Archive | março, 2011

Em busca da interatividade

Como se previa, emissoras de televisão, portais da internet e fabricantes de equipamentos estão em plena corrida para encontrar formas de explorar as novas mídias – uma corrida que, pelo visto, não tem data para terminar. Esta semana, a Globo apresentou sua nova programação e, mais uma vez, deixou clara a prioridade dada à internet e às plataformas móveis. Octavio Florisbal, diretor da emissora, revelou que está em estudos a criação de um sistema de “afiliadas online”, em moldes parecidos com o que vigora hoje na TV aberta. Exemplo: um site de alcance regional poderá se tornar afiliado do Globo.com e, assim, ganhar o direito de reproduzir conteúdos produzidos pela emissora para o formato web. Com seu vastíssimo arquivo, a Globo é, de longe, o grupo de mídia que tem melhores condições de gerar material atraente para quem gosta de ver vídeo online. Como será esse material? Que cara terão esses conteúdos? Acho que nem a Globo sabe (ainda)…

Enquanto isso, o SBT foi a primeira rede a fechar com um fabricante de TVs (Sony) para oferecer conteúdos específicos para essa nova mídia, que poderíamos chamar “webTV”. A partir de agora, quem adquirir um TV Sony terá acesso direto – sem computador – ao portal da emissora, que promete oferecer ali trechos de programas e conteúdos especialmente produzidos para o formato (que, é claro, tem características bem distintas de uma transmissão de TV normal). A Sony também já fechou acordo com a Band, mas ainda não foi divulgado que tipo de conteúdo será oferecido.

LG, Samsung e todos os grandes fabricantes também buscam ampliar a oferta de material online via televisor. A LG, inclusive, vai lançar em breve um pequeno módulo – cujo nome comercial é SmarTV Upgrader – que permitirá ao usuário acessar os sites das empresas parceiras do fabricante (veja aqui um vídeo). Entre esses sites, incluem-se Terra, UOL, NetMovies, MSN e uma infinidade de outros, inclusive alguns com sinal de alta definição (o acessório tem conexão HDMI). Mais interessante ainda é que o aparelhinho funciona com qualquer marca de TV, não apenas os da LG.

Meu colega Eduardo Bonjoch acaba de chegar de Santiago do Chile, onde acompanhou a apresentação da nova linha Samsung, também cheia de novidades nessa direção. Uma delas é que agora os smartphones e o tablet Galaxy da Samsung poderão, mesmo, ser usados como controle remoto para comandar TVs e outros aparelhos da marca (veja aqui).

Ainda vamos ouvir falar muito dessa tal de interatividade.

 

 

 

Dois dias de trabalho e estudo

O saldo do primeiro módulo do Programa de Certificação “Home Expert”, que realizamos esta semana, não poderia ser melhor. A quase unanimidade dos cerca de 60 profissionais presentes (alguns preferiram assistir às aulas pela internet) elogiou o nível dos instrutores e a abordagem das oito disciplinas escolhidas: Sistemas de Áudio, Sistemas de Vídeo, Elétrica, Acústica, Cabeamento, Automação Residencial, Redes e Marketing. Alguns deram boas sugestões para a sequência dos trabalhos, que acontecerá nos dias 17 e 18 de maio.

Para quem ainda não está familiarizado com esse modelo de curso, lembro que as aulas presenciais são apenas parte do processo. Talvez o mais importante seja o empenho dos participantes em continuar o aprendizado via internet. No site oficial do evento (www.homexpert.com.br), já estão alguns textos complementares, e nos próximos dias serão disponibilizadas todas as aulas, na íntegra. Assim, quem quiser pode rever o conteúdo apresentado diversas vezes, preparando-se para o segundo módulo. Os instrutores também colocarão no ar materiais adicionais de consulta, sempre com a ideia de manter o participante “antenado”. Os módulos têm caráter continuado, ou seja, o segundo dará continuidade ao primeiro, e assim por diante.

Outras ferramentas importantes no site serão o “plantão de dúvidas”, em que os instrutores responderão perguntas sobre os temas já abordados; e o “fórum”, onde os próprios participantes poderão trocar ideias entre si. Tudo isso, é claro, restrito a quem se inscreveu e recebeu sua senha e login. Alguns vídeos mostrando o que foi apresentado no primeiro módulo podem ser assistidos no site www.planetech.com.br. Mas, como dissemos aos presentes na última terça-feira, é fundamental o empenho de cada um para, de fato, conseguir se aperfeiçoar nesse concorrido mercado.

