Archive | agosto, 2009

Será que o Blu-ray já vai morrer?

Não, não estou maluco. A pergunta acima é feita pelos repórteres do Estadão na edição de hoje. O questionamento se deve à constatação de que o número de downloads de filmes só faz aumentar, enquanto as lojas de discos físicos (tanto para compra quanto para locação) não param de fechar suas portas. Mesmo admitindo que o Blu-ray tem qualidade superior, o jornal conclui que o custo ainda é muito alto. Na mesma linha da Veja semanas atrás, o raciocínio é de que poucos têm acesso a essa tecnologia. Como “todo mundo” tem acesso à internet, conclusâo: o Blu-ray está com seus dias contados.

Na verdade, a reportagem vai muito além disso. Há um levantamento detalhado sobre o mercado de filmes para consumo doméstico: DVD, Blu-ray, sites para download, sites de streaming… Há ainda uma tabela comparativa entre alguns Blu-ray players à venda no Brasil, tendo sempre como parâmetro o preço: o novo BD-S360, da Sony, que custa R$ 999, é o melhor (não há no texto qualquer referência a eventuais testes práticos que tenham sido feitos para chegar a essa conclusão). Como vem acontecendo seguidamente na imprensa, é mais um texto que afasta o consumidor do Blu-ray e incentiva a prática dos downloads. Certos trechos parecem mesmo “torcer” para que acabe logo essa mania de ter que ir buscar o filme na locadora, hábito definido como “do século passado”.

Bem, também já fui acusado aqui de “torcer contra o Blu-ray”, então acho que não posso falar muito… Mas encontrei na reportagem (que amanhã deve estar disponível no site do jornal) uma frase que, para mim, resume a situação: o Blu-ray não vai morrer, e talvez nem o DVD venha a desaparecer, como está aí o nosso velho vinil para provar. O surgimento de novas opções de entretenimento não significa necessariamente a morte de outras. Quem quiser baixar seus filmes na internet terá, com certeza, cada vez mais alternativas. Mas quem gosta de ir à locadora, olhar a capa do filme, trocar idéias com o atendente etc. etc. etc., vai continuar indo. Por mais que alguns torçam contra.

Conversores: a dança dos números

Um dos temas mais discutidos no Congresso da SET, realizado semana passada em São Paulo, foi o mercado de conversores de TV Digital, os já famosos “set-top box”, nome que, aliás, vai ficando para o passado. A opção da maioria dos fabricantes pela inclusão da caixinha dentro dos televisores praticamente torna obsoletos esses aparelhos, que chegaram a ser vistos, no início, como caixas mágicas.

A discussão é sobre o número de conversores vendidos no Brasil. O Fórum SBTVD divulgou uma estatística difícil de engolir: 1,8 milhão de receptores digitais. O número inclui conversores externos e internos, além dos mini-receptores 1-seg, que são usados em notebooks, e dos celulares com sintonizador de TV Digital. O site Tela Viva foi atrás e levantou, extraoficialmente (não há como calcular de fato), que foram vendidos no máximo 100 mil receptores externos e cerca de 80 mil televisores com o acessório embutido. A quantidade de celulares com receptor de TV é ínfima, até porque são geralmente os modelos mais caros. Como se chega daí até 1,8 milhão, é um daqueles mistérios que só o marketing explica…

Na verdade, o Fórum soma na sua conta os TVs (Full-HD e HD-ready) que não têm receptor embutido e, portanto, não conseguem captar o sinal das emissoras digitais. É mais uma tentativa de fazer crer que a TV Digital no Brasil é um grande sucesso e, com isso, convencer investidores, anunciantes e também o nobre telespectador a aderir. Mais: faz parte de um lobby para promover o padrão nipo-brasileiro junto a outros países. Como se sabe, a Argentina anunciou neste fim de semana sua adesão ao SBTVD (cujo nome comercial é ISDB-T), assim como já havia feito o Peru. Espera-se que Equador e Venezuela sigam o exemplo, e já há uma missão diplomática brasileira na África, tentando vender o padrão.

Nada contra: quanto mais países aderirem, melhor para todo mundo, porque o custo dos equipamentos tende a cair. O governo brasileiro faz bem em tentar vender o “seu” padrão e estimular fabricantes nacionais a produzirem não só conversores, mas também equipamentos de transmissão e modems de interatividade. Vai gerar empregos e baratear os preços. Mas não se deve confundir isso com política tecnológica. A Argentina só desistiu do padrão americano por pressão do governo brasileiro, que está até emprestando dinheiro a dona Cristina. Venezuela e Equador querem o padrão brasileiro por motivos políticos (peitar os EUA), não tecnológicos.

