Archive | junho, 2009

Sai Toshiba, entra STI

A propósito das notícias que chegam do Japão, a Semp Toshiba do Brasil – que ainda tem um acordo de troca de tecnologia com a Toshiba Corporation – está se antecipando às mudanças previstas por sua parceira de mais de 30 anos. A idéia é fortalecer a marca STI, que na verdade é uma abreviatura de “Semp Toshiba Informática”. Hoje, a empresa brasileira depende cada vez menos da Toshiba. Além de trabalhar com maior número de fornecedores, a maioria em Taiwan, a STI cuidou de se estruturar internamente para desenvolver produtos próprios. A nova linha, a ser lançada em breve, pretende provar isso na prática.

É bom ficar atento. Se antes o objetivo era mostrar que “nossos japoneses são melhores que os deles”, quem sabe agora o slogan não mude para “nossos brasileiros são ainda melhores que os japoneses”. Quem sabe?

Toshiba: potência nuclear

image_miniPode estar começando uma revolução literalmente bombástica na Toshiba Corporation. É o que dá a entender o novo CEO do grupo, Norio Sasaki, anunciado na semana passada. Em meio à maior recessão de sua História, a empresa procura meios de reverter um quadro de prejuízos estrondosos: US$ 3,6 bilhões no ano fiscal encerrado em março. Segundo o The Wall Street Journal, esse número inesperado obrigou a empresa a ir buscar US$ 5 bilhões no mercado financeiro para tranqüilizar os acionistas. Atsutoshi Nishida, o presidente anterior, gastou US$ 3,7 bilhões em 2006 para comprar a americana Westinghouse, negócio que foi contestado porque pouco tem a ver com o chamado “core” da Toshiba – trata-se da fabricação de reatores nucleares!!!

Agora, Sasaki assume com a missão de recuperar esse investimento. Falando a jornalistas japoneses, ele admitiu que poderá desativar setores do grupo que não estão dando lucro – um desses setores seria a fabricação de chips. Com um prejuízo esperado de aproximadamente US$ 800 milhões este ano, Sasaki diz que terá de cortar mais de US$ 3 bilhões em custos operacionais. 3 bilhões de dólares!!! Como sua origem é justamente a divisão de componentes para a indústria nuclear, a aposta dos analistas é que Sasaki vai tentar fazer dinheiro com a Westinghouse. O novo CEO já tem um mapa de 39 usinas nucleares em vários países – a maioria nos EUA e China – onde a Toshiba quer estar presente, o que lhe renderia algo em torno de US$ 1,5 bilhão até 2015.

Nada mau para os acionistas, que na assembléia da semana passada, em Tóquio, ao aprovarem o nome de Sasaki, aplaudiram seu plano.

Quem quer ser preso 2

Interessantes os comentários sobre minha nota de ontem a respeito da pirataria na internet. Brevemente voltaremos a discutir isso. Mais interessante ainda é a notícia divulgada hoje pelo IDG, através de seu correspondente na Suécia, revelando que o site PirateBay foi adquirido por um grupo sueco pela módica quantia de US$ 7,8 milhões. Sim, o site que é o símbolo mundial da pirataria foi vendido para ser legalizado, segundo o comprador – o grupo GGF (Global Gaming Factory). A empresa, que administra uma rede de hotspots, informou que procura maneiras de remunerar os detentores de direitos autorais das obras distribuídas através do PirateBay. 

O argumento é claro: o site precisa encontrar um modelo de negócios satisfatório, para sobreviver cumprindo as exigências dos fornecedores de conteúdo, das operadoras, dos usuários eda Justiça. É o que dizem os donos do GGF. Estranha foi a reação de Peter Sunde, co-fundador do PirateBay. Segundo ele, os fundadores do site não irão receber nada porque o controle do site já passou para outras mãos, as quais ele não revela!!!

Realmente, é muito estranho… principalmente considerando que Sunde e seus sócios podem ser presos a qualquer momento, além de terem de pagar uma multa milionária. De quem serão as tais mãos?

A propósito do tema, recomendo a leitura deste artigo.

