Archive | novembro, 2010

Profissionalismo às avessas

Começam a surgir as notícias do novo governo relacionadas ao setor de tecnologia. A presidente eleita Dilma Roussef definiu que o novo ministro das Comunicações será Paulo Bernardo, atualmente no Planejamento. Segundo a imprensa, Bernardo já começou a “estudar” o assunto, confirmando que não é do ramo. Até aí, nenhuma novidade, o que mais se viu nos últimos oito anos foi gente sem preparo assumindo cargos importantes.

O problema é a forma como, ao que parece, este novo governo está sendo montado. Segundo levantamento do Estadão, os futuros ministros têm a sua disposição 7 mil cargos para serem preenchidos por pessoas sem concurso público (os malfadados DAS – Direção e Assessoramento Superior, bem explicados neste artigo). Alguém pode argumentar que é pouco, já que o total de funcionários públicos no País ultrapassa a casa dos 530 mil, considerando apenas os órgãos federais. Mas entre as grandes vítimas desse processo de politização do poder público estão as agências reguladoras, inclusive a nossa Anatel. Não é o caso mais crítico; este lugar pertence, de longe, à Anac, que cuida (ou deveria cuidar) do transporte aéreo, e que possui 237 cargos DAS.

Como já comentamos aqui várias vezes, essas agências deveriam ser imunizados contra a praga das indicações políticas. Nos países desenvolvidos, órgãos semelhantes existem para tomar decisões técnicas, às vezes até contrariando diretrizes de governo, mas sempre tendo em vista o interesse do País. Devem ser formadas por profissionais especializados naquele setor e (justamente para evitar injunções políticas) aprovados em concursos públicos.

Bem, minha opinião mais detalhada a respeito está neste artigo. Mas, pelo visto, parece que estou falando sozinho…

TV paga, lá e aqui

Como o mundo dá voltas! Nesta sexta-feira, mesmo dia em que a Anatel anunciou novo recorde na venda de assinaturas de TV no Brasil, a consultoria americana SNL Kagan divulgou a segunda queda seguida no número de assinantes do mesmo serviço nos EUA. Comparem:

*No segundo trimestre de 2010, 507 mil brasileiros passaram a ter algum serviço de TV paga (via cabo, satélite ou MMDS); enquanto isso, nada menos do que 711 mil americanos cancelaram seus planos de assinatura via cabo.

*No terceiro trimestre, os números se tornaram ainda mais impressionantes: 648 mil brasileiros aderiram à TV paga, enquanto 741 mil americanos desistiram.

Sobre o Brasil, já comentamos aqui algumas vezes: a classe média descobriu a TV por assinatura. Talvez cansados da mesmice da televisão aberta, ou simplesmente por uma questão de status, quase 2 milhões de famílias aproveitaram parte de seus salários para “pagar pra ver”. O País deve terminar o ano com cerca de 10 milhões de assinantes, quando há apenas dois anos tinha pouco mais de 6 milhões.

Quanto aos EUA, o fenômeno é bem mais complicado de entender. Os próprios analistas estão confusos. O custo médio de uma assinatura está na faixa dos 40 dólares, e a maioria dos assinantes mantém o hábito há quase vinte anos. Aproximadamente 80% das casas recebem TV paga, a maioria via cabo. E, claro, num universo de 80 milhões, o fato de 1,5 milhão desistirem não chega a ser estatisticamente significativo. Mas lá, como aqui, a questão é a tendência.

No mês passado, a taxa de desemprego nos EUA atingiu 9,6%, o dobro do que era antes de 2008. Mas já foi de 10,1% em 2009, ou seja, teve início uma recuperação que, segundo os economistas, tende a ser de longuíssimo prazo. Quer dizer que a crise econômica não é o único fator que influencia a decisão de abandonar o velho hábito da TV por assinatura. Há um outro fenômeno correndo por fora: a internet. O que está fazendo muitos americanos mudar de ideia são serviços como Hulu, que oferece filmes e séries de televisão gratuitamente; Netflix, onde se pode alugar e receber esses conteúdos pela internet; e agora GoogleTV e AppleTV, que dão acesso a uma infinidade de serviços, alguns bem mais interessantes do que a programação das emissoras. Sem falar nos milhares de sites ilegais.