Tenho certeza de que a maioria dos usuários não está nem aí com os números. O que todos querem é que a TV Digital funcione, que haja mais programas em alta definição e que o preço das assinaturas baixe. Ou não?

Homexperience: um passo à frente

Começa a funcionar esta semana o Homexperience, novo espaço voltado para profissionais ligados a home theater e automação em São Paulo. A idéia é excelente: aproximar instaladores, arquitetos e decoradores através da troca permanente de informações e experiências. Para isso, foram montados show-rooms, salas de treinamento e/ou de convivência, onde o profissional pode, por exemplo, levar um cliente para experimentar de perto as soluções propostas. Ainda não pude conhecer, mas fiquei muito curioso. Acessem o site: www.homexperience.com.br

IFA, aqui vamos nós.

Nesta segunda-feira, embarco para Berlim, onde irei cobrir a edição 2009 da IFA, o principal evento de tecnologia de consumo da Europa (hoje, é o segundo do mundo em importância, atrás apenas da CES). Apesar da recessão mundial, as notícias que recebo da Alemanha são animadoras. A quantidade de novos lançamentos previstos é grande, com a maior parte da indústria acreditando que essas novidades são fundamentais para resgatar o otimismo do consumidor. É bom lembrar que a IFA, ao contrário da CES, é aberta ao público: das cerca de 250 mil pessoas que habitualmente visitam os pavilhões da Messe Berlin, quase metade é formada por usuários finais.

E o que podemos esperar da IFA ´09? Arrisco alguns palpites:

TV 3D – Sem dúvida a grande aposta de fabricantes, produtores de filmes e revendedores. Os mais otimistas acham que já em 2010 teremos no Primeiro Mundo esse tipo de televisor à venda por um custo razoável.

Telas finas – Já sei de pelo menos quatro fabricantes que vão entrar pesado na briga dos TVs de LED e/ou dos plasmas ultrafinos. É provável que alguns já mostrem suas armas em Berlim.

WebTV – Outra tendência inevitável da indústria, pelo apelo que tem junto ao consumidor nestes tempos de conectividade total. TVs com acesso direto à internet serão cada vez mais comuns.

Casa digital – Haverá um pavilhão inteiro dedicado a soluções para a casa toda, e não apenas a sala ou o escritório. Trabalham em conjunto fabricantes de áudio, vídeo, informática, eletrodomésticos, sistemas de segurança, aparelhos médicos…

Wireless – Mais uma vez, as grandes redes de televisão e operadoras telefônicas européias vão brilhar na IFA com uma enorme oferta de conteúdos. O destaque é a TV móvel, conceito que abriga todo tipo de material que possa ser distribuído remotamente para acesso em dispositivos portáteis.

Como se vê, assunto não vai faltar. Fiquem ligados.

Pirataria pra inglês (não) ver

O governo britânico está prestes a tomar uma decisão que, se for mesmo implantada, pode mudar a história da pirataria. Ou será exagero? Vejam. Segundo o jornal Variety, a medida é muito simples: cortar a conexão de toda pessoa que baixar conteúdos ilegais. Isso mesmo: você faz aquele seu downloadzinho e sua assinatura é suspensa. Fácil, não?

Bem, essa é apenas uma idéia do ministro britânico da Economia, Peter Mandelson, ao que parece o homem forte do atual governo local. As más linguas dizem que ele tomou a decisão após um encontro com David Geffen, um dos homens mais poderosos de Hollywood (sócio de Steven Spielberg na produtora DreamWorks). Ambos desmentem. O fato é que a proposta está para ser aprovada pela Ofcom, equivalente da Anatel na terra da Rainha. Em junho, o governo britânico aprovou o que foi chamado de “Digital Britain“, uma série de normas para ampliar o uso de tecnologias digitais e, ao mesmo tempo, aumentar o controle sobre práticas como pirataria, pedofilia virtual e veiculação de conteúdos pornográficos.

Na prática, os provedores de internet passariam a ser legalmente responsabilizados pelos downloads não autorizados e seriam obrigados a cortar a conexão dos infratores. Curioso é que a velha ilha é hoje uma das regiões mais liberais do mundo, totalmente aberta à imigração, com vários membros do governo assumidamente homossexuais e até a circulação irrestrita de mafiosos e bandidos procurados em outros países, como alguns magnatas russos. No caso da pirataria, os ingleses parecem querer endurecer o jogo.

