Archive | setembro, 2010

Avatar 3D, só para um TV

A revista americana Twice, que cobre os bastidores da indústria eletrônica, está informando em seu site que somente proprietários de TVs 3D da Panasonic é que poderão assistir à versão 3D de “Avatar”, que sai nos EUA em dezembro. Se for confirmado, será – ao mesmo tempo – uma grande tacada da empresa e um golpe no consumidor.

Todo mundo sabe que a Panasonic ajudou a financiar esse delírio do cineasta James Cameron, que conseguiu a proeza de realizar o filme mais caro de todos os tempos e, também, a maior bilheteria de todos os tempos. Entrou, assim, duas vezes no Guiness. Cameron virou garoto-propaganda da Panasonic e da tecnologia 3D. Essa exclusividade agora no lançamento em Blu-ray deve fazer parte do contrato. A Panasonic americana deve estar achando que muita gente vai preferir comprar seus plasmas 3D, e não os TVs da concorrência, para ganhar uma cópia do filme. É uma aposta.

Mas, como quase tudo na vida, tem o outro lado. Quem já comprou um TV de outra marca tem o direito de sentir-se lesado. Ou não? Bem, dificilmente alguém irá reclamar, a menos que seja muito fã do filme. Curioso é que no Brasil tão cedo não vamos ter nem uma coisa nem outra: a Panasonic ainda não confirmou se irá mesmo lançar seus TVs 3D este ano; e o Blu-ray 3D de “Avatar” certamente ainda vai demorar…

Tudo que você quiser saber…

Um problema nos servidores do UOL tirou do ar ontem o site da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL (www.hometheater.com.br) e o BLOG DA REDAÇÃO (www.planetech.com.br). Era feriado, e ninguém conseguiu resolver o problema até hoje de manhã. Lamentável que isso tenha acontecido em plena cobertura de um grande evento internacional, como é a IFA 2010. Dentro do site da revista está o hot site “IFA 2010”, com todas as informações (textos, fotos, vídeos etc.) que estamos produzindo aqui em Berlim, muitas delas exclusivas. Vários dos assuntos que estamos comentando aqui têm vídeos e fotos ilustrativos lá no hot site. Vale a pena dar uma olhada, assim que os servidores voltarem a funcionar.

Infelizmente, o único remédio agora é pedir desculpas aos leitores, que são os maiores prejudicados. E torcer para que o UOL resolva logo o problema.

Existe TV inteligente?

A pergunta acima pode parecer descabida, mas tem a ver com a incrível disputa de mercado entre as coreanas Samsung e LG. Ambas têm crescido de modo impressionante no mundo inteiro, com base em produtos inovadores e uma agressividade mercadológica aparentemente inesgotável. Aqui na IFA 2010 não está sendo diferente. Seus estandes estão entre os maiores e mais bonitos do evento, a quantidade de produtos que exibem é quase incalculável e – não pode ser apenas coincidência – ambas definem suas novas linhas de televisores como “Smart TVs”.

Embora a Samsung tenha hoje o maior faturamento mundial entre os fabricantes de eletroeletrônicos, sua disputa com a LG (ambas são antigas rivais na Coréia) é equilibradíssima. Como no Brasil não há estatísticas confiáveis, não se pode afirmar qual das duas lidera qual segmento de mercado. Pensando bem, isso nem importa muito. Chama atenção a forma como se posicionam junto ao consumidor, sempre apresentando seus produtos de forma original – ainda que, na prática, não sejam propriamente novidades.

No caso dos tais “smart TVs”, acompanhem os detalhes. Tanto LG quanto Samsung definem dessa forma os televisores de plasma ou LCD que consomem menos energia e acessam a internet. Para diminuir o consumo, ambas dotaram seus aparelhos de sensores de luminosidade, que diminuem automaticamente o brilho da tela quando a iluminação ambiente não exige brilho intenso. Ambas também mantêm seu apoio à tecnologia de plasma, já abandonada por Philips, Sony, Toshiba e outros. E ambas caminham para deixar para trás os LCDs convencionais, o que deve acontecer em breve: todos os TVs desse tipo passarão a adotar backlight de led.

