Archive | julho, 2011

Empreendedores e estudiosos

Estudo divulgado pelo Open Forum, portal da internet mantido pela American Express para discutir ideias sobre o mundo atual, mostra a relação que existe entre o sucesso das empresas e o nível educacional de seus fundadores e/ou principais diretores. A pesquisa foi feita com 549 empreendedores de vários países, sendo que 95% deles tinham pelo menos o curso superior completo. A pergunta dos pesquisadores era: quantos haviam prosseguido nos estudos após se formarem? Resultados: 19% chegaram ao grau Master’s, que nos EUA equivale à nossa pós-graduação; outros 13,8% fizeram MBA, enquanto 10,5% completaram o PhD, segundo nível educacional mais alto.

Conclusão: a maioria dos grandes líderes empresariais americanos estudou, e estudou muito, antes de chegar aonde chegaram. Esse certamente foi um fator fundamental em seu sucesso. Em meu livro “Os Visionários“, fiz questão de ressaltar esse detalhe: todos os personagens citados tiveram uma sólida formação escolar, inclusive aqueles que não chegaram a concluir o curso superior (casos de Bill Gates e Mark Zuckerberg, por exemplo). Isso explica também por que nenhum brasileiro aparece na lista, que se propõe a ser um apanhado dos empreendedores mais influentes do setor de tecnologia.

Num país como o Brasil, pode parecer até pedante esse tipo de constatação. Muitas vezes, aqui se saúda o fato de uma pessoa sem estudo ser bem sucedida (raramente se questiona que métodos utilizou para isso). Como já lembrou o senador Cristóvão Buarque, defensor incansável de políticas educacionais consistentes, essa postura pode ser uma forma de se autoenganar, como a dizer que aquele que venceu sem ter estudado merece mais aplausos do que quem pôde frequentar boas escolas. Prefiro o raciocínio inverso: alguém que se dedicou anos e anos ao estudo merece muito mais o sucesso do que quem teve a chance de estudar, mas não se empenhou para isso.

Voltando à pesquisa do Open Forum, o ponto que considero crucial é entender que o aprendizado precisa ser constante – e continuado. Mesmo quem alcança o sucesso precisa se manter atualizado para não ser ultrapassado. Mais ainda no setor de tecnologia, cujos avanços são tão rápidos. Eis ali uma bela lição.

Um governo em cima do muro

A acusação de estar sempre “em cima do muro” acompanha o PSDB desde sempre – e na maioria dos casos com toda justiça. Se há uma marca nesse grupo – não vou chamar de “partido” porque acho que isso não existe no Brasil – é a da hesitação, seja para o bem ou para o mal. Fossem mais decididos, e talvez os tucanos tivessem feito, anos atrás, o que vieram a fazer os petistas: tomar conta da máquina pública e comprar, muitas vezes até com dinheiro vivo, aqueles que pudessem se opor a seus projetos. Não tiveram competência ou poder de decisão para fazê-lo, e agora assistem, do alto do muro, ao espetáculo vergonhoso que temos visto todos os dias.

Fiz essa reflexão ao ler e ouvir as notícias das últimas semanas sobre a postura do governo em relação ao estratégico setor de telecomunicações. Sim, depois de muito tempo temos um governo que não é do PSDB mas está, literalmente, em cima do muro. O colega Ethevaldo Siqueira, do Estadão, se diz decepcionado após entrevistar o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, sobre as irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) numa licitação da Telebrás. Bernardo encerrou repentinamente a entrevista, irritado, quando o jornalista lhe fez uma pergunta banal: “Não seria melhor promover uma nova licitação, em moldes transparentes?”

A tal licitação teria, segundo o TCU, gerado um sobrepreço de R$ 121 milhões, que precisou ser coberto com dinheiro do Tesouro (ou seja, nosso, do contribuinte). Foi a primeira da nova fase da Telebrás, e também o primeiro contrato para implantação do Plano Nacional de Banda Larga.

Em outras palavras, o Plano, além de tecnologicamente defasado, como mostramos aqui, começa também contaminado. Para descontaminar, é preciso, antes de mais nada, descer do muro.

