Archive | novembro, 2011

Projetores 3D ganham espaço

Quase todos os especialistas concordam que a melhor solução para ter em casa uma “imagem de cinema” continua sendo um bom projetor. Apesar da enorme evolução dos TVs, estes ainda não se comparam ao desempenho dos projetores digitais, especialmente quando se trata de imagens Full-HD. Tanto os DLPs, que utilizam os famosos chips da Texas Instruments (DMD), quanto os SXRD, criados pela Sony, dão show numa sala com iluminação controlada – e, é claro, desde que estejam bem instalados e ajustados.

Quando se fala em imagens tridimensionais, a disparidade entre TVs e projetores de alta definição fica ainda mais evidente. Esta semana, saiu nos EUA a primeira pesquisa de mercado sobre os projetores 3D para home theater. Diz a empresa Quixel Research que as vendas aumentaram nada menos do que 121% entre o segundo e o terceiro trimestres do ano, acrescentando que essa categoria já responde por 16% de todos os projetores vendidos por lá. “Daqui a um ano deverá ser mais da metade”, prevê Tamaryn Pratt, diretora da Quixel.

Sim, em termos de volume, nem dá para comparar com as vendas de TVs. Até agora, em todo o ano as vendas de projetores para HT no mercado americano somaram pouco mais de US$ 200 milhões, sendo que o faturamento com projetores 3D representa 28% desse valor. Mas a curva é expressiva: enquanto cai a venda de projetores convencionais, sobe a de modelos 3D (vejam os detalhes aqui).

 

 

 

 

 

 

 

Na próxima CES, em janeiro, deveremos ver vários desses modelos em demonstração. Fabricantes como SIM2, Panasonic, Mitsubishi, Sharp e LG deverão exibir suas novas linhas, numa das poucas categorias de produto de consumo onde ainda é possível obter boas margens de lucro, embora com volumes menores. A própria Sony antecipou-se às concorrentes e já está colocando nas lojas dos EUA seu mais recente projetor SXRD, o modelo VPL-VW1000ES (foto), exibido na última CEDIA Expo, em setembro. É o primeiro da geração 4K 3D, que – como já comentamos aqui – é de pouca utilidade prática porque não existem conteúdos em 4K (duas vezes a resolução do Blu-ray).

Mas é o futuro, sem dúvida.

Social TV, a nova onda

Assisti com prazer esta semana a uma entrevista do grande Boni, um dos criadores da televisão brasileira, ao repórter Geneton Moraes Neto, da Globo News (quem não viu, procure ver a reprise, domingo, às 17hs). Geneton, por sinal, deve ser o jornalista brasileiro com o mais vasto currículo de entrevistas exclusivas e marcantes. Seu blog, embora desatualizado, lista algumas das personalidades que já o encararam: Woody Allen, Roberto Carlos, o poeta João Cabral de Mello Neto, Chico Buarque, o general Newton Cruz (figura tosca da ditadura militar), Oscar Niemeyer, o escritor português José Saramago, o jornalista americano Carl Bernstein (do célebre Caso Watergate), os jornalistas Paulo Francis e Ivan Lessa, o jornalista e escritor Nelson Rodrigues e por aí vai.

Bem, entre outras coisas, Boni analisa na entrevista (foto) os atuais caminhos da televisão e das mídias, prevendo que a integração entre elas fará surgir um novo tipo de veículo de comunicação. Não usou este nome, mas acho que se referia ao que está sendo chamado de “Social TV” (em português, simplesmente “TV Social”). Seria o resultado da proliferação dos aplicativos pelas telas de TV e da popularização do hábito de ver conteúdos de vídeo (inclusive programas feitos para televisão) em dispositivos portáteis, como tablets e smartphones. A facilidade de baixar esses apps diretamente no televisor e navegar pela tela grande, como se faz hoje na tela do computador, irá mudar radicalmente o comportamento do telespectador.

É o que dizem vários estudiosos, e o que se comprova a cada dia pelas estatísticas. Segundo o site especializado americano Media Post, 50% dos jovens entre 18 e 24 anos, nos EUA, já tem o hábito de assistir televisão enquanto trocam mensagens nas redes sociais, comentando o que estão vendo. E até 2015 cerca de 65% de toda a população do país estará usando um tablet ou um smartphone. Um dos especialistas ouvidos pelo site é Colin Donald, da empresa de pesquisas Futurescape, que recentemente divulgou um white paper intitulado “O Fator TV Social – O Impacto da TV Social no Negócio da Televisão”. Segundo ele, com o sucesso dos TVs conectados à internet, o telespectador começará a zapear entre as emissoras tradicionais e a internet quase sem perceber.

