Archive | abril, 2009

BD-Live, palavra mágica

Não é mais novidade que o segmento de home video (DVDs para compra ou locação) está em crise. No mundo inteiro. As vendas despencaram em 2008, e todo mundo nesse mercado agora só fala em Blu-ray. Como já comentei aqui, acho precipitado: o DVD ainda tem um bom caminho a percorrer, principalmente num país como o Brasil, onde ainda existem locadoras trabalhando com fitas VHS! Mas não dá para fugir da realidade: o Blu-ray chegou para ficar.

Além da qualidade de som e imagem infinitamente melhores, o Blu-ray oferece alguns atrativos que podem seduzir os usuários. Um dos mais interessantes é o chamado BD-Live, que permite acessar a internet diretamente, sem computador (basta uma conexão de banda larga), para ver materiais adicionais relativos ao filme. Claro, são materiais que não caberiam no disco, mesmo tendo o Blu-ray uma capacidade que pode chegar a 50Gb em duas camadas (mais de dez vezes a capacidade de um DVD comum). São curiosidades, imagens de bastidores, jogos interativos, galerias de fotos, depoimentos dos atores ou da equipe de produção, enfim, aquelas coisinhas que todo fã de cinema adora. Lembro que quando foi lançado o DVD algumas revistas publicavam o que ficou conhecido como “Easter eggs” (isso mesmo: “ovos de Páscoa”), que eram detalhes escondidos no menu do disco. Agora, temos os tais ovos em formato virtual.

Num trabalho inédito, a equipe da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL fez o teste do BD-Live com o filme Transformers, o primeiro disponível para esse trabalho. O resultado está aqui. Fica claro que não se trata de uma revolução tecnológica, mas é um atrativo a mais no Blu-ray. Espero que seja bem usado.

Estreita, lenta e cara…

Excelente levantamento foi publicado pelo Caderno Informática, da Folha de S.Paulo, nesta 4a. feira, sob o título geral “Guia da Alta Velocidade”. É um verdadeiro manual de instruções para quem usa ou pretende usar um dos serviços de banda larga disponíveis no País, inclusive com análises individuais dos serviços prestados pelas principais operadoras.

O que me chamou atenção foi a menção (mais uma) de que a banda larga brasileira é uma das mais caras do mundo. Já tratei desse assunto aqui, mas agora há números novos. Estudo realizado pela ONU coloca o Brasil na posição 77 do ranking mundial das telecomunicações, entre 154 nações citadas. A classificação no tal ranking leva em conta, além da qualidade, também o custo dos serviços. E aí a comparação é vergonhosa: enquanto um americano gasta em média 16 dólares para ter uma conexão de 1Mbps, no Brasil paga-se o equivalente ao dobro! Usando outros números: lá, a banda larga consome, em média, 0,7% do salário médio das pessoas. Aqui? 10%.

O jornal publica os 10 primeiros colocados num outro levantamento, este da ITIF (Information Technology and Innovation Foundation): Coréia do Sul, Japão, Finlândia, Holanda, França, Suécia, Dinamarca, Islândia, Noruega e Suíça. Neste, o Brasil não foi incluído, mas notem que o México (último da lista de 30 países) tem custo médio estimado em 18 dólares para 1Mbps. Os dados completos podem ser acessados aqui.

DVR, HD, ponto extra e Gisele

gisele_novaFinalmente, a Sky anunciou nesta semana o lançamento de seu serviço de alta definição, com dez canais e uma novidade: o conversor de graça. Pagando R$ 253, o assinante tem direito a 143 canais standard (que por enquanto não incluem os da Globosat) mais esses dez HD. O conversor da Sky é semelhante ao da NET: funciona como DVR, permitindo armazenar 500Gb de áudio e vídeo, o que dá cerca de 100 horas de programas em HD.

Os novos pacotes incluem ainda a oferta de dois pontos-extras em resolução standard, sem custo adicional. Curiosamente, o anúncio aconteceu dias depois da Anatel ter confirmado a proibição da cobrança de ponto-extra – por sinal, embora já publicada no Diário Oficial, a medida não pode entrar em vigor porque há uma liminar obtida pela ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura), de junho do ano passado, vetando a proibição. Enquanto essa liminar não for cassada, as operadoras podem continuar cobrando. 