Como irão fiscalizar isso? Ninguém divulgou. Só se sabe que a Associação dos Provedores Britânicos (ISPA) não está gostando nada da história e promete reagir na Justiça.

Áudio na TV: existe um padrão?

Leio no site Tela Viva que a SET (Sociedade de Engenharia de Televisão), entidade que reúne profissionais ligados à produção e transmissão de TV no Brasil, está formando um grupo de trabalho para analisar uma das mais antigas queixas dos telespectadores: a diferença de volume de áudio entre as emissoras, entre programas de uma mesma emissora e (o mais freqüente) entre programas e intervalos comerciais. Segundo a presidente da SET, Liliana Naconechnyj, que é diretora da TV Globo, quando as transmissões eram analógicas não havia como resolver esse problema; agora, na era digital, é mais fácil. Diz ela que a percepção do telespectador acentua ainda mais as diferenças de volume: quando se está vendo uma cena de filme sem muito barulho e entra um anúncio, a sensação é de que o áudio do comercial está muito mais alto.

Eis aí uma preocupação mais do que válida dos engenheiros de televisão. Com a multiplicação dos canais pagos, o problema ficou mais visível (ou audível). Zapear passou a ser tarefa indigesta, dada a diferença de volume entre uma emissora e outra, o que não tem lógica, já que todos os sinais partem da mesma operadora, e esta, supostamente, possui equalizadores. A hora do intervalo realmente é, como se dizia tempos atrás, sujeita a chuvas e trovoadas: você pode não ouvir quase nada, como pode também levar um susto com o som alto. Nos canais de filmes, há um agravante: dependendo do filme, tem-se o som original – às vezes de 40 ou 50 anos atrás – que parece nem ter passado por qualquer remasterização ou restauração. Sem falar nas diferenças entre TV aberta e fechada: com exceção da Globo e, às vezes, da Record, as emissoras abertas são uma lástima em matéria de áudio.

Enfim, esse grupo de trabalho deverá ter mesmo muito trabalho. Torço para que tenham sucesso.

A cidade ecológica

ecocity-lead01Fuçando na internet, acabo de descobrir um site incrível, chamado Inhabitat. Seu tema é a interação entre tecnologia e estilo de vida, tendo como elo condutor a questão do bem-estar em suas várias formas. Ali, encontrei a descrição do projeto EcoCity, que está sendo desenvolvido na cidade de Hamburgo, Alemanha, sob a direção das empresas Tec Architeture e Arup. Na comunidade de Harburg-Harbor, empresas e governo se uniram para criar aquilo que promete ser a primeira cidade totalmente ecológica do mundo. A idéia é que toda a energia consumida pelos moradores e empresas locais seja renovável, que todo o lixo seja reciclado e que as construções utilizem somente material ecologicamente eficiente.

Utopia? Nem tanto. Vejam o que esses caras já estão fazendo:

*Todos os edifícios estão sendo construídos a partir de material reciclado de construções antigas e demolições;

*A energia usada nas obras vem toda de apenas duas fontes: eólica e solar. Antes de iniciar os trabalhos, foram instalados coletores para garantir o abastecimento contínuo;

*A cobertura de cada prédio será revestida de plantas, para ajudar a conter a água das chuvas e nevascas; entre outras vantagens, esse revestimento preserva o calor dentro das construções, exigindo assim menor consumo dos sistemas de aquecimento;

*A arquitetura dos prédios foi pensada em conjunto com designers, tendo em vista o máximo aproveitamento da luz natural (vejam a maquete).

Bem, se vai funcionar, não sei. Mas é uma idéia tão boa que já deu certo, só pela iniciativa.

Plasma contra plasma

Ao que parece, vem aí uma nova guerra entre fabricantes de displays. Mais precisamente, de plasmas. Se a disputa pelo segmento de LCD gira basicamente em torno de preço, no caso do plasma temos dois competidores do primeiro time (Samsung e Panasonic) brigando pela preferência do usuário mais exigente. Sim, para a maioria já ficou evidente que o plasma tem mais qualidades que o LCD quando se trata de telas grandes (acima de 42″). E, se a Samsung mais uma vez demonstra sua agilidade ao lançar plasma ultrafino, de 58 polegadas, a Panasonic promete que não vai ficar atrás. A partir de setembro, a empresa começa a demonstrar – em sua loja do Shopping Morumbi, em São Paulo – o plasma mais fino do mundo, que pretende colocar à venda até o final do ano. O aparelho tem 54″ e mede 2,5cm de espessura (vejam aqui o vídeo), 1 centímetro a menos que o modelo da Samsung . Este, por sinal, nos chegou para teste hoje; em breve, iremos comentá-lo aqui. Fiquem ligados.

