Tablets made in Brazil

Como comentei antes, é uma pena constatar que o atual governo demonstra estar fora da realidade. A ideia de criar incentivos à fabricação de tablets lembra o tal projeto do trem-bala: faz muito barulho na mídia, mas na prática significa pouco mais que uma miragem. É claro que teremos tablets produzidos no Brasil em breve; Samsung e Motorola são dois dos principais fabricantes mundiais e já iniciaram projetos nesse sentido, mesmo antes de alguém falar em incentivos fiscais. Os chineses da ZTE, como já publicamos aqui, talvez estejam até mais adiantados em seu projeto, e até o final do ano é provável que a essas se unam outras marcas de prestígio, como Dell, HP, Semp Toshiba e Acer, entre outras.

O problema é que tablet – assim como trem-bala ou estádio de futebol – não pode ser a prioridade de um país, a ponto de justificar isenções fiscais que, na ponta do lápis, devem somar bilhões de reais. Aliás, toda vez que você ouvir falar em isenção de impostos, prepare-se: você é quem estará pagando a conta. E, por mais que o iPad seja um sucesso mundial, os tablets são apenas um brinquedo, e nem de longe representam o grosso da indústria de informática. Chega a ser engraçado ver o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, encher a boca para dizer frases como esta: “É difícil montar uma fábrica de tablets em três meses”.

Mercadante se referia à também chinesa Foxconn, que segundo ele adiou de julho para agosto o início da produção do iPad em Jundiaí (SP). “Um mês não faz diferença”, ironizou ele, diante de jornalistas desinformados sobre a complexidade de montar uma fábrica desse tipo. O ministro admitiu que a Foxconn queria levar 200 engenheiros brasileiros para treinar na China, mas não os encontrou. E que ainda não está definido o financiamento do projeto, que para os chineses precisa ter a participação do governo (via BNDES) e de um grupo privado brasileiro, que seriam responsáveis pela maior parte do investimento. E que as obras de infraestrutura solicitadas pela empresa à Prefeitura de Jundiaí estão atrasadas. E que…

Em suas mais do que frequentes aparições diante dos holofotes, e na falta de coisas concretas para anunciar, Mercadante atua quase como um assessor de imprensa da Foxconn – até porque a empresa até agora não se manifestou sobre o assunto. Belo papel.

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