Archive | outubro, 2011

Tempos perigosos

A doença do ex-presidente Lula parece estar reforçando uma perigosa tendência que alguns observadores já vêm comentando há algum tempo, e que se faz mais visível graças à força das redes sociais. Seria uma mistura de leviandade, oportunismo e maniqueísmo, traços típicos de regimes autoritários, mas que, infelizmente, vicejam no Brasil de hoje. Neste domingo, o principal passatempo de tuiteiros e facebookers foi trocar insultos e exacerbar preconceitos, tendo Lula como pretexto. Para alguns, passou a ser proibido criticar o ex-presidente, pelo simples motivo dele estar doente; segundo outros, Lula deveria se internar num hospital do SUS, para provar a boa qualidade da saúde pública no país!!!

Ambas as posições são estúpidas. Se servem para alguma coisa, é apenas para mostrar que os brasileiros ainda têm muito que aprender em matéria de democracia. Nesta segunda-feira, a repórter Monalisa Perrone, da TV Globo/SP, foi agredida covardemente por dois homens diante do hospital onde Lula está internado – supostamente, os dois agressoras queriam protestar contra a emissora, que já criticou (e também elogiou) muito o ex-presidente. Aceitar essa forma de protesto é tão grave quanto desejar que alguém fique doente. Remete a impulsos primitivos do homem das cavernas – desculpem, mas foi a melhor imagem que encontrei para definir essas atitudes animalescas.

Há algo de muito errado com um país onde esse tipo de comportamento começa a se tornar usual.

Sinais de alerta na indústria

No momento em que parece tudo bem, é hora de ficar atento. Executivos da indústria eletrônica já acenderam suas luzes amarelas diante dos sinais que vêm do Exterior, especialmente da China. Pela primeira vez em muitos anos, a economia chinesa está desacelerando: cresceu 9,5% no segundo trimestre, 9,1% agora no terceiro e o governo estima 8% para o ano como um todo. Nas últimas duas décadas, os percentuais nunca foram inferiores a 10%. Somando isso às já conhecidas crises do Japão, EUA e Europa, o quadro é preocupante para os países em desenvolvimento, caso do Brasil.

Bem, não sou economista. Cito aqui os dados distribuídos esta semana por Luiz Cezar Rochel, gerente do Departamento de Economia da Abinee, entidade que representa a indústria eletroeletrônica. Analisem e vejam como a expectativa geral é ruim, pior do que no início do ano, não apenas em função da crise internacional, mas também da inação do governo:

*Em março, 82% dos empresários entrevistados acreditavam que as vendas iriam aumentar e 4% esperavam uma queda; em setembro, os percentuais mudaram para 64% e 21%, respectivamente.

*Em março, 60% dos entrevistados afirmavam que as vendas ou encomendas haviam aumentado em relação ao mesmo mês de 2010, enquanto 22% diziam que haviam diminuído; agora, temos 47% e 35% nos mesmos itens.

*Ainda em março, na comparação com fevereiro, 59% diziam que as vendas ou encomendas tinham aumentado e 23% relatavam redução; refeita a pesquisa agora em setembro, apenas 32% afirmam ter registrado aumento, enquanto o percentual dos que tiveram queda nos negócios foi de 42%.

Um último tópico apontado na pesquisa, que merece análise, refere-se aos estoques de produtos acabados, ou seja, prontos para serem vendidos: em março, apenas 24% dos empresários diziam estar com estoques acima do normal; agora, são 37%.

Os dados completos estão lá, no site da Abinee. É claro que esse tipo de levantamento precisa ser examinado com cuidado. Nem todo mundo diz, nessas entrevistas, exatamente o que acontece; muitos preferem dizer o que lhes interessa. Mas são, sem dúvidas, sinais de alerta.

Anatel promete mais rigor. Será?

Talvez sejam os primeiros reflexos das mudanças determinadas pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, na Anatel. Nesta quinta-feira, o Conselho Diretor da Agência divulgou seus “padrões mínimos de qualidade“. E Bernardo anunciou – como se fosse ele o presidente da Agência – que a partir de agora será mais rigorosa a fiscalização sobre as operadoras. Até aí, ótimo, já não é sem tempo, diante de tantas reclamações pelo país afora.

Mas convém não ser tão otimista, por enquanto. Pelas novas diretrizes, as teles terão doze meses para colocar em prática o que está previsto no regulamento da Anatel: a velocidade de conexão de banda larga, em qualquer hora do dia ou da noite, terá de ser, no mínimo de 20% da prometida ao usuário; e a velocidade média obrigatória será de 60%. Em 2013, esses percentuais sobem para 30% e 70%, respectivamente, e em 2014 para 40% e 80%.

