Archive | July, 2009

Informação e contra-informação

O site Comunique-se, que cobre os bastidores da imprensa (e por isso é uma leitura indispensável), revela que o senador José Sarney contratou uma equipe de jornalistas iniciantes para defendê-lo das tantas acusações que circulam na mídia. Como Sarney pensa que a “grande imprensa” está contra ele (Lula também acha), qual será a arma desses office-boys? Os blogs. Isso mesmo: com nomes falsos, eles estão ocupando páginas do Twitter, Orkut e demais meios de informação virtual para tentar limpar a imagem do homem de bigode. Que eu saiba, é o primeiro esforço de mídia do gênero (a notícia saiu no jornal Correio Braziliense, e Sarney desmentiu). Cada jornalista receberá salário de R$ 1.800, mas – atenção – sem registro, recibo, nota fiscal ou nenhum comprovante de pagamento. Exemplo claro de “jornalismo fantasma”.

Preparem-se, portanto, aqueles que costumam se informar pela internet. Mais do que nunca, fica valendo a velha máxima: duvide sempre do que você lê.

Quem quer assistir TV?

O presidente Lula deve ter ficado irritado (se é que estava sóbrio) ao ouvir Dilson Funaro, executivo da LG, defender a interatividade na televisão, em evento ontem em São Paulo. Funaro fez o seu papel: a LG é uma das desenvolvedoras do sistema que permitirá, se o governo deixar, que tenhamos serviços interativos na TV brasileira, como acontece em outros países. Vem trabalhando em conjunto com a Rede Globo para criar a maior variedade possível de recursos desse tipo, pois sabe que eles ajudarão a vender mais TVs. Segundo Funaro, assim que a Anatel regulamentar o padrão Ginga, já será viável colocar nas lojas televisores com essa capacidade. E a Globo diz o mesmo, como já comentei aqui: assim que a Anatel autorizar, os telespectadores que tiverem o Ginga poderão acessar esses serviços na TV aberta.

Na verdade, diz a LG, televisores capazes de receber interatividade já existem. São os novos modelos da linha Time Machine Digital, que possuem disco rígido interno com 160GB, o suficiente para gravar até 13 horas de programas em alta definição (veja o vídeo). Esses TVs possuem uma entrada USB, pela qual será possível conectar um computador e baixar o software da internet. Esse seria o melhor dos mundos: o consumidor não precisaria comprar mais uma caixinha preta! A alternativa é vender um modem Ginga à parte, o que também depende de regulamentação da Anatel. A promessa de todos – inclusive o pessoal do Fórum SBTVD – é que tudo isso esteja resolvido até o final do ano. Vamos ver.

Mas, por que citei o presidente Lula no início? Sim, ele estava no evento de ontem e, como todos, aplaudiu o discurso de Funaro. Deve ter se esquecido que, na semana passada, ao anunciar o programa Vale Cultura, declarou: “Vamos ver se agora as pessoas saem da frente da televisão”. Ora, se é para não assistir TV, então para quê interatividade? Alguém precisa lhe explicar o que é isso. Talvez até a eleição do ano que vem ele consiga entender.

CEDIA volta a São Paulo

Falando em debates, acabo de receber o programa do próximo capítulo do CEDIA Brasil – On The Road, que acontece no dia 15 de agosto, um sábado, em São Paulo. Desta vez, os profissionais terão um dia inteiro – um dia só – para aprofundar seus conhecimentos e tirar suas dúvidas com o projetista americano Eric Lee, que já esteve aqui no ano passado. Seu tema principal será a integração dos equipamentos de áudio e vídeo com os demais sistemas existentes numa residência, incluindo aí segurança, ar-condicionado, iluminação, internet e rede sem fio, entre outros (as possibilidades aqui são quase infinitas). Recomendo a participação, porque Lee – além de extremamente didático – é um dos instrutores mais requisitados da CEDIA nos EUA. Só para deixar todo mundo com água na boca: foi ele quem projetou os sistemas eletrônicos na mansão de Michael Jordan!!!

