Archive | junho, 2010

Gastando com tecnologia

Nunca tinha visto este tipo de pesquisa: quanto as pessoas gastam com tecnologia. Pois saiu agora, no IDG Now, o levantamento da empresa Marca sobre cinco países sul-americanos e seus respectivos gastos com a chamada “cesta digital”. Pelos critérios do estudo “Índice Casa Digital”, essa cesta seria composta dos aparelhos eletrônicos que uma família comum possui: TV LCD, home theater, câmera digital, notebook, netbook, smartphone, videogame e até player Blu-ray. Somando os valores médios de cada um desses itens, os pesquisadores chegaram à conclusão de que o brasileiro é o que investe mais em tecnologia: 7.450 dólares. Os argentinos viriam um pouco atrás, com despesas de 6.701 dólares; seguem-se Chile (5.809), México (4.986) e Colômbia (4.772).

Mas, como em toda pesquisa, é preciso saber interpretar os dados coletados. Na verdade, os mais privilegiados da lista são os chilenos, que precisam utilizar “apenas” 8,02 salários-mínimos para comprar a tal cesta digital. Os que estão em pior situação são os argentinos, que têm de desembolsar 14,7 salários para isso; os brasileiros ficam em terceiro lugar, com 9,55 salários. Explica-se: o Chile, além de ter o salário-mínimo mais alto do continente, é também o que c0bra menos impostos. Para ser mais exato, no Chile o salário médio da população é calculado em 725 dólares, enquanto no Brasil é de 790. Mas lá o custo de vida é mais baixo.

Vejam aqui os detalhes da pesquisa.

Vaio: mais de 500 mil em recall

Não poderia haver momento pior do que o atual para a Sony ter que fazer um recall. Nesta quarta-feira, a empresa anunciou em Tóquio que cerca de 535 mil notebooks Vaio, vendidos em vários países, podem estar com excesso de aquecimento, com risco de danos no gabinete e até mesmo queimaduras no usuário. Em seu comunicado, a empresa informa que os aparelhos pertencem às linhas VPCF11 e VPCCW2, oferecendo a possibilidade de um update de firmware, via download, para corrigir o problema. O link é: http://esupport.sony.com/US/perl/support-info.pl?info_id=611. Segundo o correspondente do jornal The Wall Street Journal, os aparelhos foram vendidos desde janeiro último, nas seguintes quantidades: 259 mil unidades nos Estados Unidos, 103 mil na Europa, 52 mil no Japão e 103 mil em outros países da Ásia.

O Brasil, como se vê, felizmente ficou fora, mas isso porque os dois modelos ainda não começaram a ser comercializados aqui. No entanto, como sabemos, muita gente traz os seus notebooks na mala, e alguns dos aparelhos com problema podem estar circulando por aí.

Pois é, essa história de recall está causando estragos em diversos setores. Lembram-se do que ocorreu com a Toyota? Para a Sony, que justamente agora estava começando a se recuperar da crise, essa notícia vem em péssima hora. Em 2008, a empresa já teve de fazer um recall de 400 mil notebooks Vaio, pelo mesmo problema de superaquecimento. E em 2006 teve aquele problema com as baterias de laptops, que afetou também outras marcas. É bom ficar de olho. Esse tipo de coisa pode ser fatal para uma empresa.

A Globo e as transmissões em 3D

A propósito do comentário que fiz sobre as perspectivas das transmissões 3D, leio no site Pay-TV reportagem sobre o Painel Globo de Tecnologia, realizado em São Paulo na semana passada. Diretores da TV Globo demonstraram as inovações na área de interatividade – já durante os jogos da Copa, como você pode conferir neste vídeo – e também na produção em alta definição (a próxima novela das 7 será toda captada nesse formato). Mas, sobre 3D, o otimismo já não é o mesmo. Fernando Bittencourt, vice-presidente de tecnologia da Globo, chegou a dizer que não considera a TV aberta a plataforma ideal para esse tipo de sinal, devido aos problemas de largura de banda, como aliás já comentamos aqui. E, se a Globo não tomar a dianteira nesse processo, quem o fará?

