Archive | maio, 2011

TV 3D: planos para crescer

Nos primeiros quatro meses do ano, foram vendidos em todo o mundo 1,9 milhão de televisores 3D, diz o mais recente relatório da DisplaySearch, empresa americana que há anos pesquisa o setor. Significa que apenas 3,9% dos usuários embarcaram na tecnologia 3D até abril. Mas os fabricantes estão otimistas: as previsões são de que até o final do ano esse tipo de TV irá representar 16,8% do mercado mundial, o que seria um salto fantástico.

Na verdade, os números não se referem às vendas nas lojas, mas às unidades que saíram das fábricas. E cobrem apenas os TVs LCD, que representam mais de 80% do mercado atual. Mas o relatório não traz somente números, analisa detalhes interessantes sobre esse segmento, tido como crucial para a indústria como um todo. “A tecnologia 3D é importante para rejuvenescer o mercado de TVs”, comenta David Hsieh, vice-presidente da DisplaySearch e responsável pela análise dos fabricantes chineses. Segundo ele, os TVs 3D oferecem margens de lucro mais altas e, portanto, escapariam (pelo menos num primeiro momento) da guerra de preços que se estabeleceu entre os fabricantes. “O problema é convencer o consumidor a não levar em conta aspectos como a falta de conteúdo, o desconforto dos óculos, as interferências e toda a confusão envolvendo formatos diferentes de 3D”, acrescenta Hsieh.

A saída que o especialista apurou junto aos fabricantes de painéis – todos chineses – é melhorar ao máximo a performance dos TVs na reprodução de imagens 2D. Afinal, estas são, e continuarão sendo por um bom tempo, o conteúdo mais assistido. Por isso, podemos esperar mais aparelhos com taxa de renovação de imagem de 240Hz e 480Hz, além de níveis de contraste mais altos. Assim, o consumidor encontraria vantagens em pagar mais pelo seu novo TV, ainda que não possa (ou não queira) assistir a filmes em 3D.

Ótimo. Pelo que vimos até agora, essa é a única forma encontrada pelos fabricantes de LCD para aproximar-se do desempenho dos plasmas.

PlayStation 4 sai do forno

Já circulam pela internet várias imagens do que seria a quarta versão do PlayStation (algumas delas estão nas fotos). Difícil saber se são especulações ou balões de ensaio… Mas já não há mais dúvida de que a Sony realmente decidiu lançar o aparelho no prazo mais curto possível. O site inglês Eurogamer deu a pista na semana passada, fornecendo detalhes a partir de declarações Masaru Kato, diretor financeiro do grupo, numa reunião com investidores. Kato confirmou que o produto está em desenvolvimento, embora seu chefe, Kaz Hirai, desminta. Acontece que aumentaram os rumores sobre o Xbox 720, sucessor do 360, da Microsoft, enquanto a Nintendo prometeu mostrar o Wii2 na E3 Expo, que acontece semana que vem em Los Angeles. Daí por que a Sony não pode perder mais tempo.

Até hoje, o PlayStation vem sendo reciclado a cada seis anos: o primeiro saiu em 1994, o PS2 chegou em 2000 e o PS3 em 2006. E é certo que o PS3 pode ser atualizado de tempos em tempos, via software. Mas estamos na era do 3D e da mobilidade – que alguns gostam de chamar “ubiquidade”: os conteúdos têm que estar disponíveis a qualquer momento e em qualquer lugar. Portanto, nada mais natural do que a Sony usar seu produto de maior sucesso para preencher esse espaço.

Outro motivo, apontado pelo site Pocket-lint: a empresa já perdeu mais de US$ 170 milhões devido à pane na rede PlayStation Network, invadida por hackers que chegaram a roubar dados confidenciais de usuários. E precisa urgentemente reconquistar a confiança (ou pelo menos a simpatia) dos gamers. Pode ser uma questão, até, de sobrevivência.

Será o fim da Telebrás?

Em brilhante levantamento, os repórteres Luís Osvaldo Grossmann e Luiz Queiroz, do site Convergência Digital, revelaram nesta segunda-feira os bastidores da queda do presidente da Telebrás, Rogerio Santanna, e suas consequências para o futuro do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Foi uma decisão da própria presidente Dilma Roussef e do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afastar Santanna, amigo e um dos principais consultores do ex-presidente Lula para questões ligadas à tecnologia. Como aconteceu tantas vezes, Lula indicou Santanna para dirigir a Telebrás não por sua qualificação técnica, mas porque ele foi sindicalista do setor de telecomunicações no Rio Grande do Sul (Santanna é também íntimo do atual governador gaúcho, Tarso Genro, e do ex, Olivio Dutra; tutti buonna gente…)

