Archive | agosto, 2010

O que veremos na IFA

Cheguei hoje a Berlim para mais uma cobertura da IFA, o principal evento de tecnologia de consumo da Europa. Tudo indica que será um evento especial: além de terem aumentado o número de expositores e a área de estandes, esta será a 50a. edição da feira. E os alemães, para mostrar que espantaram de vez a crise econômica, querem fazer um evento de dar inveja aos outros países.

A IFA só abre para o público na sexta-feira, mas nestas quarta e quinta já teremos oportunidade de ver alguns destaques. Fala-se muito nos TVs 3D autoestereoscópicos, que dispensam os óculos e que, segundo a imprensa japonesa, a Toshiba irá lançar no Japão até o final do ano. Se for verdade, certamente teremos uma prévia aqui em Berlim. Só sei que há um pavilhão com mais de 2 mil metros quadrados reservado para demonstrações de 3D. Aguardem.

Numa prova de que a IFA realmente subiu de status, o presidente da Google, Eric Schmidt, confirmou hoje que estará aqui para fazer o discurso de encerramento, no dia 9. Além da questão mercadológica (a Google é talvez a empresa mais globalizada do planeta), há uma outra razão – bem mais importante – para mr. Schmidt se incomodar em vir até o outro lado do Atlântico: os alemães estão em pé de guerra contra a empresa, acusada de invadir a privacidade das pessoas com o StreetView, aquele programa do Google Maps que mostra imagens ao vivo. Várias organizações europeias estão querendo impedir. O clima vai estar quente.

Só explicando: a moça da foto é a chamada “Miss IFA”, que virou símbolo do evento e, pelo que se vê nas ruas de Berlim, ídolo nacional. Seus posters estão em toda a cidade. Para quem não entendeu, na foto ela finge que está “passando a ferro” o próprio vestido, numa alusão ao fato de que a IFA é, também, uma feira de eletrodomésticos. Com todo respeito!

Jogando só com os olhos

Outra que pesquei no site da PC World: um videogame que pode ser jogado sem ter que usar as mãos, apenas os olhos! Duvida? Assista ao vídeo. A ideia é da empresa americana Waterloo Labs e vale somente para o console Nintendo NES (e por enquanto só para um jogo, Super Mario Bros 2). O princípio é uma tecnologia chamada EOG (Electro Oculography): eletrodos aplicados na cabeça do jogador analisam os movimentos dos olhos e transferem os dados, sem fio, para um cartão de memória plugado num computador. Diz a revista que essa empresa é a mesma que, no ano passado, surgiu com a ideia de dirigir um carro usando apenas… adivinhou: um iPhone (veja aqui). Pelo jeito, não é bem uma empresa, mas um hospício… Fico imaginando os caras que testam esse tipo de produto. Para verificar se a tal EOG funciona mesmo, a pessoa deve ficar vesga!

Se alguém ficou interessado, neste link eles explicam tudo direitinho, em inglês.

A guerra dos e-readers

Em abril, quando foi lançado o iPad, o impacto foi tão forte que muitos chegaram a prever a “morte” dos leitores eletrônicos tradicionais. O próprio Kindle, da Amazon, pioneiro nessa categoria de produto, foi dado como condenado; aliás, a Amazon parece ter acreditado nisso, ao promover uma queima de preços incrível nesse produto, que hoje pode ser adquirido na loja virtual por até US$ 139. Para piorar, o Nook, da rede Barnes & Noble (maior livraria de lojas físicas do mundo), está prestes a sair do mercado – uma briga entre os sócios da rede pode levar a empresa para o buraco.

Nesse quadro em que tudo parece favorecer a Apple, parece estar começando uma reviravolta. Segundo a revista PC World, vem aí uma avalance de e-readers no mercado americano, todos bem mais baratos que o iPad e oferecendo mais do que simplesmente a “leitura eletrônica”. Há até um que, pelo nome, deve fazer muito sucesso no Brasil: chama-se “Copia” (isso mesmo, sem acento) e é fabricado pela empresa DMC. A tela tem 5″ e o preço nos EUA é de 99 dólares. Vejam a foto. Faz lembrar alguma coisa?

