Archive | setembro, 2009

Os novos planos da Gradiente

Saiu quando eu estava viajando (e por isso só pude ler agora) reportagem na revista IstoÉ Dinheiro sobre a tentativa de recuperação da Gradiente. Depois de tentar mais um empréstimo do governo federal, via BNDES, Eugenio Staub parece ter encontrado uma perspectiva no grupo americano Jabil Circuit, fabricante de componentes e que teria interesse em investir na empresa brasileira. Para isso, inclusive, já teria informado as autoridades americanas. O Jabil entraria no negócio com R$ 50 milhões, que se somariam a R$ 150 milhões da família Staub, mais R$ 150 milhões da Agência de Fomento do Estado do Amazonas, que tem interesse porque as duas fábricas da Gradiente em Manaus continuam paradas (haveria ainda aportes dos fundos de pensão da Petrobrás e da Caixa Econômica Federal).

Diz a reportagem que a Gradiente conseguiu uma raridade: aderiu ao “Refis da Crise” e, com isso, pode ter acesso ao programa de recuperação de crédito, da Receita Federal. Para quem não sabe, esse programa permite obter parcelamento de dívidas fiscais em até 120 vezes, com redução de 65% nas multas e 50% de desconto nos juros e encargos. Embora não haja garantia de que essa facilidade lhe será concedida, já foi uma vitória para Staub, que por pouco não perdeu a marca Gradiente, que a Procuradoria-Geral da Fazenda pretendia leiloar. Aí, seria o fim.

De qualquer forma, o plano para recolocar a empresa no mercado ainda tem que passar por um teste duríssimo: convencer os 23 credores da Gradiente a aceitarem as condições propostas por Staub – a principal delas: desconto de 80% nas dívidas. Oito desses credores não querem nem ouvir falar no assunto…

Torcendo pela internet

Excelente reportagem de Guilherme Felitti, publicada ontem no IDG Now, mostra como está mudando a cultura televisiva do brasileiro em função da internet. Definitivamente, o telespectador já não é mais aquele. Principalmente quando se trata da grande paixão nacional, o futebol, agora explorado à exaustão em sites e portais. Assinantes de TV paga retransmitem o sinal que recebem, via computador, a amigos que moram até em outros países. Usando placas de captura vendidas em qualquer lojinha, torcedores reproduzem os jogos de seus times, ao vivo, transformando o ato de torcer também numa atividade virtual (e lucrativa, para os mais espertos).

Curioso nesse fenômeno é o papel dos chamados “agregadores”, uma espécie de intermediários que cuidam de toda a infra necessária: captam o sinal, colocam num site não registrado e o divulgam através de suas comunidades online. A qualidade do sinal geralmente é sofrível, e tende a piorar conforme aumenta o número de pessoas acessando. Mas há serviços de primeira linha, como grade de programação e alertas sobre horários e canais específicos onde o jogo será transmitido. Quase como uma emissora convencional. Via Twitter, Orkut, SMS e demais recursos de comunicação instantânea, tudo fica mais fácil. “Não estamos fazendo nada de ilegal, apenas redirecionamos os links”, defende-se um dos tais agregadores.

Diz a reportagem que a Globo é uma das emissoras que estuda medidas legais contra essa atividade. Vamos ver no que vai dar. De qualquer forma, é a velha criatividade brasileira marcando mais um gol. Resta saber a favor de quem.

Áudio: para quem quer ouvir

Recomendo a todos a leitura de um novo artigo de Robert Harley, editor da bíblia do áudio high-end, The Absolute Sound, e autor de vários livros sobre o assunto. Harley não é audiófilo xiita, ao contrário, está sempre aberto a inovações; mas, como muitos, sente-se incomodado com a perda de referências entre os usuários, especialmente no campo do áudio, que é a sua paixão. Já conversei com ele a respeito, e compartilho algumas de suas opiniões. Na verdade, essa falta de referência tem raízes diversas, inclusive o próprio crescimento da indústria de entretenimento e (dentro dela) da indústria eletrônica.

A partir dos anos 70, a cultura geral no mundo foi sendo empobrecida pela voracidade do negócio chamado entretenimento, em suas várias formas. No caso específico do áudio, os números de vendas de discos e os contratos cada vez mais milionários assinados pelos artistas resultaram em perdas consideráveis do ponto de vista do talento – e não dá para deixar de acrescentar, aqui, um toque saudosista: os grandes gênios da música, infelizmente, já morreram ou deixaram de produzir. Em troca, ganhamos uma quantidade maior de discos, alguns até muito bem produzidos tecnicamente, mas sem a mesma criatividade artística (é claro que há exceções, como em tudo na vida).