O risco de quem arrisca

Alguém já disse que o capitalismo não tem alma. Descontando o fato de que o socialismo também não tem, é curioso observar o que vem acontecendo com algumas gigantes do setor de tecnologia. A Nokia, por exemplo. É possível que todo mundo que usa celular já tenha sido o feliz proprietário de um aparelho da marca finlandesa. Sim, ela mesma, aquela cujo valor de mercado só faz despencar, há alguns meses, sem mostrar o menor sinal de que pode reverter as coisas. Nem o anúncio de um acordo com a Microsoft serviu para atenuar a boataria: o balanço do segundo trimestre de 2011 foi desastroso (prejuízo de 368 milhões de euros). Pior: as agências avaliadoras de risco estão recomendando que os investidores se livrem das ações da empresa enquanto é tempo… Pode haver coisa pior para a reputação de uma empresa? E olhem que a Nokia continua sendo líder mundial na fabricação de celulares!!!

Curioso é que, anos atrás, a notícia de uma associação com a Microsoft seria saudada como uma grande vitória para qualquer empresa. Ou seja, a empresa fundada por Bill Gates também não está bem na foto. Embora continue sendo líder mundial no setor de software, a MS parece que não consegue acertar em mais nada. O fracasso do Windows Vista ainda rende pareceres nada animadores dos analistas de investimento, e – apesar de ter adquirido a Skype, que é uma marca vistosa – Steve Ballmer, o sucessor de Gates, ainda deve aos acionistas explicações convincentes sobre o motivo de ter aceitado pagar US$ 8 bilhões pelo negócio. Tem muita gente pedindo a cabeça de Ballmer, que além de tudo é antipático e não tem 1% do carisma de Gates.

Nesse mundo sem alma, a vítima mais recente parece ser a eBay, empresa que criou o leilão eletrônico – coincidentemente, também ex-dona da Skype, da qual se livrou assim que percebeu o equívoco de pagar mais de US$ 3 bilhões por ela… Pois bem, as avaliações recentes sobre a eBay também não são nada edificantes. Os lucros caíram 31% no último trimestre, a empresa está sendo processada por supostamente vender produtos falsificados e ameaçada por hackers.

 

Um gigante de 3,71cm

Aqueles que criticam os TVs LED-LCD e preferem os plasmas acabam de ganhar mais um bom argumento: a Samsung está colocando em algumas lojas – bem poucas – o maior TV de plasma 3D já lançado no Brasil. Com 64 polegadas, o aparelho realmente impressiona, embora ainda não o tenha visto funcionando. São 148cm de largura por 98cm de altura, mas apenas 3,71cm de profundidade, o que deve causar um belo impacto em qualquer ambiente. Além de reproduzir discos 3D, converte imagens 2D. E inclui recursos hoje muito valorizados, como navegador de internet (acessa qualquer site), Skype, gravador PVR embutido e, para evitar o velho problema dos plasmas (excesso de reflexão), traz um película que ajuda a reduzir a perda de contraste quando se vê televisão com as luzes acesas.

A Samsung promete outros plasmas semelhantes, mas de tamanhos menores, para os próximos meses.

 

República de bananas

A expressão acima me veio à mente ao conversar com um amigo sobre essa absurda ideia de fechar o Aeroporto Santos Dumont neste sábado, para não prejudicar a transmissão do sorteio das chaves da Copa do Mundo, que acontece ali do lado, na Marina da Glória. A expressão “banana republic” teria sido criada no início do século passado pelo humorista americano William Porter, que escrevia sob o pseudônimo “O. Henry”. Ele se referia aos países latinoamericanos, especialmente da América Central, grandes produtores de bananas e, ao mesmo tempo, historicamente dominados por ditadores e corruptos. Com o tempo, o termo passou a ser usado para designar quase todos os países do continente, inclusive o Brasil, por motivos óbvios.

Dá o que pensar quando um país aceita fechar um aeroporto de uma grande cidade apenas para satisfazer a interesses nada nobres de uma entidade como a Fifa. Vai na mesma linha a demagógica atitude da prefeitura paulistana e do governo do estado de São Paulo, de conceder isenção fiscal ao Corinthians para construir seu estádio. Ou a do governador carioca, Sergio Cabral, de anunciar um “código de conduta” para si próprio, como se ética fosse uma commodity, dessas que cada um usa como bem entender. Ou ainda a dos funcionários do Ministério dos Transportes, que manifestaram solidariedade aos colegas demitidos por atos ilícitos.

