Archive | dezembro, 2010

Parada para balanço

Neste último dia de atividades do ano, quero deixar aos leitores – além dos votos de um excelente 2011 – alguns dados que acabei de receber, relativos ao mercado de tecnologia. Sei que nem todo mundo se liga em pesquisas, mas na falta de material confiável sobre o que acontece no Brasil, acho importante tentar entender o que acontece (e por que acontece) em outros países. Certamente, muitos dos números se aplicam também a nosso país.

A primeira pesquisa foi feita pela EH Publishing, que edita várias publicações – sendo a mais famosa delas a revista Electronic House – e também realiza uma feita do setor, nos EUA. Pelo quarto ano consecutivo, eles acabam de concluir um levantamento sobre o segmento de custom installation, que na falta de tradução mais apropriada costumamos chamar no Brasil de “sistemas eletrônicos residenciais”. Um negócio que em 2010 movimentou, somente nos EUA, um total de US$ 14 bilhões, entre vendas de equipamentos, programação, instalação e também as margens de lucro aplicadas pelas empresas. Cerca de 900 instaladores e/ou integradores responderam, indicando que o que lhes rendeu mais dinheiro este ano foram os projetos chamados “whole-house”, ou seja, automação e integração de sistemas para a casa toda. Em seguida, por ordem de faturamento, ficaram sistemas de multiroom, venda/instalação de TVs de tela fina, cabeamento de áudio/vídeo e controles de iluminação. Na média, cada um dos que responderam faturaram em torno de US$ 500 mil no ano. Mais detalhes sobre a pesquisa podem ser encontrados neste endereço.

Outro levantamento interessante refere-se ao fenômeno, já comentado aqui, dos web TVs (ou “TVs conectados”), que chegaram ao mercado internacional, inclusive ao Brasil, com força este ano. A empresa de estudos de mercado DisplaySearch acaba de divulgar que nada menos do que 21% de todos os TVs comercializados em 2010 foram desse tipo. O fenômeno é puxado pelo Japão, que vendeu este ano quase 20 milhões de web TVs, de um total de 43 milhões vendidos no mundo inteiro. Mas o interessante é a tendência: em 2011, esse número deve aumentar para 68 milhões de aparelhos, chegando em 2014 a 122 milhões. Mais detalhes? Vejam aqui.

A caminho de Las Vegas

Na próxima semana, temos mais uma maratona em Las Vegas. A CES 2011 promete! Através deste blog, do hot site que estará ancorado no www.hometheater.com.br (vejam o da CES 2010) e agora a bordo também do Twitter, vamos tentar transmitir o que acontecer de mais interessante por lá.

Já sabemos, por exemplo, que a Nintendo estará de volta ao evento depois de 15 anos – e deve levar a versão 3D do seu videogame DS para competir com o PlayStation 3. Veremos também – talvez seja a atração mais aguardada da CES ’11 – o TV 3D sem óculos que a Toshiba acaba de lançar no Japão, e que já foi mostrado na CEATEC, em outubro. Aliás, a Toshiba é uma das que mais prometem: talvez vejamos em Las Vegas seu TV movido a bateria, que é outro avanço. E a LG vai mostrar aos americanos os TVs NanoLED, que já vimos na IFA, em setembro. Parece que teremos também o tablet da Microsoft, os novos OLEDs da Samsung e da LG, as câmeras Panasonic que enviam vídeos e fotos direto para o Twitter e o Facebook…

Bem, vamos aguardar, muita calma nessa hora. Por aqui, vou atualizando, na medida em que souber de mais novidades.

Herói, anti-herói ou super-herói?

Pois é, um leitor aqui me criticou por ter chamado Julian Assange, do Wikileaks, de “super-herói”. Não entendeu a ironia. Agora, vejo o digníssimo prof. Demetrio Magnoli chamando-o de “herói sem nenhum caráter”. E muita gente misturando jornalismo com ideologia, o que é sempre perigoso. Para quem não gosta dos EUA, Assange é mesmo um ídolo por trazer a público documentos (nem todos importantes) que a imprensa em geral não tem coragem de divulgar. Quero ver como reagirão quando ele fizer o mesmo (se fizer) com os governos de Cuba, Venezuela, Irã etc. Já para os que defendem a política americana, Assange não passa de um criminoso, irresponsável.