O fato positivo é que Dilma percebeu a tempo a barberagem de seu antecessor, ao transformar em política uma decisão que deveria ser eminentemente técnica. Além de não ter experiência para cargo tão importante, Santanna faz parte do grupo de “ideólogos tecnológicos” do PT, aqueles que querem estatizar tudo porque acham que toda empresa privada é, por definição, exploradora dos pobres e indefesos trabalhadores!!! Do grupo fazem parte também outros escolhidos de Lula para áreas importantes do setor de tecnologia dentro do governo, como Cezar Álvarez (atual secretário executivo do Ministério das Comunicações) e André Barbosa (que oficialmente ocupa o cargo de “assessor especial” da Casa Civil). Nomeado um ano atrás, numa nefasta combinação entre Lula e a ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, de tão saudosa memória, Rogerio Santanna passou o tempo todo brigando com as operadoras de telefonia e não conseguiu tirar do papel o PNBL.

A bem da verdade, é preciso reconhecer que sua nomeação teve o endosso de Dilma, então candidata a presidente, que não só aprovou o PNBL como usou-o em sua campanha. Ou era apenas jogo de cena eleitoral, ou ela de fato não examinou devidamente o assunto na época e agora se arrependeu…

Para não desagradar Lula totalmente, Dilma e Bernardo decidiram agora transferir Álvarez para a presidência da Telebrás, o que não é propriamente uma solução – o indicado pensa exatamente como Santanna. O problema é que Dilma tem pressa; não quer perder mais tempo com um Plano que, de tão ambicioso e mal delineado, tornou-se inviável. A prioridade é adaptá-lo à realidade, inclusive a realidade financeira de um governo que gastou demais nos últimos quatro anos e agora se debate para definir cortes de investimentos. Não há dinheiro para cumprir as metas do PNBL e, portanto, só mesmo em parceria com as teles é que se pode sonhar com banda larga mais rápida e mais barata. Mesmo assim, é utopia pensar em levar o serviço a todos os mais de 4 mil municípios do país que ainda utilizam conexão discada ou, no máximo, banda estreita. Nem mesmo as tais “100 cidades fantasmas” devem contar com isso…

O saldo de tudo é que o governo, aparentemente, caiu na real. Melhor assim. Quem sabe agora se possa discutir o assunto sem politicagem nem demagogia. Se conseguirmos, já será um belo avanço.

Só para não esquecer: convido os leitores a digitarem o termo “PNBL” no campo de busca ao lado e conferirem quantas vezes comentamos aqui as falhas do plano. Sem querer me vangloriar, até porque tudo se baseou em informações divulgadas pela imprensa e alguns contatos pessoais que fiz, ali está um verdadeiro dossiê sobre o assunto. Desperdiçaram milhões em dinheiro público, numa mistura de oportunismo e falso “ideologismo”. Mais um crime contra o Brasil!

Globosat lança “TV Everywhere”

Falando em TV por assinatura, a colunista de O Globo, Patricia Kogut, deu um furo na semana passada, ao revelar que a Globosat, maior fornecedora de conteúdo para as operadoras, irá lançar ainda neste semestre um serviço de video-on-demand (VoD). O modelo será o “TV Everywhere” lançado nos EUA no ano passado e que, a bem da verdade, ainda não pegou por lá. Nesse serviço, o assinante pode acessar conteúdos dos canais pagos através da internet, utilizando qualquer aparelho – TV, Blu-ray, tablet, smartphone, notebook etc. Basta uma autenticação online, confirmando tratar-se de um assinante em dia com sua mensalidade, e você poderá assistir, digamos, à GloboNews (um dos canais Globosat) mesmo que esteja em outro país.

Já ouvi inúmeras explicações para o suposto “fracasso” do modelo nos EUA. Quando foi lançado, o TV Everywhere anunciou-se como capaz de dar acesso online a qualquer tipo de conteúdo transmitido pela TV, para ser assistido em dispositivos portáteis. Não foi bem o que aconteceu. Os conteúdos são restritos a acordos com determinadas operadoras. Claro, há uma profusão de atrações na web, mas são basicamente as mesmas que você já consegue acessar hoje. Há quem diga que o pessoal não quer mesmo pagar por nada, ou seja, esse tipo de serviço atinge apenas quem já é assinante.

Ainda assim, acho cedo para falar em fracasso. Vamos ver qual será a estratégia da Globosat.

TV paga chega a 17% do país

O último levantamento da Anatel, divulgado na semana passada, mostra que a TV por assinatura já faz parte do lazer de 17,8% das famílias brasileiras (26,3% na região Sudeste). É um dado mais do que relevante. Graças ao alcance dos satélites, pessoas que há dois anos nem sonhavam com isso hoje podem receber em casa o sinal DTH (Direct-to-Home), gerado principalmente pelas operadoras Sky e Embratel. A TV a cabo também cresce, mas em menor proporção, o que é fácil de entender: a maioria das cidades “cabeáveis” já conta com o serviço, enquanto o DTH – cujo sinal trafega pelo ar – tem alcance virtualmente ilimitado.

