O inferno astral da Netflix

20 de setembro de 2011

Não deixa de ser curioso que, quase ao mesmo tempo em que iniciou oficialmente suas operações no Brasil (e também em outros países da América Latina), a Netflix esteja enfrentando a mais grave crise de sua curta, porém notável, história de sucesso. No último dia 5, executivos do grupo americano, tendo à frente o fundador e CEO, Reed Hastings, estiveram em São Paulo para anunciar a abertura de um escritório e das negociações com fornecedores para dar início a sua operação local – mais detalhes aqui. Como se sabe, não é um desafio fácil. Até agora, a empresa só atua nos EUA e Canadá; esta é sua primeira tentativa de expansão internacional. E, como também é notório, a América Latina constitui um mercado completamente diferente, em todos os sentidos (comentaremos sobre isso em breve).

O que gerou a crise foi a decisão, anunciada na semana passada, de aumentar em nada menos do que 60% (de 10 para 16 dólares) o preço da assinatura mensal do serviço, incluindo aluguel de discos DVD e Blu-ray e streaming de filmes e vídeos pela internet. Essa fórmula foi a que fez o sucesso da Netflix, especialmente na última década, quando tornou-se a maior locadora virtual do planeta, com um acervo superior a 30 mil títulos e mais de 25 milhões de assinantes cadastrados. Mas o aumento de preço foi tão intempestivo que obrigou Hastings a pedir desculpas publicamente, através de seu blog: “Fui vítima da arrogância”, disse ele, reconhecendo algo que muitos já haviam notado em sua personalidade. “Deveríamos ter ouvido mais os usuários e explicado melhor os motivos da decisão” (aqui, a íntegra das explicações).

De fato, o mercado não costuma perdoar esse tipo de erro. Ainda mais quando uma empresa torna-se motivo da inveja geral, ao se tornar tão bem-sucedida e poderosa. E quando se nega a voltar atrás, como foi o caso. “É duro ter que dizer isso após dez anos de sucesso, mas o fato é que para melhorar a qualidade de nossos serviços precisamos reestruturar o grupo. A partir de agora, nossa divisão de locação física de discos irá se chamar Qwikster.com”, disse Hastings, que em nota aos investidores previu a perda de 1 milhão de assinantes apenas no terceiro trimestre do ano. Vejam no quadro abaixo a situação atual e como a Netflix imagina que ficará após a mudança:

ITEM

ATÉ JULHO/2011

COMO VAI FICAR

Ass. streaming

10 milhões

9,8 milhões

Ass. físicos

3 milhões

2,2 milhões

Ass. dois serviços

12 milhões

12 milhões

Ass. totais

25 milhões

24 milhões

Streamings por mês

22 milhões

21,8 milhões

Locações por mês (DVD)

15 milhões

14,2 milhões

A simples divulgação desses números, na verdade já esperados, provocou na sexta-feira a queda de 17% no valor das ações da Netflix na Nasdaq, a bolsa americana de empresas de tecnologia. Pior: causou a irritação dos assinantes e também de alguns investidores, que ecoaram em sites e blogs especializados ao longo do fim de semana. No final do pregão de ontem, a queda acumulada já era de 40%. Não há pedido de desculpas que conserte um estrago desses.

2 Replies to “O inferno astral da Netflix”

  1. jlmartins disse:

    Bem,esperamos que não aconteça o mesmo aqui no Brasil, uma porque a disponibilidade do catálogo não é tão extensa, e ninguem suporta um aumento desse porte.
    Visto que isso é manobra dos investidores sedentos de dinheiro que força a empresa a tomar decisões radicais assim.
    Eu como assinante, o valor cobrado está de ótimo tamanho e espero que não se tome uma decisão de aumentar em 60% um serviço que forçaria as operadoras cobrarem menos pela assinatura de uma tv por exemplo, visto de quem assina um serviço assim quer ficar longe da pirataria e dos serviços caros pagos no Brasil, espero que a netflix e netmovies tenha sucesso absoluto.

  2. Elias (Mundo Digital) disse:

    Realmente, seria muito importante a Netflix não aumentar o valor mensal da assinatura, pois para quem não aguenta os abusos de outras operadoras, em valores absurdos o Netflix seria uma execelente opção, inclusive, de uma certa forma ao looongo do tempo, ajudaria a evitar a pirataria, pois por apenas R$ 15,00 v ter muitos filmes, e não se importa de usar recursos interativos, é uma grande opção, pois forçará operadoras como Sky, Net, Tva, Via Embratel, telefonica entre outras, a mudarem a visão gananciosa de ESTOURAR O BOLSO DA GENTE, eu por exemplo, tenho Sky com 2 pontos de alta definição, e dois digitais, e pago R$em torno de R$ 271,00 mês, considerando que eu só uso 1 ponto de alta definição, e assisto por dia entre 44 minutos a 2 horas (isso quando tenho tempo) e considerando que eu sou o único que assisto, para mim se torna MUUUITO CARO. estou interessado em experimentar o Netflix, pois o monopólio dessas operadoras tem que acabar. Porém resta a boa vontade da dona anatel para com hipocresias e burrocracias, e colocar para frente os pedidos de quase 500 operadoras interessadas em oferecer serviço de tv por assinatura, ou será que aanatel não tem interesse de outras empresas entrarem no setor? Pq será hein?!?!?!

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