Com todo respeito ao prof. Magnoli, não estou em nenhum desses dois lados. Todo veículo de comunicação – seja um site, blog, jornal, revista… – tem o dever de fiscalizar o que fazem os governantes. E de publicar o que descobre, desde que, é claro, isso não coloque em risco vidas humanas. O mundo seria muito melhor se todos fizessem isso, mas, como sabemos, a mídia está longe desse ideal. Ressalvo: todo veículo de comunicação tem também o direito de preferir este ou aquele governante, candidato ou partido político; é só deixar isso claro para seus leitores, o que nem todos fazem.

Quanto a Assange, também é seu direito divulgar o que acha conveniente – e ninguém é obrigado a acreditar no que o Wikileaks publica. Se faz isso apenas para se tornar celebridade (não creio), cedo ou tarde essa farsa será descoberta – talvez até por algum site tipo Wikileaks. Hoje, surgiu a notícia que Assange aceitou receber US$ 1,3 milhão da editora americana Alfred A. Knopf para escrever sua autobiografia. Provavelmente farão um filme sobre sua vida, e ele ganhar mais alguns milhões. Numa entrevista ao jornal inglês Sunday Times, Assange justificou que está precisando de dinheiro para sobreviver (quase todas as fontes de financiamento do Wikileaks foram suspensas) e também para pagar seus advogados, com quem já gastou mais de US$ 400 mil.

Claro que alguém vai acusá-lo de oportunismo ou até de coisas piores. Faz parte. Para o bem ou para o mal, Assange entrou numa guerra. E dificilmente deixará de sair ferido. Causa inveja a muitos, que não tiveram a sua coragem.

A saga do novo iPad

Continuam as especulações sobre como será a nova versão do iPad. Agora, o IDG Now cita uma nota publicada pelo blog japonês Macotakara, que traz inclusive um vídeo (aliás, de qualidade precária) mostrando o aparelho. O blog menciona fontes chinesas para informar que o iPad 2 será 3mm menor, mas vai manter a tela de 9,7 polegadas; a parte traseira terá o mesmo formato do iPod Touch; e o orifício que se pensava fosse uma entrada USB ou de cartão SD seria, na verdade, um alto-falante embutido, que daria ao tablet da Apple melhor qualidade de áudio. As mesmas fontes chinesas indicam que a produção já começou e que os primeiros exemplares serão entregues na segunda quinzena de janeiro.

É a “fábrica de boatos” da Apple funcionando a todo vapor.

Eu tuíto, tu tuítas…

Tempos atrás, escrevi aqui que não acreditava no Twitter. Tenho agora que admitir: “Foi mal…” Cá estou, abrindo minha conta e começando a postar as terríveis mensagens de 140 caracteres. Para quem vive de escrever, é uma tortura ser tão conciso… Mas vamos tentar. O bom é que pode-se escrever a qualquer hora, de qualquer lugar. E, com textos tão curtos, não há o risco de ficar amolando ninguém. Ou há? Veremos. Na semana que vem, começa a CES, em Las Vegas, e terei motivos para muitas tuitadas.

Enquanto isso, vamos tocando a bola por aqui.

Ah! Sim, o endereço é: http://twitter.com/orlabarrozo

Para quem quer entender

Mais uma vez, a repórter Elvira Lobato, da Folha de São Paulo, vai fundo na investigação sobre o setor de telecom e coloca o dedo na ferida. Nesta terça-feira, o jornal detalha o esquema de desvio dos fundos mantidos pelo governo para financiar a melhoria do sistema – fundos, é bom repetir sempre, formados com o nosso dinheiro. Não chega a ser novidade para quem acompanha mais de perto esse mercado, mas Elvira mostra os números, que não podem ser contestados (são dados oficiais, da Anatel e do Tesouro Nacional):

FISTEL (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações) – Criado em 1999, é recolhido pelas operadoras de telefonia, de TV por assinatura e emissoras de rádio e televisão e, claro, repassado na conta dos assinantes. Pela lei, deveria servir para cobrir as despesas de fiscalização do setor. Mas só 10% do total arrecadado vai, de fato, para essa finalidade.

