Archive | January, 2010

A novela do novo plugue elétrico

Aos poucos, a mudança de padrão elétrico proposta pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) – que teoricamente entrou em vigor no primeiro dia do ano – vai ganhando ares de novela. E pior: com cenas típicas do velho jeitinho brasileiro! Já começam a surgir contestações à medida, o que era mesmo de se esperar. Esta semana, o Ministério Público do Paraná abriu ação civil pública contra a União, o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) e a própria ABNT, pedindo que todo o processo de implantação dos novos plugues e tomadas seja interrompido.

Os argumentos são aqueles que a maior parte dos especialistas (e nós aqui também) têm detalhado: não há razão plausível para o Brasil adotar um padrão único no mundo, exigindo gastos e dores de cabeça de toda a população; e não houve – como seria elementar – uma campanha de esclarecimento adequada sobre a mudança, ainda que esta venha sendo preparada desde 2002. Embora o Inmetro argumente que “toda a indústria” pedia o novo padrão, é difícil encontrar alguém, entre os fabricantes, que concorde com ele. Temos procurado insistentemente vários deles, e a resposta é sempre a mesma: vamos nos adaptar à legislação. Em off, a maioria admite que nem sabe como fazer isso e não foi consultada a respeito.

No dia-a-dia, a solução encontrada pela maioria dos usuários é usar um adaptador (como o da foto), provavelmente um dos acessórios mais procurados no comércio atualmente. Existem dois tipos: um para quem tem a tomada antiga e precisa instalar um aparelho com plugue novo, e outro para quem já trocou de tomada mas não seus aparelhos. Outro dia, ouvi entrevista de um diretor do Inmetro com esta pérola de argumento: o Brasil não poderia ter adotado, por exemplo, o padrão americano ou o alemão (este considerado o melhor do mundo) porque isso significaria “dependência tecnológica”. Parece discurso de político comunista contra o “capitalismo selvagem”, coisa típica dos anos 60. É esse tipo de gente que dirige os órgãos técnicos no Brasil? (a entrevista pode ser ouvida aqui).

Ao que eu saiba, ninguém se lembrou de consultar, por exemplo, os consumidores – embora o tal diretor relate que já houve “milhares de acidentes, inclusive com mortes” devido aos plugues e tomadas atuais. Nem, muito menos, os importadores de equipamentos eletrônicos, cuja única saída, aparentemente, é oferecer aos seus clientes, talvez como brinde, o tal adaptador.

E vejam que situação surreal: em minha última viagem, comprei um adaptador elétrico universal, que pode ser usado em qualquer tipo de tomada. Só não posso usá-lo em meu próprio país.

Apple vs. Amazon: quem ganha?

Não saiu em qualquer jornal, mas no prestigiado The Wall Street Journal: até a noite de terça-feira, véspera do lançamento do iPad, executivos da Apple ainda negociavam com representantes das maiores editoras americanas quanto cada um vai levar nessa história. Todo mundo sabe que um dos objetivos da Apple com o iPad é derrubar o Kindle, da Amazon, que já vendeu, segundo a empresa, mais de 2 milhões de unidades – um sucesso absoluto! As editoras, que vêm sendo espremidas até o pescoço pela Amazon, tendo que aceitar suas condições para poder vender livros, jornais e revistas a usuários do Kindle, perceberam que a Apple pode ser uma aliada neste momento.

A proposta da Apple parece mais vantajosa que os termos propostos até então pela Amazon. As editoras poderiam fixar três faixas de preço para seus livros: 9.99, 12.99 e 14.99 dólares; e ficariam com 70% das receitas obtidas via iPad. A Amazon impede que elas determinem os preços, embora pague mais (média de 50%) sobre o valor de capa da edição imprensa. Fixando o preço da edição digital em US$ 9.99, a Amazon acaba subsidiando parte do custo, o que pode ser bom para o usuário mas, no entender das editoras, desvaloriza os produtos, tornando o negócio arriscado a médio prazo.

Essa discussão ainda vai longe, até porque algumas editoras têm tanto medo da Amazon – maior varejista de livros do mundo – que sequer apareceram na reunião convocada pela Apple. Com mais de 200 mil títulos em catálogo, a Amazon exerce um poder de pressão que não se pode desprezar. Por sua vez, a Apple pode alavancar as vendas de e-books atraindo usuários de seus demais produtos, raciocinam alguns editores. Eu, particularmente, acho difícil: a geração iPod e iPhone não parece ter o perfil de leitores de livros.