Quando um país (ou um povo) não se dá ao devido respeito, o que se pode esperar de ambos? A resposta talvez esteja nesta frase do economista e ensaísta inglês Arnold Toynbee: “O maior castigo para os que não se interessam por política é que serão governados por aqueles que se interessam”.

 

Manaus contra o Brasil

O governo vai ter trabalho para desfazer a encrenca que ele próprio gerou ao inventar essa história de incentivos fiscais à produção de tablets. A julgar pelas reações iradas de políticos e empresários amazonenses, através da imprensa local, o clima em Manaus está quente – e não é só uma questão climática. Sem meias-palavras, o presidente do Sindicato das Indústrias de Eletroeletrônicos e Similares de Manaus, Wilson Périco, chamou dois ministros (Aloizio Mercadante e Fernando Pimentel) simplesmente de “mentirosos”. A entrevista de Périco, publicada pelo jornal A Crítica, contesta praticamente todos os atos anunciados até agora pelo governo Dilma no setor, insinuando até que a intenção é “acabar com a Zona Franca de Manaus”.

Périco, é claro, fala em nome de seus colegas instalados no Polo Industrial de Manaus, que vem batendo recordes seguidos de produção e faturamento. Ninguém por lá aceita, por exemplo, que o governo de São Paulo baixe decreto isentando de ICMS os fabricantes de tablets, como acaba de fazer o governador Alckmin, indo de frente contra uma norma do Supremo Tribunal Federal fixada na própria Constituição. A rigor, esse tipo de isenção só poderia ser concedido pelo Confaz (Conselho de Política Fazendária), que reúne secretários de Fazenda de todos os estados – o Amazonas é o único que, por lei, pode fazê-lo sozinho, como explica bem este artigo.

Não é a primeira vez que acontece esse tipo de conflito. Os empresários de Manaus, beneficiados por uma legislação federal que lhes dá praticamente todo tipo de isenção fiscal (e exige quase nada em troca), não aceitam sequer conversar sobre mudanças. Pode-se discutir isso por horas e horas, mas o fato é que a Constituição Federal determina assim. O problema é quando se tem ministros (ou governos) duas caras, que mudam seu discurso conforme o público presente. Segundo Périco, Mercadante quer ser prefeito e governador de São Paulo e, por isso, apoia – disfarçadamente – a implantação de fábricas de tablet no estado.

Não duvido. Vamos ver como Dilma e seus ministros vão lidar com esse princípio de revolta.

Internet sem fio, no orelhão

Não deixa de ser uma ideia criativa: Fernando Rodrigues, talvez o melhor repórter político do Brasil, deu hoje um “furo” na Folha de São Paulo: a operadora Oi criou um plano para oferecer internet sem fio via banda larga através dos cerca de 1,1 milhão de orelhões espalhados pelo país – e hoje quase inativos. Como a estrutura de cabeamento já está pronta, e ociosa devido ao aumento do uso do celular, não seria complicado conectar os telefones públicos à rede de banda larga. O usuário poderia então chegar perto do orelhão com seu celular, tablet ou notebook e se conectar. Melhor ainda: de graça.

A Oi garante que, se houver patrocínio, podem sim oferecer o serviço gratuitamente. A velocidade seria de até 2 Megabits por segundo, ou seja, o dobro do que propõe o polêmico Plano Nacional de Banda Larga. E o sinal poderia ser captado num raio de até 50 metros em torno de cada orelhão. A brilhante sacada teria sido de Mayra Fonseca, dona de uma agência de publicidade chamada Populus, que presta serviços para a Oi. Mayra conseguiu exclusividade para converter em pontos de acesso os 824 mil orelhões que a operadora mantém em diversos estados, e para vender publicidade nesses aparelhos.

Segunda sacada brilhante de Mayra: por que não convencer o governo a patrocinar a brincadeira? Sim, os ministros Paulo Bernardo e Aloizio Mercadante já demonstram interesse. Não seria complicado fazer o Banco do Brasil, a Petrobrás ou a Caixa Econômica Federal colocarem seus adesivos nos orelhões e pagarem a conta. O plano inclui até, vejam só, equipar os orelhões com câmeras conectadas à internet para vigiá-los.

Só vai ser difícil convencer o dono de um tablet ou notebook a ficar ali, perto do orelhão, navegando na web, na mira dos ladrões.

