Archive | fevereiro, 2011

Charlie, o rei da confusão

Não costumo tratar aqui de artistas, nem de cinema, mas essa história do ator Charlie Sheen daria um filme… se é que já não tem alguém em Hollywood pensando no roteiro. Esta semana, ele literalmente “chutou o balde” ao dar entrevista criticando o produtor da série “Two and a Half Men”, um dos maiores sucessos da televisão nos últimos anos. Falando a uma rádio americana, Sheen usou até palavrões e piadas antisemitas, o que deixou furiosos os diretores da Warner (produtora da série) e da CBS (emissora que a exibe nos EUA). Não demorou mais do que algumas horas para que ambas, em comunicado oficial, anunciassem a demissão de Sheen e o fim das gravações da série, em plena metade de temporada.

Em vez de se desculpar, Sheen não só repetiu as críticas como iniciou um movimento através do Facebook, pedindo aos fãs que pressionem as duas empresas a voltar atrás. Se fosse pela qualidade da série, acho que muitos até o fariam. “Two and a Half Men” é uma das mais engraçadas (no Brasil, vai ao ar pelo canal pago Warner). O problema é que Sheen não tem a menor credibilidade, nem mesmo junto aos fãs mais ardorosos. Seu prontuário inclui diversas internações e até detenções por uso de cocaína (até aí tudo bem, não seria o primeiro nem o último); brigas com colegas de trabalho; solicitar os serviços da famosa cafetina Heidi Fleiss, a chamada “Madame Hollywood”; e – pior de tudo – diversas traições e agressões a sua esposa, Brooke Mueller, que no final do ano passado não aguentou mais e pediu divórcio (os dois estão juntos na foto).

Até o pai de Charlie, o também ator Martin Sheen, parece ter desistido de apoiar o filho: “O vício é uma espécie de câncer. É preciso muita paciência e amor para cuidar de uma pessoa assim”. Realmente, é uma situação dolorosa, como sabe qualquer pessoa que já teve algum parente ou amigo nessa situação. Incrível é que, na série, Charlie Sheen é tão engraçado que nem de longe lembra uma pessoa com tantos problemas pessoais. A partir de agora, vai ficar cada vez mais difícil rir das suas piadas.

BNDES na contramão

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse esta semana que irá propor ao governo novas medidas para frear a importação de componentes que, segundo ele, está prejudicando a indústria nacional (vejam a notícia aqui). Refere-se principalmente ao setor de eletrônicos, que no seu entender está perdendo competitividade internacional diante da concorrência “desleal” de alguns países – não mencionou a China, mas nem precisava.

Toda vez que ouço esse tipo de conversa de defender a indústria nacional, fico com os dois pés atrás. Esse foi o argumento que sustentou, durante décadas, a famigerada reserva de mercado da informática. E que transformou inúmeros empresários em afilhados do poder (alguns simplesmente sumiram do mapa quando o governo mudou sua política). Ora, se o país está importando mais componentes, as razões são mais do que conhecidas: a demanda interna aumentou e não há produção suficiente de similares nacionais; ou, se há, o custo é mais alto do que os importados, certamente em função dos tributos e encargos que as empresas brasileiras têm que recolher. Simples assim.

Não é restringindo importações que se vai resolver o problema, mas sim incentivando a produção interna. A pergunta é: será que o governo está disposto a baixar impostos para isso? Mais: será que topa peitar a todo-poderosa China, que hoje produz de tudo, a preço mais baixo que o resto do mundo?

Claro que não. Coutinho deu essas declarações depois de encontros com empresários brasileiros. No fundo, está apenas fazendo jogo de cena para agradá-los. Conversa fiada.

Conte seus pecados ao iPhone

Essa história de aplicativos para iPhone ainda vai dar muito o que falar. Vejam este, que descobri pelo blog de Renato Cruz no Estadão: um app chamado “Confessions“, que permite se confessar pelo aparelho da Apple. Isso mesmo. Digamos que você é católico fervoroso, mas por algum motivo não conseguiu ir à missa neste domingo. Não há problema: é só baixar o programa, que lhe mostrará, na tela do celular, os 10 mandamentos para você identificar em qual, digamos, categoria se enquadra o seu pecado; em seguida, é só digitar a confissão que o programa deixa tudo registrado. Caso seu pecado não se encaixe em nenhum dos mandamentos, você tem a opção de acrescentar um novo à lista!