Mais: as operadoras terão de colocar em seus sites alguma forma de medição da velocidade e entregar a cada assinante uma cartilha explicando suas metas de qualidade. Também haverá controle sobre o número de reclamações: até outubro de 2012, estas não poderão representar mais do que 5% da base de assinantes da operadora, caindo para 4% em 2013 e 2% em 2014. Ao ligar para o call-center, o usuário não poderá esperar mais do que 20 segundos para ser atendido; e as solicitações de reparo deverão ser atendidas no máximo em 24 horas. Por fim, o sinal terá que estar disponível para o assinante em 99% do tempo, ou seja, no período de 24 horas o máximo que a internet poderá ficar fora do ar será de 1m44s.

Gostaram? Agora, as más notícias. Tudo isso já estava previsto, embora não com essa clareza, na chamada Lei do Call-center, instituída no ano passado. Ou seja, a fiscalização já deveria ter começado. O ministro não explicou – nem lhe foi perguntado – como a Anatel, com sua histórica lentidão e falta de estrutura, será capaz agora de cumprir sua obrigação.

Vamos conferir daqui a um ano.

Apenas mais um detalhe…

Complementando o comentário de ontem sobre corrupção, reproduzo aqui sábias palavras enviadas por um amigo:

“Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada”.

Se alguém está pensando que o texto é de alguém da chamada “imprensa golpista” ou de algum “lacaio do capitalismo selvagem”, nada mais equivocado: as palavras foram escritas em 1920 pela russo-americana Ayn Rand, que fugiu do regime comunista soviético justamente por encontrar ali essas mesmas situações, tão atuais para nós, brasileiros.

A caminho do atraso

Ligo o rádio e me surpreendo com o anúncio: “Venha participar da nossa campanha contra a corrupção”. Isso mesmo: a quantidade de escândalos é tamanha, e a desfaçatez dos políticos tão revoltante, que já se faz campanha para denunciar os corruptos. Ótimo! No site do jornal O Estado de S.Paulo, há uma seção dedicada justamente a esse tema que nos é tão familiar. Entidades como a Transparência Brasil e o Instituto Ethos ajudam a coletar dados e a entender melhor como funciona esse verdadeiro monstro tupiniquim. E parece que ações desse tipo estão se disseminando: hoje mesmo, fui convidado a “seguir” pelo Twitter o Movimento Ficha Limpa, que luta para impedir que bandidos assumam cargos públicos como vem acontecendo com tanta frequência. Claro que estou seguindo.

Ao percorrer esses endereços virtuais foi que acabei descobrindo que o Brasil irá sediar, em novembro de 2012, a Conferência Internacional Anticorrupção – vejam que curioso, irá acontecer em Brasilia! Não duvido que presidente, ex-presidentes, ministros, governadores e suas respectivas turmas estejam lá, discursando e/ou aplaudindo. Vai ser interessante ver como explicam, por exemplo, que em 2010 tramitavam nos tribunais federais nada menos do que 2.804 ações referentes a crimes de corrupção, improbidade administrativa e lavagem de dinheiro; nos tribunais estaduais, eram 10.104 processos do gênero, segundo o Conselho Nacional de Justiça. Se atualizarem os números, certamente serão mais.

Ao ver esses dados, lembrei que desde o último dia 12 está valendo a nova lei que amplia o prazo de aviso prévio nas empresas, dos atuais 30 para 90 dias. E que está em tramitação no Congresso um projeto que prevê “licença-maternidade” também para os pais (homens), que poderiam ficar sem trabalhar por um ou dois meses acompanhando a esposa e o filho recém-nascido. Lembrei também da redução da jornada de trabalho, que alguns defendem como “proteção” ao trabalhador (leiam aqui o que diz o maior especialista na matéria, o prof. José Pastore). É bem provável que existam outras ideias como essas sendo gestadas em Brasilia. É fácil fazer caridade com o dinheiro alheio!

O que isso tem a ver com corrupção? Quem nunca teve um negócio próprio e quem não tem o hábito de pagar em dia seus impostos não faz ideia do mal que projetos desse tipo podem causar ao país. Para fazer média com os assalariados que não conseguem pensar, políticos e sindicalistas patrocinam iniciativas como essas, que, no fundo, só servem para incentivar as propinas e dificultar as contratações formais.

Se você é daqueles que não se sensibilizam com os protestos contra a corrupção, é bom saber que está contribuindo para essa caminhada do Brasil rumo ao atraso.