 

 

 

 

 

Preços lá, preços aqui…

O site do jornal O Estado de S.Paulo, na seção chamada “Radar Econômico”, vem há tempos divulgando comparações de preço entre produtos vendidos no Brasil e nos EUA. Não está muito claro qual é a intenção, mas não deixa de ser um bom serviço. Um professor de economia, Alcides Leite, faz os cálculos. Nesta semana, o assunto é tecnologia. Foram comparados preços de televisores, câmeras e até o iPad, praticados na mesma rede de lojas (no caso, o WalMart americano e sua filial brasileira).

O resultado, claro, é aquele que nós, trabalhando com eletrônicos diariamente, já sabemos: uma distorção absurda! As diferenças de preço são de 45% no caso de um TV de 40 polegadas, 77% num videogame, 79% para o iPad, 126% numa filmadora e, acreditem, 265% numa câmera fotográfica digital (vejam aqui os detalhes).

Só faltou explicar por que tudo isso acontece. Levantamentos anteriores já mostraram diferenças do mesmo nível no caso de roupas, brinquedos, automóveis, cosméticos, perfumes e por aí vai. Do jeito que está publicado, o leitor desavisado tende a achar que o comerciante brasileiro é mais ganancioso do que seu colega americano. Seria preciso refazer os cálculos incluindo os impostos (em cascata), os tributos para se manter uma empresa no Brasil, os custos operacionais (aluguel, transporte, armazenamento, combustível e um enorme etc.), os encargos ditos “sociais” e tudo mais que se convencionou chamar de “custo Brasil”.

Aí, sim, a comparação seria mais justa.

O projetista das estrelas

Integradores e projetistas de sistemas eletrônicos, morram de inveja! Brad Sundberg, da empresa BSUN Media Systems, de Los Angeles, está contando sua história. Entre seus clientes, nomes como Madonna, Tom Cruise, Will Smith e outros astros de Hollywood. Sundberg projetou e instalou o que existe de eletrônico – e certamente não é pouco – nas mansões dessas celebridades. Ou seja, não precisa de mais publicidade, certo?

Errado. Na semana passada, faleceu a proprietária de algumas das salas projetadas por ele. Ninguém menos do que Elizabeth Taylor. E mais: “Sund” conheceu a senhora que já foi considerada a mulher mais bela do mundo num dia em que fazia uma “visita de rotina” à casa de outro cliente ilustre, um tal de Michael Jackson. Isso mesmo: é dele o projeto eletrônico do Rancho Neverland, aquele que ficou famoso quando o cantor começou a levar seus meninos para ver um filminho, lembram-se? Na verdade, Lyz Taylor ficou impressionada na cerimônia de seu casamento com o ex-motorista Larry Fortensky, realizada em Neverland. Adorou o sistema de som e, consultando seu amigo MJ, contratou “Sund”.

Bem, a história em detalhes está contada no jornal da BSUN, agora que Lyz se foi (quem estiver curioso pode ler aqui). Pode não ser lá muito educado da parte de Sundberg trazer isso a público depois da morte de sua cliente famosa. Mas nosso “instalador das estrelas” não parece muito preocupado com isso.

Vingança contra mr. Gates

 

 

 

 

 

 

 

Levei um susto agora, ao ler a notícia de que Paul Allen, fundador da Microsoft ao lado de Bill Gates, está lançando um livro em que conta os chamados “podres” do ex-sócio. Entre outras coisas, mr. Allen diz que Gates era autoritário, não reconhecia sua contribuição para o crescimento da empresa, tentou puxar o seu tapete (numa trama com o atual CEO da MS, Steve Ballmer – ambos teriam sido flagrados “no ato” por Allen) e até tirar-lhe parte das ações quando a empresa começou a crescer.

A versão de Allen, que está surpreendendo a maioria dos especialistas em Microsoft, está no livro “Idea-Man: a Memoir by the Co-founder of Microsoft”, que chega às livrarias americanas em abril. Partes do livro saíram na edição deste mês da revista Vanity Fair (leia aqui). Fontes ouvidas pelo The Wall Street Journal dizem achar estranho que Allen solte o verbo agora, passados tantos anos desde que saiu da Microsoft, em meados da década de 80 (nas fotos, ele aparece na época da fundação da empresa e anos depois de ter saído). E não se pode dizer que Allen saiu mal: a última lista de bilionários da revista Fortune o coloca em 57° lugar (Gates, claro, continua sendo o número 1). Anos atrás, quando foi internado para tratar um câncer, Gates foi visitá-lo no hospital, e Allen declarou que ele era “muito mais que um amigo”.

