Archive | outubro, 2010

E por falar em imposto (2)

Ainda sobre o mesmo tema: fui dar uma olhada melhor nessa questão de impostos e tributos que pagamos (às vezes até sem perceber) e descobri uma série de sites que ajudam a entender esse, digamos, “assalto oficial”. O site Portal Tributário, por exemplo, lista 85 itens, entre impostos, tributos, taxas, contribuições etc. (brasileiro é mesmo muito criativo…). Vários deles incidem sobre produtos eletrônicos, que são o nosso foco aqui.

Já o Scribd explica em detalhes o que significa cada imposto, enquanto o artigo A História dos Tributos no Brasil mostra que o assalto é coisa cultural, antiga, apenas vem sendo aperfeiçoado pelos governos recentes. Por sua vez, o site Finanças Práticas presta um ótimo serviço ao explicar para que serve cada imposto e como o dinheiro é (ou deveria ser) empregado. Interessante ainda a explicação da especialista Dahyana Siman a respeito dos gastos públicos. E, finalmente, o site Depósito na Web detalha a situação específica dos aparelhos eletrônicos.

É isso. Antes de reclamar ou acusar, é bom se informar.

E por falar em imposto

Muito esclarecedor o debate que surgiu entre os leitores deste blog a propósito dos impostos que recaem sobre aparelhos eletrônicos. Sem querer ser pretensioso, ouso dizer que é um debate cívico. Certamente, muitos – eu, inclusive – estão aprendendo com essa discussão. É bom ver que há pessoas sinceramente interessadas em que se resolva esse que é um dos maiores problemas do país.

Claro, existem aqueles que não estão nem aí – aconteça o que acontecer, continuarão comprando do amigo contrabandista ou de sites ilegais, apenas pelo prazer de curtir seus “brinquedos eletrônicos” gastando menos. Mas, no geral, lendo os comentários adicionados à nota Quem sonega, nega, vejo que as pessoas honestas e que trabalham sério sentem-se incomodadas com essa situação. Conversando com empresários do mercado, percebe-se boa dose de resignação diante da impotência generalizada, como quem diz: “Fazer o quê”? O quadro descrito pelos leitores Aureo Pires e Carlos Alberto (não diz o sobrenome) me parece perfeito. O problema é que é muito mais fácil acusar, ainda que sem a menor base, do que estudar o assunto. Aliás, os políticos complicam essas coisas justamente para que os pobres mortais desistam de entendê-las.

Não é mera coincidência que esta semana chegamos à incrível marca de R$ 1 trilhão em impostos arrecadados neste ano, que deve ser recorde mundial. Também não é coincidência que o presidente Lula, ao comentar o assunto num evento esta semana, tenha dado esta exemplar explicação para a carga tributária brasileira, que já passa dos 40% do PIB: “Quem tem carga tributária de 10% não tem Estado. O Estado não pode fazer absolutamente nada. E estamos aí, cheios de exemplos… os Estados que têm as melhores políticas sociais são os que têm a carga tributária mais elevada, vide Estados Unidos, Alemanha, Suécia, Dinamarca…” (leiam a notícia inteira aqui, se não acreditam).

Como percebem, nossas políticas sociais já podem ser equiparadas às da Alemanha, Suécia, Dinamarca… É pra rir ou chorar? Um leitor comentou aqui que é ótimo ter um governo assim para botar a culpa!!! Eu não acho nada disso engraçado.

Banda cada vez mais lenta…

Na mesma semana em que a Anatel anuncia novo recorde no número de usuários de TV por assinatura (em setembro, o setor bateu a casa dos 9 milhões de assinantes – veja aqui o relatório completo), consultorias e empresas da área aproveitam para divulgar pesquisas sobre o mercado. Durante o evento Futurecom, que está sendo realizado em São Paulo, esses números estão pipocando para todo lado. Não há dúvida que é um negócio em expansão, devido ao crescimento da massa de dinheiro disponível, e as operadoras nunca faturaram tanto. Mas há um outro lado nessa história.

Levantamento da empresa Acision, especializada em infraestrutura de redes, confirma pela enésima vez que o serviço de banda larga brasileiro é um dos piores do mundo. Não sei como fizeram a pesquisa, mas a empresa diz que, dos 22 milhões de usuários de banda larga móvel no País, apenas 10% não reclamam da qualidade do serviço: 75% queixam-se da lentidão nas conexões, 73% das quedas de sinal, 68% da dificuldade em concluir uma ligação e 67% da falta de cobertura em suas regiões.

