Archive | setembro, 2011

A Copa dos patriotas

Já tinha escrito o texto A Volta do Velho Ufanismo quando me deparei com mais um brilhante artigo de Fernando Gabeira, no Estadão. O assunto é a Copa de 2014 e a falta de transparência dos governantes brasileiros em relação aos gastos. Mas tem a ver com a postura dos políticos em geral. Como lembra Gabeira, desde os tempos da ditadura quem criticava o governo era “antipatriota”. Como é, hoje, quem denuncia problemas com os projetos ligados à Copa.

Vê-se que uma canção ufanista da época continua atual: “Este é um país que vai pra frente…”.

A energia de que precisamos

Aleatoriamente, fui coletando nas últimas semanas notícias sobre um dos problemas mais graves que o mundo enfrenta atualmente: a demanda crescente por energia. Desde o acidente de Fukushima, no Japão, ganhou força em muitos países a ideia de que é preciso substituir a energia nuclear por outras formas, mais limpas e seguras. O uso intensivo da tecnologia, aliás, com cada residência tendo dois ou três computadores e outros tantos TVs, chuveiros e geladeiras (sem falar nas baterias de celulares e tablets), praticamente exige que se busquem fontes alternativas de energia. Alguns países já correm atrás disso, outros – com o perdão do trocadilho – vão ficando para trás.

Vejam algumas notícias que salvei no computador (clicando nelas, encontram-se os respectivos conteúdos):

* Senado da Suíça aprova fim das usinas nucleares

* Japoneses protestam e pedem fim da energia nuclear

Alemanha reduz o número de usinas nucleares

* Índia pode se tornar líder em tecnologia solar

* Alemanha investe em energia solar e eólica

* Grecia inaugura maior parque de energia solar do mundo

* Governo e empresas japonesas investem US$ 1 bi em energia solar

* Google financia projeto de energia solar em deserto dos EUA

Agora, leiam com atenção estas outras:

* Argentina inaugura sua terceira usina nuclear

* Ministro pede expansão do programa nuclear brasileiro

* Amazônia perde 99km de florestas

Procurei, mas não encontrei, notícias sobre projetos do governo brasileiro envolvendo alternativas energéticas (se existem, devem estar muito bem guardados). Viajando pela Alemanha, pude testemunhar a quantidade de torres de energia eólica espalhadas por várias regiões (foto). Segundo um estudo recente, o país já é o maior produtor mundial desse tipo de energia e também colocou em execução um plano para desativar todas as suas usinas nucleares até 2025. Não deixa de ser curioso lembrar que o Brasil entrou nessa canoa furada em 1975, justamente através do célebre Acordo Nuclear Brasil-Alemanha (governo Geisel), pelo qual adquirimos enorme quantidade de sucata alemã sob o título de “equipamentos nucleares”. Na época, governo e imprensa (com raras exceções) saudaram o evento como a entrada do Brasil no primeiro mundo da energia atômica. Muita gente acreditou…

Hoje, porém, estamos em situação muito pior. Passados 36 anos, e com um histórico de acidentes nucleares gravíssimos (Three Mile Island, Chernobyl, Fukushima), ainda temos um ministro que defende abertamente a construção de mais usinas. Sim, uma usina nuclear certamente rende mais propinas do que painéis solares e torres eólicas. E, se ocorrer uma explosãozinha aqui ou ali, é só botar a culpa na natureza – como fizeram na época do apagão em Itaipu.

Xbox (quase) made in Brazil

A Microsoft anunciou esta semana que começou a produzir em Manaus seu console de videogame Xbox 360, principal concorrente do Sony PlayStation 3. A expectativa da empresa é conseguir baixar o preço final do aparelho em até 40%, já a partir da semana que vem, o que certamente seria um grande avanço. A redução incluiria o acessório Kinect e um bom catálogo de jogos. Lojistas apressados chegaram a anunciar que o Xbox sairia por até R$ 700 (o preço atual gira em torno de R$ 1.300), mas a própria Microsoft desmentiu (mais detalhes aqui). Não chega a tanto – a não ser que você prefira uma das versões piratas que circulam por aí…

Com Sony e Nintendo também montando seus aparelhos no Brasil, a disputa pode ficar mais interessante nesse segmento. Um consenso entre executivos dos principais fabricantes de eletrônicos é o de que videogames são a porta de entrada para mais eletrônicos nas residências. Tanto PS3 quanto Xbox 360 reproduzem imagens de alta definição e acessam a internet; o console da Sony tem ainda a vantagem de tocar discos Blu-ray. Significa que os usuários desses produtos precisam também de telas HD ou Full-HD, o que implica trocar o televisor. Como o áudio dos jogos também vem sendo aperfeiçoado (já existem vários com mixagem surround 5.1 canais), abre-se o caminho para agregar um bom sistema de som e/ou um bom par de fones de ouvido para aproveitar a novidade. E por aí vai…