Alguns números interessantes pinçados entre os dados da Anatel referentes aos primeiros quatro meses do ano:

*Enquanto as operadoras de cabo conquistaram 145 mil novos assinantes, as de satélite somaram mais 769 mil clientes (17% sobre o total registrado no final de 2010);

*Abril foi um mês particularmente feliz para o setor: se em 2009 o crescimento no mês foi de 55% e em 2010 de 112%, em abril de 2011 bateram-se todos os recordes; nada menos do que 238% de aumento no número de assinantes (somando-se cabo, DTH e MMDS);

*Abril de 2011 marcou também o ponto de inversão da curva de competição entre cabo e satélite: este passou a atingir 49,2% do mercado total de TV por assinatura, contra 48,1% do cabo. Importante: em março de 2010, a proporção era de 56,5% contra 39,1% (a favor do cabo);

*Mesmo sendo ainda a região com menor densidade (número de assinantes vs. população total), o Nordeste foi onde a TV paga mais cresceu nos últimos doze meses: 57,2%, contra 48,1% da região Norte e 32,7% de média nacional;

*Bahia, Piauí, Pará e Tocantins foram, pela ordem, os quatro estados onde houve aumento mais expressivo de novos assinantes.

No ritmo atual, com 10,6 milhões de domicílios servidos até abril, o segmento de TV por assinatura chega ao final do ano batendo na porta dos 13 milhões de assinantes. Pensando bem, é isso que explica, em parte pelo menos, a queda nas vendas de DVDs e a demora do Blu-ray em se consolidar, que comentei no tópico anterior. Com tanta oferta de canais pagos, a tentação do usuário é ficar mais tempo em casa para aproveitar ao máximo a “novidade”.

Para ver os dados completos da Anatel, clique neste link.

Blu-ray começa a decolar

Em conversa com um amigo outro dia, discutíamos se o Blu-ray irá, de fato, substituir o DVD. Há controvérsias. Puxando em nossos arquivos, descobri que o DVD levou menos de cinco anos (de 1997 a 2001) para se tornar um formato “popular”, com as grandes lojas e videolocadoras substituindo as amareladas fitas VHS. Foi o maior sucesso da indústria eletrônica até hoje entre os aparelhos de mesa (ícones como iPod e iPhone não entram nessa conta). Já o Blu-ray, lançado em 2007, parece longe de conquistar a unanimidade – ainda ouço pessoas dizerem que não enxergam a vantagem de aposentar seu velho DVD player!!!

Claro que a principal razão para o sucesso espetacular do DVD foi a padronização: todos os fabricantes, assim como todos os estúdios de cinema e produtoras de shows, além dos criadores de videogame, passaram a utilizar a mesma plataforma. E o consumidor não precisava se preocupar se seu aparelho iria reproduzir aquele disco… Com o Blu-ray, como se recorda, foi o contrário. Uma insana disputa por royalties dividiu a indústria e confundiu o usuário, que na dúvida preferiu ficar com seu já conhecido DVD. Juntando a isso a crise mundial de 2008/09, que na Europa e EUA se estende até hoje, mais os recentes problemas decorrentes do tsunami no Japão, temos um cenário nada animador para a popularização de uma nova tecnologia.

Aqui no Brasil, no entanto, onde a crise não é percebida, o Blu-ray dá sinais de começar a decolar. Num levantamento recente, a equipe da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL encontrou nada menos do que 27 modelos de players compatíveis com imagens 3D. 27!!! Isso inclui os players stand-alone, de mesa, e os conjuntos integrados de home theater que trazem o player embutido. Para quem dispensa 3D, a oferta é ainda maior, com cerca de 40 opções, sendo as mais baratas beirando a casa dos R$ 250 – não recomendo, mas existem… Aumenta também a oferta de filmes e shows em Blu-ray, que já passaram dos 1.000 títulos, embora alguns ainda a preço semi-proibitivo.

É o caminho. Dificilmente o Blu-ray irá repetir o fenômeno DVD, mas para quem faz questão da melhor imagem e do melhor som as opções já estão aí. Para ter uma ideia melhor de como anda o mercado de Blu-ray, visite este hot site.