A “penitência” é descrita através de um tutorial, que lhe informará as orações a serem feitas para – como se pode dizer – limpar a sua ficha… Até o Vaticano aprovou a ideia, embora agora esteja pensando em voltar atrás. Os cardeais romanos – muitos envolvidos em tantos escândalos ligados à pedofilia – ainda não devem estar preparados para entrar no século 21.

O dilema dos EUA

Terminei há pouco de ler um livro chamado “The Chips”, que conta a história da invenção que muitos consideram a mais importante do século 20: o circuito integrado, também chamado “microprocessador”, “microchip” ou simplesmente “chip”. Fiquei encantado ao descobrir inúmeros detalhes que, apesar de meus quase 30 anos nessa área, me eram desconhecidos. O livro remonta aos primeiros estudos do matemático inglês George Boole, no século 18, antecipando a era da informática e da digitalização. E por aí vai.

É um livro excelente, embora escrito em 2001, ou seja, dez anos atrás – e quanta coisa aconteceu nestes dez anos! Não consegui encontrar uma tradução em português, o que é uma pena. Mas tem um defeito grave: o subtítulo “Como dois americanos iniciaram uma revolução mundial”. Sim, a invenção do chip é oficialmente atribuída a Robert Noyce, co-fundador da Fairchild e da Intel, e Jack Kilby, da Texas Instruments, que inclusive ganhou um Nobel por isso. E o trabalho de uma série de pesquisadores americanos sem dúvida foi decisivo para a revolução que todos estamos presenciando e experimentando. Mas o subtítulo é típico de um povo que gosta de se atribuir poderes acima do resto da humanidade.

A propósito, lembro de uma história – ou seria piada? – que me foi contada por um professor, muitos anos atrás: a principal diferença entre o brasileiro e o americano é que este, quando vai abrir um botequim, coloca uma placa na fachada dizendo “este é o melhor botequim da cidade”; o brasileiro coloca uma placa dizendo apenas “botequim”.

Pois é, agora que estão experimentando a mais longa crise econômica dos últimos anos (mais de 14 milhões de desempregados, segundo os dados mais recentes), os EUA começam a rever seus conceitos. Sim, há uma campanha nacional para que todos comprem produtos “made in USA”, mas as cabeças pensantes do país – a começar do próprio presidente Obama – utilizam um tom diferente ao analisar a situação. Há um senso mais aguçado de autocrítica, como que percebendo que tratar os outros países como seres inferiores, ou incapazes de gerir os próprios destinos, não é a melhor forma de fazer amigos e influenciar pessoas, como diria o velho Dale Carnegie, o papa da autoajuda.

Nos últimos meses, li diversos artigos – sem falar em incontáveis posts em blogs, no Twitter e no Facebook – de americanos se autocondenando pela falta de uma visão global, em plena era da globalização, que por sinal foram eles que começaram. Recomendo abaixo alguns sites e blogs que tratam do assunto sem aquele americanismo xenófobo à la George Bush:

Don Tapscott, escritor e estudioso do uso da tecnologia na educação;

Seth Godin, escritor e professor, especialista em novas mídias;

Clay Shirky, jornalista e expert em internet e redes sociais;

Nicholas Carr, escritor preocupado com o efeito da internet sobre o comportamento e a cultura;

Open Forum, agregador de artigos sobre empreendedorismo, com foco em marketing e tecnologia;

Mark Levy, escritor e especialista em inovação;

Ethan Zuckerman, fundador do movimento Global Voices Online e ativista político via internet.

Bem, a lista é apenas o começo. A cada dia descubro mais ideias e pessoas interessantes e de vez em quando vou repassá-los aqui. Vejam, são todos americanos e críticos da suposta “superioridade” de Tio Sam sobre o mundo. Zuckerman, por exemplo, foi quem disse que os jovens egípcios que derrubaram seu ditador deram uma lição aos EUA (que gastaram bilhões e perderam milhares de vidas para invadir o Iraque). Ontem mesmo, li este artigo de um cara chamado Andy Marken comentando as propostas de Obama sobre inovação tecnológica.