Nunca é demais repetir: num país tão carente de educação e informação qualificada, nenhum profissional que pretenda evoluir na carreira pode desperdiçar uma oportunidade como essa. É aperfeiçoamento certo, no melhor sentido da palavra. Os detalhes do curso estão neste arquivo: CEDIA-REG-SP. E mais informações podem ser solicitadas aqui.

TV por assinatura, em debate

Prometem ser acalorados os debates durante o Congresso 2009 da ABTA, que acontece a partir do dia 11 em São Paulo. Primeiro, por causa do momento conturbado que vive o segmento, colocado no centro da discussão sobre o atendimento via call-center, que gerou a inimaginável multa de R$ 300 milhões à Oi e à Claro – certo, ambas são do setor de telefonia, mas as operadoras de TV paga também são acusadas de mau atendimento pelo Ministério de Justiça, que nesse assunto decidiu unir-se aos Procons; e, depois, devido à concorrência propriamente dita, especialmente agora que a OiTV existe e está prometendo agitar o mercado.

Fui conferir o programa de debates e, logo no primeiro dia, vejam só, serão colocados lado a lado, na mesma mesa, os principais executivos das quatro maiores operadoras: Net, Sky, TVA e Embratel, além de Alberto Pecegueiro, presidente da Globosat (a Oi, pelo visto, ainda não é considerada participante do segmento). O tema proposto: “Perspectivas (do setor de TV paga) para os Próximos 20 Anos”. Se cada um dos participantes falar à mesa o que diz nos bastidores, vai ser preciso reforçar a segurança do evento…

Bem, mas o Congresso promete muito mais. Estarão presentes os maiores especialistas do País em matéria de televisão, especialmente essa prestação de serviço tão mal explorada no Brasil que é a TV por assinatura. A grade de palestras e debates já dá uma boa idéia: “WiMax – Uma Realidade para a TV por Assinatura”, “Banda Ultra-larga”, “Modelos de Negócios para Video-on-demand”, “TV Paga e Telefonia Móvel”, “Pacotes para as Classes A a C”, “Conteúdos Diferenciados para Internet e Celular”, “Pirataria Digital”, “HDTV”, “IPTV” e “Mundo sem Fio”, entre outros tema (veja aqui a programação completa).

Mineiramente, os organizadores bolaram ainda um painel sobre a polêmica questão do “Atendimento” e chamaram para comandá-lo o deputado Celso Russomano, que tenta ganhar votos posando de defensor dos consumidores. Só pode ser lobby para abrir espaço ao setor de TV paga no Congresso. Melhor pular essa parte. No mais, é um dos melhores programas de toda a História da ABTA, completando 20 anos da implantação da TV por assinatura no País. Imperdível.

Projetores e projetores

Recebo de meu amigo João Carlos Jansen Wambier o link para um interessante comparativo entre projetores 3LCD e DLP. O site Projector Central, uma das mais ricas fontes de informação sobre o assunto, compara as duas tecnologias que hoje disputam o segmento de sistemas de projeção. Não toma partido de nenhuma, mas descreve vantagens e desvantagens didaticamente, o que é essencial para quem está em vias de escolher seu novo equipamento. É bom lembrar que um projetor, por melhor que seja, apresenta limitações quando se usa uma tela de má qualidade. Portanto, é importante julgar o conjunto projetor + tela, e não apenas cada um deles individualmente.

Vamos adaptar esse conteúdo em breve para publicar no Brasil.

Samsung e LG juntas? Acredite

Coisas de país desenvolvido: o governo da Coréia do Sul, através do Ministério da Economia do Conhecimento (sim, lá eles têm isso), lançou um plano para fabricação em massa de chips para smartphones e televisores digitais. Segundo The Wall Street Journal, vai investir US$ 15 milhões no projeto. E mandou chamar as duas maiores corporações do País para participarem: cada uma entra com mais US$ 8,5 milhões. Fez-se assim o milagre: as duas grandes rivais trabalharão juntas para tornar a Coréia o maior fornecedor mundial de chips de última geração nos próximos anos.

