Archive | abril, 2010

Blogueiro esperto “caiu” na rede

Só agora tenho chance de comentar a incrível história do blogueiro Jason Chen, editor do site Gizmodo, que foi pego literalmente “com a mão na cumbuca”. Tomo como referência o que foi publicado pelo Macworld, melhor referência quando se trata de Apple. Nosso amigo Chen achou que tinha ganho a sorte grande quando deu um furo mundial, há cerca de duas semanas, ao contar em detalhes (e mostrar imagens) da nova versão do iPhone, prevista para ser lançada no ano que vem. O protótipo lhe teria sido passado por alguém que o encontrou num bar, onde o aparelho teria (é sempre bom manter o condicional nesses casos) sido deixado por um funcionário da Apple.

Detalhe: o Gizmodo pagou para ficar com o produto. Ou seja, foi um “furo comprado”. Só que não disse isso a seus leitores quando revelou todo o funcionamento do chamado iPhone 4G, que entre outras coisas aceita imagens de alta definição. Ao ler a notícia, advogados da Apple imediatamente chamaram a polícia, que conseguiu mandado para revistar a casa de Chen, onde foram encontrados “indícios criminosos”, segundo o xerife da cidade (San Mateo, pertinho da sede da Apple, em Cupertino, Califórnia). Se foi armação de Chen, ou da empresa onde trabalha, a investigação policial deverá dizer. O fato é que o Gizmodo teve que devolver o aparelho à Apple, e definitivamente queimou seu filme com toda a indústria de tecnologia, que só pode colocar sob suspeita um veículo de comunicação que utiliza tais métodos.

phone4g

Curioso é que esta semana o Macworld Brasil deu outra notícia que, embora nada tenha a ver com o caso, dá bem a idéia de até onde se pode ir neste mundo de espertinhos. Anote: “O iPhone HD ou 4G nem foi lançado e já tem gente oferecendo versões do novo equipamento”. Onde? Em sites como o brasileiríssimo Mercado Livre. Quanto? R$ 400. É só dar uma busca em “Phone 4G” ou “Phone HD”. Aparece uma foto como essa acima. Aposto que muitos “espertinhos” estão caindo nessa…

Duas inimigas se unem

Acaba de sair a confirmação: a HP fechou a compra da Palm, sua histórica concorrente, por US$ 1,2 bilhão. O negócio foi confirmado na manhã desta quarta-feira e à tarde já agitava o Vale do Silício. A direção da HP chamou vários investidores para uma videoconferência em que prometia explicar os detalhes do negócio. Estava todo mundo (ou quase) preocupado com o destino da Palm, empresa que, conforme comentei aqui na semana passada, vinha perdendo seu valor devido a uma incompreensível série de falhas gerenciais.

Acho que é a primeira vez que uma empresa americana – que não seja Google nem Apple – mostra-se mais ágil do que uma chinesa. Lenovo e HTC estavam no páreo para adquirir o controle da Palm, e a essa altura devem estar se perguntando como deixaram escapar essa. Para os padrões californianos, US$ 1,2 bi por uma empresa com forte imagem de inovação e, reconhecidamente, detentora de um produto com grande potencial (o sistema operacional WebOS para dispositivos móveis), pode ser considerado quase uma pechincha. Com a compra, a HP ganha músculos para, finalmente, (re)entrar de forma mais agressiva no mercado de serviços móveis, que praticamente havia abandonado.

E, de quebra, reacende o combalido orgulho americano. Afinal, é uma empresa americana comprando outra. Como prova, as ações da Palm saltaram 23% só na primeira hora após o anúncio. Vamos ver quais serão os próximos capítulos.

Quem pode (mesmo) fazer banda larga

As notícias dos últimos dias sobre a questão da banda larga indicam que, nos bastidores, está havendo uma verdadeira briga de foice entre as operadoras, e também entre elas e o governo. Ninguém mais esconde a irritação com a forma como o tal Plano Nacional de Banda Larga está sendo conduzido, e o presidente Lula, envolvido até o pescoço na campanha presidencial, não deve estar lá com a cabeça muito tranquila para tomar uma decisão tão importante. Já há até quem diga que ele pode deixar o assunto para seu sucessor (ou sucessora)…

