Archive | janeiro, 2011

Sua assinatura no iPad

Na guerra dos aplicativos, por enquanto a Apple está ganhando de goleada. A cada dia surge uma novidade. Vejam esta, da empresa DocuSign, de Seattle: você pode enviar a eles um documento qualquer e, acessando o site com seu iPad, escrever sua assinatura sobre a tela, como se estivesse com o papel nas mãos. Aí, o documento volta para você assinado. Pode ser ignorância minha, mas ainda não tinha ouvido falar desse recurso.
Aliás, segundo The Wall Street Journal, várias outras empresas vêm criando serviços similares. Zosh, da empresa YouSendIt, permite assinar documentos em formato PDF via iPhone, enquanto RightSignature é um sistema no qual pode-se armazenar documentos “na nuvem” e assiná-los digitalmente, também via aparelhos da Apple. Em todos esses casos, a assinatura é plenamente válida em território americano, inclusive para fins processuais.

Não é à tôa que a Apple domina 75% do mercado mundial.

Jovens talentos perdidos

Dizia o grande filósofo inglês Bertrand Russell: “A religião é o ópio do povo”. Pois é, poderíamos acrescentar algo como: “A tradição – ou o excesso de tradicionalismo – pode travar o desenvolvimento de um povo”. Reportagem do The New York Times na semana passada (a tradução, publicada pela Folha de São Paulo, pode ser lida aqui) mostra o problema que o Japão está enfrentando com a perda de jovens talentos. É mais um efeito do conflito que o país vive entre modernidade e tradição.

O próprio presidente da Sony, Howard Stringer, já alertou para a questão (leia aqui). Técnicos, engenheiros e até cientistas japoneses, na faixa dos 30 anos, estão encontrando dificuldade para obter emprego, apesar de seu altíssimo nível de qualificação. Isso porque os profissionais antigos têm lugar cativo nas empresas: o respeito aos mais velhos, tidos como “fontes de sabedoria”, é inabalável. E, como há uma cultura generalizada contra as demissões, as pessoas recebem incentivos para permanecer em seus postos pela vida inteira. Profissionais na faixa dos 50 anos têm, em média, salários duas vezes mais altos que os jovens. No ano passado, por exemplo, apenas 56,7% dos que se formaram nos cursos superiores conseguiram arranjar emprego.

Um engenheiro do setor automobilístico, citado no texto, acaba de ser contratado por uma empresa de Taiwan, que considerou seu currículo impecável; em seu próprio país, foi descartado. O problema só tende a piorar, já que a cada ano a idade média da população aumenta um pouco mais.

Talvez esse conflito tradição vs. modernidade esteja na raiz da crise econômica que afeta o Japão, superado aos poucos pelos coreanos, chineses e até países menores da Ásia. Talvez.

Na era do “sem conserto”

Recebo via e-mail um desabafo do amigo Paulo Sgambatti, veterano em projetos de áudio, vídeo e automação, sobre reportagem do site americano CNet. Dan Ackerman, editor do site, enfrentou em novembro passado um problema que já deve ter atingido 99,99% dos consumidores: seu plasma Samsung de 42″, com cinco anos de vida, simplesmente apagou! Em vez de recorrer a uma assistência técnica, Ackerman decidiu por uma solução literalmente doméstica: desmontar o aparelho e consertá-lo por sua conta e risco. Munido de chave-de-fenda e outras ferramentas triviais, lá foi ele desparafusar os painéis e testar isso e aquilo, até encontrar o defeito (falha numa placa interna, que precisou ser trocada). Com alguns conhecimentos em eletrônica e uma boa pesquisa na internet, Ackerman (foto) conseguiu reaver o plasma que, como ele mesmo diz, “parecia morto”.

Evidentemente, Ackerman não é um consumidor comum – e não recomendo que um consumidor comum siga o seu exemplo, embora ele diga no texto que “tudo é possível com uma boa chave-de-fenda”. Mas a história, que pode ser lida aqui, serve para ilustrar estes tempos descartáveis em que nada parece ter conserto. Na maioria das vezes, prefere-se jogar fora o aparelho e comprar um novo. Várias oficinas especializadas queixam-se do excesso de lixo eletrônico, consequência do hábito disseminado entre os usuários: mandam o produto para conserto e quando recebem o orçamento simplesmente não aparecem mais para buscá-lo.

Sim, no Brasil, diferentemente dos EUA, enfrentamos um crônico problema de falta de peças, o que também influi nesse comportamento; sem falar nos custos indiretos (tributos, logística, encargos sociais…) Mas também não é todo mundo que tem a paciência do nosso amigo Ackerman.