A semelhanças se repetem quando se analisam as novas linhas de players Blu-ray e sistemas integrados de home theater. A tendência é que os players se unam aos receivers ou processadores num só módulo; e, nas duas marcas, as linhas de sistemas para HT adotam visual futurista, que combina com os TVs de tela fina.

Na verdade, aqui na IFA a LG este ano está causando mais barulho, graças a duas novidades que já comentei aqui: os TVs LCD Nano-LED, que são mais finos e com melhor contraste do que os LCD-LEDs comuns; e os displays OLED, apontados como tendência para os próximos anos, mas que a LG promete lançar comercialmente já em 2011. Mas a IFA é só uma batalha: a guerra entre as coreanas, pelo jeito, vai continuar.

Batalha do 3D vai esquentar

Comentei aqui outro dia sobre os novos planos da Sony para o mercado brasileiro em relação ao 3D. Pois agora é a Philips. Assim como sua velha rival japonesa, a empresa holandesa promete agora ser mais agressiva – não em termos de preço, mas pelo menos com uma linha de produtos mais ampla e cheia de inovações. A começar do TV Cinema 21×9 (foto), que finalmente chega ao Brasil em outubro na sua nova versão (chamada Platinum), a mesma que está sendo lançada na Alemanha este mês. Sim, é um TV LCD-LED 3D, de 58 polegadas, e com avanços como interatividade (é compatível com o padrão DTVi), acesso à internet e protocolo DLNA para conexões sem fio. Já testamos o modelo convencional e todos na nossa equipe ficaram impressionados. Este agora, que vimos aqui na IFA em demonstração (o que é bem diferente de um teste), também parece ser excelente. Vamos ver.

Conversei ontem com Marcelo Natali, gerente de produto da Philips, que me confirmou os planos ambiciosos da empresa para o Brasil, que está entre os cinco mercados mais importantes para o grupo no momento. A briga deve ser boa com Samsung, LG e Sony, os outros três fabricantes que estão entrando forte no segmento de 3D (a Panasonic também promete fazê-lo antes do final do ano). O lançamento do Cinema 21×9 3D em prazo tão curto (em relação à Europa) prova que é verdadeira a prioridade da Philips ao Brasil. E vem muito mais por aí.

“Todos os novos TVs terão interatividade, DLNA e acesso à web”, diz Natali. E não são poucos. Haverá opções em LED Edge e Direct LED (este também conhecido como “Local Dimming”). Só não vai ter a tão polêmica conversão 2D/3D: a Philips não acredita que o resultado desse processo hoje seja satisfatório em termos de qualidade de imagem. E torce, é claro, para que o mercado seja abastecido o quanto antes com uma boa quantidade de filmes em 3D. Mais detalhes aqui.

Quem disse que Mac não falha?

Quem disse, mentiu. O meu travou feio neste domingo, quando tentava transmitir meu material da IFA para o Brasil. Meus poucos cabelos quase se foram todos… Troquei de notebook há três meses, na crença de que essas coisas só acontecem com quem tem Windows. Agora, fico na dúvida: amigos mais experientes no assunto me disseram que nem adianta levar para a Apple do Brasil, apesar de o aparelho ainda estar na garantia. Me recomendaram tentar algo com uma revenda autorizada Apple aqui na Alemanha. Será possível?

Depois, conto o desfecho.

O grande irmão do Google

Mesmo sem participar oficialmente da IFA, o Google está presente, digamos, “em espírito”. É impressionante como essa empresa fez de todo mundo seus dependentes, mesmo aqueles que a criticam. O chefão da Sony, Howard Stringer, anunciou com toda pompa, aqui na IFA, que sua empresa aumentou seu poder de fogo ao fechar, no início do ano, um acordo de exclusividade para implantar o projeto GoogleTV. E o chefão da Google Inc., Eric Schmidt, é aguardado em Berlim para 4a. feira, quando deverá fazer o discurso de encerramento da feira.