TV 3D ainda vai demorar

Percorrendo lojas de eletrônicos aqui em Nova York, perguntei em três delas sobre a disponibilidade de filmes em 3D. Nada. A previsão mais otimista é de que os primeiros títulos cheguem em novembro… Televisores compatíveis, encontrei Samsung e Sony. Mas, o quê assistir neles? Os americanos têm os jogos da Copa pela ESPN e alguns documentários na DirecTV, mas ainda assim é muito pouco. Recebi convite para assistir aos jogos no Paley Center for Media, antigo Museu do Rádio e da Televisão. Achei que seria em 3D, mas me decepcionei: a transmissão estava perfeita, e pude acompanhar o sofrimento dos americanos na derrota para Gana. Mas era “apenas” em HD.

E tudo que tenho lido a respeito indica que a implantação do 3D será mais lenta do que todo mundo desejava. Mas já era esperado. Reportagem do The Wall Street Journal na semana passada perguntava: “Será que a TV 3D é pra valer”? No evento CEA Line Show, um debate sobre o assunto levantou mais dúvidas do que certezas. “Ainda temos muitos desafios pela frente”, comentou Rick Dean, da THX, que desenvolve softwares de ajuste para áudio e vídeo tridimensionais. “Não há um padrão para os óculos, e isso deixa o consumidor confuso. Fabricantes, revendedores e produtores de conteúdo terão de conversar muito mais”.

Outro especialista, Chris Chinnock, da empresa de pesquisas Insight Media, apresentou um estudo mostrando que quem já comprou um TV 3D foi aquele usuário que gosta de novidade, o chamado early-adopter, que no entanto existe em número insuficiente para sustentar o mercado. A maioria das pessoas continua desinformada sobre a tecnologia e sem saber exatamente o que significa. A favor da indústria, há o fato de que os atuais TVs 3D são tecnicamente mais avançados, com painéis mais finos, taxa de contraste mais alta e melhor definição de cores. Ou seja, quem os está adquirindo já tem em casa o máximo da tecnologia atual.

Ainda assim, nem tudo é maravilha. O mesmo estudo da Insight Media mostra a decepção de muitos usuários com a conversão 2D-3D realizada pelos novos TVs. Talvez pela expectativa de verem imagens tão boas quanto as verdadeiras 3D, o que é virtualmente impossível.

Domingo em Nova York

“Nova York num domingo: se você tem problemas é só levá-los para dar uma volta e eles desaparecem”, dizia uma velha canção.

E cá estou, caminhando pela cidade num domingo de verão. Procuro fugir do tumulto, mas está difícil. Quase todas as ruas estão abarrotadas e, apesar do respeito, confesso que Parada Gay não é meu programa favorito. Com o calorão que está fazendo, também não dá para ficar na rua ou no parque, ainda mais depois que uma gripe me pegou de jeito. Dentro dos restaurantes, como se isso compensasse a alta temperatura externa, colocam o ar-condicionado no máximo, causando choque térmico toda vez que se entra ou sai de algum lugar. Minha opção foi conhecer melhor a chamada área portuária, junto ao Rio Hudson (foto), restaurada anos atrás e hoje habitat de galerias de arte e restaurantes descolados. Criaram até um bairro chamado Art Gallery District. E a região onde ficavam as torres gêmeas destruídas no 11 de Setembro também está sendo toda reformada; ali devem ser construídas outras torres mais altas ainda, como que a desafiar Bin Laden e cia.

A mistura de antigo e moderno dá um charme especial a essa parte da cidade. Logo ali ficam Chinatown e Little Italy, por onde passei só de taxi e deu para ver que continuam decadentes como sempre; mais perto, Soho, Village e Tribeca, hoje um dos bairros mais badalados. No final do domingo, minha conclusão – que também não é nada original – é de que Nova York é um lugar para ver gente. Difícil encontrar outra cidade no mundo em que haja tanta mistura de raças, cores, cheiros, estilos e sotaques. Numa única tarde, desci o elevador do hotel ao lado de um funcionário nascido na Sérvia, passei pelo porteiro (um cubano), tomei um taxi dirigido por um paquistanês, fui atendido na lanchonete por uma vietnamita e, retornando ao hotel, descobri que um dos atendentes é… isso mesmo: brasileiro. Um problema que tive com o TV do quarto foi consertado por um grego, e por aí vai. Se ficasse aqui mais uma semana, provavelmente tropeçaria em gente de outros países.