Outro detalhe curioso nessa história é que os editores de jornais e revistas ficaram de fora da negociação com a Apple, por enquanto. Mas estão todos se preparando para um dia, quem sabe, ver seus conteúdos nas telinhas do iPad, do iPhone etc. Não custa sonhar.

Anatel, na mira dos fiscais

Esta semana, o País ouviu escandalizado as declarações do presidente Lula de que não irá respeitar o Tribunal de Contas, que proibiu a continuação de obras onde há irregularidades (e muitas). Nesse clima de desrespeito às leis, não estranha que um órgão do governo, a Anatel, esteja em guerra contra a CGU (Controladoria Geral da União), justamente o órgão cuja função é fiscalizar os gastos da administração pública federal. É o que relata o site Tela Viva: os auditores da CGU vetaram a prorrogação das licenças TV paga em MMDS, feita em cima do prazo e sem preço para o uso das radiofrequências associadas. Para eles, a prorrogação das licenças sem definição do custo fere a Lei Geral de Telecomunicações. Os auditores não aceitaram as explicações da Anatel e reprovaram as contas da Agência.

Alguém vai pagar por isso?

Futebol em 3D, neste fim de semana

Se você tiver a sorte de estar em Londres neste domingo, poderá procurar pela cidade um dos pubs que estarão exibindo o jogo entre Arsenal e Manchester United, um dos clássicos mais tradicionais da Inglaterra, com imagem em 3D. Isso mesmo: será a primeira transmissão ao vivo de um evento nesse formato. A idéia é da operadora Sky inglesa, que promete estrear suas transmissões regulares em 3D a partir de abril. Vai ser, portanto, uma espécie de aperitivo para os fanáticos torcedores ingleses.

Depois do privilégio que tive em Las Vegas, ao assistir à primeira transmissão nos EUA, feita pela DirecTV, com imagem em HD 3D (vejam aqui o vídeo), posso imaginar como estão se sentindo os ingleses que puderem ir a um dos tais pubs. Dá para antecipar também, como fez o blog Gizmodo, as cenas na hora do jogo: depois de três ou quatro cervejas (o que é pouco para a média deles), os torcedores não precisarão de óculos para ver os lances em 3D; já estarão vendo tudo em 4D ou até 5D!

Downloads legais: nada legal!!!

Outro amigo, Luciano Guimarães, escreve para reclamar dos serviços brasileiros de download legal de músicas, citando o iMusica, do Submarino, e o Baixahits. Luciano já pagou por algumas músicas e simplesmente não consegue baixá-las. Um dos sites alega “problemas técnicos”, que serão resolvidos “nos próximos dias”; o outro diz que “o nome do usuário é inválido”. Inválido? E por que não era quando ele pediu e pagou pelas músicas. Conclusão do amigo: é por essas e outras que os downloads piratas crescem tanto. Comprar música legalmente, diz ele, dá muito trabalho e demora muito tempo.

Não há como deixar de lhe dar razão. Já ouvi queixas semelhantes de outras pessoas, inclusive leitores, que acabam desistindo de agir legalmente (se é que o termo se aplica ao caso) e partem para os sites não autorizados. A meu ver, existem duas maneiras de analisar a questão. Pelo aspecto puramente ético, Luciano agiu certo: tentou fazer a coisa legal, procurou orientação dos sites responsáveis, não encontrou e agora considera seriamente a possibilidade de baixar músicas piratas. É o que lhe resta. E é o que fazem milhões de brasileiros diariamente.

Mas há aí um outro lado, que infelizmente tem a ver com outros problemas do País. O segmento de música, como vários  outros, está nas mãos de meia dúzia de empresas que, por ganância ou incompetência, desrespeitam seus clientes. Pior: ninguém fiscaliza. É como se as autoridades dissessem a todo mundo: podem piratear à vontade. Mais ou menos como a cobrança de impostos: quem quer trabalhar estritamente dentro da lei acaba prejudicado, em favor dos que sonegam, entre eles grandes empresas e grandes empresários.

No caso dos downloads, não estranha que empresas como iTunes não estejam presentes no Brasil. Não conseguiriam trabalhar como estão acostumadas, ou seja, dentro da lei. Não sei se piratear música é solução. Mas, pelo menos, é um alerta das pessoas a quem não é permitido sequer cumprir o que é legal.