Está aí mais um prato cheio para aqueles que defendem a “estatização” do setor, colocando todas as operadoras no mesmo saco de incompetência e desrespeito ao usuário, como se um simples decreto tivesse o poder de mudar esse quadro. Não tenho condições de acusar ninguém, mas fico intrigado toda vez que sai uma pesquisa dessas. Como entrevistar 22 milhões de usuários? Qual é a amostragem? Como diferenciar entre “lentidão nas conexões” e “dificuldade em concluir uma ligação”? Os números são divulgados e replicados por toda a mídia, sem que se explique como foram coletados. Por essas e outras é que a maioria dos institutos de pesquisa está desmoralizada.

Evidentemente, não estou defendendo as operadoras que, como se sabe, são campeãs em reclamações nos órgãos de defesa do consumidor, o que por si só já dispensaria outros levantamentos. Mas a Anatel, que também gosta de divulgar seus números astronômicos, fica calada diante dessa situação. E é a ela que cabe fiscalizar e punir as operadoras (quando é o caso). Os companheiros que lá estão não devem ter problemas para usar banda larga.

WiFi para todas as horas

Em breve deveremos começar a encontrar por aí aparelhos com um novo logotipo. As normas do padrão WiFi Direct foram aprovadas meses atrás pela WiFi Alliance, entidade criada pelos fabricantes para cuidar do assunto. Esta semana, começaram as certificações de produtos que irão oferecer o recurso. Prepare-se: muita coisa pode mudar na sua vida de gadget-maníaco!!!

Basicamente, o padrão WiFi Direct permite que os aparelhos se comuniquem sem fio em qualquer lugar, mesmo que não haja uma rede WiFi disponível. Basta que dois deles se aproximem, e pronto: os usuários poderão imediatamente começar a trocar mensagens, fotos, músicas, vídeos e tudo mais que a conexão permitir. Os produtos identificados com o logotipo terão a capacidade de se reconhecer mutuamente sem necessidade de senhas, códigos, chaves, ou mesmo do infame processo de “pareamento”, que é usado hoje. Nada disso. Vai ser como amor à primeira vista: olhou, gostou, conectou.

Vai ser útil, por exemplo, quando você quiser imprimir um documento armazenado no seu celular: é só aproximá-lo da impressora e dar a ordem de “print”. Ou quando precisar transferir para o notebook uma foto que acabou de tirar com sua câmera. Ou quando… bem, use a imaginação, as aplicações são praticamente infinitas. Diz o pessoal da WiFi Alliance que a ideia é “libertar” o usuário de procedimentos complicados, que acabam reduzindo o uso da conexão sem fio. E dão um exemplo ilustrativo: se várias pessoas se encontram num mesmo local (digamos, um restaurante), todas estarão automaticamente conectadas no que é definido como “WiFi Direct Group”. Este vídeo mostra como será, na prática.

Só não dá para saber qual será a velocidade da conexão, pois esta naturalmente depende do espectro e da quantidade de pessoas utilizando. Mas, no mínimo, vai ficar mais fácil encontrar quem você quiser: se aquela ex-namorada ou aquele amigo indesejado estiver no pedaço, você vai saber na mesma hora. É só olhar para a telinha do celular.

Aqui jaz um ícone da tecnologia

Passou quase desapercebida na mídia a notícia de que a Sony decidiu suspender definitivamente a produção do Walkman, digo, o original, que tinha fita cassete embutida. Antes da era iPod, esse aparelho era considerado, com toda justiça, o produto mais revolucionário que a indústria eletrônica tinha criado. A ponto de o próprio Steve Jobs citá-lo como exemplo de design e criatividade. Quase 400 milhões de usuários pelo mundo afora concordaram e, a partir daí, mudaram seus hábitos de vida.

Os mais jovens não devem fazer ideia, mas antes do Walkman ninguém saía pela rua ouvindo suas músicas em fones de ouvido. Foi uma sacada genial do velho Akio Morita, ao ver garotos carregando nas costas aqueles pesados rádio-gravadores, como eram chamados os aparelhos 2-em-1 (rádio e toca-fitas no mesmo módulo). Em julho de 1979, a Sony lançou a primeira versão, permitindo que as pessoas montassem seus playlists – na época não existia essa palavra – gravados numa fita magnética e levassem suas músicas favoritas para todo lugar. O único problema é que cabiam poucas músicas numa fita; muitos – como este que vos fala – carregavam várias fitas no porta-luvas do carro; na falta de opção, deixávamos o carro estacionado ao sol e dias depois descobríamos que algumas partes das fitas estavam detonadas pelo calor.