Meus problemas não desapareceram, como prometia a canção, mas até que foi divertido.

O importante é a aplicação

Já comentei aqui sobre os televisores que estão assumindo funções de computador. São os chamados aplicativos (apps), cada vez mais usados para ampliar os recursos de todos os aparelhos. Foi a Apple quem popularizou essa prática, ao adotar o código aberto (melhor dizer “semi-aberto”) para permitir que desenvolvedores independentes criassem aplicações diferentes para os aparelhos da empresa. Hoje, existem milhares de apps para iPhone e outros milhares para iPad, e a coisa não para mais. Outros fabricantes – como Samsung e Nokia – já criaram suas app stores, onde os usuários podem encontrar uma variada gama de programas e fazer os downloads gratuitamente.

Nos dois eventos que cobri esta semana em Nova York, o assunto foi muito comentado. Aos poucos, a indústria vai chegando à conclusão de que o hardware – a “máquina” – é bem menos importante do que o software – o “cérebro” dos equipamentos. Se formos puxar pela memória, o primeiro cara que disse isso, lá pelo final dos anos 70, foi um tal de Bill Gates; e todo mundo sabe o que aconteceu. “Máquinas” são produzidas aos milhões, todos os dias, principalmente a partir da China, maior fornecedora das grandes corporações de tecnologia. Mas “cérebros” não existem em todo lugar, e sem eles de pouco adiantam as máquinas. Daí por que países como Índia, Rússia, Irlanda e o próprio Brasil têm chance de competir nesse mercado tão avançado. Infelizmente para nós, os cérebros se desenvolvem em boas escolas, e este é um gravíssimo gargalo tupiniquim, que levará décadas para ser corrigido.

Mas, voltando aos aplicativos, li há alguns dias a notícia de que os novos TVs da Samsung estão saindo com acesso direto ao Facebook e ao Google Maps. Não apenas os TVs, mas também Blu-ray players e sistemas integrados de home theater. Nos EUA, os TVs da Samsung já entram direto em sites como Blockbuster, Netflix e até o Twitter – este último deve estar disponível também no Brasil até o final do ano. Depois que abriu sua app store, em janeiro, a empresa coreana viu surgirem milhares de aplicativos, criados a partir de softwares básicos como XML e Java, que aos poucos vão resultando em novos recursos para seus aparelhos. É o que deverão fazer todos os fabricantes daqui para frente.

Banda larga tem seus limites

Na próxima vez que você vir um anúncio de operadora prometendo “banda larga com acesso ilimitado”, redobre a atenção. Não sou eu que estou dizendo, mas a A.S.A. (Advertising Standards Association), da Inglaterra, que regula os padrões de publicidade por lá. Segundo li no IDG Now, eles desconfiaram do uso insistente da palavra “ilimitado” por parte das operadoras, ao divulgarem seus planos de serviço. O termo passa a ideia de que o usuário não terá limites de download, quando na verdade a operadora se encarrega de restringir o consumo de banda quando acha que o assinante está, digamos, exagerando. Como cada operadora usa um critério diferente, o pessoal da A.S.A. quer simplesmente banir a maldita palavra dos contratos de prestação de serviço. E definir legalmente como todas devem proceder.

O problema ficou mais grave nos últimos anos com a explosão do uso de smartphones, hoje os maiores consumidores de banda larga do mundo. Com todo mundo se conectando ao mesmo tempo, às vezes até sem necessidade, as operadoras não conseguem dar conta e acabam arbitrariamente limitando as conexões. “Os planos ilimitados de dados são inviáveis”, diz um especialista, Sebastien Lattinen, do site www.thinkbroadband.com. E não dá para discordar, certo?