Futebol ao vivo, em HD 3D

Neste sábado, os consumidores que adquiriram recentemente um televisor 3D terão a primeira oportunidade de conferir, ao vivo, o impacto dessa tecnologia num dos tipos de conteúdo preferidos pelos brasileiros. A operadora Net vai gerar o sinal da final da Champions League, entre Barcelona e Manchester United, transmitida pela ESPN, para seus assinantes HD, garantindo que o decoder atual já está preparado para captar essas imagens. Foi criado um canal especial para isso (703), e o jogo poderá ser assistido nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Brasilia, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Campinas, Santos e Ribeirão Preto.

A Net já ofereceu este ano transmissões ao vivo em 3D, do Carnaval carioca e da corrida de Fórmula Indy disputada em São Paulo. Mas o número de aparelhos compatíveis aumentou muito nos últimos meses, e agora uma quantidade bem maior de assinantes poderá conferir. Vamos ver qual será a reação deles.

Criatividade brasileira

Fiz questão de replicar neste blog o brilhante artigo do senador Cristóvão Buarque sobre a insólita polêmica do livro didático patrocinado pelo Ministério da Educação contendo erros de português. Em tempo: erros que os autores da milionária obra e seus amigos insistem em chamar de “adequações”. Lendo o texto, entende-se melhor por que existe esse tipo de atitude e o mal que ela faz ao país. Imperdível.

Amazon está chegando!

A Amazon.com, maior loja virtual do planeta, é mais uma gigante da tecnologia que estuda entrar no mercado brasileiro. O peruano Pedro Huerta, o homem do grupo para a América Latina, já conversou com diversas editoras brasileiras. Confirmou aquilo que outras empresas estrangeiras já sentiram na pele: há muitos consumidores em condições de se tornarem clientes assíduos, mas a infraestrutura do país não ajuda em nada. Ao pesquisar os preços praticados pelo e-commerce por aqui, os executivos da Amazon chegaram a pensar que poderiam nadar de braçada. Bastou analisarem a estrutura de custos para mudarem rapidinho de ideia.

Como se sabe, há muito tempo a Amazon, fundada em 1996, deixou de ser apenas uma loja de discos e livros; seu menu atual cobre mais de 3 mil itens, de eletrônicos a brinquedos. Seria certamente líder no mercado virtual brasileiro – se pudesse contar com as facilidades disponíveis nos EUA, tanto em termos de logística (para armazenamento e transporte dos produtos até a casa dos clientes) quanto em tributação e burocracia; sem falar num item que, para os americanos, é quase impensável: a segurança.

Diante desse quadro, o board da Amazon decidiu: pelo menos num primeiro momento, só irá vender aqui livros, e mesmo assim em versão digital. Há dias, a empresa anunciou que as vendas de ebooks ultrapassaram as de livros impressos, um marco na evolução desse produto tão jovem (o Kindle, primeiro leitor de livros eletrônico, foi lançado em 2007). Com a rápida popularização dos tablets, os especialistas acreditam que as vendas de livros digitais irá explodir nos próximos anos, inclusive no Brasil, que não tem tradição no setor.

Ainda assim, esbarramos num outro problema, segundo reportagem recente da Folha de São Paulo: mesmo para converter livros impressos em eletrônicos, os custos no Brasil são incrivelmente mais altos do que na Europa e nos EUA.

Saudades da inflação?

Reportagem do jornal O Globo neste fim de semana mostra, com certa ironia, como as novas gerações estão lidando com a alta dos preços. Para muitos da minha idade, pode parecer que foi ontem, mas já se vão 25 anos desde que tivemos o Plano Cruzado, em que um super-tabelamento de preços tentou conter a inflação “no grito”. Chegamos a ter índices em torno de 80% ao mês, no auge do governo Sarney (sim, o próprio, que ainda está aí, mandando e desmandando). No entanto, quem nasceu naquela época – final dos anos 80, começo dos 90 – foi salvo pelo Plano Real (1994), que conseguiu barrar a alta desenfreada dos preços. Nos últimos 15 anos, tivemos uma inflação, pode-se dizer, mais ou menos civilizada.

Portanto, quem hoje está na faixa até perto dos 30 anos só agora está conhecendo aquilo que os economistas chamam de “monstro”. Lembro-me que, certa vez, me perguntaram qual era o meu salário e tive que pensar para responder: o holerite mudava todo mês! Íamos ao supermercado para fazer compras de três ou quatro meses, com medo do aumento dos preços. E, como os postos de gasolina não funcionavam nos fins de semana, sexta-feira à noite era dia de enfrentar filas gigantescas para abastecer o carro – na segunda-feira seguinte, os preços já estariam reajustados… Como sabe qualquer um que estudou um mínimo de economia, as maiores vítimas eram as pessoas pobres, cujo salário acabava bem antes do final do mês; os ricos, estes tinham como poupar e fazer render seus depósitos quase na mesma toada dos índices inflacionários.