Até o Natal, devem ser lançados modelos da LG, HP e da Sharper Image. A Sony também promete renovar sua linha de leitores eletrônicos, que até agora ainda não decolou. Sem falar que está previsto um festival de tablets, que oferecem mais recursos, mas também são mais caros que os e-readers. Bom para as editoras e para os consumidores, que assim não ficam mais dependentes da Amazon.

Infelizmente, aqui no Brasil estamos longe dessa realidade. Na última Bienal do Livro, vimos alguns ensaios. A Positivo, por exemplo, acaba de lançar um e-reader. Mas as próprias editoras parecem divididas entre arriscar no novo segmento ou continuar focadas nos livros de papel. E, pra variar, a eterna questão dos altos tributos, que sufocam qualquer tentativa de inovação. Vamos comentar o assunto nos próximos dias.

As 100 cidades fantasmas

A lista de 100 cidades a ser atendidas inicialmente pela Telebrás com redes de banda larga não passa de ficção. Foi tirada da cartola por um grupo de burocratas que nunca administraram uma empresa e, portanto, não fazem a menor ideia de como manter um negócio – qualquer negócio – saudável. É fácil, quando se tem o controle de uma máquina de fazer dinheiro como é o governo atual. Aguarda-se para qualquer dias desses a revelação dos esquemas políticos que envolveram a elaboração de uma lista como essa, sabendo-se que no governo Lula banda larga virou sinônimo de compra de votos (como já acontece com as concessões de rádio e televisão).

Primeiro, uma pergunta que chega a ser ridícula de tão óbvia: por que divulgar uma lista de 100 cidades? Poderiam ser 200, ou 1.000, qual seria a diferença? Se a ideia é levar banda larga a todos os municípios, não faz o menor sentido priorizar parte deles. A menos que houvesse um critério técnico. A explicação oficial é que os escolhidos estão a menos de 50km da rede de fibra óptica mantida pela Eletrobrás, que servirá de base à implantação do PNBL. Além disso, seriam localidades com baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), indicador da ONU para medir a pobreza das cidades em todo o mundo. Pois bem. O que há de comum, nesse sentido, entre Campinas (SP) e Ibirité (MG) ou Piracuruca (PI)?

Outro critério seria o de que as tais 100 cidades não são atendidas adequadamente pelas operadoras privadas – algumas sequer possuem serviço de banda larga. Se é assim, como incluir na mesma lista São Paulo (sim, a maior cidade da América Latina) e Lagoa D’Anta (RN)? Rio de Janeiro (RJ) e Muritiba (BA)? As prioridades seriam as regiões Nordeste e Sudeste (por que?), mas foram incluídos municípios de Goiás e Tocantins. Cidades paupérrimas de Mato Grosso ou do Paraná estão fora, mas Brasilia está dentro.

As operadoras já começaram a reagir (leia aqui), argumentando que, das tais 100 cidades, 97 já possuem atendimento de banda larga. É uma meia-verdade: depende do que se considera “atendimento”. Conexões lentas, instáveis e caras são hoje a regra pelo país afora. Mas receio que possa se tornar ainda pior. Quem mora num dos municípios escolhidos não deve ficar muito animado. Estamos todos carecas de saber que o governo (não só o atual, mas todos os governos) é um péssimo administrador. Não é baixando decretos e criando falsas listas que se vai resolver o problema. Seria muito mais fácil – e custaria menos – fortalecer a Anatel com técnicos competentes e bem remunerados, para fiscalizar as operadoras e puni-las quando não cumprem bem o seu papel.

Mas isso é utopia. Vale a pena lembrar a velha frase: “O poder corrompe, mas o poder absoluto corrompe totalmente”.

