Archive | setembro, 2010

Revivendo a História

O Arquivo Público do Estado de São Paulo liberou o acesso digital a uma preciosidade histórica: o que restou dos arquivos do extinto jornal Última Hora, o mais vendido do Brasil no período entre 1950 e 1964. Ao descobrir o link (clique aqui), fui correndo dar uma olhada nas imagens que mostram fotos marcantes e algumas das capas do jornal, que ficou famoso por dar apoio aos presidentes Getulio Vargas e João Goulart – e que acabou vencido pela ditadura militar. Seu fundador, Samuel Wainer, foi um dos jornalistas mais polêmicos do País. Morreu em 1980, quando era colunista da Folha de São Paulo (sua história é detalhada no livro “Minha Razão de Viver”, escrito em 2005 pelo jornalista Augusto Nunes, em colaboração com sua filha, Pinky Wainer).

Ao ver as páginas da UH, lembrei de uma saborosa história contada pelo jornalista Moacir Japiassu, ocorrida nos anos 50, quando o presidente da República era Juscelino Kubitscheck, o famoso “JK”. Wainer havia estabelecido uma rígida diagramação da primeira página do jornal, com chamadas curtas e fortes, apelando para o sensacionalismo. Ao dar notícia sobre uma crise diplomática entre o governo brasileiro e a ONU, no espaço exíguo de 3 linhas com apenas 3 caracteres cada, o redator saiu-se com esta:

JK:

ONU

NÃO

Um primor de síntese, que ilustra bem a criatividade que foi marca registrada do jornal.

Jogos em 3D (e filmes também)

A Sony cumpriu sua promessa e liberou na semana passada a atualização do PlayStation 3 para reproduzir também filmes Blu-ray em 3D (o upgrade para jogos já havia saído em junho). Quem já possui o aparelho só precisa agora adquirir um TV compatível. Não é coincidência que a LG esteja lançando, quase simultaneamente, seu primeiro monitor 3D, de 23 polegadas (foto). Ao custo final de R$ 1.199, o aparelho é compatível com o novo kit 3D Vision, da NVidia (óculos + placa GeForce). Só que o kit tem que ser adquirido à parte: mais R$ 699. É a tecnologia 3D começando a se espalhar. “Estamos no início de uma revolução”, diz o presidente da NVidia no Brasil, Richard Cameron.

Um único probleminha, sobre o qual até já pedi um esclarecimento à Sony: segundo o site americano Examiner, a atualização do PS3 – identificada como firmware 3.50 – desabilita recursos da conexão USB, impedindo que o usuário ligue ali aparelhos de outras marcas. O site lembra que uma atualização anterior (firmware 3.42) impede o desbloqueio do aparelho para rodar jogos piratas. Comentando o assunto, o site PC World, relata o alerta que a própria Sony postou em seu site na semana passada: “A Sony pede que os consumidores tomem cuidado quando comprarem controles wireless para PlayStation 3 de fontes não determinadas, uma vez que a qualidade, confiabilidade e segurança desses produtos não é conhecida, e, em alguns casos, pode ser perigosa. É possível alguns produtos falsificados pegarem fogo ou explodir, resultando em danos ao usuário, seu PlayStation 3, ou outras propriedades. Além disso, a Sony não dá suporte à funcionalidade continuada de controles falsificados ou não licenciados em atualizações de software, e esses aparelhos podem parar de funcionar em razão de updates de software do sistema.”

Se for verdade, será a negação do princípio básico da conexão USB, cuja sigla quer dizer “conexão serial universal”. Universal, sim, mas só para produtos Sony? Vamos aguardar a explicação oficial da empresa.