O avanço tecnológico acrescentou uma certa dose de crueldade nesse processo, com a digitalização substituindo a música analógica a tal ponto que, por exemplo, um baterista hoje pode gravar seu disco sem nem sequer pegar nas baquetas – basta dominar a “arte” da programação eletrônica e acionar alguns botões. Para o usuário final (ou seja, o fã de música), o lado mais visível – ou audível – disso tudo é o MP3 e suas variantes formas de compressão do sinal. Ouvindo meus discos gravados num iPod, com um bom fone de ouvido, consigo ainda perceber – num concerto de Mozart, um solo de John Coltrane ou mesmo uma balada dos Beatles, por exemplo – nuances e sutilezas que às vezes não transpareciam nos respectivos CDs. Mas atribuo isso, sem falsa modéstia, a décadas ouvindo atentamente música de qualidade, inclusive em shows ao vivo, com equipamentos apropriados. Quem só ouve MP3, e tem os ouvidos “treinados” nas danceterias da vida, não consegue imaginar o que isso significa.

Bem, chega de nostalgia, pelo menos por hoje. Leiam o artigo sem preconceitos e depois me contem o que acharam.

A cauda curta

livroculto01O livro “A Cauda Longa”, do jornalista americano Chris Anderson, foi sucesso mundial anos atrás, ao mostrar – como ninguém tinha feito antes – o impacto real da internet nos negócios das empresas e nos hábitos dos consumidores. Na esteira desse sucesso, Anderson, que é editor da excelente revista Wired, publicou este ano mais um livro sobre o mesmo assunto. Chama-se “Free” (“Grátis”, na tradução em português) e radicaliza a proposta: tudo na internet agora deve ser gratuito, o consumidor não vai mais aceitar pagar por nada e os produtores de conteúdo terão que se virar para manter seus sites.

Pois bem, as idéias polêmicas de Anderson ganharam um forte inimigo na figura de Andrew Keen, que além de jornalista tem longa experiência profissional em tecnologia – tentou ser empreendedor e descobriu que, mesmo no Vale do Silício, onde se concentram centenas de empresas do ramo, é difícil se manter sem capital. Dessa experiência resultou o livro “O Culto do Amador”, escrito em 2007 como uma espécie de resposta (assumida) a “A Cauda Longa”. Keen acusa a maioria das empresas que atuam na web de terem sido “amadoras” até hoje, na crença de que poderiam se manter fornecendo conteúdos de graça. Achei curioso que suas opiniões batem com algumas que já expressei aqui neste blog.

Na semana passada, Keen esteve em São Paulo e deu entrevista ao Caderno Link, do Estadão (publicada hoje). Ele é contra o que chama de “ditadura do Google”, que primeiro rouba os conteúdos dos outros e depois os chama para negociar, usando seu enorme poder econômico. Lembra ainda que a Wikipedia, primeira enciclopédia virtual do mundo, já abandonou seu modelo original, em que qualquer pessoa podia entrar e atualizar os verbetes, sem nenhum controle; agora, o site é dirigido por um grupo de editores, supostamente especialistas em assuntos variados, e com isso busca o apoio publicitário para se manter. E, se é verdade que hoje qualquer um pode ter seu blog (e, portanto, ser também provedor de conteúdo), Keen adverte que há grandes diferenças entre um blog e um site informativo – a começar do fato de que um site pressupõe a existência de equipes para atualizá-lo, preenchendo em grande parte o papel de jornais e revistas virtuais, mas com alto custo de manutenção.

Por fim, Keen acha que a mídia impressa não irá acabar por causa da internet. “A digitalização tira os custos, mas tira também o dinheiro para manter o serviço”, diz ele. “Há um sentimento de que o consumidor ganha por causa da conveniência, mas na verdade ele perde porque não haverá como cobrir os custos de fazer um produto com qualidade”.

Não poderia ser mais claro. Como já disse aqui, cuidado com o que você lê.

Para quem quiser saber mais sobre as idéias de Keen, esta entrevista – feita antes dele lançar o livro – é bastante esclarecedora.

Full-HD: o que é e onde está

A propósito de recente polêmica entre leitores sobre resolução de imagem, nunca é demais repetir: nem toda imagem digital é de alta resolução. Ou, em outras palavras, TV Digital não é o mesmo que HDTV. A confusão se deve, em grande parte, a explicações desencontradas que se publicam aqui e ali, além de informações dúbias de alguns fabricantes. A tabela abaixo talvez seja útil:

Full-HD: o que é – imagem de 1080 linhas, em processamento progressivo (1080p); onde se encontra – discos Blu-ray, em formato wide ou superwide.

HDTV: o que é – imagem de 1080 linhas, em processamento entrelaçado (1080i); onde se encontra – transmissões de televisão digital aberta e fechada (somente alguns programas), sempre em formato wide.