A princípio, caberá à LG o design dos chips, ficando a Samsung encarregada da produção em si. Faz parte do projeto também a SK Telecom, maior operadora telefônica coreana, que pretende desenvolver chips específicos para conectividade (são chips dedicados, que contêm todas as instruções operacionais de um celular, por exemplo). Entre outros avanços, os novos chips serão compatíveis com a comunicação GPS, agregando mais valor aos equipamentos.

É esperar para ver.

O futuro da tecnologia

A respeito do tema que coloquei aqui ontem – economia de energia – recebi de José Roberto Muratori, da Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial), o link para o Instituto do Futuro. Vocês conhecem? Trata-se de um grupo de profissionais dedicados a analisar a tecnologia pelo ponto de vista que mais interessa, ou seja, os benefícios que pode trazer aos usuários, sejam estes pessoas físicas ou jurídicas. Vale a pena dar uma olhada. O tema é muito amplo, mas infelizmente temos no Brasil poucas fontes de informação confiáveis. Agora que todo mundo parece estar “descobrindo” a natureza e se preocupa com a questão energética, eis aí um ótimo ponto de partida para entender e debater a questão.

Grandes discos por US$ 2,80

gabrielEm vez de “roubar” música na internet, que tal comprar legalmente, a um preço mais do que convidativo: apenas 2,80 dólares por álbum? E o melhor: música de altíssima qualidade, selecionada por algumas das pessoas que mais entendem do assunto. Falo da Society of Sound Music, uma espécie de clube de fãs da boa música internacional, criado pela Bowers & Wilkins, mais conhecida como B&W, um dos principais fabricantes de caixas acústicas do mundo. Quando estive na Inglaterra para conhecer a fábrica, ganhei um convite para entrar nesse clube. E fiz muito bem de aceitar.

Onde mais você encontra gravações feitas especialmente para a B&W, nos estúdios que a fábrica utiliza para testar suas próprias caixas acústicas, algumas das quais são encontradas nas melhores gravadoras e salas de concerto? Não, não são artistas conhecidos, nada de megastars, nem de música descartável. A empresa contratou até um “curador”, chamado Peter Gabriel, aquele mesmo que fundou o grupo de rock progressivo Genesis, no final dos anos 60, e depois tornou-se um dos principais nomes da música contemporânea em carreira-solo. É ele quem seleciona os artistas, a maioria nomes novos na cena internacional em jazz, pop, rock e erudito, e faz a checagem final da qualidade de cada gravação.

Mas a Society of Sound Music não é um clube fechado, no sentido restrito. Os “sócios” podem participar através de um fórum onde se discute tudo sobre música e equipamentos de áudio, em altíssimo nível, inclusive (quando é o caso) para criticar uma gravação ou um artista. A B&W garante a qualidade de todas as faixas comercializadas. Vale a pena descobrir.

IBM e Intel na TV Digital

A sempre bem informada colunista Cristina de Luca, do site Convergência Digital, pescou a informação de que a IBM e a Intel agora fazem parte do Fórum do SBTVD. Ambas apostam no crescimento da TV Digital em toda a América Latina, e sua adesão tem a ver com a possibilidade de outros países do continente adotarem o mesmo padrão do Brasil, por uma questão de economia de escala. Mostra também que os americanos desistiram de tentar vender seu padrão ATSC abaixo da linha do Equador. Mas o mais importante, como lembra Cristina, é que a Intel é parceira da Sun no desenvolvimento do software Ginga-Java, o que pode apressar a regulamentação da interatividade.

O problema, agora, é só saber como fica a ação direta de inconstitucionalidade pedida pelo PSOL contra o decreto que instituiu a TV Digital no Brasil, e que está para ser julgada pelo Supremo Tribunal Federal. Se quiser, o STF pode jogar água (e muita) nesse chope.

Economizando energia (pra valer)

relogioA propósito do comentário que fiz aqui outro dia sobre cidades inteligentes, vejam este estudo da Parks Associates, empresa que monitora as principais tendências em tecnologia. Já existem 8 milhões de casas, nos EUA, utilizando smart meters, que são medidores de consumo de energia programáveis; esse número deve subir para 13,6 milhões em 2010 e para 33 milhões em 2011!!!