Apesar da urgência para o País, a maioria dos especialistas com quem tenho conversado acha que, a esta altura, talvez fosse mesmo mais sensato parar a bola do PNBL. Todo mundo sabe que nossas redes são lentas e de manutenção precária, culpa de um modelo de falsa competição, em que o governo não consegue sequer fiscalizar o que já existe, quanto mais planejar algo para o futuro. Além disso, fica cada vez mais claro que é impossível unir as operadoras em torno de um projeto comum, que leve em conta as necessidades do País e não as de cada empresa individualmente. Vejam o que disse outro dia o presidente da Claro, João Cox, sobre a idéia lançada pela Oi, de obter incentivos fiscais da ordem de R$ 27 bilhões em troca do compromisso de implantar uma rede nacional de banda larga: “A Oi quer perpetuar o monopólio”, disse Cox, segundo o site Tele-síntese, já partindo do princípio de que a maior operadora do País, que é quase uma estatal, é dona do mercado – o que, convenhamos, é um exagero.

Hoje, quem está nos jornais tratando do assunto é o presidente da Sky, Luiz Eduardo Baptista, garantindo que sua empresa pode fazer exatamente o que propõe a Oi, só com bem menos dinheiro. “A Sky faria por R$ 15 bilhões”, disse ele ao Estadão, abrindo as opções de implantar a rede sozinha ou em parceria com outras empresas. Faria mesmo? Segundo Baptista, o assunto já foi discutido com a Anatel, que no entanto precisaria abrir as licenças de WiMax usando as freqüências disponíveis de 2,5GHz. “Não sei até que ponto o governo acredita que a Oi vai passar a cumprir com o que não fez até agora”, diz o executivo, que garante: a Sky poderia cobrar tarifas de 10% a 15% mais baixas do que qualquer operadora local.

É de se perguntar: que tal começar baixando o preço dos pacotes de TV paga atuais? Seria uma bela demonstração de boa vontade.

Copa, a tecnologia na vitrine

Primeiro, um pedido de desculpas aos leitores pela falta de atualizações deste blog nos últimos dias. Às vezes, quando problemas pessoais se somam aos profissionais, fica difícil conciliar. As 24 horas do dia parecem insuficientes… Mas cá estamos de volta.

As duas últimas semanas foram de correria, entre outras coisas porque acabamos de concluir a edição especial de 14 anos da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL, que chega às bancas na próxima semana. Nela está o primeiro teste prático do TV 3D, o modelo LED-LCD Samsung de 55″, que avaliamos com o máximo carinho possível. Infelizmente, ficamos com o bichinho apenas alguns dias… Nos próximos posts, vou dar mais detalhes. Mas já posso dizer que trata-se de um dos melhores TVs que já vimos (eu e toda a equipe), e confesso que estou ansioso para analisar agora um dos novos plasmas que chegam ao mercado entre maio e junho, prometidos por LG e Panasonic, além da própria Samsung. Com ou sem 3D, a sensação é que estamos diante de um novo patamar de qualidade em reprodução de imagem. Quem puder conferir de perto, garanto que vale a pena. E gostaria de ver aqui os comentários dos leitores que tiverem essa oportunidade.

Outro assunto da nossa edição de aniversário é um encarte especial em que procuramos associar dois temas aparentemente distantes: futebol e tecnologia. Como muita gente está em vias de comprar um TV novo para assistir aos jogos, as dicas de compra que estão ali são mais do que oportunas. Tem ainda detalhes interessantes sobre a cobertura do evento feita pela televisão (e desta vez também pela internet) em HD, e uma curiosa pesquisa sobre a importância da Copa do Mundo para o desenvolvimento da tecnologia. Ao sair em busca dessa história, nossa equipe descobriu que quase todas as Copas até hoje apresentaram alguma novidade eletrônica, já que o evento é uma grande vitrine mundial. Foi assim com a estréia das transmissões por satélite (em 1970), com os primeiros testes de HDTV (1990), o lançamento da TV Digital (2002 na Ásia, 2006 na Europa) e agora a introdução da TV 3D.

Literalmente, uma história cheia de emoções.

Um incentivo de R$ 27 bilhões!