Curiosamente, outra notícia do IDG Now esta semana fala de um evento na Ásia em que se discutiu exatamente o fenômeno dos smartphones e seu impacto nas conexões de banda larga. Segundo a Nokia Siemens, um dos maiores fabricantes do mundo, a proporção hoje é de quatro smartphones para cada modem de banda larga, desses que são usados em notebooks. Só que telefone é bem diferente de computador. É usado a toda hora, e não dá outra: congestiona a rede mesmo.

Taí um big problema, para o qual até agora ninguém tem a solução.

Conversando com seu carro

Quer saber como deve ser seu carro daqui a alguns anos no quesito navegação? É só dar uma olhada neste vídeo, reproduzido pelo site CNet. Mostra o novo recurso da linha BMW 2011, que chega ao mercado internacional em setembro. O fabricante fez uma parceria com a RIM, dona do Blackberry, para equipar os automóveis com um smartphone. Até aí, nada de mais: já existem carros com esse, digamos, pequeno luxo a bordo. A novidade é que esse será um Blackberry especial (modelo Pearl 3G), capaz de ler as mensagens de e-mail para o motorista, que assim não precisará desviar a atenção do volante. No painel, você fica sabendo que chegou uma mensagem e, por um fone Bluetooth, pode ouvi-la narrada pela “voz” do seu carrão. De início, será apenas o Blackberry, mas a BMW promete que o sistema mais tarde aceitará também outros modelos de celular (aliás, no vídeo o que aparece é um iPhone).

Pode encomendar seu próximo BMW.

Cala a boca já morreu!

Perdi o bonde da engraçadíssima polêmica envolvendo a TV Globo e sua cobertura – ou tentativa – da Copa do Mundo. Só hoje é que fui me inteirar do que aconteceu ao longo da semana. Pode parecer que não tem a ver com o assunto deste blog, mas tem sim. Aliás, tem a ver com o próprio conceito de liberdade de expressão. Primeiro, a parte engraçada. Os vídeos que circulam no YouTube confirmam que brasileiro, além de bom no futebol, tem uma criatividade ímpar para ridicularizar pessoas que merecem ser ridicularizadas, como é o caso do treinador Dunga. Claro que não vou aqui discutir seus méritos ou defeitos profissionais, porque não é meu papel. Mas sua postura arrogante, como aliás a postura de boa parte dos treinadores e dirigentes de futebol, é algo que faz um mal enorme ao País. Digo isso porque, mesmo com tantas agressões à imprensa, esta se curva a ele como diante de um Deus supremo. E, se o Brasil for campeão, são capazes de voltar a chamá-lo de “líder nato” e outras bobagens do tipo.

Numa prova da pobreza intelectual em que vivemos, os palavrões dirigidos por Dunga a um jornalista da emissora deram motivo a um movimento anti-Globo, via twitter, incluindo uma história inventada sobre tráfico de influência junto ao presidente da CBF. Criaram uma campanha para que as pessoas não assistissem aos jogos da seleção na Globo, o que – diz o o site especializado Comunique-se – não se confirmou nesta sexta-feira: a transmissão bateu recorde de audiência. Antes, as mesmas pessoas que lideraram esse movimento haviam lançado o “Cala a boca Galvão”, com repercussão internacional, daí porque talvez tenham se sentido inspiradas a novas campanhas contra a emissora.

Não tenho procuração aqui para defender a Globo, muito menos Galvão Bueno, mas essa história de cala a boca me faz lembrar censura e ditadura. Anos atrás, houve na imprensa algo semelhante, quando lançaram a frase “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”, devido à posição da emissora nas eleições de 1989 (quando apoiou Collor contra Lula). Se Dunga não quer deixar seus jogadores darem entrevista, isso mostra apenas que ele não confia nos seus comandados. Mas é um direito seu. Cabe aos jornalistas, não só da Globo, tentarem furar essa proibição cretina. Agora, desrespeitar pessoas que estão trabalhando já é falta de educação – algo que, como dizia minha avó, vem de berço.