Os fabricantes tentam convencer o usuário de que um bom console de videogame pode se transformar numa espécie de “central de entretenimento” da casa. Foi o que disse recentemente, por exemplo, o CEO da Microsoft, Steve Ballmer, em entrevista ao jornal americano USA Today. É também o que diz a Sony, que na IFA explorou amplamente esse conceito. A foto acima ilustra bem: o rapaz joga seu videogame a bordo do 3D Personal Viewer, espécie de óculos futurista que abre para o usuário uma tela OLED 3D de até 750 polegadas (maior que muitas telas de cinema), com reforço dos fones de ouvido e processamento surround 5.1. Enfim, é uma imersão total, como pude eu próprio experimentar por alguns minutos no estande da Sony – alguns poderiam dizer “isolamento total”, mas essa é outra discussão.

Detalhe: por ora, a Microsoft irá importar todos os componentes do Xbox e apenas montá-los em Manaus, usando a estrutura da Flextronics.

Ufanismo e protecionismo

O tópico de ontem tem a ver também com outro problema que o Brasil parecia ter deixado para trás, mas que se recicla de tempos em tempos: o protecionismo, que às vezes ganha tons de xenofobia e frequentemente vem misturado a uma suposta defesa da “soberania nacional”. Não são problemas específicos do Brasil, é claro; na Alemanha mesmo, onde estive recentemente, vê-se aqui e ali movimentos em defesa do “orgulho germânico” resultando em violência e perseguição a grupos étnicos e imigrantes em geral. Mas, como sou brasileiro e me preocupo principalmente com meu país e o futuro que deixaremos para nossos filhos e netos, tenho que analisar o que acontece aqui.

Ontem, por exemplo, a presidente Dilma Roussef, ao justificar o aumento do IPI para carros importados (típica medida protecionista), disse textualmente que “o nosso mercado interno não será objeto de pirataria por país nenhum”. Referia-se, claro, à China e às empresas chinesas, como a montadora JAC, que anunciou o cancelamento dos planos de montar fábrica de carros no Brasil. O argumento da empresa é mais do que sensato: com tantas mudanças na política econômica, ao sabor das conveniências políticas, não há como se planejar para um investimento de longo prazo como é a montagem de uma fábrica de automóveis.

Depois de ter ido à China e anunciado aos quatro ventos a instalação de uma montadora de iPad no Brasil (lembram-se? Falaremos disso adiante), Dilma parece ter descoberto que os produtos chineses já tomaram conta do mercado brasileiro há muito tempo – carros são apenas o mais recente deles. A maior parte desses produtos, como se sabe, entra no país por vias transversas (em português claro: contrabando!!!). E, pelo que sabemos dos importadores de eletrônicos, o movimento na Ponte da Amizade, do Paraguai para o Brasil, continua alto como sempre.

As palavras de Dilma têm uma explicação: foram ditas num evento cuja plateia era formada por empresários brasileiros que detestam concorrência. Para estes, aumentar a taxação sobre produtos importados soa como música. Se pudessem, eles voltariam à época da reserva de mercado.

Enciclopédia de verdade

Em plena era da informação fragmentada, está chegando ao mercado (primeiro nos EUA) a versão para iPad da Enciclopaedia Britannica. Os mais jovens podem não se lembrar (ou nem imaginar), mas antes da internet as enciclopédias eram as principais fontes de consulta sobre qualquer assunto. Quando ainda não se podia “dar um google”, as pessoas corriam a suas estantes, apanhavam aqueles livrões que pesavam vários quilos e procuravam, nas letrinhas miúdas, o significado do que quer que fosse. Pensava-se que, como a brasileira Barsa, a Britannica já tivesse morrido. Mas, não: além de um site atualizado periodicamente, agora vem aí o aplicativo para iPad e – segundo The Wall Street Journal – outros para iPhone, Android etc.

Dificilmente a Britannica conseguirá ser tão abrangente quanto a Wikipedia, que hoje ostenta nada menos do que 3,7 milhões de verbetes; nem será tão avassaladora quanto o Google, que sem ser uma enciclopédia acaba cumprindo essa função para milhares de estudantes e profissionais. Uma coisa, porém, é certa: a nova versão será editada e revisada por experts em cada assunto e não terá anúncios. Você (digo, quem mora nos EUA) irá pagar 2 dólares por mês para ter acesso a todo o seu conteúdo, quando quiser.

Sem tê-la visto, ouso afirmar que o pesquisador, ao consultar a Britannica online, dificilmente cairá nas armadilhas que Google, Wikipedia, Yahoo e outros serviços do gênero vivem pregando em seus usuários. Outro dia, digitei no Google a expressão “TV 3D”, em busca de artigos técnicos a respeito, e o que me apareceu foi uma interminável sucessão de ofertas para comprar um televisor. Quase larguei o computador e fui procurar algo na estante!!!