O TV de 1 milhão de dólares

Por falar em Panasonic, a empresa anunciou no Japão o lançamento de um plasma 3D de 103 polegadas (o da esquerda, na foto). Todos os números que vi a respeito do aparelho são superlativos. Anotem:

Taxa de contraste dinâmico: 5.000.000:1

Dimensões: 2m40 de largura por 1m40 de altura

Peso: 320kg

E o preço, claro: 8,5 milhões de iênes, o que equivale a cerca de US$ 101 mil.

Mas não é tudo. Já está na linha de montagem aquela maravilha que vimos na IFA, em setembro (vejam aqui o vídeo), com 152″ e imagens 3D com resolução 4K. Encomendas podem ser feitas à Panasonic japonesa, desde que o interessado pague a pechincha de US$ 500 mil, mais as devidas despesas de transporte, frete, tributos etc. Para o Brasil, por exemplo, não sairia por menos de US$ 1 milhão.

Não vou me surpreender se algum novo rico comprar.

Philips entra no 3D

Finalmente, começam a chegar às lojas os TVs 3D da Philips (agora, entre as principais marcas, faltam apenas Panasonic e Semp Toshiba). Esta semana, recebemos para teste o modelo LED-LCD 40″, que segundo o fabricante é o primeiro de uma nova geração de displays. Além de ser 3D-ready (precisa ser conectado a um adaptador wireless, vendido à parte), traz embutidos o software DTVi (antigo Ginga) para captar os aplicativos de interatividade das emissoras; e o browser OnLine TV (foto), que dá acesso a qualquer site.

Confesso que estou curioso para ver na prática essas duas inovações, especialmente a segunda. Sempre achei estranho que os fabricantes de TVs ofereçam apenas alguns sites, e mesmo assim com restrições, em vez de um navegador completo. Nas últimas semanas, trabalhando num encarte especial que publicaremos em dezembro sobre os TVs com acesso à web, descobri o motivo: custo. Para funcionar como um computador, o TV precisa ser equipado com processadores específicos de navegação, que leiam, por exemplo, arquivos em Java, Flash etc. Como os novos TVs já possuem chips avançadíssimos, para dar conta de imagens 3D, sinais de várias fontes simultâneas, imagens em movimento, efeitos visuais, upconversion etc., precisariam ser verdadeiras supermáquinas para processar também a parafernália de códigos e protocolos da internet.

Não sei ainda como a Philips conseguirá essa façanha que outros fabricantes dizem ser impossível no momento. Ou melhor, possível é, mas a um custo proibitivo para o mercado atual. De qualquer forma, está sendo um privilégio testemunhar mais essa revolução.

Em tempo: a Panasonic promete colocar no mercado seus primeiros plasmas 3D em dezembro.

FNAC pode sair do Brasil

Deu no Portal Exame esta semana: a direção da Fnac, na França, está pensando em vender a operação brasileira, pois os resultados não estão sendo os esperados. As dez lojas da rede no Brasil não foram bem no ano passado, e este ano a recuperação foi insatisfatória. O grupo negocia em sigilo com possíveis interessados. Ninguém confirma nada, mas o fato é que a subsidiária brasileira está sem presidente há meses…

Mais de R$ 1 trilhão em impostos!!!

Nunca é demais lembrar e divulgar: o Brasil é campeão mundial de impostos. Segundo a Associação Comercial de São Paulo, diz o site Coturno Noturno, nesta segunda-feira batemos a casa dos R$ 1.100.000.000.000,00. O valor seria a soma de todos os tributos arrecadados pelos três níveis de governo este ano, sendo que 70% desse total vai direto para os cofres federais e serve, entre outras coisas (puxo aqui pela memória), para:

*Pagar juros aos bancos sobre a dívida pública

*Pagar salários de deputados e senadores, que por sinal estão querendo aumento

*Pagar mensalões a políticos em troca de apoios e favores

*Construir usinas nucleares, por exemplo, em Angra dos Reis

*Financiar invasões do MST e grupos congêneres

*Pagar jornalistas e blogueiros que se disponham a defender o governo

Acho que chega, não? Infelizmente, não há saída, a não ser “gritar” pela internet e por todos os meios disponíveis.