Em outras palavras, ambas – televisão e internet – vão mudar, enquanto interagem e exercem influências uma sobre a outra. Mais ou menos como Boni quis demonstrar.

Quem vai ser o primeiro?

Ainda sobre o comentário anterior, achei oportuno citar o colega Alon Feuerwerker, que em seu blog escreve sobre mais um encontro que está acontecendo esta semana, na África do Sul, para tratar do aquecimento global. Tem tudo a ver com a questão da sobrecarga de dados na internet. Se não, vejam:

Todo mundo diz defender a natureza, a consciência ecológica, a economia de energia, a proteção ao meio ambiente etc. etc. etc. Mas, como pergunta Alon, você está disposto a andar para trás, se isso for indispensável a que outros possam ir adiante? Ou, sendo mais direto, você topa se sacrificar – consumindo menos, inclusive comida, e produzindo menos lixo – para ajudar a controlar a degradação ambiental?

O caso da internet é semelhante: você, que passa horas no computador, assiste a dezenas de vídeos no YouTube, sobe e baixa fotos e arquivos pesados e/ou se dá o luxo de trocar mensagens de texto, fotos e vídeos nas redes sociais, topa diminuir essa atividade toda para evitar o risco de que a rede entre em colapso? Aquelas pessoas que vivem postando vídeos descartáveis e fotos de flores, animais e paisagens em seus perfis no Facebook, será que aceitam mudar seus hábitos digitais para contribuir com o bem-comum?

Duvido muito, nos dois casos. É mais fácil culpar outras pessoas, ou o governo, ou as multinacionais, ou o capitalismo selvagem. E continuar consumindo…

Sem cabo nem rabo…

Usuários da Embratel, Net Virtua, Claro e outras operadoras menores puderam experimentar, entre ontem e hoje, um pequeno gostinho daquilo que alguém já previu irá acontecer quando a rede mundial entrar em colapso. O rompimento de um cabo submarino da Embratel paralisou (ou tornou bem mais lentas) as comunicações entre servidores instalados no Brasil e nos EUA. Até o momento em que escrevo, o problema continua causando travamentos e lentidão, inclusive no acesso a este blog.

Lembro que a primeira vez que li sobre “colapso na internet” foi em 2004 – até guardei o link, pois ainda não havia me ocorrido que esse fluxo absurdo de informações poderia ser interrompido. Os alertas nesse sentido já foram muitos, mas aparentemente governos e empresas responsáveis não os estão levando a sério. Na última Futurecom, em setembro, o próprio secretário-geral da UIT (União Internacional de Telecomunicações), Hamadoun Touré, pediu providências urgentes a respeito – o colega Ethevaldo Siqueira, do Estadão, fez um bom resumo do tema.

O que aconteceu agora com o cabo da Embratel talvez seja um sintoma de que algo está errado no setor. A empresa informou que seus técnicos entraram em ação imediatamente e já estavam corrigindo o tal cabo rompido, localizado no litoral do Ceará. Como é alto o número de empresas brasileiras que utilizam servidores americanos, a falha deve ter afetado muita gente. Claro, incidentes como esse podem acontecer em qualquer lugar do mundo. O que acho estranho é o fato de não existir alternativa. Teoricamente, todo cabo (ainda mais submarino) deve ter pelo menos uma redundância, ou seja, outro cabo que o substitua, automaticamente, em caso de falha.

Essa história ainda precisa ser melhor explicada.

Boas oportunidades de negócio

Como costuma fazer todo fim de ano, o site americano CE Pro, voltado a profissionais do setor de custom installation (áudio, vídeo e sistemas eletrônicos residenciais), elegeu as principais tendências para o próximo ano. Seriam cinco tecnologias que, segundo seus especialistas, devem atrair mais investimentos e demanda por parte dos usuários por lá. Repasso aqui a lista, para depois comentar o que significa no Brasil:

1 – Serviços em nuvem: Não se trata apenas de armazenar dados em algum servidor remoto, mas de integrar os sistemas de telefonia, banda larga e monitoramento de energia em redes externas, com acesso remoto a qualquer hora do dia ou da noite. Essa integração, é claro, exige conhecimento técnico.