Tablets: Sony entra na briga

Demorou, mas hoje cedo a Sony finalmente apresentou em Nova York seus dois modelos de tablet, provisoriamente chamados S1 e S2. A grande aposta da empresa está na compatibilidade com jogos para PlayStation – tanto que o logo PS3 aparece na traseira dos dois tablets. Ambos já vêm com alguns jogos armazenados e acesso direto à PlayStation Network – que, aliás, acaba de ser inaugurada no Brasil. Também entram na Reader Store (para compra de livros digitais) e na Qriocity (rede mundial da Sony para músicas e vídeos).

Uma vantagem sobre os tablets lançados até agora (inclusive, e principalmente, o iPad) é a compatibilidade com redes sem fio DLNA, já comuns em TVs e sistemas de home theater. Esse padrão permite transferir fotos, músicas e vídeos entre aparelhos diferentes. Segundo a Sony, o modelo S1 também pode ser usado como controle remoto após baixado um aplicativo específico. Aliás, a Sony decidiu também investir em aplicativos. Os dois tablets, claro, utilizam Android; e a empresa fechou acordo com a Adobe (dona do Flash e do Acrobat) para criar a rede AirApp, pela qual desenvolvedores podem cadastrar novos apps para esses aparelhos.

O modelo S2 tem ainda o diferencial de possuir tela dupla. Outra novidade interessante: nos EUA, os tablets da Sony serão comercializados através da AT&T e utilizarão suas redes 4G (assistam aqui a um vídeo de apresentação).

A última vítima (ou a mais recente)

Todo mundo que já visitou os EUA deve ter entrado, pelo menos uma vez, numa livraria da rede Borders. Bem, estou exagerando: nem todo mundo no Brasil tem o hábito de entrar em livrarias, ainda mais nestes tempos virtuais. Mas a Borders foi, em vários aspectos, uma referência nessa área, juntamente com a Barnes & Noble. Em suas enormes prateleiras se podia encontrar literalmente de tudo, inclusive livros brasileiros esquecidos por aqui.

Pois a Borders está prestes a se tornar a mais recente vítima da era digital. Segundo The Wall Street Journal, a rede – hoje a segunda maior dos EUA, com 399 lojas – entra nesta quinta-feira com pedido de autorização para, até setembro, fechar todos esses verdadeiros paraísos literários. A falência já foi solicitada em fevereiro, e enquanto esperavam pela decisão final da Justiça os proprietários não conseguiram sequer manter em dia o aluguel das lojas. Fundada 40 anos atrás pelo casal Tom e Louis Borders, a rede acumula dívidas acima de US$ 1 bilhão e simplesmente não encontrou quem a refinanciasse.

Quem será a próxima vítima?

Salvadores, agressores e anônimos

A propósito do post anterior, sobre o debate do próximo dia 4 de agosto, convém lembrar que a iniciativa de colocar frente a frente duas empresas cuja rivalidade é histórica tem a ver com a postura, também histórica, da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL desde os tempos em que se chamava apenas HOME THEATER. Lembro de várias discussões com leitores que insistiam para que a revista desse opiniões mais taxativas, quando se tratava de comparar produtos, marcas ou tecnologias. “A revista fica sempre em cima do muro”, chegaram a escrever alguns. Houve até aqueles que, por desconhecimento ou má-fé (ou as duas coisas), nos acusaram de sermos “vendidos”, citando inclusive publicações estrangeiras que costumam ser agressivas ao analisar produtos. Deveríamos seguir esse exemplo, é o que dizem.

Essa é uma polêmica antiga, e hoje vitaminada pela internet. Dias atrás, conversava com um amigo jornalista, cujo Twitter já passa dos 30 mil seguidores, que se dizia revoltado com algumas mensagens. Escondidos atrás do muro do anonimato propiciado pela web, meia-dúzia de covardes – a definição não é minha, mas de figuras muito mais conhecidas, como Arnaldo Jabor e Augusto Nunes – agem como ladrões que atacam na calada da noite. Sabem que não podem ser identificados e, portanto, usam um espaço que não lhes pertence para ofender, acusar e tudo mais.