HP volta atrás

A HP desistiu de vender sua divisão de computadores, conforme havia anunciado o CEO Leo Apotheker em agosto. A notícia pegou tão mal que Apotheker foi demitido dias depois. Nas últimas semanas, especulou-se de tudo: Microsoft, Dell, Samsung e HTC foram citadas como possíveis compradoras, enquanto alguns analistas argumentavam que era melhor esperar para que o valor da empresa caísse mais ainda. Milhões de usuários de desktops e notebooks HP pelo mundo afora corriam o risco de ficar “na mão”. Felizmente para eles, e acho que para o mercado como um todo, Meg Whitman, a nova CEO, anunciou hoje que o grupo voltou atrás: “Nossa análise da situação mostrou que os custos seriam muito maiores que os benefícios”, disse ela, em comunicado oficial.

Menos mal. Agora, é só cuidar para reabilitar a imagem da marca, que foi duramente afetada. Por sinal, o episódio HP-Apotheker vem sendo usando por alguns participantes do movimento Occupy Wall Street como exemplo das causas que levaram os EUA à atual crise: ao ser afastado, o executivo ganhou uma indenização superior a US$ 7 milhões. Para o pessoal da calçada, foi um prêmio à incompetência.

Não podia mesmo estar tão mal uma empresa que é líder mundial em seu segmento e que mantém market-share de 17%, como mostra a mais recente estatística do Gartner. Vejam os números de vendas de PCs no mundo, referentes ao último trimestre:

HP…………… 16,2 milhões………………… 17,7% de participação

Lenovo……. 12,3 milhões………………… 13,5% de participação

Dell…………. 10,6 milhões………………… 11,6% de participação

Acer…………. 9,6 milhões………………….. 10,6% de participação

Asus…………. 5,7 milhões………………….. 6,2% de participação

Sabia decisão de dona Meg!

50 anos para a informática

Na semana em que acontece a 6a. edição da FIAM (Feira Internacional da Amazônia), que vai até este sábado, a presidente Dilma Roussef decidiu assinar a proposta de emenda constitucional que prorroga por mais 50 anos os benefícios concedidos às empresas instaladas em Manaus. Dilma até que tentou encontrar uma solução conciliadora, articulando os ministérios do Desenvolvimento e da Ciência e Tecnologia – na verdade, foi Lula quem lhe deixou esse “belo presente”: ter de assinar um projeto que só serve a uma determinada região do país. Mas foi em vão.

Com exceção dos políticos da região Norte e dos (poucos) empresários que se beneficiam dos esquemas instaurados em Manaus, quase todo mundo é contra essa prorrogação. “A proteção não é para a Zona Franca, mas para toda a indústria nacional, que corre perigo”, declamou o governador do Amazonas, Omar Aziz, na abertura da FIAM. Animado pelos aplausos bajuladores, o político prosseguiu: “É uma compensação para os 98% da floresta que a gente preserva aqui”, teve a coragem de afirmar, sem nem ficar vermelho, segundo o site do Jornal do Brasil. Como era de se esperar, nenhum representante do Ibama estava presente para confirmar essa nobre afirmação.

Um dia, alguém ainda há de contar em detalhes a história da Zona Franca de Manaus – os personagens envolvidos contam, mas em absoluto off, e se alguém lhes pedir confirmação com certeza dirão: “Nego”. O problema, agora, é que outros setores pretendem reivindicar para si os mesmos benefícios. Humberto Barbato, presidente da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica), por exemplo, diz que os 50 anos de prorrogação devem valer também para a atual Lei de Informática, que concede uma série de isenções aos fabricantes de computadores, tablets etc. e vence em 2019 (ouçam aqui sua entrevista). Seria, quem sabe, uma reedição, em moldes mais brandos, da inesquecível Reserva de Mercado.

Os lobbies terão bastante trabalho, agora que o projeto terá de ser votado no Congresso.

Eike Batista dá uma força

Prometo que esta será a última vez em que comentarei aqui sobre a montadora do iPad brasileiro. Vou esperar até que os primeiros aparelhos de fato estejam no mercado. Mas é incrível como o governo tenta forçar a barra sobre esse negócio, como se fosse altamente estratégico para o país (e como se não houvessem outras prioridades). Agora, o ministro Mercadante fez exatamente o contrário do que deve fazer quem está negociando um projeto tão importante: mordeu a própria lingua!

“Há uma negociação em curso, e a EBX, a Positivo e a Semp Toshiba estão interessadas”, disse o ministro através do site do Ministério. Não é estranho? Se houvesse mesmo uma negociação desse porte em andamento, seria o caso de manter sigilo – até para proteger as partes envolvidas. É o que costumam fazer as grandes empresas e os governantes responsáveis. Segundo Mercadante, Positivo e STI entrariam com seu know-how industrial, enquanto a EBX, holding do megaempresário Eike Batista, financiaria o projeto. Na sexta-feira passada, Eike esteve com a presidente Dilma e deve mesmo ter ouvido apelos nesse sentido. Aliás, ele próprio já manifestou, no ano passado, o desejo de construir uma fábrica de produtos Apple no Rio de Janeiro, lembram-se?