Novos serviços pela TV

Conversei na semana passada com Deric Guilhen, diretor da Saraiva Digital, que pertence à grande rede de livrarias e lojas de eletrônicos. O assunto inicialmente era a parceria da empresa com a LG, cujos televisores agora dão acesso a um serviço de compra e locação de filmes online. Como já comentamos aqui, os TVs conectados (também chamados “web TVs” ou “broadband TVs”) são uma das principais apostas da indústria para seduzir o consumidor daqui por diante. Nos EUA e na Europa, a maior parte dos televisores vendidos este ano já são desse tipo, e a previsão é de chegar a mais de 100 milhões de aparelhos até 2013. No Brasil, claro, a expansão será mais lenta porque esses TVs dependem diretamente de uma rede de banda larga rápida, o que é luxo entre nós.

Mas, voltando à Saraiva, a conversa acabou se encaminhando para o mercado de distribuição de filmes digitais, algo que ainda provoca tremores em muitos executivos dos estúdios de cinema. Segundo Guilhen, as negociações para liberação de cada título são penosas – a Universal, por exemplo, até hoje não liberou nada. Para obter os direitos de distribuição, a Saraiva contratou uma empresa especializada em digitalização e autoração, a Truetech, que desenvolveu uma tecnologia específica para esse trabalho. Cada filme é codificado a partir do master original, fornecido pelo estúdio; só que esse master vem fragmentado, com trechos de vídeo, diálogos, legendas, trilha musical etc. Todo esse material precisa ser editado e montado na seqüência determinada pelo estúdio, que ainda tem que aprovar a autoração (menus, navegação e toda a apresentação do filme como estamos acostumados a ver).

O software da Truetech consegue comprimir um arquivo original, que chega a 40GB depois de pronto, para 1GB, a fim de ser transmitido via web. Esse software realiza ainda um pequeno milagre: identifica, por exemplo, cenas com muita ação e/ou efeitos especiais e aumenta a resolução, para que não haja perdas na recepção do usuário; evidentemente, em cenas onde isso não é necessário, a resolução é reduzida.

Já acompanhei de perto o trabalho de autoração de filmes e shows para DVD, e sei como é complicado. Imagino que transformar um filme de longa-metragem num arquivo digital seja ainda mais. No caso da Saraiva, o usuário pode alugar o filme e recebê-lo via streaming, ou comprá-lo e fazer o download (não há assinatura, cada item é negociado individualmente). Guilhen acha que o surgimento dos web TVs representa uma grande oportunidade de negócio, não apenas para distribuição de filmes de cinema, mas também séries de TV e conteúdos especiais, como treinamentos, documentários e até – vejam só – vídeos preparatórios para concursos públicos.

É bom ficar de olho nesse segmento. Em dezembro, a revista HOME THEATER & CASA DIGITAL publica um encarte especial sobre o assunto.

Multas, ora as multas!

Notinha de cinco linhas no site Tela Viva:

“A Anatel publicará para consulta pública de 20 dias dois regulamentos importantes. Um é um regulamento para que as empresas (operadoras) possam parcelar, em até 30 vezes, os seus créditos não-tributários com a agência. É, na prática, o parcelamento de multas”.

Sem comentários. Apenas lembrando: esta aqui foi uma das multas.

A Copa já começou

Falando em Rio de Janeiro, começou neste fim de semana (e vai até quarta-feira), na Praia de Copacabana, a Sorcerex Global Convention 2010, uma espécie de “pré-abertura oficial” da Copa de 2014. Cito o evento aqui a propósito de informe que recebi da Sony, que como patrocinadora oficial da Copa está sendo um dos destaques do evento no Rio. Armando Ishimaru, diretor da divisão profissional da empresa no Brasil, comanda uma equipe de profissionais que tem a missão de explicar tudo que a Sony pretende fazer na Copa – e olha que não é pouco.