Quem quer ser preso?

peter_sundeO Caderno Link, no Estadão de hoje, publica entrevista com o “rei da pirataria”, o sueco Peter Sunde (foto), criador do site PirateBay, que já lhe rendeu inúmeros processos. Um deles, agora na fase final, pode mandá-lo à cadeia!!! Isso mesmo: Sunde pode ser preso em seu país (se não fugir antes) pelo crime de distribuir pela web todo tipo de material digital sem pagar nada de direito autoral. Segundo o jornal, além da prisão ele pode ser condenado a pagar uma indenização de US$ 3,6 milhões a empresas como Warner, Fox, Universal e outras.

Sunde garante que: 1) não vai ser preso; e 2) não pagará indenização alguma. Como assim? “Fomos condenados, mas o juiz não disse por quê”, comenta ele, na entrevista. “No fim das contas, o resultado não importa. Não muda nada. Se é legal ou não, não importa. O que o juri não entende é que todos estávamos lá por uma coisa natural. Hoje é natural compartilhar. Vamos recorrer. E vamos vencer no final”.

Apenas recapitulando: a Suécia é um dos países onde as leis digitais mais estão sendo desafiadas (ou desrespeitadas, dependendo de quem analisa). O PirateBay é talvez o maior símbolo disso. Inspirou-se no americano Ebay – maior site de pesquisa de preços do mundo – para criar uma espécie de mundo à parte, onde as pessoas podem encontrar de tudo sem pagar nada. Seria o paraíso, não fosse por um pequeno detalhe: para que esse esquema se mantenha, alguém tem que pagar. Sunde argumenta que a internet democratizou a distribuição de conteúdo, fazendo de todo mundo produtor e ao mesmo tempo consumidor. Diante disso, não é necessário cumprir a lei, já que esta ficou defasada. “Mudou a sociedade, que por si só é egoísta”, declara.

Levando esse raciocínio ao extremo, teríamos então um mundo de egoístas, em que os produtores de conteúdo (músicos, cineastas, jornalistas, escritores, desenhistas, designers, criadores de software…) teriam toda a sua produção distribuída de graça na web; em contrapartida, poderiam usufruir de toda a produção dos colegas também sem pagar. A pergunta é: será que é isso que eles querem? E, mesmo que queiram, será que eles terão o mesmo estímulo criativo sabendo que não irão receber pelo trabalho? Sunde e o pessoal que defende a internet livre diz que a indústria precisa de um novo modelo de negócios. OK, mas qual? Alguém tem sugestões? Que tal, em vez de simplesmente roubar conteúdo de outros, dar idéias para que a tal democracia digital se concretize na prática?

Se não for assim, a brincadeira não vale. Aí, é crime. E só cadeia mesmo!

Telefonica e o cabo submarino!

Não sei se a explicação é convincente, mas o presidente da Telefonica, Antonio Carlos Valente, disse ao site Tela Viva, especializado no assunto, que a empresa está “no limite” de sua capacidade de transmissão de dados. Esta seria a justificativa para as panes seguidas que levaram a Anatel a suspender a venda do Speedy. Na sexta-feira passada, Valente entregou à agência um plano de reestruturação da rede da Telefonica, orçado oficialmente em R$ 70 milhões, com prazo de 180 dias para colocar tudo em ordem. Mas a questão não é tão simples assim.

Segundo Valente, o cabo submarino que carrega os sinais da Telefonica não suporta mais aumento de tráfego. Cabos desse tipo são usados por todas as grandes operadoras para permitir acesso à internet e às redes telefônicas internacionais. São elementos fundamentais no processo. Se o cabo não está dando conta do tráfego, só há uma solução: instalar ou alugar outro cabo. O plano da Telefonica seria usar o cabo da Telecom Italia (TIM), na qual o grupo espanhol tem participação acionária. Mas isso exige aprovação da Anatel.

“Hoje, estamos chegando ao limite da eletrônica”, disse Valente ao Tela Viva, numa espécie de autocrítica. Valente reconhece que a empresa errou ao estimar o aumento de seu tráfego de voz e dados, o que acabou causando sobrecarga na demanda. Agora, quando o Speedy voltar a ser comercializado, a Telefonica pretende mudar sua estratégia de vendas: só irá vender a capacidade (em megabits) que realmente puder entregar, e não – como faz hoje a maioria das operadoras – anunciando números fantasiosos só para atrair assinantes. Além disso, a empresa promete ser mais rigorosa ao projetar o crescimento do tráfego.