FUNTTEL (Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações) – Criado em 2001, é composto de 0,5% do faturamento das empresas e destina-se a financiar pesquisas e capacitação profissional no setor.

FUST (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações) – Também surgiu em 2001, com base no recolhimento de 1% da receita das empresas, com o objetivo de ampliar o acesso a telefone e internet para toda a população.

Somados, os três fundos já arrecadaram até hoje cerca de R$ 48 bilhões, mas apenas R$ 4,9 foram realmente usados para as finalidades determinadas na lei. O restante foi (desculpem, não encontro outra palavra) “sequestrado” pelo Tesouro para financiar o abatimento da dívida pública (!!!) – uma desculpa, aliás, que é usada frequentemente para desviar dinheiro de várias fontes. É bom notar que, no caso do Funttel, metade dos recursos foi de fato encaminhada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, que mantém, por exemplo, o CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações), um dos órgãos mais eficientes do País. Deveria ser 100%, mas tudo bem.

Já em relação aos outros dois fundos, a situação é simplesmente deplorável. O Fistel, que é o maior deles, compõe-se de R$ 13 cobrados anualmente sobre cada linha de celular, mais R$ 26 que você paga ao habilitar seu aparelho. A reportagem fez a conta: a cada ano, o governo recolhe com isso cerca de R$ 2,5 bilhões, sob o pretexto de melhorar a fiscalização do setor – que, como todos sabemos, é muito bem fiscalizado… Por sua vez, o Fust está simplesmente congelado. Após dez anos de recolhimento, o Tesouro já embolsou R$ 9 bilhões e nada disso foi usado para a tal “universalização”.

Antes que me acusem de estar contra o governo Lula, lembro que essa “garfada” começou no governo FHC, quando esses fundos foram criados. Desde então, já tivemos seis ministros das Comunicações e não sei quantos conselheiros da Anatel, além dos vários “assessores” presidenciais especializados no assunto, e o sequestro continua, mês a mês, ano a ano. Esses números – que, repetindo, são oficiais – ilustram como a discussão em torno das teles está equivocada no Brasil. Recriar a Telebrás em nada vai alterar esse quadro; ao contrário, deve até piorá-lo, pois será preciso mais dinheiro para manter uma nova estatal. Significará, no máximo, estatizar o assalto!

Para o usuário, que é quem paga a conta, haveria duas soluções melhores: devolverem o que já foi recolhido; ou, no mínimo, fazerem uma fiscalização decente. Mas, pelo visto, vamos continuar sendo roubados.

Quem aluga não compra

A propósito do tema pirataria, infelizmente não temos no Brasil pesquisas confiáveis sobre venda e locação de músicas e filmes. Por isso, recorro aqui a um levantamento divulgado há duas semanas, nos EUA, pela empresa de pesquisas BTIG, sobre como os consumidores estão gastando seu dinheiro. Com o surgimento dos TVs, players e sistemas de home theater que acessam a internet, muitos consumidores estão abandonando o hábito de comprar ou mesmo alugar filmes em mídia física. No primeiro semestre do ano, a receita das videolocadoras americanas caiu 31%, enquanto a venda de discos DVD e Blu-ray diminuiu 5%; já no terceiro trimestre, as quedas foram mais fortes ainda: 55% e 11%, respectivamente. Enquanto isso, as vendas dos serviços video-on-demand só aumentam, tanto nas operadoras de cabo e satélite quanto em empresas como Netflix.

Conclusão: o público está preferindo a facilidade de ter tudo a mão, pela tela do TV, do que o velho hábito de sair de casa para “passear” na locadora ou na loja preferida. Desconfio que o mesmo pode começar a acontecer por aqui em breve.

