Archive | maio, 2009

Philips tem novo presidente

12marcosbicudoMarcos Bicudo (foto), que assume a presidência da Philips do Brasil no próximo dia 13 de julho, é um dos executivos mais bem cotados do mercado. Embora nunca tenha trabalhado no setor de tecnologia, teve longa e bem sucedida carreira na indústria química, primeiro na Colgate Palmolive, depois no grupo SC Johnson and Sons e mais recentemente na Amanco. Aos 46 anos, Bicudo chega à Philips para colocar em prática o plano de reestruturação desenhado pela matriz no ano passado, e que Paulo Zottolo, o polêmico ex-presidente que deixou o cargo em agosto, não pôde (ou não quis) implantar. 

Basicamente, trata-se de reposicionar a Philips como uma empresa líder em inovação – não necessariamente nas áreas onde ela sempre se destacou, como a de TVs, hoje um segmento onde se compete mais por preço do que por qualquer outra coisa (cenário que pode mudar nos próximos anos). No início do ano, a Royal Philips Electronics anunciou seu plano para adaptar-se à recessão mundial, incluindo a demissão de 6 mil funcionários e um corte global de 500 milhões de euros por ano. Na semana passada, num encontro com acionistas na Flórida, o presidente mundial do grupo, Gerard Kleisterlee, reafirmou o plano, dizendo que o prejuízo de US$ 98 milhões registrado no primeiro trimestre foi uma “supresa”. Mas assegurou que a empresa continua na sua rota de apostar na inovação, nas três áreas onde atua: equipamentos médicos (em que ocupa o terceiro lugar no mundo), sistemas de iluminação (é líder mundial) e consumer lifestyle (que inclui equipamentos de áudio e vídeo e alguns tipos de eletrodomésticos); a propósito, na semana passada a Philips confirmou a compra da italiana Saeco, famosa por suas cafeteiras.

Quanto ao Brasil, não há muitas informações. O comunicado interno distribuído pelo presidente interino, Robert van de Riet, anunciando a nomeação de Bicudo, diz apenas que o novo CEO dará continuidade ao processo “iniciado nos últimos meses” (ou seja, após a saída de Zottolo), que é “fundamental para que a Philips melhore a sua competitividade e esteja adequada à realidade do mercado”. Diz ainda que nos últimos meses tomou iniciativas para “garantir a lucratividade e melhorar a imagem” da empresa.

Como admite o próprio Riet, vai ser um desafio. Boa sorte ao novo presidente.

Movimento pela inovação

Não, não é no Brasil. A CEA (Consumer Electronics Association), que reúne os fabricantes de equipamentos, criou algo chamado “The Innovation Movement” e está conclamando todos os interessados – inclusive consumidores – a participar. A idéia é pressionar o governo e o Congresso a vetarem leis que, de alguma forma, impliquem em restrições à liberdade e à inovação tecnológica. Ou aprovar projetos que incentivem o uso da tecnologia. Exemplo: está em discussão o acordo EUA-Panamá, que se aprovado irá facilitar o comércio através do famoso Canal do Panamá. A CEA pressiona o Congresso a aprovar isso logo, pois estimula o comércio internacional e as exportações. Já os sindicatos americanos brigam por uma lei chamada EFCA (Employee Free Choice Act), que elimina o voto secreto na escolha de dirigentes sindicais. A CEA acha que isso dá poder aos sindicalistas para pressionar os trabalhadores e, naturalmente, faz lobby para o Congresso não aprovar.

Evidentemente, esses movimentos não são conduzidos por freiras. Todo mundo tem seus interesses, nem sempre confessáveis. Mas assim é a democracia. Lá, pelo menos ao que se saiba, não há mensalão nem deputado dono de castelo.

Anatel vs. Ministério Público

Mais uma denúncia envolvendo a Anatel agitou Brasilia esta semana. Segundo o site PayTV, o procurador do Ministério Público Federal da Paraíba, Duciran Farena, apontou publicamente irregularidades nas multas aplicadas pela agência às operadoras. Farena diz que a Anatel está “fora de controle” e que não consegue se explicar ao Tribunal de Contas da União, que está investigando as tais multas.