Bem, antes tarde do que nunca. Tomara que Valente esteja mesmo falando sério. Só o tempo dirá.

Vinil super high-end

mcintoshVocê é fã do vinil? Tem uma enorme coleção de LPs, todos muito bem cuidados e cheirando a novos? Pois este produto deve ter sido feito para você. Trata-se do novo toca-discos analógico MT10, da McIntosh, marca que faz suspirar os audiófilos mais convictos. A imprensa especializada americana está se derretendo pelo aparelho, cujas especificações são mesmo de arrasar. Eis algumas: gabinete robusto pesando 6kg, feito numa liga de silício e acrílico, com prato de 2,5″ de altura, girando em sistema belt-drive sobre suporte magnético, ou seja, sem atrito com a base do gabinete (o prato literalmente flutua no ar…) O braço de alumínio tem amortecedores de safira e cerâmica, com ajuste automático de tracking, alinhamento e deslizamento. O famoso logotipo que identifica a marca é iluminado por fibra óptica no painel frontal, onde se pode conferir informações como a velocidade de rotação do prato. 

Agora, a pergunta fatal: como anda sua conta bancária? O precinho da brincadeira é de apenas US$ 9.500. Sem a cápsula.

Briga de gente fina

Já comentei aqui a disputa acirrada entre Samsung e LG, especialmente na área de TVs. A cada novo lançamento, as duas empresas procuram se superar uma à outra oferecendo especificações melhores que a concorrente. Atualmente, o item em que essa briga vem sendo mais visível é a espessura dos aparelhos. Difícil saber aonde essa maratona irá terminar…

Vejam o que a LG apresentou ontem em Seul: um TV LCD de LED com apenas 24,8mm (ou 2,48cm), exatamente seis milímetros a menos que o modelo mais fino da Samsung, lançado recentemente na Europa. Quase simultaneamente, a JVC mostrou em Londres um aparelho semelhante com… acreditem: 7mm de espessura! Bem, no caso da JVC, cuja situação financeira não é nada boa, pode ser apenas uma forma de mostrar ao mercado que ainda tem fôlego para a alta tecnologia – ninguém acredita que esse produto irá, mesmo, chegar ao mercado. Já para LG e Samsung, o tema telas ultrafinas parece que é coisa muito séria.

230140No evento de Seul, executivos da LG afirmaram abertamente que querem conquistar a liderança nesse segmento, visto como estratégico no mercado de TVs. A queda de preços dos LCDs convencionais transformou esses produtos em commodities, ou seja, cada vez mais difíceis de gerar lucro para quem fabrica. Já os LEDs são aparelhos premium, com altas margens (pelo menos por enquanto). Simon Kang, diretor da LG, disse apostar na qualidade superior de seu backlight, que possui 3.360 leds, sete vezes mais que os aparelhos similares da Samsung e da Sony, segundo ele (sinceramente, não sei se é verdade, vamos tentar conferir). Além do modelo de 55″ (foto), que chega às lojas da Coréia e de alguns países europeus nas próximas semanas, a LG promete mais dois (de 42″ e 47″) antes do fim do ano. E Kang não esconde suas ambições: vender 5 milhões de TVs de LED até 2010, de um total de 30 milhões que, diz ele, será o mercado global. Hoje, a Samsung tem mais de 90% do segmento, até porque foi a que mais investiu até agora; mas, como comentei acima, as duas empresas andam como gato e rato…)

Outra previsão do executivo: nos próximos dois anos, os TVs de LED responderão por 40% de todos os LCDs vendidos no mundo. Será otimismo demais?

Os números da TV paga

Não fosse a banda larga e provavelmente as operadoras de TV paga estariam amargando prejuízos. O novo balanço do setor, divulgado ontem pela ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura) e pelo SETA (Sindicato das Empresas de TV por Assinatura) confirma a tendência dos últimos anos: enquanto o número de assinantes de TV paga aumenta a passos lentos (quando não estaciona), o de usuários da internet rápida se expande velozmente – apesar das falhas na prestação do serviço.