Bem, chega de saudosismo. No ano passado, fizemos a devida homenagem, no aniversário de 30 anos do Walkman. E agora o site Yahoo americano fez um belo réquiem para esse aparelhinho que nos acompanhou até sermos libertados pelo iPod. Gravaram até este vídeo. Muito merecido. Mas, pelo visto, fita magnética, nunca mais!

Banda larga para a Copa

Não sei se posso chamar de “novidade”, mas uma pesquisa da consultoria Teleco, a mais respeitada do Brasil no setor, indica que o Brasil terá dificuldades para montar uma estrutura de banda larga confiável até a Copa de 2014. Nesta terça-feira, na Futurecom, que está acontecendo em São Paulo, Eduardo Tude, presidente da Teleco, apresentou os dados obtidos num estudo realizado nas cidades escolhidas como sedes do evento. A capital paulista, disse ele, é a melhor preparada, oferecendo velocidade de até 945Kbps. Está muito longe do que Tude e a maioria dos especialistas considera o mínimo necessário: de 2 a 3Mbps.

A pesquisa foi feita em parceria com a Huawei, fabricante chinesa de equipamentos para redes. Os pesquisadores percorreram 157 quilômetros de rotas consideradas essenciais para a Copa, e foram monitorando as conexões. Áreas estratégicas – como a região em torno do Aeroporto de Guarulhos e a Rodovia Ayrton Senna (que liga o aeroporto à cidade) – apresentaram sinal de baixa qualidade. “Além de garantir a velocidade, as operadoras terão que atender uma demanda muito grande durante o evento”, diz Tude. “Exigirá soluções combinadas entre banda larga fixa e celular 3G”.

Sim, há tempo para melhorar essa estrutura. Dá até para sonhar que teremos uma rede 4G até lá. Mas, se esses projetos forem implantados da mesma maneira que estão sendo as reformas dos estádios, vai ser um pesadelo.

Sony e Apple, juntas?

Parece mais delírio de algum desocupado, mas o fato é que a notícia começou a se espalhar hoje: a Apple estaria negociando para comprar a Sony. Não, você não leu errado: do alto de seus US$ 51 bilhões de reservas (deve ser mais do que tem hoje o Brasil), a empresa da maçã pode simplesmente fazer uma oferta para adquirir as ações daquela que um dia já foi sinônimo de inovação tecnológica – e que, como se sabe, luta arduamente para sair da crise que afeta toda a indústria desde 2008.
A informação é do quentíssimo AppleInsider, um dos sites que melhor acompanham os bastidores da Apple. Claro, oficialmente nenhuma das duas empresas comenta o assunto. Mas a simples possibilidade já fez as ações da Sony subirem 3% na Bolsa de Nova York nesta terça-feira! Os rumores teriam começado após um relatório da revista americana Barron’s, especializada no mercado financeiro, dizendo que a Apple precisa comprar empresas para satisfazer seus acionistas. Vejam só, além da Sony a revista cita como potenciais aquisições nada menos do que a Adobe – inimiga mortal da Apple -, a Facebook e até a todo-poderosa Disney, para quem anos atrás Steve Jobs vendeu a produtora de desenhos animados Pixar.

Outros episódios vêm alimentando os boatos. Num encontro recente com analistas do mercado financeiro, Jobs teria dito que sua empresa fará “grandes movimentos” a curto prazo com seu enorme capital disponível (nunca uma empresa do setor de tecnologia teve tanto dinheiro assim para gastar…). John Sculley, ex-CEO da Apple (foi ele quem “demitiu” Steve Jobs, em 1986) disse há poucos dias à agência de notícias Bloomberg que seu ex-parceiro sonhava transformar a Apple na Sony.

Sinceramente, acho que tudo não passa mesmo disso – boatos. Mas que é engraçado pensar na possibilidade, isso é.