A Sky, que perdeu terreno para as operadoras de cabo nessa corrida da alta definição, promete uma campanha de marketing agressiva para seduzir novos assinantes. Está investindo R$ 150 milhões no lançamento, com direito a Gisele Bundchen como garota-propaganda. Resta saber se o serviço será melhor do que o prestado até agora. Vamos conferir. Aliás, perguntar não ofende: com o dinheiro pago a Gisele (que não deve ser pouco), não daria para melhorar o serviço?

Farra pública na TV

Estão acalorados os bastidores da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação), estatal encarregada de administrar a TV Brasil, projeto de televisão pública criado pelo governo. Depois que Gilberto Gil (autor intelectual da idéia) saiu do Ministério da Cultura, o projeto caiu nas mãos de Franklin Martins, chefe da SECOM (Secretaria de Comunicação). E este nomeou para presidir a empresa sua ex-colega de TV Globo, Teresa Cruvinel. Aí começaram os problemas.

Dois diretores da EBC pediram demissão atirando para todos os lados. Acusam a presidente de querer transformar um projeto de emissora pública em instrumento político do governo. Os dois, Orlando Senna e Leonardo Nunes, parecem ter combinado bem o discurso: o projeto era ótimo para o País, e está sendo descaracterizado por “má gestão” (o orçamento da EBC em 2008 foi de R$ 300 milhões). Além disso, argumentam eles, deixar uma emissora de TV nas mãos da Secretaria de Comunicação (e não do Ministério da Cultura) é inadmissível.

Não dá para discordar. Como lembra Nunes em sua entrevista ao site Comunique-se, vem aí mais uma eleição e dificilmente um governo que quer fazer seu sucessor vai resistir à tentação de usar uma TV pública em benefício próprio. A única forma de impedir isso é ter um Conselho Curador atuante, coisa que a TV Brasil não tem (o atual presidente do Conselho, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, dedica-se mais ao Palmeiras, clube que preside).

Também não dá para discordar de que tudo isso tem cara de filme velho. Alguém em sã consciência acreditou algum dia que o governo Lula iria criar um TV pública para defender a cultura nacional? O próprio Nunes, aliás, dá a senha para a resposta, ao propor que a CUT e os sindicatos se unam para defender a TV Brasil! Quem, cara pálida? Sindicato misturado com estatal? Melhor deixar como está.

Sharp, Pioneer e a crise

Será que a Sharp pegou a doença da Pioneer? É o que pergunta o site australiano Smart House, ao comentar o último balanço divulgado no Japão pela Sharp, com prejuízo de US$ 2 bilhões no ano fiscal encerrado em 31 de março, contra um lucro de US$ 1,4 bi no período anterior. A comparação faz sentido, diz o articulista, porque ambas as empresas ficaram conhecidas por produzirem os melhores TVs em suas respectivas categorias – plasma, no caso da Pioneer, e LCD na Sharp. Como a Pioneer recentemente entregou os pontos, abandonando a fabricação de plasmas, o site levanta suspeitas sobre o futuro da Sharp.

Bobagem. A Sharp é uma das maiores corporações do Japão, com negócios que vão muito além da venda de TVs, embora este seja, sem dúvida, seu carro-chefe como marca. E vem sendo afetada pela crise mundial, assim como todas as gigantes do setor. O problema foi uma declaração extremamente sincera do presidente do grupo, Mikio Katayama, assumindo erros que a Sharp teria cometido nos últimos anos e que teriam ajudado a chegar ao desastroso resultado financeiro de 2008. Um desses erros pode ter sido a compra de 14% da própria Pioneer, meses antes desta anunciar que não iria mais fabricar TVs. 

Mesmo assim, Katayama disse à agência Reuters que está otimista. “A crise deve durar até o meio de 2009, e para o final do ano já trabalhamos com perspectiva de volta dos lucros”, afirmou. O último resultado foi significativo porque a Sharp nunca havia registrado prejuízo, em quase 50 anos com ações na Bolsa. Para enfrentar a crise, a empresa demitiu 1.500 funcionários e anunciou cortes de US$ 2 bilhões. Há, porém, um problema difícil de contornar: Katayama diz que as vendas de TVs não caíram em unidades, mas sim em dinheiro, o que significa que as margens estão ficando insustentáveis. E os preços continuam caindo.

O desafio será conter essa queda sem perder participação de mercado.

Quanto custa cada bit?