O presidente da agência, Ronaldo Sardemberg, se disse “indignado e pessoalmente ofendido” pelas críticas. Na verdade, o que há por trás de tudo é o velho problema da politização de um órgão que deveria ser essencialmente técnico. Nos últimos anos, a Anatel – como quase todas as agências reguladoras – foi invadida por indicações políticas e perdeu totalmente a autonomia frente aos ministérios (tanto o das Comunicações quanto a Casa Civil). 

O procurador – que é coordenador da área de telefonia dentro do Ministério Público – critica a falta de transparência da Anatel, dizendo que não consegue sequer ser recebido por Sardenberg. Chama de “informes da vergonha” os relatórios emitidos sobre as multas, o que compromete a legitimidade dos técnicos encarregados dessa análise (que, aliás, é obrigatória por lei).

Briga de telas grandes

Novo relatório da empresa especializada Quixel Research, divulgado esta semana, confirma que os TVs LCD estão ganhando a briga com os plasmas também na área de telas grandes. A pesquisa, focada apenas nos modelos de 55″ ou mais, diz que nos primeiros três meses de 2009 as vendas de LCDs cresceram 55%, na comparação com o último trimestre de 2008; e 200%, quando comparadas com as de um ano atrás. Enquanto isso, as vendas de plasma – nessa mesma faixa de tamanho de tela – caíram 12%.

Na pesquisa por volume de unidades vendidas, o plasma permaneceu estável, enquanto o LCD deu um salto de 137% em relação ao final do ano passado. E na soma total das vendas mundiais de TVs, o LCD responde hoje por 44% do mercado de telas grandes (44″ ou maiores). 

Outro dado interessante da pesquisa é que, no geral, as vendas de TVs – sejam LCDs ou plasmas – caíram violentamente com a crise internacional: de US$ 5,5 bilhões vendidos nos últimos três meses de 2008, passou-se para US$ 4,1 bilhões entre janeiro e março últimos – queda de 25% em dólares, e de 22% em unidades.

Infocomm está chegando

De 14 a 19 de junho próximos, acontece em Orlando (EUA) a edição 2009 da Infocomm, principal evento internacional do setor de áudio/vídeo profissional. Mais uma vez, um grupo de especialistas brasileiros está indo pra lá (nos últimos anos, a delegação do Brasil tem sido a mais numerosa). O fato de ser em Orlando, ainda mais agora, com o dólar baixo, serve como atrativo a mais. De qualquer modo, a Infocomm é imperdível para quem trabalha com instalações corporativas, principalmente aqueles que querem se aprofundar no mundo da automação. O grupo brasileiro está sendo organizado pela agência Packtour.

Um blog para ficar de olho

A propósito dos cabos HDMI, os irmãos Cristiano, Fabrizio e Tiziano Mazza, da Discabos, acabam de lançar um excelente blog sobre o assunto. O trabalho deles há tempos vem chamando a atenção dos especialistas, não só pela qualidade dos produtos, mas também pela seriedade da empresa. Esse blog é uma grande sacada e pode, sem dúvida, servir de referência para consumidores e também profissionais do mercado quando forem escolher seus cabos e conectores.

HDMI 1.4 já está pronto

hdmi_14_teaserAgora é oficial: saiu hoje, nos EUA, a lista de especificações do padrão HDMI 1.4, divulgada pela HDMI Licensing (LLC), entidade formada pelos fabricantes para ditar as normas dessa tecnologia. É a quarta versão do padrão criado em 2002, e não deve ser a última, já que os envolvidos afirmam ser esta a primeira plataforma de conexões desenhada exatamente para permitir updates periódicos (os aparelhos atuais mais avançados utilizam conectores HDMI 1.3).