É isso: vivendo e aprendendo, sempre.

Nova opção em receivers

Outra novidade que vimos aqui no Canadá foi a linha de receivers da Anthem, empresa que a Paradigm comprou anos atrás e que agora pretende brigar mais de frente com as principais marcas do setor (Denon, Onkyo, Yamaha e Marantz, principalmente). Para quem não sabe (eu não sabia), a Anthem é uma espécie de herdeira da Sonic Frontier, que foi no passado uma das referências em equipamentos valvulados. Com a queda desse mercado, seus competentes engenheiros foram recrutados para fazer a transição ao mundo digital, com financiamento da Paradigm. Criaram uma elogiada série de powers e processadores; agora é a hora de disputar no segmento mais popular, que é o de receivers.

Vimos aqui três modelos, sendo um deles com entrada USB, o que significa mais facilidade para conexão de aparelhos multimídia (o dock para iPhone é vendido à parte). Os receivers também oferecem sistema de equalização da sala, mas a novidade nesse campo é um software chamado PBK (Paradigm Bass Kit): um microfone que analisa as características acústicas da sala a partir de cinco posições, enviando os dados para um processador instalado dentro do subwoofer; este então “orienta” o funcionamento do receiver (qualquer marca).

Os revendedores especializados que viram as demos aqui gostaram; alguns, até, já querem levar o microfone na bagagem.

Indústria das comunicações

Não sei se estou ficando louco, mas segundo o site Tela Viva a presidente Dilma Roussef determinou que, a partir de agora, o Ministério das Comunicações seja “admitido” no Conselho de Política Industrial. Este é composto pelos ministros da Fazenda, Indústria & Comércio, Relações Exteriores, Minas e Energia etc., que têm a ver com o setor industrial. Até aí, tudo bem. Mas a decisão de Dilma significa que até agora o setor de Comunicações – que abrange uma vasta gama de atividades: televisão (aberta e fechada), rádio, cinema, banda larga, internet etc. – não participava das decisões sobre política industrial. Isso, num país que diz querer ser admitido no Primeiro Mundo!

Menos mau: depois de oito anos, descobriram que a indústria de comunicações existe. Fabricantes e importadores de equipamentos, emissoras, produtoras, provedores, operadoras, empresas de software e todas as outras envolvidas agora, talvez, poderão dar palpite nas decisões que têm a ver diretamente com seus destinos. É isso aí: estamos caminhando para o século 20.

Revendedores se unem, nos EUA

Para enfrentar a crise vale tudo. Um grupo de aproximadamente 550 revendedores especializados dos EUA estão se unindo num consórcio chamado Connected Source (em português, “fonte conectada”). A ideia é criar uma rede de lojas independente, espalhada por todo o país, seguindo alguns parâmetros comerciais básicos, mas sem perder sua identidade local. Vai funcionar como uma espécie de franquia, só que os participantes não terão de pagar mensalidades a uma empresa-mãe, como fazem os franqueados. As exigências são basicamente três: ter um show-room de 100 metros quadrados, seguindo algumas normas acordadas entre todos; utilizar a marca “Connected Source” na fachada (junto ao nome original da loja); e fazer as compras apenas através do consórcio. Este último detalhe parece ser o mais importante, já que 550 lojas comprando juntas terão muito mais poder de negociação com os fornecedores.
Na verdade, as 550 empresas somam 950 lojas, com um faturamento conjunto de US$ 3,6 bilhões, segundo o site CE Pro, onde li a notícia. A rede está levantando um fundo para poder se divulgar pelo país afora, daí a exigência de que as lojas tenham a mesma aparência, para criar uma identidade visual junto ao consumidor. O movimento foi lançado oficialmente esta semana, num evento em Orlando, e três fabricantes já concordaram com as condições propostas (Control4, Monster Cable e Sonos). As revendas terão que trabalhar com no máximo duas marcas para cada categoria de produto, ou seja, a ideia é criar mesmo uma “competição” entre os fabricantes.
Mais detalhes neste link.