Blockbuster, chegando ao fim

Ao que tudo indica, a próxima vítima da popularização da internet será a Blockbuster, maior rede de videolocadoras do planeta. O jornal Los Angeles Times revelou em detalhes o esquema que está sendo negociado junto aos credores – a dívida da empresa já passa de US$ 1,1 bilhão – e aos estúdios de Hollywood. A ideia é recorrer ao famoso Capítulo 11 (Chapter 11), item da legislação americana que equivale à antiga concordata brasileira. Para a Justiça aceitar, é preciso que os credores concordem. No caso de uma rede de lojas, o acerto é mais complexo; além dos fornecedores de filmes e equipamentos, e dos funcionários, envolve também os donos das lojas, a maioria delas alugada.

No seu auge, a Blockbuster chegou a ter cerca de 4 mil lojas espalhadas por vários países, inclusive o Brasil. Aos poucos, foi se desfazendo desses ativos fora dos EUA. Aqui, por exemplo, as lojas (aproximadamente 80) foram assumidas pelo grupo GP, o mesmo que é dono da Lojas Americanas (além de Americanas.com e Submarino), que ficou com o direito de uso da marca “Blockbuster”. Só nos últimos doze meses, a rede fechou 1.000 lojas; restam outras 1.000, quase todas no prejuízo. Imaginem como está a cabeça de quem alugou seus imóveis para a rede que já foi símbolo do negócio de home video! Além da dívida já acumulada, corre ainda uma conta de juros que passa dos US$ 900 milhões anuais. Um quadro tão tenebroso que é de se perguntar: como deixaram chegar a esse ponto?

Para os estúdios, a crise da Blockbuster é preocupante não apenas por estarem perdendo seu maior cliente. Significa que ficarão ainda mais dependentes da Netflix, locadora virtual que cresceu espantosamente nos últimos dois anos, e da Redbox, rede de quiosques onde os filmes são alugados quase de graça (diária de 1 dólar). As mesmas duas empresas foram apontadas como causadoras da falência da Movie Gallery, no ano passado, segunda maior rede de locadoras dos EUA. Portanto, os estúdios pretendem apoiar a Blockbuster enquanto for possível. Já concordaram em não cobrar juros até 30 de setembro; falta agora saber o que dirão os demais credores.

Os executivos dessas empresas devem estar se perguntando: se está ruim com ela, não ficará pior sem ela?

Saques e voleios em 3D

Esta é para os fãs de tênis: o torneio Aberto dos EUA, que começa nesta segunda-feira em Nova York, será o quarto grande evento esportivo transmitido ao vivo em 3D. Depois da Copa do Mundo, do Masters de Golfe e do All-Star Game de beisebol, chega a vez de conferir como é assistir a uma partida de tênis em três dimensões. Reconheço: para quem não gosta desse esporte, transmissões de jogos são uma chatice. Há até quem jogue e não goste de assistir… Mas estamos falando de tecnologia. Já comentei aqui que vi trechos de uma partida de golfe em 3D e consegui achar interessante. Não pela “movimentação”, é claro, mas pela visão ampla, e com maior profundidade, do campo. Como são imagens lentas, é possível admirar o efeito calmamente, talvez tomando uma taça de vinho francês.

No caso do U.S. Open de Tênis, a cobertura faz parte de um acordo entre a CBS (que detém os direitos para TV aberta), a DirecTV e a Panasonic, patrocinadora oficial do evento. As transmissões serão apenas para assinantes da operadora, a primeira que abriu um canal exclusivo para 3D, nos EUA. Esse canal já transmitiu partes de uma corrida Nascar e dos X-Games, confirmando a aposta da indústria em torno dos esportes para popularizar o 3D. A própria Panasonic – que já gravou o Aberto de Tênis da França e as Olimpíadas de Inverno em 3D – irá providenciar o equipamento para cobrir o U.S. Open em todos os detalhes.

Uma equipe da CBS foi treinada especialmente para essa cobertura. Serão seis gruas sobre a quadra, cada uma equipada com uma câmera 3D HD, mas posicionadas num ângulo mais baixo do que nas transmissões tradicionais de tênis. Os produtores sabem que, lá de cima, mal se consegue ver a bolinha voando a quase 200km por hora. A ênfase será nas tomadas ao nível da quadra, para que o telespectador sinta-se “como se estivesse lá”. Haverá também áudio surround para captar a ambientação da torcida e os gritos dos jogadores. Uma sétima câmera será usada para entrevistas após os jogos. Vários monitores 3D serão espalhados pelo complexo de Flushing Meadows, sede do evento, que tem mais de 30 quadras. Quem não estiver vendo o jogo na quadra central poderá acompanhar a transmissão num desses displays.