Pois bem. Fui procurar no estande da Sony onde estavam demonstrando o tal GoogleTV, também chamado de “Sony Internet TV”. Só não dei com a cara na porta porque não havia portas no estande. Era uma salinha minúscula e discreta, apenas com três TVs mostrando imagens de internet (foto) onde o logotipo “Google” sempre aparece. O rapaz que me atendeu mal soube dizer o que estava fazendo ali. O coitado era um alemão daqueles que, ao falar inglês, trocam o “TH” pelo “Z” e o “W” pelo “V”, resultando em coisas como “zey vant” (they want).

Sobre o GoogleTV, perguntei ainda a umas três pessoas da Sony e ninguém soube dar mais informações além das que já lemos por aí. Trata-se de um projeto “revolucionário”, que vai “mudar a forma como todo mundo assiste televisão”, mas nada além disso. Como funciona? Vou poder navegar usando o controle remoto? Os filmes serão de graça, como a Google faz com os vídeos e os livros? Vão encher minha televisão de anúncios? É bom lembrar que a Apple está quase abandonando seu projeto AppleTV por falta de apoio dos fornecedores de conteúdo.

É a velha história: televisão e internet são duas mídias bem diferentes. Como diria meu amigo alemão: “Vót end ven zey vil lanch, nizer zey ken zei”. Traduzindo: “What and when they will launch, neither they can say”.

Esse não é para minha mãe…

Interessante a forma como os fabricantes – ou pelo menos alguns deles – tratam aquilo que os marketeiros chamam de “posicionamento”, ou seja, como um produto é colocado no mercado, a que preço e visando qual público. Aqui na IFA, tive oportunidade de conversar com Emmanuel Guerritte, um alemão que é responsável pela área de tablets da Toshiba na Europa. Como se sabe, os tablets são a bola da vez para a indústria, depois do estouro do iPad. Já vi uns 15 modelos, inclusive diversos chineses (na verdade, todos são chineses, variando apenas a marca “oficial”).

Mas, voltando à Toshiba, Guerritte me apresentou a nova versão do Libretto, o único tablet (até agora) que tem duas telas, o que teoricamente amplia as possibilidades de uso – você pode, por exemplo, trabalhar numa enquanto na outra sintoniza um canal de TV online; ou ampliar as imagens para ocupar as duas telas. Cada uma tem 7″ e, portanto, na teoria o aparelho pode se transformar num monitor de 14″. Nada mau, certo?

Bem, nem tanto, me disse Guerritte. “Esse não é um produto feito para minha mãe. É preciso entender um pouco de computador para poder usá-lo”. Segundo ele, o Libretto nem deve ser chamado de tablet; a própria Toshiba está lançando aqui na IFA o Folio, este sim um concorrente direto do iPad. O Libretto seria mais um netbook avançado, com tela de toque e teclado virtual. Nos EUA, custa em torno de US$ 1.100, ou seja, preço de um bom notebook. Mas não se engane pelo tamanho: é um player multimedia, para ler, jogar, ver vídeos, ouvir música e, é claro, navegar sem fio (WiFi N). Assistam aqui ao vídeo que fizemos.

OLED: será que agora vai?

O pessoal da LG parece que não está brincando quando diz que agora a tecnologia OLED decola de vez. Aproveitando que a Sony saiu da corrida (pelo menos temporariamente), os coreanos se adiantaram e estão mostrando aqui na IFA dois modelos: de 15″ e 31″ (foto acima). Ambos com imagens em 3D! E mais: anunciam que pelo menos um deles estará à venda a partir de março nos EUA e nos principais países da Europa. Preço estimado: 9 mil dólares, se for o modelo de 31″.

Conversei com dois gerentes da LG que estavam no estande e ambos – discretamente, como sempre fazem os coreanos – disseram que essa previsão é otimista. Os produtos devem estar à venda lá pelo meio do ano. Mas é provável que na CES, em janeiro, a empresa demonstre outros modelos. O certo é que decidiu mesmo investir no OLED, como anunciamos aqui tempos atrás, acreditando que esse é o futuro dos displays abaixo de 40″. Para os maiores, eles acham que LED e plasma ainda vão reinar por muito tempo. Aliás, em outra parte de seu estande a LG está exibindo o que chama de “maior TV LED 3D do mundo”, com 72″ (vejam nesta outra foto).

Segurando o queixo!