O pior, a meu ver, é perderem tanto tempo com essa polêmica idiota. Coisa de gente que Nelson Rodrigues identificou como “a pátria de chuteiras”. Pátria, para mim, é coisa muito mais séria.

TV 3D a laser já chegou. Será?

Falando em TV 3D, fui correndo ao estande da Mitsubishi no CEA Line Show para ver se eles mostravam a nova versão do TV LaserVue, de tão polêmica lembrança (quem quiser refrescar a memória pode conferir aqui e também neste vídeo). Decepção. O que eles estavam mostrando era um DLP, muito bonito por sinal. O LaserVue 3D, mesmo, ainda vai demorar um pouco. Segundo leio na Electronic House, a Mitsubishi irá lançar em breve um modelo de 75″ (foto) com projeção DLP e “3D-engine”, o que sinceramente não sei o que significa. Vou pesquisar. Vai custar US$ 5.999 no mercado americano (e inicialmente só será lançado lá). Pagando mais US$ 399, o comprador recebe dois pares de óculos, um transmissor (que é acoplado ao TV), um controle remoto com adaptador 3D, um cabo HDMI e um disco Blu-ray 3D. Mais: o tal adaptador pode ser usado com qualquer TV da marca Mitsubishi lançado desde 2007, que assim passa a funcionar também em 3D.

Quanto ao DLP 3D que vi aqui, tinha 72″ e a imagem era bem razoável (vejam as fotos). Segundo um funcionário da Mitsubishi que me atendeu, a empresa insiste nessa tecnologia porque continua achando que ela é superior ao LCD, ao LED e ao plasma, embora não seja possível (pelo menos por enquanto) produzir telas ultrafinas DLP. Esse modelo tem 35cm de profundidade, mas na visão do fabricante isso não é problema porque quem compra um TV dessas dimensões não está pensando em pendurá-lo na parede. A grande vantagem do DLP estaria no tempo de resposta, mas para checarmos isso na prática seria preciso colocá-lo lado a lado com os concorrentes. Em setembro, chega ao mercado americano uma versão de 82″.

Óculos 3D para qualquer TV

Não tive oportunidade de testar o novo tipo de óculos 3D exibido pela Monster esta semana, no evento CEA Line Show, aqui em Nova York. Infelizmente, na hora da demonstração o produto falhou, para decepção dos visitantes. Tiveram que mandar vir outro da Califórnia, e não pude esperar pois nem havia previsão de quando chegaria. Foi uma pena. O produto está sendo comentado como solução final para muitos usuários (bem, nem tantos assim…) que, nos TVs 3D atuais, só podem usar óculos da mesma marca. Foi uma forma que os fabricantes encontraram de forçar as vendas do kit 3D completo. Mas suspeito que essa política não irá muito longe.

Segundo Noel Lee, fundador e proprietário da Monster, os novos óculos – cujo nome comercial é VisionMax 3D (foto) – funcionam por RF e não exigem que o telespectador fique de frente para a tela. Você pode caminhar com eles pela sala, sem perder a sensação tridimensional. Era exatamente isso o que eu queria testar… Diz ainda Lee que a bateria de lítio-polímero que alimenta o óculos dura mais de 800 horas com uma única carga. A Monster pretende lançá-los em agosto nos EUA, num kit que inclui um par de óculos e um transmissor, que vai acoplado ao TV. Preço de lançamento: US$ 249,99. Quem quiser comprar óculos adicionais pagará US$ 169,99 cada um.

Da tecnologia à parada gay

Terminou hoje o evento da Savant aqui em Nova York, e depois desse verdadeiro banho de novas tecnologias tenho mais dois dias aqui na cidade. Seria ótimo, não fosse por dois problemas: o calor está sufocante e domingo tem parada gay. Não que eu seja contra os gays, até acho legal que tenham seu dia de comemoração. E a de Nova York, pelo que li, só perde em animação para a de San Francisco, que foi onde tudo começou. Mas é maior, e já nesta sexta-feira estamos podendo ver isso nas ruas: os hotéis estão lotados, com os preços das diárias lá nas alturas, o trânsito está caótico e as calçadas idem. Vou ter que me programar para ficar bem longe da 5a. Avenida e ruas próximas no domingo, pois – como acontece em São Paulo nesse dia – a cidade literalmente vai parar.