A volta do velho ufanismo

Por que me Ufano do Meu País é o nome de um livro escrito no ano de 1900 por Afonso Celso, escritor medíocre que pouco ou quase nada mais produziu. Na década de 1960, em plena ditadura militar, Millôr Fernandes escreveu uma peça teatral com o mesmo título, mas evidentemente de sentido oposto, uma crítica irônica que a censura da época proibiu, mais por causa do título que pelo conteúdo em si. O fato é que o livro tornou popular o termo “ufanismo”, no sentido otimista, significando orgulho ou auto-elogio em relação a um país (para entender melhor seu significado, leia aqui). Como os militares usaram e abusaram desse recurso para ganhar apoio das massas, a palavra acabou ganhando caráter pejorativo, como algo que se devesse evitar a todo custo. Nesse raciocínio, todo ufanista seria, necessariamente, um defensor do país e, por extensão, do governo.

Talvez por essa, digamos, confusão vernacular, ufanismo e ufanistas andavam meio em baixa nas últimas décadas. Foram ressuscitados no governo Lula, que usou o recurso mais do que conhecido – semelhante ao de Hitler na Alemanha, Mussolini na Itália, Bush nos EUA e da maioria dos governos militares na América Latina – de apelar ao patriotismo para conquistar apoio popular. Como se todos os que criticam o governo fossem antipatriotas. E assim reapareceram os ufanistas, para quem as matas brasileiras são mais verdes, o céu mais azul, blá-blá-blá…

É preciso cuidado com tais figuras. Nem sempre são apenas sinceros defensores da pátria; e quase sempre utilizam esse surrado argumento para defender apenas seus próprios interesses. Coloco nessa categoria os ardorosos apoiadores das cotas para conteúdos nacionais nos canais de TV paga, recentemente aprovadas pelo governo. Comentei o assunto aqui outro dia com o intuito de alertar leitores que eventualmente não sabem o que está por trás desse tipo de legislação – o mesmo espírito que sustentou durante anos a famigerada reserva de mercado da informática, que manteve o Brasil no atraso tecnológico do qual está dificílimo sair. E alguns leitores responderam de pronto, mostrando estarem sempre alertas.

Como já bem definiu o senador Cristóvão Buarque: por não saber resolver seus problemas de modo racional, o Brasil acabou criando meias-soluções, como é o caso das inúmeras Bolsas sociais e das cotas para negros nas universidades. A rigor, ninguém pode ser contra incentivos à produção cultural brasileira, embora as leis criadas até hoje tenham servido, muitas vezes, a perpetuar privilégios de amiguinhos do poder. Basta ver como são distribuídas as verbas de estímulo à produção de filmes, cujos beneficiários são invariavelmente os mesmos e das quais raramente prestam contas. De qualquer forma, seria ótimo que o país tivesse uma verdadeira política cultural, desde que baseada no mérito e na diversidade, não no protecionismo e no tráfico de influência.

Infelizmente, não é o caso de cotas, de qualquer natureza. Apenas para cumprir a nova lei, as programadoras deverão apelar para conteúdos de baixo custo. E, sem financiamento nem cobrança de resultados ou metas de qualidade (algo intangível no ramo cultural), mas com espaço garantido na mídia por imposição da lei, os produtores ditos “independentes” só ganharão visibilidade se usarem o esquema já adotado na maioria das TVs abertas: partir para a baixaria. Ou, se preferirem, recorrer ao velho ufanismo. Das duas formas o país sairá perdendo.

3D, agora também no celular

Há quem diga que o padrão de imagens 3D veio para ficar – seria apenas questão de tempo, e de hábito. O cineasta James Cameron, por exemplo, que detonou essa febre nos cinemas em 2009, com seu megasucesso Avatar, defende essa ideia ardorosamente. No evento 3D Entertainment, realizado em Los Angeles na semana passada, Cameron falou horas sobre essa tecnologia, na qual vem investindo do próprio bolso – está para sair a versão 3D de Titanic, seu maior sucesso (antes de Avatar). Cameron acha que as emissoras de TV ainda não descobriram o potencial do 3D, assim como demoraram para aprender a lidar com imagens coloridas, 50 anos atrás. Mas, assim que o fizerem, seremos todos dominados pelas imagens tridimensionais.

Bem, não sei se é excesso de otimismo (ou talvez marketing em causa própria), mas o fato é que cada vez mais surgem reforços a essa teoria. Anteontem, por exemplo, a LG apresentou em São Paulo seu primeiro smartphone 3D (foto), o mesmo que vimos na IFA, em Berlim, no início do mês. E ontem o aparelho chegou a nossas mãos, para teste, que será publicado em novembro (mais detalhes aqui). Deve ser o primeiro de uma nova série de produtos da empresa que exploram os recursos 3D. Já foram lançados TVs, players Blu-ray, sistemas de home theater, notebooks, monitores de computador (estes dois últimos dispensam o uso de óculos) e a lista deve continuar aumentando. Como dissemos durante a IFA, a LG é a empresa que mais está apostando (e investindo) na popularização do 3D.

