Sharp um excelente parceiro; e a Sharp, que está cortando em 10% sua produção atual, ganha um belo apoio financeiro para colocar em operação a fábrica nova (foto). 

Para quem não sabe: a Hon Hai, sediada em Taiwan, é tida como a maior fabricante de eletrônicos do mundo, sendo fornecedora de gigantes como HP, Apple, Dell, Nokia etc, em regime de OEM. Produz praticamente de tudo: computador, celular, filmadora,  TV… Tem mais de 166 mil empregados e fatura algo em torno de US$ 50 bilhões por ano. 

O quê? Você nunca tinha ouvido falar dessa tal Hon Hai? Pois é, eu também não.

Alta tecnologia em fones

anel 

Falando em acústica, lamentei muito não ter participado do evento mundial de lançamento do novo fone de ouvido da Sennheiser. Agradeço o convite da empresa, fica para uma próxima. Pelas informações que recebi, o aparelho é realmente demais. A empresa abriu suas portas, em Wedemark, na Alemanha, para mostrar a jornalistas do mundo inteiro como são feitas essas verdadeiras jóias. O modelo novo (HD800) segue o padrão do Orpheus, espécie de ícone entre os aficcionados. O transdutor de 56mm (o maior da categoria) atinge uma resposta inacreditável: 6 a 51.000Hz!!! Pelo menos, é o que diz o pessoal da Sennheiser, que ficou de nos enviar um exemplar para teste. O design do diafragma, em forma de anel (foto), é um dos principais responsáveis. Está chegando ao Brasil. Vamos ver (e ouvir)!

Acústica: falando sério

Sempre atento, Vinicius Barbosa Lima me manda o link para o 3o Seminário Soluções em Tratamento Acústico, que acontecerá em agosto em São Paulo. É uma iniciativa elogiável da empresa Vibrasom, especialista na matéria. Nunca estive nesse evento, mas pelos relatos é coisa de gente séria, o que infelizmente faz falta em nosso mercado. Conheço muita gente que “chuta” em acústica, e poucos verdadeiros profissionais. A mesma empresa mantém ainda o site Vibranews, onde encontrei vários assuntos interessantes. Este artigo, por exemplo, trata da delicada questão da acústica em salas residenciais, onde a maioria das pessoas primeiro se preocupa com a decoração para depois pensar no som. Todo profissional da área deve ler.

Apple vs. Amazon vs. Roku vs….

Enquanto estamos aqui discutindo quais são os melhores TVs de alta definição, nos EUA o assunto do momento entre os profissionais de tecnologia é a transmissão de conteúdos HD pela internet. Esta semana, a Apple lançou o serviço via iTunes: um filme pode ser baixado por US$ 19,99 ou alugado por US$ 4,99; o capítulo de um seriado de TV sai por US$ 2,99; uma temporada inteira de “House”, por exemplo, está saindo por US$ 59,99.

Agora, o blog GigaOm informa que a Amazon prepara o lançamento de seu material HD (filmes, shows e seriados) a preços um pouco mais baixos. As ofertas já estão lá, em versão Beta, ou seja, só para sentir o interesse dos visitantes. No início do mês, a maior loja virtual do mundo começou a oferecer os downloads HD do site Roku, outra prova de que está mesmo disposta a enfrentar a Apple. Por sua vez, o Roku é associado à Netflix, maior responsável pela crise da Blockbuster e das demais videolocadoras americanas. Há ainda o serviço TiVo, concorrente do Roku, que também está sendo oferecido aos clientes da Amazon e em breve também aos da Blockbuster.

Em suma, todo mundo sabe que a alta definição irá invadir a internet. É apenas questão de tempo. Claro que esses serviços não são acessáveis no Brasil, nem há a menor possibilidade de que algo do gênero dê certo por aqui. Pagar para baixar filmes? No Brasil? Nem pensar…

Gente inteligente

Recomendo a todos o blog da jornalista e consultora de comunicação Yara Peres. Embora seu foco seja mídia, marketing e comunicação, ela não se limita a isso. Sem querer fazer a cabeça de ninguém, acaba produzindo algo raro “neste país”: ensina e estimula a pensar!!! Não importa qual é a sua filosofia de vida, nem sua linha política, tenho certeza de que você (assim como eu) sempre terá o que aprender lendo as preciosas dicas da Yara.

Fuçando ali, acabei encontrando duas relíquias de que nem me lembrava mais: o filme de lançamento do computador Macintosh, nos EUA, em 1984, dirigido por Ridley Scott; e um trecho da “Antologia da Sátira Brasileira”, precioso material em áudio produzido nos anos 80 sob encomenda da Basf, que homenageia os maiores humoristas do País (este sim, com “P” maiúsculo).

Show de inteligência e criatividade!

Dolby chega à China

Era o que faltava para completar o ciclo da globalização total, algo previsto no excelente livro “O Mundo É Plano”, de Thomas Friedman, lançado em 2005. A Dolby Labs, que detém praticamente o monopólio dos padrões de processamento em áudio, fechou acordo com os principais fabricantes chineses para liberar o uso dos codecs mais comuns do formato Blu-ray: Dolby TrueHD e Dolby Digital Plus. Até agora, players fabricados na China não podiam contar com esses recursos, o que na prática inviabilizava a produção local, já que sem esses processamentos o aparelho não consegue reproduzir a riqueza do áudio surround do formato.