Fazendo o bem, pela web

Sob o título “O hacker do bem”, o Estadão de domingo trouxe interessante reportagem sobre Pedro Markun, um rapaz de 24 anos que – ao contrário de muitos de sua idade – prefere usar a internet não apenas para se divertir, nem espalhar vírus ou piratear conteúdos alheios, mas para propagar causas nobres. Uma delas: criar uma espécie de clone do “Blog do Planalto” em que, ao contrário do original, as pessoas podem comentar as notícias. Sim, é verdade, o governo brasileiro deve ser um dos poucos do mundo que mantém um blog que não é blog, apenas um informativo para inglês ver. Bem, mas essa já é outra história.

O fato é que Pedro conseguiu, a partir de seu interesse pela web, reunir em torno de si várias pessoas que procuram executar atividades úteis para a comunidade usando seus conhecimentos sobre novas mídias. Foi dele, por exemplo, a iniciativa de criar um site para ajudar as vítimas das enchentes do ano passado em Pernambuco e Alagoas. “A tecnologia só tem relevância se servir para alguma transformação social”, diz ele, sabiamente. É o chamado “web-ativismo”, que no caso já deixou de ser mera militância para se tornar uma atividade profissional – a empresa de Pedro presta serviços a ONGs, universidades e outras empresas, sendo remunerada por esse trabalho.

É vendo iniciativas como essa que se chega à conclusão de que, apesar das aparências, nem tudo está perdido.

Novo modelo de negócios

No livro “Free – Grátis”, o jornalista americano Chris Anderson – também autor do clássico “A Cauda Longa” – diz que no futuro todos os produtos acessíveis pela internet serão gratuitos para o usuário; a conta será paga por empresas que queiram pegar carona nas novas mídias. Pois a LG e o Portal UOL acabam de criar um novo modelo para viabilizar a expansão da internet no Brasil – um caminho para a tal universalização da banda larga. Nada a ver com o PNBL, do governo.

É simples: o Bradesco vai pagar a conta. O banco assinou contrato para patrocinar, durante um ano, os conteúdos oferecidos pelo UOL para quem tiver um dos novos TVs LG que dão acesso à internet. Esses conteúdos são diferentes dos que normalmente se encontram no portal. A LG diz ter pesquisas indicando que o recurso é um dos principais atrativos para a venda de televisores. E essa é apenas uma das novidades que a empresa prepara nessa área.

A experiência do áudio 3D

Recentemente, a Dolby Labs anunciou um novo software para processamento de áudio em conteúdos 3D para cinema. Parece interessante. As demos aconteceram durante o evento IBC (International Broadcast Convention), realizado na Holanda. Não é só no campo das imagens que essa tecnologia evolui. Vejam aqui como funciona. Agora, o colega Vinicius Barbosa Lima me envia o link para um site inglês chamado 3D60, que também merece ser apreciado. Pelo que entendi, a partir de fontes de áudio estéreo eles conseguem criar uma experiência multiespacial; enquanto vê as imagens tridimensionais, o usuário é envolvido por sons que vêm de todos os lados, inclusive da região acima de sua cabeça. E isso, garantem os autores da ideia, independe do equipamento de reprodução: pode ser um cinema, um sistema de home theater ou até mesmo um fone de ouvido. Veja aqui a demonstração.

Cada um dá o que tem

O título acima, tirado de uma antiga pornochanchada, me veio à mente ao ler a notícia de que a EBC (Empresa Brasileira de Comunicação) – a estatal criada pelo governo para comandar a TV pública no País – contratou o jornalista Luis Nassif por R$ 180 mil para trabalhar como entrevistador. Não haveria nada de mais, não fosse o fato de Nassif ser hoje um dos principais propagandistas do governo Lula. No ano passado, ele já tinha sido contratado pela mesma empresa – e, como agora, sem licitação. Torna-se assim um prestador de serviços mais do que especial, embora não haja registro de recordes de audiência (ou de repercussão) em suas aparições.