Importados, pelo triplo do preço

Juro que não foi combinado. Neste domingo, reportagem da Folha de São Paulo confirma, com números e mais números, o que comentei aqui outro dia sobre o custo dos produtos importados no Brasil. Pegaram alguns itens e foram conferir. Vejam só:

iPod Touch 64GB – R$ 677 nos EUA, R$ 987 no Brasil

Calça Jeans Diesel – R$ 331 nos EUA, R$ 664 no Brasil

Camisa feminina Zara – R$ 47 na Europa, R$ 139 no Brasil

Cappuccino Starbucks – R$ 7,22 nos EUA, R$ 8,10 no Brasil

Carro Smart – R$ 30.000 na Italia, R$ 61.000 no Brasil

Os preços em dólar ou euro foram convertidos de acordo com o câmbio de sexta-feira passada. Detalhe: os valores foram calculados levando em conta apenas a carga tributária cobrada pelo governo sobre cada item (que é variável). Não considera o imposto de importação, que também varia conforme o produto.

Este é o nosso país.

Os candidatos e a telefonia

Depois, quando a imprensa critica, dizem que é “golpismo”, “conspiração”, “perseguição” e outras bobagens do gênero. A Folha Online divulga hoje interessante análise de Elvira Lobato, uma das mais competentes jornalistas que cobrem tecnologia no Brasil, a respeito do que disseram os candidatos Dilma Roussef e José Serra sobre o assunto, no debate do último domingo. Batata: como em tantos outros temas, ambos mentem e distorcem informações com a maior cara de pau.

Nem a privatização das telecomunicações foi a tragédia que o PT quer fazer crer, nem foi a maravilha que o PSDB alega. Como o País tem memória curta, as mentiras tendem a ficar por isso mesmo. Dilma, por exemplo, diz que as pessoas hoje têm mais telefone porque estão ganhando mais. Mentira: o crescimento desse mercado começou ainda antes de Lula tomar posse, impulsionado pela competição entre as operadoras privadas, que investiram cerca de R$ 180 bilhões para melhorar o sistema (dinheiro que o governo não tinha para investir). Pois é, se alguém acha que as telecomunicações no Brasil de hoje são ruins (e são mesmo…) deve tentar se lembrar como eram na época em que tudo era estatal.

Serra, por sua vez, mente quando diz que o Brasil do PT é o país do orelhão – aliás, grande parte dos orelhões que existiam simplesmente desapareceu por falta de uso; é mais barato falar no celular.

E assim, de mentira em mentira, vamos levando.

Quem sonega, nega

Interessante a discussão que se abriu aqui neste blog nos últimos dias, a respeito do preço dos equipamentos eletrônicos e da carga tributária que incide sobre eles. É uma discussão muito útil para quem quer entender como funcionam as coisas neste País. Evidente que não são itens de primeira necessidade, mas servem para exemplificar como o contribuinte brasileiro é tratado pelos homens que ele mesmo coloca no poder.

Só mesmo alguém que nunca teve uma empresa, por menor que seja, pode achar que os altos preços que pagamos são obra da “ganância” de quem vende. A maioria dos que pensam assim deve ser a mesma que não hesita em passar a perna no vizinho, se for para levar alguma vantagem. Infelizmente, parece que essa é a regra, não a exceção. Os empresários (nem sei se cabe aqui esse termo) mais gananciosos que conheço são justamente aqueles que não perdem uma chance de sonegar.

Já fizemos no passado reportagens a respeito da carga tributária que incide sobre os eletrônicos – acho que já está na hora de voltar a tema, pois a toda hora criam uma novidade nesse campo. Como bem disse o leitor Carlos Alberto, a quantidade de itens que influencia o preço final de um produto – qualquer produto – vendido no Brasil é de assustar. Não espanta que a Apple até hoje não quis atuar diretamente aqui, preferindo licenciar revendas com a sua marca. O próprio Steve Jobs declarou que o sistema tributário brasileiro é uma piada…

Quando se fala em produtos importados, então, é uma loucura total. Quem quiser importar seguindo todas as normas legais, não apenas vai gastar muito, como também vai sofrer sérias dores de cabeça, por conta da burocracia envolvida. É a velha história de criar dificuldade para vender facilidade, tão típica de nosso país. Não se trata apenas de pagar, digamos, 500 dólares lá fora e vender aqui por 1.000 ou 2.000. A conta não pode ser feita assim. Sobre os mesmos 500 dólares incide uma cascata de impostos e tributos sem paralelo no mundo. Há ainda o custo da própria burocracia em si, com despachantes, contadores e outros profissionais.