Mais uma que se vai…

Mais uma triste notícia para quem gosta de boa música, especialmente para os cariocas: a Modern Sound, melhor loja de discos do País, está fechando as portas. A notícia saiu em O Globo: no próximo dia 31, Pedro Passos, que fundou a loja em 1966 e cuida dela carinhosamente ao lado do filho Pedro Octavio, entrega o imóvel da Rua Barata Ribeiro, em Ipanema, cujo aluguel não consegue mais pagar. Vão tentar ainda encontrar um ponto mais barato para continuar no negócio, mas sabem que está cada vez mais difícil. Nos últimos anos, o que sustentou a Modern Sound foi o bistrô anexo, por onde têm passado diversas estrelas da MPB, sempre com casa cheia. A venda de discos… bem, esta – como em tantas outras lojas pelo mundo afora – deixou de ser bom negócio faz tempo.

Parabéns às gravadoras e aos que gostam de piratear seus discos, na internet e nos vários outros meios tão fáceis.

O preço do PlayStation 3

Em entrevista ao IDG Now na semana passada, Anderson Garcia, gerente da Sony Brasil para a área de videogames, confirma o que já se sabia: é impossível vender legalmente o PS3 no País por menos de R$ 2 mil. E a razão é fácil de entender: o produto paga 167% de tributação, que somados aos custos indiretos (frete, logística de distribuição etc.) resultam naquele valor, que muitos consideram abusivo quando vêem que nos EUA o mesmo aparelho é vendido por até 300 dólares. Claro, é possível consegui-lo por menos, via importadores “informais”, e acredito que seja isso que muita gente esteja fazendo. Mas é importante entender por que as coisas acontecem, antes de criticar.

A legislação brasileira classifica videogames como “jogos de azar”, vejam só. Meu colega Vinicius Barbosa Lima, que pesquisa muito o assunto, diz com razão que, enquanto TVs, celulares e outros aparelhos eletrônicos recolhem IPI de 20%, videogames recolhem 50%! É apenas uma das inúmeras distorções do sistema tributário brasileiro, que faz multinacionais como Apple, Hitachi e Best Buy resistirem a operar no País. Como já expliquei aqui, o problema afeta praticamente todos os setores: veículos, relógios, brinquedos, cosméticos… Recentemente, uma amiga grávida contou que foi comprar todo o seu enxoval em Miami – gastou menos da metade do que teria gasto se comprasse aqui.

Os números de Manaus

O site da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) é sempre uma ótima fonte de informação para quem quer entender o que acontece com a indústria eletrônica brasileira. Mais de 40% do que se produz lá é eletrônico: TVs, DVDs, celulares, câmeras, aparelhos de áudio, videogames. E, embora este ainda seja o país do contrabando, os números produzidos pelas empresas instaladas em Manaus ilustram bem para onde estamos caminhando.

Vejam, por exemplo, a comparação entre a produção de TVs LCD (incluindo os com backlight de led), plasma e tubo CRT. Enquanto estes últimos, tiveram queda de 33% em relação ao que foi produzido em 2009, a quantidade de plasmas que saíram das três montadoras de Manaus (Panasonic, Samsung e LG) aumentou 11%. Já a de LCDs deu um salto astronômico: 78%! Isso, considerando apenas os números até outubro. Com as perspectivas para este final de ano, o crescimento pode ser ainda maior (embora a maioria das lojas faça seus pedidos para o Natal em outubro).

Isso significa que já ultrapassamos a marca dos 10 milhões de televisores produzidos no País. Até outubro, foram 10,397 milhões, contra 9,03 milhões no ano passado. Até dia 31, deveremos bater os 11 milhões (detalhe importante: mais de 6 milhões foram vendidos no primeiro semestre, por causa da Copa do Mundo). Outra conclusão baseada nesses dados: 65% do mercado de TVs já pertence à categoria LCD, invertendo a proporção registrada em 2009, que era de 54% para o tubo e apenas 42% para o cristal líquido (veja mais detalhes aqui).