Não se assuste: o valor acima é quanto a operadora Oi está pedindo ao governo para assumir a implantação do Plano Nacional de Banda Larga. O número foi divulgado ontem pelo jornal Folha de São Paulo, e até agora ninguém desmentiu. Ao contrário, a imprensa hoje divulga reações de “fontes do governo” considerando o valor muito alto. Ainda bem. O problema é que essas mesmas fontes dizem que, se for assim, é melhor mesmo reativar a Telebrás, como se pensou no início.

Os tais R$ 27 bilhões resultam da soma de todos os incentivos fiscais solicitados pela Oi até 2014, quando o PNBL estaria concluído. Como já comentamos aqui, além de exagerado esse é um número fictício, porque não é o governo federal quem decide, por exemplo, sobre ICMS, o imposto que pesa mais nas contas das operadoras. Esse é um imposto estadual, cuja redução ou eventual isenção teria que ser aprovada pelas secretarias estaduais de Fazenda.

O fato é que aí voltamos quase à estaca zero na questão da banda larga. Se o governo decidir mesmo pela opção Telebrás, como querem assessores do presidente Lula, o valor tende a ser bem mais baixo. Mas quem garante que a estatal teria condições, inclusive técnicas, de instalar a rede em todo o País? O mais sensato, a essa altura, seria montar um grupo de cinco ou seis especialistas com experiência no setor e encomendar a eles um projeto de longo prazo, em parceria com todas as operadoras (e não apenas uma delas). Difícil vai ser encontrar, dentro do governo, cinco ou seis pessoas que entendam do assunto…

3D pode causar até epilepsia!

Ultimamente, não passa um dia sem uma novidade, ou uma polêmica, sobre a tecnologia 3D. Já é possível identificar entre os aficcionados duas correntes: a dos entusiasmados e a dos incrédulos. Os primeiros garantem que não vêem a hora de comprar um TV desse tipo; os outros garantem que jamais comprarão… bem, pelo menos até o momento em que estiverem diante de um.

A mais recente controvérsia surgiu, como muita coisa que aparece na internet, a partir de algumas notas publicadas no site australiano da Samsung. Segundo o site, assistir a imagens em 3D pode provocar uma série de sintomas. Rapidamente, os comentários foram replicados por sites e blogs do mundo inteiro, inclusive do Brasil, como se fosse a “palavra oficial” da empresa. Mas não é bem assim, até porque são advertências esparsas, sem maiores explicações médicas. Separei alguns trechos:

“Algumas pessoas podem experimentar ataques epilépticos ou derrames… Se você tem antecedentes dessas doenças na família, consulte um médico antes de ver imagens em 3D”;

“Pare imediatamente de assistir a imagens em 3D se você tiver um destes sintomas: visão alterada, tontura, náusea, confusão mental ou paralisia; esses problemas são mais comuns em jovens e crianças”;

“Assistir 3D pode causar enjôo, desorientação, dor de cabeça, cansaço visual e perda de estabilidade postural. Por isso, é importante descansar com freqüência para reduzir esses riscos”;

“Não recomendamos imagens  3D para quem está com sono atrasado ou ingeriu álcool”;

“Não instale seu TV 3D próximo a escadas, cabos, móveis ou qualquer objeto que possa causar ferimento”.

Uau! Como vítima de dor de cabeça após alguns minutos vendo demonstrações em 3D, como já relatei aqui, reconheço agora que na verdade não senti nada. Tem coisa bem pior, se é que esse site está correto… De qualquer modo, vamos ficar atentos e procurar mais informações a respeito.

Show de imagens, em superwide

Na próxima quinta-feira, a Philips promete apresentar em São Paulo sua linha de TVs para este ano. Há uma grande expectativa pela confirmação do lançamento do TV Cinema 21:9, do qual já falamos aqui algumas vezes, e também sobre qual será a estratégia da empresa para o TV 3D no Brasil. Como aperitivo, convido os leitores a apreciarem este vídeo, produzido pela empresa do cineasta Ridley Scott (“Gladiador”, “Blade Runner”, “Alien”) sob encomenda da Philips. Como irão constatar, são na verdade cinco curtas-metragens, dirigidos por pessoas diferentes, mas todos com o mesmo diálogo: frase curtas, que remetem à emoção de se ver de perto algo pela primeira vez. Bem, esqueçam, nenhuma palavra é capaz de descrever esses filmetes como merecem. Assistam e depois comentem.