2 – Áudio digital: Todo mundo gosta de música e vai querer ouvi-la com a máxima qualidade possível, seja em seus iPods ou no próprio computador de casa. Abre-se espaço para montar sistemas de áudio a partir de servidores domésticos, cada vez mais potentes e fáceis de acessar (mas não de instalar).

3 – Novos recursos de controle: Biometria, comando por voz, comando por gestos, telas touchscreen e NFC (Near-field Communication), tecnologia que facilita a comunicação sem fio entre aparelhos móveis, começam a ser cada vez mais adotados.

4 – Automação e segurança: Sim, esse segmento continua oferecendo excelentes possibilidades para profissionais especializados, com boas margens de ganho. Como segurança é uma preocupação permanente, e a automação simplifica tudo, a integração entre ambas é mais do que natural.

5 – Iluminação por leds: A maioria dos instaladores, mesmo nos EUA, ainda não se deu conta do potencial dessa tecnologia. Além da economia de energia, os leds oferecem infinitas possibilidades em termos de decoração e design, tanto em residências quanto em ambientes comerciais e corporativos.

Evidentemente, essa é a realidade americana. Lá, apesar da grave crise econômica, a quantidade de famílias que continuam consumindo é suficiente para (re)alimentar o mercado de projetos e instalação. O problema é que a queda no faturamento leva muitos profissionais ao desespero, e estes acabam deixando de lado a atualização técnica, que deve ser sempre prioridade. Aqui, com ou sem crise, o fenômeno é semelhante. As tecnologias estão disponíveis, muitas a custo não muito alto, mas a maioria dos profissionais não as aproveitam.

Vamos tratar desse assunto melhor nos próximos dias.

 

Fogo nas alturas

Pode parecer bobagem, mas são coisas que mostram em que país estamos. Dias atrás, um iPhone pegou fogo dentro de um avião na Australia; ontem, uma estudante paulistana relatou que seu iPhone pegou fogo enquanto estava sendo recarregado na tomada; e ontem mesmo a nossa ANAC – que deveria cuidar da segurança nos vôos por aqui – divulga que agora se pode transportar isqueiros na bagagem de mão. A medida, claro, só vale para vôos nacionais. Mesmo assim, não acreditei quando li: isqueiro a bordo, para quê? Com que finalidade alguém levaria um utensilio tão perigoso para dentro de um avião, ainda que seja num trecho de ponte aérea?

E tem mais. Segundo as novas normas, o passageiro poderá transportar consigo itens como bengalas, raquetes de tênis e palitos de fósforo!!! Armas e objetos pontiagudos (tesouras, estiletes) estão proibidos. Ah! Bom…

Mais uma vez, estão brincando com a nossa segurança.

 

Apple TV e Kindle no Brasil

Curiosamente, recebi as duas informações hoje, quase ao mesmo tempo. Minutos depois de ler, no MacWorld Brasil, que a Anatel havia homologado o Apple TV para o mercado brasileiro, o amigo Julio Cohen me enviou mensagem: o novo Kindle que ele comprou na Amazon já veio com o selo da Anatel, em português. Significa que os dois produtos podem ser comercializados no país, embora, até agora, não haja confirmação oficial dos fabricantes.

Já se sabia que a Amazon abriu escritório em São Paulo e está negociando com editoras brasileiras. Como não tem a menor intenção de fabricar aqui, o caminho mais lógico é criar uma loja virtual em português e começar a vender livros nacionais. Só que, como também não pretende montar aqui um centro de distribuição, sujeitando-se à nossa implacável falta de infraestrutura, irá mesmo vender livros digitais para os milhares de brasileiros que quiserem adotar seu leitor eletrônico Kindle.

Já o caso da Apple é mais complicado. Para vender o Apple TV no Brasil, a empresa vai precisar de acordos com os principais fornecedores de conteúdo em português – a começar da Globo, provavelmente via Globosat. Sugiro aguardar mais um pouco.

A propósito, no site da Anatel é possível baixar os dados da certificação concedida à Apple Computer Brasil Ltda, por sinal numa xerox de péssima qualidade. Em meio às especificações técnicas, o Apple TV é definido como “transceptor de radiação restrita – modulação digital”. Você compraria um aparelho com esse nome?