Para mim, pessoalmente, o mais complicado é que conto a história da Microsoft em meu livro “Os Visionários”, que está chegando às livrarias, e em toda a pesquisa que fiz não há sequer um mínimo sinal de desentendimento entre os dois. Vou ter que mudar tudo na próxima edição do livro!

Todos a postos!!!

O dia hoje começou cedo. Antes das 8hs, já estávamos no Hotel Century Plaza para o início do Programa de Certificação “Home Expert”, cujo primeiro módulo acontece hoje e amanhã. Quase 80 profissionais, vindos de todas as partes do país, aqui estão. A primeira “aula” foi do engenheiro Gladstone Freire, da empresa Savage, falando sobre Sistemas Elétricos. Foram noções básicas sobre eletricidade, redes, transmissão de sinal etc. O assunto será detalhado nos próximos módulos, em maio, julho e novembro. Neste momento, está falando nosso colega Vinicius Barbosa Lima, responsável pela disciplina “Cabeamento”. Idem: noções básicas sobre a importância desse tópico nas instalações residenciais (importância muito maior do que a maioria imagina).

Fora algumas surpresas – o hotel fica na região da Av. Paulista, onde é grande a interferência dos sinais de rádio e de celular sobre o sistema de áudio usado no auditório (problema resolvido agora) – tudo transcorre muito bem. E, o mais importante, os participantes demonstram que estão gostando dos trabalhos. Alguns chegaram agora cedo e descobriram aquilo que nós, paulistanos, já sabemos: um trajeto de 5 ou 6 quilômetros pode levar mais de uma hora… Mas vale o esforço: todos vão sair daqui sabendo muito mais sobre sua especialidade.

Agora, de volta ao auditório: o dia hoje vai ser longo!!!

Enfim, nasceu!

Esta é a capa de meu livro “Os Visionários – Homens que Mudaram o Mundo através da Tecnologia”. Gostaria de convidar todos os leitores que me aturam neste espaço, inclusive aqueles que de vez em quando mandam suas críticas – no que fazem muito bem para a democracia. O livro narra a história de alguns personagens marcantes desse mundo fascinante com o qual convivemos, que é o mundo tecnológico.

São empreendedores geniais, todos eles, pois criaram produtos e/ou serviços que atendem a gostos e necessidades de milhões de pessoas. Alguns já morreram, como Akio Morita (Sony), Arthur C. Clarke (o homem que enxergou antes de todo mundo a tecnologia dos satélites) e Konosuke Matsushita (Panasonic), o primeiro grande empresário japonês. Outros estão em plena atividade, até porque são muito jovens ainda, o que só amplia seus méritos: Zuckerberg (Facebook), Brin & Page (Google), Jeff Bezos (Amazon). E há também os que não são tão jovens, mas já deixaram suas marcas para as gerações futuras: Bill Gates (Microsoft), George Lucas (o reinventor do cinema moderno), Nolan Bushnell (Atari), Steve Jobs (Apple). Conto ainda, no livro, histórias sobre invenções que transformaram a vida de todos nós, como o celular, a internet e a TV por assinatura.

Foi uma deliciosa, embora cansativa, viagem esse desafio de escrever um livro em meio a tantas outras atividades. Espero que o resultado agrade e seja útil aos leitores. Em breve, estará à venda. O lançamento, com noite de autógrafos, será no dia 5 de abril, às 19hs, na Livraria Fnac Paulista, em São Paulo.

Em tempo: a capa foi criada por meu filho, Rafael Nascimento, que é designer gráfico.

Uma nova Gradiente

Dois leitores exaltados escreveram a propósito do que comentei aqui ontem sobre a Gradiente. Fui pesquisar e encontrei o site novagradiente, aparentemente a única fonte atual de notícias sobre a empresa. Mas são bem poucas notícias, mais ou menos na mesma linha do que foi divulgado há dias em alguns sites. Basicamente, a empresa afirma ter chegado a um acordo com os credores e estar preparando um plano para voltar ao mercado. Tomara. Se voltar sem dinheiro do governo e honrar seus compromissos, vai ser ótimo. Tem também contas no Twitter e no Facebook anunciando a volta, aparentemente com um exército de colaboradores cheios de elogios à empresa. Aqueles vários leitores que escreveram querendo saber sobre a Gradiente agora já têm onde procurar.