Basicamente, esta quarta versão facilita o uso da interatividade, tendo em vista que esta é uma das principais tendências da televisão digital para os próximos anos. Segundo a LLC, as novas especificações viabilizam taxas de transferência de até 100Gbps (Gigabits por segundo), em tráfego bidirecional, ou seja, utilizando canal de retorno. Será adotado o protocolo HEC (HDMI Ethernet Channel) para permitir transmissões simultâneas de internet banda larga e TV de alta definição. Com um só cabo, você vai poder sintonizar uma emissora HD, acessar a web e ainda conectar videogame HD e Blu-ray player. Claro, para isso serão lançados novos cabos (versão 1.4), e a especificação prevê que haja dois tipos: de alta e de baixa resolução.

Veja agora outras especificações legais incluídas no HDMI 1.4:

ARC (Audio Return Channel) – Canal de retorno de áudio, que permitirá levar o sinal de áudio de uma transmissão (rádio ou TV) diretamente a um processador e/ou amplificador externo, dispensando assim um cabo extra de áudio.

ACE (Automatic Content Enhancement) – O conector HDMi 1.4 terá condições de reconhecer um sinal de resolução mais alta. Exemplos: vídeo 3D ou Ultra-High Definition (4.096×2.160 pixels). Claro, quando estes forem lançados comercialmente.

ICS (Internet Connection Sharing) – Compartilhamento de conexões, para facilitar a distribuição de conteúdo capturado na web dentro de uma rede doméstica, por exemplo: o mesmo cabo servirá para fazer o download ou streaming e armazenar o material num servidor residencial, ou equivalente.

A lista é longa. O site da HDMI LLC fornece mais detalhes. No próximo dia 30 de junho, já será possível fazer o download das especificações diretamente ali. E já está no ar também o hot site HDMI Connect, onde os interessados poderão atualizar as informações sobre o padrão conforme as novidades forem acontecendo.

Este artigo também é muito interessante.

Do Japão para o Brasil

Não é novidade para ninguém que a recessão no Japão está feia. Bem mais forte do que aqui, como já comentei algumas vezes. As empresas japonesas estão sendo forçadas a olhar com mais carinho para outros mercados. É o que diz notícia do The Wall Street Journal de anteontem: Panasonic e Sharp, duas das maiores corporações do país, estão revendo suas operações na área de celulares. A Sharp, que é líder nesse mercado por lá, considera inclusive a possibilidade de passar a produzir celulares no Brasil, que seria uma ponte para atingir toda a América Latina; a Panasonic não cita países especificamente, mas admite que do jeito que está a situação no Japão não há saída a não ser procurar os mercados emergentes.

Para se ter idéia do tamanho da crise, a venda de celulares no último ano caiu 30% no Japão, chegando em março a 34 milhões de aparelhos, segundo a JEITA (Japan Electronics Information & Technology Association). Um número ridículo, considerando o tamanho do mercado e a histórica familiaridade dos japoneses com telefones e com aparelhos portáteis em geral. A queda foi de 14% na Panasonic e de 35% na Sharp, agravada ainda por uma decisão recente do governo local, que estimula as operadoras a fornecerem celulares aos seus clientes e mantê-los por períodos maiores.

E por falar em varejo…

Talvez não tenha nada a ver com o Brasil (ou talvez tenha, quem sabe?), mas nesta terça-feira a maior rede de eletrônicos do mundo, a americana BestBuy, anunciou uma reestruturação completa em sua operação internacional. A idéia é reforçar posições em cinco países especificamente: Canadá, México, China, Turquia e Reino Unido. O último balanço apontou que os negócios fora dos EUA já respondem por 23% do faturamento da rede, o que de fato não é pouca coisa (eram 17% um ano atrás). Pelo menos duas vezes, executivos da BestBuy estiveram no Brasil nos últimos meses para estudar o mercado. Refugaram ao constatar que a estrutura do varejo brasileiro é sem igual no mundo – em termos de complicação, só perde para a da China.

Mas não está descartada numa reinvestida aqui.

Ponto Frio vale R$ 1,5 bi

A colunista Sonia Racy, do Estadão, deu hoje um furo nacional ao revelar quanto dona Lily Safra, acionista majoritária do Ponto Frio, está pedindo pela marca e as 455 lojas da rede: R$ 1,5 bilhão. A maior oferta até agora teria sido de R$ 1,2 bi, e por isso as negociações estancaram. Mas a família quer mesmo se livrar do negócio de varejo, se possível concretizando tudo até o fim desta semana, para anunciar oficialmente a venda em junho. Como se sabe, os prejuízos da rede vêm se acumulando neste início de ano, e banqueiro nenhum admite levar prejuízo.