HDTV: o que é – imagem de 720 linhas, em processamento progressivo (720p); onde se encontra – transmissões de televisão digital aberta e fechada em formato wide (alguns programas).

SD: o que é – imagem de 480 linhas, em processamento progressivo (480p) para DVD (formato 4:3 ou wide anamórfico); ou processamento entrelaçado (480i) para transmissões de televisão digital aberta e fechada (sempre em formato 4:3).

Se faltou alguma coisa, por favor acrescentem.

Confusão na informação

pressComo bem disse outro dia o técnico Dunga (e antes que me critiquem já vou logo dizendo que não tenho a menor simpatia por essa figura arrogante), jornalista gosta de criticar, mas não de ser criticado. Isso existe desde que o primeiro ser humano achou que podia despejar algumas mal traçadas numa folha de papel e sair por aí distribuindo para a plebe iletrada. Aí, veio um tal de Gutenberg e tornou a brincadeira mais divertida (e lucrativa). Hoje então, com a internet, é incrível a quantidade de “experts” nisso e naquilo.

E por que estou falando desse assunto? O site Comunique-se, dirigido basicamente a profissionais de comunicação, relata o caso de uma jornalista que acidentalmente descobriu seu texto publicado num jornal com assinatura de outra pessoa. Isso mesmo: roubo de texto!!! A moça trabalhava na assessoria de um político, e o jornal não teve o menor pudor de simplesmente publicar o press-release dela, com assinatura de alguém “Da Redação”. Dizem especialistas ouvidos pelo site que isso é crime, e pode resultar em processo por danos morais.

Corta para a imprensa especializada em tecnologia. A quantidade de press-releases que recebemos diariamente é imensa. Mas o número de jornais, revistas e principalmente sites e blogs que publicam esses textos na íntegra é quase tão grande quanto. Pior: não são poucos os “jornalistas” (e aqui as aspas são indispensáveis) que transcrevem os releases e até os assinam, como se fossem seus. Seja para fazer média com o fabricante que enviou o texto, seja para simplesmente mostrar que estão bem informados. Citar a fonte? Isso é luxo… A bem da verdade, não acontece apenas no nosso ramo. Já li centenas de críticas de filmes (ou de discos, ou de vinhos…) que são puro decalque de algum texto estrangeiro. Lembram-se do caso da revista Veja, que comentei aqui?

Infelizmente, só há um remédio: ficarmos todos atentos ao que lemos e consumimos de informação. A imprensa é simplesmente o retrato da população em geral. É preciso sempre ler desconfiando.

Blu-ray e os extras. Que extras?

Enquanto todo mundo fala na queda de preços dos players Blu-ray, e muitos reclamam que os preços dos discos não caem na mesma proporção (o que é verdade), vejo que mais uma vez o mercado não está sabendo explorar – no bom sentido – essa fantástica mídia de entretenimento e cultura. Já temos quase 400 títulos em Blu-ray no País, e poucos, muito poucos mesmo, trazem extras decentes; alguns, nem extras têm. Em discos que amigos trazem do Exterior, é uma festa: alguns vêm com duas ou três versões diferentes do filme, para o fã de cinema escolher.

Considerando a capacidade de memória de um disco Blu-ray (até 50GB, nos de dupla camada), haveria espaço de sobra para se colocar uma infinidade de bônus: bastidores da produção, entrevistas com os atores e o diretor, comentários em áudio, documentários relacionados ao tema do filme, jogos interativos, trailers de cinema, links para a internet, slideshows, videoclipes, cenas cortadas… Muitos conteúdos como esses já tivemos nas versões em DVD de clássicos como Blade Runner, Cantando na Chuva, Casablanca, Cidadão Kane, Contatos Imediatos do Terceiro Grau e Matrix, só para citar alguns que lembro de cabeça. E coube tudo num singelo DVD, com “apenas” 4.7GB de memória (o de camada simples). Imaginem o que poderíamos ter num Blu-ray, além, é claro, de áudio e vídeo de melhor qualidade!

Me faz lembrar o mercado de discos (quando ainda existia). Comprávamos um CD – que tinha capacidade para 74 minutos de música – e só encontrávamos dez ou doze faixas, que totalizavam 40 minutos, ou nem isso… Às vezes, éramos obrigados a adquirir um disco inteiro só por causa de uma ou duas músicas. Até mesmo grandes artistas se beneficiaram disso, na crença (correta) de que o fã não se importaria. Aí veio a internet e acabou com a festa; ou melhor, acabou com o conceito de “álbum”, que surgiu nos anos 50, com gênios como Miles Davis, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald e outros que sabiam usar a mídia analógica da época e não queriam enganar ninguém.

Agora, querem que paguemos no mínimo 50 ou 60 reais por um filme que utiliza somente uma pequena parte de sua capacidade; e que, portanto, poderia custar apenas uma pequena parte do seu preço. Só encontro uma explicação: é muita ganância! Ou então preguiça demais!