Um leitor lembra que as opiniões postadas aqui podem afetar inúmeros pequenos investidores que estão para decidir se compram ou não ações da “Nova Gradiente”. Não creio, este blog é muito minúsculo para tanto. Mas, se assim for, convém que seus responsáveis divulguem abertamente as informações, do modo mais transparente possível. Afinal, é assim que age uma empresa “aberta”, não?

Em tempo: um dos tuiteiros diz que as ações da Gradiente já estão subindo por conta dessas notícias. Convém prestar (muita) atenção.

Toshiba não briga com coreanos

Em evento esta semana em São Paulo, o presidente da Semp Toshiba, Affonso Hennel, soltou uma frase que resume o estado de espírito da indústria eletrônica neste momento: “É impossível competir com os coreanos”. Referia-se, é claro, a Samsung e LG, que nos últimos anos foram crescendo, crescendo, até dominar o mercado por larga margem. Segundo a própria Semp Toshiba, no segmento de TVs a empresa é hoje a terceira em participação de mercado, com 13%; a Samsung lidera com 28%, seguida pela LG com 26%. Sony, Philips, Panasonic e as demais ficam com pequenas fatias desse bolo.

“Estamos no mercado para gerar lucro, não para aumentar artificialmente nossa participação”, disse Hennel, citando o crescimento de 12% em 2010 como prova disso. No segmento de TVs de tela pequena (abaixo de 20 polegadas), a empresa paulista continua forte, principalmente por sua longa tradição no atendimento às grandes redes varejistas do interior. Hennel garantiu que não irá entrar “nessa guerra suicida de preços”.

Mas a Semp Toshiba acena com lançamentos para este ano que, se forem confirmados, podem colocá-la num outro patamar. Promete inclusive um TV 3D sem óculos, similar ao que a Toshiba lançou no Japão no final do ano passado, e seu primeiro notebook 3D. Daria uma boa chacoalhada no setor.

Em se plantando, (quase) tudo dá!

Da série “Notícias plantadas”, acabo de colher (desculpem o trocadilho) esta, de novo (fazer o quê?) no site Exame.com: “Aparelhos da Apple podem ser produzidos no Brasil”. Ora, dirá o leitor, claro que podem… um dia, quem sabe, quando Steve Jobs morrer! Concordo. Mas o “fato”, se é que pode ser chamado assim, é que o secretário de Desenvolvimento Econômico de Jundiaí (SP) deu entrevista dizendo que a Foxconn – montadora chinesa do iPad e do iPhone – teria “encomendado estudos” sobre a instalação de uma fábrica na cidade.

É apenas isso (leiam aqui). Alguém acredita? Com tal ajuda da mídia, é fácil plantar o que se quiser. E um “teria” vira notícia.

Perigo: notícias no ar!

Como já disse aqui mais de uma vez, é preciso muito cuidado com aquilo que se lê. Se o papel aceita tudo, como se dizia antigamente, a internet aceita muito mais… Notícia do portal Exame.com, por exemplo, revela que a Gradiente está de volta ao mercado, com planos de produzir tablets em Manaus. Agora rebatizada CBTD (Companhia Brasileira de Tecnologia Digital), e ainda capitaneada por Eugenio Staub, a empresa que já foi símbolo da indústria brasileira de tecnologia irá brigar com Apple, Samsung e demais líderes de mercado.

Bem, essa é a notícia, digamos, oficial. A verdadeira: a CBTD apresentou um plano ao governo do estado do Amazonas, pedindo incentivos fiscais para utilizar a antiga fábrica da Gradiente em Manaus. Nesse plano, constam números como:

— R$ 345 milhões de faturamento nos próximos três anos (R$ 45 milhões este ano)

— Fabricação de 230 mil tablets até 2013, quando estaria produzindo 120 mil peças por ano

— R$ 570 milhões de receita com a fabricação de receptores de TV Digital nos mesmos três anos

Tudo isso a partir de investimentos iniciais de R$ 35 milhões, que a empresa estaria captando no mercado. Diz o site que três investidores públicos e um americano irão bancar o projeto. Detalhe: as dívidas deixadas pela Gradiente beiram os R$ 400 milhões. Se, com tudo isso, conseguir os incentivos em Manaus, será que seus credores irão ficar quietos?