O mercado para Smart TVs

Não é novidade que os fabricantes de TVs, tanto aqui como nos principais mercados mundiais, estão na busca de mais e mais conteúdos para rechear seus Smart TVs – o nome está praticamente consolidado, referindo-se aos televisores que acessam a internet (sem computador) e trazem facilidades para integração a redes domésticas. De repente, parece que se tornou mais decisivo – para convencer o consumidor – oferecer variedade de conteúdo do que boa qualidade de imagem. Claro, não é isso. As boas marcas hoje se equiparam em termos de desempenho, e enquanto não surgir a nova geração de displays, que irá substituir os atuais Full-HD, não há muito o que evoluir nesse aspecto.

Já a oferta de aplicativos (os chamados apps) não para de crescer. Na redação da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL, fizemos um levantamento semanas atrás, em que constatamos a existência de 30 modelos Smart nas lojas brasileiras, além de 9 players Blu-ray e 13 conjuntos integrados de home theater que também oferecem conexão à internet. Ou seja, se você não quer investir num desses TVs, ou simplesmente se não pensa trocar seu TV agora, pode optar por um Blu-ray, por exemplo, com o mesmo recurso. A variedade de conteúdos não é a mesma dos TVs, mas já é um começo.

Esse é um segmento que só tende a se ampliar, porque trata basicamente de software. Existem milhares de desenvolvedores loucos para terem seus conteúdos vinculados a uma marca importante e, portanto, a união aí é quase natural. Na verdade, todo mundo segue (mais uma vez) a ideia original de Steve Jobs, que conseguiu criar uma legião de desenvolvedores de apps para seus produtos e, de quebra, acabou ganhando milhares de garotos-propaganda da Apple, que aliás não cobram nada por isso.

Bem, se você é desenvolvedor ou se interessa pelo tema, não pode perder o evento que acontecerá hoje, em São Paulo, por iniciativa da LG. O II Fórum de TV Digital visa justamente explicar como funciona essa nova mídia – os aplicativos para TVs. Será das 9 às 13hs, no Espaço Praça São Lourenço.

Quem são os Experts

Na última sexta-feira, foi divulgada a lista dos aprovados no Programa de Certificação “Home Expert”, encerrado no último dia 9. Dos 85 inscritos, 30 profissionais passaram na avaliação final, o que pode ser considerado um bom percentual. Todos já foram comunicados, e esta semana a lista estará disponível no site oficial do Programa.

O próximo passo, ainda sem data definida, será a entrega dos certificados a todos os participantes. Os que não foram aprovados receberão um Certificado de Participação, comprovando que assistiram às aulas; os 30 aprovados terão direito a uma “certificação oficial”, concedida pela revista HOME THEATER & CASA DIGITAL e endossada pela Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial) e pela Yamaha do Brasil, patrocinadora do evento. Além disso, os “experts” terão divulgados seus nomes e de suas empresas nas páginas da revista e também pela internet, por todos os meios possíveis. A intenção é valorizar o esforço de cada um para subir novos degraus em suas carreiras e conquistar um nível de aprimoramento técnico que é raro, infelizmente, no Brasil.

Em breve, iremos também divulgar como será o II Programa de Certificação, a ser conduzido durante o ano de 2012. Aguardem.

Ação contra a lei da TV paga

Como já se esperava, a operadora Sky entrou com ação na Justiça contra a lei 12.485, a chamada Lei do SeAC (ou “Lei da TV Paga”), sancionada em setembro pela presidente Dilma Roussef. A Sky manteve sua coerência ao longo de toda a tramitação do projeto no Congresso: foi contra desde o início, por várias razões, e até acabou deixando a ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura), por não concordar com o apoio da entidade a essa lei. Os motivos da discordância são vários, mas o principal é a instituição de cotas para programas nacionais nas grades das operadoras. A Sky defende o mesmo ponto de vista já expressado aqui, de que as cotas agridem o direito de escolha do consumidor.

É pouco provável que a ação vá adiante, até pelas pressões de grupos lobistas que se organizaram há anos com o objetivo de impor as cotas e o fortalecimento da Ancine. Mesmo assim, é interessante analisar alguns aspectos da pendência (que, como de hábito, não tem data para ser julgada pela Justiça Federal). Em sua argumentação, a Sky diz, por exemplo, que a imposição de cotas protegerá apenas “alguns agentes da indústria de produção audiovisual brasileira, criando uma reserva de mercado e garantindo de forma artificial um espaço na TV por assinatura para conteúdos que não necessariamente terão qualidade”. Esses “alguns agentes” são, na verdade, os produtores que vivem em busca de favores do governo. Mas a Sky se refere também à Globosat, com quem tem antigas divergências e que é hoje a maior fornecedora de conteúdo nacional às programadoras.