Pode parecer exagero, mas é fato que cada vez mais a indústria investe em equipamentos de menor consumo. Smart meter é o nome dado aos novos “relógios”, como o da foto (existem outros modelos). Parece os tradicionais, que todo mundo tem junto ao portão e onde o funcionário da companhia de energia passa todo mês para medir a conta de luz. Pois é, parece mas é diferente. Chama-se medidor “inteligente” porque pode gerenciar o consumo de todos os aparelhos da casa, informando ao usuário, em tempo real, quanto está sendo gasto. Alguns, mais sofisticados, podem ser acessados pela internet, mesmo que o dono da casa esteja longe.

Aqui no Brasil, sei de alguns estudos – e até projetos já concluídos – com esse recurso. Já existe até uma entidade especializada, que atende pelo site http://www.smartgrid.com.br/ e realizará um evento a respeito em novembro. É, sem dúvida, um assunto que interessa a todos. Leiam, a respeito, este artigo.

Cinema 3D, urgente!!!

avatarnytHollywood anda mais do que alvoroçada com a onda do cinema 3D. Já comentei aqui o assunto algumas vezes, mas a semana passada extrapolou: mais de 6 mil convidados se amontoaram num centro de convenções de San Diego, Califórnia, para assistir às pré-estréias de filmes que chegam aos cinemas americanos daqui até o final do ano. Todos esses lançamentos têm em comum as imagens em três dimensões, tecnologia que dez entre dez experts dizem que será a salvação dos estúdios.

Para criar o devido frisson, como convém a essas ocasiões, os departamentos de RP dos principais estúdios bolaram o evento chamado Comic-Con. Quatro telas gigantes se iluminaram na noite de quinta-feira para mostrar trailers de “Um Conto de Natal”, remake da história centenária de Charles Dickens, agora dirigida por Robert Zemeckis (De Volta para o Futuro) e estrelada por Jim Carrey; “Alice no País das Maravilhas“, na versão dirigida por Tim Burton e com Johnny Depp no papel principal; “Avatar”, a superprodução de James Cameron (Titanic) que antes de sair já é considerada obra-prima; e outros menos cotados. Milhares de óculos 3D, com fones de ouvido Dolby, foram distribuídos para que todos pudessem admirar as imagens e o som.

Não deu outra: segundo o jornal especializado Variety, foi um sucesso total, abrindo caminho para as grandes bilheterias que Hollywood espera alcançar com a novidade. “Este é o nosso futuro”, entusiasmou-se Zemeckis ao apresentar seu filme, em que o genial Jim Carrey faz nada menos do que oito personagens. A idéia é que cada um daqueles 6 mil convidados se transforme em garoto-propaganda do cinema 3D. O primeiro filme da nova safra é “Força G”, que estreou no últim fim de semana batendo a bilheteria de “Harry Potter” (sai no Brasil esta semana). Para “Avatar”, que estréia em dezembro, Cameron (foto) e o estúdo Fox preparam o “Avatar Day” (21 de agosto), quando centenas de cinemas pelo mundo afora exibirão 15 minutos do filme, além de mostrar um videogame e brinquedos com os personagens.

No cinema de hoje, é assim que se criam os grandes sucessos.

De olho no Procon

Levantamento publicado pelo Estadão no último sábado confirma o que já se sabia, agora com números oficiais: os serviços de telecomunicações no Brasil são os campeões em queixas da população aos Procons. Claro, não é novidade. Já foi denunciado centenas de vezes. Só que agora o governo decidiu agir. O Ministério da Justiça enviou relatório à Anatel pedindo explicações, com cópia ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público Federal, que terão de se pronunciar. E, já a partir desta semana, deverão ser tomadas medidas concretas contra as operadoras.

“De cada três consumidores, um foi ao Procon por causa dos serviços de telecomunicações, e o mais grave é que as reclamações se repetem ao longo dos anos”, diz o diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça, Ricardo Morishita. Segundo ele, a repetição das queixas revela que as empresas não estão interessadas em resolvê-las. “Diante da complexidade tecnológica, é razoável que existam problemas, mas não faz sentido que persistam os mesmos problemas ao longo do tempo. Há uma decisão empresarial de não enfrentá-los.”