O partido dos piratas

partido pirataNunca tinha ouvido falar. Li na Folha de S.Paulo hoje sobre a existência de um “Partido Pirata” no Brasil. Isso mesmo: uma agremiação política que defende diversos pontos de vista já expostos – inclusive aqui neste blog – por adeptos da pirataria livre, geral e irrestrita. O jornal não informa quantos são os membros, mas um dos diretores diz que está solicitando à Justiça autorização para disputar as eleições do ano que vem. O problema é que, para isso, pela legislação atual, são necessárias 500 mil assinaturas escritas a mão (não valem assinaturas digitais). Mas o grupo já tem site e adotou o logotipo de seu similar alemão, o Piratenpartei, que foi o primeiro do gênero (vejam acima).

A reportagem – cujo texto reproduzimos aqui – saiu a propósito das eleições do próximo fim de semana na Alemanha, quando os piratas de lá têm chance de eleger alguns representantes, o que seria – que eu saiba – fato inédito. É bom lembrar que os alemães foram pioneiros na causa ecológica, criando nos anos 70 o primeiro Partido Verde, hoje uma força no país. Stefan Urbat, líder do Piratenpartei, é contra todo tipo de vigilância do Estado sobre os cidadãos e a favor dos downloads livres. Quer acabar com as câmeras espalhadas pelas cidades européias, usadas para flagrar criminosos, dizendo que em vez disso deveriam existir mais policiais; e acha que os produtores culturais não devem cobrar pelos conteúdos que geram, mas sim pedir ajuda financeira aos governos e doações espontâneas aos cidadãos. Bela plataforma, não?

No Brasil, o Partido Pirata não mostra a mesma desfaçatez. Defende causas, digamos, mais nobres: a transparência pública (que todos os atos governamentais sejam abertamente informados à população) e o compartilhamento da internet para fins não comerciais. Ótimo. Se for isso, já tem o meu voto.

Levando vantagem em (quase) tudo

lei_gersonA discussão dos últimos dias sobre preços me fez lembrar a velha Lei de Gerson, aquela que dizia “brasileiro gosta de levar vantagem em tudo, cerrrrto”? Virou sinônimo de esperteza, e o anúncio que lhe deu origem está até no YouTube. Um leitor se gaba de ter trazido (não diz de onde) um Blu-ray player da marca Oppo por meros 500 dólares. Este é um dos aparelhos mais elogiados ultimamente pela imprensa especializada internacional – o distribuidor brasileiro se nega a nos fornecer para teste, não sei por quê. De fato, é uma pechincha. E, se for questionado, é bem capaz de esse leitor “esperto” dizer que não se importa se, por acaso, o aparelho travar ou apresentar algum defeito – afinal, custou “só” 500 dólares!!!

Não preciso repisar aqui a velha ladainha de que é sempre mais seguro comprar eletrônicos diretamente do fabricante ou do distribuidor autorizado, com a devida garantia por escrito, coisa que logicamente não se consegue comprando no Exterior. Não se trata de condenar essa prática, pura e simplesmente; eu mesmo já trouxe produtos em viagens – em alguns casos, funcionaram perfeitamente; em outros, acabei tendo prejuízo. A questão é, como diz um outro leitor, querer comprar Ferrari pelo preço de um Corsa. É a chamada “esperteza” brasileira. Tenho conhecidos que agem exatamente assim. Gostam de levar (e contar) vantagem em tudo. Só não contam quando, por algum motivo, o plano dá errado.

O fato é que vivemos num país (ainda) pertencente ao Terceiro Mundo, com um governo que cada vez mais quer nos espoliar cobrando impostos abusivos. Qualquer empresário sabe quanto isso custa; o consumidor às vezes não sabe, ou não quer saber, preferindo dizer que as empresas “roubam”. Um aparelho comprado nos EUA, por exemplo, a 500 dólares não vai sair no Brasil por menos de R$ 2.000, considerando tudo que o importador tem de pagar, se quiser trabalhar dentro da lei (tudo bem, lei é o que menos importa para muita gente…): imposto de importação, IPI, ICMS, frete, taxas alfandegárias etc.; sem falar que, para fazer isso, terá de aplicar uma margem de lucro, ainda que seja mínima. É só fazer as contas.

Não, é melhor todos irmos para Miami (ou talvez Paraguai, que é mais perto) e trazer tudo de lá. Cerrrrto?

LCD, LED e as diferenças

3d_color_led_cubeMeu amigo, professor e colaborador Paulo Sergio Correia, talvez a maior autoridade do País em matéria de displays e sistemas de projeção, esclarece em artigo para a próxima edição da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL a controvertida questão dos TVs de LED e suas diferenças em relação aos LCDs. Enquanto o texto não é publicado, repasso aqui alguns aspectos da análise, que é técnica mas está diretamente ligada ao marketing e às questões comerciais que envolvem os fabricantes desse tipo de produto.