E, se a empresa, além disso, quer honrar seus outros compromissos (inclusive o custo fixo com salários, aluguel, segurança etc.), acaba se vendo diante do impasse: ou vende pelo preço que for possível (afinal, ninguém pode trabalhar de graça), ou larga tudo e muda de país.

Aliás, vale a pena ler os artigos abaixo, que esclarecem muito a respeito:

Quanto mais Estado, mais corrupção

Fisco “blinda” grandes grupos em ano eleitoral

Estado expande poder e cria novos riscos

Um Simples Trabalhista

TV paga de graça!!!

De vez em quando pingam na minha caixa postal – como devem pingar na de todo mundo – mensagens oferecendo downloads gratuitos. Até aí, nada de novo. Mas, ultimamente, vêm aumentando as ofertas do tipo “Assista TV de graça”. Muita gente deve sentir-se atraída. Vejam o que traz a mais recente delas:

• PROGRAMAÇÃO COMPLETA: Assista filmes, programas jornalísticos, de entretenimento, culturais, documentários, canais de videoclipes, em qualquer lugar do mundo.

• MAIS DE 10.000 CANAIS: Assista de mais de 180 países diferentes no mundo. São mais de 10.000 canais de TV e rádio disponíveis para sua escolha.

• TVs DO MUNDO INTEIRO: Transmissão de TV do Brasil e de todos os países do mundo em tempo real!

• SUPER FÁCIL DE USAR: Seletor rápido de canais na tela do seu computador. Basta selecionar o país e a programação desejada, e pronto!

• NENHUM APARELHO PRECISA SER INSTALADO NO SEU COMPUTADOR: Somente é necessário um computador ou notebook conectado à Internet e mais nada!

• ENVIAMOS A SENHA PARA TODO DO BRASIL

É isso, fácil como comprar pipoca na esquina. Não é exatamente de graça, a tal senha custa R$ 39,90. Fuçando na internet, descobre-se vários serviços como esse, inclusive um site chamado piratas de plantão, que dá todas as coordenadas. Profissionalismo é isso. E o governo lá preocupado em fazer plano de banda larga…

Internet invade a TV (2)

Poucas horas depois que postei o comentário anterior, recebi uma nova pesquisa mundial da DisplaySearch apontando, adivinhem o quê? Isso mesmo: embora todos os holofotes estejam voltados para os TVs 3D, são os TVs com acesso à internet que devem crescer mais nos próximos. O levantamento Quarterly TV Design and Features Report, divulgado nesta segunda-feira, mostra que em 2010 a indústria irá vender cerca de 40 milhões desses aparelhos pelo mundo afora, contra 15 milhões em 2009. Para os próximos quatro anos, as projeções são de 70 milhões (2011), 90 milhões (2012), 102 milhões (2013) e 118 milhões (2014). “Os fabricantes agora terão que aprender a não só fazer bons televisores, mas também negociar boas parcerias com fornecedores de conteúdo”, diz Paul Gray, diretor da DisplaySearch.

Internet invade a TV

Como se esperava, está aumentando a oferta de conteúdos extras nos novos TVs. Além de melhor imagem e recursos mais avançados, os fabricantes estão apostando que o acesso à internet será um grande diferencial já a partir deste final de ano, quando mais uma vez muita gente irá trocar de aparelho. Nos bastidores, há uma verdadeira corrida para fechar parcerias com fornecedores de conteúdo, especialmente os grandes portais e as principais emissoras.

Aumentou, por exemplo, o assédio à Globo, que por enquanto não definiu como será sua estratégia nesse caso. E é compreensível: mais conteúdo gratuito na tela do TV significa menos tempo dedicado à programação normal e, no limite, menos audiência. É preciso pesar bem o custo-benefício dessas parcerias. Como já foi divulgado, a Sony fechou com Band e SBT para incluir em seus novos TVs material exclusivo dessas emissoras, mas com certeza o fabricante que conseguir acesso aos conteúdos da Globo dará um passo enorme para liderar as vendas.