Com a liberação, que certamente renderá à Dolby centenas de milhões de dólares em royalties, o problema está resolvido. Nossos próximos Blu-ray players certamente virão da China, embora os usuários nem sempre percebam. Vejam neste artigo o que dizem os executivos da Sony a respeito de fabricar aparelhos fora do Japão (leia-se: na China). Este é o futuro, e não há como fugir dele.

Um guia do mundo sem fio

Mais um golaço da CEA (Consumer Electronics Association), em seu contínuo trabalho de esclarecimento sobre as inovações tecnológicas. Não me canso de repetir isso aqui: por que não se faz nada parecido no Brasil? A entidade acaba de lançar o Wireless Communication Buying Guide, ou seja, um “guia de compras” para usuários de equipamentos sem fio. O guia traz os tipos de telefone e de acessórios disponíveis, os serviços oferecidos pelas operadoras americanas e – talvez o mais importante – um serviço interativo para você saber quais recursos e serviços se adaptam ao seu estilo de vida e, claro, ao seu bolso.

Em tempo: a CEA é a mesma que lançou recentemente o “Guia do Home Theater”, que comentamos aqui.

Energia que nunca falta!

htups2700_glam-leftfront001A promessa é da Monster, que de uns anos para cá especializou-se em sistemas de proteção de energia e vem ganhando mercado em todo o mundo. A novidade que está chegando ao Brasil é um aparelho 4-em-1: filtro de linha, protetor de rede, regulador de voltagem e no-break, este atuando como uma espécie de “bateria de emergência” (mantém a alimentação do equipamento durante uma hora, quando falta energia na casa).

A idéia de uma “solução completa” é excelente. Poupa o usuário de ficar ligando e monitorando todos aqueles acessórios e cabos, o que além de incômodo é extremamente arriscado. Segundo o fabricante, o aparelho desliga tudo automaticamente na iminência de um surto de voltagem, algo que infelizmente é comum no Brasil. Há ainda um circuito inteligente que desliga a rede, mas ao mesmo tempo mantém o monitoramento para religar tudo quando a energia voltar ao normal. Já o protetor de linha, item ao qual a maioria das pessoas não dá a menor bola, é essencial para corrigir as interferências elétricas sobre a qualidade do sinal (para saber mais a respeito, clique aqui).

Estamos esperando um exemplar para teste. Depois, conto aqui o resultado.

Panasonic também quer automação

control4-7-screenA Panasonic é mais um gigante da tecnologia que se associa à americana Control 4 para investir em sistemas de automação residenciais. Os novos telefones sem fio da empresa virão com o software que permite integração com os cada vez mais comuns painéis de parede da Control 4, distribuídos no Brasil pela Disac. Vimos uma demo do sistema na CEDIA Expo, em setembro passado, mas agora o produto está pronto para chegar ao mercado dos EUA, em abril.

Basicamente, esses telefones permitirão ao usuário comandar os aparelhos da casa que estejam integrados à rede: home theater, luzes, ar-condicionado,  câmeras de segurança, portões eletrônicos etc. Virão com display LCD semelhante ao dos painéis Control 4 (foto), e a programação de funções poderá ser feita diretamente no telefone. Conversei no ano passado com Eric Bella, fundador da Control 4, pequena empresa baseada em Salt Lake City (pequena, para os padrões da indústria), e ele me confirmou que a estratégia da empresa é essa mesmo: associar-se a grandes fabricantes que, por definição, não têm como desenvolver sistemas customizados de automação.

Estratégia inteligente: além de vender mais sistemas, ganha o prestígio de ser parceiro de grandes marcas (a Sony também já adota o software da Control 4). Segundo a revista CE Pro, a LG é outro desses fabricantes: está lançando uma linha de TVs também compatível com o sistema Control 4.

Locadoras contra a pirataria

Reportagem da Folha de S.Paulo nesta terça-feira mostra o impacto da crise sobre as videolocadoras brasileiras. Segundo a UBV (União Brasileira de Vídeo), o número de locações caiu nos últimos três anos, de 8,5 para 4,6 milhões de unidades (fitas e DVDs). Diz a entidade que o volume atual seria 60% maior se não fosse a pirataria, pela qual a maioria dos lançamentos pode ser adquirida até por 5 reais em qualquer camelô. O resultado é que 4 mil locadoras fecharam as portas nesse período, reduzindo para 8 mil o número de estabelecimentos legalizados. Os downloads também contribuem em parte. Mas, o quê fazer?

Segundo a reportagem, o que se discute entre os empresários do setor é incentivar a adoção rápida do Blu-ray, que é mais difícil de piratear (pelo menos por enquanto); e estudar uma forma de licenciar as locadoras a venderem também downloads legalizados. Quanto ao Blu-ray, o Sindicato das Videolocadoras estima que 93 mil players já foram vendidos no Brasil (a conta certamente não inclui os consoles PlayStation, que também tocam esses discos). O custo dos players e dos discos está caindo (veja a lista atualizada dos filmes já lançados). Já a questão dos downloads é bem mais complicada, porque as licenças dependem de Hollywood – e lá ninguém quer ouvir falar disso, pelo menos até agora.