Que não tenha besteira no meio…

Deu na coluna do sempre bem informado jornalista Ricardo Noblat, em O Globo: a presidente Dilma mandou “limpar” aquele projeto dos amigos de Lula que propõe o controle do governo sobre os meios de comunicação. Quem ficou encarregado da missão foi o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. Suas palavras: “É um texto que eu não tenho domínio total e que tem grandes chances de ter uma besteira no meio”. O autor do projeto, para quem não se lembra, é Franklin Martins, que com Lula mandava e desmandava no governo e queria ensinar jornalismo a todo mundo.

Se ler com atenção, Paulo Bernardo irá encontrar besteiras não apenas no meio, mas também no começo e no final do texto. E, se for inteligente, vai jogá-lo no lixo e cuidar de coisas mais importantes – que, aliás, não faltam.

As caixas que vieram do frio

Os 11 graus negativos do Canadá não assustaram o pessoal que veio do Brasil para conhecer a Paradigm, uma das mais bem equipadas fábricas de caixas acústicas do mundo. Ontem e hoje, percorremos boa parte dos mais de 22 mil metros quadrados da empresa, localizada numa pequena cidade chamada Missisauga, próxima de Toronto. Essas visitas são interessantes não só pela oportunidade de ver como os produtos são fabricados, mas também por podermos conversar com as “cabeças” que estão por trás desses produtos.

A Paradigm, embora não seja campeã de vendas, é um dos raros fabricantes que conheço onde todo o processo de produção é verticalizado: quase todos os itens que entram na fabricação de uma caixa acústica são feitos aqui na sua sede. Isso inclui as partes eletrônicas, os gabinetes (feitos de madeira canadense, aliás considerada uma das melhores do mundo) e até os moldes metálicos sobre os quais são produzidos esses gabinetes. A maior parte das marcas de caixas acústicas que você encontra por aí vem mesmo da China; nas Paradigm, são chineses apenas alguns micro-componentes eletrônicos. “Não temos pretensão de vender milhões de unidades por mês”, me disse Bob Gassel, vice-presidente de vendas, que já trabalhou na concorrente Klipsch (por sinal, recém-adquirida pelo grupo Audiovox). “A filosofia da Paradigm é nunca sacrificar a qualidade para aumentar o volume de vendas. Tanto que, mesmo no mercado americano, até hoje não aceitamos colocar nossos produtos nas grandes redes, como a BestBuy”.

Pois é, são poucas mesmo que fazem isso hoje em dia. E a Paradigm está crescendo: anos atrás incorporou a Anthem, fabricante de receivers, powers e processadores, herdeira da célebre Sonic Frontier; e agora acaba de comprar a Martin Logan, famosa pelas suas caixas acústicas eletrostáticas. Quase todos os onze revendedores brasileiros que aqui estão, com quem conversei, se disseram impressionados com a estrutura da empresa, que vem aumentando seus negócios no Brasil.

Nos próximos dias, contarei aqui mais detalhes sobre esta viagem.

Para onde vão os preços dos cabos

Notícia publicada no site da revista americana Electronic House aponta o aumento repentino do preço dos cabos lá nos EUA. Segundo o texto, a cotação do cobre já subiu mais de 10% este ano. Culpa da China, que apenas em janeiro aumentou suas importações em 51%! O que os chineses estariam fazendo com tanto cobre, sabe-se lá. O fato é que isso, somado a um terremoto que destruiu minas do Chile mais a recuperação do consumo nos EUA, está fazendo decolar o valor do componente mais importante na fabricação de cabos. Em dois anos, a cotação nas Bolsas mais do que dobrou…

Há ainda o temor de que, com a nova crise entre os países árabes, suba também o preço do petróleo, usado na fabricação das capas dos cabos. Sem falar que, quando sobe o petróleo, aumentam os custos de transporte e… bem, todo mundo já sabe as consequências. Não sei se por aqui esses efeitos já estão sendo sentidos, mas sem dúvida essa não é uma boa notícia para ninguém.

Quem quer se aperfeiçoar?