O provável fim de uma marca

Comentei na semana passada sobre a importância de preservar uma marca, como faz a Apple, e vejam o que está acontecendo com a Palm, outra marca de tecnologia que até bem pouco tempo atrás era sinônimo de inovação. Devastada pela queda nas vendas de seu principal produto, o smartphone Pre (foto), a empresa teve que anunciar publicamente que está à venda! Como acontece nos mercados maduros, os acionistas foram informados no início deste mês que o fundo de investimentos Elevation Partners, dono da maior parte das ações, cansou de esperar pela recuperação da empresa e começou a demitir executivos de postos-chave – o que, convenhamos, só desvaloriza os ativos e cria um ambiente adverso a uma possível venda.

Segundo a agência Bloomberg, especializada em notícias do mercado financeiro, não há mais volta. Embora há um ano a Palm fosse uma das forças no emergente mercado de smartphones, uma série de erros estratégicos fez ruir o prestígio dessa empresa que praticamente inventou o chamado “computador de mão” (os americanos chamavam de “handheld”, mas durante muito tempo a definição preferida era “palmtop”, numa prova de força da marca). Nos últimos doze meses, as ações da Palm em Wall Street caíram 55%, e seu valor de mercado, que era de US$ 2 bilhões, é hoje de US$ 1 bi, com tendência de queda, se não houver uma solução rápida.

Diz ainda a Bloomberg que há nada menos do que seis possíveis compradores: as americanas Dell e Research-in-Motion (esta dona do Blackberry, um dos grandes concorrentes do Palm Pre) e as chinesas HTC, Lenovo, Huawei e ZTE. Nesta segunda-feira, nova queda das ações da Palm, com a demissão do vice-presidente, Michael Abbott, responsável pelo sistema operacional WebOS, que não conseguiu decolar. E, como desgraça pouca é bobagem, aumentou os rumores de uma intervenção no banco Goldman Sachs, justamente aquele que a Palm escolheu para representá-la nas negociações. Ou é muita incompetência, ou é o cúmulo do azar!

A volta do velho leão

Só mesmo uma coisa faria o velho Samuel Klein sair de sua doce aposentadoria: o risco de perder o império que construiu ao longo de cinco ou seis décadas. Foi dele a decisão de rever o acordo assinado em dezembro por seu filho Michael, pelo qual a Casas Bahia iria se fundir com as redes Ponto Frio e Extra Eletro. Não foi dito às claras na época, mas isso significava que a maior rede de lojas do País estava sendo incorporada pelo Grupo Pão de Açúcar. Ou seja, os Klein estavam deixando de ser donos do próprio negócio. Quando Michael começou a se queixar com o pai de que sentia-se como uma “rainha da Inglaterra”, tendo que submeter todas as suas decisões a Abilio Diniz, o velho leão resolveu rugir.

O que vimos esta semana foi talvez o capítulo mais violento dessa novela. Poucas vezes antes alguém havia erguido a voz para Abilio, como fez Samuel, ameaçando romper tudo. E é o que deve acontecer, pelo que suspeitam pessoas próximas à família. Há quem diga que, na verdade, tudo é uma jogada de Michael com seu irmão Saul, pois os dois querem formar uma nova rede. Isso talvez aconteça depois que Samuel não estiver mais aqui. Por enquanto, é ele quem dá as cartas. E Diniz terá que aceitar a regra: não se brinca com um leão. Mais detalhes aqui.

Vem aí mais um padrão…

Sony, Samsung, Nokia e Toshiba estão entre as empresas que acabam de formar o Consórcio MHL. Esta é a sigla de Mobile High-Definition Link, nome de um novo tipo de conexão que se propõe a facilitar a comunicação entre aparelhos portáteis e TVs ou projetores de alta definição. Segundo as empresas, o conector MHL permite trafegar sinal de vídeo 1080p e de áudio digital através de cabos ultrafinos como os que usamos hoje nos celulares. De quebra, a conexão cuidaria também da alimentação do aparelho portátil, como acontece hoje quando se liga um iPod, por exemplo, ao computador.

Alguém pode se perguntar: mas pra quê isso, se já existe o cabo mini-HDMI, que faz quase a mesma coisa? Além da questão da alimentação, as principais diferenças do MHL seriam a menor quantidade de pinos (o HDMI possui nada menos do que 19…) e o fato de se poder trafegar conteúdos protegidos pelo código HDCP (anti-cópia).