Evidentemente, não há muito o que fazer a respeito. Essa é uma atitude típica – embora não exclusiva – do brasileiro. Lembra aquela outra, talvez mais comum, de procurar culpados sempre do lado de fora, nunca dentro da própria casa. Ou aquela, pior ainda, de tentar levar vantagem em tudo. Um sintoma visível é querer que outros tomem decisões em seu lugar, como resumiu genialmente mestre Millôr Fernandes: “A maior aspiração do povo é a suprema liberdade de não decidir coisa nenhuma”. Fica mais fácil exigir que alguém diga “compre isto, não compre aquilo”, ou “vote neste, não vote naquele”, do que pesquisar, refletir e tirar suas próprias conclusões. Pensando bem, essa é a causa (uma delas, pelo menos) de termos no Brasil os políticos que temos, pois muitos votam em “salvadores da pátria”, não em pessoas que possam representá-los. Deve ser também por que recebemos aqui produtos e serviços de tão má qualidade. A maioria escolhe mal, ou nem escolhe, para depois por a culpa em alguém.

Com todo respeito àqueles que honestamente pensam o contrário (e sei que há muitos), não acho que o papel de uma revista ou de um blog seja dizer “tal produto é melhor do que aquele outro”. É muito simplismo. Qualquer julgamento do gênero implica uma série de variáveis, sendo a mais importante: o que é bom para mim não é necessariamente bom para você. No caso da nossa HOME THEATER, decidimos desde o início – no já distante ano de 1996 – que procuraríamos fornecer ao leitor o máximo possível de elementos para que fizesse seu julgamento e tomasse sua decisão; não iríamos decidir por ele. Foi o que fizemos, recentemente, ao comparar os TVs 3D com tecnologia ativa e passiva. E vamos continuar fazendo.

Se alguém acha que, ao destratar determinados produtos ou marcas, uma publicação ganha credibilidade, só posso recomendar que reveja seus conceitos. Assim como os políticos, há muitos jornalistas (e hoje especialmente blogueiros) que criam dificuldades para vender facilidades. Uma crítica contundente pode ser perfeitamente trocada, na semana ou no mês seguinte, por um anúncio ou até mesmo um brinde. Para evitar essas armadilhas, uma boa estratégia é: leia muito, mas assimile o que ler com moderação.

 

 

 

TV 3D em debate

Talvez seja exagero chamar de “guerra”, mas o fato é que continua quente o clima entre os principais fabricantes de TVs 3D. Como já comentamos aqui, a LG decidiu partir para o ataque na promoção de seus óculos passivos, que são mais leves e mais baratos – o “segredo” (se é que podemos chamar assim) está numa película aplicada sobre a tela do TV, que distribui os sinais para os olhos esquerdo e direito de tal forma a “enganar” o cérebro. Embora não sejam sinais de alta definição (cada um tem 540 linhas), ambos se misturam compondo uma imagem tão boa quanto a de um TV Full-HD (1080p).

Samsung e Sony, os dois principais concorrentes, rebatem com o argumento de que “isso não é Full-HD”. Seu sistema ativo inclui óculos mais caro e mais pesado, o que, dependendo da pessoa, pode representar um desconforto. O óculos contém um processador que “lê” os sinais emitidos pelo TV, tornando a experiência tridimensional mais imersiva. Resta saber se o consumidor, ao se ver diante das duas opções na loja, irá perceber as diferenças apregoadas pelos fabricantes.

Nesta terça-feira, a LG distribuiu comunicado informando que seu TV Cinema 3D 47LW5700, de 47″, foi certificado como “Full-HD” pela VDE, sigla em alemão para a Associação para Tecnologias Elétricas, Eletrônicas e de Informação, com sede em Frankfurt. A empresa citou ainda pareceres semelhantes de entidades como a Câmara de Comércio de Eletrônicos da China, a TÜV (Associação de Inspetores Técnicos da Alemanha) e o Intertek (grupo de análise e certificação técnica sediado em Londres). “Estamos satisfeitos em colocar um ponto final nessa discussão”, comentou o presidente da LG, Havis Kwon. Ponto final? Difícil acreditar. Esse assunto ainda vai render muito, até porque o mercado de 3D na verdade está apenas no começo.

Aqui no Brasil, teremos a chance de um tira-teima no próximo dia 4 de agosto, quando LG e Samsung irão debater o assunto publicamente. Executivos das duas empresas toparam participar de um encontro na loja Fnac da Av. Paulista, em São Paulo, com a presença de consumidores e profissionais do mercado, onde irão defender cada um a visão de sua empresa. A iniciativa é da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL, a primeira publicação brasileira a abordar o tema TV 3D, no já não tão distante mês de agosto de 2008. A revista foi também a primeira a testar um aparelho desse tipo, em maio de 2010, e agora em julho de 2011 acaba de publicar o primeiro teste comparativo entre TVs ativo e passivo.