Para quem ainda não sintonizou, vale repetir: estão abertas as inscrições para o Programa de Aperfeiçoamento em Sistemas Eletrônicos Residenciais, que começa em março. As vagas são poucas. É a primeira iniciativa de criar um sistema de certificação para profissionais especializados desse setor, no Brasil. Haverá aulas presenciais e também online, com um grupo de instrutores de alto nível. Quem tiver bom aproveitamento ganhará, no final do ano, a certificação “Home Expert”, com ampla divulgação na revista HOME THEATER & CASA DIGITAL e nas suas mídias online.

O site do evento, para inscrições e informações mais detalhadas, é: www.homexpert.com.br.

Num momento em que se fala tanto em falta de mão-de-obra qualificada no País, acho que essa é uma excelente oportunidade para quem quer, mesmo, se aprimorar naquilo que faz. Da última vez que toquei nesse assunto aqui, teve gente que reclamou da falta de eventos desse tipo. Pois bem, agora é a hora. Quem preferir, pode ficar reclamando… do governo, dos concorrentes, dos fornecedores, dos clientes… Mas o caminho para vencer a crise (qualquer crise), não tem jeito, é estudar, se qualificar e descobrir novas oportunidades de negócio. Mãos à obra!

Caixas acústicas canadenses

Junto com um grupo de profissionais do mercado de áudio e vídeo, estou embarcando logo mais à noite para o Canadá, a convite da distribuidora Syncrotape, onde iremos visitar as instalações da Paradigm, um dos principais fabricantes de caixas acústicas da América do Norte. Já estive em fábricas da JBL, B&W e Mirage, mas é sempre bom conhecer por dentro essas empresas. Espero aprender bastante. E aqui contarei as novidades.

A Suíça é aqui!

Deu no Estadão: “Brasileiros têm mais dinheiro na Suíça do que chineses, indianos ou árabes”. O correspondente Jamil Chade conversou, em off, com funcionários de bancos suíços e descobriu que, oficialmente, brasileiros têm depositados ali pelo menos US$ 6 bilhões; oficialmente, porque os próprios bancos dizem que essa é apenas “a ponta do iceberg”. O volume depositado cresceu muito nos últimos anos: entre 2005 e 2009, foi mais de US$ 1,1 bilhão, cifra que nenhum outro país emergente alcançou. Detalhe: tudo isso refere-se apenas ao dinheiro que sai diretamente do Brasil para a Suíça. Se for considerado o que “navega” pelos paraísos fiscais da vida, com certeza é muito mais. A reportagem conta até o caso de um ex-governador de um grande estado brasileiro que, na hora de depositar seus dólares, pediu para ser declarado como “presidente de uma empresa de reflorestamento”.

Bem, estamos falando de café pequeno, porque até o Banco Central do Brasil reconhece que os depósitos de brasileiros na Suíça estão na casa de US$ 22 bilhões; e o senador Delcidio Amaral, que tenta aprovar uma lei de anistia para que esse dinheiro volte (doce ilusão…), diz que seriam mais de US$ 50 bilhões.

E hoje é dia de futebol. E daqui a duas semanas tem Carnaval…

Google vai brigar com iTunes

Foi uma inconfidência do presidente da Motorola, Sanjay Jha, durante o Mobile World Congress, esta semana em Barcelona. Mas não teve jeito: nos dias de hoje, basta uma frase solta para cair no redemoinho da web e… tchau. Jha tentou consertar, mas o fato é que a Google prepara mesmo um serviço para concorrer com o iTunes, da Apple, e a novidade deve vir junto com o lançamento do tablet Xoom, da Motorola, previsto para março. Será o primeiro aparelho com o sistema operacional Honeycomb, variação do Android para tablets, já anunciado na última CES.