Se vai pegar? Só Deus sabe. A especificação do novo padrão está lá no site, esperando comentários, críticas e sugestões. A previsão é de que tudo esteja oficializado até junho. O fato é que, segundo o site Eletronista, o Consórcio tenta atrair a Apple para o seu lado, o que garantiria o sucesso do novo padrão. Como se sabe, o iPhone não utiliza saída HDMI, apenas component, limitando a resolução de vídeo. Até hoje, Steve Jobs não aceitou adotar o mini-HDMI. Agora, quem sabe reveja seus conceitos.

TV 3D sem “aqueles” óculos

Conheço pessoas que sentem arrepios só de pensar em usar um óculos 3D. Devem ter na memória aqueles óculos coloridos (como o da foto), com hastes de papelão, que se usavam antigamente para ver alguns filmes. Na verdade, o que se via eram imagens coloridas artificialmente tentando “enganar” o cérebro. Os novos óculos são muito mais avançados. Mesmo assim, o simples fato de ter que usá-los já impõe uma respeitável barreira à popularização do 3D para uso doméstico.

Em eventos internacionais, tive a oportunidade de experimentar óculos especiais, do tipo chamado “ativo”, que têm alimentação própria, por bateria; há até modelos que só são acionados quando se está diante de uma imagem tridimensional, transformando-se depois em meros óculos escuros convencionais. Já usei óculos dos principais fabricantes (Sony, Samsung, LG, Philips, Panasonic) e com todos tive a mesma sensação claustrofóbica que acaba tirando boa parte do prazer de se estar vendo imagens fantásticas. Talvez o problema seja meu, não dos óculos, considerando a quantidade de pessoas que têm ido aos cinemas para ver filmes em 3D.

Mas o ideal, mesmo, seria poder apreciar imagens tridimensionais sem óculos. Isso aconteceu conosco em São Paulo, em 2007, quando organizamos um evento chamado “Digital Home Workshop”. Na ocasião, a Philips trouxe para o Brasil, pela primeira vez, um protótipo de TV 3D do tipo autoestereoscópico (ou “Auto-3D”) e promoveu demonstrações para os profissionais que participavam do evento (vejam aqui o vídeo gravado na época). Foi um sucesso! Pena que a empresa teve que abandonar o projeto no ano passado, após tentar, sem êxito, promover parcerias com outros fabricantes e produtores de conteúdo. Desenvolver uma tecnologia como essa custa muito dinheiro; a indústria como um todo preferiu investir nos sistemas com óculos, o que a meu ver foi um erro.

Mas algumas empresas, isoladamente, continuam trabalhando no Auto-3D, e quem sabe tenhamos surpresas nos próximos anos. Na última CES, assistimos a demonstrações da LG e da JVC com TVs 3D sem óculos; mais interessante ainda foi o mostrado pela TCL, um dos maiores fabricantes de displays da China (dêem uma olhada neste vídeo). Todas se baseiam no uso das chamadas lentes lenticulares, que atuam como filtros para enviar imagens ligeiramente diferentes a cada olho (observem no desenho o formato das lentes). A tela desses displays recebe um revestimento transparente com centenas de minúsculas lentes como essas, cujo formato permite distribuir a imagem em várias direções ao mesmo tempo. Dentro do TV, processadores dividem os pixels que formam a imagem em subpixels, de modo que cada lente pode filtrar um grupo de subpixels para enviar ao olho direito ou ao esquerdo.

Evidentemente, trata-se de um processo complexo, até porque os processadores têm que realizar sua tarefa em nanosegundos! Imagino que o custo de produzir tais processadores e os tais revestimentos com inúmeras lentes, em escala industrial, seja o maior obstáculo dos fabricantes. Quando isso será possível? Talvez daqui uns três ou quatro anos, quem sabe? A única coisa de que podemos ter certeza é que, quando (e se) acontecer, aí sim será uma revolução.

PlayStation 3, enfim aqui.