Nassif, que se destacou como jornalista especializado em economia, há anos não encontra espaço na mídia. Montou uma agência de notícias que caiu em descrédito e acabou virando blogueiro daqueles que atiram para todos os lados; já andou dando palpite até na área de tecnologia. Com suas críticas ao governo FHC, caiu nas graças do PT e agora está tendo as devidas recompensas.

Pelo visto, é o que lhe resta.

Um golpe no Blu-ray

Demorou, mas enfim aconteceu: quebraram o código criptográfico dos players Blu-ray. A notícia é uma das mais comentadas do momento entre os entendidos. Na semana passada, um site americano de informática publicou o chamado código-mestre (Master Code), a seqüência numérica do padrão HDCP que, na forma binária, permite que um player identifique o disco e execute a reprodução. HDCP (High-Definition Copy Protection) foi a norma aprovada em 2004 por fabricantes de equipamentos e produtores de conteúdo, que permitiu o lançamento comercial do Blu-ray. Funciona (ou funcionava, até agora) como uma garantia para os estúdios de que somente discos codificados seriam reproduzidos, obrigatoriamente através de uma conexão digital (HDMI); sem saber o código, não há como piratear os discos.

Bem, como ficamos agora? Já li todo tipo de opinião. Desde de um irônico “Já vai tarde, HDCP”, até preocupações sinceras sobre como lidar com os milhões de discos e aparelhos que já estão no mercado. Na prática, repete-se a história do Macrovision, o código criptográfico que protegia os discos DVD: funciona durante algum tempo, mas um dia é descoberto. Hoje, com a rapidez da internet, na mesma hora milhares de sites e blogs pelo mundo afora replicam. A esta altura, já deve haver dezenas de “laboratórios” trabalhando em cima do tal código.

Na prática, as máfias chinesas e similares já sabiam como fazer, antes mesmo da divulgação na semana passada. Como se sabe, há inúmeros sites onde se pode fazer download ilegal de filmes em alta definição. Esses caras não fazem outra coisa a não ser hackear coisas alheias pois, afinal, vivem disso. Muito consumidor também deve estar comemorando. Falta agora saber como reagirão os estúdios de Hollywood. E, mais importante ainda, como se poderá proteger os direitos de autor, já tão arranhados.

Para quem quiser mais detalhes, recomendo um artigo publicado no site da BBC, em inglês, de autoria do especialista Bill Thompson. Outra boa explicação foi dada pela revista americana Computer World. E sugiro também a última coluna do excelente Pedro Dória, no Estadão, sob o título “Aberta a chave para a pirataria em alta definição“.

O IPTV da Telefonica

Temos falado aqui continuamente sobre os novos TVs que acessam a internet, uma tendência mundial, mas há um outro tipo de serviço que muita gente vai preferir – pois independe do televisor que se esteja usando. É uma versão atualizada do velho IPTV, conceito que surgiu anos atrás prometendo a fusão do computador com o TV. Agora, está se tornando realidade.

Na última feira da ABTA, em agosto, a Telefonica demonstrou o serviço On-Video (assista aqui), em que um conversor ligado entre o modem de banda larga e o TV faz a transferência de conteúdos da internet. Pagando R$ 19,90 por mês, o assinante da operadora recebe o aparelho em casa e pode passar a alugar filmes para download, por R$ 3,90 cada. É basicamente o mesmo conceito da AppleTV, que por enquanto não decolou nos EUA, e da GoogleTV, parceria da Google com a Sony prometida para o mercado americano até dezembro. Aqui, a Telefonica tem como parceiros da Livraria Saraiva, com seu acervo digital de filmes e o Portal Terra.

Vamos ver agora como reagirão os usuários.

De olho (sempre) na mídia

Uma das propostas deste blog é ajudar os leitores a se informar melhor. Não apenas sobre tecnologia, nosso principal assunto, mas sobre o País e o mundo, em geral. Em época de eleições, então, esse papel torna-se ainda mais importante, especialmente quando se encontram por aí tantos sites e blogs dedicados a manipular a informação, a serviço deste ou daquele candidato ou partido. Questionar, refletir, nunca acreditar apenas em uma fonte, procurar sempre o contraditório, para enfim consolidar uma opinião – estes são, ou deveriam ser, os procedimentos de quem realmente busca compreender, de modo honesto, os tempos em que vivemos.