Por ser o homem mais rico do país e, sem dúvida, um empreendedor arrojado, Eike tem o perfil ideal para alavancar um projeto orçado em US$ 12 bilhões. Já os dois fabricantes possuem a infraestrutura necessária para dar início à obra. E a Foxconn entraria com a tecnologia propriamente dita. Nenhum problema em costurar essa aliança. Mas ainda prefiro ver para crer. Trata-se de algo muito grande para se brincar assim com a reputação das empresas. E se não der certo? Qual será a próxima desculpa?

 

O projeto secreto de Steve Jobs

Teria Steve Jobs deixado pronto o projeto de um TV completamente diferente de tudo que existe atualmente? A pergunta começou a provocar coceiras em muitas cabeças da indústria após a divulgação, nos últimos dias, de trechos da biografia de Jobs, escrita pelo jornalista Walter Isaacson, que teve lançamento mundial nesta segunda-feira. Num dos trechos divulgados, Jobs diz: “Finalmente, descobri! Queria criar um TV integrado que seja totalmente fácil de usar. Seria prático para sincronizar com todos os outros aparelhos e também com a plataforma iCloud. E terá a interface mais simples que você possa imaginar”.

Pronto. Bastaram essas frases para aguçar a curiosidade geral. Sites e blogs tentam dissecar o que estaria por trás das palavras do homem. Na verdade, há pelo menos uns dois anos que se fala sobre a possibilidade da Apple lançar um TV (chegamos a comentar o assunto aqui). Os boatos aumentaram com a morte de Jobs, que segundo alguns relatos teria deixado “tudo pronto” para o que a empresa irá lançar nos próximos dois anos!!! A consultoria Piper Jaffray chegou a distribuir comunicado a seus clientes anunciando que a Apple está construindo protótipos do aparelho, que seria lançado durante o próximo ano.

Bem, poderíamos entrar aqui na onda e ficar especulando a respeito. Um “TV que se conecta facilmente a outros aparelhos” nada mais é do que nosso conhecido Smart TV, já disponível em várias marcas e tamanhos. Uma interface mais simples que a dos TVs atuais teria a ver com a do iPad, por exemplo – mas isso também já existe: você pode transformar seu smartphone num controle remoto e com ele comandar todas as funções do TV, inclusive o acesso a conteúdos armazenados em outros aparelhos espalhados pela casa.

Enfim, se é mesmo que Jobs deixou tudo pronto, não deveremos esperar muito para ver a novidade. Mais do que nunca, a Apple precisa fazer um grande lançamento nos próximos meses para mostrar que pode andar sem a cabeça de seu fundador.

A tecnologia e os doentes

Não é assunto agradável de se comentar, mas cresce a cada dia a importância de saber usar os recursos tecnológicos em favor das pessoas com necessidades especiais. Esse é um segmento que já movimenta muito dinheiro nos EUA, Japão e na Europa, onde a população acima de 65 anos é bem mais alta que no Brasil. E trata-se de uma tendência irreversível: as pessoas estão vivendo mais tempo, inclusive aqui, o que é ótimo.

A revista americana CE Pro, voltada a profissionais de sistemas e projetos eletrônicos, vem tratando desse assunto desde o ano passado, ao mostrar que o envelhecimento da população e a crise econômica estão abrindo um novo mercado para os profissionais de tecnologia. E é fácil de entender. Com os recursos atuais, sai muito mais barato manter uma pessoa doente em casa do que no hospital. Todas as famílias devem se preparar para essa situação, e aquelas que investem, por exemplo, num sistema de automação residencial não terão dificuldade em entender como é importante incorporar recursos que facilitem a vida dos mais velhos.

Entre esses recursos, incluem-se paineis de controle com interfaces gráficas que qualquer pessoa pode entender e acionar; sistemas de monitoramento doméstico que podem ser conectados 24 horas por dia com médicos e pronto-socorros; webcams que permitem visualizar o paciente a distância; controles remotos que podem ser programados de acordo com a rotina das pessoas que exigem mais atenção; desfibriladores e medidores de pressão ligados à internet. Tudo isso já é acessível e – melhor ainda – já pode ser integrado aos controles atuais, que comandam home theater, luzes, ar-condicionado etc.

Profissionais do setor, portanto, mãos à obra. Eis aí mais uma oportunidade.

UHDTV, perto da realidade

Ainda não está confirmado, mas é possível que assistamos na CES, em janeiro, à estreia oficial do sistema UHDTV (“TV de Ultra-alta Definição”), o próximo passo na evolução das imagens em vídeo. Digo, “estreia oficial” para um público fora dos ambientes estritamente acadêmicos e/ou científicos. Em setembro, representantes de vários setores da indústria se reuniram em Amsterdam (Holanda), durante o evento IBC, e chegaram a um acordo sobre as características técnicas do novo padrão.