Para ajudar, os jogos da Copa do Mundo estão levando cada vez mais gente às ruas. Bares e cafés anunciam abertamente a transmissão das partidas em telões, com bandeiras na entrada e convites para menus especiais. Hoje, amigos foram à Rua 46, onde se concentra a comunidade brasileira de Nova York, para assistir ao jogo contra Portugal. Estava tudo preparado para uma grande festa, mas jogaram água no chope da animada torcida, como aquele joguinho sonolento. Segunda-feira tem mais, e provavelmente será assim até o final da Copa. Como os americanos se classificaram, gente que habitualmente não liga para futebol também está entrando na festa. Sem falar em México e Argentina, que também têm grandes comunidades aqui.

Bem, como tenho muito para escrever, devo passar a maior parte do tempo no hotel. E, se quiser sair, certamente não haverá falta de opções. Nova York tem provavelmente a mais variada oferta de cultura e entretenimento do planeta, além de restaurantes em quantidade e qualidade iguais às de São Paulo, para todo tipo de gosto e de bolso. Depois, conto aqui o que encontrei.

Prêmio para o Brasil

No evento da Savant em Nova York, o Brasil saiu ganhando: Carlos Eugenio Bacha, da loja especializada Versão Brasileira, de Belo Horizonte, recebeu um troféu da empresa americana na categoria “Melhor Instalação Internacional”. Entre dezenas de projetos canadenses e brasileiros (os dois países onde a empresa mais atua fora dos EUA), um de seus projetos, realizado em 2009, foi o escolhido. Mais ainda: o mesmo projeto foi premiado na categoria “Best On-Screen Display Installation”, derrotando até mesmo os americanos. Os prêmios foram entregues por Bob Madonna e Chuck Parelli, da Savant (foto). Que eu saiba, é a primeira vez que uma empresa brasileira de projetos ganha um prêmio desse nível (me corrijam se estiver errado). Parabéns a Carlos Eugenio e a toda a sua equipe.

O iPhone e os herdeiros do iPad

A poucos quarteirões de onde estou, centenas de pessoas aguardavam na calçada uma chance de entrar na loja Apple do Soho, bairro de intelectuais de Nova York; enquanto isso, num discreto edifício assistíamos a uma palestra de Robert Madonna (foto), o homem que está conseguindo tornar os produtos da Apple ainda melhores do que já são. Pode ter sido mera coincidência, apenas. Esta quinta-feira foi o dia escolhido pela Apple para iniciar as vendas do iPhone 4, o que levou os fanáticos de sempre a formarem filas em quase todas as lojas da empresa pelo mundo afora – segundo uma emissora daqui, teve gente que ficou nada menos do que 48 horas esperando sua vez diante da porta da maior Apple Store do mundo, na 5a. Avenida. Foi também o dia que Madonna (nada a ver com a cantora) escolheu para fazer uma apresentação sobre a Savant, empresa que fundou e dirige desde 2005.

Como comentei aqui no início da semana, a Savant está causando uma pequena revolução no mercado de automação residencial dos EUA, ao pegar carona no sucesso da Apple e transformar seus produtos em controles multifunção. A palestra de seu fundador foi o ponto alto da convenção que a empresa organizou para revendedores e representantes de vários países, inclusive do Brasil, onde é distribuída pela Audiogene. A filosofia da Savant é parecida com a da Apple: criar sistemas flexíveis, para permitir atualizações constantes, e intuitivos, para que qualquer pessoa seja capaz de usar. No caso de automação, como se sabe, esse é um belo desafio, pois a maioria dos consumidores tem medo daqueles painéis cheios de botões. “Nosso papel é simplificar”, resumiu Jim Carroll, presidente da empresa e braço direito de Madonna desde a fundação da empresa. “É mais ou menos como aprender uma nova lingua. No início, você tem dificuldades porque está acostumado com seu idioma original. Mas, com o tempo, vai ficando à vontade também num idioma diferente”.

