Archive | December, 2009

Até 2010!

Este blog entra em férias a partir de hoje e volta no dia 4 de janeiro, já na antevéspera da CES 2010. Agradeço a todos pela paciência de me lerem, comentarem, concordarem e discordarem. Espero sinceramente que continuemos juntos no próximo ano.

Um ótimo Natal e um 2010 melhor ainda!

A corrida dos TVs 3D

3D_TV3Sony, LG, Samsung ou Panasonic? As apostas estão abertas sobre quem será a primeira a lançar TVs 3D no mercado internacional. Na Coréia, a LG saiu na frente, com um modelo de 47″ – que, aliás, pode ser encomendado também no Brasil, mas apenas para clientes corporativos (o preço gira em torno dos 20 mil dólares). Para uso residencial, o que existe são apenas promessas. Por exemplo, um modelo de 23″, da própria LG, recém-lançado na Coreia. Na próxima CES, em janeiro, deveremos ter uma idéia mais concreta.

Mas, nesta terça-feira, as ações da LG na Bolsa de Seul subiram 2,2%, após um evento em que diretores do grupo reforçaram os planos para 2010: a empresa quer mesmo ser líder nesse segmento e já tem até estimativas de vendas. Seriam 400 mil aparelhos no primeiro ano, subindo para nada menos do que 3,4 milhões em 2011. Excesso de otimismo? Pode ser também um daqueles anúncios que algumas empresas fazem para estimular o valor de suas ações. No caso, a LG é uma das que têm cacife para isso, dada a excelente qualidade dos produtos 3D que vem exibindo nos grandes eventos internacionais. Para confirmar que a aposta é pra valer, a empresa anunciou também uma parceria com a operadora coreana SkyLife, que em janeiro começa a exibir conteúdos 3D.

Sony e Panasonic já revelaram seus planos a respeito, na última IFA, e não há por que duvidar. O sucesso atual do filme “Avatar“, de James Cameron, desde já um forte concorrente ao próximo Oscar, e que estréia nos cinemas brasileiros esta semana, pode ajudar muito. É inegável o apelo das imagens 3D para o público ávido por esse tipo de novidade. Outro estímulo virá certamente com a Copa do Mundo, na qual a Sony – que é patrocinadora oficial – fez acordo com a FIFA para gravar em 3D cerca de 25 jogos. Essas imagens servirão para produzir o vídeo oficial do evento, a ser comercializado logo em seguida.

Aliás, na Europa a operadora Sky promete transmitir ao vivo alguns jogos da Copa em 3D. Quem tiver o televisor não irá se arrepender…

Vem aí o iGoogle?

google phoneSaíram as primeiras imagens do smartphone da Google, previsto para chegar ao mercado no início de 2010. Será mais um “iPhone killer”, dizem os especialistas. Será mesmo? Há quem diga que o Google Phone (cujo nome comercial será Nexus One) não passa de uma provocação da empresa contra a Apple. No fim de semana, o blog oficial da Google informou que o objetivo é expandir o uso do sistema operacional Android, já usado por outras marcas de smartphones. Fabricado pela chinesa HTC, o Nexus One é visualmente parecido com o iPhone e copia também a política de código aberto da Apple, abrindo a porta para que desenvolvedores do mundo inteiro escrevam softwares que expandam suas aplicações.

Mas o ponto mais polêmico da estratégia da Google tem a ver com a distribuição do aparelho, que será vendido diretamente ao consumidor, sem vínculo com nenhuma operadora. A empresa pretende dar ênfase ao Android, visando torná-lo tão onipresente no mundo da mobilidade quanto é hoje o Windows no mundo dos computadores. O problema é fazer isso sem subsídio das operadoras. Qual será o preço final do Nexus One desbloqueado? Ninguém sabe até agora. Um analista de mercado ouvido pelo The Wall Street Journal lembra que esse subsídio atualmente está na faixa entre 200 e 300 dólares por aparelho. Se a Google for bancar essa conta e der o “azar” de vender milhões de smartphones, corre o risco de abalar suas finanças e espantar os investidores.