Diz o jornal que três grupos continuam na disputa: Magazine Luiza (que seria o mais forte deles), Insinuante (rede com sede em Salvador) e Silvio Santos (que foi o primeiro a apresentar proposta). A vantagem do Luiza se deve ao fato de trabalhar com o Unibanco, que administra sua operação de crédito direto ao consumidor “LuizaCred”; o banco é o mesmo que cuida do “Investcred”, do Ponto Frio. Há quem diga que o Unibanco, agora associado ao Itaú, tem interesse em assumir o controle das duas redes – até porque está entre os maiores credores de ambas. O Luiza investiu pesado no final do ano passado, em plena crise do varejo, abrindo ao mesmo tempo 50 lojas na Grande São Paulo. Assumindo o Ponto Frio, ficaria com uma rede de 160 lojas, maior até que a das Casas Bahia. É preciso ver se as famílias Setubal e Moreira Salles, controladoras do Unibanco, concordam com esse plano.

Já a Insinuante tem outro parceiro de peso, o Banking & Trade Group (BTG), do banqueiro André Esteves, que recentemente vendeu sua parte do grupo suíço UBS. E Silvio Santos… bem, Silvio Santos tem o SBT e o Banco Panamericano. Vejam, portanto, que estamos falando de bancos. Toda a indústria acompanha atentamente as negociações, conduzidas em absoluto sigilo (como é de praxe), porque o Ponto Frio está entre os três maiores compradores de eletrônicos do País. E não interessa a ninguém que essa situação se estenda por muito tempo.

A força dos leds

Agora que o LCD tomou conta do mercado, os olhos da indústria de TVs se voltam para a tecnologia de leds. Em evento promovido na semana passada pela agência de notícias Reuters, executivos de várias empresas – falando por videoconferência de Paris, Tóquio e Nova York, simultaneamente – confirmaram que os tais diodos emissores de luz são a bola da vez. Estudo recente da empresa de análise de mercado iSuppli diz que as vendas mundiais de TVs de led somarão este ano US$ 163 milhões, número que será multiplicado por nove até 2012, atingindo a marca de US$ 1,4 bilhão. “O mercado inteiro vai migrar para o led”, prevê a vice-presidente da Samsung, Sue Shim. Ao lado da Sony, a empresa coreana é a que mais está investindo em leds, já com uma fábrica em plena operação na Coréia.

No Brasil, a Samsung acaba de lançar a primeira linha de TVs de led (veja aqui o vídeo), e o produto já está faltando nas lojas. Todas as unidades que chegaram foram vendidas rapidamente, apesar do preço bem mais alto que um LCD comum – o modelo top de linha, de 55″, está na faixa de R$ 10.000, enquanto o de 40″ sai R$ 6.650. A empresa já programa a próxima remessa, na crença de que até o final do ano pelo menos 30% dos LCDs à venda no País serão de led. E no ano que vem, com a Copa do Mundo, o salto deverá ser maior ainda.

Para entender melhor a diferença entre os TVs LCD com e sem led, este artigo é interessante.

Galpões de aluguel

Dois executivos ligados a fabricantes de eletrônicos usaram a mesma expressão, na semana passada, para descrever a atual situação do varejo especializado brasileiro: as lojas das grandes redes são verdadeiros “galpões de aluguel”, espaços nobres que na prática são arrendados aos fabricantes para mostrarem seus produtos e tentarem vendê-los da forma que puderem. São raros os revendedores que se preocupam em treinar seus funcionários para fazerem boas demonstrações e, assim, oferecerem ao cliente uma solução – e não apenas mais uma caixa preta. O corpo-a-corpo dentro das lojas é cada vez mais violento (por enquanto, ninguém ainda chegou às chamadas “vias de fato”). Promotores contratados pelos fabricantes disputam cada milímetro da loja tentando provar a quem entra que seu produto é melhor que o do concorrente. O vendedor da loja, este fica ali apenas para, ao final, preencher o pedido e encaminhar o cliente ao caixa.