Segundo Carroll, a empresa cresceu 200% em 2009 e deve repetir o feito em 2010 e 2011, favorecida pelos fenômenos iPhone e iPad. A partir da plataforma Apple, os engenheiros da Savant vêm criando diversas soluções em automação residencial, que podem ser adotadas facilmente por qualquer pessoa que tenha um dos aparelhos com o logotipo da maçã. Vimos aqui em Nova York seu show-room, na verdade a réplica de uma casa toda automatizada com iPads e iPhones, transformados em painéis de parede ou controles portáteis que acendem e apagam luzes, abrem e fecham cortinas, regulam a temperatura ambiente, acionam alarmes e uma série de outras comodidades. “Esse é o futuro”, resume Carroll.

Algumas dessas soluções já estão disponíveis no Brasil, a um custo bem mais baixo do que os sistemas de automação convencionais. Mas agora, com o sucesso do iPad, certamente muito mais gente vai descobri-las.

O tablet da Toshiba

Já comentei aqui sobre a tendência dos tablets, consolidada pelo sucesso do iPad. Segundo a Apple, já foram vendidos mais de 3 milhões – nunca se sabe se esses números são verdadeiros, mas ainda que seja metade disso é um sucesso estrondoso para um produto que está no mercado há apenas três ou quatro meses. Acabei de assistir a um seminário, aqui em Nova York, sobre o mercado de IPTV, no qual a palavra “tablet” foi pronunciada umas dez vezes. Poucos duvidam que, ao lado dos smartphones, esses aparelhinhos serão uma referência para todo o mercado daqui por diante.

Certamente falaremos ainda muito do assunto, a julgar pelo número de promessas dos fabricantes. Samsung, LG, Panasonic, Acer, HP, Asus, Dell, Google… a lista de empresas que já divulgaram estar desenvolvendo modelos de tablets não para de crescer. O problema é que todas enfrentam um desafio fundamental: como criar um produto melhor que o iPad? A esta altura, de pouco irá adiantar entrar nesse segmento se não for com uma solução melhor que o tablet da Apple. Fabricantes de players MP3 e smartphones que o digam…

Vejam aí na foto a versão da Toshiba, que promete lançar seu tablet em agosto. Tem lá o seu apelo. Segundo a empresa, o Libretto W100 será um misto de netbook e leitor eletrônico, com alta capacidade de processamento e funcionando em Windows. Como se vê na foto, possui tela dupla para permitir multitarefas. Vai dar certo? Vamos ter que esperar para conferir.

Museu do Futebol (e da tecnologia)

Foi matéria da última edição da prestigiada revista Sound & Video Contractor, dirigida aos profissionais de projetos corporativos e de espaços públicos: o Museu do Futebol, localizado no estádio do Pacaembu, em São Paulo, não é apenas uma excelente mostra sobre o esporte que é paixão nacional, mas também um show de tecnologia. Diz a reportagem que o projeto – utilizando uma tecnologia interativa chamada Watchout, da empresa sueca Dataton – é um dos mais avançados do mundo nesse setor. São 117 telas, entre 15 e 50 polegadas, e 55 projetores interligados a uma central de controle através de uma rede que utiliza 9.000 metros de cabos. O projeto é da empresa paulista KJPL, de Peter Lindquist e Nicola Bernardo, ambos veteranos do segmento.

Estive lá no ano passado e também fiquei maravilhado, mas confesso que não sabia de tudo isso. Vale a pena visitar. Vejam este vídeo.

A festa dos gadgets

O evento CEA Line Show, que acontece esta semana em Nova York, não é exatamente o que se poderia chamar de show de tecnologia. Mas iria agradar em cheio aqueles que são ligados em gadgets, as pequenas maravilhas eletrônicas que deixam os aficcionados com coceira no bolso! Alguém já disse que quando entramos numa loja de eletrônicos – e há milhares delas aqui em Nova York – perdemos completamente a noção de realidade e começamos a sentir necessidades que até então desconhecíamos. Pois bem, é disso que vive a indústria eletrônica.