A principal notícia do dia – pelo menos, até o momento em que escrevo – é a confirmação pela Sony do lançamento no Brasil do PlayStation 3. Chega ainda no primeiro semestre, e já em agosto a empresa promete liberar a atualização para 3D (vejam este vídeo). Significa que o usuário poderá jogar games 3D e assistir a filmes Blu-ray 3D com o mesmo aparelho. A Sony ainda não revelou o preço, que com certeza será mais alto que a enorme quantidade de consoles que entram no País de contrabando todos os dias – e para os quais, é bom lembrar, a empresa não fornece garantia. De qualquer modo, se a “versão nacional” tiver a mesma qualidade da importada, valerá a pena: o PS3 é um dos melhores players Blu-ray da atualidade.

Hoje também, a Sony anunciou sua nova linha de TVs, sendo dez LCDs convencionais e quinze com backlight de leds. Chegam às lojas no mês que vem, mas ainda não sabemos os preços. Será ótimo se tiverem a mesma performance dos mais recentes modelos da Samsung e da LG, para que o consumidor tenha mais opções visando a Copa do Mundo. Uma pena que a Sony não vá lançar agora sua linha 3D, que vimos na última CES. Embora seja patrocinadoria oficial do evento, a empresa preferiu esperar até agosto, quando conseguirá montar os aparelhos em Manaus e, assim, oferecer preços mais acessíveis. Por sinal, a LG fez a opção inversa: está trazendo seus TVs 3D diretamente da Coréia, e por isso é que eles ainda não chegaram às lojas (também não foram divulgados os preços).

Quanto custa uma marca nobre?

 Reportagem da Folha de São Paulo outro dia mostrava que alguns franqueados da Apple no Brasil querem “popularizar” a marca, baixando os preços de seus computadores para atingir a classe C. “O objetivo é quebrar a imagem de que Apple é produto de elite”, resumiu Marcelo Sé, dono da rede MyStore, atualmente com quatro lojas em São Paulo e pretendendo abrir mais duas até o final do ano. Segundo o jornal, são vendidos atualmente no País cerca de 50 mil computadores Apple por ano, ou menos de 1% de todo o mercado, que este ano estima superar a marca dos 12 milhões de aparelhos. O sucesso do iPod e do iPhone anima os franqueados a planejar a conquista de até 3% do mercado, o que não é pouca coisa. Significaria vender mais de 300 mil Macs, Macbooks etc.

Sinceramente, não sei qual é a mágica dessa conta. Todo mundo sabe, e o próprio Steve Jobs alardeia isso há anos, que os produtos da Apple, principalmente os computadores, são para poucas pessoas – poucas e exigentes, dispostas a pagar mais caro por um produto que julgam melhor que os concorrentes. “Popularizar” significa quebrar essa aura, inclusive reduzindo as margens de lucro, tão protegidas pela empresa. Será que mr. Jobs concorda com essa estratégia?

3D, até com receiver comum

Ainda sobre 3D: repasso aqui a dica do leitor Valter Bretanha, que descobriu no site www.bluray.com uma dica da Panasonic para quem comprar TV e player Blu-ray dessa marca. Segundo o site, o player BDT300, já à venda nos EUA, possui duas saídas HDMI. A dica é ligar uma delas (versão 1.3) diretamente ao TV e a outra (identificada como “HDMI SUB)”, no receiver; depois, no menu deste, ativar o modo V.OFF, que corta o sinal de vídeo desta segunda conexão, liberando apenas áudio. Importante usar somente cabos HDMI do tipo “High Speed”, certificados para trafegar sinal 3D. Assim, mesmo que o receiver não seja 3D-Ready, será possível assistir aos filmes 3D com áudio surround (claro, tirando o som do TV).

Parece tão simples que dá até para desconfiar… Lendo a resenha dos dois aparelhos (TV e Blu-ray), sinceramente fiquei meio desconfiado do tom bajulador. De qualquer forma, vamos aguardar uma chance de conferir com nossos próprios olhos. Se alguém tiver mais referências a respeito e quiser compartilhar aqui, será muito bem-vindo.

As muitas faces do 3D

Com a badalação toda em torno dos TVs 3D que estão chegando ao mercado, surgem as mais diversas especulações sobre o futuro desse mercado. Os estúdios de cinema, talvez os maiores interessados em fazer a tecnologia deslanchar, divulgam a todo momento que este ou aquele filme está sendo rodado em 3D. Compilamos até uma lista de lançamentos para 2010, que parece ter potencial para atrair mais gente ainda às salas de exibição – embora nada parecido com o fenômeno “Avatar”. Como no filme de James Cameron, a idéia é que as platéias saiam do cinema tão fascinadas que corram à loja mais próxima para encomendar seu TV 3D.