Evidentemente, não é a única. No mesmo evento, a Panasonic lançou uma grande campanha de marketing que pretende levar a experiência do 3D às principais cidades americanas, na tentativa de fazer as pessoas experimentarem a nova geração de players e TVs de plasma. Mais ainda: grandes estúdios de Hollywood finalmente estão anunciando lançamentos de peso em Blu-ray 3D. Já foram confirmados O Rei Leão, que chega em versão remasterizada na próxima semana; Harry Potter 7 (em novembro), Star Wars (fevereiro), Top Gun (março) e Titanic (abril). Talvez seja o que está faltando para o mundo, enfim, se curvar ao 3D.

TV paga, um grande negócio

Ainda que a nova lei da TV por assinatura possa mudar o quadro nos próximos anos, está claro que esse é um dos setores mais dinâmicos da economia brasileira – não à tôa, continua atraindo investimentos de grandes grupos de mídia internacionais. É fácil fazer a conta. Hoje, menos de 12 milhões de famílias brasileiras têm acesso ao serviço, ou seja, cerca de 6% da população. Na Argentina, por exemplo, esse percentual já passa de 70%; no Chile, é de 20% e no México, 30%.

Talvez exatamente por partir de uma base minúscula, o Brasil é – ao lado da China – o mercado que mais cresce em número de assinantes. Os dados mais recentes da Anatel mostram que o total de domicílios atendidos mais do que duplicou entre 2006 e 2010: de 4,5 para 9,7 milhões; e que devemos terminar este ano na casa dos 12,7 milhões – em agosto último, as operadoras somavam 11,6 milhões de assinantes. O site da Teleco – o mais completo do setor – detalha esses números e os compara com os dos segmentos de telefonia e banda larga, onde o crescimento também vem sendo expressivo. E Samuel Possebon, no Pay-TV, compara a evolução de cada operadora e de cada segmento, usando dados de junho. Exemplos:

*A Net continua sendo líder, com 4,428 milhões de assinantes, mas perdeu market-share (de 41,5% para 39,9%);

*A Sky continua em segundo lugar, com 3,174 milhões de clientes e 28,6% de share, e em números absolutos foi a que mais cresceu este ano: tinha 2,552 milhões em dezembro de 2010;

*Via Embratel (com 14,3% de participação), Telefônica (4,8%), Oi TV (3,2%) e TVA (1,4%) vêm a seguir.

*O sistema DTH (TV via satélite) se mantém como o que mais cresce – 30% de janeiro a agosto, contra apenas 6% da TV a cabo.

*Na comparação por regiões, vejam só: Nordeste, 27,5% de aumento nesses mesmos oito meses; Norte, 23,7%; Sudeste, 16%; Sul, 13%; e Centro-Oeste, 18%.

Curioso lembrar que, com a nova lei, Net e Via Embratel devem se fundir sob um único comando, assim como Telefônica e TVA. O que acontecerá com o mercado? Provavelmente, irá crescer mais rápido ainda.

Os novos poderes da Ancine

A presidente Dilma Roussef chegou a pensar em vetar o trecho da nova lei de TV paga que estipula as famosas cotas para conteúdos nacionais nas grades dos canais fechados. Desistiu ao ver o tamanho da encrenca em que iria se meter: o lobby de artistas, produtores e ONGs ligadas à área cultural – sempre de olho em verbas públicas, ainda que seja em troca de apoio político – era e continua sendo forte demais. Além disso, a medida interessa à Globo, maior produtora de conteúdo do país, cujo fantástico acervo certamente passa a valer mais a partir de agora.

O lobby é o mesmo que conseguiu infiltrar nessa lei a ampliação dos poderes da Ancine (Agência Nacional de Cinema). Esta, sim, é uma mudança grave, que pode implicar em sérios prejuízos ao usuário. Explicando melhor: as cotas para programas e filmes nacionais são de fato absurdas, e podem até sofrer contestações judiciais – alguns juristas as consideram simplesmente inconstitucionais, pois ferem o princípio de livre escolha (se compro uma assinatura, pago para ver o que desejo, não aquilo que me é imposto). Essa é uma longa discussão. De imediato, o que irá acontecer após a implantação da lei é que aumentarão as reprises de filmes e programas brasileiros, já que não há conteúdo suficiente para cobrir todas as grades.