Caminhando pelos estandes do evento, que na verdade são pequenos boxes sem maior apelo visual, encontrei coisas como um higienizador de celular (um kit que elimina as bactérias resultantes do suor e gordura das mãos e das orelhas); um viva-voz para carro que funciona por Bluetooth (você não precisa apertar nenhum botão, basta falar o nome de alguém que está na sua lista e o aparelho faz a ligação); uma arandela de mesa que é também caixa acústica e funciona sem fio; um dock para iPhone que vem com duas caixinhas acústicas e pode ser alimentado com energia solar; um fone de ouvido para dormir – isso mesmo, você coloca e fica ouvindo uma musiquinha suave até pegar no sono (é feito de tecido); um filtro de áudio que elimina as variações de volume encontradas na recepção dos canais de televisão (foto); e um medidor inteligente de energia, que informa ao seu computador (via rede WiFi) quanto seus aparelhos estão consumindo.

Ufa! Tirando estes dois últimos itens, tenho a impressão de que ninguém precisa de nada disso. Ou precisa? Mas aposto que muita gente irá comprar.

A nova era da automação

Vim a Nova York também para uma convenção mundial da Savant, hoje uma das empresas mais avançadas do mundo na área de automação. Não sei exatamente o que eles vão mostrar, mas com certeza os produtos da Apple estarão no evento. A Savant foi uma das primeiras a adotar o sistema operacional da Apple para produzir software de controle de equipamentos eletrônicos, a tal ponto que um usuário de Mac ou iPhone não tem a menor dificuldade em integrar-se a uma rede de automação. As interfaces são práticas e intuitivas, o que não é muito comum nesse tipo de produto. Vejam na foto um exemplo de sistema comandado pelo iPad.

Enfim, deve ter novidade boa chegando.

Na cidade que nunca dorme

Vim a Nova York para dois eventos que acontecem esta semana. O primeiro é uma espécie de prévia da CES. Os mais veteranos do mercado devem se lembrar que antigamente havia duas CES: uma no verão e outra no inverno. Por algum motivo que até hoje não consegui entender, o evento de verão – que acontecia em Chicago, sempre em junho – deixou de acontecer, ficando apenas o de inverno, aquele de Las Vegas, sempre em janeiro. Minto: a razão é que nesta época do ano a maioria dos americanos está em férias, e a CES, no início, era principalmente um evento voltado para o mercado dos EUA, o maior do mundo. Hoje, já não é mais assim, e dentro da CEA (Consumer Electronics Association), que organiza o show, há quem defenda uma edição da CES no meio do ano, que tem potencial para atrair muito mais gente. Evidentemente, não poderia ser em Las Vegas, cujo clima entre maio e setembro fica simplesmente insuportável, com a temperatura passando fácil dos 40 graus. Nova York já se candidatou, e não estranhem se a partir de 2011 ou 2012 tivermos aqui na Big Apple uma grande feira de eletrônicos.

O evento desta semana – chamado CEA Line Show – acontece num pequeno hotel bem no centro da ilha de Manhattan, próximo ao Empire State. Vai ocupar apenas um andar, com cerca de 50 expositores, o que é irrisório perto dos mais de 2.500 de Las Vegas. De qualquer forma, aqui estão gigantes da indústria, como Sony, HP, Toshiba, AOC, Crestron, Intel, Mitsubishi e Monster Cable. Vamos ver o que eles nos apresentam. Além da exposição e das demonstrações, será um evento fechado, reunindo executivos da indústria, jornalistas especializados e formadores de opinião. Vai dar para “medir a pressão” do mercado e seus humores em relação à crise internacional e as perspectivas para o segundo semestre de 2010.

Se for bem sucedido, pode crescer no ano que vem e, quem sabe, ser uma opção para quem não puder (ou não quiser) trocar o verão brasileiro pelo inverno de Las Vegas. Seria ótimo, pelo menos para mim, que sou mais Nova York, a cidade que nunca dorme, como dizia a canção de Sinatra. Fiquem ligados. Prometo contar aqui tudo que houver de importante esta semana.