Ótimo que os dois fabricantes coreanos se disponham a debater. Tenho certeza de que a plateia presente irá tirar muitas dúvidas nesse encontro.

Touchscreen, a bola da vez

Depois da HP lançar o primeiro computador desktop com tela de toque, agora é a Dell quem coloca no mercado brasileiro o primeiro monitor desse tipo, com 21,5 polegadas e painel IPS. As telas touchscreen, como se sabe, ganharam popularidade mundial após o êxito do iPhone e, depois, do iPad. Ambos criaram novas categorias de produto e passaram a ser copiados por dez entre dez fabricantes – a tal ponto que a Justiça americana analisa atualmente uma série de litígios entre empresas que detêm patentes nesse campo; o mais ruidoso desses processos envolve justamente Apple e Samsung, ambas acusando-se mutuamente de “roubo de ideias”.

Apesar do sucesso em celulares e tablets, a tecnologia touchscreen ainda enfrenta resistências quando se trata de telas maiores. Isso se deve basicamente a dois problemas: a perda de qualidade quando se muda o ângulo de visão e a imprecisão na reprodução das cores. Os painéis IPS (In-Plane Switching) são mais uma tentativa dos fabricantes de displays de cristal líquido de contornar essas falhas. Nos painéis LCD convencionais, os eletrodos que acionam as células de cristal líquido são alinhados verticalmente, num processo demorado para a quantidade de pixels que se propõem a ativar; nos IPS, esse alinhamento é mais preciso e ocorre na horizontal, num plano paralelo ao do display. Ganha-se muito em ângulo de visão, tempo de resposta e nitidez das cores.

Ainda são poucos os fabricantes que dominam a tecnologia IPS, mas a maioria dos especialistas concorda que os displays touchscreen têm forte apelo junto ao consumidor. Pessoalmente, continuo achando complicado digitar diretamente na tela, independente do tamanho. O sucesso ou fracasso do monitor Dell pode dar boas pistas sobre como o usuário brasileiro encara essa novidade.

A caminho da certificação

Por falar em evento, realizamos também esta semana o Módulo 3 do Programa de Certificação Home Expert, com mais oito sessões técnicas. Foram dois dias de trabalho intenso, interação e aprendizado para dezenas de profissionais que buscam certificação técnica na área de sistemas eletrônicos residenciais. Em novembro, acontece o quarto e último módulo, seguido da prova de avaliação, cujos aprovados ganharão direito à titulação “Home Expert”.

Está sendo interessante observar o dinamismo de um trabalho como esse. O grupo de 84 participantes é heterogêneo, tanto na experiência de mercado quanto nas capacitações específicas. Alguns vêm das áreas de informática ou telecom, outros trabalham com automação predial e querem investir no residencial, e há ainda os que possuem formação acadêmica mas pouca vivência de mercado. Um deles é engenheiro formado há quase dez anos, trabalhou muito tempo nos EUA e agora, de volta ao Brasil, aposta no diferencial de uma certificação afinada com a realidade do país. Durante as aulas, nota-se a ansiedade de muitos, com perguntas que demonstram o interesse sincero em prestar um serviço melhor a seus clientes – estes também estão ficando mais exigentes e informados.

Findo mais um módulo presencial, todos devem se dedicar agora à reciclagem dos conteúdos através da internet (www.homexpert.com.br). Terão pouco mais de três meses para assimilar o material, tirar dúvidas (que podem ser desfeitas também online) e se preparar para o exame final. Isso, em meio às atividades profissionais que já exercem, alguns inclusive nos fins de semana. É uma corrida contra o tempo, mas que certamente irá render bons frutos no futuro.

Um segmento emergente

Quem esteve visitando a ExpoPredialTec, feira realizada esta semana em São Paulo, deve ter saído de lá com a impressão de que o segmento de automação residencial finalmente está decolando no Brasil. Além das marcas tradicionais do setor (como as americanas Crestron, Control4 e AMX), há uma série de novas empresas explorando esse mercado emergente, e muitas delas com soluções pensadas para o usuário brasileiro.