A dura realidade japonesa

geishaPara um país que quase sucumbiu a uma guerra mundial e conseguiu recuperar-se admiravelmente, tornando-se a segunda maior potência mundial, deve estar sendo difícil se adaptar à nova realidade da recessão. A Toyota, maior montadora do mundo, acaba de anunciar queda de 50% nas vendas de automóveis. Já comentei aqui sobre fabricantes de eletrônicos que também amargam números parecidos. E uma reportagem publicada semana passada pela agência Associated Press revela como os japoneses enfrentam a crise no dia-a-dia. Um dos aspectos reveladores é o aumento da procura por produtos baratos, ainda que venham com a tarja “Made in China”, coisa que para um japonês deve ser dura de engolir.

Segundo a empresa de pesquisas Nikkei Market Access, o consumidor japonês está pagando este ano um terço que do que pagava, até o ano passado, por um computador. Marcas até então tidas como de segunda categoria – como as chinesas Haier e Asus Tek – ganham maiores fatias de mercado, roubadas de gigantes como Sony e Panasonic. O fenômeno atinge todo tipo de aparelho, de computadores a torradeiras. E os analistas prevêem que varejistas fortes em preço, como a Wal-Mart, que nunca conseguiu se dar bem no Japão, devem crescer muito a partir de agora.

“Os consumidores estão dando mais atenção ao preço”, explicou Shinya Torihama, um desses analistas. “E muitos não ligam mais para as marcas”, acrescenta outro, Masataka Komorida. Para comprovar, basta esta estatística: em 2002, só havia dez marcas não japonesas entre as 10 mais vendidas em laptops. Hoje, a lista inclui Acer, Asus (ambas taiwanesas), a chinesa Lenovo e as americanas Apple, Dell e Gateway.

É, sem dúvida, um duro golpe no velho orgulho nipônico.

De olho em 2010

Detesto ter que falar de política, mas sou obrigado a citar mais uma vez meu colega Ethevaldo Siqueira, de O Estado de S.Paulo, que neste domingo expressou boa parte do que penso a respeito da disputa entre o Ministério das Comunicações e a TV Cultura de São Paulo. Tudo não passa, na verdade, de briga política em função das eleições do ano que vem.

Para quem não acompanhou o noticiário das últimas semanas: a TV Cultura quis ser a primeira emissora brasileira a transmitir multiprogramação, aproveitando a banda de sinal digital. Criou dois canais alternativos – um voltado para universidades e outro dedicado a espetáculos culturais – e os colocou no ar, acreditando que, como diz o decreto do presidente Lula de criação do Sistema Brasileiro de TV Digital, estava autorizada a isso. Aí, veio o ministro Helio Costa e ameaçou tirar a emissora do ar se ela insistisse com os dois canais. Seu argumento: somente emissoras públicas federais é que podem fazer uso da multiprogramação, estaduais não!!!

Ora, ora, a multiprogramação era um dos maiores atrativos do padrão brasileiro, segundo dizia o próprio ministro (isso mesmo: com “m” minúsculo) quando lançou a TV Digital. Só que Helio Costa defende o governo do PT, que já tem candidato (ou melhor, candidata) ao Palácio do Planalto em 2010; a TV Cultura é mantida pelo governo do Estado de São Paulo, cujo titular será – quase com certeza – candidato da oposição.

Está tudo explicado. O telespectador, que é também contribuinte e portanto paga os salários deles todos, que vá reclamar com o Papa.

Show de leds: imperdível

Completando a explicação sobre os displays de leds, encontrei no YouTube um vídeo interessante, verdadeira obra de arte, toda baseada nessa tecnologia: vale a pena ver.

CEDIA de volta, em abril

Confirmados local e datas do primeiro evento da CEDIA no Brasil este ano. Vai ser de 24 a 26 de abril, no Hotel Mercure, em São Paulo, o CEDIA Brasil Regional 2009. A entidade agora quer ter o controle absoluto de seus eventos, depois da péssima experiência do ano passado, no HiFi Show, quando trouxe seus instrutores dos EUA e quase ninguém apareceu para assistir às palestras.

Com quatro patrocinadores (Crestron, Lutron, SpeakerCraft e Chief), o evento terá treinamentos específicos dados por instrutores de algumas empresas (ainda não definidas) e uma programação de cursos certificados “CEDIA University”. Esses cursos, na forma de workshops, dão aos participantes uma certificação que pode ser em duas modalidades: ESD (Designer de Sistemas Eletrônicos) e EST (Técnico de Sistemas Eletrônicos). Estes são os temas programados:

*Fundamentos Básicos do Design de Home Theater

*Fundamentos Básicos da Reprodução do Som

A participação vai custar 200 dólares para membros da CEDIA e 400 para não membros. Mais informações podem ser obtidas aqui.