Interessante notar também que o plasma, dado como em declínio por alguns, reagiu este ano: de 313 mil unidades produzidas em 2009, até outubro passado já tínhamos 349 mil. Por parecer pouco, mas considerando que só existem plasmas de 42″ ou mais, até que são números animadores.

A Suframa não diferencia os LCDs convencionais dos que utilizam leds, mas todo mundo com quem converso no mercado prevê que até 2012 estes últimos serão maioria. Assim como deverão chegar ao fim da linha, em no máximo dois anos, os TVs HD, ficando apenas os Full-HD.

Lula e a bronca nas teles

Depois de oito anos de governo, e a três semanas de deixar o cargo, o presidente Lula decidiu colocar as operadoras de telecom contra a parede. Não se sabe se ele estava sóbrio ou não (nunca se sabe…), mas o fato é que convocou às pressas uma reunião na última quarta-feira para dizer a ministros e assessores que não vai negociar com as teles, a menos que elas retirem as ações que têm na Justiça contra o governo. Não são poucas: há processos abertos contra a Anatel (por decisões que desrespeitam as regras previamente fixadas para o setor), a Telebrás (que alguns consideram impossibilitada, pela letra da Constituição, de cuidar do Plano Nacional de Banda Larga) e a própria União (por permitir essa bagunça toda).

Sem querer assumir a defesa das teles, que vêm cometendo inúmeras falhas na prestação de serviço, me parece no mínimo estranho que Lula queira, a esta altura, dar puxões de orelha em quem quer que seja, em matéria de telecom. É fato que está em jogo uma montanha de dinheiro. O novo plano de metas para o setor estipula regras que, se tiverem mesmo de ser cumpridas, são uma ameaça até à saúde financeira das empresas. E o PNBL, se for tocado apenas pela Telebrás, tem tudo para se tornar um grande fiasco – não há dinheiro nem competência técnica disponíveis no governo para um projeto dessa magnitude.

Mas Lula, ora, está para sair do governo – pelo menos diz isso. A presidente Dilma já nomeou Paulo Bernardo para o Ministério das Comunicações, o que significa que pretende tirar essa pasta do fundo de poço em que foi jogada desde a nomeação de Helio Costa. São eles – Dilma e Bernardo – quem devem agora ter a palavra. Lula não cuidou disso em oito anos; não tem o direito (nem a capacidade) de fazê-lo em 20 dias.

Para quem quiser entender um pouco melhor essa discussão, recomendo esta excelente reportagem de Mariana Mazza, do site Tela Viva.

iPad 2 sai em abril

E lá vamos nós, de novo, atrás de boatos sobre futuros lançamentos da Apple. Como já se tornou comum nesta época do ano, as notícias surgem de fontes não identificadas, meio como balão de ensaio, para serem confirmadas depois de alguns meses. É a “máquina de marketing” de Steve Jobs a todo vapor. O boato mais recente vem da China, onde o site Digitimes – especializado no setor de tecnologia – informa que a Apple já encomendou entre 400 e 600 mil unidades do iPad 2, a serem entregues pelos fabricantes chineses em 100 dias. Fazendo as contas, conclui-se que o produto deve estar no mercado por volta de abril.

Não é mera coincidência ter sido também em abril (de 2010) que a primeira versão do tablet chegou às lojas dos EUA. Segundo o Digitimes, citando fontes ligadas aos fabricantes de componentes, a encomenda foi feita à Foxconn, do grupo Hon Hai, que ao lado da Quanta é hoje o principal fornecedor da Apple. As primeiras entregas haviam sido programadas para janeiro, mas foram adiadas devido a testes adicionais no firmware do aparelho. Todos os parceiros da Foxconn já teriam sido informados do novo prazo.