TVs a 240 quadros

Acabam de chegar ao mercado brasileiro os primeiros TVs LCD com taxa de renovação de imagem de 240Hz. Os modelos convencionais trabalham com freqüência de 60Hz, e já há algum tempo existem TVs mais avançados, com 120Hz. Os de 240Hz vão muito além na qualidade de imagem, embora não sejam o topo da pirâmide na tecnologia LCD: na CES e na IFA deste ano, vimos modelos da LG e da Samsung com 480Hz.

Em nossa sala de testes, avaliamos recentemente o novo modelo Sony Bravia de 46″ com 240Hz, e a diferença realmente impressiona. A LG também acaba de lançar quatro modelos identificados como “LCD Slim”, de 32″, 42″, 47″ e 55″, todos com 240Hz, mesma freqüência do LED-LCD de 55″ da Samsung. Para fazer uma comparação de preços, pesquisei em algumas lojas virtuais. Vejam:

Sony Bravia 46″ – 120Hz, R$ 4.899; 240Hz, R$ 6.999; 52″ 240Hz, R$ 10.499

LG Scarlet 47″ 120Hz, R$ 4.999; LG LCD Slim 47″ 240Hz, R$ 6.999

LED-LCD Samsung 46″ 120Hz, R$ 6.799; LED-LCD Samsung 55″ 240Hz, R$ 13.999

 E o que significam esses hertz a mais? A Sony chama de “MotionFlow”, enquanto a LG utiliza a expressão “TruMotion” e a Samsung, “AutoMotion Plus”. Todos são processadores de imagem que aumentam, artificialmente, a quantidade de quadros. Na tela, a diferença é visível até mesmo a olho nu. Quem puder fazer a comparação lado a lado, de preferência numa sala adequada, vai concordar comigo.

Um escritor em downloads

paulo-coelho-the-alchemist-bookConfesso que não sou fã do escritor Paulo Coelho. Mas fui – e continuo sendo – fã do compositor que, em parceria com o genial Raul Seixas, criou obras-primas como  “Metamorfose Ambulante”, “Al Capone”, “Como Vovó Já Dizia” e tantas outras músicas. E não posso deixar de reconhecer que o cara é um dos nomes mais importantes da literatura mundial, vide o sucesso de seus livros em dezenas de idiomas.

Pois agora Paulo Coelho divulga, através de seu blog, links para quem quiser fazer download de seus livros (e também de seus inúmeros discursos). E é de graça. Coelho sempre foi defensor do software livre e da derrubada de todas as barreiras à circulação de conteúdos online. Foi um dos poucos nomes famosos que condenou a censura à biografia de Roberto Carlos, escrita pelo jornalista Paulo Cesar Araújo e proibida pela Justiça a pedido do cantor. Condenou tanto que rompeu com a editora, quando esta aceitou a proibição deixando o autor sem lenço nem documento.

Agora, essa de colocar toda a sua obra para consumo grátis, só mesmo para alguém que, como ele, já vendeu tantos livros que nem precisa mais disso. Assim, fica fácil defender a pirataria… Em tempo: Coelho pede, singelamente, aos que baixarem seus livros na internet que distribuam cópias para escolas carentes e presídios. Vamos ver quantos farão isso, e quantos sairão por aí vendendo cópias “autorizadas” dos livros.

Brasil x México x Argentina

Saiu esta semana o último estudo da Anatel sobre a penetração da TV paga no País. Já são 7,1 milhões de residências recebendo o serviço, um crescimento excepcional de 13,3% entre janeiro e outubro. Segundo a agência, esse número equivale a 24 milhões de pessoas atendidas. Com isso, o Brasil está próximo de se tornar líder em TV paga na América Latina, superando México e Argentina, cujas estatísticas oficiais ainda não foram divulgadas (a empresa de pesquisas PTS Pay-TV estima que os dois países devem fechar o ano na casa dos 7 milhões). Apesar da precariedade do serviço prestado, como temos relatado aqui continuamente (e como os próprios leitores dão testemunho quase todo dia), sem dúvida é um salto importante. Principalmente levando em conta que as duas regiões brasileiras onde a TV paga mais cresce são justamente as mais pobres: Norte (com 21,7%) e Nordeste (18,4%).