Infelizmente, passeando por algumas lojas paulistanas, a paisagem que se encontra é exatamente esta – imagino que não seja diferente em outras cidades. Nesse cenário, a guerra de preços é inevitável. O consumidor, então, tem que redobrar os cuidados para não cair em arapucas – ninguém vai devolver o dinheiro depois!

146 dias de trabalho!

Com a ajuda do especialista Joelmir Betting, cá estou eu fazendo contas sobre quanto do meu tempo é dedicado a dar dinheiro para o governo. Nesta terça-feira 26 de maio, completamos 146 dias do ano da graça de 2009. E, segundo Joelmir, tudo aquilo que um brasileiro médio ganhou até agora no ano equivale ao que paga de impostos. Ou seja, até agora trabalhamos todos (aqueles que realmente trabalham) para financiar mensalões, cartões corporativos, castelos, viagens aéreas, invasões e bolsas variadas que o governo “deste país” distribui a amigos e agregados. 

Em outras palavras: só a partir de amanhã, 27 de maio, começaremos a ganhar dinheiro para pagar nossas próprias despesas – incluindo aí o plano de saúde (para não correr o risco de ter que cair num hospital público), a escola (porque ninguém em sã consciência quer matricular seu filho numa escola pública), o vigia da rua (porque não dá para confiar na polícia) e por aí vai. Diz Joelmir que pagamos no Brasil mais de 150 impostos diferentes, alguns deles embutidos nos preços de produtos e serviços de tal forma que nem percebemos. E, num exemplo que seria cômico se não fosse trágico, ele acrescenta: se você entrar numa farmácia, é melhor latir do que falar com o atendente, porque no Brasil os impostos sobre medicamentos de uso humano são mais altos do que os aplicados sobre medicamentos veterinários!

Sem terrorismo nem demagogia: isso tudo é coisa para se pensar. Não é à tôa que cada vez mais aumenta o número de trabalhadores informais, que não pagam imposto algum (dizem os jornais que alguns até cadastram-se no Bolsa-Família e ainda acabam recebendo alguma ajuda).

Celular com widgets

Widgets: esta é mais uma palavrinha que, na falta de tradução apropriada, o pessoal fissurado em informática está usando também em português. Não há site ou blog de tecnologia, hoje, que não a mencione várias vezes. São pequenos programas (ou, como esse mesmo pessoal gosta de dizer, aplicativos) que você pode baixar da internet e incorporar a outros programas para acesso mais rápido. Algo muito comum em computadores, mas que agora começa a se espalhar para outros aparelhos. No Japão, a Toshiba é um dos fabricantes que já lançaram TVs com widgets integrados, para o usuário acessar blogs, sites ou redes de relacionamento. Na área de celulares, que eu saiba, a Samsung é a primeira a apostar nesse diferencial.

Acabo de chegar do evento de apresentação da nova linha de celulares da empresa, que promete brigar pela liderança desse segmento. E os celulares com widgets foram uma atração. No mercado mundial, a Samsung hoje só fica atrás da Nokia; aqui, está em quarto lugar. Mas pretende investir pesado para pular para segundo até o final do ano. “Queremos crescer 50%”, diz Silvio Stagni, vice-presidente da divisão de telecom da empresa coreana. Como fazer isso? Reduzindo um pouco os preços, lançando recursos atraentes para a população que mais utiliza celular (entre 15 e 35 anos) e fazendo muita propaganda. Nos próximos meses, vamos ver muito anúncio de celular Samsung por aí, inclusive na web – a propósito, em 2008 a empresa foi o quarto maior anunciante de mídias online, segundo Carlos Werner, diretor de marketing corporativo.