LEDs (Light Emitting Diodes) são dispositivos que geram a própria luz, enquanto LCDs (Liquid Crystal Displays) necessitam de fontes de luz traseiras para produzir imagem. Como bem lembra Paulo Sergio, a expressão “TVs de LED”, comumente usada, confunde o consumidor leigo. O que temos hoje no mercado brasileiro são, na verdade, LCDs com backlight de LED, que aos poucos vão substituindo os LCDs convencionais, que utilizam backlight de lâmpadas fluorescentes. Mesmo assim, existem duas categorias de LCDs de LED: nos chamados Edge-lit, as fontes luminosas ficam nas bordas do display (caso dos modelos lançados pela Samsung); já nos chamados Local Dimming, os leds são montados em blocos, cobrindo uma área maior do backlight e, portanto, com melhores resultados em termos de cores e contraste. Há ainda outra diferença importante: alguns aparelhos utilizam leds brancos, enquanto outros trabalham com leds RGB, o que proporciona ganhos significativos nas cores.

Bem, como disse, esse é apenas um resumo. Vamos falar ainda muito desse assunto.

Blu-ray de US$ 135 mil. Interessa?

EidosReference1Aproveitando a discussão dos últimos dias entre os leitores sobre os preços dos players Blu-ray, descobri na internet o site da empresa suíça Goldmund, especializada em áudio high-end (diria até, “hiper-ultra-high-end”). Acreditem: o aparelho da foto é o primeiro player Blu-ray dessa empresa e está sendo vendido por uma pechincha. E mesmo que você tenha o dinheiro e esteja disposto a tirá-lo do banco, terá que esperar sua vez: a empresa fabricou até hoje somente 50 exemplares e não tem planos de expandir a produção. Os aparelhos são feitos artesanalmente, segundo o site. Os audiófilos sabem bem o que isso significa: controle de qualidade rigoroso, componentes selecionados com o maior capricho, testes exaustivos – tudo para que ninguém se arrependa do alto investimento.

O modelo Eidos Reference, que vemos na foto, foi avaliado pelo site Elite Choice – especializado em artigos de luxo – como “a melhor compra” do segmento. O produto é feito à mão em Genebra, com a pretensão de durar anos e anos, apesar das constantes mudanças tecnológicas. Entre os recursos destacados pelo fabricante, incluem-se a construção robusta, com uma mesa de sustentação para dar maior estabilidade à rotação do disco; fonte de alimentação montada numa estrutura independente do sistema mecânico; tecnologia de amortecimento magnético e estrutura de transporte feita de alumínio rígido, para cancelar as vibrações; massa metálica sustentada sobre quatro pés também rígidos.

Medidas do bichinho: 75cm de altura, 59cm de largura e 55cm de profundidade. Peso: 30kg sem a mesa, 82kg com. E o precinho é esse aí de cima. Será que, depois dessa, alguém ainda acha caros os players “normais” que estão à venda no Brasil?

Empacotando o assinante

Reportagem da Folha de S.Paulo neste domingo faz um levantamento detalhado de uma das questões mais polêmicas do mercado brasileiro de TV por assinatura: os pacotes de canais que são, digamos, sugeridos aos clientes. Com o argumento de que o plano contratado originalmente “não existe mais”, diz o jornal, operadoras estão obrigando os assinantes a partirem para pacotes mais caros. Como este é um dos setores de maior concentração na economia brasileira (82% estão nas mãos de Net e Sky, segundo a consultoria especializada Teleco), os clientes vêem-se sem alternativa e acabam aceitando. O problema está sendo analisado com carinho pelos serviços de defesa do consumidor, que no entanto não apresentam uma saída para o usuário. Diz o Procon-SP que só este ano o setor de TV paga já foi responsável por nada menos do que 449 reclamações, mas na prática essas queixas raramente têm alguma conseqüência.

A reportagem é focada nos problemas dos assinantes exatamente das duas maiores operadoras, sem mencionar as demais. Há até o caso de um e-mail que teria sido enviado “por engano” pela Net a seus assinantes, comunicando uma troca de pacote que resultou em 8% a mais na conta mensal (a operadora diz que já esclareceu o fato junto aos clientes, mas alguns deles disseram ao jornal que não foram procurados).