Claro que a coisa não funciona bem assim. Mas, observando o LCD-LED da Samsung que está em nossa sala de testes, é difícil resistir à tentação. Mesmo com a falta de material em 3D para se assistir, a grande sacada é a capacidade desse aparelho de converter imagens convencionais (2D) para imagens tridimensionais. Não é exatamente a mesma sensação de ver algo que foi rodado originalmente em 3D, mas amplia muito o envolvimento. Acrescente-se a isso o impressionante avanço de performance dos LCDs com painel de LED local dimming, com expressivo ganho em contraste e firmeza das cores, e o apelo pode muito bem funcionar para quem tem o dinheiro disponível e está em vias de substituir seu TV antigo. Vamos ver como se comportam as vendas (mais detalhes sobre os testes aqui e aqui).

Segundo a conceituada empresa de pesquisas DisplaySearch, dos EUA, no mundo todo deverão ser vendidos este ano cerca de 2,5 milhões de TVs 3D. É bom lembrar que em janeiro a mesma empresa projetava vendas bem mais baixas (1 milhão de unidades). Para os próximos três anos, a estimativa é chegar a 27 milhões, ou seja, dez vezes mais!!! Já disse aqui que não confio nesse tipo de pesquisa, geralmente baseada no “achismo” do pesquisador, ou de quem encomendou o levantamento. Mas Paul Gray, diretor da DisplaySearch, deu à revista especializada DealerScope uma informação importante: seus entrevistadores andaram visitando lojas onde TVs 3D estavam em demonstração e puderam “medir o pulso” dos consumidores. Chegaram à conclusão de que estes ficam simplesmente deslumbrados.

Daí à decisão de compra pode ser apenas um passo. Ou, pelo menos, é isso que a indústria espera.

Marca “iPad” já tem dono no Brasil

A revelação, que para mim foi uma surpresa, saiu na edição de hoje da Folha de São Paulo: a Apple não poderá tão cedo lançar no Brasil seu iPad. A marca já tem dono aqui. Trata-se da empresa Transform, que a registrou em janeiro no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial). A Transform é uma empresa paulista que atua em vários segmentos, inclusive o de informática, no qual distribui notebooks da marca Acer. Para azar de Steve Jobs, a IP Application Development, contratada pela Apple para registrar a marca em vários países, chegou ao Brasil somente em março. Diz a Folha que a Apple enfrenta o mesmo no problema no Japão, onde a marca “iPad” pertence à Fujitsu, e em alguns países europeus, onde o registro é da STMicroelectronics, fabricante suíça de componentes.

É de se perguntar para que serve a subsidiária brasileira da Apple, se não consegue cuidar de algo tão básico quanto o registro de uma marca mundial. Há pelo menos seis meses sabia-se que a Apple planejava lançar um tablet… Me faz lembrar que tempos atrás a Gradiente registrou a marca “Playstation”, impedindo a Sony de usá-la aqui. Coisa de gente muito esperta. O caso mais célebre do gênero aconteceu nos anos 70, quando Matias Machline registrou em seu nome a marca “Sharp”. Quando os japoneses quiseram iniciar sua operação no Brasil, tiveram que dar a Machline a sociedade no negócio, que gerou na época a maior indústria eletrônica brasileira.

Esse pessoal da Transform deve estar pensando como ele.

Banda larga será da Oi

Nesta quinta-feira, enquanto na Câmara dos Deputados um grupo de técnicos explicava aos parlamentares o que é banda larga, do outro lado da Esplanada dos Ministérios, em Brasilia, as coisas eram decididas (ou quase) sem qualquer interferência do Congresso. Pela enésima vez nos últimos meses, o presidente Lula reuniu ministros e assessores de confiança para tratar de seu Plano Nacional de Banda Larga e terminou a reunião sem chegar a conclusão alguma.