PLC esquenta o mercado

A decisão da ANEEL de autorizar as distribuidoras de energia a oferecer serviços de banda larga via rede elétrica já era esperada. A tecnologia PLC está se consolidando nos países mais desenvolvidos, e o Brasil possui empresas altamente qualificadas para fazer o mesmo aqui. O problema vai ser, digamos, mais político: quem irá pagar a conta? O que a ANEEL fez agora foi o mesmo que a Anatel havia feito meses atrás, quando liberou as operadoras telefônicas a trafegar seus dados pela rede elétrica. Foi como dizer: “virem-se”. Cabe agora às empresas – dos dois setores – combinarem como colocar o sistema para funcionar.

Apenas recapitulando: PLC (Power Line Communication) é a tecnologia que permite transportar sinais de áudio, vídeo e dados pela rede elétrica, sem interferências. Como a rede física já existe, basta acoplar pequenos adaptadores para fazer a repetição desses sinais até levá-los às casas dos usuários, onde são instalados conversores junto às tomadas elétricas. Em sua regulamentação, a ANEEL propõe que se aproveite a oportunidade para implantar também os sistemas de medição inteligente do consumo, nos quais o usuário consegue saber exatamente quanto está gastando de energia e até programar seus aparelhos domésticos para serem desativados quando não em uso. O resultado: contas de luz mais baixas para todo mundo no final do mês.

Mas é aí que mora o problema. As distribuidoras querem exatamente o contrário: que as contas de luz aumentem, não diminuam. Começa então uma briga política que ninguém sabe aonde vai dar. Mais: as empresas de energia vão querer cobrar pelo “aluguel” de suas redes às operadoras de banda larga e TV por assinatura, que nesse caso terão que repassar o custo ao assinante. Na prática, o que as agências reguladoras estão fazendo é esperar que todos esses setores se entendam. Se não se entenderem…

Este artigo ajuda a entender melhor o tamanho da encrenca.

iPhone importado ou nacional?

Mais um “case” para a história da indústria eletrônica brasileira. Nesta semana, chega ao País a nova versão do iPhone, que antes de sair já provocou uma corrida entre as operadoras Vivo e Tim para que seus assinantes fizessem suas “pré-reservas”. Curiosamente, saiu também esta semana uma pesquisa do Gartner sobre as vendas de smartphones, colocando o modelo anterior da Apple entre os menos vendidos. Isso mesmo: segundo o estudo, o iPhone tem apenas 1% de participação, num mercado liderado pela Nokia (com 31,6%) e pela LG (23%). No segundo trimestre deste ano, teriam sido vendidos no Brasil cerca de 108 mil exemplares do iPhone, contra 3,4 milhões de smartphones Nokia.

O problema é que essa estatística leva em conta somente as vendas oficiais, certo? Quantas pessoas você conhece que trouxeram um iPhone dos EUA na bagagem, ou mandaram trazer via… bem, vocês sabem como? Desconfio que a conta é bem mais alta. O Gartner diz também que a Apple vendeu 5,4 milhões de iPhones em todo o mundo, no mesmo período. Quantos desses estarão sendo usados no Brasil?

A propósito, também esta semana o site Macworld publica um interessante estudo sobre as vantagens (ou não) de trazer um iPhone bloqueado dos EUA, na comparação de custo com o modelo vendido aqui legalmente. Curioso pelo resultado? Confira aqui.

A Sony em nova estratégia

Nesta terça-feira, a Sony anunciou dois novos passos em sua estratégia para o Brasil:

1) Está suspendendo as vendas do TV de LED, após ter sido a primeira a lançar o produto, há quase seis meses.

2) Está lançando o Blu-ray player mais barato do mercado (preço sugerido: R$ 999), algo que nunca havia feito antes em sua História de quase 40 anos no Brasil.