E – último item da estratégia da Panasonic e da DirecTV para seduzir o público – as finais e as semifinais do torneio serão transmitidas ao vivo para lojas de todo o País que revendem os produtos Panasonic. É um investimento pesadíssimo da empresa japonesa. Se vai dar certo, só vamos saber mais à frente. Mas isso sim é o que se chama estratégia de marketing.

De 32 para 42 polegadas

Estranha pesquisa divulgada pela consultoria IT Data, especializada em informática, indica que os brasileiros já estão comprando mais de TVs de 40 e 42 polegadas do que de 32″, até agora o tamanho mais procurado entre as telas consideradas “grandes” (acima de 29″). Modelos LCD de 40″ e 42″ representaram 37% das 600 mil unidades de LCD (incluindo LCD-LED) vendidas no mês de julho, contra 32% dos modelos de 32″. A justificativa seria a queda de preço: nos últimos seis meses, os TVs na faixa de 40″ tiveram queda média de 20%.

Digo que o estudo é estranho porque, primeiro, só foi publicado pelo jornal Folha de São Paulo, quando o normal é as empresas de pesquisa divulgarem amplamente seus trabalhos. Segundo, porque não informa como se chegou àqueles resultados, nem quem ou quantas pessoas (ou empresas) foram entrevistadas. Terceiro, porque a soma das porcentagens (69%) indica que o restante (31%) seriam TVs de outros tamanhos, ou seja, maiores que 42″. Temos hoje no mercado TVs LCD de 46″, 47″, 50″, 52″ e 55″. Ah! Sim, há ainda os de 37″, mas com pouca representatividade. Tudo somado, teríamos 31% do segmento, ou algo como 180 mil aparelhos de 46″ ou mais, em apenas um mês.

Não é muito?

Maquiavel ressuscitado

Gostaria de continuar falando apenas de novos produtos e tecnologias interessantes, mas o que se viu durante a Broadcast & Cable e o Congresso da SET (os dois eventos aconteceram simultâneos esta semana em SP) foi a confirmação de uma estratégia quase maquiavélica, para dizer o mínimo, por parte de setores do governo, em relação ao segmento de tecnologia. Já havia indícios, agora são ações concretas. Vejam só.

Em junho, o governo havia constituído o Fórum Brasil Conectado, cuja finalidade seria manter discussões permanentes com empresas e setores da sociedade ligados à tecnologia. A reunião do Fórum na última quarta-feira foi convocada para analisar o papel da Telebrás na implantação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Alguém lembrou que o texto do decreto que reativou a empresa é dúbio no item que a autoriza a oferecer conexões de banda larga “apenas e tão somente em localidades onde inexista oferta adequada”. Ora, perguntaram alguns membros do Fórum, “como definir o termo ‘oferta adequada'”? Ninguém soube responder. Então, como não houve consenso, os coordenadores do Fórum (ou seja, o governo) decidiram deixar o assunto por conta do CGPID (Comitê Gestor dos Programas de Inclusão Digital), formado por membros do próprio governo.

Notem quantas vezes repeti a palavra “governo” no parágrafo acima. Juro que não foi de propósito, mas dá uma ideia de como estamos nessa área. Com a desculpa de que as operadoras trabalham mal e cobram caro (e é verdade), estão aos poucos tomando conta de tudo que se refere a telecom. Duvidam? Vejam esta outra notícia que foi confirmada no Congresso da SET: a Anatel não terá mais poder para decidir sobre os leilões de freqüências. Quem vai cuidar disso agora é a própria Casa Civil, que assim passa por cima, numa tacada só, da agência reguladora oficial – cujos técnicos são pagos justamente para isso – e do Ministério das Comunicações, a esta altura reduzido a mero enfeite na Esplanada.