Segundo as duas entidades, no primeiro trimestre do ano a venda de assinaturas de TV cresceu 17,6% sobre 2008, atingindo o número de 6,4 milhões de assinantes. Já a venda de pacotes de banda larga subiu 43%, chegando a 2,8 milhões. Examinando a tabela abaixo, é fácil constatar que a expansão dos dois serviços é totalmente desigual. O número de assinantes de TV chegou a diminuir entre 2001 e 2002, mantendo uma média anual de crescimento na casa dos 7,5%; no mesmo período (2001-2008), a quantidade de pessoas que passaram a utilizar banda larga aumentou, em média, 60% ao ano!!!

ANO

TV POR ASSINATURA

BANDA LARGA

2000 3,44 milhões 60 mil
2001 3,55 milhões 90 mil
2002 3,52 milhões 130 mil
2003 3,54 milhões 200 mil
2004 3,76 milhões 370 mil
2005 4,1 milhões 630 mil
2006 4,71 milhões 1,18 milhão
2007 5,25 milhões 1,75 milhão
2008 6,2 milhões 2,6 milhões

 

Os dados oficiais da ABTA revelam ainda outros números interessantes. O setor faturou, nos primeiros três meses de 2009,um total de R$ 2,54 bilhões, incluindo venda de assinaturas e publicidade. É pouco menos do que no último trimestre de 2008 (R$ 2,57 bi). O cabo é responsável por 62% das assinaturas, ficando o setor de DTH (satélite) com 33% – há ainda 5% de residências que continuam recebendo sinal via MMDS (antena). Em dinheiro, a banda larga já responde por 33% das receitas das operadoras.

São números modestos para um país enorme como o Brasil. Já pensou se tivéssemos concorrência nesse mercado?

MTV de volta à Sky

Exatamente um ano depois de ser tirada da grade da Sky, a MTV deve voltar nos próximos dias a ser transmitida pela operadora. A imposição é do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que baseou-se num princípio simples: quando a Sky adquiriu a DirecTV, em 2006, comprometeu-se a manter a mesma programação no ar durante pelo menos três anos. Ou seja, não tinha o direito de tirar a MTV em 2008, como fez. Foi uma das contrapartidas exigidas pelo Cade para aprovar a fusão das duas operadoras, que na prática configurou monopólio do segmento de TV paga via satélite. Agora, se a Sky não recolocar o sinal da MTV em sua grade imediatamente, terá que pagar multa de R$ 10.640 por dia! E, se insistir, corre o risco de ver a fusão revogada!!!

Claro, ninguém acredita que isso aconteça. A Sky só precisa manter a MTV no ar durante um ano, até junho de 2010, quando vence o tal prazo de três anos. Mas fica a pergunta: por que uma medida tão simples demorou um ano para ser tomada? Se o Cade já sabia, um ano atrás, que a Sky está descumprindo uma ordem legal, por que já não se pronunciou na época? O que fazem, afinal, os senhores conselheiros desse órgão?

Interatividade: a aposta da Globo

Conversei ontem com Raimundo Barros, diretor da área técnica da Rede Globo/SP e um dos responsáveis pelos testes que a emissora vem fazendo, desde o ano passado, para o lançamento de serviços interativos. Segundo ele, se hoje fosse lançado um modem compatível com o middleware Ginga, a Globo teria condições de colocar no ar esses serviços imediatamente. Aliás, vários deles estão indo ao ar, por exemplo, na novela Caminho das Índias, só que ninguém no País possui o receptor compatível para acessá-los.

Como se sabe, o projeto Ginga continua dependente de uma regulamentação por parte da Anatel. Que, por sua vez, depende de um acordo quanto ao pagamento de royalties à empresa americana Sun Microsystems, dona do software Java, que serve de base ao Ginga. O pessoal do Fórum SBTVD garante que está “tudo certo”, mas já ouvi de fontes do mercado que o buraco é mais embaixo. E é fácil de entender: tudo se resume a “quem vai pagar a conta”. As emissoras? Dificilmente, pois acham que produzir os modems e colocá-los à venda é obrigação dos fabricantes de equipamentos. Estes, de seu lado, não enxergam margem de lucro num produto que o próprio ministro das Comunicações colocou abaixo de lixo quando disse que um conversor digital com interatividade não poderia custar mais de R$ 200. Subsídio do governo? Nem pensar, até porque esse é o tipo de produto que não rende votos.