Prêmio para a inovação digital

O amigo Claudiney Santos, da TI Insider, informa que estão abertas as inscrições para o Prêmio Converge de Inovação Digital, cujo objetivo é estimular e reconhecer o trabalho de empresas e profissionais ligados à web. Podem ser inscritos sites, blogs, campanhas e demais iniciativas que utilizam as ferramentas da Web 2.0. As inscrições vão até 10 de fevereiro. Alguém aí se candidata?

Celular desbloqueado para todos

Eis aqui uma boa notícia. O IDEC (Instituto de Defesa do Consumidor) está propondo o fim do bloqueio das linhas de celular. As operadoras ficariam proibidas de vender telefones bloqueados, e aqueles que já possuem esse tipo de aparelho poderiam exigir o desbloqueio quando quisessem, sem custo, ficando assim livres para usar qualquer operadora. Na verdade, essa idéia já vem sendo discutida internamente pela Anatel há algum tempo; a conselheira Emilia Ribeiro, uma das mais atuantes do órgão, defende o desbloqueio ardorosamente. Na prática, seria oficializar algo que a realidade já consagrou, depois que foi aprovada a portabilidade numérica. Quantos milhões de usuários não mudaram de operadora? Aqueles que não o fizeram devem estar a) muito satisfeitos com o serviço que recebem; ou b) achando que todas as operadoras são iguais e que, portanto, não adianta mudar (este é o meu caso).

De qualquer modo, a proibição da venda de telefones bloqueados seria uma medida democrática, e com certeza estimularia a concorrência entre as operadoras através de uma prestação de serviços mais eficiente para preservar os clientes. É muito melhor do que o governo intervir no mercado. Bem, até agora não ouvi falar da criação de uma estatal para cuidar do assunto. Até agora.

Gradiente, de roupa nova

A Gradiente comunicou oficialmente anteontem à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que mudou de nome. Agora, será IGB Eletrônica S/A. A CVM informou também que autorizou o arrendamento dos ativos da empresa para a CBTD (Companhia Brasileira de Tecnologia Digital), que vem a ser dos mesmos sócios da Gradiente. Na verdade, a CBTD foi criada apenas para que a empresa possa retomar suas atividades, enquanto não se define a situação judicial da Gradiente. A CBTD está se apresentando ao mercado como “aberta a novos investidores”, prometendo iniciar operações no segundo trimestre do ano, segundo o site Olhar Digital. São brechas que a legislação brasileira oferece, para o bem ou para o mal.

Pelo que sei, Eugenio Staub continua tentando encontrar quem se disponha a investir no seu projeto de fabricar notebooks e TVs LCD em Manaus. Sua outra batalha é chegar a um acordo com os credores, a quem a empresa deve mais de R$ 300 milhões. Não sei qual das duas tarefas é mais difícil.

Guerra da banda larga continua

Nos bastidores de Brasilia, continua a guerra de lobbies em torno do Plano Nacional de Banda Larga, que o presidente Lula anunciou mas parece não estar fazendo questão nenhuma de levar à frente. A pressão é cada vez mais forte por parte das operadoras, representadas pelo ministro das Comunicações, Helio Costa, que não perde uma oportunidade de criticar a assessoria do presidente (leia-se: pessoas do PT que dão expediente na Casa Civil e no Ministério do Planejamento). “Não é o Ministério das Comunicações, o Ministério do Planejamento ou a Casa Civil quem vai decidir. É o presidente Lula e ele ainda não decidiu”, disse o ministro ontem a jornalistas que questionaram se já havia uma decisão.

Aproveitando a cerimônia de posse de Jarbas Valente como novo conselheiro da Anatel, dezenas de executivos do setor estavam lá criticando o Plano. A crítica mais forte é contra a idéia de reativação da Telebrás. No papel, a estatal atuaria apenas para atender municípios ou regiões onde as operadoras privadas não tivessem interesse, ou então onde houvesse pouca competição e preços muito elevados. Na teoria, uma boa idéia. Mas o mercado inteiro sabe (e os técnicos da Anatel também) que não é assim que funciona na prática. Despejar uma montanha de dinheiro (fala-se em R$ 14 bilhões) numa estatal está longe de ser a melhor maneira de estimular a concorrência e melhorar os serviços. Esse dinheiro está fazendo muita falta, por exemplo, em hospitais, escolas e regiões atingidas pelas enchentes. Aliás, hoje mesmo está nos jornais o ministro da Fazenda, Guido Mantega, dizendo que o governo vai cortar investimentos. Na prática, mesmo, a volta da Telebrás significaria mais um guarda-roupa (e não um simples cabide) de empregos para amigos do rei – e dos amigos dos amigos.