O evento mais que dobrou de tamanho em relação ao ano passado, e a maioria dos expositores com quem conversei elogiou o perfil dos visitantes. Eram profissionais vindos de todo o País, ansiosos por informação atualizada e demonstrações que os ajudassem a implantar soluções de automação em projetos residenciais e corporativos. Esses engenheiros, arquitetos, projetistas e instaladores já perceberam que o boom do mercado imobiliário é uma oportunidade talvez única, a ser aproveitada por aqueles que souberem se aperfeiçoar.

“O mercado está se profissionalizando”, me disse Thales Cavalcanti, diretor da Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial), co-realizadora da feira, que organizou em paralelo mais uma edição do Congresso HABITAR, com cerca de 140 profissionais assistindo às palestras. Enfim, um sucesso. Vários expositores já reservaram espaço para a ExpoPredialTec 2012, que tem tudo para ser maior (e melhor) ainda.

Interatividade abandonada

Desenvolvedores de software para TV Digital já não sabem mais a quem recorrer: o governo e as emissoras praticamente abandonaram o recurso de interatividade, tido no início como um dos grandes diferenciais do padrão brasileiro. Dentro do próprio Fórum SBTVD, o assunto quase não é tratado – a ponto de já existir um movimento das empresas de software querendo sair do grupo. Reportagem do site Convergência Digital, publicada na semana passada, dá uma ideia da gravidade desse problema. Muita gente investiu na perspectiva de que o telespectador teria acesso a diversos serviços interativos, mas parece que isso vai ficar no sonho.

Não se pode afirmar que a culpa seja dos fabricantes: os principais estão adotando a norma de instalar o middleware DTVi (antigo Ginga) nos TVs mais sofisticados. Mas as emissoras – com exceção da Globo – pouco fizeram a respeito até agora. E isso tem uma razão: ninguém conseguiu identificar um modelo de negócio sustentável para a novidade. Ou seja, quem paga essa conta? Desenvolver aplicativos exige tempo e dinheiro, especialmente em mão-de-obra qualificada, mas as emissoras só vão adotar a interatividade se tiverem anunciantes (ou parceiros) dispostos a cobrir os custos.

Quanto ao governo… bem, como quase sempre acontece, ficou no ar a promessa de usar recursos interativos para agilizar a implantação do chamado e-gov. Na teoria, contribuintes e fornecedores do governo poderiam ter acesso a muito mais serviços públicos usando essa tecnologia. Os próprios órgãos governamentais teriam mais facilidade em trocar informações e gerenciar seus procedimentos, resultando numa administração mais ágil e transparente. Além de tudo, seria uma bela maneira de gerar empregos, incentivando os desenvolvedores a criar aplicativos de administração pública (é bom lembrar que 99% deles são microempresas, com altíssima capacidade de atrair e treinar mão-de-obra).

Bem, mas alguém do governo está preocupado com isso? Sim, há um site denominado Governo Eletrônico, que na prática é uma coletânea de boas intenções. E sem nenhuma palavra sobre interatividade.

O governo e a cultura da inovação

Faz bem o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, quando incentiva as empresas a investir em inovação, como fez hoje, mais uma vez, durante a reunião da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência). De fato, este é um país com pouquíssima tradição em inovar, a não ser nas artes da malandragem.

Nossos hackers estão entre os mais criativos do mundo, a ponto de outro dia o próprio ministro chamá-los para trabalhar no governo! Nosso crime organizado também rivaliza com as máfias internacionais. E nossos políticos, sindicalistas e dirigentes de futebol estão entre os mais avançados na montagem de fraudes e assaltos ao dinheiro (do) público. Sim, temos também alguns dos mais brilhantes tributaristas do planeta, muitos prestando relevantes serviços ao Estado e criando o mais complexo sistema tributário de que se tem notícia, a ponto de afugentar empresas que gostariam de investir aqui.

No entanto, são raríssimos os casos de empresas que inovam – muitas, aliás, vivem mais de copiar o que alguém já fez (ou faz), sem a menor cerimônia. Segundo Mercadante, 2/3 dos investimentos em P&D (pesquisa & desenvolvimento) no Brasil são feitos pelo governo. “Enquanto não se mudar isso, o país não deslancha”, afirmou.

Não sei se os números são confiáveis – não consta que Mercadante tenha jamais sido empresário, para saber quanto de fato custa investir em inovação. Mas o governo poderia começar, se quiser mesmo dar incentivos, estudando a redução da carga tributária para setores com potencial inovador. E usar seus bancos (BB, CEF, BNDES) para financiar essas atividades, em vez de dar dinheiro aos grandes grupos econômicos como temos visto nos últimos anos.