Por ora, a Samsung é a que a oferece maior variedade. Seus TVs top de linha dão acesso a sites como YouTube, GoogleMaps, Twitter, ESPN e Terra, além de outros menos cotados e do Skype, este sim um recurso que pode fazer diferença (o TV pode ser usado como um “telefone com imagem”, para ligações gratuitas via banda larga); a Sony já inclui nos novos LED-LCDs: YouTube, Twitter, Facebook, Terra e iG (nos EUA, acaba de lançar os TVs integrados à plataforma GoogleTV); e os plasmas Panasonic já estão vindo com Skype integrado.

Mas é a LG que parece mais disposta a investir na novidade. Uma atualização que pode ser feita pelo site da empresa permite a quem já possui um TV da linha Infinita acessar diversos sites interessantes. Além de todos os citados acima (com exceção do Skype), lá estão UOL, o catálogo digital da Livraria Saraiva, que permite baixar filmes e séries, e o serviço NetMovies, que aluga DVDs e Blu-rays para entrega na casa do assinante.

A pergunta que alguns leitores já me fizeram é: por que tudo isso, se posso acessar os mesmos conteúdos pelo computador. Nem sempre. Parte dos conteúdos são exclusivos dos fabricantes, ou seja, só podem ser acessados nos TVs daquela marca. Esse é o acordo. Evidentemente, cada empresa tentará firmar mais parcerias para rechear o seu “cardápio”, o que será feito através de atualizações (mais detalhes neste link).

Falaremos mais sobre o assunto nos próximos dias.

Manual para integradores

Acaba de sair a nova versão (CEB-23) do boletim Home Theater Design, preparado em conjunto por técnicos da CEA (Consumer Electronics Association) e pela CEDIA (Custom Electronics Design & Installation Association), dos EUA. Trata-se de material precioso para quem trabalha com projetos e instalação de sistemas eletrônicos de grande, médio ou pequeno porte. Vem dividido em capítulos, numa forma bem didática (como é costume por lá), e abrange praticamente tudo que interessa ao integrador – e também aos usuários finais que gostam de saber o que é feito dentro de suas casas. Claro, a linguagem é técnica, como não poderia deixar de ser; e, para os interessados, vale também como material de estudo para obter certificação das duas entidades. E custa apenas 63 dólares! Mais detalhes aqui.

Quanto custa a “casa digital”?

Outra pesquisa que acabei descobrindo estes dias, esta feita pela Marco Consultoria, revela que está caindo o gasto médio do brasileiro com equipamentos eletrônicos. Os pesquisadores criaram um certo “Índice da Casa Digital”, que se baseia na evolução do salário médio da população e no preço de uma cesta de aparelhos que teoricamente comporiam uma residência, digamos, eletronicamente atualizada. Essa cesta inclui TV LCD (não menciona o tamanho da tela nem explica por que deixa de fora o plasma), câmera digital, home theater (não diz de que tipo), smartphone (idem),  player Blu-ray, videogame, notebook e netbook. Somando os preços de todos esses itens, chegaram ao valor de US$ 7.540. Dividindo esse número pelo salário médio vigente no País (R$ 1.424,10, segundo o último censo do IBGE.

Resultado: um trabalhador gastaria em média 9,55 salários para montar a tal “casa digital”. Em agosto de 2009, diz a consultoria, eram necessários 10,1 salários. E esse valor vem caindo nos últimos anos, na esteira da desvalorização do dólar.

Eletrônicos caem de preço

Levantamento da Fundação Getulio Vargas mostra, em números, como os preços dos aparelhos eletrônicos em geral vêm caindo desde o início do ano. Exemplos: TVs, 8,23%; aparelhos de som, 3,97%; videogames, 9,67%; computadores e periféricos, 2,66%; celulares, 5,19%. O estudo nota que o dólar, no mesmo período (janeiro a setembro) teve queda de 2,93%, enquanto a inflação, medida pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor), subiu 3,82%. A FGV não forneceu dados sobre os preços em outros setores da economia, mas tenho a impressão de que os eletrônicos estão entre os poucos que estão caindo.

Há três motivos para isso. O primeiro, claro, é a queda do dólar: todos os aparelhos utilizam componentes importados, em maior ou menor escala. O segundo é a progressiva nacionalização. No caso dos TVs, quase todos os fabricantes estão passando a montá-los em Manaus, o que hoje é menor oneroso para eles do que importar o produto acabado. Com mais de R$ 21 bilhões de faturamento até agosto (44% a mais do que no ano passado), o Polo Industrial de Manaus caminha para bater em 2010 seu recorde histórico, inclusive no número de trabalhadores contratados.