Infelizmente, como se sabe, não é o que todo mundo faz. Ouso dizer que a maioria procura os meios mais fáceis: tomar partido com base em boatos, insinuações ou suposições; difundir apressadamente ideias ou conceitos sem analisar seus aspectos diversos (que sempre existem); adotar preconceitos, ainda que disfarçadamente ou subliminarmente; e, o pior, acusar sem provas, seguindo os mandamentos de um grupo, apenas para tirar algum tipo de proveito pessoal.

Com a força da internet, tornou-se mais ampla e rápida a difusão da informação. Mas não se alterou o principal, que é o conteúdo. Como já acontecia na mídia impressa, verdades ou mentiras podem ser espalhadas com a mesma velocidade. Por isso, o cuidado deve ser redobrado. Assinei esta semana, depois de refletir por dois dias, o Manifesto pela Democracia proposto por um grupo de empresários e intelectuais para se contrapor às críticas que o PT e o presidente Lula vêm fazendo à imprensa nas últimas semanas. Incomodados com as denúncias de corrupção que não param, integrantes do governo atual e partidários da candidatura Dilma Roussef acusam jornais e revistas de terem se transformado em “partidos”. Foi a forma que encontraram para responder às acusações, já que aparentemente não têm como desmenti-las.

Sim, tudo isso faz parte da democracia – tanto as críticas à mídia quanto o manifesto em sua defesa. Não são todos os jornais, revistas, sites e emissoras que denunciam os desmandos do governo; há muitos que os defendem, e até ajudam a encobri-los. Como diferenciá-los? Só mesmo buscando mais informação, de todas as fontes possíveis. Na reta final da campanha eleitoral, com os nervos atiçados, é natural que alguns percam o controle e falem ou escrevam o que não deveriam. Bem diferente é partir para acusações gratuitas, como a de que “há excesso de liberdade na imprensa” (by José Dirceu); ou “temos que extirpar a oposição” (by Lula).

São frases que cabem bem na boca de ditadores. Daí por que julguei importante assinar o Manifesto. Nunca é demais lembrar a frase do sábio Benjamin Franklin: “Melhor um país com imprensa ruim do que um país sem imprensa”. O que, traduzido para os tempos atuais, eu transformaria em: “Entre as maracutaias do governo e dos poderosos (feitas com o nosso dinheiro), e os erros da imprensa, prefiro mil vezes ficar com estes últimos”.

A propósito, o editorial de Primeira Página da Folha de São Paulo neste domingo sintetiza primorosamente esse pensamento. Não deixem de ler.

Tempo quente na automação

O clima desandou durante a CEDIA Expo, na semana passada em Atlanta, com a notícia de que a Savant, empresa emergente no setor de automação, está processando a Crestron, líder e mais tradicional empresa do segmento. O clima nos bastidores ficou irrespirável, com executivos das duas companhias olhando feio uns para os outros. Acusações de lado a lado eram ouvidas nos corredores da feira, numa prévia do que devem ser os próximos meses.

Resumo da novela: a Savant – que nasceu como uma espécie de “costela” da Apple, adotando o mesmo sistema operacional e os mesmos códigos para seus painéis de automação – acusa a Crestron de estar chantageando clientes para forçá-los a não vender sistemas da concorrente. “Vínhamos ouvindo esse tipo de reclamação há cerca de dois anos, mas nas últimas semanas o problema se tornou mais grave”, disse à revista Twice o fundador da Savant, Robert Madonna. “Não tínhamos escolha, precisávamos brecar essa prática, e ir à Justiça foi a única alternativa”.