Agora, as más notícias. O Brasil, com seus hoje mais de 180 milhões de habitantes, oferece TV paga apenas a 24 milhões, ou seja, 13% da população; o México, que possui 110 milhões de habitantes, está bem à frente, atendendo com esse serviço a 21% das pessoas; e a Argentina, coitada, com a crise econômica que já dura mais de dez anos, tem apenas 40 milhões de habitantes, mas nada menos do que 60% das residências têm assinatura de TV. Mais incrível ainda: o número de assinantes por lá anda estagnado, já eram quase os mesmos 60% há cinco anos, quando aqui não chegávamos sequer a 5%.

Resumindo: para chegar ao nível de nossos hermanos, a TV paga brasileira ainda precisa se multiplicar por quase cinco.

Para quem quer entender melhor as causas desse atraso, recomendo estes dois artigos:

Todo mundo está de olho na TV paga

Banda larga tem que estimular a concorrência

Agora, é Apple vs. Nokia

nokia-vs-apple-glovesComentamos aqui outro dia sobre as ações judiciais da Apple e da Nokia contra fabricantes de painéis LCD, e eis que as duas agora entram em rota de colisão. Tribunais dos EUA e Europa deverão ter trabalho para conciliar as gigantes, que se acusam mutuamente de quebra de patentes, roubo de idéias e práticas industriais e comerciais fora da lei. Difícil saber quem tem razão em casos como esse, pois há muitos segredos envolvidos.

Primeiro, a Nokia acusou a Apple de infringir um total de 10 patentes suas desde o lançamento do iPhone, em 2007. Essas patentes referem-se a recursos como GPS, conexão WiFi e o protocolo UMTS (Universal Mobile Telecommunications System) usado em celulares, popularmente conhecido como 3G. No processo (veja a íntegra), a empresa finlandesa diz que tentou várias vezes propor à Apple um acordo para liberar o uso dessas patentes, mas que os americanos não quiseram conversa. Essa ação deu entrada em 22 de outubro na corte de Delaware (EUA).

Esta semana, foi divulgada a defesa da Apple. As tais patentes citadas não seriam “essenciais” para o funcionamento dos aparelhos e, portanto, a Nokia não poderia cobrar por elas, segundo acordo prévio entre ambas. E mais: teria sido a Nokia quem utilizou, ilegalmente, idéias originais da Apple para obter as patentes. Além disso, diz a empresa de Steve Jobs (leia aqui), a Nokia copiou toda a interface gráfica do iPhone, o que também é objeto de ação judicial que está em andamento.

Nessa guerra de gigantes, vamos ver quem tem a força.

Vem aí a “Panasanyo”

panasanyoLembro que anos atrás, na cobertura de uma CES, em Las Vegas, havia o estande de uma empresa chamada “Panashiba”. Exibia TVs e aparelhos de som bem parecidos com os originais japoneses, mas a origem da marca era na verdade Hong Kong – fomos descobrir depois. Nunca mais ouvi falar, mas procurando no Google encontrei este site, que dá algumas pistas. Agora, fala-se na “Panasanyo”, resultado da fusão entre duas das marcas mais tradicionais do Japão, confirmada esta semana.

Claro, essa marca é fictícia. É difícil acreditar que a fusão envolva também as duas marcas, até porque ambas têm muito prestígio, principalmente entre os japoneses. Mas é certo que a Panasonic marca um belo gol ao consolidar o negócio que vinha discutindo desde meados do ano passado, como relatamos aqui. Os mais entusiasmados andam divulgando que a compra da Sanyo (na verdade, 50,19% das ações, o que corresponde a US$ 4,6 bilhões) coloca a Panasonic como maior grupo do setor eletrônico do Japão, superando a Sony. Na verdade, o maior conglomerado do setor é a Hitachi, com faturamento anual (oficial) de US$ 113 bilhões; a Sony tem faturamento de US$ 70 bilhões, segundo a Forbes, enquanto a Panasonic tem US$ 77 bilhões. Isso em dados de 2008, ou seja, mesmo sem a Sanyo a Panasonic já estava à frente.