Vamos ver até onde vai o poder de Morishita. Os consumidores agradecem.

Filmes em cartão SD

panasonic-32gb-sd-memory-cardA Panasonic do Japão encontrou uma saída original para popularizar seus cartões de memória SD: vendê-los com filmes dentro, como se fosse um disco DVD. Isso mesmo: segundo o jornal americano Variety, a Disney é o primeiro grande estúdio a topar a parceria, que começa pra valer em novembro, inicialmente apenas no mercado japonês. Os consumidores de lá poderão comprar seus filmes em cartão, pagando o equivalente a 53 dólares cada. O preço é alto mesmo, e de propósito, já que a Disney não quer canibalizar a venda dos DVDs convencionais. Mas a novidade atende principalmente aos interesses da Panasonic, que está lançando uma nova linha de TVs com entrada para cartão. Os filmes poderão ser vistos também em celulares, câmeras digitais, media players portáteis e players de automóvel. O primeiro título a ser lançado no novo formato será a trilogia “Piratas do Caribe”.

Um player para 400 discos!

CX7000ES_lgA joinha aí da foto chega ao mercado americano agora em agosto. A Sony local informa que aposta muito nela. Cabem até 400 discos Blu-ray (alguém aí já tem tantos discos assim?). Claro, aceita também CDs e DVDs, inclusive fazendo upconversion para 1080p. O sinal de áudio já sai em 7.1 canais, e você pode jogá-lo em sua rede doméstica via saída Ethernet. Sim, basta ligá-lo a um roteador WiFi e a festa está pronta. O nome? BDP-CX7000ES. O preço? 1.900 dólares. É só encomendar o seu, na loja Sony Style. Mas tenha calma, só começa a vender em agosto.

Vale Ignorância

“Vamos ver se agora as pessoas saem da frente da televisão”

“É preciso acabar com essa história de produzir livro de fotografia enorme, pesado que é uma disgrama (sic) e que ninguém vê”.

Alguma dúvida sobre o autor das duas pérolas acima? Sim, ele mesmo, nosso presidente, em dois eventos esta semana onde lançou um programa chamado “Vale Cultura”, que pretende incentivar as pessoas mais humildes a visitar cinemas, teatros, museus etc. Para constrangimento dos presentes (pelo menos aqueles que têm alguma vergonha na cara), Lula criticou sem dó as elites culturais do País, simbolizadas na chamada Lei Rouanet, principal instrumento oficial de apoio à cultura. O Vale Cultura, se aprovado no Congresso, vai funcionar mais ou menos como o Vale Transporte: o trabalhador receberá um cartão que lhe dará direito a R$ 50 por mês para consumir com programas culturais.

Já comentei aqui o que acho sobre incentivos governamentais à cultura. Mas este novo projeto é um caso à parte. Alguém imagina que o trabalhador humilde irá se sensibilizar com o tal cartão? E que irá deixar de ver o lixo cultural da televisão para ir a museu? A questão é que, numa tacada só, Lula dá dois golpes de marketing. Mostrando que aprendeu muito com Getulio Vargas, garante mais uma vez o apoio de artistas sempre de olho nas verbas públicas (vários deles estavam lá, prestigiando os eventos). E, ao mesmo tempo, finge que está ajudando os pobres, com mais uma bolsa-esmola. Nenhuma palavra sobre investimentos em educação básica, que é o que poderia fazer as pessoas se interessarem em consumir mais cultura. Isso não rende votos, nem apoio dos artistas.

Estes, aliás, deveriam se rebelar publicamente contra a tal frase sobre os “livros de fotografia”. Alguns dos maiores nomes da arte brasileira produziram livros desse tipo, muitos inclusive sem qualquer apoio oficial, e são reconhecidos no mundo inteiro pelo seu talento. Lula, que provavelmente nunca os leu, não está nem aí com esses artistas; prefere aqueles outros. E, quando se encontra com líderes estrangeiros, dá de presente camisas desbotadas da seleção brasileira, e não obras de arte.