Mais opções em automação

Nesta sexta-feira, fomos conhecer a Mostra Artefacto de Decoração, evento que começa a se tornar tradicional no setor, a convite da empresa SMS, responsável pelos sistemas de automação eletrônica utilizados ali. Famosa há décadas por seus equipamentos de proteção de energia, há cerca de dois anos a SMS começou a investir em automação a partir de sua fábrica em Diadema, na Grande São Paulo. Já lançou um poderoso media center, com capacidade de até 1.5 Terabyte e um vistoso display LCD, e agora está ampliando a oferta de paineis e circuitos para iluminação automatizada sem fio. Vimos uma interessante demonstração das “caixinhas” que funcionam acopladas às tomadas elétricas, permitindo que qualquer aparelho elétrico (e não apenas lâmpadas) se integre à rede da residência.

Essa, sem dúvida, é a grande tendência no mercado de sistemas residenciais: a possibilidade de instalar novos recursos (de entretenimento, segurança etc) sem ter que fazer reformas. Tudo funciona sem fio, aproveitando a rede elétrica já existente. Quem imagina que tudo isso custa uma fortuna irá se surpreender com os preços – que, é claro, dependem da sofisticação do sistema e das condições físicas da residência. Ainda ouço, de vez em quando, críticas à confiabilidade dos sistemas de automação, mas são impressionantes os avanços obtidos por empresas como Crestron, Lutron, Control4, Savant, Xantech e as brasileiras Scenario, Projekt, Absolute. Agora, a SMS junta-se a esse grupo.

A nova missão da Anatel

Pode não dar certo, mas é elogiável a determinação do novo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, de dar mais poderes à Anatel. Nos últimos oito anos, a agência foi gradativamente sendo mutilada pelo Palácio do Planalto, fosse através das malfadadas nomeações políticas ou do corte de verbas. A visão míope de que o Estado pode tudo gerou um grupo de burocratas que se aproveitaram do total desconhecimento do ex-presidente Lula sobre o assunto para implantar uma espécie de “novo regime” nas Comunicações. Dentro dessa estratégia, contribuiu muito a politização do Ministério das Comunicações, que virou quase uma ação entre amigos.

Paulo Bernardo, assim como Dilma Roussef, demonstram saber que esse foi um erro quase devastador às pretensões de um país que quer ser de Primeiro Mundo. Perderam-se oito anos em que já poderíamos ter uma rede de banda larga pelo menos razoável e um sistema de telefonia que respeitasse mais o cidadão-contribuinte. Mais do que isso: perdemos grandes oportunidades de atrair investimentos de ponta e investir na formação de mão-de-obra mais qualificada, que fará muita falta agora. Se alguém ganhou, foram os amigos de Lula, que conseguiram seus empregos – e ainda resistem a sair de lá.

É o que alguns chamam de “custo Lula”, que ainda há de ser melhor avaliado, apesar dos 80 e tantos por cento de popularidade. De certa forma, foi o que aconteceu também com a política externa brasileira nos últimos oito anos. O Brasil deu as costas aos EUA e à Europa, por razões puramente ideológicas (datadas da década de 50 do século passado), e se aproximou de “potências” como Irã, Cuba, Venezuela e Gabão…

Bem, desculpem a divagação. Voltando à Anatel, um novo papel está reservado à agência no governo Dilma. Como reconhece o ministro Bernardo em entrevista ao site Convergência Digital, a Anatel tem muito mais recursos e pessoal técnico capacitado para fazer, por exemplo, a fiscalização das emissoras de rádio e televisão. Pode e deve, também, aumentar a vigilância sobre as operadoras telefônicas e de banda larga, que continuam liderando os rankings de reclamações nos Procons. E tem condições de contribuir nos projetos de inclusão digital do governo, assim como no Plano Nacional de Banda Larga.

Esse é o papel que se espera de uma agência reguladora. Infelizmente, nos últimos oito anos a Anatel foi forçada a ser mera coadjuvante, sem regular nem fiscalizar coisa alguma.

Câmeras 3D estão chegando

A Sony quer ser a primeira a lançar no Brasil as câmeras e filmadoras que gravam imagens em 3D. A empresa anunciou hoje que até abril irá colocar no mercado o modelo HDR-TD10, da linha Handycam, que tem lente dupla e display que permite ver as imagens gravadas em 3D sem óculos (assista a este vídeo). Segundo a Sony, a gravação é em Double Full-HD, ou seja, as duas imagens (olhos esquerdo e direito) são em alta definição – mais detalhes aqui.