Sim, a inflação agora (em pleno 2011) é uma ameaça concreta, por mais que ministros e bajuladores em geral digam o contrário. Estudo recente mostrou que o custo de vida na cidade de São Paulo já é superior ao de Nova York. Isso abrange itens tão diversos quanto aluguel, restaurantes, combustível, estacionamento, brinquedos, consultas médicas e, é claro, eletrônicos. Agora mesmo, acabo de ler mais uma estatística revoltante sobre o tema, publicada no jornal paulista Diário do Grande ABC (não vi em outras publicações): conta de telefone (fixo e celular), TV por assinatura, banda larga e até conta de luz, tudo isso é mais caro no Brasil do que na maioria dos demais países.

Diz o estudo que, em 2009, 4,1% da renda média do brasileiro eram usados para pagar despesas com comunicação, porcentagem mais alta do que em 86 outros países. Sobre a banda larga, nem é preciso falar: já comentamos o tema aqui diversas vezes. Mas fiquei espantado com este número: o custo da energia no Brasil (US$ 0,25 por kWh – quilowatt/hora) equivale ao dobro (US$ 0,13) de países como EUA, França, Reino Unido, Suíça e Japão.

Aqueles jovens entrevistados pelo Globo talvez não saibam ainda o que é viver sob inflação. Mas devem saber muito bem quanto custa viver num país rico como é o nosso!

Os jornais e os tablets

As capas da Folha e do Estadão neste domingo são semelhantes: todas as chamadas aparecem enquadradas em telas de tablets e smartphones. Uma ideia brilhante da agência de publicidade Ogilvy para seu cliente Claro. O recado é direto: independente da forma como você recebe as notícias, todas podem ser compartilhadas. Mas há também uma mensagem subliminar: prepare-se, a partir de agora você vai consumir cada vez mais as informações não através de um pedaço de papel, mas pela telinha de um aparelho portátil.

Claro, a essa altura ninguém precisa de bola de cristal para antever essa realidade. O sucesso da versão digital do The New York Times, que vendeu 100 mil assinaturas em um mês, não deixa mais dúvidas. No entanto, quando se fala de Brasil essas coisas precisam ser bem contextualizadas. Já li inúmeros artigos de “especialistas” cantando a morte da mídia impressa, apenas porque algum guru estrangeiro disse ou escreveu algo nessa linha. No Brasil, porém, o buraco é bem mais embaixo.

Depois que o governo anunciou medida provisória para isentar de impostos a fabricação de tablets, começa a se articular um movimento de bastidores para sabotar a ideia. Empresários com fábricas no Polo Industrial de Manaus e integrantes do governo do Amazonas já acionaram seus representantes em Brasilia. Incentivar a produção de qualquer aparelho eletrônico no país significa criar concorrência para Manaus, uma área que, por definição, é contra qualquer tipo de competição. Sabendo-se que o maior defensor da Zona Franca atende pelo nome de José Sarney, podemos esperar, no mínimo, uma boa briga nas próximas semanas.

Mas, mesmo que venhamos a ter fábricas de tablets espalhadas por outros estados e com incentivo fiscal, esse produto irá esbarrar numa outra realidade, ainda mais difícil de ignorar: a violência urbana. Está longe o dia em que um brasileiro poderá – como fazem hoje americanos, europeus e japoneses – abrir tranquilamente seu tablet numa praça e ficar ali, lendo seus textos ou vendo seus vídeos; ou no metrô, no ônibus, mesmo na padaria da esquina. Quem faz isso corre sério risco, como confirmam as dezenas, talvez centenas de executivos que já tiveram seus notebooks roubados em situações similares.

Contra isso, não há tecnologia que resolva.

 

Durma-se com esse barulho…

Quando se pensava que a questão dos padrões de conexão para aparelhos eletrônicos já estava mais ou menos resolvida, com a quase hegemonia do HDMI, eis que estão inventando mais um. Minto: são três novas propostas, apresentadas por grupos diferentes de indústrias, cada qual defendendo que o seu é melhor. Ou seja, nenhuma novidade. Deixando de lado o fato de que HDMI é um padrão em constante mutação (estamos atualmente na versão 1.4, também chamada “High Speed”) e que a toda hora surgem reclamações sobre incompatibilidades entre produtos com esse tipo de conector, nossa obrigação é procurar entender as mudanças sugeridas. Vou tentar explicar, com a ajuda de meu amigo Cristiano Mazza, da Discabos, um dos papas da matéria no Brasil.

1) Tivemos no ano passado o lançamento do padrão HDbaseT, que permite utilizar os conhecidos cabos de rede (Cat5 e Cat6) e os conectores RJ45 para trafegar todo tipo de sinal, incluindo áudio, vídeo 3D e até energia elétrica. Sony, LG e Samsung são as três maiores empresas por trás da ideia, mas as especificações ainda não foram oficializadas.