Bem, esses números valem mais para investidores. O que interessa é que a Sanyo é o maior fabricante mundial de baterias, e é justamente nesse segmento que a Panasonic vislumbra crescimento. Às vésperas do lançamento dos primeiros carros híbridos, que estão para sair das fábricas da Toyota, Honda e Nissan, as perspectivas para fabricantes de baterias são excelentes. Especialmente as baterias do tipo níquel-hidrido, nas quais a Sanyo vem adquirindo grande expertise. Em relação a eletrônicos, adquirir o controle da Sanyo não faz muita diferença para a Panasonic.

Brasileiros com acesso à internet

O dado mais interessante do estudo divulgado pelo IBGE sobre a penetração da internet e do celular no Brasil não é o crescimento em si. Há muito já se sabe que o País é um dos principais mercados de tecnologia, e as vendas de computadores e de celulares comprovam. O que me chamou mais atenção foi este número: 32,8% das pessoas entrevistadas disseram que “não acham necessário” usar a internet. Aliás, mais de 104 milhões de brasileiros ainda estão fora desse mercado.

O que será que leva alguém a ter esse tipo de opinião? Só pode ser a ignorância, a desinformação que é reforçada a cada dia pelo acesso limitado às mídias disponíveis. Quem não tem interesse ou diz que não precisa do acesso à internet deve estar muito satisfeito com a vida que leva, certo? Ou então acomodado mesmo, tipo deitado em berço esplêndido.

Como já comentei várias vezes aqui, isso é ótimo para o governo e os políticos em geral, que vivem de explorar a ignorância. Cabe a nós, privilegiados que temos condição de usar a internet, fazer dela uma ferramenta de democratização da informação e de conscientização. Sem isso, o caminho fica aberto para ditadores (ou candidatos a), demagogos e corruptos de todos os níveis.

Staub garante: a Gradiente volta

Para os interessados, boa leitura é a entrevista de Eugenio Staub, presidente e fundador da Gradiente, a Sonia Racy, do Estadão. Entre outras coisas, ele anuncia que a empresa volta ao mercado em janeiro. E conta a saga que está sendo recuperar o que construiu. E mais: que não precisa de dinheiro do governo. A conferir.

Indústria do LCD se agita

A notícia de que o governo irá investigar os fabricantes de painéis LCD por formação de cartel pegou de surpresa a maior parte dos executivos na indústria. Quase todos sabiam o que estava acontecendo em outros países, mas ninguém esperava que a coisa respingasse por aqui. Neste momento, é difícil saber os desdobramentos da denúncia, mas é fato que há preocupação no mercado.

Em resumo, o que há de concreto é que existem processos em curso na Inglaterra e no Japão, sobre um grupo de empresas que anos atrás (entre 2001 e 2006) teriam se reunido em segredo para combinar preços dos painéis LCD, o que configura formação de cartel. Nos EUA, a Justiça agiu rapidamente e decidiu punir todas as envolvidas. A Samsung foi a primeira a ser chamada, e acabou fazendo um acordo com as autoridades americanas, pelo qual teria pago – segundo a agência de notícias Bloomberg – uma multa superior a US$ 650 milhões; em troca da redução do valor, executivos da empresa teriam aceito participar da chamada “delação premiada”, ajudando os investigadores a desvendar todo o esquema.

Descobriu-se então que o cartel agia em vários países, incluindo praticamente toda a indústria. São citadas as empresas LG, Hitachi, Epson e Sharp, além da chinesa Chungwa (fornecedora da Apple). A maioria delas assumiu a culpa perante a Justiça dos EUA, e o caso parecia encerrado no final de 2008. O problema é que outros processos semelhantes começaram a ser abertos em países onde as vendas de LCDs são mais altas, como Japão, Reino Unido e agora também Brasil. Na semana passada, a Nokia – maior fabricante mundial de celulares – anunciou que está processando aquelas empresas por terem vendido painéis LCD acima de seu custo real. Assim como Apple e Nintendo, a empresa finlandesa pede uma enorme indenização. Como se sabe, os painéis LCD são usados não apenas em televisores, mas em celulares, câmeras digitais, notebooks, iPods etc.