Se na África do Sul a empresa fez as primeiras experiências com captação e transmissão de imagens 3D, é de se supor que daqui a quatro anos estará em condições de produzir muito mais com essa tecnologia. Mas não é só isso. A Sony quer fornecer toda a infraestrutura tecnológica que dará suporte à Copa, o que inclui câmeras de segurança, telões de alta definição, sistemas de videoconferência etc. Nesta terça, Ishimaru faz aos participantes da Sorcerex uma palestra sobre o tema “O Futuro Panorama das Transmissões de Futebol”.

Montadora da Apple do Rio?

Pouca gente deu bola, talvez por acharem mais um golpe de marketing, mas o fato é que a declaração do empresário Eike Batista ao jornal O Estado de S.Paulo, na semana passada, anunciando uma montadora da Apple no Rio de Janeiro, tem fundamento. Emissários do homem mais rico do Brasil estão, sim, conversando com as taiwanesas Wintek e Quanta, que atualmente fabricam a maioria dos produtos Apple. Claro, são conversas preliminares e precisarão passar ainda pelo crivo da própria Apple, que como sabemos não é lá muito amiga do Brasil.

Meses atrás, comentamos aqui a notícia – publicada em O Globo – de que Steve Jobs havia recusado proposta do governador Sergio Cabral para montar uma loja no Rio, com incentivos fiscais. O motivo seria o absurdo sistema tributário brasileiro, que não tem similar no mundo. Agora, a coisa é diferente. Se há alguém no País com cacife para bancar uma marca como a Apple, esse alguém é Eike Batista. Além de todo o dinheiro que tem, ele ainda conta com muitos amigos no governo, incluindo seu “consultor” José Dirceu.

Apesar disso, eis aí um projeto que seria ótimo para o País. A montadora Apple faria parte do complexo portuário do Açú, no norte do Estado, onde a LLX, uma das empresas de Eike, está construindo um megaempreendimento industrial. O empresário deu ao jornal uma frase que está na boca de todo brasileiro: “Por que nós aqui temos que pagar duas vezes e meia o preço de um iPad”?

O empreendimento todo custará, segundo o Estadão, R$ 4,3 bilhões. Mas é mais fácil acontecer isso do que vermos a queda dos impostos, que seria um caminho natural para termos preços decentes no País. Ou não?

Show de horrores

Já há algum tempo que nossa equipe, percorrendo o Brasil em visita a instalações de home theater, vem documentando exemplos de bons e maus trabalhos no setor. A bem da verdade, mais exemplos bons do que maus. Chegamos até a publicar uma série a que demos o título genérico de “O Certo e o Errado”, em que mostramos problemas encontrados em algumas residências e a forma como poderiam ter sido evitados (a mais recente está na edição de novembro da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL, que está nas bancas).

Por uma questão de respeito à privacidade, os nomes das pessoas e empresas envolvidas nunca são publicados – até porque a ideia não é de “caça às bruxas”, mas de alerta principalmente a iniciantes. Com o tempo, fomos descobrindo que muitos supostos erros de projeto ocorrem não por culpa do instalador, mas do próprio cliente (o dono da casa, que é quem paga a conta e, portanto, tem sempre a última palavra). O mais comum é o posicionamento errado da tela e/ou das caixas acústicas, em geral porque alguém achou que ficava “mais bonito”.

Tudo isso me veio à mente hoje ao encontrar, por acaso, no site americano CE Pro – uma espécie de “biblia” do profissional de home theater – um guia das piores instalações fotografadas pela equipe. Sim, eles registram as imagens há alguns anos e agora decidiram torná-las públicas. Vejam algumas abaixo.

Antena de TV pendurada numa estátua de rua

Notebook colocado para “esfriar” sobre um pacote de gelo

Antenas comuns tentando “chupar” o sinal de uma parabólica

E a provável campeã, que dispensa comentários…

Em tempo: são imagens de instalações em geral, não propriamente de home theater, claro. Os próprios leitores podem enviar fotos de suas “obras”, e algumas das que aparecem no site (veja aqui) podem perfeitamente ter sido montadas apenas para que o “autor” tenha o prazer de vê-las publicadas. Mas que é um show de horrores, acho que todos concordam, não? Pensando bem, os brasileiros que cometem erros em seus projetos estão todos perdoados.