No ano passado, houve a primeira transmissão internacional usando UHDTV, promovida pela emissora estatal japonesa NHK em parceria com a britânica BBC e a italiana RAI. Os técnicos do grupo de estudos formado pela UIT (União Internacional de Telecomunicações) conseguiram enviar sinal desse tipo de Londres para Tóquio, com qualidade perfeita, demonstrando a viabilidade do padrão. Agora em setembro, a experiência foi repetida, entre Londres e Amsterdam (foto). “Vai ser uma nova revolução na televisão, alterando completamente a percepção audiovisual do telespectador”, prevê Christoph Dosch, coordenador do grupo.

Também chamado “Super HiVision”, o padrão de ultra-alta definição vem sendo desenvolvido há pelo menos 15 anos – os primeiros estudos a respeito foram divulgados no Japão em 1995. UHDTV não deve ser confundido com os padrões 4K e 8K, que vêm sendo exibidos em eventos internacionais (vejam os vídeos que fizemos na IFA, em setembro). Esta é uma tabela de referência sobre a resolução de imagem:

HDTV (padrão atual): 1.920 x 1.080 = 2.073.600 pixels

8K: 3.840 x 2.160 = 8.294.400 pixels

UHDTV: 7.680 x 4.320 = 33.177.600 pixels

Vejam que a diferença dessa imagem para aquela à qual estamos acostumados hoje é de aproximadamente 16 vezes!!! Mais ainda: o padrão UHDTV também trabalha com áudio de altíssima resolução – 22.2 canais, em frequência de 96kHz. Nas transmissões experimentais, utilizou-se uma frequência de vídeo de 120Hz, o que significa que os tais 33 milhões de pixels foram lidos 120 vezes por segundo. Imaginem a sofisticação dos processadores utilizados para essa leitura. Dizem os técnicos que esse “excesso de pixels” pode ter uma aplicação muito interessante: permitir a transmissão de conteúdos 3D sem que haja necessidade de óculos para perceber o efeito tridimensional.

Bem, a previsão dos técnicos é que tal sistema só ganhe uso comercial lá pelo ano 2020. Mas, se tudo der certo, equipamentos UHDTV farão no ano que vem a cobertura da Olimpíada de Londres, transmitindo parte do evento para alguns países, mais ou menos como foi a transmissão em 3D da Copa do Mundo de 2010, cujas imagens puderam ser captadas em cinemas com equipamento de recepção compatível.

Inimigas, mas nem tanto

Vejam como é curioso o mundo dos negócios. Nos últimos meses, a disputa entre Apple e Samsung em torno de patentes para tablets e smartphones tem sido uma das notícias mais constantes na mídia especializada. A Apple conseguiu que fosse proibida a venda de tablets Samsung em vários países da Europa, assim como na Austrália, e tudo indica que irá obter o mesmo sucesso na Justiça americana (o caso deve ser julgado nas próximas semanas). A empresa coreana respondeu com ações judiciais nos EUA e na própria Coreia, acusando a concorrente de roubar patentes suas. E, no entanto, ambas são e vão continuar sendo parceiras.

Isso mesmo. O jornal Korea Times revelou, na semana passada, detalhes sobre as negociações entre as duas para o fornecimento do chip A6 (foto), de núcleo quádruplo, a ser usado nas próximas versões do iPhone e do iPad. A Apple é hoje o maior cliente da Samsung na área de chips, graças às vendas astronômicas dos dois aparelhos, e nada indica que isso vá mudar a curto prazo. Devido à polêmica das patentes, Steve Jobs, quando comandava a empresa, ordenou a busca de um novo fornecedor de chips. Quem cuidava disso na Apple era um certo Tim Cook, que com a saída do fundador assumiu o posto de CEO. A equipe de Cook chegou a sondar a taiwanesa TSM, mas não ficou satisfeita com a falta de estabilidade de seu chip.

Para acalmar os ânimos e acertar os ponteiros visando a produção do iPhone 5 e do iPad 3, Cook ligou pessoalmente para o Lee Jae-yong, filho de Lee Kun-hee, todo-poderoso chairman do grupo Samsung, e convidou-o para a cerimônia em homenagem a Jobs, na última quarta-feira, na sede da Apple. Foi um evento reservado a pouquíssimas pessoas, o que mostra o grau de entendimento entre os dois. Depois, eles se reuniram para tratar de negócios. E selaram o acordo. “A Apple não quer correr riscos”, disse ao jornal coreano um executivo que também é fornecedor da empresa americana. “A Samsung já mostrou sua capacidade, e seu preço é imbatível”. Só este ano, a Apple já comprou cerca de US$ 8 bilhões em chips da Samsung.