Bem, já comentei aqui sobre essa questão dos pacotes, que mistura uma estratégia de marketing (a meu ver equivocada) das operadoras com um problema estrutural do mercado de TV paga. Embora Net e Sky tenham participação acionária do mesmo grupo econômico (a Globo), e esta seja também proprietária da maior programadora do País (a Globosat), a convivência entre as três empresas nem sempre é pacífica. Os contratos de venda de conteúdo em geral incluem cláusulas que exigem da operadora vender pacotes casados, incluindo canais que dificilmente alguém iria assinar se não fosse obrigado. Para poder oferecer programas de boa qualidade, as operadoras têm que aceitar outros de baixo (ou péssimo) nível. E o assinante, idem.

Enfim, um problema que só se resolveria se tivéssemos mais programadoras, mais operadoras e maior concorrência. Mas isso, pelo jeito, é utopia.

Plano Nacional de Enganação

A ordem partiu do presidente Lula, em reunião com ministros na semana passada: em 40 dias, ele quer um Plano Nacional de Banda Larga. O que seria isso? O site Tela Viva ouviu várias fontes – que naturalmente não querem se identificar – e a conclusão que se pode tirar é que ninguém no governo sabe a resposta. Ou, se sabe, não faz idéia de como colocar em prática essa idéia.

Resumidamente, Lula quer que até o final de seu mandato, em dezembro de 2010, todas as cidades brasileiras tenham conexão de banda larga. Ele não se conforma que países como Colômbia e Venezuela estejam mais avançados do que o Brasil nessa área. Para isso, está decidido até mesmo a reativar, se for necessário, a velha Telebrás, estatal que nos tempos do governo militar (e até uns 15 anos atrás) mandou e desmandou no setor. Eram aqueles tempos em que para se comprar uma linha telefônica entrava-se numa fila que demorava, às vezes, três ou quatro anos. Por incrível que pareça, mesmo estando semi-desativada (pois não foi extinta), a Telebrás tem hoje em caixa R$ 280 milhões para investir no projeto da banda larga. De onde vem esse dinheiro, é algo que só a burocracia estatal explica.

Outra idéia é chamar as concessionárias de energia, que agora podem implantar redes PLC, para colaborar no tal Plano. Há ainda redes de fibra óptica da Petrobrás e de Furnas. Segundo o ministro das Comunicações, Helio Costa, a idéia é criar a infraestrutura para que depois as operadoras de telecomunicações ofereçam o serviço de banda larga aos usuários de todas as cidades brasileiras. E, para garantir que seu sucessor não altere esse plano, Lula pretende incluir o projeto no orçamento federal de 2011, a ser aprovado em 2010.

A pergunta que não quer calar é: de onde virá o dinheiro para tudo isso? Diz o Estadão, citando fonte do Palácio do Planalto, que os cálculos preliminares apontam para um custo na casa de R$ 1,1 bilhão. O que é considerado café pequeno quando se sabe que somente o governo federal gasta hoje R$ 858 milhões por ano em serviços de telecomunicações. Outra fonte lembrou que esse seria um bom motivo para, enfim, serem usados os recursos do FUST (Fundo para Universalização das Telecomunicações), uma verdadeira caixa preta em que ninguém mexe – embora todos nós paguemos a nossa parte, mensalmente, junto com nossas contas de telefone.

Bem, este assunto é tão complexo que merece mais espaço, num dos próximos posts. Por ora, o que posso dizer é que se Lula conseguir fazer bom uso do dinheiro desse fundo já terá sido um grande benefício ao País. Mas vamos ter que continuar, literalmente, pagando para ver.

300 megabits por segundo!!!

logo_abgn_final_610x241O que vem sendo usado há anos como um padrão oficial era apenas um protótipo. Refiro-me aos aparelhos sem fio que utilizam o padrão wireless 802.11n, também chamado “Wireless N”. Existem vários por aí, principalmente roteadores para conexão de internet. Pois saiba que esses aparelhos ainda não foram homologados pelo órgão que tem esse papel: o IEEE (Institute of Electrical and Electronics Engineers), mais importante entidade do setor, que este ano completa 125 anos de existência. Com mais de 375 mil filiados em 160 países, o IEEE tem a palavra final sobre tudo que se refere a equipamentos eletrônicos. E os fabricantes que lançam produtos sem deixar claro que trata-se de um “draft” não são levados a sério.

Bem, o IEEE anunciou na semana passada que finalmente aprovou as normas do padrão N, que aos poucos irá substituir o padrão G, o mais usado atualmente. A diferença? Simples: vamos passar de uma velocidade de 57 megabits por segundo para 300Mbps, ou seja, quase seis vezes mais rápido. Essa aprovação era considerada vital para a evolução dos equipamentos de rede, não só dentro das residências, mas nas empresas e nos milhares de hot spots pelo mundo afora. Significa que você vai poder ligar seu notebook ou smartphone e transferir dados em muito maior volume, e com maior rapidez. Para se ter idéia de como isso é importante, o Comitê de Padrões do IEEE – formado por mais de 400 especialistas – divulgou uma calhamaço de 560 páginas com os detalhes da homologação.