Sei que tem muita gente contra a Anatel e o Ministério – eu mesmo, aqui, critiquei ambos várias vezes. Mas jamais pensei que ousariam “destituir” os dois órgãos. Do jeito que a situação está colocada, ambos poderiam perfeitamente ser extintos; ninguém sentiria sua falta. E, para aqueles que ainda pensam, num misto de ingenuidade e ignorância, que esse esvaziamento é solução para os problemas do País na área de telecom, lembro que um grupo de meia dúzia de amigos do rei agora ficará responsável por tudo de importante que se decida no setor. Mais ou menos como se fazia na antiga União Soviética. Ou, para não ir tão longe, nos tempos dos governos militares, quando o cidadão comum tinha que brigar (literalmente) para conseguir uma linha telefônica.

Enfim, foi para isso que tomaram o poder. Ou não foi?

Telão 3D de 280 polegadas!!!

Belo gol marcou a Sony durante a feira Broadcast & Cable, que terminou hoje em São Paulo: trouxe do Rio o mesmo equipamento que ficou exposto na Praia de Copacabana durante a Copa do Mundo para transmitir jogos em 3D, inclusive o espantoso telão de 280 polegadas. Com uma vantagem para quem esteve no evento: com menos luminosidade externa, o impacto é muito maior. A ação faz parte da estratégia da Sony de fazer todo mundo querer ter seu TV 3D (vejam aqui o vídeo). Dessa estratégia consta ainda a entrega às lojas dos primeiros TVs Bravia, prevista para a próxima semana; o lançamento oficial do PlayStation 3 e suas atualizações para filmes e jogos em 3D; e as novas câmeras digitais que gravam em 3D, que chegam às lojas antes do fim do ano.

O choro oriental

“Esperamos que o governo ouça nosso choro”, disse em entrevista Osamu Suzuki, diretor-geral da empresa que leva seu nome, um dos maiores fabricantes de veículos do Japão. A frase foi citada pelo The Wall Street Journal como simbólica da situação atual das empresas japonesas, particularmente aquelas que dependem de exportações, como é o caso das montadoras de automóveis e dos fabricantes de eletrônicos. Em tom menos choroso, o vice-presidente da Sony, Yoshihisa Ishida, reuniu a imprensa em Tóquio nesta quinta-feira para lamentar a valorização do iêne, que coloca os exportadores numa verdadeira sinuca. “Não há muito o que fazer a respeito do câmbio”, disse Ishida. “Só podemos esperar que o governo encontre uma solução para esse problema”.

Basicamente, a questão é que o iêne – cujo valor anos atrás correspondia a menos de dois centésimos de dólar (100 dólares compravam mais de 20.000 iênes) – hoje está quase encostando no 1/10, ou seja, a continuar nesse ritmo de valorização, em breve aqueles mesmos 100 dólares irão comprar apenas… 1.000 iênes! O valor alto do dólar sempre foi uma arma essencial para a economia japonesa (aliás, asiática), permitindo ao País manter um alto padrão de vida apenas com as exportações. Com a crise americana e mundial, a onda virou.

De certa forma, é o mesmo choro que se ouve aqui quando o dólar cai muito, como aconteceu anos atrás. A memória curta impede algumas pessoas de ver como foi importante a estabilização do real. Mas é só olhar para o lado de lá. A Sony, por exemplo, segundo Ishida, pretende vender no mundo inteiro 25 milhões de televisores (sendo 10% deles com tecnologia 3D) no ano fiscal que começou em abril e termina em março. A metade está mantida, apesar do iêne. Mas vai depender das vendas de Natal. E dos senhores da economia.

3D sem óculos chega no fim do ano

Parece que a fonte da informação é quente: a Toshiba deve lançar até o final do ano no Japão três modelos de TV 3D que dispensam os tão criticados óculos. A notícia saiu ontem no jornal Yomiuri Shinbum, um dos maiores do país, citando como fonte pessoas da própria empresa. Oficialmente, a Toshiba nega, mas sem muita veemência – e os detalhes vão surgindo. Um dos TVs seria de 21 polegadas e custaria “algumas centenas de milhares de iênes”, o que equivale a alguns milhares de dólares (a cotação aproximada hoje é de quase 1/100).