E por falar em eventos

A propósito do comentário anterior, ouço de muita gente no mercado que fazem falta eventos de aperfeiçoamento técnico, onde os profissionais possam se reciclar e interagir com especialistas. Pois bem, quem quiser já pode ir se programando. Para 2011, estão previstos – por enquanto – pelo menos três, que atendem a públicos diversos mas que pretendem cumprir essa finalidade.

Em maio, serão dois. A BITS (Business IT South America) se propõe a ser uma versão tupiniquim da famosa CeBit, que acontece sempre em março na Alemanha. Nesta quinta-feira, o evento foi lançado oficialmente em São Paulo, mas na verdade acontecerá em Porto Alegre. É mais voltado para tecnologia aplicada em empresas, um segmento sempre carente de informação e aperfeiçoamento no Brasil.

Também em maio, acontece em São Paulo a edição 2011 da AES Brasil, com foco no segmento de áudio e algumas ramificações em vídeo. A AES (Audio Engineering Society) é uma das principais entidades da indústria eletrônica mundial. Seu congresso e feira são os encontros mais aguardados do setor.

Finalmente, em julho teremos – também em SP – a PredialTec 2011, que acontece junto com o Congresso Habitar, da Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial). Aqui, o foco é mais em sistemas de automação e controle, mas já está decidido que haverá um pavilhão anexo chamado “Salão da Casa Digital”, com soluções em áudio, vídeo, entretenimento, segurança, games etc.

Assim como o LatinDisplay, realizado esta semana na capital paulista, todos esses eventos contam com o apoio da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL. Outros que surjam com a mesma proposta séria, de contribuir para melhorar a qualificação dos nossos profissionais, também terão o nosso incentivo. E vamos torcer para que todos tenham muitos visitantes.

Chance desperdiçada

Estive ontem no evento LatinDisplay 2010, realizado em São Paulo, um raro encontro de experts do mundo da tecnologia, vindos de vários países (foto). Por falta de tempo, não pude ficar muito. Mas deu para perceber o alto nível das palestras. Infelizmente, só encontrei lá dois profissionais do nosso segmento, ainda assim executivos de um grande fabricante. Uma ótima chance desperdiçada pelos profissionais que se dizem “especializados”.

Só para dar uma ideia, eis alguns dos tópicos abordados e os respectivos palestrantes:

*A nova tecnologia FSC (Field-Sequential Color) dos displays LCD – Shunsuke Kobayashi, Universidade da Ciência, Tóquio.

*Tendências em Displays Eletroluminescentes de Fósforo (CRT, Plasma etc.) – Robert Whitnall, Universidade de Brunel, Inglaterra.

*A Evolução futura da TV 3D – Bernard Coll, empresa ThinkPlanB, EUA.

*Tecnologias e métodos de teste para displays – Adi Abileah, Plannar Systems, EUA.

*”3D ou não 3D” – Ken Werner, Nutmeg Consultants, EUA.

*Oportunidades no mercado brasileiro de displays – Margarida Baptista, BNDES.

*Qualidade do sinal de vídeo e métodos de medição – Mylene Farias, Universidade de Brasilia.

*Resolução de imagem no sistema Quattron RGBY (4 cores primárias) – Yasuhiro Yoshida, Sharp Corporation, Japão.

*Perspectivas da tecnologia LED – Manju Rajeswaran, Kodak, EUA.

*Perspectivas para a indústria high-tech no Brasil – Pedro Alem, Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial.

*Painéis e displays touchscreen – Fabrice Barbier, Multek, EUA.

*Qualidades de imagem dinâmica em TVs LCD 2D e 3D – Ki-Duk Kim, LG Displays, Coréia.

Tudo isso de graça, com tradução simultânea e a oportunidade de conversar pessoalmente com os palestrantes, a maioria extremamente simpáticos e acessíveis. Como disse antes, uma chance rara. Perdida.