Detalhe curioso: os displays do iPhone e do iPad são fornecidos pela LG, a maior concorrente da Samsung.

Áudio 7.1, também pela internet

Como já comentamos aqui, os hábitos dos usuários de tecnologia estão mudando rapidamente, quase na mesma velocidade dos cliques que todos nos acostumamos a dar a toda hora. No Brasil, como de costume, as inovações são mais lentas, principalmente devido à péssima qualidade das redes. Mas é bom ficar atento ao que vem por aí.

Uma mudança que considero significativa é a entrada das grandes redes de varejo na oferta de serviços online. Claro, tudo começa nos EUA. O Walmart, maior rede de supermercados do mundo, criou o Vudu, um serviço de venda de filmes por streaming que está surpreendendo os especialistas. Como Netflix, Hulu e o próprio iTunes, da Apple, a ideia é que o usuário possa acessar os filmes que quer assistir mesmo que não esteja em casa. Mobilidade e praticidade são os fatores essenciais aqui. Você entra no site, escolhe o filme e assiste na hora, em seu notebook, tablet, enfim, da forma que lhe for mais conveniente. Seguindo o esquema lançado pela Amazon ainda nos anos 90, quase todos esses sites cadastram o cliente no primeiro acesso, com informações pessoais e o número de seu cartão de crédito. Este será usado para pagar todas as compras, apenas com alguns cliques. Nada pode ser mais fácil.

Com a força do Walmart por trás, a equipe do Vudu está investindo em novas facilidades. Esta semana, por exemplo, o site divulgou que será o primeiro a oferecer filmes com imagens Full-HD e áudio Dolby Digital 7.1 canais; o primeiro da lista é Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas, a mais recente superprodução da série. Trata-se de uma parceria do Vudu com a Dolby, que inclui outros 30 títulos oferecidos online com a mesma qualidade técnica. Segundo a revista Home Media, a Dolby negocia também com outros revendedores e até com emissoras de televisão para tentar popularizar o padrão 7.1.

Claro, para ter acesso a esse serviço é fundamental contar com uma conexão rápida de banda larga, ou seja, é ainda uma facilidade disponível para poucos. Vídeo Full-HD já consome uma boa quantidade de banda, e áudio 7.1 canais mais ainda. Mas, nesse ponto, os provedores de internet têm se revelado mais ágeis do que as emissoras. Não espanta, por isso mesmo, que muitos americanos estejam cancelando suas assinaturas de TV para aderir aos serviços online.

Fortaleza chinesa em Jundiaí

O portal iG enviou um repórter para tentar entrar na fábrica da Foxconn em Jundiaí (SP), na expectativa de conferir se é mesmo verdade que lá está sendo produzido o primeiro iPhone “made in Brazil”. O governo garante que está, e até já foram publicadas fotos do aparelho, mas ninguém sabe com certeza. O ministro Aloizio Mercadante – de novo atuando como uma espécie de “assessor de imprensa” da empresa taiwanesa – anunciou que o aparelho começa a ser vendido em dezembro. Só faltou dar o preço e as lojas onde poderá ser encontrado…

De concreto, mesmo, nenhuma palavra da Foxconn, muito menos da Apple, que seria a responsável pelo lançamento. Segundo o repórter do iG, há um clima de terror rondando a fábrica, à qual se chega a partir da Rodovia Anhanguera, através de uma rua chamada Steve Jobs!!! Nem os dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos local foram autorizados a entrar na linha de produção. Operários estão proibidos de dar qualquer informação até mesmo a suas famílias. Detectores de metal foram instalados até na entrada dos banheiros, e junto a eles a empresa colocou fiscais que revistam os funcionários a todo momento. “Nem ir ao banheiro sossegado a gente pode”, desabafou um deles.

Bem, se é assim que funciona na China, onde já houve até suicídios em instalações da Foxconn, desconfio que essa fábrica (foto acima) não tem muito futuro por aqui. Se é que existe mesmo alguma coisa por trás dessas paredes!

Plasma: luz amarela acesa

Pode ser apenas uma medida administrativa, mas o fato é que a Panasonic decidiu fechar uma de suas fábricas de displays de plasma no Japão. A notícia foi divulgada nesta quinta-feira pela agência Reuters, citando como fontes o jornal Yomiuri Shinbum e a emissora de TV NHK. A fábrica de Amagasaki, inaugurada em 2009, é a terceira maior do mundo, com capacidade de produzir 330 mil displays de plasma por mês, e produz painéis de 42 até 150 polegadas. Com seu fechamento, a Panasonic iria demitir dezenas de milhares de empregados. Um portavoz do grupo comentou apenas que estão sendo estudadas medidas relacionadas à divisão de displays. No próximo dia 31, a Panasonic deverá apresentar aos acionistas seu balanço referente ao terceiro trimestre do ano (julho-setembro), e terá então de confirmar ou desmentir essas péssimas notícias.