Como interpretar essas duas ousadas medidas? Em relação ao LED, é com certeza reflexo da política mundial da empresa, que decidiu não perder mais dinheiro na área de TVs. O aparelho de 40″, importado do Japão, está sendo vendido por algo em torno de R$ 20.000, o que, convenhamos, é demais; dois meses depois de colocá-lo nas lojas, a Sony viu a Samsung lançar nada menos do que sete modelos de LED, sendo que o de 40″ sai por R$ 6.000. Na verdade, a Sony utiliza um painel de leds diferente, mais caro e mais eficiente do ponto de vista da luminosidade. Mas o principal fator que eleva seu preço é a importação. A Samsung já produz seus TVs de LED em Manaus, embora o backlight seja importado. Isso faz muita diferença no preço final.

474Já no caso do Blu-ray, a jogada da Sony é arriscada. Vi pessoalmente o velho Akio Morita dizer, certa vez, que a Sony jamais entra em guerra de preços e que quando um concorrente faz isso não dura muito tempo no mercado. Pois, segundo o atual CEO do grupo, Howard Stringer (vejam a entrevista aqui), é exatamente isso que as empresas coreanas vêm fazendo, pelo mundo afora, nos últimos anos, para conquistar mercado. Agora, pelo visto, a empresa decidiu competir com as mesmas armas. Está produzindo o Blu-ray em Manaus e, assim, conseguindo baixar bem o preço. Hoje, um dia após o anúncio do novo player (foto), lojas virtuais já oferecem o produto por – acreditem – R$ 873; e, como num passe de mágica, a Samsung reduziu o preço de seu player para R$ 897.

E assim vamos caindo numa nova guerra de preços, da qual, aparentemente, a Sony desta vez não quer ficar de fora.

A propósito, confiram o vídeo que fizemos apresentando o novo Blu-ray Sony. Num único dia, deu mais de 500 acessos no Blog da Redação, recorde absoluto.

Celular com TV: quem vai querer?

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior deve derrubar, nas próximas semanas, a portaria que obriga os fabricantes de celulares a destinar pelo menos 5% de sua produção em Manaus aos modelos com receptor de TV Digital. Hoje, somente três empresas disputam esse nicho de mercado: STI (Semp Toshiba), Samsung e LG. São os modelos mais caros e, portanto, acessíveis a uma minoria. Daí o absurdo de se querer obrigar os fabricantes a atingir os tais 5%: as vendas não chegam sequer a 1%!!! Na semana passada, executivos dessas três empresas e também de outras que planejam lançar esse tipo de celular em 2010 (como Nokia, Motorola e Sony Ericsson) estiveram no Ministério para pedir a suspensão da portaria que nem deveria ter sido assinada. O receio é que, se não cumprirem a medida, os fabricantes correm o risco de perder os incentivos fiscais de Manaus – nesse caso, a maioria deles simplesmente deixaria de fabricar celulares.

O mais incrível é que o texto foi aprovado em conjunto por três ministérios (também os das Comunicações e de Ciência e Tecnologia), sem que ninguém atentasse para o nonsense da medida. Como se sabe, o Brasil é um dos maiores mercados mundiais de celulares. Mas dos modelos populares, muitos deles rifados pelas operadoras em promoções que estão todo dia na mídia. Celular para ver TV é algo que não interessa a essas empresas: a captação do sinal é gratuita (porque vem da TV aberta), e enquanto está vendo TV o usuário não faz aquilo que as operadoras mais gostam – falar ao telefone. Vai ser difícil, portanto, conseguir que elas subsidiem a compra de celular com receptor de TV, por mais que esse produto tenha apelo comercial.

A pergunta que fica é: será que ninguém no governo pensou nisso antes de aprovar a bendita portaria?

Para quem quiser entender um pouco melhor esse mercado, recomendo o site da Teleco, empresa que analisa as tendências e faz excelentes pesquisas no setor.

Feira para profissionais

Começa nesta quarta-feira, em São Paulo, a edição 2009 da Broadcast & Cable, principal evento do setor de tecnologia para rádio e televisão no Brasil. A lista de expositores inclui dezenas de fabricantes de câmeras, switchers, gravadores, equipamentos de edição e transmissão, além de uma infinidade de acessórios. E os dois maiores nomes do setor em todo o mundo: Sony e Panasonic, com suas linhas de uso profissional e/ou corporativo. Para quem trabalha com tecnologia, ainda que seja mais voltada ao usuário doméstico, vale a pena visitar para saber o que vem por aí (o evento não é aberto ao público, somente para profissionais).