HDMI: aviso em boa hora

No momento em que os TVs 3D chegam ao mercado, e todo mundo está de olho nas novas conexões HDMI, é bem-vinda a advertência que partiu, nesta quinta-feira, da HDMI Licensing, a empresa que administra as normas técnicas e o uso da marca em todo o mundo. O alerta é bem claro: a partir de agora, ninguém deve mais vender, nem anunciar, os cabos pela sua numeração tradicional (1.3, 1.4 etc). As nomenclaturas “oficiais” passam a ser obrigatórias:

Standard – Modelo básico, para sistemas de definição standard (SD);

Standard com Ethernet – Básico, mas com a opção de uso também em redes locais;

Standard Automotivo – Voltado para sistemas em veículos;

High Speed – Para sistemas que exigem tráfego intenso de dados (até 10.2Gbps), incluindo alta definição e 3D;

High Speed com Ethernet – Altas taxas de transferência de dados, incluindo redes locais.

Os cabos da categoria High Speed são os que permitem aplicações de interatividade, através do chamado canal de retorno (ARC), que precisa vir especificado na embalagem. Isso tudo quer dizer que, se você encontrar por aí um cabo HDMI “numerado”, é bom desconfiar.

Interessante é que no site da HDMI Licensing ainda consta, em letras enormes, o velho (e agora cabalístico) número 1.4!

O lixo das nomeações

Foi com surpresa que li, neste fim de semana, notinha curta na revista Veja sobre Olavo Chinaglia, conselheiro do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Filho do deputado Arlindo Chinaglia, amigo íntimo do presidente Lula, Olavo foi nomeado em 2008. Na época, fiz aqui um comentário sobre essa prática nefasta de nomear pessoas a cargos públicos com base no sobrenome ou na amizade com os poderosos de plantão. Não conhecia as qualificações do sr. Chinaglia (filho), mas lembrei que os antecedentes desse tipo de nomeação dão margem a suspeitas. E como dão!

Pois bem. Agora, diz a Veja, a Procuradoria do Cade pediu o afastamento de Chinaglia de um processo sobre cartel de empresas que processam lixo na cidade de São Paulo. O motivo é que, antes de ser nomeado, Chinaglia advogava justamente para uma das empresas acusadas no processo. Durante dez meses, ele conduziu o caso dentro do Cade! E mais: quem representa a empresa é sua ex-mulher. Ou seja, estava tudo em família, acusação e defesa.

Em seu favor, Chinaglia – que na época da nomeação revelou aqui mesmo sua contrariedade quanto a meus comentários – diz que foi ele próprio quem comunicou o conflito de interesses à Procuradoria. Se o fez, por que demorou dez meses? Puxando pela memória, lembro que o Cade tem fama de levar anos para julgar seus processos, como nos célebres casos das fusões Sky/DirecTV e Nestlé/Garoto.

Isso, sim, é que é agilidade.

E viva os advogados!

E por falar em banda larga, achei exemplar a resposta do presidente da Telebrás, Rogerio Santanna, ao ser questionado sobre o fato das operadoras entrarem na Justiça contra a estatal, conforme relatamos aqui na semana passada. Do alto de seus poderes momentâneos, Santanna saiu-se com esta: “As teles gastam mais com advogados do que com engenheiros”.

Se foi uma piada, não sei. Mas o fato é que as empresas brasileiras – e não apenas as telecom – gastam muito mais com advogados, especialmente tributaristas, do que com técnicos em geral. Santanna provavelmente não sabe, porque nunca dirigiu uma empresa fora do governo. Mas essa é a dura vida de quem se mete a empreendedor neste país. Pior ainda é quando, além de pagar advogados, a empresa se vê na contingência de ter de remunerar burocratas, cujo lema é parecido com o daquele velho personagem de Chico Anysio: “Eu quero é me arrumar”.

Está cada vez mais claro que essa briga entre governo e teles ainda vai longe. Tem a ver com o falso dilema estatização x privatização, que procuro esmiuçar neste artigo. Não estou aqui para defender as teles, cujos erros apontamos freqüentemente. Mas a última coisa de que precisamos hoje, nesse setor, é de piadas de mau gosto.