Já comentamos aqui, tempos atrás, que a Toshiba é uma das empresas mais avançadas nos estudos sobre 3D sem óculos. Seu sistema baseia-se em vários processadores acoplados ao display, que emite raios de luz múltiplos em diversas direções. Segundo a empresa, a combinação dos raios luminosos com os sinais manipulados em altíssima velocidade gera imagens que o cérebro humano consegue processar naturalmente, e sem a fadiga visual que é apontada como um dos principais problemas dos óculos. Melhor ainda: como os emissores de sinal estão espalhados pelo painel frontal do TV (como na ilustração acima), todo mundo vê a mesma imagem, independente do ângulo de visão.

Será mesmo? Seria a solução ideal. Talvez vejamos algo assim semana que vem, na IFA, em Berlim.

Games, a grande atração

Ainda sobre o debate no Congresso da SET: houve uma discussão interessante quando comentei que futebol talvez não seja o tipo de imagem mais indicado para se ver em 3D. Assisti a jogos da Copa em 3D, no cinema e em TVs nos EUA, e fiquei com a sensação de que durante a maior parte do espetáculo – quando a câmera enquadra o campo inteiro, ou metade dele, de longe – o efeito tridimensional quase não é percebido. O grande barato do 3D está nas imagens de detalhes, como aquelas tomadas dentro do campo, em que se pode ver a torcida ao fundo; ou atrás do gol, quando se tem a perspectiva do goleiro. Mas quem assiste a uma partida quer ver o todo, acompanhar a movimentação dos jogadores – detalhes geralmente são mostrados nos replays.

Bem, é apenas a minha opinião, sujeita a futuras revisões. Naturalmente, os fabricantes e as emissoras pensam diferente. Acabo de saber que nos EUA a Sony está lançando os novos TVs Bravia 3D (de 46″, 50″ e 60″) justamente agora, quando começa a temporada de futebol americano, na crença de que será um grande estímulo ao consumidor que é fã do esporte. Pode ser. Mas, como diz este artigo, os constantes movimentos dos atletas num campo ou numa quadra podem sofrer com o efeito blur, aquele rastro que fica na imagem em tomadas panorâmicas de ação. Vi, por exemplo, trechos de um jogo de golfe que são espetaculares – mas, claro, não se trata de um esporte particularmente movimentado.

De qualquer maneira, todos no encontro concordamos que os videogames serão, pelo menos nesta fase inicial, o grande impulsionador dos TVs 3D. Nesse aspecto, o lançamento oficial do PlayStation 3 no Brasil acaba sendo uma boa jogada, ainda mais que a Sony já liberou a atualização para jogos 3D e promete fazer o mesmo para filmes em breve. Realmente, a sensação de imersão num game em 3D é total. E, diferentemente de um filme ou programa de televisão, quem está concentrado num jogo quer mesmo é isso – ficar imerso na ação, sem que ninguém o atrapalhe (que meu filho não me ouça…)

Aqui na redação, estamos todos ansiosos para testar o Bravia de 60″ que a Sony lança em setembro (não sei se é o mesmo dos EUA), que será ideal para avaliar essas “novas” qualidades do PS3. Lucio Pereira, da Sony, me garante que essa linha de TVs é especial, com 12 processadores 3D se comunicando com os óculos ativos, cujo design bloqueia a visão lateral do jogador, de modo que ele se concentra totalmente na tela. Outra novidade boa para os gamers é que o TV virá com três jogos novos. E em breve chega ao mercado o controlador PS Move, semelhante ao do Wii, só que para jogos em alta definição.

TV 3D e o nosso cérebro

Estive ontem no Congresso da SET, participando de um seminário intitulado “3D na Casa do Consumidor”. Foi ótimo não apenas ouvir especialistas no assunto, mas também trocar ideias com os profissionais que assistiram ao encontro, um dos muitos que fazem parte do evento – aliás, temos ainda mais dois dias de Congresso, e recomendo a todos que trabalham na área.