O site só não conseguiu descobrir (por enquanto) o que essa segunda versão irá trazer de diferente. Este site italiano traz uma série de especulações: webcam dupla, dois tamanhos (7 e 10 polegadas), entrada USB e até um novo tipo de tela touchscreen, que pode ser acionada mesmo que o usuário esteja usando luvas… Mas o Digitimes levantou números interessantes para se analisar o impacto desse fantástico produto em seus primeiros meses de vida. No terceiro trimestre do ano, a Apple vendeu nada menos do que 7,5 milhões de unidades, após 4,19 milhões apenas no segundo trimestre. Ou seja, o boca-a-boca foi o grande impulsionador das vendas, que vêm aumentando continuamente. Neste mês de dezembro, o iPad começa a ser vendido na América Latina e também na Coreia do Sul, o que deve elevar os números ainda mais. Vejam esta tabela montada pelo Digitimes (os números estão em milhões de unidades):

PERÍODO ABR-JUN JUL-SET OUT-DEZ* TOTAL 2010
VENDIDOS 3,3 mi 4,19 mi 7-7,5 mi 14,49-14,99 mi
FABRICADOS 3,3 mi 6 mi 6,5-7 mi 15,8-16,3 mi

*estimativa

Pelo menos até janeiro, não há a menor expectativa de reduzir a produção, dizem os chineses. Depois, sim, espera-se acabarem os estoques do iPad 1 para dar lugar ao iPad 2. Que, se bobear, vai superar todos esses números.

TV paga HD, mais barata?

Sim, é o que promete o presidente da Sky, Luiz Eduardo Baptista, segundo leio no site Pay-TV. De olho na ascensão da classe C, a empresa planeja pacotes HD mais em conta para 2011. Difícil é saber se vai dar tempo. Estão adiantadas as negociações entre a Globo, que detém 28% das ações da operadora, e a americana DirecTV, dona do restante. A Globo já decidiu que não quer mais atuar como distribuidora, apenas como programadora (já vendeu sua participação na Net à America Móvil, dona da Embratel), e só aguarda que os valores propostos cheguem num nível que lhe satisfaça. Segundo o mesmo Pay-TV, as cifras giram em torno de US$ 500 milhões.

Com 2,331 milhões de assinantes em setembro, segundo a consultoria Teleco, a Sky é hoje a maior operadora de TV por satélite no Brasil (durante muitos anos, foi a única). No balanço geral do setor, tem 25,4% de participação; só perde para a Net, com 4,065 milhões de assinantes (44,8%). O Brasil representa 55% do faturamento da DirecTV Latin America, que pretende crescer aqui 1 milhão de novos assinantes por ano.

Cinema + internet + TV

Comentei aqui outro dia sobre as acusações de pirataria contra o Google, e vejam agora que notícia interessante: nos EUA, Disney e Netflix estão se unindo numa parceria para distribuir conteúdos da empresa do Mickey pela maior locadora virtual do planeta. O acordo prevê que filmes e séries produzidos pelas emissoras do grupo Disney (rede aberta ABC e o canal pago Disney Channel) poderão ser vendidos via streaming aos clientes da Netflix. O pacote inclui séries de sucesso como “Grey’s Anatomy”, “High School Musical” e “Desperate Housewives”, todas também exibidas no Brasil, além de todos os episódios de “Lost” (que aqui passa no canal Universal).

O que significa essa parceria? É a primeira do que promete ser uma série de associações entre produtores de conteúdo e canais de distribuição online. Estúdios e emissoras de TV estão percebendo que, se não fizerem isso, a pirataria se encarregará de faturar com esses materiais, como já vem acontecendo. Hoje, o maior cliente virtual de Hollywood é a loja iTunes, que pode perder o posto para a Netflix logo, logo. Este ano, a locadora online triplicou seu faturamento e virou novo xodó dos estúdios e das emissoras.

Alguém pode questionar que esse é um fenômeno apenas americano, mas é um engano. No Brasil, ainda não temos uma Netflix porque a velocidade das conexões é precária (NetMovies e Saraiva Digital são candidatas a preencher esse espaço). Mas é questão de tempo. Aguardem os próximos episódios.