Como todos devem imaginar, é impossível ver tudo que está em exibição num evento como a IFA. São 28 prédios, alguns deles com dois ou três andares!!! Na primeira vez em que estive aqui, até que tentei. Mas, doce ilusão… Normalmente, no primeiro dia faço uma lista das empresas mais importantes, localizo seus estandes no mapa da feira e procuro seguir o roteiro. É uma forma de racionalizar o tempo e a energia. Mas nem sempre dá certo.

Algumas coisas, a gente encontra por mero acaso. Exemplo foi o videowall da Sharp, uma empresa que eu nem ia visitar, já que abandonou o mercado brasileiro e nem deu mais sinal de vida. Em todas as feiras, seus estandes costumam ser maravilhosos, mas desta vez eles extrapolaram. O videowall, logo na entrada, é de cair o queixo! Como estava com pressa, fiz apenas uma foto no local (vejam aí). Tem um painel de energia solar (simulado), dando a false impressão de que as telas são alimentadas dessa forma.

Agora, vejo no site inglês TechRadar os detalhes de como tudo foi montado. É um primor de engenharia e planejamento. Vou tentar voltar lá, para ver com meus próprios olhos. Mas recomendo que dêem uma olhada nas fotos.

Humor sem censura

Uma pausa nas notícias da IFA para comentar a decisão do STF de liberar as críticas aos políticos (o TSE havia proibido). Era mesmo um absurdo ver esse tipo de censura em pleno século 21, e tantos anos após o fim da ditadura. Bem típico do clima atual no Brasil, onde políticos e governantes querem censurar a mídia sempre que são apanhados “no flagra” (e isso acontece a toda hora). Sem me estender muito, cito aqui apenas o comentário de Marcelo Tas, do CQC, no site Comunique-se, a respeito do assunto: “Vejo no Brasil o quanto a sociedade é ‘bunda mole’. As pessoas reclamam, mas não fazem nada para mudar o que está errado”.

O irmão mais fino do LED

Não tem jeito: os fabricantes de LCD continuam em sua busca incessante de um milagre que faça essa tecnologia superar o plasma. Com os backlights de led, chegaram mais perto. Agora, a novidade chama-se Nano-LED e está sendo demonstrada aqui na IFA pela LG. Pelo que me explicaram dois técnicos da empresa coreana, trata-se de uma maneira mais eficiente de espalhar a luz por trás do painel de cristal líquido – digo, mais eficiente que os dois processos usados nos modelos atuais: edge-lit (em que os leds luminosos ficam nas bordas do painel) e local-dimming (os leds são montados na própria superfície do painel).

E como funciona? No backlight Nano-LED, como o próprio nome indica, os leds são menores, praticamente do mesmo tamanho dos pixels que formam a imagem. Cada pixel, portanto, é iluminado individualmente; a intensidade e estabilidade da luz é controlada via processadores, num método que a LG chama de “Micro Pixel Control”. Combinando essa tecnologia com a freqüência mais alta na atualização da tela (400Hz, nos modelos produzidos para a Europa; 480Hz para Brasil e EUA), tem-se uma taxa de contraste mais alta e uma definição de cores mais perfeita.

Ah! Sim, uma informação que para a LG não é mero detalhe: com esses micro-leds, consegue reduzir ainda mais a espessura dos TVs. Os modelos da LEX8, que estão aqui na IFA (vejam a foto), tem apenas 0,88cm. A imagem realmente é impressionante. Mas, como isso acontece em todas as demonstrações, vamos ter que esperar a chegada dos Nano-TVs ao mercado para saber se tudo isso que está sendo divulgado bate com a realidade.

A propósito, vejam também um vídeo que está no nosso hot site IFA 2010.