Interessante descobrir, por exemplo, que tanto as emissoras (no caso, representadas por Gustavo Marra, da área de tecnologia da Globo) quanto os fabricantes (estava presente Lucio Pereira, da Sony) concordam que os excessos podem prejudicar a experiência 3D. Explico: os efeitos do tipo “pop-up”, em que personagens e objetos parecem sair da tela, são muito legais por alguns minutos, mas quando repetidos várias vezes acabam cansando o espectador. Por outro lado, a sensação de profundidade proporcionada por uma boa gravação em 3D é extremamente envolvente, a ponto de fazê-lo sentir-se mesmo “dentro” da ação.

Como se sabe, as projeções 3D exigem muito do cérebro, que precisa processar duas imagens simultâneas. Quando, além disso, partes da imagem se movimentam na direção do espectador como se fossem cair sobre sua cabeça, o esforço cerebral é ainda maior. Como o efeito tridimensional é obtido a partir da geração de várias camadas de imagem, que são sobrepostas para dar a sensação de profundidade (que é como o olho humano enxerga as imagens reais), não há necessidade de exagerar nos pop-ups – até porque, na vida real, ninguém pula para cima de você o tempo todo, certo? Como lembrou um dos participantes, Avatar – o filme de maior sucesso de todos os tempos – tem imagens de muita profundidade, mas praticamente nenhum pop-up.

Como curiosidade, lembro aqui uma historinha contada pelo Gustavo que arrancou risos da plateia. Referia-se ao executivo de uma empresa asiática que, diante da argumentação de que muitas pessoas sentem desconforto com as imagens em 3D, saiu-se com esta pérola: “É ótimo para elas, assim podem exercitar mais seus cérebros”.

Será que algum fabricante usaria esse argumento na propaganda de um TV 3D? De qualquer maneira, continuamos aprendendo muito sobre essa tecnologia fascinante. Em futuros posts, vou tentar passar aqui mais detalhes.

Blu-ray a R$ 29,90. Acredite.

Levei um susto quando entrei na loja virtual DVD World esta semana e encontrei filmes em Blu-ray por R$ 29,90. Achei que tinha algo errado, talvez fossem “duas parcelas de R$ 29,90”, como vi no Submarino, por exemplo. Mas não, é isso mesmo. Lá estão filmes bem cotados, como Sherlock Holmes, Alice no País das Maravilhas, Os Infiltrados e Cães de Aluguel, por esse preço (desculpem, corrigindo: somente o último está por R$ 29,90). São exceções – no geral, os preços variam entre R$ 49,90 e R$ 89,90. Mas convenhamos que é um bom começo. Com uma boa oferta de filmes abaixo dos 30 reais, acho que o Blu-ray finalmente emplaca, agora que os players também estão caindo de preço. Pode ser a grande surpresa do próximo Natal.

Quando a repetição é boa

O competente e bem informado jornalista Daniel Castro, especializado nos bastidores da televisão, levantou esta semana uma boa discussão sobre o hábito dos canais de TV paga de repetirem exaustivamente alguns filmes. A partir de um debate que houve durante o Congresso da ABTA, Castro questiona essa política que é tão criticada pelos assinantes. Já comentei o assunto aqui, mas a polêmica é interessante: será mesmo que a repetição é um problema?

“Se fosse, cairia a audiência, e não é o que temos visto”, defende-se Bianca Maksud, gerente da Globosat. Ela, como todas as programadoras, diz que a repetição é uma característica do serviço de TV por assinatura, em que o usuário pode se programar para assistir aos conteúdos oferecidos no horário que lhe for mais conveniente e, assim, acrescento eu, deixar de ser “escravo” das grades da TV aberta. Mas não apenas isso. Fernando Medin, da Discovery, garante que muitas vezes a repetição dá mais audiência do que uma nova atração.

Certo, há exageros. Já vi filmes serem repetidos oito ou dez vezes ao longo de uma semana. Mas essa história me fez lembrar de uma frase que ouvi anos atrás, quando o mercado de videolocadoras estava no auge: filme novo é aquele que você ainda não viu! Isso mesmo: se você jamais assistiu a, digamos, Casablanca ou Cidadão Kane (só para ficar com os dois melhores de todos os tempos), então eles são novos.