Um super-herói do século 21

A prisão do australiano Julian Assange, anteontem em Londres, é apenas o primeiro capítulo de uma história que ainda vai render muito (talvez o segundo, considerando os episódios das últimas duas semanas, quando a palavra “Wikileaks” passou a ser uma das mais lidas e comentadas do planeta). Aos 39 anos, Assange entra para a galeria dos grandes heróis modernos, ao ser declarado inimigo número 2 (o primeiro continua sendo Bin Laden) dos homens mais poderosos do mundo. Conseguiu isso apenas manejando um site.

Até duas semanas atrás, o Wikileaks era conhecido apenas das pessoas mais antenadas. Chegou a ser acusado de instrumento dos EUA e de Israel, ao divulgar documentos sobre terrorismo no Paquistão. Agora, após revelar milhares de documentos do serviço secreto americano, que envolvem a segurança de vários países (inclusive o Brasil), tornou-se alvo de milhões de buscas – e quase automaticamente foi tirado do ar. Assange deve ficar preso alguns dias, talvez semanas, e passar por um longo processo judicial, cujo desfecho é imprevisível. Na verdade, ele se entregou à polícia inglesa, onde deve acreditar que está mais seguro do que solto – se caísse nas mãos dos americanos, por exemplo, é bem provável que fosse morto; e na Suécia, onde tem residência, por ser acusado de crimes sexuais que lá são considerados gravíssimos, dificilmente escaparia de alguns anos, pelo menos, de prisão.

Ao se entregar, Assange também avisou que tem mais munição guardada. O site está sendo mantido por amigos e seguidores, em endereço clandestino, e é certo que as fontes que lhe passaram os documentos secretos têm muito mais para divulgar. Como no caso de Bin Laden e outros criminosos, de pouco adiantaria eliminar Assange – os vazamentos continuarão, pois estão saindo das entranhas do poder; o Wikileaks é apenas um instrumento de propagação (ou seja, uma mídia). E, evidentemente, para o governo americano, é mais fácil pedir a sua cabeça do que encontrar os verdadeiros vazadores.

Antes que me acusem de estar do lado dos poderosos, aviso que sou totalmente a favor de Assange e do Wikileaks. Lendo alguns dos tais documentos – traduzidos pela Folha de São Paulo, num trabalho jornalístico brilhante – conclui-se que grande parte das informações é de utilidade pública. O que nos remete à questão da privacidade na internet, como tento explicar neste artigo. Quem realmente está protegido nessa selva de dados? E quem protege quem? Só mesmo acreditando em super-heróis.

Google é pirata?

Não são poucos os que acusam o Google de, entre outros delitos, estimular a pirataria. Afinal, a máquina de buscas localiza tudo e não tem como identificar se os endereços que aparecem a cada clique são legais ou ilegais. Aliás, mal tem condições de saber se o site indicado é, de fato, o que procuramos (o que vemos de lixo a cada busca é impressionante…) Mas o dinheiro sempre fala mais alto. Agora que tenta atrair os estúdios de cinema para sua futura loja digital, a Google Inc. descobriu como bloquear conteúdos não autorizados.

Na semana passada, a empresa anunciou um novo mecanismo de busca pelo qual os primeiros sites listados na tela do usuário serão apenas endereços que contenham material legal. Exemplo: se você digita o nome de uma música, os sites que oferecem o download não autorizado não irão aparecer nas primeiras páginas de resultados. O visitante será elegantemente direcionado a sites onde aquela canção possa ser comprada, e não baixada gratuitamente, a menos que o dono dos direitos autorize. Mais: toda vez que um detentor de direitos reclamar de um site ilegal, o Google promete retirá-lo da lista em no máximo 24 horas. E diz que fará o mesmo com empresas piratas que utilizam o sistema de links patrocinados.

Como? Só vendo para crer. Por que não se preocuparam com isso até hoje? O fato é que a Google Inc. sofreu um tranco no mês passado, quando as principais redes de televisão americanas proibiram o serviço GoogleTV de veicular seus conteúdos. Desde que decidiu competir de frente com a Apple (cuja loja iTunes só oferece conteúdo legal), o pessoal da Google está vendo que essa política de abraçar o mundo pode ser tentadora, mas tem também seus obstáculos. Hoje, por exemplo, surgiu a notícia de que vem aí o Google eBooks, para concorrer com a Amazon oferecendo milhares de livros gratuitos. Quem vai pagar a conta? Por enquanto, ninguém sabe.