As operadoras se queixam que apresentaram uma proposta de Plano, e o que está no decreto de Lula é outra coisa, completamente diferente. E nem foram chamadas para conversar. Mas o problema, como já comentei aqui, é que estamos em ano eleitoral. Nem Lula, nem Dilma, nem muito menos Helio Costa seriam loucos de desprezar a possível ajuda financeira que as operadoras poderiam prestar na campanha, e que não seria pequena. Banda larga? Isso pode esperar. Por via das dúvidas, Lula mandou os técnicos reavaliarem o plano. E a próxima reunião para discutir isso acontecerá em março (se não for adiada).

Bem, para quem quiser se atualizar sobre o tema, esta é a íntegra do projeto sugerido pelo Ministério das Comunicações, com apoio das operadoras. Recomendo ainda estes artigos:

Banda larga tem que estimular a concorrência

Banda larga e acessibilidade

Análise sobre o decreto que institui o Plano Nacional de Banda Larga

Banda larga agita os políticos

O lobby contra o lobby

E dou minha opinião pessoal neste:

A banda larga do governo. E a nossa!

A nova jóia da Bowers & Wilkins

Se a Apple é a grife dos computadores, a inglesa B&W tem o mesmo prestígio entre os usuários de caixas acústicas. E a nova 800 Diamond, que acaba de chegar ao Brasil, só vai fazer aumentar esse cartaz. São sete modelos que, pela descrição (e essa empresa costuma ser séria quando divulga seus produtos), honram a tradição da marca. A empresa decidiu incorporar em todas elas o tweeter de diamante (agora com ímã quádruplo), uma de suas criações mais elogiadas, que amplia a extensão dos agudos. Para melhorar o controle dos graves, foi usado um ímã duplo de neodímio. Os terminais são feitos de cobre oxygen-free, e os divisores de freqüência trazem um novo capacitor especialmente projetado pelos designers da B&W.

Bem, não vou falar mais. Espero que todos tenham a oportunidade de ouvir as novas caixas e avaliar o que elas oferecem. Este espaço fica aberto para seus comentários.

Saiu o tablet da Apple

Isso mesmo: confirmadas as especulações.

O iPad acaba de ser apresentado em San Francisco.

O evento está sendo foi transmitido ao vivo em

http://www.taranfx.com/watch-apple-event-live-video-stream.

Atualizando as informações, agora que toda a imprensa mundial já divulgou a notícia (aliás, está em todos os sites importantes e provavelmente será capa dos jornais amanhã e das revistas semanais também; mais uma vez, a Apple cria um fenômeno de mídia espontânea. Imaginem quanto custaria comprar em publicidade todo esse espaço que está sendo usado para falar da empresa e de seu novo produto).

Mas vamos lá. Achei incríveis os preços fixados para o iPad: US$ 499 por um modelo de 16GB? Uau!!! Mesmo a versão top de linha (WiFi com 3G e 64GB), por US$ 829, não digo que é uma pechincha, mas é quase. Duro é pensar em quanto custará quando chegar ao Brasil! Como se previa, o iPad será ao mesmo tempo um smartphone, um e-reader e um netbook. O tamanho (tela de 9.7″) equivale a um desses ultraportáteis, com a vantagem do gabinete superfino (12mm), e pesando apenas 700 gramas. O teclado virtual tem tudo a ver: quem está habituado ao iPhone vai achar o máximo digitar nessa tela. E a bateria de 12 horas é o sonho de todo usuário de portáteis. Mais: já vem desbloqueado. Precisa mais?

Bem, chega de fazer propaganda da Apple. Vamos ver o que dizem os críticos, sempre alertas. Mas duvido que não repita o êxito do iPhone.