Até o fim de semana, a Crestron negava-se a comentar o processo. Vamos aguardar os próximos capítulos.

Vem aí o Super WiFi

A FCC (Federal Communications Commission), equivalente americana da nossa Anatel, acaba de dar o primeiro grande passo para implantação em larga escala do novo padrão de conexões móveis que, na falta de definição melhor, está sendo chamado de “Super WiFi”. Na semana passada, o órgão anunciou que irá utilizar as freqüências vagas de televisão para concessões de banda larga móvel. “Pode ser uma nova revolução nas comunicações”, comentou o presidente da Dell Computers, Michael Dell.

Não é exagero. Usando o espectro entre 300 e 400MHz, a chamada “faixa branca”, empresas especializadas em comunicação sem fio podem criar redes de altíssima velocidade e muito maior alcance usando o padrão WiFi. Hoje, as conexões cobrem no máximo um raio de 100 metros; com o Super WiFi, isso sobe para 1,5 km! Empresas como Microsoft, HP, Google, Intel e Motorola, além da própria Dell, vinham pressionando a FCC a tomar essa decisão. Todas estão de olho no novo mercado, estimado em pelo menos US$ 12 bilhões por ano.

“É pouco”, comentou Dell para a agência Bloomberg. “As aplicações para essa nova tecnologia não têm limites”. Falta agora a regulamentação, mas nos EUA – bem diferente daqui – governo e empresas trabalham juntos para colocar a coisa em funcionamento no prazo mais rápido possível. Afinal, todo mundo tem a ganhar com conexões mais rápidas.

Até agora, não houve notícia de que o governo americano queira criar uma estatal para cuidar do assunto.

Embratel começa a decolar

Ainda sobre o mercado de TV por assinatura, o site Pay-TV diz que a Via Embratel é a grande estrela do momento. Com pouco mais de dois anos no segmento, deve alcançar 1 milhão de assinantes para o seu serviço via satélite antes do final de 2010. Levantamento da empresa de pesquisas PTS indica que entre o primeiro e o segundo trimestres a operadora cresceu 48%, contra apenas 9% da líder Sky. O site estima que a Sky detém 64% de market-share, com 19% para a Via Embratel e 17% para todas as outras somadas (Telefonica, Oi, NossaTV etc).

Certamente, a Sky irá reagir. O problema é que a empresa vive a expectativa de mudanças. Em junho, a Globo vendeu parte de suas ações para o grupo News Corp, do magnata Rupert Murdoch. A empresa brasileira, que tinha 26% de participação, agora tem apenas 7%. Murdoch estuda agora a melhor forma de explorar o crescente mercado brasileiro.

TV paga vai batendo recordes

Saíram os números do mais recente levantamento da Anatel sobre o setor de TV por assinatura. Nem sinal de esfriamento nas vendas, provando que a demanda reprimida era mesmo enorme. Agora que o pessoal tem um pouco mais de dinheiro, fazer uma assinatura torna-se irresistível. No mês de agosto, 248.879 novos domicílios se somaram às contas das operadoras, o que representa nada menos do que 142% a mais do que em agosto do ano passado. Com isso, o mercado atingiu a marca de 8,8 milhões de assinantes, contra 7,4 milhões em 2009 – e o ano ainda nem terminou.

O sistema DTH (TV via satélite) continua crescendo mais que o cabo. A explicação está no seu alcance: a maioria dos mais de 5 mil municípios brasileiros simplesmente ainda não foi cabeada. Não é à tôa, portanto, que as regiões Norte e Nordeste respondem pela maior expansão, com 62% e 40,8%, respectivamente. Amapá e Roraima, por exemplo, tiveram aumento de 106% no número de assinantes. Claro, a base de comparação é frágil (eram apenas 9,9 mil em agosto de 2009, no estado que tem, ao que consta, o governador mais corrupto do País; agora, são mais de 20 mil).