Tem que pagar pra ver

Durante a Futurecom, semanas atrás, o competente Eduardo Tude, da consultoria Teleco, apresentou estudo indicando que a atual infraestrutura de banda larga brasileira não tem condição de suportar a demanda gerada pela Copa de 2014. Evidentemente, Eduardo estava apenas fazendo uma constatação – que, de resto, não chega a ser novidade. Também não é daqueles apocalípticos, que vivem pregando o caos; ao contrário, trata-se de um dos maiores conhecedores do assunto no Brasil e de extremo bom senso em suas análises. Pelo que entendi, o objetivo foi apenas alertar as autoridades (in)competentes de que é preciso acelerar o passo.

Pois bem, na semana passada, o presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, reuniu jornalistas em São Paulo para afirmar, entre outras coisas, que não há qualquer problema com a banda larga brasileira. Reproduzo aqui suas palavras, publicadas pelo site Convergência Digital: “O Brasil fará a melhor Copa de todos os tempos na parte de telecom. O estado-da-arte da tecnologia estará disponível nos estádios e arredores”.

Falco explicou que a Oi, ao ser escolhida pela Fifa para montar a infraestrutura de telecom nas cidades que serão sedes da Copa, já começou a trabalhar, enviando técnicos para Alemanha, África do Sul e Londres, onde já está pronta a rede para as Olimpíadas de 2012.

Fico sempre com um pé atrás quando vejo alguém fazer esse tipo de promessa. Se a Oi mal pode garantir o que irá oferecer a seus assinantes na semana que vem, como arriscar uma previsão para daqui a quatro anos? Sei lá quais foram os critérios adotados pela Fifa para escolher essa operadora (tudo na Fifa é muito misterioso e suspeito…), mas isso nem chega a ser tão importante. O principal é garantir que as redes de banda larga funcionem para todo mundo, e não apenas para quem vai participar da Copa. E o quanto antes!

Mas este é o típico caso pay-per-view: só pagando para ver.

A reação do plasma

Quando muita gente já achava que a tecnologia de plasma tinha sido condenada pelo sucesso popular do LCD, eis que surge uma reviravolta: as vendas de plasma no mercado americano voltaram a subir este ano, após quedas contínuas desde 2006. O LCD ainda é maioria, mas já não tanto. Vejam os números divulgados pela empresa de pesquisas Quixel Research:

* 3,6 milhões de plasmas vendidos no terceiro trimestre (aumento de 15% sobre o mesmo período de 2009)

* O crescimento foi maior ainda na categoria de plasmas 720p (resolução HD): 27% nos modelos de 42″ e 65% nos de 50″.

* Na faixa de telas acima de 40″, o LCD está em declínio: queda de 10% entre o segundo e o terceiro trimestres.

* Em 2008, a proporção entre LCDs e plasmas era de 73/27; um ano atrás, chegou a 79/21; agora, é de 69/31 (sempre considerando TVs de 40″ ou mais).

Dá pra tirar alguma conclusão? Acho que ainda não. Precisamos ver se, a médio prazo, isso é uma tendência. Mas é inegável que o plasma se beneficia de avanços como a TV 3D e dos filmes com maior apuro técnico. Vamos ver se os fabricantes de plasma – basicamente três: Panasonic, LG e Samsung – continuam aprimorando essa fantástica tecnologia.

Um gigante 3D dentro da sala

Falando em TVs avançados, a Samsung também marcou um gol esta semana ao anunciar o lançamento do maior TV 3D do País: um LED-LCD de 65 polegadas! É mais um dos que acessam a internet sem necessidade de computador. Mas o interessante nem é isso. A empresa coreana está conseguindo agilizar a montagem de seus TVs em Manaus, onde já produz partes do painel de leds. Com isso, o preço final cai significativamente. O novo aparelho tem sugestão de R$ 15.999, algo impensável um ano atrás. Evidentemente, ainda não podemos falar sobre a qualidade da imagem – estamos aguardando um exemplar para teste. Mas não deixa de ser um marco, pois sempre se disse que a curto prazo seria inviável produzir LCDs desse tamanho.

Confesso que estou curioso para ver.