De quanta memória você precisa? É a pergunta que se faz o colunista Saul Hansell, do The New York Times, ao comentar o fantástico aumento na quantidade de bits circulando pelas redes de banda larga mundo afora. Quem saberá a resposta? O fato é que cada vez mais as pessoas armazenam fotos, vídeos e outros materiais sugadores de bits e bytes, pressionando as redes e seus provedores. Já comentei aqui sobre o risco de “pane mundial” na web em função dessa sobrecarga – que, infelizmente, tem a ver com o aumento do chamado “lixo virtual”, como se convencionou chamar as incríveis besteiras que estão nas redes de relacionamento, inclusive em alta definição.

O problema é tão sério que as principais operadoras dos EUA – AT&T, Time Warner e Comcast – analisam a possibilidade de começar a cobrar dos assinantes pela quantidade de dados que movimentam, em vez da tradicional assinatura mensal. Acho que seria mais justo. Talvez até o custo baixasse para todo mundo (no Brasil, naturalmente, o raciocínio não vale: as operadoras vendem 10Mb e só entregam 2Mb).

Vem aí o Blu-ray chinês

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Chama-se CBHD (China Blue High Definition) o formato de alta definição que dois fabricantes chineses (Chinco e TCL) prometem colocar no mercado local até julho. Até agora, não encontrei maiores referências sobre o produto, mas o site americano Digital Trends cita fontes das duas empresas para garantir que o projeto é pra valer.

A começar do preço: um player CBHD (como o da foto) será vendido de início pelo equivalente a 293 dólares. O segredo – se é que se pode usar essa palavra – é que o formato é, digamos, independente: como quase tudo que é feito na China, não tem que pagar royalties à Blu-Ray Disc Association, que reúne todos os principais fabricantes. Na verdade, nem é Blu-ray: embora utilize o laser azul, estruturalmente tem mais a ver com o falecido HD-DVD, da Toshiba. A idéia nasceu no Centro de Pesquisas de Memórias Ópticas, da Universidade de Tsinghua. 

Os defensores do Blu-ray garantem que não passa de um “DVD melhorado”. Seja como for, os chineses já negociam com Hollywood, e com dois argumentos fortes: produzir filmes em CBHD custa bem menos do que em Blu-ray; e, já neste ano, esperam vender 10 milhões de players (o dobro do que foi vendido de Blu-ray até hoje, por exemplo, em todo o mercado europeu). Na China é assim: tudo em grandes quantidades. Já a qualidade… teremos que esperar para ver.

Você compraria um player desses?

DVD com imagem melhor

Entre os aficcionados, a palavra da moda é “upconversion”, uma daquelas sem tradução literal para o português, mas que na prática significa algo como “ampliar a resolução do sinal de vídeo”; o oposto seria “downconversion”, que é o que se faz quando se liga uma fonte de alta resolução (digamos, 1080p) num display standard, que só consegue reproduzir 720p. Bem, o recurso upconversion – que alguns também chamam “upscaling” – virou moda devido à chegada da TV Digital e do Blu-ray. Grande parte dos TVs, receivers e DVD players hoje no mercado está equipada com um scaler, ou circuito de upconversion. Assim, você coloca um DVD comum e consegue assisti-lo com uma qualidade de imagem melhor, quase igual à de um Blu-ray.

Pesquisando sobre o assunto recentemente, encontrei boa literatura a respeito na internet (eis um artigo que explica tudo de forma didática). Mas a confusão entre os usuários leigos ainda é grande, o que é natural diante de tantos termos técnicos. A Toshiba, por exemplo, depois que perdeu a batalha do HD-DVD, criou um site magnífico em que ensina, com ricas imagens, o segredo da “conversão para cima” (acesse aqui). É uma espécie de “vingança” contra as empresas que não apoiaram seu formato, preferindo ficar com o Blu-ray. Mas uma vingança em alto nível. O site americano About Home Theater dá dicas práticas de como fazer o upconversion, assim como o The Connected Home.

Há ainda uma pesquisa que o repórter Ricardo Marques, da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL, fez no final do ano passado. Ou seja, upconversion vai deixando de ser um palavrão. Ou não?

Enganação eletrônica

Um dos vídeos mais populares do YouTube nas últimas semanas – pelo menos entre o pessoal ligado a tecnologia – é o que mostra como construir um alto-falante em casa, gastando apenas 1 dólar!!! Obra dos malucos que criaram um site chamado Household Hacker, dedicado a inventar coisas impossíveis como se fossem fáceis e acessíveis a qualquer mortal. O vídeo mostra um rapaz “montando” o tal falante com um prato de papel, uma moeda, um pedaço de fio e uma folha de papel alumínio (veja aqui). Os freqüentadores do YouTube votaram nele como um dos melhores “mythbusters”, dentro da série do site que se propõe a quebrar mitos, como o de que produzir uma caixa acústica exige alta tecnologia.

