Pegando no tranco…

19 de setembro de 2011

De volta após duas semanas, cá estamos tentando (re)engatar este blog. Obrigado aos leitores que enviaram mensagens nesse período, as quais não pude responder (nem acessei o blog nos últimos 15 dias). Vamos tentar atualizar tudo aos poucos, embora certos assuntos sejam tão antigos que nem sei se merecem mais comentários. Só para citar um exemplo: mais um leitor (no caso, leitora) escreveu para reclamar que comprou um TV Sharp e não recebeu!!! Já perdi a conta… Pior: não há o que responder. Quem entrou nessa roubada só pode mesmo lamentar. Mesmo que a Sharp volte a operar no Brasil – como já tentou uma vez – não será através do antigo Grupo Machline, responsável por levar a empresa ao desastre que foi. Um possível novo parceiro não terá como assumir dívidas e compromissos daquela época (anos 1990).

Aos outros leitores que enviaram perguntas e/ou comentários, peço que aguardem alguns dias. Na medida do possível, responderemos a todos. Volta de viagem é sempre tumultuada. Ao chegar, neste fim de semana, fui resgatar o noticiário destas duas semanas e, sinceramente, não encontrei nada muito significativo. Mas não resisto a comentar uma notícia (mais uma…) que nada tem a ver com a tecnologia e, no entanto, tem muito a ver com o país que queremos construir para nossos filhos: pela enésima vez nos últimos meses, um imbecil embriagado, dirigindo em alta velocidade, atropelou e matou duas mulheres (mãe e filha) neste sábado, na calçada em frente a um shopping center de São Paulo. Foi preso em flagrante, mas – como sabemos – esse detalhe não faz muita diferente, neste país onde recursos e liminares distribuídos à vontade impedem a devida punição a criminosos de vários quilates.

O episódio me chamou atenção porque, nos últimos 15 dias, viajei de carro pelo interior da Alemanha e não me lembro de ter visto nem um policial nas ruas e estradas que percorri. Dirigi por pistas grandes e pequenas, até algumas de altíssima velocidade, onde frequentemente era ultrapassado por motoristas dirigindo a 180 ou 200 quilômetros por hora. Não vi um só acidente, ou mesmo algum carro amassado. Mais ainda: nenhum posto de pedágio em mais de 3 mil quilômetros percorridos! Repito: nenhum!!! Motivo: não é necessário. Mesmo quando estão em alta velocidade, as pessoas se respeitam. Sabem que, caso contrário, a punição será severa.

É o mesmo senso de civilidade que dispensa o uso de catracas em trens, ônibus, bondes e metrôs. Ninguém precisa comprar seu bilhete para usar o transporte público alemão, um dos mais eficientes do mundo. E, ainda assim, todos o fazem. E validam suas passagens em máquinas automáticas disponíveis em todas as estações. Também neste caso, a punição aos infratores é dura: se um fiscal lhe pedir o bilhete e você não o tiver validado, há até o risco de ser preso!

Não, a Alemanha não é um país perfeito. Longe disso. Apenas civilizado. Lá, ninguém atropela impunemente.

2 Replies to “Pegando no tranco…”

  1. Julio Cohen disse:

    Seja bem vindo! Pegar no tranco é difícil, ainda mais quando voltamos da civilização…

    Sobre o que você citou, caro Orlando, acrescento outro absurdo: a absolvição de Edmundo, que matou no trânsito nos anos 90 e até agora continua livre e solto por ai. E graças a nossa grande justiça (com j minúsculo mesmo), vai ficar assim até aprontar mais uma.

    Abs

    Julio Cohen

  2. Rubens Pires de Miranda disse:

    É muito difícil ter que admitir mas nunca seremos civilizados como os alemães.Isso se constata quando vemos que o capital humano no Brasil se esvai em escala exponencial.É,as coisas ainda vão piorar muito antes de piorarem ainda mais.Quem sobreviver verá…

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