A volta do mestre

30 de junho de 2011

Citei no post anterior o mestre dos mestres, Millôr Fernandes, e não foi por acaso. Nesta quarta-feira, o maior pensador brasileiro voltou à ativa, depois de meses internado para tratar de sua saúde infelizmente debilitada. Hoje com 87 anos (fará 88 em agosto), Millôr começou a trabalhar aos 13, e aos 17 já era editor de uma revista. Revolucionou primeiro a arte do humor brasileiro, criando personagens e escrevendo tiras geniais como as que continua produzindo hoje em seu site pessoal. Como humorista e cartunista, colaborou com os jornais e revistas mais importantes do país: O Cruzeiro, A Cigarra, Veja, IstoÉ, Jornal do Brasil, Correio da Manhã, Folha de São Paulo, Estadão… todos ficaram mais pobres quando ele saiu.

Depois, revolucionou a arte da tradução, vertendo para o português obras de autores tão complexos quanto indispensáveis, como Shakespeare, Moliere, Bernard Shaw, Brecht, Pirandello, Beckett, Vargas Llosa, Tchekov e até os gregos Sófocles e Aristófanes. Também foram revolucionários, a partir dos anos 1940, alguns de seus livros (a maioria de humor), como “Trinta Anos de Mim Mesmo”, “Livro Vermelho dos Pensamentos de Millôr” e “Devora-me ou te Decifro”. Escreveu também poesia, como os célebres hai-kais, poemas curtos (apenas três linhas) mas cheios de duplos e triplos sentidos. Em meio a seus inúmeros trabalhos como jornalista e humorista, ainda encontrava tempo para escrever roteiros para cinema e TV, além de aproximadamente 20 peças teatrais, algumas delas também revolucionárias, como “Um Elefante no Caos”, “Computa, Computador, Computa” e “O Homem do Princípio ao Fim”.

E sim, claro, ganhou um caminhão de prêmios como cartunista e desenhista, inclusive no Exterior. Mais incrível ainda é que boa parte dessas artes Millôr aprendeu literalmente sozinho, como autodidata assumido. Nessas múltiplas atividades, foi dezenas de vezes censurado, como quando dirigia “O Pasquim”, até hoje o mais influente jornal de humor brasileiro, lançado por ele junto com outros grandes jornalistas e humoristas cariocas em 1969. As milhares de frases que Millôr criou dariam para encher vários sites de inteligência e sagacidade, artigos há muito tempo em falta no mercado (aqui mesmo, neste blog, reproduzo algumas na seção “Frases”). Destaco aqui uma, que de certa forma resume essa figura inigualável:

“Nunca ninguém me ensinou a pensar, a escrever ou a desenhar, coisa que se percebe facilmente, examinando qualquer dos meus trabalhos”.

Esse é Millôr, que felizmente está de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído. Seu site está fervilhando de ideias. Como ele mesmo gosta de dizer, vai lá… http://www2.uol.com.br/millor/

 

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