Não é à tôa que intelectuais como o prof. Antonio Candido, um de seus apoiadores, se dizem envergonhados.

QuantoÉ?

isto_eO título acima me veio à lembrança ao ler hoje a notícia de que Daniel Dantas acaba de comprar a Editora Três, que publica – entre várias outras revistas – IstoÉ e IstoÉ Dinheiro. O furo foi dado na Folha Online pelo colunista Guilherme Barros, e a oficialização do negócio deve sair na próxima semana.

Como em tudo na vida, há nessa história um lado bom e um ruim. O bom é que dezenas (ou centenas? ou milhares?) de trabalhadores da empresa, que estão com salários atrasados, devem ter sua situação regularizada – pelo menos é o que promete o comprador, a quem, como se sabe, não falta dinheiro. Há anos a Editora Três vive de enganar seus funcionários, quando não os leitores, posando de defensora da livre iniciativa, enquanto se envolve em negócios mais do que estranhos. Recordo que tempos atrás associou-se ao ex-governador paulista Orestes Quércia, quando este tinha planos ambiciosos na política. Já defendeu também Maluf, Brizola, Garotinho e Lula, quando lhe interessava.

Bem, o lado ruim nem precisa ser muito detalhado. Daniel Dantas como dono de uma editora torna-se ainda mais poderoso. E, sabendo-se de suas inúmeras pendências judiciais, nem dá para prever o que ele é capaz de fazer. Infelizmente, é para isso que serve a imprensa no Brasil – em tempo: segundo a notícia, Dantas ganhou uma disputa em que concorriam também o Bispo Edir Macedo e o empresário Nelson Tanure, que recentemente levou à falência o jornal Gazeta Mercantil e também vive atrasando os salários no seu Jornal do Brasil. O que dá uma boa idéia de quem são as companhias de Domingo Alzugaray, dono da Três.

Mas, por que lembrei do título acima? Sim, foi uma criação da Veja, eterna rival da IstoÉ, quando anos atrás as duas revistas entraram numa acirrada polêmica. Após denunciar uma série de escândalos envolvendo a concorrente, acusada entre outras coisas de vender reportagens a políticos e empresários, Veja saiu-se com este primor de slogan: “IstoÉ, a revista mais vendida do Brasil”.

Home theater nos cinemas

A iniciativa é da Samsung e parece, no mínimo, ousada: mostrar aos freqüentadores de cinemas que eles podem ter em casa a mesma sensação de envolvimento. Como? Instalando equipamentos Samsung, é claro. Bem, não é tão simples assim. A idéia é muito original e extremamente interativa. Quem for a alguns cinemas de São Paulo, Campinas, Rio, Porto Alegre e Brasilia até o dia 18 de agosto (depois também em Salvador) irá se deparar com TVs Samsung exibindo cenas do filme “Transformers” primeiro em estéreo, depois em surround 5.1, com as devidas explicações dos demonstradores da Samsung. E poderá literalmente “entrar no filme”: se for homem, seu rosto aparecerá no corpo do ator Shia LaBeouf, astro do filme; se for mulher, na pele de Megan Fox, a estrela.

Para divulgar a promoção, a empresa criou até um hot site: http://www.samsung.com.br/hometheater/. Confiram e dêem suas opiniões.

Os perigos do Twitter

As chamadas redes sociais estão na moda. Palavras como Twitter, Orkut, Facebook e MySpace são repetidas à exaustão. Algumas viraram até verbo: “twittar” tornou-se sinônimo de freqüentar esses espaços virtuais e (per)seguir as pessoas que lá estão e com quem se tenha alguma ligação ou afinidade. Determinadas celebridades – ou mesmo pessoas nem tão célebres assim – sentem-se bem em dizer que são seguidas por milhares de internautas, como se fossem líderes de alguma seita prometendo a felicidade eterna!