Só menciono o episódio aqui para confirmar, pela enésima vez, como a internet está aberta a bobagens de todo tipo. E a aproveitadores idem. Incrível que haja pessoas dispostas a acreditar!

Blu-ray + web = tiro certo

sony-bdp-s560A propósito do Blu-ray, e só para confirmar meu comentário anterior, a Sony apresentou na última sexta-feira, na Califórnia, seu novo player, que chega ao mercado americano em julho. O BDP-S560 (foto) é o primeiro player com conexão WiFi, permitindo que o usuário acesse a internet de qualquer lugar onde haja uma rede sem fio. Vai ser lançado a US$ 349. Chris Fawcett, da Sony USA, disse à revista Home Media que já existem no País mais de 70 milhões de residências com conexão de banda larga e roteador WiFi. Usando um player desses, o consumidor poderá usufruir do badalado recurso BD-Live, pelo qual é possível baixar da web conteúdos adicionais de um filme (além dos extras já contidos no disco).

Assim como outros estúdios de Hollywood, a Sony acredita que o BD-Live vai exercer forte atração principalmente sobre os usuários jovens, já habituados a navegar bastante pela internet. “Não podemos restringir os benefícios do Blu-ray apenas à questão de melhor som e imagem”, definiu David Bishop, presidente da Sony Pictures. Segundo ele, a empresa já lançou 80 filmes com o recurso BD-Live (clique aqui para ver a lista atualizada do que já está disponível no Brasil) e vai insistir nessa política. 

Os números fornecidos pela Sony não deixam dúvidas: 3,5 milhões de pessoas já baixaram algum tipo de conteúdo via BD-Live no site da empresa dedicado ao Blu-ray, que hoje ostenta cerca de 100 mil visitantes únicos por dia. O interesse é tanto que a empresa criou uma equipe para adaptar os conteúdos a vários idiomas, buscando atingir dez países diferentes nesta primeira fase. O objetivo é tornar o BD-Live uma atração mundial.

Chegou a vez do Blu-ray

Chega ao mercado esta semana a edição especial de 13o aniversário da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL, com um encarte chamado “Uma Revolução Chamada Blu-ray”. Trata-se de um trabalho de fôlego, realizado com patrocínio da Samsung, mas dando espaço a todas as empresas que atuam nesse emergente segmento do mercado. Simultaneamente, irá ao ar um hot site dedicado ao Blu-ray, tecnologia que muitas empresas (especialmente as distribuidoras de filmes) vêem como salvação para o hoje complicado segmento de DVD.

Faço o registro a propósito de uma pesquisa que li na semana passada sobre a penetração do Blu-ray nos mercados mais maduros, como Europa, Japão e EUA. O estudo da consultoria Futuresource revela que europeus, japoneses e americanos irão comprar este ano mais de 100 milhões de discos de alta definição, sendo 80% desse total somente nos EUA. O motivo, por incrível que pareça, é a crise econômica: as pessoas estão saindo menos de casa e preferindo investir em entretenimento doméstico – e o Blu-ray representa um upgrade até certo ponto barato, após a queima de preços que se viu desde o último Natal.

É bom lembrar que, nesses países, a TV Digital e a alta definição já são realidade, servindo como nova referência de qualidade em áudio e vídeo; o Blu-ray oferece o mesmo nível de som e imagem.

O fenômeno também começa a acontecer no Brasil, embora – é claro – não na mesma velocidade. O preço dos players já começou a cair, e os filmes que até meses atrás estavam na faixa de R$ 80 já chegam a R$ 50, em alguns casos. Ainda é caro, mas a tendência é de queda. Some-se a isso o uso cada vez mais comuns de notebooks com drive Blu-ray e a quantidade inacreditavelmente grande de consoles PlayStation 3, que também reproduzem esses discos. Está feito o mercado.

A segunda chance do ano

Falando em cursos e aprendizado, profissionais de tecnologia interessados terão outra oportunidade no próximo dia 6, quando a Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial) realiza o seminário “A Criação de um Negócio em Automação Residencial”. Durante um dia inteiro, pequenos empresários e técnicos do setor poderão conhecer um pouco melhor esse segmento, que está em plena expansão no Brasil, através de cases, estudos de mercado e descrição de novas tecnologias. A Aureside já tem tradição em organizar eventos desse tipo. Vale a pena conferir. Mais informações aqui.