Já o aumento dos poderes da Ancine, que agora pode fiscalizar até os documentos internos das operadoras e interferir nos pacotes de programação, pode se transformar em mais um filão para a corrupção no setor. Ainda estou “deglutindo” o texto da lei na íntegra, mas nos trechos em que trata da Ancine já encontrei aberrações que mostram a que ponto chega a cara-dura dos lobistas e dos políticos que os representam. Vou comentá-los mais detalhadamente nos próximos dias. Aqui, apenas um exemplo: o artigo 10 exige que os diretores das empresas, e os funcionários encarregados de selecionar os conteúdos, sejam brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos. E seu primeiro parágrafo diz expressamente:

“As programadoras e empacotadoras deverão depositar e manter atualizada, na Ancine, relação com a identificação dos profissionais… os documentos e atos societários, inclusive os referentes à escolha dos dirigentes e gestores em exercício, das pessoas físicas e jurídicas envolvidas na sua cadeia de controle…”

Tradução: se o funcionário não escolher direitinho o que será exibido, sempre saberá que alguém na Ancine estará de olho nele. Sim, o texto também diz que cabe à Agência “zelar pelo sigilo” dessas informações. Mas, como sabemos todos, é muito fácil para agentes do governo montar dossiês e com eles chantagear possíveis desafetos. Há em Brasilia um extenso know-how a respeito. Além de ampliar o cabide de empregos em que foram transformadas as agências reguladoras, a nova lei parece ter sido feita para meter medo. Como nos velhos filmes de cangaceiro.

 

Sky também na banda larga

Samuel Possebon, o jornalista brasileiro que mais entende do mercado de televisão, revelou em primeira mão, no site Tela Viva, o acordo da Sky com a Telebrás para entrar no setor de banda larga em Brasilia. A operadora irá usar as frequências de MMDS da antiga TV Filme, na faixa de 2,5GHz, explorando a rede da estatal, hoje praticamente ociosa. Será a primeira iniciativa da empresa fora da TV por assinatura. O plano inclui mais à frente outras capitais (BH, Vitória, Goiânia) e também regiões importantes do interior de São Paulo, como o extremo oeste (Presidente Prudente) e o centro do estado (Bauru). Segundo o presidente da Sky, Luiz Eduardo Baptista, a operadora irá usar o padrão TD-LTE (Time Division-Long Term Evolution), concorrente do WiMax, que acaba de ser adotado pela China. Esse é o padrão que está servindo de base à implantação das redes 4G nos EUA e em alguns países europeus.

Falta ver ainda o que tem a dizer sobre a isso a Anatel, com quem a Sky vem brigando publicamente nos últimos tempos. A Agência segurou o quanto pôde a liberação das frequências de MMDS, que ficaram vagas na TV paga com o crescimento do satélite e do cabo, mais confiáveis. Com isso, a Sky sentiu-se prejudicada por haver comprado antecipadamente pequenas operadoras de MMDS. Pressionada pelas teles, a Anatel queria (e ainda quer) reservar esse espectro para a telefonia celular, que está praticamente saturada. Acabou virando mais um imbroglio político.

A meu ver, a Anatel faria melhor ao país se apressasse a regulamentação e os leilões de 4G. No ritmo atual, só teremos essa tecnologia no Brasil daqui a dois anos.

Incentivo aos tablets (e algo mais…)

A lei aprovada ontem pelo Senado, concedendo isenção de PIS/Pasep e Cofins à produção de tablets no Brasil, é mais uma prova de que este é mesmo o país do jeitinho. Mais uma vez, infiltraram no texto legal detalhes que nada têm a ver com o tema e, pior, comprometem dinheiro público com interesses de alguns privilegiados.

Na verdade, a lei é mesmo necessária. Trata-se de uma medida provisória baseada na chamada “Lei do Bem”, aquela de 2005 que estimulou a produção nacional de computadores e gerou enorme crescimento desse mercado. O governo espera que o mesmo aconteça agora com os tablets, e é bem provável que aconteça mesmo. O problema é que, junto, os senadores aprovaram privilégios inadmissíveis num país que se pretende futura potência econômica e tecnológica.

Vejam a sutileza. Ao definir o que é tablet, os ilustres senadores sapecaram esta preciosidade: “máquinas de processamento de dados, portáteis, sem teclado, que tenham uma unidade central de processamento com entrada e saída de dados por meio de uma tela sensível ao toque de área superior a 140 e inferior a 600 cm² e que não possuam função de comando remoto“. Destaco as partes que foram acrescentadas ao texto original. Significa que aparelhos que utilizam controle remoto e/ou possuam teclado não podem ter direito aos mesmos benefícios. Televisores, players, receivers e celulares, portanto, estão fora. Mais uma vitória do lobby que defende a Zona Franca de Manaus. O autor dessa emenda foi o senador amazonense Eduardo Braga, não por acaso relator do projeto. “A medida melhorará o perfil das exportações brasileiras”, disse ele, alegando que os tablets produzidos em Manaus serão também vendidos para outros países.

Aproveitando oportunidade tão especial, os distintos parlamentares ainda adicionaram ao texto, vejam só, a prorrogação da isenção do AFRMM (Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante) para embarcações fluviais com saída ou destino em portos das regiões Norte e Nordeste. Esse adicional é mais uma daquelas mil maneiras que o Estado brasileiro encontra para roubar o contribuinte; no caso, os dessas duas regiões continuam isentos. E, de quebra, ainda deram mais um ponto percentual de restituição da Cofins para empresas que adquirirem tablets fabricados em Manaus.