Tragédia japonesa, drama brasileiro

A propósito da situação no Japão, três notícias que ouvi pelo rádio hoje comprovam como nós aqui estamos a anos-luz deles lá. Com tsunami e tudo mais, um brasileiro que vive próximo à região afetada contou que estava almoçando num restaurante na tarde do dia 11, quando soaram os alarmes. Imediatamente, todos os clientes tiveram que sair para o meio da rua, pois havia risco de desabamento. Naturalmente, saíram sem pagar as respectivas contas. Muito bem. No dia seguinte, passado o susto, todos voltaram ao local e formaram fila, em frente ao restaurante. Motivo: queriam pagar o que deviam.

Enquanto isso, em São Paulo, a cidade mais rica do Brasil, uma escola pública de segundo grau (esta a segunda notícia que ouvi) colocou os alunos em esquema de rodízio: parte deles vai à aula num dia, parte no outro. Motivo: goteira no meio da sala de aula.

A terceira notícia, que tem tudo a ver com a segunda, é ainda mais preocupante: pesquisa da Secretaria Estadual de Educação aponta que cerca de 20% dos alunos da rede pública terminam a segunda série do curso médio sem saber ler nem escrever!!! Esta, sim, é a grande tragédia brasileira. Infelizmente, nenhuma dessas crianças irá aprender por que aqueles japoneses entraram na fila para pagar o restaurante.

Vai faltar processador

Quase toda a imprensa especializada internacional parece alarmada com as notícias de que o fornecimento de semicondutores será comprometido pela desativação de fábricas no Japão. Calcula-se em 25% a “quebra” do setor, devido aos danos em unidades das empresas Shin-Etsu e MEMC, grandes fornecedores de wafers, que são aquelas finas placas de silício que servem de base para a construção dos chips. Somente uma dessas fábricas, a da Shin-Etsu na cidade de Shirakawa, vizinha a Fukushima, onde fica a bendita usina nuclear ameaçada, seria responsável por 20% da produção mundial de pastilhas de silício.

Além dos problemas causados na estrutura das fábricas e nos seus equipamentos, a tragédia japonesa tem outros contornos. Há escassez de água e comida, o que impede muitos trabalhadores de continuar em atividade. Em certas regiões, a água pode ter sido contaminada pela radiação que escapou da usina nuclear, afetando inclusive a qualidade do leite, da carne e das verduras. Muitas rodovias, ferrovias e metrovias também foram afetadas, dificultando o deslocamento dos técnicos que fazem funcionar as fábricas. E, como se recomenda numa situação de crise como essa, as autoridades japonesas determinaram racionamento de alguns itens, inclusive de energia, o que a maioria das empresas prontamente atendeu.

Bem, tudo isso sem falar nas (até agora) mais de 7 mil vidas humanas que o tsunami levou, e que são a pior tragédia de todas. Para a indústria mundial, o drama da falta de componentes deve levar alguns meses; para as famílias dessas pessoas, talvez uma vida inteira.

Chamada geral!

Começamos na próxima segunda-feira, 28, os trabalhos do Programa de Certificação “Home Expert”. Serão quatro aulas por dia, das 8h45 da manhã até as 18h30. Até este momento, temos 68 profissionais inscritos, que virão de todo o país. Para nossa surpresa, quase ninguém se interessou pelas aulas online, em tempo real, que por esse motivo tiveram de ser canceladas. Mas tudo será gravado e ficará disponível no site do Programa (www.homexpert.com.br), para que os participantes assistam quantas vezes quiserem.

A internet, aliás, será muito usada durante o Programa, ao longo do ano inteiro. Além do conteúdo ministrado pelos instrutores, haverá no site materiais de apoio para serem consultados e também uma espécie de “plantão de dúvidas”, como nos cursinhos de vestibular, onde serão respondidas questões relativas a cada disciplina. Foi a forma que encontramos para manter o pessoal “ligado” entre um encontro e outro. Uma das preocupações dos instrutores é que os participantes aproveitem o tempo da melhor maneira possível. Como as aulas em si serão curtas (1h45 de duração), cada um terá de otimizar o uso da internet para complementar o aprendizado.