Como se sabe, a Google elegeu primeiro a Microsoft como “inimiga número 1”, e ganhou. Agora, o alvo é a Apple, um adversário bem mais complicado, considerando que iPhone, iPod e iPad são, de longe, os líderes mundiais em suas respectivas categorias. E a loja iTunes é, simplesmente, a maior do mundo em venda de música e filmes. Mesmo assim, a Google aposta na sua força, que inclui um sistema operacional aberto, como o Honeycomb (também chamado “Android 3.0”), capaz de ser acessado via qualquer aparelho, ao contrário da filosofia Apple, que é ter tudo apenas nos aparelhos da marca. Pelo que vazou em Barcelona, segundo o site Ars Technica, a Google finaliza os detalhes relativos à entrega de conteúdo. Em vez de pagar por música baixada, como na iTunes, o usuário faria uma assinatura anual, ao custo de 25 dólares, mas não para download, apenas para streaming, ou seja, poderá ouvir quantas músicas quiser (e até enviar os links a amigos), mas não baixá-las em seu computador.

Por sinal, a Apple também trabalha num serviço de streaming. A ideia é que o usuário da iTunes ouça as músicas ou assista aos filmes on-the-go, ou seja, em qualquer lugar onde esteja, usando iPhone, iPod ou iPad, sem ter que necessariamente baixar os arquivos no aparelho.

Essa briga está ficando cada vez mais interessante.

Faça grandes planos

Não gosto de livros de auto-ajuda, mas essa pequena dica vale. Foi tirada do blog de Seth Godin, escritor americano e estudioso da tecnologia e das mídias sociais, tido por muitos como “visionário”:

“Faça grandes planos… essa é a melhor maneira de fazer coisas boas acontecerem.

“Escreva seus planos. Compartilhe-os com amigos e colegas em quem você confia. Procure quem possa ajudá-lo. Esqueça os pessimistas. Eles não serão facilmente convencidos, mas podem muito bem ser ignorados.

“Há alguma dúvida de que fazer grandes planos aumenta as chances de que alguma coisa realmente boa irá acontecer?

“E há alguma dúvida de que nós precisamos da sua criatividade e da sua contribuição?

“Então, por que você está hesitando em fazer grandes planos?

Dá o que pensar, ou não dá? Mais do que isso, dá vontade de fazer. É isso aí, vamos tirar os planos da cabeça e colocá-los em prática.

Obama e a elite tecnológica

Seria mais ou menos como se Lula (esqueçam, agora é Dilma) convidasse para jantar os presidentes ou diretores da Toshiba, da Globo, da UOL, da Positivo, da Totvs e de outras grandes empresas brasileiras, talvez do CNpQ, de algumas universidades, quem sabe representantes das principais multinacionais do setor de tecnologia instaladas no Brasil. Seria. Alguém consegue imaginar esse encontro?

Pois é, nesta quinta-feira o presidente Barack Obama fez exatamente isso com os líderes de algumas das empresas mais importantes do setor: Apple, Google, Facebook, Yahoo, Cisco, Twitter, Netflix e Oracle, além do presidente da Universidade Stanford (foto). Assunto: como o governo pode impulsionar a inovação e o desenvolvimento tecnológicos no país. Obama queria sugestões para implantar um plano de apoio à área de R&D (Pesquisa & Desenvolvimento), que faz parte do orçamento recém-aprovado, prevendo uma reserva de alguns bilhões para isso, segundo The Wall Street Journal. Quase nada foi divulgado sobre os detalhes da conversa, mas Obama conseguiu trazer até Steve Jobs, que está de licença médica (boa notícia, sinal de que a doença não deve estar tão grave como se temia).

Mas o simples fato de ter havido esse encontro já é digno de aplauso. Obama, que se elegeu em grande parte devido às redes sociais, fazendo inclusive com que milhões de pessoas que nunca votavam comparecessem às urnas, foi o primeiro presidente americano a definir claramente uma política de apoio à tecnologia. E a reafirmar que isso é fundamental para o futuro de um país que se pretende de Primeiro Mundo. Num discurso ontem de manhã, ele disse textualmente: “Vamos derrubar todas as barreiras ao crescimento. E precisamos do setor privado para expandir a economia e fazer o governo funcionar melhor”. Segundo um assessor, Obama pediu aos líderes das grandes empresas ideias para estimular as crianças e os jovens a estudarem mais matemática, ciências e engenharia.

Ressalto aqui o trecho “fazer o governo funcionar melhor”. E repito a pergunta: alguém imagina uma cena como essa no Brasil?