Simultaneamente à exposição acontecem dois eventos: o Congresso da SET (Sociedade de Engenharia de Televisão), entidade que reúne os profissionais desse mercado, e o seminário da FIICAV (Feira Internacional da Indústria de Cinema e Audiovisual). No primeiro, normalmente se discutem temas técnicos, com ênfase no aprimoramento profissional dos participantes; os palestrantes são algumas das maiores feras do setor, como Olimpio Franco, Valderez Donzelli, Nelson Faria e Raymundo Barros, entre outros.

Já a FIICAV é uma entidade com forte atuação política, pois representa os interesses dos produtores de vídeo e cinema, sempre de olho em financiamentos públicos. Mas, este ano, haverá pelo menos dois debates interessantes: dia 26, das 15 às 17hs, o tema “Cinema Digital e TV Estereoscópica 3D – Da Captação à Casa do Espectador”; e dia 27, das 11h30 às 12h45, “Cinema 3D” (tema que, como já expliquei aqui, está na pauta de todos os grandes estúdios de cinema).

A hora do livro eletrônico

Interessante reportagem do IDG Now na semana passada mostra várias opções para quem quiser baixar livros da internet. Sim, além de músicas, filmes e jogos, tem muita gente indo buscar seus livros na rede. Claro que, como em todas as áreas, há os que acham absurdo, como se os chamados e-books fossem acabar com o livro de papel.  É a velha história que se repete: quando surgiu a televisão, disseram que era o fim do cinema! Depois, quando veio o videocassete, temia-se que iria decretar a morte da televisão. E assim segue a história.

O livro eletrônico é, digamos, a versão literária do MP3: num único aparelho, você pode armazenar milhares de páginas escritas e organizá-las para facilitar a leitura em seqüência, como num livro impresso. No início do mês, a Sony – que havia sido a primeira a lançar um aparelho desse tipo, o e-reader – colocou no mercado americano dois novos modelos, sendo um deles touchscreen (preço sugerido: US$ 299) e outro mais simples (US 199). A empresa fez parceria com a Google para facilitar os downloads, incluindo cerca de 500 mil obras que são de domínio público e, portanto, podem ser baixadas gratuitamente (cada aparelho tem capacidade para armazenar 350 livros de médio porte).

Esse mercado está se aquecendo no mundo inteiro, com apoio inclusive das grandes editoras, que querem evitar serem vítimas do mesmo fenômeno que atingiu as gravadoras de discos (veja este artigo). Além da Sony, a Samsung também está entrando nesse segmento, por enquanto apenas na Coréia. E a Amazon, maior loja virtual do mundo, como se sabe, tem as várias versões do Kindle, um e-reader bem mais versátil que os da Sony e que atualmente é vendido também por US$ 299 (o problema é que se limita aos EUA, não adianta querer fazer o download aqui do Brasil).

Para os brasileiros, já existem sites que oferecem o conteúdo de bons livros para serem lidos no computador ou no celular. E há também o Portal Domínio Público, que oferece milhares de obras em português para download gratuito. Vamos lá, portanto. Aos livros, pessoal!

iPod levado a sério

fatman-itubeO amigo e colaborador Vinicius Barbosa Lima conta que teve uma bela surpresa ao conectar um iPod a um amplificador valvulado. “Poucas vezes ouvi uma sonoridade tão agradável”, relata ele. Na verdade, o aparelho (foto) é composto de dois módulos: dock para iPod e amplificador a válvulas. Se não é o primeiro a chegar ao mercado, é um dos primeiros.

Vinicius não é, digamos, um audiófilo de carteirinha, daqueles que se arrepiam ao ver um disco de vinil. Não carrega os dogmas de alguns que conheço, sempre condenando as “modernidades” tecnológicas. Ao contrário, é uma das pessoas mais antenadas. A maioria dos audiófilos, acho, simplesmente se recusaria a cometer esse sacrilégio: plugar um player MP3 num power valvulado. Mas essa é a realidade do mercado hoje.

A compressão do sinal de áudio é um problema, sem dúvida, mas a praticidade de uso acaba compensando. Vários fabricantes respeitáveis – cito de cabeça: Marantz, Denon, Yamaha, Onkyo, B&W – têm lançado soluções de boa qualidade para quem quer tirar o máximo do MP3. Não ouvi ainda o tal valvulado (modelo iTube Fatman, da marca TL Audio), mas fiquei curioso. Para quem passou boa parte da vida ouvindo LPs de jazz e música erudita (e agora é obrigado a resgatar essas gravações em MP3, pois os discos nem existem mais), pode ser o melhor dos dois mundos.