Espera-se que os aparelhos homologados comecem a chegar ao mercado ainda este ano.  A WiFi Alliance, entidade que certifica os produtos antes de chegarem ao mercado, garante que os novos aparelhos WiFi N terão de ser compatíveis com os atuais.

Preços, preços, preços…

Incrível a repercussão do post anterior sobre a queda de preços do Blu-ray. Prova que realmente o pessoal está animado para comprar o aparelho. O único problema é que, mais uma vez, parece que só o preço interessa. Acho razoável que alguém não queira um Blu-ray agora porque está satisfeito com seu DVD; até já escrevi sobre isso aqui. De fato, o salto é bem menor (ou menos perceptível) do que foi, por exemplo, quando passamos do videocassete para o DVD. Dificilmente uma tecnologia nova atrai muitos compradores, e com o Blu-ray não está sendo diferente. Os que querem usufruir logo das vantagens estão pagando o preço desse, digamos, pioneirismo; os outros vão esperar. E aí pode ser até que aquela mesma tecnologia já esteja superada por uma outra.

Agora, como bem lembrou um leitor, não dá para querer o melhor produto pagando o menor preço. Vejam, por exemplo, o novo Blu-ray player da Samsung (modelo P4600), apresentado neste vídeo. É o primeiro portátil do mercado, que pode inclusive ser pendurado na parede, ao lado do plasma ou LCD. É também o primeiro que funciona sem fio, via rede WiFi, podendo se comunicar diretamente com o computador para transferência de arquivos. Não é um recurso interessante? Pois é, seu preço de lançamento é R$ 2.499.

Absurdo? Não, para quem valoriza o design e a praticidade, que obviamente são poucas pessoas.

Blu-ray e os preços em queda

blueRayAinda não houve a correria que se esperava às lojas depois que Sony, Samsung e Panasonic baixaram drasticamente os preços de seus players Blu-ray, no início do mês. Parece que as pessoas estão esperando assentar a poeira das dívidas, ou quem sabe ainda estejam na dúvida se vale a pena o investimento. Quem sabe? O fato é que o Blu-ray, agora custando menos de mil reais, entra definitivamente na lista de compras da classe média. E o varejo deverá se empenhar para que aqueles que forem trocar de TV optem por um modelo Full-HD e gastem mais um pouco para ter o único player que proporciona esse tipo de imagem. Quem fizer isso estará, de quebra, já se preparando para a Copa do Mundo de 2010, o evento mais esperado pela indústria, a cada quatro anos.

Até onde sei, são grandes os planos do setor para o primeiro semestre do ano que vem, independente do que acontecer neste Natal. As boas exibições da seleção, a fase final do campeonato brasileiro e a enxurrada de transmissões de futebol internacional, em diversos canais – tudo isso funciona como reforço ao desejo de ter em casa a melhor imagem.

Num levantamento feito esta semana, nossa equipe constatou que os preços dos players Blu-ray realmente caíram. Vejam a tabela abaixo, montada a partir de uma pesquisa em lojas virtuais que trabalham com todas as marcas (os valores são os mais baixos encontrados; em azul, os modelos já testados pela Redação). Considerando que pode haver promoções aqui e ali, talvez seja possível encontrar preços ainda mais em conta.

SAMSUNG BD-1600 – R$ 880

SONY BDP-S360 – R$ 999

SHARP BD-HP21U – R$ 1.099

PANASONIC DMP-BD60 – R$ 1.299

PHILIPS BDP3000 – R$ 1.299

LG BD370 – R$ 1.299

Áudio na TV: solução à vista

truevolumeComentei aqui semanas atrás sobre o problema do áudio nos canais de televisão brasileiros, que está sendo tratado agora pela SET (Sociedade de Engenharia de Televisão). Pois bem. Acabo de receber a notícia de que a empresa californiana SRS Labs, especializada em softwares de áudio e fornecedora de vários fabricantes, está lançando uma provável solução. Chama-se TruVolume e vai poder ser adquirido, pelo menos nos EUA, até o final do ano. Virá na forma de um pequeno acessório, do tamanho de uma caixa de baralho, que deve ser plugado no TV. A caixinha é capaz de equalizar todos os sons emitidos pelo aparelho, de tal forma que desaparecem as diferenças, por exemplo, entre o áudio de um filme e o do anúncio que entra no intervalo comercial.

Segundo a SRS, o aparelhinho terá custo na faixa entre 25 e 100 dólares. Foram esses valores que apareceram numa pesquisa realizada entre usuários que viviam se queixando do áudio em seus TVs, diz Stephen Roney, gerente da empresa. Quase todos, explica ele, disseram que topariam pagar esse valor para se livrar do problema. Roney acredita que há um enorme mercado, principalmente agora que vai se tornando comum a prática de baixar vídeos da internet diretamente para o televisor. “As pessoas estão começando a usar o TV para ver conteúdos diversos, como gravações feitas com câmeras, videogames, videoclipes, filmes gravados em DivX. Cada tipo de conteúdo tem características de áudio distintas”.