Academia dos fones de ouvido

Na medida do possível, vamos informando aqui sobre cursos e eventos que podem ser interessantes para os profissionais do nosso segmento. Esta semana tem mais um (e gratuito): Sennheiser Sound Academy é o nome de um encontro promovido pela famosa marca alemã de microfones e fones de ouvido. Será um workshop com dois especialistas que vêm dos EUA. Vai ser nesta quarta-feira, dia 8, em São Paulo: na sexta, o evento se repete no Rio. Para mais detalhes, é só ligar para (11) 3721-6393 ou entrar na página da Sennheiser no Facebook.

Tudo certo, mas nada em ordem

A cara-de-pau de certas figuras, especialmente no governo, parece mesmo que não tem limites. Na última terça-feira, segundo leio no site Tela Viva, foi promovido em Brasilia um certo “Fórum Brasil Conectado 2010”, com um desfile de mentiras (ou meias-verdades, vá lá…) sobre o mercado de telecom e principalmente a implantação do já célebre Plano Nacional de Banda Larga (PNBL).

Juntaram alguns empresários que devem favores ao governo (ou esperam por privilégios) mais uma turma de burocratas e amigos do poder para anunciar, alto e bom som, que as metas da fase inicial do Plano foram atingidas!!! Bem, se você – como eu – não percebeu, deve estar mal informado. Esses senhores engravatados garantem que vai tudo às mil maravilhas. Exemplos? O Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU) – aliás, esses caras gostam de nomes assim, pomposos, não? Diz Cezar Álvarez, um dos principais assessores do presidente Lula na área de tecnologia e presidente do Grupo Gestor de Políticas de Inclusão Digital (outro título cheio de pompa…), que o PGMU foi concluído. Detalhe: somente na semana passada a Anatel iniciou o processo de discussão pública das tais metas, que inclusive estão sendo questionadas na Justiça pelas operadoras. Ou seja, deram por “concluído” algo que ainda nem foi discutido…

Os exemplos colhidos pelo Tela Viva são vários, e gritantes. Incluem, por exemplo, a implantação de redes 3G em todos os municípios do País até o final do ano. Obra também “concluída”, diz o sr. Álvarez. Ou a implantação da rede de fibra óptica a ser usada no PNBL. Igualmente “concluída”, segundo o mesmo senhor. Ou ainda a negociação para isenção de ICMS e IPI na venda dos modems de banda larga. Outra que foi “concluída”. E por aí vai.

“Avançamos muito”, diz Álvarez. “Só o fato de começar a discussão já é um grande avanço”. O pior é que essa gente diz as coisas e nem sequer fica vermelha.

Mais opções em caixas acústicas

O setor de caixas acústicas é interessante. Ao contrário de displays e aparelhos eletrônicos em geral, as inovações são quase invisíveis – até porque caixas são feitas para se ouvir, embora haja empresas que capricham no design diferenciado. No Brasil, não é diferente. A oferta de marcas e modelos é tão grande que chega a confundir até os especialistas. Agora mesmo, duas marcas que já estiveram no mercado estão voltando: a inglesa KEF e a francesa Cabasse.

A primeira já passou por vários distribuidores e, apesar de sua inegável qualidade, não conseguiu se firmar. Já a Cabasse sempre foi uma marca de nicho, voltada para audiófilos, na linha definida pelos fundadores. Anteontem, conversei com Christoph Cabasse e Frederic Lebreton, executivos da empresa, que estão no Brasil para o relançamento oficial da marca. Agora, teremos três categorias bem distintas de produtos, inclusive modelos de embutir, e uma política mais aberta às opiniões dos revendedores. Pelo menos, é o que eles prometem.

Um detalhe importante é que a Cabasse foi adquirida anos atrás pela gigante japonesa Canon e, com isso, teve mesmo que se restruturar. Vamos ver o que isso significará na prática para o consumidor.