Dificuldade para aprender

Neste fim de semana, estive no CEDIA Brasil Regional, primeiro evento da entidade americana no País este ano. Infelizmente, poucos profissionais brasileiros aproveitaram a oportunidade. Uma pena porque, como comentei aqui diversas vezes, a falta de aperfeiçoamento técnico é um dos maiores problemas do nosso mercado. O programa de certificação da CEDIA para profissionais especializados em sistemas eletrônicos residenciais é um dos mais bem elaborados do mundo, e neste momento da evolução tecnológica – com a integração entre diversos recursos digitais – a necessidade de informação e orientação técnica é mais do que evidente. No entanto, parece que muitos não enxergam (ou não querem enxergar). Só se pode lamentar.

O lado positivo é que existe um grupo de profissionais que não só estão sabendo aproveitar, como já articulam um movimento agregador em torno da necessidade de aperfeiçoamento. O ponto de partida é criar padrões de atendimento e serviço que sejam seguidos pelos bons profissionais e que o consumidor aprenda a reconhecer esses padrões. Algumas empresas também estão empenhadas e apoiam o movimento. Isso, é claro, exige aquilo que os americanos chamam de “education”, envolvendo cursos – tanto presenciais quanto online -, certificações, divulgação adequada, distribuição de material técnico e campanhas de esclarecimento.

Fácil? Não, claro que não. Muitos certamente continuarão preferindo aprender no Paraguai. Mas a iniciativa é louvável.

Do Second Life ao Twitter

Leio na internet que o Second Life está com os dias contados. Quem diria! Aquele mesmo site que, há uns dois anos, todo mundo queria conhecer para criar uma réplica da vida real… Sempre achei pura perda de tempo.

Agora, recebo de meu amigo Manoel Fernandes o convite para um evento chamado “O Uso Corporativo do Twitter”. Vai ser no dia 6 de maio, no Centro Britânico, em São Paulo, e a inscrição custa R$ 250 (mais detalhes aqui). Uma ótima oportunidade para quem quiser aprender a usar o Twitter em sua empresa. E o que têm a ver as duas coisas? Bem, o Twitter, de certa forma, é o Second Life do momento: ninguém consegue passar mais de uma hora na internet sem ver alguma referência a esse site de relacionamento que, pelo visto, virou mania mundial. Diz a revista Bites que já são 6 milhões de usuários! Mais: aumenta velozmente o número de empresas que passam a utilizá-lo para fins corporativos.

Minha pergunta: será que daqui a dois anos ainda ouviremos falar do Twitter?

3D na TV brasileira

Este é mais um furo do Tela Viva, que merece ser conferido em breve: a TV Cultura de São Paulo prepara a produção e exibição de programas em 3D. Como? Simples: seguindo o exemplo do velho Assis Chateaubriand, que ao lançar a televisão no País, em 1950, mandou vir dos EUA uma série de aparelhos receptores, já que ninguém os tinha por aqui. Instalou os TVs em pontos estratégicos da capital paulista e todo mundo que viu ficou maravilhado e saiu espalhando a novidade. A história é contada em detalhes na grande biografia “Chatô”, de Fernando Morais; agora, Paulo Markun, presidente da Fundação Padre Anchieta, que administra a Cultura-SP, se dispõe a repetir a façanha.

Markun está nos EUA negociando com fornecedores a compra de equipamentos 3D e de conteúdos compatíveis para exibir aqui. Como se sabe, o grande gargalo da TV 3D é a falta de programas, cuja produção custa muito caro. Mas Markun, que outro dia peitou o ministro Helio Costa para colocar no ar a multiprogramação, pelo jeito gosta desses desafios. Estão em estudos novas experiências com os canais Multicultura, dedicado a exibir produções artísticas de vanguarda, e UnivespTV, focado em programas educativos. Ambos chegaram a ir ao ar por alguns dias, mas a Cultura teve que tirá-los do ar sob ameaça do ministro.

Por sinal, o Tela Viva deu outro furo ontem, ao noticiar que o próprio presidente Lula deu ordens a Helio Costa para resolver logo essa pendência com a Cultura – outro ministro, Franklin Martins, disse que deve sair uma autorização para uso experimental da multiprogramação nas emissoras educativas, o que nada mais é do que demonstração de bom senso. Como bem diz Markun, “fazer experiências: essa é a função da TV pública”.