Para o segundo semestre, vem a Bloggie 3D (foto), câmera de bolso projetada para facilitar a captação de vídeos tridimensionais e o upload imediato para a internet. Aqui, o problema está na conexão: o usuário vai precisar de uma rede bem robusta para conseguir subir imagens em 3D. De qualquer forma, a ciamera também permite captar vídeos em 2D Full-HD e fotos com 5 Megapixels de resolução. Está bom, não?

Redes sociais e políticas

Estou lendo o livro “O Efeito Facebook”, que conta a história da empresa por um ângulo oposto ao de “Bilionários por Acaso”, adaptado para o cinema em “A Rede Social”, filme que concorre ao Oscar. Livro e filme são muito bons, mas sofrem de um pecado mortal: não mostram a versão de Mark Zuckerberg para os fatos, apenas as de seus desafetos.

Este novo livro, além de entrevistar “Zuck”, amplia a visão que temos do site, mostrando como essa rede está ganhando poderes, digamos, acima do normal. O Facebook foi importante, por exemplo, no processo de libertação dos reféns sequestrados pelas Farc, na Colômbia, dois anos atrás. E também agora, na Tunisia, onde o ditador caiu depois de décadas no poder. Graças ao Facebook – e também ao Twitter, é bom que se diga – houve uma enorme mobilização dos tunisianos, levando muitos às ruas para protestar e, enfim, derrubar o homem.

Agora, o processo se repete no Egito. Facebook e Twitter estão sendo fundamentais na mobilização da população local contra o ditador Mubarak, que está no poder há 30 anos. Já há até reflexos em outros países árabes, igualmente ditatoriais, cujos governos tentam por todos os meios censurar as redes sociais e a internet como um todo. Tomara que não consigam.

Testemunhar esses movimentos é um privilégio. Acompanhem, por exemplo, nestes links:

Nieman Journalism Lab

Al Jazeera

Totally Coolpix

Telecomix

Protestos no Twitter

Protestos no Facebook

Vem aí o TV da Apple. Será?

Como se não bastassem as especulações em torno do iPhone5 e do iPad2, mais uma notícia envolvendo a Apple surgiu nesta sexta-feira: a empresa estaria preparando o lançamento de uma linha de televisores. A fonte, que não quis se identificar, é do site MacWorld, especializado em Apple. O aparelho seria compatível com o sistema operacional iOS e daria acesso direto à loja iTunes, além de diversos aplicativos já existentes para iPhone, iPod e iPad que poderiam ser usados também no TV (a foto, na verdade, é uma montagem com um TV da Samsung, feita pelo pessoal do MacWorld).

Os rumores aumentaram depois que Tim Cook, substituto de Steve Jobs no comando da empresa, anunciou um investimento de US$ 3,9 bilhões num novo suprimento de componentes. Como esse valor é alto demais para os aparelhos atuais da empresa, começaram as especulações. Recentemente, a Apple anunciou parcerias com fabricantes de equipamentos de áudio (B&W, Denon e Marantz) para que utilizem seu protocolo AirPlay, que permite transferir áudio sem fio dos produtos Apple para aparelhos dessas marcas (mais detalhes aqui).

Conclusão de alguns especialistas: o “TV Apple” (não confundir com Apple TV, que é o módulo de recepção de conteúdos via web) vai permitir baixar filmes, músicas e programas de televisão via iTunes, com o som sendo reproduzido por um receiver Denon ou Marantz, tudo controlado por um iPhone ou iPad. Simples, não? Simples demais para ser verdade?

Nada como a concorrência

Reportagem da Folha de São Paulo esta semana compara os preços dos pacotes de banda larga entre as principais operadoras, chegando à conclusão de que – mais uma vez – a concorrência é uma bênção. Diz o repórter Rafael Capanema que por cerca de R$ 100 mensais já é possível adquirir um plano de 10 megabits por segundo, e lembra que em 1999 um pacote de 512 kilobits por segundo (ou seja, vinte vezes mais lento) custava R$ 4.000. O que a reportagem não explica é que essas velocidades jamais são fornecidas, pelo simples fato de que nenhuma operadora consegue. O mais comum é o assinante receber em casa 10% da velocidade contratada, ou seja, quem comprou 10Mbps acaba ficando com apenas 1Mbps. Essa é a realidade do mercado, embora uma representante do Idec, Valeria Cunha, tenha dito ao jornal que “quando você adquire o serviço, a operadora deve assegurar a velocidade para qualquer tipo de execução que você faça no sistema”.