Não são, porém, informações inesperadas. Todo mundo sabe que os fabricantes de plasmas estão suando para se manter competitivos em relação aos de LCD. Continua sendo mais caro produzir um TV de plasma, e a Panasonic, com três grandes fábricas, é talvez a empresa que sofre mais com isso. Sinceramente, não acredito que parem de fabricar: com cerca de 12% do mercado mundial, o plasma ainda responde pela venda de uns 30 milhões de aparelhos em todo o mundo. Talvez o fechamento da fábrica de Amagasaki seja apenas um ajuste interno de custos. Tomara.

Tiroteio entre os TVs

Lembro que anos atrás, cobrindo a Infocomm, evento dedicado a equipamentos de áudio e vídeo profissionais, fiquei encantado com o que eles chamavam “Projector Shootout”. Num grande salão escuro, cada fabricante instalava e ajustava seu projetor nas primeiras horas da manhã, para demonstrar aos visitantes ao longo do dia. Os projetores eram posicionados lado a lado, cada um jogando imagens sobre uma tela. Todas as telas eram iguais, e todos os projetores recebiam sinal da mesma fonte (na época, ainda usavam-se DVD players ou videocassetes digitais, que eram as melhores fontes de vídeo disponíveis). O resultado era que, andando pelo salão escuro, o visitante podia observar as imagens de cada projetor e compará-las lado a lado. Tomava-se também o cuidado de não colocar próximos um do outro aparelhos de padrão muito diferente. Depois de 40 ou 50 minutos examinando todas as imagens, saía-se dali com uma boa ideia de quais eram os melhores.

Infelizmente, a pressão de alguns fabricantes fez com que a direção da Infocomm desistisse da ideia, e o famoso “shootout” (palavra que em inglês quer dizer “tiroteio”) deixou de ser realizado. Aqui no Brasil, já tentamos organizar algo do gênero, mas a resistência continua grande. Agora, vejo que o CNet, hoje o mais importante site sobre tecnologia do mundo, conseguiu algo parecido. Na verdade, publicaram os resultados do “HDTV Shootout” feito pela empresa Value Electronics, que foram divulgados no último fim de semana.

A Value é uma empresa da cidade de Scarsdale, estado de Nova York, revendedora de equipamentos de áudio e vídeo. Numa bela sacada de marketing, reuniu especialistas e clientes comuns para fazerem a avaliação lado a lado de seis modelos de TV, sendo três plasmas e três LED-LCDs. Depois de dois dias de demonstrações, os convidados votaram nos seus preferidos, seguindo quatro tópicos de análise: nível de preto, taxa de contraste, acuidade das cores e resolução de imagens em movimento. Entre os votantes, estavam técnicos de empresas como THX, a rede de televisão ABC, a Motion Picture Association (que representa os estúdios de cinema) e a NAB (entidade que reúne emissoras de produtoras de televisão). Os fabricantes (Sony, LG, Samsung, Sharp e Panasonic) também foram convidados, mas sem direito a voto. Ao final, calculada a média ponderada de todos os itens, saiu o resultado:

1 – Sharp Elite PRO-605FD, LED de 60″: média 8,92

2 – Panasonic TC-P65VT30, plasma de 65″: média 8,63

3 – Samsung PN59D8000, plasma de 59″: média 8,13

4 – Sony XBR-55HX929, LED de 55″: média 7,10

5 – Samsung UN60D8000, LED de 60″: média 6,85

6 – LG 60PZ950, plasma de 60″: média 5,67

Ou seja, contra todos os prognósticos, ganhou justamente um LED-LCD. Os principais motivos, segundo os organizadores, foram o excepcional nível de preto, que mereceu nota média de 9,72, e a não menos excepcional taxa de contraste, 9,61 (o máximo era 10). Neste link, há os detalhes da comparação – que obviamente não é oficializada por nenhuma das entidades envolvidas. Serve para mostrar como é complicada essa história de testes comparativos. Detalhe importante: a Sharp é hoje a marca de TVs mais vendida no Japão; dois anos atrás, a empresa comprou a divisão de displays da Pioneer, que então produzia os plasmas da linha Kudo, considerados os melhores do mundo na época (vi uma demo no Japão e realmente fiquei admirado). Talvez essa herança tenha ajudado a produzir um TV LED-LCD também de alto nível.

Pena que sua situação no Brasil seja tão confusa.