2) No início deste ano, a Sony apresentou uma nova proposta, chamada DiiVA (Digital Interactive Inteface for Video & Audio), cuja maior vantagem seria permitir redes domésticas com um único tipo de cabo e conector, que substituiria os atuais HDMI, USB, RJ45 etc. Displays, players, computadores e dispositivos móveis poderiam se comunicar em duas vias. De novo, Sony, LG e Samsung lançaram a ideia, só que agora apoiada por outros gigantes, como Panasonic e Toshiba.

3) Nessa sopa de letrinhas, o mais novo ingrediente é o padrão G.hn, de autoria de donas Intel e Panasonic, referendado pela UIT (União Internacional de Telecomunicações) e pelos consórcios Broadband Forum (que dita as normas em conexões de banda larga) e HomeGrid Forum (dedicado à integração entre as atuais redes baseadas em cabos coaxiais e as redes do tipo PowerLine, que usam linhas elétricas para transmitir sinais de áudio, vídeo, voz e dados).

Como viram, passei todos os links a quem quiser se aprofundar no estudo de cada uma dessas maravilhas. Mas não aconselho. Como diz Cristiano, é uma bela bagunça! Impressionante como a indústria de tecnologia se divide quando o assunto é conexão. O próprio Cristiano, como fabricante, se confessa perplexo com tantas possibilidades, a tal ponto que interrompeu temporariamente o desenvolvimento de novos projetos, até que a coisa fique mais clara. Faz bem. Não dá para apostar em nenhuma das três alternativas acima, e pode até surgir uma quarta – sem falar que o consórcio HDMI Licensing está aí a todo vapor, e pode perfeitamente lançar suas versões 1.5, 1.6 e assim por diante.

Quem consegue dormir com todo esse ruído?

Explosão na fábrica do iPad

Por volta das 7hs da manhã desta sexta-feira (horário do Brasil), uma enorme explosão abalou as estruturas de uma das fábricas da Foxconn em Chengdu, na China (veja um vídeo gravado minutos depois). Ali funciona uma das unidades de montagem do iPad 2, da Apple, aquele mesmo que, segundo o governo brasileiro, a Foxconn quer produzir no Brasil. Neste momento, as informações ainda são desencontradas. Segundo a CNN, duas pessoas morreram e 16 ficaram feridas.

Da teoria para a prática

Ainda a propósito do tema “empreendedores”, que comentei aqui ontem, gostaria de observar um fenômeno que já foi detectado por várias pessoas no segmento de projetos e sistemas residenciais. Há uma nova geração de profissionais, na faixa entre 20 e 30 anos, que tem mais facilidade para se adaptar às mudanças tecnológicas. Muitos deles, até, encaram sua entrada nesse mercado com uma visão mais ambiciosa do que se via anos atrás. Querem empreender, no melhor sentido da palavra, e sabem que para isso não bastam os conhecimentos técnicos aprendidos na escola; é preciso uni-los à experiência prática, com uma boa dose de ousadia e criatividade.

Temos encontrado alguns deles, por exemplo, durante o Programa de Certificação “Home Expert“, que a revista HOME THEATER & CASA DIGITAL iniciou em março, com patrocínio da Yamaha do Brasil e apoio da Aureside, e que se estenderá até novembro. A idade média dos participantes não passa dos 30 anos, o que revela duas coisas: primeiro, que está acontecendo uma renovação no setor (muitos deles já trabalham na área); e, segundo, que os profissionais mais antigos não sentem necessidade de se atualizar tecnicamente (ou não conseguem fazê-lo). Conversando com essa moçada, percebe-se a ânsia de aprender, aquela curiosidade típica do jovem, que nesse caso vem acompanhada de um elemento essencial – todos são, também, usuários das tecnologias que precisam entregar a seus clientes e, portanto, encontram mais facilidade para incorporá-las aos seus projetos.

Evidentemente, nem todos serão bem-sucedidos. O mercado – assim como a vida – encarrega-se de fazer uma “seleção natural”, e pode ser que alguns desistam no meio do caminho. Mas o primeiro passo, que na maioria dos casos é o mais importante, já foi dado. Em vez de criticar uma realidade aparentemente hostil, eles querem descobrir as oportunidades quem sabe não aproveitadas por outros. E é bom lembrar que no grupo há quarentões que também devem estar enxergando essas possibilidades.

Parafraseando o ex-presidente Juscelino Kubitschek, com essa atitude esses profissionais podem até errar; mas os que se acomodarem já começam errando.

Cadê a minha Playboy?