Além do aumento do poder de compra da população, outro fator que explica o fenômeno é a entrada em cena de duas grandes operadoras (Oi e Embratel), com preços convidativos para atrair as classes C e D com pacotes básicos. Por enquanto, não há números oficiais sobre a expansão dos serviços de HD, que visam basicamente as classes A e B.

Para ver os dados completos, clique aqui.

Nossos coreanos são melhores…

Recebemos hoje a visita de Moon-Soo Park e Kyuhoon Lee, da divisão de marketing de TVs LCD da LG Electronics. Ambos estão em viagem por vários países para conhecer melhor as publicações especializadas e seus critérios de avaliação dos produtos. Reconhecendo que seu grande concorrente atualmente é a Samsung, eles anunciam a chegada de uma nova linha de TVs que, segundo dizem, vai superar de longe o que existe hoje no mercado. Serão os Nano-LEDs que vimos na última IFA (vejam aqui o vídeo)? Nenhuma pista, por enquanto. Estamos todos curiosos.

Eu quero seu voto

Conforme se aproximam as eleições, nossas caixas postais vão sendo inundadas por mensagens de candidatos – alguns dos quais você nunca ouviu falar, certo? É o “spam eleitoral”, mais uma praga da internet, contra a qual não há muito remédio. Chegam também mensagens variadas defendendo esta ou aquela candidatura, algumas raiando a pura baixaria. Definitivamente, fica claro que a internet entrou na pauta dos candidatos, não para torná-la mais útil, mas para exacerbar o que ela tem de pior.

Um aspecto que me chama atenção nessa guerra de mídia é constatar como o país foi dividido entre os bons e os maus. De repente, se você faz alguma crítica, é automaticamente classificado entre os “maus”. Em vez de se questionar com algum argumento, parte-se para desqualificar o autor da crítica. Vê-se isso, aliás, todo dias nos jornais. Os escândalos que se sucedem são apenas um exemplo dessa atitude.

Infelizmente, a maioria da população vai votar no dia 3 sem saber nada sobre isso, nem ter a menor ideia do que seu voto representa. Basta ver quem são os favoritos nas pesquisas para deputado, senador etc. Essa é, de longe, a principal obra do governo Lula.

Escolha seu tablet

Enquanto aumentam os rumores de que a Apple está para lançar uma nova versão do iPad, outros fabricantes aceleram os planos para entrar nessa disputa, que promete ser emocionante. O The Wall Street Journal levantou nada menos do que sete concorrentes saindo do forno até início de 2011; e esqueceu-se de incluir dois (Toshiba e Motorola), que estão na mesma trilha. Além do iPad, já estão no mercado americano o Streak, da Dell, cujas primeiras resenhas não foram muito favoráveis (a tela tem apenas 5 polegadas, ou seja, é quase do tamanho de um celular); e o Archos 101, com 10,1″. Nesta quarta-feira, Michael Dell, dono da empresa de computadores, apresentou seu segundo tablet, com tela de 10″, ainda sem data para chegar ao mercado. Mas vejam só o que está vindo por aí:

FABRICANTE     MODELO        LANÇAMENTO   TAMANHO DA TELA

Samsung                 Galaxy Tab          Outubro/10                            7″

R.I.M.                      Indefinido            Out-Dez/10                            7″

Acer                         Indefinido            Out-Dez/10                           7″

Cisco                             Cius               Jan-Março/11                          7″

Asus                           Eee Pad           Jan-Março/11                    10″ e 12″

Lenovo                       LePad             Jan-Março/11                        10,1″

Toshiba                                Folio                            Dez/10                                        10″

Motorola                 Indefinido        Jan-Março/11                  Indefinido

Sharp, Sharp e mais Sharp

Vocês podem não acreditar, mas ainda continuo recebendo mensagens de leitores questionando o que aconteceu com a Sharp do Brasil. Pessoas que compraram aparelhos da marca há mais de dez anos, pagaram e não receberam, persistem na esperança de uma solução. Toda vez que menciono a marca aqui, vem uma leva de novas reclamações, ainda que a Sharp Corporation, do Japão, nada (ou quase nada) tenha a ver com o imbroglio que envolveu a família Machline, dona da empresa brasileira. Em 2008, como relatamos aqui, houve uma tentativa de reativar a marca, através do grupo japonês Mitsui, mas fracassou devido à desvalorização do real na época, com a crise internacional. O grupo perdeu muito dinheiro e aparentemente desistiu.