Um concorrente para o iPad

Será possível? Sim, é o que dizem os especialistas. Parece que a Samsung conseguiu algo que só mesmo a Apple em seus grandes momentos: atrair a atenção mundial para o lançamento de um produto. Hoje, aqui na IFA, não se falava de outra coisa – o Galaxy Tab, nome do tablet que a empresa coreana vai lançar para concorrer com o iPad. Experimentei o bichinho por alguns minutos (havia uns 30 jornalistas brigando por ele, em vários idiomas), e tenho que confessar que dá vontade de colocar no bolso e levar para casa (vejam na seção de vídeos do nosso hot site). É um pouco menor (tela de 7″) e mais leve que o iPad e carrega muito mais funções: funciona como telefone e também como câmera, coisas que o iPad não tem (por enquanto). E não depende da instabilidade do Windows, pois usa Android, que sinceramente nunca experimentei. Agora, parece um irmão menor do tablet da Apple – sei não se Steve Jobs não vai ter um chilique e processar a Samsung por “cópia de design”, ou algo assim.

Falta saber agora: quanto vai custar (a Samsung não informa) e como se dará na prática. Se for tão bom quanto o concorrente, teremos aí uma boa briga. Amanhã, falo sobre o tablet da Toshiba, que também vi. E devem vir outros aqui na IFA. Fiquem ligados.

Trem aqui não precisa de bala

Tenho lido a respeito dessa história de trem-bala ligando Campinas ao Rio de Janeiro, e lembrei disso hoje, quando estava no trem a caminho da IFA. É um trecho curto a partir do hotel onde estou hospedado: apenas quatro estações, que o trem percorre em exatos sete minutos. Digo exatos porque fiquei marcando no relógio ontem, e hoje de novo: nem um minuto a mais ou a menos. Na estação, o aviso com a escala de horários dos trens é mais ou menos assim: 10h37, 10h43, 10h48… Cada trem tem um destino, mas todos chegam exatamente no horário que devem chegar.

Bem, mas o que isso tem a ver com o “nosso” trem-bala? A simplicidade. Já andei muito de trem na Europa, e um pouco também no Japão. Tive a oportunidade de experimentar trens de alta velocidade em vários países. É realmente espetacular. Mas, com o perdão do trocadilho fora de hora, acho que é muita melancia para o nosso caminhão (ou trem?) brasileiro. O metrô de São Paulo é provavelmente um dos mais limpos e confortáveis do mundo, mas não leva grande parte das pessoas aonde elas precisam ir. O metrô de Nova York é horrível, mas lá ninguém precisa de carro: dá para ir de trem (que se liga com o metrô) a qualquer lugar que um novaiorquino precise (ou deseje) ir.

Desculpem a divagação, mas – como um dos milhões de motoristas que todo dia sofrem no trânsito paulistano – gostaria de ter apenas… um trem como este aqui de Berlim. Simples, sem “bala” nenhuma, mas que chega e parte na hora certa e leva as pessoas para onde elas têm que ir. Trem-bala pra quê? Se tivéssemos apenas uns trenzinhos decentes circulando pelas cidades brasileiras, com segurança e cumprindo bem os horários, já estaríamos felizes.

Guarde bem os seus óculos!

Conversei hoje, aqui na IFA, com um rapaz chamado Maarten Tobias. Ele é holandês e trabalhou durante alguns anos na Philips. Fez parte do grupo que vinha desenvolvendo os displays 3D autoestereoscópicos, aqueles que não exigem óculos. Quando a Philips decidiu, em 2008, que o investimento necessário para tocar o projeto adiante era muito alto (e a crise mundial estava no auge), Tobias e mais alguns colegas que perderam os empregos decidiram continuar com suas pesquisas. “Nós acreditávamos que ia dar certo, e continuamos acreditando”, diz ele.

Pois é, o problema é saber o significado exato da expressão “dar certo”. Tobias acha que para os TVs autoestereoscópicos chegarem até as casas dos usuários comuns vai levar pelo menos uns quatro anos. Ou seja, quem gosta de 3D vai ter que cuidar bem de seus óculos. Nesse meio-tempo, ele acredita que haja mercado nas empresas, escolas e órgãos de governo que precisam de monitores de alta precisão. É o que a Dimenco – empresa que ele fundou com seus amigos – está propondo agora à própria Philips. Se tudo der certo, os primeiros TVs desse tipo estarão sendo entregues no final do ano, para clientes selecionados.