A maçã atropela todo mundo

Enquanto o governo brasileiro discute se tablet é ou não produto de informática (sério: esse debate está impedindo a definição sobre o tipo de imposto que irá incidir sobre o produto), vejam que interessante esta nova pesquisa da DisplaySearch sobre o mercado mundial de computadores portáteis. Partindo do princípio, evidente, de que tablet é, sim, um computador móvel, a pesquisa detectou que, pela primeira vez na história, a Apple sobe ao primeiro lugar no ranking dos fabricantes desse tipo de produto.

Somando as vendas do iPad e dos macbooks, a empresa atingiu no último trimestre de 2010 a marca de 10,2 milhões de unidades vendidas, o que representa 17,2% do mercado mundial. Supera assim a HP, até então primeiríssima da lista. “O sucesso do iPad está tendo um efeito secundário para a Apple”, explica Richard Shim, coordenador da pesquisa. “Muita gente agora, ao escolher um notebook, está dando preferência aos modelos da empresa”.

Matou a charada! Significa que, mesmo com a chegada de tablets para concorrer com o iPad, o efeito sobre as vendas de macbooks já foi detonado. Vejam os cinco primeiros do ranking (em milhões de unidades vendidas):

POSIÇÃO MARCA VENDAS SHARE
1 Apple 10,2 17,2%
2 HP 9,3 15,6%
3 Acer 8,4 14%
4 Dell 5,9 9,9%
5 Toshiba 5,1 8,6%

Gerando empregos, no Uruguai

Diz o site Convergência Digital: empresa brasileira produz conversores de TV Digital no Uruguai. A empresa chama-se Eletropartes e está investindo US$ 7,5 milhões no projeto. O país vizinho decidiu no ano passado adotar o padrão nipo-brasileiro ISDB-T, assim como a maioria dos países sul-americanos. O governo brasileiro empenhou-se ferozmente para convencer seus vizinhos (e também os africanos) a tomarem esse caminho; dizem até que rolou muita grana nos bastidores. A ideia era gerar uma economia de escala e, com isso, baratear os conversores. Agora, uma empresa brasileira vai produzir o conversor lá fora? Por que não produz aqui? Não tem algo de errado nessa história?

Tem sim: lá fora (leia-se: em qualquer país) é mais barato e descomplicado montar uma empresa e fabricar o que quer que seja. O que está errado, pela enésima vez, é o sistema tributário brasileiro.

Agora tem que pagar!

Como se tivessem combinado, Apple e Google anunciaram quase simultaneamente seus novos planos para cobrança dos conteúdos acessados. Agora, vai custar mais caro fazer, por exemplo, assinatura de um jornal ou revista para ler no iPad. A Apple vai ficar com 30% do valor pago, e se a editora não quiser aumentar o preço terá que se contentar com 70%. Já a Google vem com menos sede a esse pote: cobrará “apenas” 10%.

No momento em que os principais veículos de comunicação do planeta montam esquemas para cobrar pelo seu conteúdo online, essa postura das duas empresas mais importantes do setor pode virar o jogo. Talvez Steve Jobs já soubesse de tudo isso quando lançou o iPad e deixou que todo mundo criasse seus aplicativos; talvez não. O fato é que o tablet é um sucesso tão avassalador que Jobs está não apenas com a faca e o queijo, mas também a goiabada e todos os demais pratos da mesa nas mãos. Quem quiser brincar com ele, agora, vai ter que aceitar as regras do dono da bola (e olhem que o homem está doente, trabalhando de casa e decidindo as coisas pelo telefone…)

Por incrível que pareça, a Google pode ser a salvação dos jornais e revistas. Com o Android crescendo como está, e o enorme poder que já tem através de seu mecanismo de buscas, a empresa pode ser uma boa opção à Apple, e cobrando um “pedágio” menor. Resta saber agora como irão reagir os grandes jornais e revistas. Quem já leu uma revista pelo iPad sabe bem a força dessa mídia; se os tablets com Android e Windows 7 conseguirem passar a mesma experiência, talvez o jogo mude.

Mas não é o que parece.