Antes que me acusem de preconceito contra o povo da Amazônia (que, aliás, nada tem a ver com esse tipo de político), ressalto que também sou contra a disputa fiscal entre os estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais para atrair fábricas como a da Foxconn. Até porque não acho que tablet seja prioridade para o país. Mas lembro bem que, anos atrás, tentou-se criar outras zonas francas, como a de Manaus, em regiões como o Nordeste e a tríplice fronteira (Brasil x Paraguai x Argentina), mas essas iniciativas foram barradas pelo mesmo lobby – que inclui figuras como o “senador eterno”, José Sarney. E assim, de privilégio em privilégio, vamos caminhando.

Chegou a era do 4K

Devido à coincidência de datas, não pude ir este ano à CEDIA Expo, principal evento voltado aos profissionais de home theater e sistemas eletrônicos residenciais dos EUA. Parece que foi interessante. Repassando o material enviado pelos expositores, me chamou a atenção o lançamento do primeiro projetor de uso doméstico com resolução 4K. Ao contrário do que fez na IFA, a Sony exibiu esse produto com grande destaque na CEDIA, o que significa que pretende lançá-lo primeiramente no mercado americano.

Vi na IFA uma demonstração no estande da Sharp com TVs desse tipo, mas o fabricante deixou claro que tão cedo esses produtos não chegarão ao mercado. Já o projetor da Sony – modelo VPL-VW1000ES, baseado na tecnologia SXRD – deve estar à venda em breve, pelo menos nos EUA. Chamados genericamente de 4K, esses aparelhos oferecem o dobro da resolução proporcionada pelo Blu-ray: 4096 x 2160 pixels. Muitos deles já equipam cinemas brasileiros, mas são gigantescos e exigem um grande aparato na instalação; sua versão doméstica (foto) tem visual semelhante ao dos projetores de médio porte, não portáteis, já conhecidos – a Sony ainda não divulgou as especificações nem o preço; sabe-se apenas que consegue projetar imagens em 3D de até 200 polegadas.

Na verdade, este não é exatamente o primeiro do gênero. Em abril, a Sony colocou em algumas de suas lojas nos EUA o VPL-HW30AES, com preço sugerido de US$ 3.699. A diferença é que o 1000ES é capaz de fazer a conversão de conteúdos 2D para 3D, o que o torna muito mais atraente. Importante: projetores 3D como esse exigem o uso de um adaptador sem fio para enviar o sinal aos óculos ativos. Segundo a Sony, o modelo exibido na CEDIA tem ainda a vantagem de poder ser controlado via rede e até mesmo pela internet.

Claro, não é um produto para qualquer sala, nem para qualquer usuário. Mas 4K é, dentro das tecnologias disponíveis hoje, o mais próximo que se consegue da perfeição em matéria de imagem.

Quem quer ser blogueiro?

O amigo e colega Vinicius Barbosa Lima me envia o link para o novo espaço aberto no HT Fórum. A ideia é que os participantes dessa comunidade, uma das pioneiras no Brasil na área de tecnologia, se animem a criar seus próprios blogs, que serão abrigados no Fórum. Ótima iniciativa! Principalmente pela forma como está sendo proposta, com critérios definidos e moderação transparente, evitando o mau uso desse privilegiado espaço. Tomara que muitos aceitem. O nível dos debates no Fórum é sempre muito bom, o que significa que deve haver ali muita gente com capacidade para transmitir seus conhecimentos num formato diferente de um fórum, onde às vezes a polêmica ganha mais destaque do que os conteúdos em si.

Para ler debaixo d’água!!!

Não me perguntem para que serve, mas achei curiosa esta novidade da Sony: uma capa especial que permite usar um e-reader até no fundo do mar. Quem faria essa loucura? Sim, dois mergulhadores profissionais contratados pela empresa. Vejam neste vídeo como tudo é feito. Depois que vimos um iPad sendo “atropelado” por um carro e outro sendo jogado de um helicóptero em pleno vôo (vejam aqui), e ambos continuarem funcionando, dá para acreditar em tudo…

O inferno astral da Netflix

Não deixa de ser curioso que, quase ao mesmo tempo em que iniciou oficialmente suas operações no Brasil (e também em outros países da América Latina), a Netflix esteja enfrentando a mais grave crise de sua curta, porém notável, história de sucesso. No último dia 5, executivos do grupo americano, tendo à frente o fundador e CEO, Reed Hastings, estiveram em São Paulo para anunciar a abertura de um escritório e das negociações com fornecedores para dar início a sua operação local – mais detalhes aqui. Como se sabe, não é um desafio fácil. Até agora, a empresa só atua nos EUA e Canadá; esta é sua primeira tentativa de expansão internacional. E, como também é notório, a América Latina constitui um mercado completamente diferente, em todos os sentidos (comentaremos sobre isso em breve).