Pois bem, eu – que não tenho página no Twitter, nem pretendo ter tão cedo, até porque não gosto de ser seguido – tenho visto com cada vez mais freqüência empresas incluindo suas marcas nessa rede, algo que os teóricos do marketing  julgam imprescindível para conquistar a fidelidade do consumidor. E vejam o que aconteceu, segundo leio na Folha de S.Paulo, com duas celebridades, os apresentadores de TV Luciano Huck e Marcelo Tas. Ambos descobriram que têm “perfis falsos” no Twitter. O que vem a ser? Simples: você entra no site e se cadastra com nome falso, atribuindo-se qualificações falsas e prometendo mundos e fundos a seus seguidores. Eu, por exemplo, posso ir lá e criar uma página dizendo que sou Roberto Carlos! Haveria certamente milhares de fãs me seguindo.

Assim é a vida no mundo virtual. Já vimos o que aconteceu com a enciclopédia Wikipedia, onde informações inverídicas são postadas a toda hora; no Second Life, onde as pessoas podem criar “uma outra vida”; e mesmo no MySpace e no Orkut, que se transformaram em fontes para multiplicação de vírus e programas piratas. É preciso cuidado ao associar seu nome ou sua marca a uma “comunidade” onde todo mundo escreve tudo e aceita tudo. É democracia demais para minha cabeça.

Cidades inteligentes

A imprensa paulista deu destaque esta semana para dois projetos do governo estadual que prometem revolucionar a vida da população. Um deles faz parte da antiga (e já longamente discutida) idéia de revitalizar o Rio Tietê: seria construir parques nas margens do rio, com árvores e demais atrativos para as pessoas se sentirem confortáveis. O outro projeto, mais a longo prazo, seria o que está sendo chamado de “rodobarco” – uma alusão ao rodoanel, que está circundando aos poucos a periferia da capital paulista. Agora, o “círculo” seria formado pelos dois principais rios que atravessam a cidade (Tietê e Pinheiros), interligando-os às diversas represas e lagos que se espalham em torno. Haveria então um sistema de transporte público fluvial, permitindo ir, digamos, da Zona Norte à Zona Sul, em tempo bem mais curto do que o que se gasta hoje, mesmo de automóvel.

Comento as duas notícias a propósito de um congresso que acaba de acontecer nos EUA, patrocinado pela revista Fortune, sobre o tema “cidades inteligentes“. Especialistas de diversas empresas e do governo americano exibiram suas teses sobre o uso adequado da tecnologia para tornar melhor o padrão de vida nas grandes cidades. Um deles deu este dado: embora ocupem apenas 2% do território mundial, as grandes áreas urbanas são responsáveis por 75% das emisões de gás no mundo atual. Outra revelação espantosa: até 2025, haverá no mundo mais de 200 cidades com população superior a 1 milhão de habitantes.

Teoricamente, a tecnologia de hoje poderia ajudar (e muito) a tornar esses aglomerados urbanos mais habitáveis. Mas, será que as empresas estão preparadas para isso? Não, foi a conclusão unânime dos participantes. “O modelo de negócio da indústria hoje é baseado na complexidade”, resumiu Greg Papadopoulos, diretor de tecnologia da Sun Microsystems. “A tecnologia se sustenta na troca constante de produtos, em ganhar dinheiro com as atualizações. O consumidor não aceita mais isso. Falhamos miseravelmente, pois os aparelhos continuam complicados e funcionando mal. Se não mudarmos esse modelo, seremos sempre amaldiçoados”.

Uma belíssima confissão de culpa, partindo de um legítimo representante da indústria eletrônica. Tenho conversado regularmente com executivos do setor, e sempre ouço a mesma conversa: os produtos têm que ser complexos (ou pelo menos dar essa impressão), caso contrário o consumidor não os valoriza. “Ele concorda até em pagar mais caro por recursos que jamais irá usar”, me disse um desses executivos outro dia. Pode até ser, mas a declaração do diretor da Sun coloca em xeque esse conceito.

Esse tema, portanto, precisa ser melhor discutido. Mas, voltando à questão das cidades inteligentes, fica difícil imaginá-las quando nem a própria indústria – a quem cabe criar os tais “produtos inteligentes” – admite seu fracasso.