Quem dá garantia aos importados

Meu colega Julio Cohen me manda cópia de reportagem publicada em O Globo na semana passada, que trata de um problema recorrente: a falta de garantia e assistência técnica para aparelhos adquiridos no Exterior. A repórter Nadja Sampaio foi ouvir fabricantes, Procon, uma advogada especializada na matéria e também consumidores que viveram essa situação. Pode ser difícil de aceitar, mas não tem muita saída. São poucas as empresas que trabalham com garantia mundial, e essa é uma discussão antiga e longe de um consenso.

Segundo a advogada Beatriz Margoni, citada na reportagem, juízes de São Paulo e do Rio Grande do Sul já deram ganho de causa a consumidores que não encontraram suporte dos fabricantes. Compraram aparelhos no Exterior, de marcas como Sony, HP e Toshiba, mas as subsidiárias brasileiras se recusaram a honrar a garantia. Diz ela que há um precedente, em decisão do STJ que teria obrigado a Panasonic do Brasil a dar garantia para um produto da marca que foi comprado em outro país. Detalhe: num dos casos citados pelo jornal, o valor do produto importado era mais alto que a cota de 500 dólares permitida aos turistas – portanto, era uma importação ilegal. O juiz remeteu o caso à Receita Federal, mas mesmo assim decidiu que a empresa era obrigada a dar garantia (provavelmente o consumidor, nesse caso, não gostou nem um pouco da decisão).

O fato é que essas polêmicas vão continuar por muito tempo. É a típica situação em que os dois lados têm razão. Na teoria, as empresas multinacionais devem estar preparadas para prestar suporte em todos os países onde atuam, ainda mais nestes tempos globalizados. Na prática, porém, isso é virtualmente impossível: não há como manter estoques de peças e técnicos treinados para reparar todos os produtos que uma Sony ou Panasonic fabrica no mundo inteiro. São milhares de itens. Imagino que alguém, ao comprar um aparelho, digamos, em Miami, sabe (ou deveria saber) que trazê-lo para o Brasil implica em risco. Ainda mais se for um produto caro. Se comprou, é porque viu ali alguma vantagem e, portanto, achou que valia a pena correr o risco.

O problema não existe só no Brasil. Um turista australiano que faça o mesmo com certeza estará pesando se o risco compensa. Acontece que aqui é o país dos espertinhos. Imaginem que festa fariam os contrabandistas sabendo que podem contar com a garantia dos fabricantes…

TV no túnel do tempo?

Quase caí da cadeira hoje ao ver, no site da PC World americana, esta belezinha de foto. Não, não era uma reportagem sobre os anos 60. Trata-se de uma “nova” linha de TVs que a LG acaba de lançar na Coréia. E você não está lendo errado: são TVs de tubo CRT, aquele que todo mundo pensava estar morto e enterrado pelos plasmas e LCDs da vida. Diz o site que esses TVs, apropriadamente batizados “Retro Classic”, têm a maioria dos recursos dos nossos antigos: antena interna com extensão, botões giratórios para controlar o volume e trocar de canal e essas perninhas finas, que podem ser retiradas para colocar o aparelho num móvel. Sim, mas são TVs modernos, com tuner digital e até mesmo controle remoto sem fio, vejam só! Um modelo de 14″ está sendo vendido na Coréia pelo equivalente a 215 dólares. Ah! Para os mais saudosistas, um mimo extra do fabricante: embora seja em cores, quem quiser pode assistir a tudo em preto e branco, ou até mesmo em sépia. Será que sua avó compraria?

Lá vêm os políticos de novo…

Já disse alguém que política é uma coisa muito séria para ser deixada na mão dos políticos… Pois é, acabo de ler notícia da Agência Brasil (oficial do governo federal) informando sobre projeto do deputado Paulo Pimenta (PT-RS) que determina o seguinte: todo assinante de TV paga deve ter direito a escolher apenas os canais que quiser, sem se submeter aos pacotes das operadoras. Muito bonito para um ano eleitoral, que é no que deve estar pensando o nobre parlamentar. Só que totalmente fora da realidade, ou seja, bem típico de políticos quando se aventuram em assuntos técnicos.

Como sabem todos que acompanham este blog, não morro de amores pelas operadoras, que continuam entre as campeãs de queixas do Procon, o que por si só dispensa maiores comentários. Mas já comentei aqui o problema operacional da TV paga brasileira: além de serem poucas operadoras, estas têm que se sujeitar a regras leoninas das fornecedoras de conteúdo – regras que, em qualquer país civilizado, não passariam pelo crivo de nenhum juiz isento. Da forma como foi criado o serviço de TV por assinatura, não há saída a não ser impor pacotes ao consumidor, que quase nunca tem opção de troca (nem de pacote, muito menos de operadora).