O que gerou a crise foi a decisão, anunciada na semana passada, de aumentar em nada menos do que 60% (de 10 para 16 dólares) o preço da assinatura mensal do serviço, incluindo aluguel de discos DVD e Blu-ray e streaming de filmes e vídeos pela internet. Essa fórmula foi a que fez o sucesso da Netflix, especialmente na última década, quando tornou-se a maior locadora virtual do planeta, com um acervo superior a 30 mil títulos e mais de 25 milhões de assinantes cadastrados. Mas o aumento de preço foi tão intempestivo que obrigou Hastings a pedir desculpas publicamente, através de seu blog: “Fui vítima da arrogância”, disse ele, reconhecendo algo que muitos já haviam notado em sua personalidade. “Deveríamos ter ouvido mais os usuários e explicado melhor os motivos da decisão” (aqui, a íntegra das explicações).

De fato, o mercado não costuma perdoar esse tipo de erro. Ainda mais quando uma empresa torna-se motivo da inveja geral, ao se tornar tão bem-sucedida e poderosa. E quando se nega a voltar atrás, como foi o caso. “É duro ter que dizer isso após dez anos de sucesso, mas o fato é que para melhorar a qualidade de nossos serviços precisamos reestruturar o grupo. A partir de agora, nossa divisão de locação física de discos irá se chamar Qwikster.com”, disse Hastings, que em nota aos investidores previu a perda de 1 milhão de assinantes apenas no terceiro trimestre do ano. Vejam no quadro abaixo a situação atual e como a Netflix imagina que ficará após a mudança:

ITEM

ATÉ JULHO/2011

COMO VAI FICAR

Ass. streaming

10 milhões

9,8 milhões

Ass. físicos

3 milhões

2,2 milhões

Ass. dois serviços

12 milhões

12 milhões

Ass. totais

25 milhões

24 milhões

Streamings por mês

22 milhões

21,8 milhões

Locações por mês (DVD)

15 milhões

14,2 milhões

A simples divulgação desses números, na verdade já esperados, provocou na sexta-feira a queda de 17% no valor das ações da Netflix na Nasdaq, a bolsa americana de empresas de tecnologia. Pior: causou a irritação dos assinantes e também de alguns investidores, que ecoaram em sites e blogs especializados ao longo do fim de semana. No final do pregão de ontem, a queda acumulada já era de 40%. Não há pedido de desculpas que conserte um estrago desses.

As próximas atrações

Por um momento cheguei a achar que a presidente Dilma Roussef iria vetar, por tão absurdos, os itens do PL-116 que determinam a implantação de cotas na programação da TV paga e dão super-poderes à Ancine. Ledo engano. Tornada refém das forças políticas que trocam apoios por favores, Dilma acabou sancionando o texto do jeito que saiu do Congresso, ou seja, uma penca de privilégios misturada aos pontos que se espera tragam, de fato, alguma modernização a esse setor.

Ainda teremos que aguardar as famosas regulamentações, que podem demorar anos (o projeto fala em 180 dias…), para ver o projeto sendo colocado em prática. Mas alguns efeitos já se fazem sentir. As grandes operadoras trabalham rápido para consolidar suas fatias de mercado, enquanto se aguarda a entrada de novos competidores, como GVT e possivelmente a Tim/Intelig. Hoje, por exemplo, li no site Tela Viva que a paranaense Sercomtel pretende lançar seu serviço no estado até o final do ano. É inevitável que o aumento da concorrência leve a uma queda nos preços das assinaturas. E é de se esperar, também, uma melhoria nos serviços, o que seria ótimo para o consumidor.

Em relação às cotas para conteúdos nacionais, não há muito o que fazer: cada programadora será obrigada a incluir em sua grade um mínimo de 3h30 por semana para programas feitos no Brasil, e cada operadora terá de oferecer ao assinante pelo menos um canal brasileiro para cada três estrangeiros. Evidentemente, a maior beneficiada será a Globosat, que dispõe de quase todo o arquivo da Globo para oferecer como achar mais conveniente. Isso fará aumentar muito o preço dos conteúdos da Globosat, e as operadoras, por medida de economia e apenas para cumprir as cotas, poderão recorrer a conteúdos independentes. As programadoras estrangeiras, abrigadas na ABPTA (Associação Brasileira de Programadores de Televisão por Assinatura), discutem a conveniência ou não de acionar o STF alegando que as cotas são inconstitucionais.

Já no caso dos poderes concedidos à Ancine, há especialistas achando que foi aberta uma porta enorme para a corrupção. Amanhã, comentaremos o assunto.

Pegando no tranco…

De volta após duas semanas, cá estamos tentando (re)engatar este blog. Obrigado aos leitores que enviaram mensagens nesse período, as quais não pude responder (nem acessei o blog nos últimos 15 dias). Vamos tentar atualizar tudo aos poucos, embora certos assuntos sejam tão antigos que nem sei se merecem mais comentários. Só para citar um exemplo: mais um leitor (no caso, leitora) escreveu para reclamar que comprou um TV Sharp e não recebeu!!! Já perdi a conta… Pior: não há o que responder. Quem entrou nessa roubada só pode mesmo lamentar. Mesmo que a Sharp volte a operar no Brasil – como já tentou uma vez – não será através do antigo Grupo Machline, responsável por levar a empresa ao desastre que foi. Um possível novo parceiro não terá como assumir dívidas e compromissos daquela época (anos 1990).