Notícias da Coreia

Meu colega Ricardo Marques, que está em Seul a convite da Samsung, envia de lá boas novidades sobre os planos da empresa. Algumas, já tínhamos comentado durante a cobertura da IFA. Por exemplo: o lançamento do Galaxy Note (foto), primeiro híbrido de smartphone e tablet, e o alto investimento da empresa no conceito Smart TV, com mais de 200 parceiros de conteúdo. Outras haviam sido apenas citadas de passagem por executivos da empresa, e agora são oficializadas. A Samsung vai criar uma nova espécie de rede social, chamada ChatOn, que pretende integrar todos os usuários de seus produtos espalhados pelo mundo.

Sim, é uma ideia ambiciosa: cada pessoa que tiver um aparelho Samsung (seja um TV, Blu-ray, câmera, celular, tablet, computador etc.) poderá entrar nessa rede e se comunicar com outros usuários dos produtos, como se faz hoje no Facebook ou no Orkut. Não sei se a ideia é competir com essas redes; parece muita pretensão, hoje, querer atingir a marca absurda do Facebook, com mais de 750 milhões de “amigos”. De qualquer modo, seria a primeira tentativa pra valer de um grande fabricante integrar seus clientes. Vamos ver se funciona.

E agora, Terry?

Terry Gou, presidente da Foxconn, empresa de Taiwan que monta a maior parte dos aparelhos da Apple, esteve em Brasilia na semana passada para conversar com a presidente Dilma Roussef. Oficialmente, o motivo foi retomar as negociações para construir no Brasil uma unidade montadora de smartphones e tablets, além de uma fábrica de displays touch. A explicação do governo é que as conversas continuam, apesar de todos os indícios em contrário; o ministro Mercadante voltou a garantir que “até dezembro” a empresa começará a distribuir iPhones e iPads montados em Jundiaí (SP).

Foi mais uma jogada para a torcida, conseguindo até certa repercussão internacional, como queria o governo. Depois de anunciar o projeto em abril, Dilma e Mercadante se decepcionaram com a série de exigências apresentadas pela Foxconn, que incluíram até a construção de um aeroporto privado junto à fábrica, além de facilidades fiscais inéditas no país. Mais grave ainda foi a decepção com o fato de nenhum grupo industrial ou financeiro nacional ter se interessado em participar do projeto. O problema é que, quando se reuniu com Mercadante e a presidente Dilma Roussef em abril, na China, Terry Gou concordou em distribuir um comunicado confirmando os planos, apenas para ser simpático com os visitantes.

Na prática, Gou e os executivos da Foxconn ainda não viram vantagem em montar uma fábrica no Brasil; aliás, só viram desvantagens. Mas, com toda a expectativa criada pelo governo, há agora um clima estranho em torno do negócio. Se desistir, a Foxconn corre o risco de sofrer represálias do governo em outros projetos de seu interesse (a empresa fornece componentes para Sony, HP, Motorola e outros fabricantes que atuam aqui). O mote da conversa da semana passada foi: agora que criamos esse abacaxi, vamos descascá-lo juntos!!!

Não há como saber, neste momento, o que Gou irá decidir. Nem ele nem as autoridades brasileiras têm certeza de nada. Espertamente, o governo tenta criar uma disputa entre os estados que manifestaram interesse em receber a fábrica (além de São Paulo, estão nesse caso Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais, entre outros). Eventuais “incentivos” que os respectivos governadores possam oferecer quem sabe ajudem a convencer mr. Gou. Usa-se ainda o (falso) argumento da Copa do Mundo: “Eles devem ter em mente que a Copa é grande alavancadora da venda de equipamentos”, ensinou Mercadante, ao falar com jornalistas após o encontro.

Se você está se perguntando o que tem a ver uma coisa com outra, eu também estou. Vamos ver quais serão os próximos capítulos dessa novela, que cada vez mais se parece com uma grande farsa!

Capacitação: este é o caminho

Como se sabe, não há no Brasil muitas opções para profissionais da área de projetos residenciais que queiram aprimorar seus conhecimentos. Também é consenso que o país está anos atrasado na formação de técnicos, em vários setores. Por isso mesmo, quando essas oportunidades surgem, é bom aproveitar.

Até o final do ano, ainda teremos vários cursos de aperfeiçoamento promovidos pela Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial). Vejam só alguns dos temas: Instalações Elétricas para Automação Residencial, Luminotécnica Básica – Conceitos e Projeto e Criação de um Negócio em Automação Residencial. Além disso, a entidade faz parcerias com fabricantes do setor para que estes promovam cursos rápidos (de um ou dois dias), que embora voltados a produtos específicos daquelas marcas também podem contribuir para quem quer se aperfeiçoar. São empresas como Biltech, Z-Wave, Somfy, iLuflex, Neocontrol, IHC e outras.

Já disse aqui, mas nunca é demais repetir: esse tipo de evento deve ser encarado como um investimento pessoal, algo que irá acompanhar a pessoa pela vida afora. Felizes aqueles que puderem participar.