Ficou curioso? Este vídeo do YouTube mostra uma demo.

E dá-lhe Twitter!

Sei que alguns leitores não gostam quando falo aqui de política – afinal, este é um blog de tecnologia!!! – mas os atuais acontecimentos são irresistíveis. O ridículo episódio do senador Mercadante ilustra bem o momento em que vivemos: embora os políticos continuem tentando, já não é mais tão fácil esconder suas falcatruas e conchavos. O senador quis ser pioneiro ao lançar sua página no Twitter, seu site, seu blog etc., tentando com isso conquistar os votos dos jovens. Esqueceu-se de que a internet é daquelas armas que se voltam contra o feiticeiro. E ainda mais quando há tanto feitiço sendo armado nos bastidores. Na quinta-feira, ele anunciou pelo Twitter que iria renunciar “em caráter irrevogável” ao cargo de líder do governo; na sexta, recebeu um puxão de orelhas do presidente Lula e teve que voltar atrás, humilhado. Diz hoje reportagem da Folha de S.Paulo que o episódio já virou piada entre os usuários do Twitter, inclusive muitos dos “seguidores” do Senador. A palavra “irrevogável” ganhou novas aplicações: “Aguardem meu pronunciamento em caráter irrevogável”, escreveu um dos twiteiros. “Não tomarei mais cerveja neste ano”.

É o que dá brincar com a ética e com os princípios morais. Mercadante foi o senador mais votado do País em 2002 (claro, com a ajuda inestimável de Lula; pelo visto, vai passar a vida inteira com essa corda amarrada ao pescoço). E os internautas estarão vigiando. Só espero que não se esqueçam disso na próxima eleição.

TV paga, amor e ódio

Por falar em polêmicas, é impressionante a quantidade de leitores que se manifestam aqui quando tocamos no assunto TV por assinatura. O mesmo acontece no Blog da Redação. Talvez seja porque haja no Brasil poucos espaços onde se pode comentar o tema, tirar dúvidas ou simplesmente desabafar. E, convenhamos, as operadoras brasileiras não são propriamente pródigas em dar explicações e esclarecimentos. Nota-se pelos comentários postados que muitos assinantes odeiam o serviço que contrataram e que pagam todo mês. E só continuam porque não vêem outra opção. Mais ainda pelo fato de que, quando há algum problema, não encontram a quem recorrer, pois os SACs das operadoras são comandados por máquinas que raramente têm a resposta desejada pelo cliente.

Conversando com amigos que residem fora do Brasil, descubro que estamos a anos-luz de distância do que possa sequer se aproximar de uma boa prestação de serviço. Nos EUA, por exemplo, uma mensalidade em torno de 30 dólares dá direito a mais canais do que se tem aqui na Net ou na Sky; na Espanha e na França, o custo é mais salgado (a partir de 50 euros pelos pacotes básicos), mas há mais alternativas; até na Argentina, país que aderiu à TV paga muito antes e com maior intensidade do que o Brasil, o serviço funciona razoavelmente bem (já foi melhor, mas isso quando o País não estava mergulhado na atual crise).

Como já expliquei aqui, não é justo colocar a culpa toda sobre as operadoras. Estas fizeram e continuam fazendo altos investimentos para atender ao maior número possível de usuários. Não há fiscalização do governo, embora o assinante pague todo mês, junto com sua fatura, um absurdo de impostos. No máximo, as famosas e desgastadas reclamações ao Procon… O leitor Renato Manoel questiona, por exemplo, o problema da carência quando se quer trocar de operadora. Funciona assim também nos casos da telefonia e dos planos de saúde, certo? Outro leitor relata as dores de cabeça que teve ao chegar em casa e constatar que os técnicos de sua operadora, ao instalarem o decoder HD, simplesmente desajustaram seu sistema de home theater, no qual não sabem mexer. Certamente deve haver várias histórias semelhantes, ou até piores…

Este é o Brasil. Por mais que a TV paga HD seja fascinante e com recursos avançados, nada disso vai ser reconhecido se não houver respeito pelo assinante.

Blu-ray compensa ou não compensa?