A solução seria mudar a lei que rege o serviço como um todo. Mas isso dá muito trabalho. E, como sabemos, trabalho não é com os políticos.

Quem sobreviver, verá

No mundo dos negócios, como em outras áreas da vida, nem tudo é o que parece. Às vezes, o marketing e a imagem projetada de uma empresa junto à opinião pública valem mais do que seus produtos propriamente ditos. Comentei aqui outro dia sobre o crescimento de alguns fabricantes chineses de eletrônicos, e entre eles citei a Acer, hoje o maior fabricante mundial de notebooks (produz inclusive para muitas marcas que encontramos por aí, em regime de OEM). Pois bem, vejam o que diz o sr. Stan Shih, fundador da Acer, segundo o jornal Comercial Times, de Taiwan, onde fica a sede da empresa:

“Daqui a vinte anos não existirão mais fabricantes americanos de computadores. Vai acontecer com eles o mesmo que aconteceu com os fabricantes de televisores”.

Não sei se os executivos da Dell e da HP estão perdendo horas de sono por causa dessa declaração, repetida na semana passada em vários sites ao redor do mundo. Frases como essas são geralmente apenas golpes de marketing, sem maior fundameno. Mas, sem dúvida, eles devem estar preocupados. Diz o sr. Shih que não há saída: o mercado de computadores será cada vez mais dominado pelas marcas de baixo custo, coisa que os americanos não sabem fazer.

Contestar, quem há de?

3D: muita calma nessa hora

Apesar de toda a badalação em torno da TV 3D (que realmente é um espetáculo), ainda vai demorar para se ter um padrão definido e aceito por todos. Não sou eu que estou falando, a palavra é de uma das maiores autoridades mundiais na matéria, Peter Symes, presidente da SMTPE (Society of Motion Picture and Television Engineers). Essa entidade, que reúne fabricantes, emissoras e produtores de conteúdo, é quem dita as normas para transmissões de TV em todo o planeta. Enquanto não se pronunciar oficialmente, será difícil alguém fabricar um receptor, pois este correria o risco de tornar-se obsoleto em pouco tempo.

Basicamente, o que mr. Symes diz é que a padronização, neste caso, é muito mais complexa do que foi, por exemplo, na implantação da HDTV, ou mesmo do cinema 3D. Para se ter idéia, o comitê de engenheiros que estuda a TV 3D foi formado em agosto de 2008, possui cerca de 200 membros e até agora não chegou a um consenso. “A TV 3D tem que ser compatível com muitas variáveis: fluxo contínuo de sinal, diferentes tipos de display, múltiplas codificações e formatos”, explicou Symes num evento sobre o assunto na semana passada, em Los Angeles.

Mesmo assim, ele acredita ser possível que antes do verão americano saia o tal consenso. Todo mundo está esperando.

Aproveito para lembrar que temos um hot site sobre 3D, com toneladas de informações interessantes para quem quer se atualizar sobre o assunto. Dêem uma olhada e comentem.

WiMax: esperar até quando?

Andando pelas ruas de Las Vegas, vimos vários anúncios de serviços 4G oferecidos por operadoras americanas. Esse é o padrão de comunicação que permite acesso fácil a redes ultravelozes e transmissão de áudio e vídeo HD até mesmo entre dispositivos móveis. Brigando com nossas pobres conexões 3G, eu e meu colega Julio Cohen comentávamos como o Brasil está atrasado nessa área, apesar de todos os investimentos que já foram feitos. Agora, leio no Pay-TV News a notícia de que a demora na distribuição das freqüências da chamada quarta geração (WiMax e LTE) está afastando investidores antes interessados no mercado brasileiro.

Quem informa é a consultoria especializada Maravedis, num relatório sob o título “Brazil Wireless Broadband and WiMAX Market Analysis, 2010”. A crítica é de que, apesar de seus 168 milhões de assinantes de celular, hoje com penetração de 89%, o Brasil continua carente de banda larga. O atraso no leilão das freqüências e o “ambiente regulatório desfavorável” abrem espaço para questionamentos sobre a viabilidade do 4G no País. Segundo a análise, 75% do espectro de 3,5GHz ainda não foi licitado, algo que a Anatel diz estar estudando há uns dois anos. O que será que estão esperando? Que a rede 3G pare de vez?