Agora, é o governo brasileiro – através do DPDC (Departamento de Proteção e Defesa da Concorrência), órgão do Ministério da Justiça – que ameaça abrir processo no mesmo tom. Se vai dar alguma coisa? Difícil saber. Na verdade, cheira mais a uma nova maneira, sem dúvida original, de tirar dinheiro das empresas, o que nunca deve ser desprezado em época de eleição. Agora que o LCD virou moda, descobriram quem sabe mais uma mina de ouro… Mas vamos esperar para ver.

99% ainda preferem a TV

Um das grandes discussões atuais é sobre o hábito de ver televisão pela internet. A facilidade das conexões de banda larga torna possível que uma pessoa, ao mesmo tempo, trabalhe em seu computador e assista a um programa ao vivo – e muitos já fazem isso habitualmente. Mas quantos? O instituto de pesquisas Nielsen, dos EUA, foi a campo para descobrir. E concluiu que 99% das pessoas continua vendo televisão pelo método tradicional: sentadas no sofá da sala, e não diante do computador. Claro, esse tipo de pesquisa é sujeita a diversas interpretações. Mas o dado serve para desmistificar um pouco a história de que “todo mundo” está migrando para a TV na web, assim como se costuma dizer que “todo mundo” está no Twitter e “todo mundo” assiste ao CQC, por exemplo. É uma generalização bem típica dos tempos atuais, em que aparentemente “todo mundo” tem preguiça de pensar.

Diz a pesquisa, realizada durante os últimos três meses e publicada ontem no jornal Variety: em média, os americanos passam 31 horas por semana vendo televisão, sendo que meia hora é destinada a ver programas gravados via PVR; essas mesmas pessoas vêem somente 22 minutos de vídeo na web por semana, além de outros 5 minutos em dispositivos móveis. Se lá, com tanta oferta de conteúdos online, essa é a média, imaginem aqui, onde as conexões ainda são vagarosas e a televisão aberta é tão onipresente!

Liberdade de expressão? Para quem?

Enquanto o presidente reeleito da Bolivia, Evo Morales, diz que em seu país a liberdade de expressão é “exagerada”, e seu colega venezuelano Hugo Chavez só falta mandar matar jornalistas que o criticam, em São Paulo um carro de reportagem do Estadão é atacado por vândalos, no meio da madrugada. Certamente não eram bandidos comuns, desses que assaltam motoristas indefesos no trânsito. Como também não são criminosos comuns os que entraram com ação na Justiça pedindo a censura ao Estadão por denunciar as falcatruas da família Sarney. Para coroar essa sucessão de atentados às liberdades, vem agora o próprio presidente Lula dizer que a imprensa “faz mal ao País”. Isso mesmo: foram essas as palavras que ele usou, no discurso de segunda-feira passada, quando recebeu o prêmio da revista IstoÉ (que comentei aqui ontem). Não foi a primeira vez – nem terá sido a última – em que alguém do governo critica a mídia. Sarney, Maluf, Collor, Garotinho, José Dirceu e Arruda também acham que a imprensa faz mal; devem até concordar com Morales, em relação à “liberdade exagerada”.

Todos acham ótimo quando a imprensa os elogia. Infelizmente, há centenas de veículos que vivem exatamente de elogiar os poderosos. Não é coincidência que alguns dos citados têm seus próprios jornais e emissoras de rádio e TV para fazer esse trabalho sujo. Agora mesmo, na Conferência Nacional de Comunicação, que acontecerá em Brasilia, teremos mais gente do mesmo tipo defendendo medidas contra a mídia que não se ajoelha diante deles.

Aconselha-se a todas as pessoas de bem ficarem de olho, pois é assim que funciona a democracia: como dizia Churchill, é “um péssimo sistema político, mas ainda não inventaram nenhum outro melhor”.