Executivo de uma fábrica nacional me disse que, para produzir um conversor com Ginga com um mínimo de qualidade, e pagando todos os impostos, qualquer empresa vai gastar pelo menos R$ 400. Como então vender por R$ 200 (e ainda mais pagando royalties)? Quem decifrará esse enigma?

What Space???

Depois de causar furor quando do lançamento, em 2003, eis que o MySpace – projetado para ser a maior comunidade virtual do mundo – está indo para o (com perdão do trocadilho) espaço… A filial brasileira anunciou que fecha as portas no dia 30 de junho, e nos demais países onde a empresa se estabeleceu o clima também é de desânimo. Cerca de 300 dos atuais 450 funcionários já foram informados que serão demitidos. Houve euforia quando a empresa criada por dois jovens americanos, Tom Anderson e Chris DeWolfe, atingiu a marca de 110 milhões de visitantes, em 2005, e foi comprada pelo grupo NewsCorp, por US$ 580 milhões (você não leu errado), para ser a parte mais visível da Fox Interactive Media, uma espécie de holding de empresas virtuais. 

Pois é, a euforia evaporou. Rupert Murdoch, dono da NewsCorp e que não gosta nem um pouco de jogar dinheiro fora, terminou a brincadeira no início deste ano. Agora, seus executivos precisam apresentar urgentemente um plano sobre o que fazer com o que resta do MySpace. Suas cabeças estão a prêmio.

Lula lá, na internet

Inspirado provavelmente no Blog da Casa Branca, criado pelo presidente Obama assim que assumiu o cargo, o Palácio do Planalto prepara uma versão brasileira dessa idéia. Não sei o que estão preparando, mas se forem seguir o exemplo americano os assessores do presidente Lula terão que criar um espaço para que as pessoas se manifestem abertamente. Claro, não tem sentido publicar tudo, até porque certamente haverá abobrinhas e/ou críticas mal-educadas, como em todos os blogs. Mas, para não ser acusado de (mais uma vez) manipular a mídia, Lula terá que dar voz a quem por acaso não concorde com os atos de seu governo. É assim que funciona na democracia.

Os primeiros movimentos que se notam nos bastidores, porém, não apontam nessa direção. Segundo o site Comunique-se, a idéia com esse blog é “aproximar o governo da imprensa regional e popular”. O projeto é paralelo à criação de uma coluna assinada por Lula, a ser publicada em jornais pelo país afora, de tal modo que o governo possa ver divulgado exatamente aquilo que deseja, sem o “filtro” da mídia. Quando Lula for visitar determinada cidade, por exemplo, dias antes concederá uma “entrevista” à imprensa local, para preparar o clima. Já comentei aqui sobre o tal “Bolsa-Mídia”, com a farta distribuição de verbas publicitárias a pequenos jornais, rádios e televisões do interior do País, além de blogs amigos do poder. No momento em que se aproximam as eleições, essa arma costuma ser mortal para os adversários políticos.

Como se vê, o marketing do Planalto está funcionando a pleno vapor. Eu, você e todos os demais contribuintes do País é que estamos pagando. E chamam isso de “transparência”.

Blu-ray chega aos 100 dólares

curtismathesComo se diz no interior, abriram a porteira: esta semana chega às lojas dos EUA o primeiro lote de players Blu-ray com etiqueta de preço de US$ 99,99. Isso mesmo: bem antes do que se pensava, o Blu-ray rompe a barreira dos US$ 100, considerada fatal para transformar o produto num sucesso de vendas – como aconteceu com o DVD cerca de dez anos atrás. O lance é de uma marca que eu mesmo pensava já ter desaparecido: Curtis Mathes, tradicional para os americanos, mas absolutamente inexpressiva fora dos EUA. Provavelmente trazidos da China, seus players – que na pré-venda tinham preço sugerido de US$ 300!!! – chegam agora às lojas trazendo poucos recursos (saída HDMI 1.3, resolução 1080p e upconversion que o próprio fabricante não sabe especificar).

Tem toda pinta de produto descartável. Mas custa 100 dólares! Será que os outros fabricantes vão seguir esse caminho? Aguardemos.