Todos estão muito animados. Por ser a primeira experiência do gênero no Brasil, há uma certa ansiedade para saber qual será o aproveitamento, até porque o nível dos inscritos é bem heterogêneo. Considerando a falta de embasamento técnico que constatamos no dia a dia do mercado, todos terão muito a ganhar. Nossa ideia é que o conceito “Home Expert” se torne, com o tempo, sinônimo de qualificação entre os profissionais de projetos, instalação, automação, redes etc. E que o consumidor – no fundo, o maior beneficiário – aprenda a valorizar esse esforço de todos.

Mãos à obra!

Festival de processos judiciais

Todo mundo sabe que os EUA são o país da Justiça! Bem, não exatamente o país que melhor pratica a justiça, mas onde as pessoas mais recorrem à Justiça (assim, com “J” maiúsculo). Não é à tôa que os cursos de Direito nas universidades americanas são os mais valorizados: é difícil encontrar por lá um advogado pobre…

Essa divagação me veio à cabeça lendo as notícias sobre a grande quantidade de processos judiciais entre as empresas de tecnologia. Hoje mesmo, a Apple anunciou que irá processar a Amazon por lançar sua loja de aplicativos, à qual deu o nome de – que mais seria? – App Store. Por algum motivo, Steve Jobs (ou os advogados dele) acha que somente a Apple, que foi a primeira no ramo, pode usar esse nome. Provavelmente vai perder na Justiça, mas o que importa? Advogados existem para isso mesmo: aborrecer os concorrentes – é o que deve pensar o pessoal da Apple.

Mas Jobs também está sendo chamado a depor, num processo que corre desde 2005, movido por um grupo de consumidores da Califórnia. Eles alegam que a Apple mudou a configuração do iPod para impedir a reprodução de músicas compradas da loja virtual RealNetworks, concorrente da iTunes.

Já a Microsoft abriu nesta segunda-feira aquele que deve ser o enésimo processo em seus quase 40 anos de existência. Agora, a “vítima” é a rede de livrarias Barnes & Noble, que lançou o leitor eletrônico Nook violando patentes da MS (quer dizer, esta é a acusação; vamos ver se será comprovada). No ano passado, a empresa de Bill Gates já tinha processado a Motorola por motivos semelhantes (violação de patentes na produção de e-readers que utilizam o sistema operacional Android, da Google).

Por sua vez, a Motorola também mantém ação judicial contra a Apple, por causa do iPhone. E assim, de processo em processo, vai vivendo a indústria de tecnologia. OK, patentes custam caro e devem mesmo ser protegidas. Mas, se essas empresas investissem o dinheiro que gastam com advogados em melhoria de seus produtos, ganhariam muito mais, não acham?

Um filme “legal” no BitTorrent

O filme de terror australiano The Tunnel será o primeiro a ser lançado simultaneamente em DVD e na internet. E os produtores Julian Harvey e Enzo Tedeschi vão usar para isso justamente o BitTorrent, que deve ser hoje o maior distribuidor mundial de filmes piratas. Acreditem ou não, os dois acham que essa é a única forma de combater a pirataria. “Concluímos que, em vez de ficar brigando contra as redes peer-to-peer, é melhor nos unirmos a elas, que podem se tornar a maior revolução já vista na distribuição de filmes”.

O filme, claro, é uma produção independente (em Hollywood, o nome “BitTorrent” é proibido). Tanto que foi totalmente financiado por meios online. Os produtores lançaram na internet uma campanha para obter fundos e conseguiram levantar US$ 135 mil, num formato inédito de comercialização: como o filme contém 135 quadros de película, os investidores podiam comprar cada quadro por 1 dólar. Se der lucro, haverá um sorteio e o “dono” do quadro sorteado receberá 1% da bilheteria, ou melhor, das receitas em DVD.

Bem, se for um sucesso, logo ficaremos sabendo. Se nunca mais ouvirmos falar desse filme, é porque ninguém quis assistir – nem de graça.

A volta por cima da AT&T

Em pleno domingo, saiu uma das notícias mais importantes do mercado mundial de tecnologia: a operadora americana AT&T anunciou a compra, por US$ 39 bilhões, da T-Mobile, que pertence à alemã Deutsche Telekom. E por que essa notícia é importante? Em princípio, ela diz respeito apenas ao mercado norte-americano, onde a AT&T é hoje a segunda colocada e a T-Mobile, a quarta. Na prática, comprando a T-Mobile, a AT&T passará a ser a primeira, com cerca de 30% mais assinantes do que a Verizon.