Há cerca de dois ou três anos, um amigo me questionou sobre a comentada morte de jornais e revistas com a chegada do computador portátil. “Imagine se alguém vai querer levar seu notebook ao banheiro”, disse ele, descrente da novidade. Bem, não preciso entrar em detalhes sobre o que ocorre hoje, na era do iPad. Revistas e jornais não morreram (acho que jamais morrerão), mas levaram um belo baque. Que o diga a Playboy, que já foi a revista mais vendida do mundo.

Segundo a agência de notícias Associated Press, a edição americana chegou a vender 3,15 milhões de exemplares em 2006; hoje, não passa de 1,5 milhão, e caindo… De pouco adiantaram truques como dar aos leitores, de brinde, um óculos 3D para que pudessem enxergar melhor as, digamos, nuances de algumas fotos. Para tristeza de muitos, parece que as famosas coelhinhas estão mesmo se tornando peças de museu. Como diz o prof. Samir Husni, que dirige o Centro de Inovação em Revistas, da Escola de Jornalismo da Universidade do Mississipi, quem precisa hoje de uma Playboy? “Qualquer um pode ver uma mulher pelada simplesmente andando pela rua”, argumenta o nobre mestre.

Será mesmo? O fato é que, tentando reconquistar os leitores perdidos, a Playboy decidiu cair na vida… digo, na tela do iPad. A partir de hoje, quem tiver um pode fazer sua assinatura digital, ao preço de 8 dólares por mês, e acessar qualquer uma das 682 edições da revista publicadas até hoje, incluindo a célebre # 1, de 1953, que trazia na capa ninguém menos do que Marylin Monroe. “Agora, ninguém mais terá que esconder sua coleção embaixo do colchão”, empolga-se o editor-chefe, Jimmy Jellinek.

Sim, certamente haverá aqueles caras-de-pau que farão a assinatura argumentando querer apenas reler artigos de escritores famosos, como Norman Mailer e Jack Kerouac, que publicaram textos inéditos na Playboy; ou entrevistas polêmicas como as de John Lennon e Martin Luther King, que só saíram lá. Jellinek admite, com razão, que o novo serviço não vai render grande coisa. Mas não resiste a chamar sua edição digital de “a máquina do tempo mais sexy do mundo”.

Não sei se o privilégio dos leitores americanos será estendido aos brasileiros. Quando isso acontecer, finalmente aquele meu amigo que jamais pensou levar o computador ao banheiro vai poder matar as saudades de suas coelhinhas preferidas. Bastará comprar um iPad. E poderá se deliciar sem culpa. Afinal, já estamos todos (eu, ele e os de nossa geração) um pouco velhos para essas ‘nóias’ da juventude.

Aprendendo a empreender

Através de uma newsletter da Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial), descobri um link que explica como obter financiamento para uma pequena empresa de tecnologia, através da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos). Esse órgão do Ministério e Ciência e Tecnologia não é novo; também não é muito comentado. Mas pode ser um caminho para quem tem um bom projeto e pouco (ou nenhum) capital para tocá-lo em frente. Na verdade, como dizia um antigo professor meu, uma boa ideia nem sempre é sinônimo de um bom negócio. É preciso saber se o projeto é viável. Em todo caso, tantas empresas começaram como aparentemente inviáveis e acabaram dando certo, não é mesmo? Conto a história de algumas delas no livro “Os Visionários“.

Voltando à FINEP, o mais interessante é que o dinheiro fornecido não precisa ser devolvido! Isso mesmo: a função do órgão é justamente estimular o surgimento de novos negócios, desde que se enquadrem em três requisitos básicos – inovação, viabilidade técnica (é preciso comprovar que você pode conduzir a nova empresa e sustentar o projeto) e viabilidade comercial (saber se há compradores potenciais para seus produtos). Este é o link. Vale a pena conhecer.

Por sinal, as dicas estão no blog Saia do Lugar, que se define como destinado ao “empreendedor que não tem tempo a perder”. Ou: “empreendedorismo sem enrolação”. Nada de filosofismo, nem pretensas análises de mercado que geralmente levam a lugar nenhum. Os autores são jovens engenheiros que se propõem a ajudar quem quer justamente… bem, sair do lugar. Precisamos de mais blogs e sites como esse.

Tecnologia é como o mar…

Ouvi a frase acima hoje, em encontro com Jason Tirado, diretor internacional de vendas da Crestron, principal fabricante americano de sistemas de automação customizada. Ele veio inaugurar em São Paulo o Crestron Experience Center, uma espécie de show-room avançado onde profissionais do setor podem experimentar produtos e participar de treinamentos (o que, em automação, é absolutamente obrigatório). Segundo a empresa, existem poucos desses centros no mundo, a maioria nos EUA. Recentemente, foram inaugurados outros na China, Bélgica e Inglaterra, cada um orçado em mais de US$ 1 milhão. “Nossos negócios vêm crescendo acima de 30% em países como o Brasil”, disse Tirado. “E todos os nossos clientes corporativos confirmam que vale a pena investir aqui, ainda mais agora que a economia americana está demorando para se recuperar”.