O Blu-ray mais barato

Minutos depois de eu ter postado aqui o comentário sobre a queima de preços dos players Blu-ray, meu colega Michel Airosa me trouxe a informação completa: “Neon” é como se chama o player da empresa brasileira Diplomata, que fabrica seus aparelhos em Manaus. O produto está à venda somente no Submarino, e a essa altura o preço baixou mais ainda: R$ 449, acredite se quiser. A Diplomata atende pelo telefone (11) 3315-9278, mas acessando sua homepage li que não é propriamente desconhecida. Está há 25 anos no mercado (ignorância minha!) e produz mais de 100 itens. Engraçado que, no site, não há qualquer menção ao tal player Blu-ray. Pelo jeito, quem quiser conhecer vai ter de pagar pra ver.

As figuras do ano

time_person_of_yearTodo final de ano, a revista americana Time acostumou seus leitores a verem, na capa da edição de Natal, a figura do “homem do ano”. Geralmente, escolhem um político importante, um esportista, artista ou cientista que tenha se destacado, e ponto final. Pode-se concordar ou discordar, mas a escolha é dos editores da revista, e tem que ser respeitada, assim como qualquer publicação pode escolher quem quiser. No ano passado, por exemplo, o escolhido foi Barack Obama; Steve Jobs, Bill Gates, Gorbachev e até George Bush já mereceram a honraria. Também já foram escolhidas mulheres, como Hilary Clinton e Margareth Thatcher. Houve até um ano em que a distinção não coube a uma pessoa, mas a um objeto – melhor dizendo, um aparelho: o computador. Este ano, dizem que a nomeação será ainda mais inusitada: o escolhido será “você”. Isso mesmo, nós todos, ou cada um de nós individualmente, ilustrando a idéia de que, com as redes sociais e a velocidade das comunicações, todo mundo é ao mesmo tempo consumidor e produtor de informação (os blogs e o Twitter são os melhores exemplos). Se for isso mesmo, terá sido uma ótima escolha. Na falta de pessoas, digamos, superiores a quem homenagear.

dp_4953273961591603Agora, vejam o que acontece no Brasil. Esta semana, a revista IstoÈ – da qual já falei aqui – promoveu evento para premiar as pessoas que seus editores apontam como os “brasileiros do ano”. São cinco nomes. Adivinhem quem foi o primeiro: ele mesmo, Lula. E o segundo? Guido Mantega. A lista inclui ainda Aecio Neves. Pronto. Está feito o serviço. Todos os que interessam são homenageados. E a revista continua sendo, como diz seu slogan, “independente”.

Queimando Blu-ray no Natal

O futuro chegou antes da hora. Aquilo que muitos aguardavam para decidir comprar seu player Blu-ray enfim está acontecendo: uma queima de preços como há muito não se via no País. Grandes marcas – como Sony, Samsung e Philips – estão oferecendo descontos inacreditáveis, em parceria com algumas lojas. Mais do que nunca, vale a pena uma boa pesquisa antes de decidir, pois já tem loja online oferecendo o aparelho por menos de R$ 500!!!

Bem, essa é a boa notícia. Mas tem o outro lado: confira bem o que você está comprando. No Submarino, há um modelo da marca Neon (já ouviu falar?) por R$ 479. TecToy é outra marca que está sendo oferecida por aí a preço mais do que atraente. Aliás, estamos com um deles para testar. Será que agora o Blu-ray decola? Não, se depender de pessoas como o leitor Luis Gomes, que nos escreveu perguntando: “Pra quê comprar Blu-ray, se não tem disco pirata no camelô”?

Juros ocultos, consumidor feliz

“O consumidor está feliz,

e o pessoal fica tentando

colocar minhoca na cabeça dele”.