Quanto consomem os TVs

Fantástico levantamento foi feito pela equipe do site CNet, o mais completo do mundo quando se trata de tecnologia. Os caras examinaram nada menos do que 150 modelos de TV à venda no mercado americano para montar um ranking de consumo de energia. A partir do consumo especificado, eles calcularam o gasto de energia por polegada quadrada, ou seja, dividindo o número de watts pelo tamanho do display. E aproveitaram para calcular, a partir daí, o gasto médio do consumidor, em dinheiro, com a eletricidade devorada por seu TV (veja aqui o quadro).

Mais: o site criou um guia para quem quiser fazer seu equipamento consumir menos, o que é sempre bem-vindo. Entre sugestões para o uso correto da tecla STANDBY e uma revisão nos cabos de conexão, o redator saiu-se com esta ótima dica: “Veja menos TV. Em vez de ficar assistindo a reality-shows, vá caminhar ou fazer algum exercício. Além de ser bom para a saúde, ajuda a diminuir sua conta de luz”.

CEDIA já está aqui!

Começa nesta sexta-feira, a partir das 13hs, no Hotel Mercure, em São Paulo, o CEDIA Regional Brasil 2009, primeira série de treinamentos certificados para profissionais brasileiros de áudio, vídeo e sistemas residenciais. Haverá ainda outros sete eventos do gênero este ano, em várias cidades, sendo que aqueles que participarem de toda a programação se credenciam à certificação oficial da entidade. Recomendo a todos, até porque são raras oportunidades como essa. Quem quiser saber mais, é só entrar neste link.

Multiprogramação já virou novela

Agora é oficial: as emissoras de TV (pelo menos as mais importantes) são contra a multiprogramação, uma das novidades previstas no padrão brasileiro de TV Digital (SBTVD) e defendidas arduamente quando da escolha do padrão japonês. Pois é, agora todo mundo é contra. Ou quase todo mundo. Em Las Vegas, onde foi participar da convenção da NAB (associação das emissoras americanas), Daniel Slaviero, presidente da Abert (sua equivalente brasileira), disse que a entidade vai lutar contra a autorização do Ministério das Comunicações para que emissoras transmitam multiprogramação. Ou seja, eles não querem fazer – e não querem que ninguém faça.

Segundo disse Slaviero ao Tela Viva – que, por sinal, faz a melhor cobertura da NAB – as emissoras querem testar todas as possibilidades de multiprogramação, mas para recepção móvel (celulares e notebooks). No caso das residências, a idéia é focar na alta definição, e esta, como se sabe, é incompatível com multiprogramação porque rouba quase toda a banda disponível. Fernando Bittencourt, diretor de engenharia da Globo, afirmou há duas semanas que também é contra, e não escondeu a a razão: “Dá muito mais trabalho e custa muito mais caro. Você precisa produzir muito mais programas e, no final, o bolo publicitário acaba sendo o mesmo. Multiprogramação é coisa para quem não depende de publicidade”.

Mais claro, impossível. Só que vão ter de mudar a lei, mais uma vez. O decreto que instituiu a TV Digital no Brasil prevê que o sinal gerado pelas emissoras abertas deve ser o mesmo transmitido para todo mundo, seja para recepção residencial ou móvel. Essa discussão ainda vai longe.

O celular preferido da máfia

nokia201100Deu no Yahoo Tech: o celular Nokia 1100, já fora de linha, está valendo uma fortuna no câmbio negro europeu. Há quem já tenha oferecido 32.000 dólares por um exemplar do velhinho! Tudo porque o crime organizado descobriu que é um aparelho fácil de hackear, como se diz no informatiquês do momento. De posse de um desses, os criminosos conseguem reprogramar o número do telefone e, assim, ter acesso a dados confidenciais de pessoas que nem sabem que estão sendo hackeadas. Por alguma razão ainda não explicada – e que a Nokia desmente categoricamente – o 1100 permite invasão do firmware, de modo a abrir o chamado mTAN (Mobile Transaction Authentication Number), código usado em alguns países para fazer transferências bancárias. Há quem passe seu código via SMS ou torpedo, e os criminosos estão ali justamente para pescar essas senhas. A empresa Ultrascan, da Holanda, foi contratada para conduzir as investigações. 

Que eu saiba, é o primeiro caso de um celular que se torna mais valorizado depois de sair de linha do que quando estava no mercado. De qualquer forma, cuidado com suas senhas, amigos.