samsung-beat-djFalando especificamente dos produtos mostrados hoje, um dos destaques é o primeiro celular com display AMOLED fabricado no Brasil. AMOLED é a sigla inglesa para OLED de Matriz Ativa, ou seja, um display que une a tecnologia tradicional aos components orgânicos. O aparelho (foto) leva o nome comercial de Beat DJ, o que já explica tudo: é destinado ao usuário que não apenas gosta de ouvir música, mas adora fazer suas próprias mixagens. O display touchscreen de 2,8″ oferece bastante espaço para isso, e também para acessar os tais widgets, que ficam num menu lateral prontos para serem acionados apenas com a ponta do dedo. Dá ainda para acessar blogs e redes sociais sem ter que abrir o navegador, o que poupa uns bons minutos, dependendo da conexão. E facilita o compartilhamento de fotos: do próprio celular, você pode subir as fotos que acabou de tirar, sem maiores complicações.

E a Samsung garante: vêm mais novidades por aí.

Brincadeira de criança

Aliás, sobre blogs, microblogs e demais manias da internet, o grande jornalista e escritor Ruy Castro publica nesta segunda-feira, na Folha de S.Paulo, mais um primoroso artigo. Convidado por amigos para criar seu perfil no Facebook, ele faz uma pergunta inocente: “Para quê”? “Ora, para conversar e compartilhar fotos com seus amigos”. Bem, para conversar, Ruy continua preferindo telefonar, ir à praia ou a um bar; para enviar fotos, basta o e-mail, certo?

Mas ele promete: “Se entrar para o Facebook, vou brincar todos os dias de partilhar fotos com meus amiguinhos”.

Eu também!

Cuidado, blogueiros

Nos EUA, o país dos advogados, acabaram de descobrir mais uma aparentemente inesgotável fonte de renda: os blogs. Com a multiplicação desse tipo de mídia (calcula-se que já existam mais de 200 milhões), as empresas detectaram que precisam se proteger. E os escritórios de advocacia nunca trabalharam tanto na área digital – o chamado direito cibernético é um dos ramos que mais crescem.

Segundo reportagem do The Wall Street Journal na semana passada, já chega a US$ 17,4 milhões o total de indenizações pedidas à Justiça americana por pessoas que se dizem vítimas de difamações, ameaças e invasão de privacidade cometidas em textos postados em blogs e redes de relacionamento. Há ainda uma infinidade de ações sobre infração de direitos autorais. Com a febre do Twitter e dos microblogs, onde qualquer um pode escrever qualquer coisa sobre qualquer assunto ou pessoa, esse tipo de problema só faz aumentar. Claro, nem todas as ações resultam em condenação, até porque nos EUA é muito forte o movimento em defesa da liberdade de expressão, garantida pela Primeira Emenda da Constituição. Mas é grande a chance de dor de cabeça para quem escreve o que bem entende, porque os advogados vivem monitorando tudo que é publicado.

Em Nova York, foi criado um centro de pesquisas sobre as leis na mídia digital, que procura orientar os blogueiros e ajudar nas novas interpretações da lei que a internet está impondo. “O que as pessoas escreviam nas paredes dos banheiros públicos agora é visto por milhões em todo o mundo”, resume Sandra Baron, diretora do Centro. É isso aí: liberdade é bom, mas sem responsabilidade pode se tornar um perigo.

Virando a casaca

Quem diria! O homem que um dia foi acusado de estimular a violência entre jovens e crianças com seus filmes agora mudou de lado: quer banir os videogames violentos. Ele mesmo: Arnold Schwarzenegger, ex-astro de filmes de ação e hoje governador da Califórnia.

arnold-schwarzenegger-the-terminator1A notícia saiu na revista americana Video Business. Na semana passada, Schwarzenegger entrou com recurso na Corte Suprema dos EUA para que seja restabelecida uma lei de 2005 que proíbe a venda de jogos violentos a menores de 18 anos. A lei foi suspensa em fevereiro último, após ação da EMA (Entertainment Merchants Association) e da VSDA (Video Software Dealers Association), que representam distribuidores e revendedores de jogos. Schwarzenegger quer ter no caso os mesmos poderes que o Estado da Califórnia tem para coibir a venda de bebidas alcoólicas e material pornográfico a menores de idade.