A frase, que dispensa comentários, é atribuída a Alvaro Musa, da empresa Partner Consulting, em reportagem da Folha de S.Paulo sobre o varejo brasileiro. O texto comenta que algumas redes, como o Carrefour, resolveram ampliar ainda mais os prazos de financiamento ao consumidor, que já chegam a 24 parcelas mensais. Casas Bahia (17 parcelas) e Extra (15) são outras redes que seguem no mesmo caminho. Consultores ouvidos pelo jornal criticam essa política, acusando as redes de iludirem os clientes. Musa contesta: “O que o varejista faz é repassar ao cliente as taxas que o banco impõe à rede, que são muito menores do que as praticadas para a pessoa física”.

Tudo bem, sr. Musa. O problema é não deixar isso claro ao comprador, certo? Como diz, na mesma reportagem, Miguel José de Oliveira, da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade): “Não existe financiamento sem juros”. Segundo ele, as redes trabalham com juros “ocultos” de até 30% nos financiamentos de 18 a 24 meses. O Carrefour, é claro, nega. Mas Oliveira sugere: “Se o consumidor for à loja e barganhar, sempre consegue descontos significativos à vista”.

Elementar, não? Alguém acreditar que está comprando a prazo (longo) e não está pagando juros, só mesmo no reino de Papai Noel. Mas, pela visão do sr. Musa, consumidor enganado é consumidor feliz.

OLED, da Kodak para a LG

Kodak OLED 

 

Não sei se é boa ou má notícia, mas confirmando o que comentamos aqui na semana passada sobre as marcas que tendem a desaparecer, a Kodak anunciou na última sexta-feira que está vendendo sua divisão de painéis OLED para a coreana LG. Não foram revelados valores, mas não deve ter sido pouco: a Kodak foi simplesmente a inventora da tecnologia OLED (Organic Light-emitting Diode), ainda nos anos 70, e ganhou muito dinheiro com ela. O problema é que está descapitalizada. Embora tenha sido inovadora no passado (vejam este vídeo), sucumbiu à revolução digital e agora precisa fazer caixa.

Como já citamos algumas vezes neste blog, os displays OLED podem ser o futuro da indústria de TVs. Em termos de brilho, cores, contraste e economia de energia, superam de longe tanto os LCDs quanto os plasmas. Já são usados em larga escala em aparelhos portáteis, como celulares, câmeras e notebooks (como este da foto), mas ninguém ainda encontrou uma forma eficiente para produzir telas grandes com esses painéis. A Sony lançou seu modelo de 11″ (vejam aqui o teste), e a própria LG está prometendo um de 15″ ainda para este ano. A Samsung já exibiu em eventos um exemplar de 31″, mas não tem previsão para colocá-lo no mercado.

Com certeza, a idéia da LG é utilizar toda a experiência da Kodak nesse campo para se posicionar solidamente quando os TVs OLED forem viáveis. Quando será isso? Desculpem, mas a resolução de minha bola de cristal não está lá grande coisa…

Sinfonia do iPhone

Que o iPhone é um aparelho fantástico, acho que ninguém discorda. Mesmo aqueles que, como eu, não são fãs das telas touchscreen têm que reconhecer a genialidade de mais essa invenção da Apple. Mas cada vez fica mais claro que essa magia vai muito além do aparelho em si. Vejam estes números, atualizados em junho último, segundo o site iPhone Developers:

— Mais de 21 milhões de aparelhos vendidos;

— Mais de 1,5 bilhão de aplicativos baixados;

— Cerca de 300 mil desenvolvedores trabalhando “de graça” para a Apple.

iphone symphony3Pois é, o mapa da mina está no código aberto, que permite a qualquer pessoa desenvolver novas funções para o aparelho. Uma das últimas está neste vídeo, que vi no site do The New York Times: uma orquestra de câmera que, em vez de instrumentos musicais, utiliza… isso mesmo, iPhones. Foram estudantes da Universidade de Stanford (sempre eles) que, sob orientação do professor Ge Wang (foto), criaram luvas especiais para essa finalidade. Ligadas a alto-falantes, as luvas emitem sons quando são passadas sobre a tela do iPhone. Não liguem para a qualidade da música propriamente dita – isso não vem ao caso. O incrível é terem descoberto mais essa aplicação para a genial criação de Steve Jobs.