Mas o terceiro motivo para a queda nos preços dos eletrônicos está no comportamento do varejo, que incentiva as promoções e descontos, respondendo à famosa lei da oferta da procura. Justamente aquela que, assim como a lei da gravidade, muita gente – inclusive dentro do governo – quer revogar.

Best Buy vem aí…

Aumentam no mercado os rumores de que a Best Buy, maior rede varejista de eletrônicos do mundo, está pondo os pés no Brasil. Executivos da rede, assessorados por um fundo de investimentos que já atua no País, têm vindo com regularidade analisar a situação do varejo especializado. Com mais de 4 mil lojas espalhadas pelo mundo, das quais apenas cerca de 1.500 nos EUA, a rede vem implantando desde 2003 um plano de expansão que já a transformou numa das maiores da China – o que não é pouca coisa. Também tem operações lucrativas (e crescentes) no México e na Turquia, países que, como o Brasil, são classificados pelos organismos internacionais como “emergentes”. Com nosso País ganhando as atenções do mundo, não seria surpresa se a Best Buy de fato entrasse aqui – alguns especialistas em varejo acham até estranho que isso ainda não tenha acontecido.

Conversando tempos atrás com um executivo americano da indústria eletrônica, ouvi que o Brasil realmente está no radar de todo mundo. Apenas dois problemas impedem um fluxo maior de investimentos: o complicadíssimo sistema de tributação brasileiro, que assusta qualquer investidor, e as dúvidas sobre o futuro de atual política de crédito ao consumo, que muitos julgam “perigosa”.

Para quem quer um notebook

Falando em Sony, a empresa japonesa teve, em parceria com a americana Intel, a boa ideia de instalar no Shopping Morumbi, em São Paulo, uma espécie de “plantão de dúvidas” sobre notebooks. Até o dia 30 de novembro, quem passar pelo local encontrará instrutores das duas empresas dando dicas sobre o funcionamento dos modelos Vaio. Esse é um tipo de ação comum em outros países, mas ainda mal explorado no Brasil. A intenção, é claro, é convencer os consumidores de que os produtos ali mostrados são os melhores. Mas, independente disso, quem é leigo no assunto pode aprender bastante com esse tipo de conversa.

Só espero que o atendimento, digamos, VIP se estenda também ao pós-venda, que é quando surgem as dúvidas do usuário. Que Sony e Intel não sigam o exemplo da Apple Brasil e dêem, mesmo, assistência àqueles que confiaram nas marcas.

Blu-ray pode agitar o Natal

A edição de outubro da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL saiu com um roteiro para quem está de olho nos novos players Blu-ray que estão chegando ao mercado. Além dos preços em queda (já temos promoções na faixa dos R$ 400) e da óbvia melhor qualidade de som e imagem, há uma série de atrativos: vários desses aparelhos permitem acesso direto à internet, mesmo para quem não tem computador nem um TV dos mais avançados (basta ter uma conexão de banda larga); ficou mais fácil também integrar o Blu-ray a uma rede doméstica (com ou sem fio), para acessar conteúdos guardados no computador e reproduzi-los no TV; e também já existem os players compatíveis com discos 3D, claro, pois sem eles não há como assistir a esses filmes.

A Samsung, com um total de seis modelos, é a mais agressiva no segmento de Blu-ray, incluindo um player que pode ser montado na parede (modelo BD-C7500). A empresa coreana – a exemplo de Sony e Philips – decidiu incluir um player Blu-ray também em seu novo sistema de home theater, que já vem com subwoofer e cinco caixas acústicas (o processador está dentro do próprio player). E a Sony introduziu uma novidade que pode atrair usuários do iPhone ou iPod Touch: baixando um aplicativo gratuito, pode-se comandar o Blu-ray pelo smartphone; e, com um adaptador sem fio (vendido à parte), é possível ainda ver na telinha do iPhone informações sobre o filme ou show que você está assistindo no Blu-ray.

Com tudo isso, já são mais de vinte modelos à venda no País, aí incluídos os de padrão high-end, de marcas como NAD, Onkyo, Denon e Marantz, que são mais caros. Acrescente-se ainda o aumento da oferta de filmes (já são quase 1.000), e temos uma boa gama de opções para quem estiver pensando em Blu-ray neste final de ano.