Tarefa difícil: a Suprema Corte costuma votar a favor da liberdade individual, e não das proibições. De qualquer modo, é curioso que o Exterminador do Futuro esteja agora defendendo as crianças!

Encruzilhada japonesa

stringer3Howard Stringer (foto), o primeiro executivo não japonês que chegou à presidência de uma grande corporação tecnológica japonesa (a Sony), está sendo atacado por todos os lados. No ano fiscal que terminou em março, o grupo experimentou o primeiro prejuízo de toda a sua história. E não foi pouco: simplesmente 1 bilhão de dólares. Pior: a previsão para o próximo ano fiscal é de mais US$ 1,26 bilhão no vermelho. E as medidas que Stringer anunciou no final do ano passado – entre as quais o fechamento de seis fábricas e a demissão de 16 mil funcionários – até agora não fizeram o menor efeito: os prejuízos continuam se acumulando.

Em meio a esse turbilhão (chegou-se a publicar que ele estaria com os dias contados na empresa), Stringer deu na semana passada uma longa entrevista ao jornal Nikkei Shinbum, tentando explicar o que, afinal, está dando errado. Segundo ele, não é apenas a recessão mundial, que derrubou as exportações japonesas. Há outros fatores. Um deles – o mais polêmico – é o que Stringer chama de “sistema gerencial envelhecido” em vigor hoje nas empresas japonesas. Um sistema, diz ele, em que jovens e brilhantes engenheiros não se sentem à vontade trabalhando com seus colegas mais velhos, porque estes insistem em dar as ordens – uma longa tradição do País, pela qual sempre se deve dar prioridade aos mais velhos. “O Vale do Silício foi criado por gente com menos de 30 anos”, lembrou Stringer. “Por que não existe um Vale do Silício no Japão? Porque este é um sistema envelhecido. Não quero acabar com os engenheiros mais velhos, mas quero que eles se juntem aos jovens, para que assim criemos produtos melhores”.

Stringer, que não é propriamente um jovem (já tem 67 anos), trouxe para a Sony uma mentalidade ocidental. Mas, visivelmente, está encontrando dificuldades em implantar sua filosofia de trabalho numa empresa com mais de 60 anos de existência e que sempre foi líder de mercado. Acusam-no de não respeitar as tradições da Sony. “É mentira”, ele se defende. “A tradição da Sony é de inovar. O velho Akio Morita nunca ficou olhando para o passado, sempre projetou o futuro pensando em conquistar novos consumidores”.

O risco que as empresas japonesas correm, no entender de Stringer, é ficarem buscando no passado explicações para a crise atual, quando na verdade as respostas estão no futuro. “Não digo que os japoneses serão derrotados por coreanos e chineses. Mas o país tem que se adaptar às mudanças do mundo. Caso contrário, nem Deus irá garantir um futuro de sucesso”.

Resta saber agora como os japoneses – que pagam o salário de Stringer – responderão a esse desafio (leia aqui a íntegra da entrevista).

Plágio lá, plágio aqui…

Mais uma vez, recorro ao site Comunique-se para relatar um caso de plágio. Tinha acontecido outro dia com a revista Veja, e agora aconteceu com o The New York Times. Como se vê, até os deuses erram! A diferença foi a atitude diante do “flagra”. Vejam só:

A colunista Maureen Dowd, do Times, copiou na íntegra um parágrafo que havia sido publicado num blog, sobre a questão da tortura aos presos no Iraque. No dia seguinte, deu uma errata reconhecendo o plágio, que atribuiu ao fato de ter recebido o texto de um amigo; este não lhe disse que aquilo já tinha sido publicado. Ela e o jornal pediram desculpas, e o autor do blog aceitou.

Aqui, uma repórter da Veja fez a mesma coisa; aliás, fez pior: copiou frases inteiras de entrevistas publicadas num jornal americano e deixou por isso mesmo. Foi desmascarada por um leitor, que havia visto o texto original. Mas nem assim admitiu o erro, sequer cogitou pedir desculpas (leia aqui).

É mais um efeito da impunidade brasileira, que também atinge a mídia. Parece que está no sangue.