     A revista Veja diz, em sua edição desta semana, que comprar um player Blu-ray não vale a pena. Motivos: o custo do aparelho e dos discos é muito alto, e hoje já é possível baixar filmes da internet. A revista cita como fontes “especialistas” que não são identificados – com exceção de Henrique Martin, “especialista em tecnologia e processamento de dados”. Segundo ele, “o DVD será o formato predominante por pelo menos seis anos, já que funciona bem em cerca de 90% dos televisores do mercado e o preço dos discos é mais acessível”.

     Cito a reportagem aqui a propósito das polêmicas que tivemos esta semana sobre a qualidade dos TVs, as vantagens do Blu-ray e os testes publicados nas revistas especializadas. Vejam que a polêmica tem sua razão de ser. A maior revista do Brasil simplesmente sentencia – com base na opinião de um “especialista” – que o Blu-ray não compensa; enquanto isso, dezenas de pessoas trazem diariamente seus players na bagagem, quando voltam de viagens ao Exterior; outros tantos os encomendam aos seus fornecedores de confiança; e as vendas do produto nas lojas não param de crescer. Na redação da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL, recebemos todo dia inúmeras mensagens com dúvidas sobre como ajustar melhor o Blu-ray para obter dele o máximo rendimento. E comunidades como o Home Theater Forum, com seus 40 ou 50 mil usuários cadastrados, não cansam de trocar informações sobre o assunto. Então, compensa ou não compensa?

     A resposta, acho que todos que nos lêem aqui já adivinharam. Claro que compensa, se você aprecia uma excelente qualidade de imagem, gosta de ver filmes e shows em casa e possui um TV Full-HD (ou está disposto a investir em um). Não compensa, se você tem outras prioridades na vida. Ou se é daqueles fanáticos que não se incomodam de montar uma parafernália eletrônica e esperar horas para baixar filmes da internet em alta definição. Evidentemente, os três tipos de consumidor existem e têm suas razões. É por isso que, quando testamos um produto, não gostamos de ditar normas nem sentenças acabadas: compre isso, não compre aquilo. O leitor inteligente sabe que não é assim que as coisas funcionam, e tem o direito de escolher, sem imposições.

Fico imaginando quantos leitores de Veja estão desistindo de comprar um Blu-ray por causa dessa reportagem. Seguir esse tipo de conselho é que não compensa!

Net ou Sky: quem dá mais?

Interessante levantamento foi postado no HT Fórum semana passada, sobre a competição entre as duas maiores operadoras de TV por assinatura do País. Com ambas oferecendo conteúdo HD, e de várias formas, o consumidor tem o direito de se confundir. É bom lembrar que ambas têm cobertura na maior parte do País, embora a Sky, por transmitir via satélite, alcance mais regiões. E que as duas dependem das mesmas programadoras, ou fornecedoras de conteúdo (como já comentei aqui), sendo a brasileira Globosat e a americana HBO as maiores. Filmes e esporte são em geral as maiores preferências dos assinantes, e quanto maior a variedade de canais maior a chance de conquistar uma nova assinatura.

A autor talvez seja fã da Sky, porque faz o cálculo simplesmente numérico: enquanto a Net transmite apenas 4 canais abertos e 4 fechados em HD, a Sky já tem 10 abertos e 11 fechados. Se é verdade que os números não mentem jamais, eis aí um caso em que os números não contam toda a verdade. A meu ver, um dos grandes problemas da TV paga no Brasil é a impossibilidade de o assinante escolher quais canais quer ter no seu menu: os pacotes são fechados e é pegar ou largar! Por isso, a quantidade de canais HD não é o que mais interessa ao usuário neste momento.

Vejam se estou errado. A Sky oferece todos os canais abertos HD (10, no total), mas desde que o assinante adquira o receptor de TV aberta à parte, que se conecta ao decoder HD via USB. Dos fechados, não oferece Globosat, nem Telecine nem as transmissões de futebol do PFC. Já na grade da Net, ficam faltando HBO, TNT, ESPN e MGM, entre outros menos cotados. E, das emissoras abertas, a Net tem Globo, Band, MTV e RedeTV (não tem SBT, nem Record). Desconsiderando o fato de que as negociações nesse setor são permanentes (ou seja, as duas operadoras podem ampliar suas respectivas grades a qualquer momento), com qual das duas você ficaria? Não é uma escolha quantitativa, e sim qualitativa, certo?

De qualquer modo, é mais do que recomendável conferir a tabela comparativa que está no link, antes de se definir por uma ou outra operadora. Só não se recomenda decidir apenas pela quantidade de canais.