Aí, sim, poderíamos começar a pensar em inovação.

Automação em destaque

Começa amanhã mais uma edição da ExpoPredialTec, principal feira de automação residencial do país, com a participação de quase todas as empresas que estão sabendo explorar esse emergente mercado. Já comentamos aqui sobre o crescimento dos condomínios de médio e alto padrão, cujas construtoras e incorporadoras sabem como a tecnologia pode ser um interessante apelo de vendas. Com o assunto sendo mais comentado na mídia, cada vez mais pessoas ficam curiosas a respeito. Embora o evento seja voltado aos profissionais do setor, é inevitável que muitos usuários também apareçam para ver na prática as demonstrações. Tomara que sejam muitos.

Simultaneamente, a Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial) irá realizar no mesmo local, o Centro de Exposições Imigrantes, seu já tradicional Congresso HABITAR, voltado a arquitetos, engenheiros e profissionais afins. O Congresso tem uma programação riquíssima para quem quer se aprofundar nessa área.

Piratas: antepenúltimo aviso!

Estúdios de Hollywood e provedores de internet dos EUA acabam de selar um acordo que, se for mesmo colocado em prática, pode no mínimo colocar uma pulguinha atrás da orelha de quem faz cópias de filmes e músicas na internet. O Copyright Alert System (CAS) prevê que toda vez que o usuário tentar baixar uma cópia não autorizada irá receber, na hora, um aviso de seu provedor; o alerta será cada vez mais enfático, à medida em que a pessoa continue com essa prática; após quatro avisos, o provedor irá reduzir a velocidade da conexão.

Os cinco maiores provedores do país – Comcast, AT&T, Time Warner, Cablevision e Verizon – concordaram com a proposta. Mas recusaram as pressões dos estúdios e das gravadoras para cortar a conexão dos “infratores”. Na verdade, essas empresas não têm a menor intenção de punir seus assinantes, mas estão preocupadas com a sobrecarga em seus sistemas (quanto mais gente fazendo downloads, pior o serviço como um todo). Em paralelo, a RIAA (entidade que representa as gravadoras) e a MPAA (que defende os estúdios de cinema) prometem reforçar o cerco sobre serviços como o BitTorrent, campeão mundial da pirataria. “Mas sabemos que o CAS não tem qualquer efeito sobre criminosos”, diz Cary Sherman, presidente da RIAA. “Se conseguirmos converter os usuários comuns, isso já fará uma bela diferença”.

 

iPhone ativa as casas inteligentes

Ainda não há perspectivas para os americanos saírem da recessão econômica, no curto prazo, mas alguns sinais estão deixando animados os profissionais do setor de sistemas eletrônicos residenciais. Uma pesquisa da empresa Berg Insight, divulgada esta semana, indica que o segmento chamado “smart home” está crescendo de forma surpreendente. Até o ano passado, estavam registradas apenas 440 mil construções desse tipo, número que subiu 32% nos últimos doze meses. A previsão é de chegar a 5,38 milhões delas por volta de 2015, com investimentos da ordem de US$ 9,5 bilhões.

Não sei como chegam a esse tipo de resultado, mas o fato é que várias tendências de mercado apontam nessa direção. Sim, o setor imobiliário continua quase inativo; praticamente, não se constroi nada de novo, ainda como efeito da crise das hipotecas de 2008. Segundo a revista especializada Electronic House, centenas de lojas especializadas e empresas de projetos fecharam as portas nos últimos dois anos. Mas há uma grande parcela de usuários disposta a investir em confortos domésticos, especialmente aqueles que já usufruem dos benefícios de tablets e smartphones. “O sucesso do iPhone e do iPad é uma bênção para o nosso segmento”, diz Alan Varghese, que coordenou a pesquisa.

Esse tipo de consumidor, diz ele, quer estender a praticidade dos aparelhos portáteis para o seu estilo de vida doméstico. Juntem-se a isso as campanhas de governos e prefeituras pela economia de energia e o esforço de operadoras como Comcast e Verizon para oferecer novos serviços além de telefone e TV por assinatura, e o quadro até que pode se alterar, pelo menos nesse segmento específico. Mais uma vez, pode estar na tecnologia o início do fim da crise.