Roney garante que o TruVolume equaliza tudo, a ponto de o telespectador nem perceber quando trocar de canal ou mesmo passar de um DVD para um game. A empresa está tão confiante que até colocou em seu site um vídeo que serve para testar a novidade. Vale a pena conferir. E vamos ver se o produto cumpre mesmo tudo que promete.

Pirataria é igual a carro?

Leio na Folha Online que a empresa paranaense Cadari Tecnologia da Informação foi condenada por vender o software de compartilhamento de arquivos P2P K-Lite Nitro. É mais um dos milhares de programas que não contêm filtros anti-pirataria e, portanto, permitem a reprodução infinita de arquivos teoricamente protegidos por direitos autorais. As autoras da ação foram as cinco maiores gravadoras de discos em atividade no País: EMI, Sony, Warner, Som Livre e Universal, representadas pela APCM (Associação Antipirataria de Cinema e Música). A Justiça do Paraná considerou que elas vêm sendo “violadas de forma maciça e constante”.

É a primeira decisão desse tipo no Brasil, referente a um software P2P. Provavelmente não será a última, considerando que as gravadoras e as distribuidoras de filmes estão hoje mais organizadas do que nunca para combater a pirataria – a propósito, vale a pena ler a reportagem da Folha Informática, publicada meses atrás, sobre como age o que o jornal chama de “esquadrão caça-pirata”. A APCM agora trabalha em conjunto com a MPAA (Motion Picture Association of America), que tem longa experiência no combate à pirataria ao redor do mundo.

Há quem diga que esse tipo de ação é inútil, já que a pirataria – assim como a corrupção e o tráfico de drogas – é impossível de eliminar totalmente. É um argumento. Agora, bem diferente foi a defesa do sr. Luciano Cadari, dono da tal empresa paranaense, ao comparar seu software pirateiro com MSN, Skype e os programas comuns de e-mails. Todos, diz ele, servem para as pessoas trocarem informações e arquivos. “Carro é o que mais mata no mundo e não é proibido. É uma questão de educação sobre o uso de ferramentas”.

Conclusão: dirigir um carro é o mesmo que distribuir produtos piratas! Ora, ora, a cara-de-pau das pessoas parece que não tem limites…

Videogames têm a força!

Não sou propriamente um fã de videogames. Mas tenho que reconhecer o incrível poder dos jogos eletrônicos para cativar (e, em alguns casos, viciar) o usuário que é ligado em belas imagens. Uma das cenas mais freqüentes que presenciei na IFA foi a de garotos experimentando a infinidade de games em demonstração. De todos os formatos, e com telas de todos os tamanhos. Dos portáteis que cabem na palma da mão até os gigantes, exibidos em telões, inclusive com imagens em 3D. Quando se trata de introduzir no mercado uma nova tecnologia de displays, como é o caso agora com os TVs de LED, os games são imbatíveis para convencer o consumidor sobre a qualidade da imagem.

game-3dEntre os três formatos de videogame mais populares (PlayStation, XBox e Wii), somente o primeiro teve grande espaço na IFA – Microsoft e Nintendo não participaram do evento, embora seus consoles pudessem ser vistos aqui e ali. Mas a Sony literalmente arrasou com suas demonstrações do PS3, em alta definição e telas de até 70″ (vejam aqui o vídeo). A versão 3D do jogo, que ainda não tem data certa de lançamento, deverá bater novos recordes de vendas quando chegar ao mercado – dizem os gamemaníacos que jogar em 3D equivale a um êxtase, e não dá para duvidar.

Mas o que mais me chamou a atenção, nessa categoria de produto, foi uma espécie de campeonato que pude presenciar, no estande (na verdade, um salão) montado pelo Instituto Fraunhofer, famoso centro alemão de pesquisas tecnológicas avançadas. Todo ano eles participam da IFA, e todo ano trazem novidades. Desta vez, era um game em 3D baseado nos movimentos dos jogadores. Não como o Nintendo Wii, em que você mexe o controle do jogo, mas gestos mesmo. O jogador chacoalha o braço direito e a bolinha (era um tipo de “ping-pong virtual”) corre para um lado ou para o outro. Um sensor de movimentos, localizado sobre a cabeça do jogador, “lê” o que ele faz com os braços e transmite a informação para o console, instalado dentro do display.

Se o futuro for assim, nossos netos não vão precisar de joystick nem de teclado.

(Só lembrando: quem quiser saber mais detalhes sobre o que vimos na IFA, pode acessar o nosso hot site do evento)