Seria ótimo se fosse assim.

A guerra dos games

A Sony apresentou hoje, em Tóquio, seu novo videogame portátil, o NGP (Next Generation Portable), que deve substituir o PSP talvez ainda este ano. Segundo as más línguas (e como existem más línguas…), foi só para provocar a Nintendo, que atrasou o lançamento do 3DS, primeiro game portátil 3D, agora remarcado para final de fevereiro. O NGP (foto) não tem 3D – pelo menos não o protótipo exibido hoje -, mas acessa a internet via rede 3G, e a estratégia da Sony é fazer a molecada entrar na rede PlayStation Network para jogar online. Vamos ver se funciona. As duas empresas são rivais ferozes no Japão.

Para a Nintendo, o problema não é simplesmente esse novo game portátil. Bem mais complicado é administrar a queda nas vendas do Wii, principalmente depois da atualização 3D para o PlayStation e do lançamento do Kinect, da Microsoft. Ambos oferecem algo que a Nintendo não tem como oferecer hoje: alta definição. Mesmo o 3DS exibindo imagens tridimensionais sem óculos, a qualidade continua sendo a mesma do DS já conhecido. PS3 e Kinect transportam o jogador para um outro universo, com vídeo e também áudio mais do que envolventes.

Segundo seu mais recente balanço, também divulgado hoje, a Nintendo registra queda de 1,5 milhão de unidades nas vendas previstas do Wii para o atual ano fiscal, que termina em março. Até dezembro, o faturamento da empresa foi de US$ 9,8 bilhões (haviam sido US$ 14 bi no mesmo período de 2009), enquanto a receita líquida caiu 75%. Enquanto isso, diz o site especializado All Things Digital, a Microsoft já vendeu 8 milhões de unidades do Kinect em apenas dois meses, e o PlayStation 3 teve forte impulso (ainda não contabilizado) com o lançamento do controle Move.

Só dá parabólica…

Saiu hoje o levantamento final da Anatel sobre o crescimento da TV paga no Brasil em 2010. E, conforme todos previam, deu satélite na cabeça: 4,473 milhões de assinantes hoje preferem o sistema DTH, vendido por Sky e Via Embratel, contra 4,981 milhões que mantêm-se fieis ao cabo. O salto é espantoso (embora plenamente explicável). Em 2009, o satélite representava 37,4% de todas as casas com TV por assinatura; hoje, representa 45,8%; já o cabo, que tinha 57,9% desse mercado, hoje tem 51%.

A explicação encontra-se nos números referentes às regiões do país que tiveram maior crescimento na venda de assinaturas: Norte, Nordeste e Centro-Oeste, como aliás, já tinha acontecido nos dois anos anteriores. Ali estão exatamente as cidades onde o cabo não chega (nem deve chegar tão cedo, porque não há dinheiro suficiente para cabear um país tão grande). Já o satélite chega fácil: basta colocar uma parabólica. Somando com as áreas das regiões Sul e Sudeste onde, por motivos diversos, as operadoras de cabo também não estão conseguindo chegar, tem-se esse resultado.

Palpite (mero palpite): até final deste ano, o DTH ultrapassa o cabo.

O mais fino de todos

Sei que nem todos os leitores se ligam muito na questão de espessura dos TVs, mas esta semana recebemos para teste o novo modelo LED da Samsung, de 55 polegadas, que tem apenas 0,67cm!!! Isso mesmo: menos de 1cm de espessura, com um acabamento primoroso e uma quantidade de recursos rara de se encontrar num único aparelho. Além de reproduzir imagens em 3D (pena que haja tão pouco conteúdo disponível), acessa a internet, permite gravar os programas num HD externo e tem uma qualidade de imagem comparável à dos melhores plasmas. Não por acaso, é um dos TVs mais caros do mercado: R$ 11.672 (à vista).

Vamos começar agora os testes, mas neste vídeo vocês já têm algumas primeiras impressões.

NY Times = Wikileaks?

Olho na mídia, sempre!

Vai ser engraçado ver The New York Times, o jornal mais influente do mundo, abrindo espaço para espiões divulgarem documentos secretos. Sim, saiu no Yahoo: o jornal criou uma equipe para estudar uma espécie de senha para que vazadores de informações confidenciais as tragam a público sem serem identificados. O editor do jornal, Bill Keller, admitiu que o modelo é o da Al-Jazeera, agência de notícias do mundo árabe, que por várias vezes já foi usada para divulgar vídeos com mensagens de Bin Laden. A agência diz já ter em mãos mais de 1.700 documentos secretos. Raffi Khatchadourian, repórter do NYT, abriu o jogo: “Precisamos estar preparados para atuar no mesmo esquema, no estilo Wikileaks”.