Calma, não vamos levar essa discussão tão a sério. Por infelicidade, citei dois filmes que pode-se perfeitamente assistir oito ou dez vezes sem cansar. Não é o caso da maioria das produções recentes. De qualquer modo, não invalida meu raciocínio: viva as repetições!!!

Em busca de algum defeito

Uma das tarefas de quem analisa equipamentos é procurar, pacientemente, por eventuais falhas nos produtos. Mal comparando, é mais ou menos como um mecânico ao fazer a revisão geral de um automóvel: se não encontrar nada de errado, é porque tem algo de errado. Claro, estou exagerando. Mas foi essa a sensação de nossa equipe, esta semana, quando recebemos para teste o novo TV de plasma da Samsung, de 63″. De cara, já deu pra perceber que trata-se de um produto soberbo, no acabamento e nos recursos que oferece. As primeiras imagens foram empolgantes, e por experiência sabemos que podem ser enganosas. Mas, se não é o melhor TV que já testamos, está bem próximo disso.

Em breve, conto aqui mais detalhes. Como aperitivo, vejam este vídeo.

O avanço da TV Digital

Falando em tecnologia de televisão, conversei hoje por telefone com Raymundo Barros, diretor da TV Globo-SP e um dos responsáveis pelo Congresso da Set, e ele deu notícias para mim surpreendentes sobre TV Digital. Segundo o monitoramento da emissora, nada menos do que 72% dos domicílios localizados nas cidades onde o sinal digital já chega estão recebendo perfeitamente a programação.

O velho problema das chamadas áreas de sombra, se não foi resolvido de todo, caminha rapidamente para isso. Nos locais problemáticos, estão sendo instalados o que se chama tecnicamente de gap fillers, que são retransmissores para reforço de sinal. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, sempre foi um desafio devido a sua topografia. O bairro de Copacabana nunca conseguiu ter uma recepção analógica de qualidade, diz Raymundo. Agora, com os retransmissores digitais, o problema ali não existe mais.

As 36 emissoras da Globo adotaram o sistema de gap fillers, o que significa que em todas as praças onde chega o sinal a recepção deve ser perfeita – como se sabe, o sinal digital é estável e deve chegar inteiro ao televisor; quando há problema, a transmissão simplesmente é interrompida e não se vê nada na tela. Segundo o Fórum SBTVD, mais de 50% das residências brasileiras já recebem esse sinal, sendo que cerca de 5 milhões têm acesso à alta definição.

“Podemos dizer que temos a melhor TV Digital do planeta”, garante Raymundo.

Televisão para quem entende

Vai ser no dias 24 a 27 de agosto a edição 2010 do Congresso Brasileiro de Tecnologia de Televisão, que acontece simultaneamente à feira Broadcast & Cable. Organizado pela SET (Sociedade de Engenharia de Televisão), este é o evento mais importante para os profissionais do setor. A programação está excelente. Alguns tópicos:

*Desafios Técnicos da Interiorização do Sistema Brasileiro de TV Digital (com estudos de caso)

*Como Desenvolver os Mercados de Mobilidade e Portabilidade

*Produção e Distribuição de Áudio Multicanal

*Aplicações e Produtos para Interatividade (com suíte de testes)

*Captação, Pós-Produção e Distribuição em 3D (a experiência na Copa)

*Televisores na Era da Convergência (Broadband TV)

*As Novas Plataformas de Vídeo sob Demanda

*Cinema Digital 3D e 4K

É só um resumo. Dêem uma olhada na grade completa.

Mudança de endereço

Roberto Molnar, um dos empreendedores mais experientes do mercado, avisa que está de casa nova. Sua empresa atende agora à Rua Sepetiba 416, e o novo telefone é (11) 3819-4575. Seguindo uma tendência que acho irreversível no Brasil, Molnar ampliou o foco de ação de sua empresa: além de projetos de home theater, passa a trabalhar também com iluminação, cabeamento estruturado, telefonia, redes de internet e WiFi e sistemas de segurança. Boa sorte!