Aos outros leitores que enviaram perguntas e/ou comentários, peço que aguardem alguns dias. Na medida do possível, responderemos a todos. Volta de viagem é sempre tumultuada. Ao chegar, neste fim de semana, fui resgatar o noticiário destas duas semanas e, sinceramente, não encontrei nada muito significativo. Mas não resisto a comentar uma notícia (mais uma…) que nada tem a ver com a tecnologia e, no entanto, tem muito a ver com o país que queremos construir para nossos filhos: pela enésima vez nos últimos meses, um imbecil embriagado, dirigindo em alta velocidade, atropelou e matou duas mulheres (mãe e filha) neste sábado, na calçada em frente a um shopping center de São Paulo. Foi preso em flagrante, mas – como sabemos – esse detalhe não faz muita diferente, neste país onde recursos e liminares distribuídos à vontade impedem a devida punição a criminosos de vários quilates.

O episódio me chamou atenção porque, nos últimos 15 dias, viajei de carro pelo interior da Alemanha e não me lembro de ter visto nem um policial nas ruas e estradas que percorri. Dirigi por pistas grandes e pequenas, até algumas de altíssima velocidade, onde frequentemente era ultrapassado por motoristas dirigindo a 180 ou 200 quilômetros por hora. Não vi um só acidente, ou mesmo algum carro amassado. Mais ainda: nenhum posto de pedágio em mais de 3 mil quilômetros percorridos! Repito: nenhum!!! Motivo: não é necessário. Mesmo quando estão em alta velocidade, as pessoas se respeitam. Sabem que, caso contrário, a punição será severa.

É o mesmo senso de civilidade que dispensa o uso de catracas em trens, ônibus, bondes e metrôs. Ninguém precisa comprar seu bilhete para usar o transporte público alemão, um dos mais eficientes do mundo. E, ainda assim, todos o fazem. E validam suas passagens em máquinas automáticas disponíveis em todas as estações. Também neste caso, a punição aos infratores é dura: se um fiscal lhe pedir o bilhete e você não o tiver validado, há até o risco de ser preso!

Não, a Alemanha não é um país perfeito. Longe disso. Apenas civilizado. Lá, ninguém atropela impunemente.

Pausa para reflexões

Nas próximas duas semanas, este blog não será atualizado. Depois de seis dias correndo atrás das notícias aqui na IFA, vou dar uma parada para recarregar estas desgastadas baterias. Claro, na volta ainda teremos muito que comentar sobre o que vimos no evento. Por enquanto, sugiro a todos que naveguem pelo hot site que criamos:

http://revistahometheater.uol.com.br/hotsites/ifa2011/

Espero que gostem!

Ilusões em forma de laser

No sábado, fui conferir o estande da Mitsubishi na IFA, onde a empresa está demonstrando a nova versão do TV a laser. Lançado nos EUA com o nome de “LaserVue”, aqui na Europa ele é apresentado como “Laser Display”, integrado a um sistema de home theater. Colegas de outros países ficaram entusiasmados com as imagens 3D do aparelho (foto). Dizem alguns experts que a tecnologia a laser é ideal para projetar imagens tridimensionais, devido ao brilho mais intenso. Como se sabe, uma queixa comum entre os cineastas é que os filmes em 3D perdem brilho: como a luz interna precisa ser compartilhada entre duas imagens diferentes, o resultado é que a luminosidade acaba se dividindo. Já li gente como Martin Scorsese criticando o Cinema 3D por isso, embora outros, como James Cameron, digam que isso não é problema.

No caso dos TVs, a necessidade de brilho não é tão grande: na dúvida, apagam-se as luzes da sala e pronto! Ainda assim, o laser seria (teoricamente) um belo upgrade nos TVs 3D. Posso estar enganado, mas não foi o que vi aqui. Fiz até um vídeo mostrando como as imagens parecem lavadas e perdem definição quando se sai do ângulo de visão central (assistam aqui). Mesmo deixando esse aspecto de lado, o TV a laser tem ainda dois problemas cuja solução parece distante. Uma é o superaquecimento, que exige uma estrutura interna maior e mais pesada para dissipação do calor; o 3D de 75″ em exibição aqui pesa 70kg!!! Outra é o custo. Como só a Mitsubishi, por enquanto, está investindo nessa tecnologia, os aparelhos têm preço semi-proibitivo. O mesmo modelo sairá, quando (e se) chegar ao mercado europeu, na faixa dos 4 mil euros – um plasma de 65″ pode ser encontrado por metade desse preço.