A ideia, segundo ele, é que Julian Assange, criador do Wikileaks, é apenas um intermediário sendo usado por forças interessadas em vazar documentos contra os EUA. Se é assim, o NYT será o que, então?

Falando nisso, até agora não descobriram se há mesmo ligação entre Assange e aquele soldado Manning, acusado de ter entregue os documentos ao Wikileaks. Veja reportagem da revista Wired.

Futebol e os bastidores da TV

Nos corredores das principais emissoras de televisão, o assunto da hora é a disputa pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol a partir de 2012 (o contrato de exclusividade com a Globo termina este ano). E, embora saiba-se que a Record vai jogar pesado para ganhar a batalha, há no mercado quem aposte numa solução alternativa. Não há como tirar da Globo a capacidade única de fazer dinheiro com a TV por assinatura. Além disso, a emissora carioca é a mais bem-estruturada para explorar as novas mídias, como celular e internet. E está entrando no jogo uma força chamada Telefonica, com sua rede de banda larga e o Portal Terra.

Somando tudo, o mais provável é que surja uma mega-negociação, com Record e Globo dividindo os direitos de TV aberta, Globosat garantindo a continuidade das transmissões fechadas e um acerto equitativo para as outras mídias, cujo potencial é crescente.

O único problema é que tudo terá que ser negociado com cartolas de futebol. E, desses, pode-se esperar qualquer coisa.

Guerra de audiência on line

Enquanto cai a audiência da maioria das redes de TV americanas, inclusive as de TV por assinatura, sobe a dos sites dedicados a conteúdos de televisão. Pode parecer incoerente, mas cada vez fica mais claro que o consumidor está preferindo a internet, onde tem mais flexibilidade de escolha, do que as emissoras convencionais.

Vejam os dados mais recentes da comScore, empresa que monitora a audiência on line por lá, relativos ao mês de dezembro. O Google continua sendo, disparado, o site mais acessado, com nada menos do que 144 milhões de visitante únicos e um incrível 1,92 bilhão de pageviews; o segundo colocado (Yahoo) está muito atrás, com 53 e 191 milhões, respectivamente. As surpresas começam a partir do terceiro lugar, onde entrou o novo site Vevo, dedicado apenas a música e disponível somente nos EUA e Canadá: encostou no Yahoo em número de visitantes (50,5 milhões) e ultrapassou em pageviews (266 milhões).

No ranking dos dez sites mais visitados, há ainda os da Viacom, Fox Interactive, Turner e Hulu, todos exibindo basicamente conteúdos similares aos da televisão convencional, ou seja, filmes e séries. Com a chegada dos TVs conectados, a tendência é que essa audiência aumente ainda mais.

Banda larga e demorada

Mestre Silvio Meira, um dos homens que mais entendem de tecnologia no Brasil, fez em seu blog esta semana um análise detalhada do estágio em que anda (ou não anda) a banda larga brasileira. Vale a pena ler. Baseado em informações oficiais, inclusive declarações recentes de pessoas do governo, ele chega à conclusão de que quem quiser banda larga mesmo, com velocidade razoável, é melhor esperar sentado. A quantidade de problemas a resolver é tão grande que, embora se diga otimista, Meira quase entrega os pontos. Vejam só:

*O país vive um quadro de alto consumo, e é natural que as pessoas queiram comprar computador e fazer assinatura de planos de banda larga – que as operadoras vendem, é claro, mas sem condições de poder entregar;

*Como já comentamos aqui, o que se vende no Brasil como “banda larga” é, na verdade, uma conexão de 512Kbps, o que, pelos padrões internacionais, está longe do mínimo aceitável (na Europa, Ásia e América do Norte, considera-se banda larga a partir de 2Mbps);

*Mesmo investindo alto, o governo brasileiro não consegue implantar nem mesmo os tais 512Kbps nas 1.163 cidades identificadas pela Telebrás como prioritárias. Não há rede para isso, e construir redes é coisa para especialistas, que a estatal não tem.

*A Telebrás diz que já comprou os equipamentos necessários, mas onde eles serão instalados? E como? O caminho mais rápido seria usar as redes das empresas de energia elétrica, mas isso depende de negociações com cada uma delas, o que é necessariamente demorado.