Segundo a Teleco, uma das mais respeitadas consultorias sobre telecomunicações do País, o WiMax é a solução mais adequada para países como o Brasil; o competente Eduardo Prado já dizia isso lá em 2008. Aqui neste blog também, já reproduzimos artigos de especialistas como Samuel Possebon, na mesma linha. E vejam que interessante. Ainda segundo a Maravedis, já existem cerca de 130 mil assinantes de WiMax, entre conexões fixas e móveis, sendo que a chamada ARPU (receita média mensal por usuário) é de 30 dólares para assinantes residenciais e de 115 dólares para corporativos. Já no 3G a ARPU é de apenas 15 dólares.

Fica então no ar a pergunta: a quem interessa manter o País no atraso?

Peregrinação até San Francisco

Centenas de jornalistas americanos preparam-se para a tradicional peregrinação de todo ano até San Francisco, Califórnia, onde no próximo dia 27 a Apple promete anunciar novidades. A empresa selecionou a dedo os convidados, esnobando diversos experts (levou o troco, em parte, com a atitude de Arthur Sulzberger Jr., editor-chefe do The New York Times, que simplesmente mandou avisar que não iria). Essa estratégia da empresa de Steve Jobs é conhecida: criar uma enorme expectativa por algo que às vezes nem merece tanto. Às vezes, claro. Os lançamentos do iMac e do iPhone aconteceram exatamente assim, e todo mundo viu o resultado: milhares de notícias na mídia mundial, num fenômeno inédito de propaganda gratuita que gerou vendas aos bilhões.

Já faz uns dois meses que a imprensa internacional especula sobre o que, de fato, a Apple irá aprontar desta vez. Já li de tudo: de uma nova versão do iPhone, com câmera HD, até um novo sistema operacional. As maiores apostas giram em torno do a esta altura já famoso tablet da Apple, cujo nome seria “iPad”. Fala-se num híbrido de smartphone com netbook, incluindo funções de leitor eletrônico para combater o Kindle, da Amazon, e a série de outros readers que estão chegando ao mercado. Sam Diaz, especialista do site ZDNet, descreveu em detalhes o que seria o misterioso produto. The Wall Street Journal revelou que soube de várias editoras que teriam sido procuradas pela Apple para negociar a liberação de livros, jornais e revistas que poderão ser lidos através do aparelho. E o site especializado Ziff Davies fez até uma pesquisa entre leitores para saber o que gostariam de ver no novo brinquedo da Apple, recebendo as mais incríveis sugestões.

Tudo especulação. De concreto, mesmo, apenas a agitação da concorrência diante da mera possibilidade de que a Apple venha a entrar no segmento de e-readers. A Amazon anunciou duas novidades esta semana que denunciam seu pavor: vai aumentar as porcentagens pagas a editores e escritores dos livros que vende para o Kindle; e liberou um kit para programadores e desenvolvedores criarem novos aplicativos para o aparelho, mesmo modelo adotado pela Apple e copiado por diversas outras empresas. Um ano atrás, ninguém poderia imaginar essas atitudes; a Amazon sequer aceitava conversar com os editores.

É isso que faz uma boa concorrência.

O canal de TV da Samsung

Algumas notícias interessantes passaram quase em branco durante a CES (inclusive por parte deste que vos escreve) devido à avalanche de informações que circularam. Revirando anotações e links armazenados no computador, vou encontrando coisas que merecem ser, pelo menos, mencionadas. Vou tentar citá-las aqui nos próximos dias.

Uma delas é o lançamento do SPSTV (Samsung Product Support Television), um canal exclusivo da empresa coreana que estreou lá em Las Vegas. Com o subtítulo “Keep it Simple”, o canal se propõe a explicar tecnologia numa linguagem didática, o que é sempre bem-vindo. Segundo a empresa, a idéia é alimentá-lo com notícias de mercado, lançamentos de produtos (evidentemente não dos concorrentes), dicas práticas, cobertura de eventos e um chat onde o internauta pode discutir com especialistas da empresa e tirar dúvidas.

Boa idéia, não? Acessem aqui. Espero sinceramente que dê certo. E que chegue logo ao Brasil também.