Será que Jobs volta?

steve-jobs-picture-31steve_jobs_with_red_shawlNão foi uma doença qualquer que afastou Steve Jobs do comando da Apple. O homem que revolucionou a indústria do entretenimento teve que fazer um transplante de fígado, depois de ter (oficialmente) superado um tipo raro de câncer no pâncreas. Dois enormes problemas de saúde, portanto. A informação – até agora mantida em absoluto sigilo pela empresa – foi dada neste fim de semana pelo The Wall Street Journal, e não confirmada pela assessoria de Jobs. O homem promete voltar ao trabalho ainda este mês, mas segundo o jornal terá de fazê-lo em ritmo suave, por recomendação médica. O tal transplante teria sido realizado há dois meses, num hospital do Tennessee.

Caso seja verdade, e caso Jobs realmente volte à ativa, terá sido uma dupla vitória: da ciência e do próprio paciente, pois sabe-se que o transplante de fígado é um dos mais delicados, e com alta taxa de rejeição. Acho que, a essa altura, mesmo quem não gosta da Apple torce pela recuperação. No mínimo, para manter a taxa de vida inteligente no planeta.

Nas fotos, imagens de Jobs em 2001, época do lançamento do iPod, e em 2008, quando se retirou para tratamento de saúde.

Plasma que consome menos

Cada vez mais a questão da economia de energia entra na pauta dos fabricantes de eletrônicos. Já comentamos o assunto aqui e vimos de perto essa tendência na CES 2009. Agora, a Panasonic dá mais um passo nessa direção, ao lançar no Brasil um novo TV de plasma que, segundo o fabricante, consome 30% menos: 286 watts, contra 380W, em média, dos demais plasmas. É uma boa diferença. A LG é outra que aposta nessa tendência: incluiu uma função chamada “Energy Saving” nos novos TVs da linha Scarlet. Acionando uma tecla, o usuário pode diminuir o brilho da tela quando a sala está escura, o que reduz o consumo. Já os TVs de led da Samsung fazem isso automaticamente: quando se apagam as luzes, o brilho da tela diminui.

Aliás, os fabricantes deveriam usar mais esse tipo de informação. Poucos usuários sabem que numa sala com pouca luz não há necessidade de brilho intenso no TV. A tendência é que as novas gerações de TV incluam algum tipo de gerenciamento interno, para fazer o controle automático de brilho. É uma boa!

Não à cobrança de assinatura!

Outra medida que pode ser histórica, no setor de telefonia, é a proibição da cobrança de assinatura básica, determinada na semana passada pelo Supremo Tribunal Federal. Curiosamente, a decisão veio a propósito do questionamento de uma operadora, a Oi, contra uma medida da Justiça baiana, que deu ganho de causa a uma consumidora. Para o STF, vale o Código de Defesa do Consumidor. Mais do que isso: valem as decisões dos juízes estaduais, como o da Bahia. Se os tribunais estaduais seguirem esse entendimento, há grande chance da cobrança cair.

É bom lembrar o que diz a Pro-Teste, entidade de defesa do consumidor que acompanha de perto mais de 300 mil processos semelhantes tramitando em todo o País: a decisão do STF firma jurisprudência no assunto. Existem no País cerca de 43 milhões de linhas fixas instaladas, e somente 34 milhões estão em uso. Ou seja, não há mais justificativa para cobrança de assinatura, pois a infraestrutura está ociosa. É o oposto do que ocorre com a rede de celulares, que continua em expansão.

Resta ver se os tribunais estaduais seguirão a diretriz da principal corte do País.

Speedy sob ataque geral

A decisão da Anatel de proibir a Telefonica de vender assinaturas do serviço Speedy pode se tornar um marco na história das telecomunicações no Brasil. É a primeira vez que a agência bate de frente com uma grande operadora, apesar de o setor ser campeoníssimo em reclamações dos usuários. Ou seja, finalmente a Anatel cumpre o papel para o qual foi criada: fiscalizar a prestação desse serviço essencial e punir as prestadoras que não trabalham direito.