*Implantadas as redes, a Telebrás teria que vender os megabits no atacado às operadoras. As grandes não têm interesse em chegar nas mais de 1.100 cidades; ao contrário, querem apenas reforçar suas posições nos 250 ou 300 municípios que oferecem alta rentabilidade. As pequenas operadoras têm interesse, mas não têm dinheiro para comprar os megabits. Quem (e como) vai financiá-las?

*Ainda que BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica e demais órgãos públicos entrem com o dinheiro, vai ser um desafio instalar, coordenar e fiscalizar tudo isso – e, como se sabe, a Telebrás também não tem tal estrutura.

*Por fim, e talvez mais importante do que tudo, o governo está entrando numa nova fase de arrocho financeiro, com cortes orçamentários que com certeza atingirão a área de telecom. É uma das heranças que Lula deixou para sua sucessora.

É triste, mas ainda vamos ter que esperar muito…

Definição “ultra-alta”

Passou meio batida na CES a demonstração feita pela Samsung do sistema UD (Ultra Definition). Era um display LED-LCD 3D de 70 polegadas (vejam aqui), com freqüência de 240Hz e resolução de 3.840×2.160 pixels. Não chega ao milagre do 4K (que proporciona 4.096×2.160), muito menos chega perto do chamado “Ultra-HD” (7.680×4.320). Mas tem, segundo a empresa coreana, a vantagem de oferecer imagem Full-HD, isto é, com sinal de alta definição para os dois olhos. Para isso, foram desenvolvidos novos processadores de vídeo. Outra vantagem é que, embora ainda seja protótipo, tem boas chances de chegar ao mercado até o ano que vem – displays 4K devem demorar bem mais.

As várias doenças da Apple

Não é apenas a doença de Steve Jobs que deve preocupar a Apple. Claro, todos torcem para que o homem se recupere logo – um gênio como ele não nasce todo dia. Mas tem muito mais gente sofrendo, e a empresa deve uma satisfação a respeito. Grupos de defesa do meio ambiente na China colocaram na internet este vídeo, que mostra um lado obscuro da fabricação de iPods, iPads etc. A denúncia é de que a empresa obriga seus fornecedores a usar um produto químico extremamente tóxico, em lugar de metais comuns, para produzir seus aparelhos. Um desses fornecedores, a Wintek, teria vários trabalhadores hospitalizados devido aos efeitos malignos do tal produto.

Segundo o jornal inglês The Guardian, a Apple está nos últimos lugares de um ranking que classifica as grandes empresas de tecnologia segundo as preocupações ecológicas. Embora se defina como promotora da ética corporativa, diz o jornal, a empresa de Jobs estimula a poluição e o envenenamento ambiental. Ativistas dizem que a Apple se recusa a revelar os componentes usados na fabricação de seus produtos, ao contrário de outras gigantes da tecnologia que também utilizam fornecedores chineses (são citadas nominalmente HP, Samsung e Sony). “A Apple pode se dizer uma empresa completamente ‘verde’, porque não tem fábrica”, diz Ma Jun, do Instituto de Meio Ambiente da China. “Mas, se ela não controla sua cadeia de produção, essas acabam sendo apenas palavras vazias”.

Só lembrando: no ano passado, a Apple já foi personagem do famoso caso Foxconn, quando dezenas de empregados dessa empresa chinesa, também sua fornecedora, cometeram suicídio.

Onde a banda é mais larga?

“Os EUA perderem para a França em velocidade de banda larga é mais ou menos como a França perder para os EUA na qualidade dos croissants”.
A frase, genial, é de Arianna Huffington, uma das mulheres mais influentes da atualidade. Ela é dona do Huffington Post, um site (ou blog???) que trata de política, comportamento, mídia e um enorme etc. Seu perfil no Twitter tem mais de 520 mil seguidores, o que dá uma boa ideia de como dona Arianna tem credibilidade (apesar de já ter sido acusada de plágio e outras cositas más…)

Como todo mundo que depende da internet, ela também está furiosa com a lentidão das redes nos EUA, que nesse aspecto perdem feio para as europeias. Entre outras coisas, isso é resultado da superlotação: nos EUA, tem muito mais gente tentando usar a rede do que em qualquer outro país (talvez com exceção da China). Arianna está liderando um movimento para apressar o plano do presidente Obama de elevar a velocidade-padrão para 100Mbps; hoje, fica em torno de 2Mbps.

Vamos ver se a pressão funciona.