O resultado é o pior possível para quem comprou um aparelho Sharp lá atrás: simplesmente não há o quê fazer, nem mesmo recorrer à Justiça, já que a empresa não existe mais. E, pensando bem, depois de tantos anos é ingenuidade achar que alguma surpresa agradável possa acontecer. Lamentável.

Harman, sem contrabando?

Hoje, tivemos o evento de lançamento da Harman do Brasil, nova empresa que surge após a compra da gaúcha Selenium pelo grupo americano Harman. Como anunciado na semana passada, a cúpula da empresa – incluindo o CEO, Dinesh Paliwal – está no Brasil, entusiasmada com as perspectivas que o País oferece. “Não tem mais volta, é um processo irreversível”, me disse Paliwal. “Não importa quem seja o próximo presidente, a rota do Brasil para se tornar uma potência econômica já está traçada”.

Paliwal diz conhecer bem nosso país. Durante vinte anos, dirigiu a ABB, gigante suíça do setor de engenharia e automação pesada, com grandes negócios aqui. “Antes de tomar a decisão de investir no Brasil, conversei muito com presidentes de outras empresas que aqui estão. Passei muito tempo vindo para cá três ou quatro vezes por ano. E não tenho a menor dúvida: será um dos mercados mais importantes para nós daqui a dois ou três anos”.

Para dar ideia do entusiasmo, a Harman está investindo bastante na Expo Music, feira de equipamentos de áudio profissionais que acontece esta semana em São Paulo. “Vamos mostrar 75 produtos lá”, disse Paliwal. Quando perguntei sobre a estratégia de distribuição, especialmente sobre a questão do contrabando, ele passou a palavra a Blake Augsburger, diretor da divisão de áudio profissional do grupo. “Essa é uma preocupação nossa no mundo inteiro”, disse ele. “Todos os nossos produtos agora terão número de série, para que possamos rastreá-los. E teremos uma equipe aqui no Brasil para tratar diretamente desse problema, pois sabemos quanto isso pode prejudicar uma marca”.

Augsburger e o diretor da Harman do Brasil, Rodrigo Kniest (foto), deixam claro que a ideia é começar a fabricar em Manaus os produtos, para que tenham preços competitivos, o que por si só irá desestimular o mercado paralelo.

Em tempo: de início, o grupo só irá comercializar no Brasil suas linhas de áudio profissional e automotiva. Produtos para home theater ficam para uma segunda etapa.

Tablets vs. notebooks?

O presidente da Best Buy, Brian Dunn, causou no mínimo um mal-estar ao declarar no The Wall Street Journal de sexta-feira passada: “As vendas do iPad já reduziram em 50% o que faturávamos com netbooks e notebooks”. A ser confirmado, seria um dado crucial para o mercado americano; significaria que, como previam alguns especialistas, os tablets vão mesmo acabar com os computadores portáteis. Tanto que a frase foi replicada ao longo do fim de semana em centenas de jornais e sites pelo mundo afora. Afinal, a Best Buy é hoje a maior vendedora de eletrônicos do mundo. Mas, nesta segunda, Dunn soltou nota dizendo que foi “mal interpretado”. Sim, netbooks e notebooks continuam sendo um sucesso de vendas, apesar do impacto do tablet da Apple. Vamos ter que aguardar para saber se aquelas previsões estavam corretas.