Protagonista de inúmeras panes ao longo dos últimos meses, a Telefonica de certa forma abusou do direito de errar. Suas explicações para as falhas – tanto no Speedy (banda larga) quanto na telefonia – chegaram a ser patéticas, como aquela história de que sua central havia sido atacada por hackers! O fato é que agora a Anatel determinou que a operadora não venda mais pacotes do Speedy, até que comprove ter tomado as providências necessárias para evitar novas panes (foi dado prazo de 30 dias para que seja apresentado um plano nesse sentido). Se vender, receberá uma multa histórica: R$ 15 milhões, mais R$ 1.000 para cada novo pacote vendido (se essas multas vão ou não ser pagas, é outra coisa…). 

Além da Telefonica, estão sendo ameaçadas de punição as empresas NMI e UL Certificações, responsáveis pela checagem do equipamento usado pela operadora, e a chinesa Huawei, que fabrica os roteadores. 

Vamos ver se as ameaças são cumpridas. E, principalmente, se o serviço melhora. A propósito do assunto, leiam esta ótima reportagem de Daniela Braun, publicada no IDG Now.

TV Abril fora do ar

Terminou da pior maneira possível o projeto de televisão do Grupo Abril. Depois de tentar, por meses a fio, entrar na grade da Net e da Sky, sem sucesso, a empresa decidiu suspender as transmissões dos canais FizTV (o primeiro do País produzido a partir de conteúdos gerados pelos telespectadores) e Ideal (especializado em negócios). Não houve acordo com as duas maiores operadoras de TV paga, ambas pertencentes às Organizações Globo, que pelo visto não quiseram abrir uma brecha sequer para que a Abril crescesse no setor de TV (é bom lembrar que a Abril é sócia da Telefonica na TVA, concorrentes diretas da Sky e da Net).

O ruim é que os dois projetos da Abril são interessantes e mereciam maior atenção. O FizTV é um meio termo entre canal de TV e rede de relacionamento, algo como um “YouTube na TV”. Para quem acha que as duas mídias – TV e internet – irão cada vez mais convergir entre si, poderia ser uma boa aposta para o futuro. Já o Ideal abre espaço para as empresas, os executivos e pessoas que buscam expandir seus horizontes profissionais. Talvez ambos os canais estejam ainda à frente de seu tempo, ou seja, eventuais anunciantes e patrocinadores, que poderiam viabilizá-los, não se convenceram de que esse tipo de proposta dê retorno.

De qualquer maneira, o fato de a Abril ter desistido deles não significa que não podem dar certo mais à frente. “Quando começamos, não imaginávamos que o mercado seria tão fechado”, lamentou-se o diretor dos canais, André Mantovani, em entrevista ao Tela Viva. Sim, é fechado, e muito. A falta de competição – mais do que isso: as barreiras a qualquer tipo de concorrência – é uma característica da televisão brasileira, e mais ainda na TV paga. Deveria ser o contrário: quando se compra uma assinatura, recebe-se uma infinidade de canais empacotados, sem que o assinante tenha opção. Por que, então, não abrir de vez esses pacotes, dando ao telespectador a liberdade de escolher o que quer ver?

A pergunta fica no ar. Literalmente.

Jornalistas sem diploma

O Brasil ficou mais democrático esta semana, com a decisão do Supremo Tribunal Federal de abolir a exigência de diploma para quem exerce a profissão de jornalista. Essa lei, aprovada na época da ditadura militar (justamente quando a imprensa estava sob censura), significou durante todos esses anos uma odiosa reserva de mercado para pessoas que, mesmo sem qualificação, conseguiam emprego armadas de um diploma. E serviu também para estimular a multiplicação de dezenas de escolas de jornalismo que são, na verdade, meros caça-níqueis.

Sou diplomado em Jornalismo pela USP, e nem por isso me considero melhor profissional do que diversos colegas que não fizeram o curso. Grandes repórteres, editores e redatores que conheci jamais cursaram faculdade de jornalismo – e aí podemos incluir até imortais como Nelson Rodrigues, Carlos Drummond de Andrade, Otto Lara Rezende e tantos outros. Bom jornalista é aquele que sabe escrever, não o que faz curso superior. 

Não resisto a comparar essa lei às tais cotas para negros nas universidades. Funciona como uma espécie de preconceito invertido: se alguém precisa de cota (ou reserva de mercado) para conquistar o seu espaço, é porque esse alguém é incapaz de consegui-lo por mérito próprio. Ou não?