Bem, o que posso dizer é que o efeito 3D sem os benditos óculos é bem menos estressante (fiz até um vídeo, que logo estará disponível no hot site que estamos produzindo sobre a IFA). A Philips deve estar mesmo animada, pois reservou um bom espaço em seu enorme estande para demonstrar a novidade. E deu-lhe o nome de “3D do futuro”. O segredo, segundo Tobias, está numa tela especial, do tipo lenticular, que é aplicada sobre o display e faz a imagem se dispersar em várias direções, gerando a ilusão tridimensional. Isso, porém, só se consegue com sinal de altíssima definição, e esse também é um complicador – produzir esse tipo de imagem custa muito caro.

Mas já é um começo. Curiosamente, a Toshiba – que segundo a imprensa japonesa seria a primeira a mostrar 3D sem óculos – deixou a atração para outubro, na CEATEC.

A melhor imagem do mundo

É uma pena que a maioria das pessoas talvez jamais tenha a oportunidade de ver uma imagem como a do plasma 4K (foto), que a Panasonic está exibindo aqui na IFA. Com suas 152 polegadas, é provável que o aparelho fosse impressionante mesmo com uma imagem “normal”. Mas a resolução 4K (4.096 x 2.160 pixels) é de cair o queixo. Já tínhamos visto em eventos anteriores, mas hoje, com as referências dos aparelhos recém-lançados, fica mais claro que o nosso Blu-ray, cuja imagem já é um espetáculo, ainda tem um longo caminho pela frente.

Importante: nas outras demonstrações, a Panasonic sempre deixou claro que o plasma gigante (antes, eram 150 polegadas) não seria lançado comercialmente tão cedo. Claro, você pode, se quiser, encomendar um para sua casa. No Brasil, vai lhe custar pouca coisa mais que R$ 200 mil… Mas agora é pra valer: o modelo de 152″, com 3D e tudo mais, está previsto para sair ao longo de 2011. Nem dá para imaginar o preço.

Mas não fique frustrado: a Panasonic está mostrando duas outras versões – uma de 103″ e outra de 85″. Com essa qualidade, é uma goleada de 3×0.

Detalhe: a foto não está lá essas coisas e, é claro, não é digna da qualidade do aparelho (no hot site IFA 2010, temos um vídeo do aparelho). O problema é que a tela é excessivamente brilhante, e numa feira os reflexos são inevitáveis. Ao vê-la, fiquei pensando como deve ser numa sala escura exibindo, digamos, Cantando na Chuva ou Blade Runner. Num TV como esse, devia ser proibido assistir filme que não seja bom.

Pra variar, só dá 3D

A Sony trouxe até Berlim o pianista chinês Lang Lang, seu contratado, que estrela um filme promocional sobre a tecnologia 3D. Logo após a exibição do vídeo, cheio de efeitos 3D, o músico surgiu em pessoa no palco, sentou-se ao piano e repetiu ao vivo as proezas que faz ao teclado e que todos tinham visto na tela. O rapaz parece um maluco ao piano, lembra alguém que está “recebendo um santo”…

Foi essa a forma que a empresa encontrou para chamar a atenção dos jornalistas presentes aqui na IFA. De longe, num auditório com mais de 200 pessoas, não há muita diferença entre a imagem real das pessoas e aquela que se vê no telão, em 3D. Tive que trocar o óculos duas vezes porque deu defeito. E confirmei que o acessório me incomoda muito – eu que já uso óculos de grau. A apresentação da Sony foi toda em 3D, com direito a trechos de filmes, jogos do PlayStation, animações etc. Poucas novidades em termos de produto. Uma delas é o primeiro projetor SXRD que reproduz imagens tridimensionais, modelo VPL-VW90ES (foto). No mais, apenas 3D, 3D, 3D…

Mas a Sony deu pelo menos três boas notícias. Confirmado que em outubro sai a atualização do PS3 para ser usado como player de filmes Blu-ray em 3D (por enquanto, só jogos). Confirmado também que a versão 3D de This Is It!, o sensacional documentário sobre Michael Jackson, virá com uma montagem especial do videoclipe Thriller – isso mesmo, aquele dirigido por Martin Scorsese, com as risadas assustadoras de Vincent Price e duração de 14 minutos, um marco do gênero – também em 3D. E, por último, confirmado que no início do ano chega ao mercado internacional o primeiro notebook Vaio compatível com 3D.