Mas o alcance dessa fusão vai muito além. Ela ocorre no momento em que os EUA estão implantando suas redes 4G, que prometem velocidades de até 100Mbps através do padrão LTE (Long-term Evolution), tido pela maioria dos especialistas como superior ao WiMax. Os dois padrões, através de consórcios internacionais, brigam pela supremacia nos principais mercados, e o Brasil, até o momento, está mais propenso a adotar o WiMax. Com a fusão, o LTE ganha musculatura e pode virar esse jogo também por aqui.

O acordo marca também uma volta por cima da AT&T, que já foi a maior do mundo e nos últimos anos vinha perdendo espaço e sofrendo uma avalanche de críticas. Afinal, não é toda hora que uma empresa compra uma concorrente por US$ 39 bilhões!

Curiosamente, nas últimas semanas a T-Mobile vinha promovendo uma campanha publicitária com duras críticas à AT&T, como lembra o site AllThingsDigital (vejam aqui um vídeo). Seja como for, o Brasil, só pra variar, está hiper-atrasado nessa corrida: se a Anatel mal consegue monitorar e fiscalizar as redes 3G, que funcionam aos trancos, o que esperar do 4G? Só mesmo rezando…

Apple também sofre com tsunami

Nem a Apple escapou dos efeitos dos terremotos e do tsunami no Japão. Segundo a agência Bloomberg, cinco componentes do iPad 2 são produzidos na região afetada pela catástrofe: o chip NAND de memória flash (fabricado pela Toshiba), o chip DRAM 6665, da empresa Elpidia; o compasso eletrônico (componente que equivale ao clock dos computadores convencionais), fornecido pela AKM Semiconductors; a película touchscreen que recobre a tela de vidro (da Asahi Glass); e a bateria, que a própria Apple fabrica em território japonês. Os dados foram passados à agência pela consultoria especializada iSuppli.

Todos esses fabricantes paralisaram a produção devido a problemas decorrentes dos acidentes ocorridos nos últimos dias na região de Sendai. A consequência imediata é a interrupção no fornecimento dos componentes, o que deve provocar ainda mais atrasos na entrega do iPad 2. Como se sabe, o produto bateu recorde de vendas na primeira semana (foi lançado nos principais mercados mundiais no último dia 11, curiosamente o mesmo dia do primeiro terremoto). Para quem quer comprar agora, as lojas Apple já estão abrindo lista de espera para no mínimo cinco semanas.

A Apple até agora não comentou o assunto, mas já fechou uma de suas lojas, que fica exatamente em Sendai. No mínimo, dizem os especialistas, a empresa terá lucros menores, pois terá de pagar mais caro por seus sagrados componentes.

Vagas em universidades: procura-se

Depois dos oito anos de Lula, se há uma acusação que não pode ser feita a Dilma Roussef é a de demagogia. Sua discrição (talvez seja timidez, ou mesmo insegurança) lembra a velha expressão “silêncio ensurdecedor”. Mas, como ninguém é de ferro, e os marqueteiros parecem onipresentes, dona Dilma saiu-se com esta ao anunciar o que irá discutir com Barack Obama durante sua visita ao Brasil: “Vamos pedir mais vagas para brasileiros nas grandes universidades americanas”.

Ora, ora. Que tal começar pelas universidades brasileiras? Será que Dilma não sabe que as boas universidades americanas (sim, lá também há escolas ruins) são privadas e não estão nem aí para o governo? Não é Obama, nem qualquer presidente, que vai determinar quem entra em Harvard, Columbia, Stanford, Princeton, Yale etc. Lá, não existem cotas para este ou aquele, nem vale a origem do candidato, muito menos a cor da pele ou sua filiação política. Primeiro, é preciso ter dinheiro – aliás, muito dinheiro – pois para manter seus altos padrões de ensino essas escolas têm mesmo que cobrar caro. Segundo, o candidato precisa provar – e muito bem provado – seus méritos escolares.

É mais fácil Obama, que está estudando português, aprender a falar “demagogia”, “trambique” ou “maracutaia” do que conseguir vaga para alguém numa dessas universidades.