Ao fazer a analogia com o mar, Tirado quis dizer que a tecnologia é algo que está sempre mudando. “Se você vai construir uma casa na praia, precisa escolher a melhor posição, pois amanhã a maré pode não estar a seu favor. Assim é o mercado de tecnologia. Estamos sempre em busca do melhor lugar para tirar proveito das oportunidades que aparecem. Hoje, o Brasil é um desses lugares, assim como Rússia, China e Índia”.

Dividindo seus negócios 50/50 entre automação residencial e corporativa, a Crestron acha que os brasileiros estão apenas começando a experimentar os benefícios desses sistemas. E aposta que, com a popularização do iPhone e do iPad, mais pessoas vão querer ter em casa recursos que possam ser comandados com dispositivos como esses. “Vamos ganhar menos com a venda de painéis, mas com certeza venderemos mais sistemas para uso com tablets”.

Imbroglio tecnológico

Há dias, em visita ao Brasil, o presidente mundial da HP, Leo Apotheker, fez um comentário irônico sobre os estudos do governo brasileiro para conceder benefícios fiscais a fabricantes chineses. “É o sonho de todo investidor”, disse o executivo, como que a dizer: “Se eles querem, eu também quero”. Provavelmente, outros executivos do setor responderiam da mesma forma. Todos assinariam embaixo da lista de exigências feitas pela taiwanesa Foxconn para instalar uma montadora de tablets no Brasil. Como já comentamos aqui, as facilidades que a empresa encontra para produzir na China e em outros países, inclusive na América Latina, estão a anos-luz da estúpida burocracia brasileira, aliada a corrupção insaciável e uma carência de infraestrutura que só é combatida nos discursos.

Agora mesmo, o Ministério de Ciência e Tecnologia decidiu passar por cima da Receita Federal e ampliar o alcance da medida provisória 517 que, segundo o site Convergência Digital, foi criada a pedido da Abinee (Associação Brasileira dos Fabricantes de Eletroeletrônicos). Trata-se de mais um imbroglio jurídico que, quase certamente, irá se arrastar por um bom tempo. Segundo a receita, tablets não podem receber os mesmos incentivos dos computadores “porque não possuem teclado físico”. Não me perguntem quem foi o gênio que teve essa ideia… O Ministério quer colocar em vigor o mais rápido possível a MP517, estipulando que os tablets não passam de uma “evolução” dos computadores e, portanto, teriam direito aos mesmos benefícios.

Embora os chineses sejam até mais discretos (e misteriosos) do que os japoneses, seria engraçado ver a cara de um deles ao saber dessa “salada legal” bem brasileira. Na prática, se for para beneficiar alguém, o governo faria melhor liberando logo os projetos da Samsung e da Motorola, por exemplo, para produzir seus tablets no Brasil com incentivos – projetos apresentados ainda no ano passado e, portanto, bem antes dessa história de “fábrica de iPad no Brasil”. Assim como a HP, essas duas empresas, e com certeza todos os demais fabricantes de tablets, adorariam receber esse estímulo. E, jurídica e politicamente, não faria o menor sentido privilegiar uma empresa e, com isso, prejudicar as concorrentes.

Mas o governo atualmente parece que só olha para a China.

Ninguém quer estudar T.I.

Na mesma semana em que tivemos o inacreditável caso do livro que ensina português errado a estudantes de escolas públicas, com financiamento do próprio Ministério da Educação, foi divulgado um impressionante estudo da Brasscom (Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação). Revela um dos aspectos mais preocupantes desse mercado atualmente: de um total de 460 mil vagas oferecidas por faculdades ligadas à área de Tecnologia da Informação, somente 85 mil estudantes concluem os cursos.

Há várias razões para esse grau de evasão, mas as principais, segundo Sergio Sgobbi, diretor da entidade, seriam a falta de base em matemática e de perfil para a carreira. O Brasil investe em educação básica cinco vezes menos do que a média dos países europeus, mas gasta 20% mais na educação superior. Não é à tôa, portanto, que o déficit de profissionais qualificados no setor de T.I. é estimado em 92 mil para este ano e – se tudo correr bem – 200 mil em 2013.

Ou seja, de pouco (ou nada) adianta criar mais e mais faculdades para ensinar tecnologia a quem mal sabe fazer contas. E, estendendo o raciocínio ao ensino do Português, é inútil querer estimular a leitura em quem aprende, desde cedo, que falar errado não é problema.