Recorro aqui às competentes repórteres Mariana Mazza, do site Pay-TV, e Gerusa Marques, do Estadão, para sintetizar o que houve de mais importante na reunião de Lula, que é a que mais interessa. E foram duas coisas:

1 – O Ministério da Fazenda colocou-se de uma vez por todas contra a idéia de reativar a Telebrás. O secretário-geral do Ministério, Nelson Machado, chegou a se exaltar durante o encontro com Lula, Dilma e ministros, argumentando que a estatal luta contra uma dívida a essa altura impagável e uma série de pendências judiciais; além disso, está proibida por lei de prestar serviço de banda larga (seria preciso alterar seu estatuto). Já se sabia que os técnicos do Tesouro são contra a reativação da Telebrás, mas o ministro Guido Mantega, aparentemente, não foi enfático ao defender essa posição perante o presidente. Se, depois de todos os argumentos, Lula insistir com a Telebrás, Mantega vai ficar numa saia justa.

2 – Mas a idéia mais, digamos, substanciosa dessa reunião partiu do presidente do BNDES, Luciano Coutinho: entregar o PNBL à Oi. Isso mesmo: a Oi, operadora que teve ajuda do Banco (e também da Caixa Federal e do Banco do Brasil) para incorporar a Brasil Telecom e que é hoje a maior do País, tanto em número de clientes quanto em reclamações no Procon. O argumento de Coutinho é simples: em vez de reativar a Telebrás ou criar uma nova estatal, por que não aproveitar a existência de uma operadora que já é quase estatal? O próprio BNDES detém 49% das ações da Oi, ao lado de alguns fundos de pensão de estatais, e teria condições de controlar os atos da empresa, que por sua vez já tem um plano prontinho para ser colocado em ação. Ontem mesmo, Lula mandou uma equipe de técnicos conversar com diretores da Oi, para saber detalhes do tal plano.

Essa bola está quicando na área, para o presidente chutar. Só falta combinar com as outras operadoras.

O futuro do Blu-ray

Parece piada, mas foi divulgada esta semana pela Blu-ray Disc Association (BDA) a especificação do que está sendo chamado – na falta de nome mais original – de “super Blu-ray”. Trata-se de um disco com inacreditáveis 128GB de memória, contra os “modestos” 50GB dos discos atuais. Se você me perguntar para quê serve tanta memória, vou lembrar que já existem cartões do tipo SD com 64GB, ou seja, mais do que um disco. Mas a BDA diz estar pensando nas empresas, que cada vez mais precisam de serviços poderosos e confiáveis de back-up.

O novo Blu-ray – denominado BDXL – virá em duas versões: a de 128GB será do tipo write-once, que só permite uma gravação, como os discos CD-R e DVD-R; a outra versão terá menos capacidade (100GB), mas será do tipo rewrittable, que pode ser apagado e reutilizado. Esses discos serão de três ou quatro camadas, o que quer dizer que, para rodá-los, serão lançados novos players e gravadores compatíveis, pois a unidade óptica terá de ser diferente.

Junto com o BDXL, a BDA anunciou também um novo modelo de disco Blu-ray, chamado IH-BD (Intra-Hybrid disc). Será um disco com duas camadas – uma no formato BD-RE, para gravação e leitura, e outra em BD-ROM, somente para leitura. Cada camada terá capacidade de 25GB.

A Associação não divulgou quando esses produtos estarão no mercado, mas o site japonês Akihabara News garante que será “nos próximos meses”. Meu palpite é que antes do final de 2010 isso dificilmente acontecerá.

TV 3D acabou de chegar!

Começamos hoje os testes com TVs 3D (vejam aqui o vídeo). A Samsung é o primeiro fabricante que nos envia um exemplar para avaliação em nossa sala de testes (Philips e LG também prometeram). Trata-se do modelo LCD-LED de 55″, da série 8000, top de linha no Brasil, que trabalha com taxa de renovação de tela de 240Hz, permite fazer videochamadas pelo Skype e gravar programas da televisão num HD externo, via conexão USB. Nos próximos dias, vamos relatar aqui alguns detalhes do produto (o teste na íntegra será publicado na edição especial de aniversário da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL, em maio).

Para quem está ansioso para ver o aparelho funcionando, uma dica é procurar a partir desta sexta-feira uma das lojas FNAC. Em São Paulo, também pode-se assistir a uma demonstração na loja Samsung Experience, do Shopping Morumbi.

E, provando que 3D é mesmo a tecnologia da moda, a Sony anunciou para a semana que vem a apresentação de sua linha Bravia 3D e também de seu player Blu-ray e do PlayStation 3 compatíveis com 3D. Estaremos lá para conferir.