Curiosamente, o Partido Democratas – que tem entre seus membros vários donos de emissoras e operadoras – também entrou com ação junto ao Supremo Tribunal Federal pedindo a impugnação da lei. E a ABPTA (Associação Brasileira das Programadoras de TV por Assinatura), que representa as programadoras estrangeiras (teoricamente as mais atingidas pelas cotas), até agora não se manifestou.

Nessas horas, nem todo mundo dá a cara para bater.

 

TV Digital em discussão

Que o cronograma brasileiro da TV Digital está atrasado, todo mundo sabe (embora nem todo mundo divulgue). Embora o último censo do IBGEaponte que mais de 45% das residências brasileiras estejam recebendo o sinal, o fato é que isso representa apenas 457 municípios, dos mais de 5 mil existentes. Oficialmente, o Ministério das Comunicações diz que está mantido o prazo de 2016 para que todas as emissoras desliguem seus transmissores analógicos. Mas, nos bastidores, o próprio ministro Paulo Bernardo conversa com as empresas do setor em outros termos – é quase certo que o prazo seja adiado. A maioria das emissoras fora dos grandes centros não está sequer preparada para começar a investir em equipamentos digitais; muitas continuam à espera de uma prometida linha de crédito do BNDES para comprar suas primeiras câmeras…

Nestas segunda e terça-feiras, teremos uma boa oportunidade de verificar até que ponto as emissoras estão mesmo trabalhando com essa data em mente. Representantes do setor irão se reunir na USP com técnicos japoneses no II Simpósio Brasil-Japão sobre Avanços em Televisão Digital. Será a segunda oportunidade em que governo, emissoras, fabricantes e pesquisadores das universidades discutirão em público a respeito. Estão programados quatro paineis: Tendências Tecnológicas e de Mercado, TV Digital Interativa, Próxima Geração de Tecnologias de Transmissão e Codificação de Áudio e Vídeo e Ultra-realismo.

Único problema: somente uma emissora (a Globo) faz parte do quadro de palestrantes. Onde estarão as outras?

O mico das compras coletivas

Sempre tive um pé atrás com essa moda das compras coletivas. Não sei se é excesso de zelo, mas todas as propostas que recebi para entrar na onda me pareceram suspeitas. Agora, vejo que não estava totalmente errado: o Procon-SP autuou as três principais empresas do segmento no Brasil (Groupon, Peixe Urbano e Click On) por “pequenos detalhes”, como não dar garantia dos produtos vendidos e negar-se a devolver dinheiro pago antecipadamente pelos clientes. As multas podem chegar a R$ 6 milhões para cada empresa – claro, como sempre no Brasil, há recursos e protelações, e o mais provável é que dê em nada.

O episódio, de qualquer maneira, deve servir como alerta. O Procon notificou 11 estabelecimentos que utilizam os sites de compras coletivas e não entregam os produtos. Já houve algumas denúncias, mas pelo visto não se deu muita importância. Recentemente, o IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) acusou as quatro grandes do setor (a quarta chama-se Groupalia) de “práticas ilegais”. Na maioria dos casos, os sites não se responsabilizam pelos negócios que geram: você compra de um terceiro, e o site age como se nada tivesse a ver com isso. Só que jamais deixa de receber a sua comissão. Naturalmente, uma empresa séria devolveria esse dinheiro caso o negócio não se concretizasse. Mas não estamos falando de empresas sérias…

Aliás, essa Groupon é um caso ainda a ser explicado. Recordista de reclamações no Procon, a empresa é exaltada em sites e blogs como exemplo de inovação e criatividade – como se compra coletiva fosse algo novo (para mim, é apenas uma versão digital do velho consórcio). Há cerca de um mês, o IDG Now fez um excelente levantamento sobre as atividades da empresa, mostrando a prática de inflar preços dos produtos no site para enganar os clientes, que são atraídos por descontos mais altos (outra prática mais velha do que a máquininha de calcular). Com uma poderosa rede de influência nas mídias sociais, a empresa – que é americana – abriu seu capital na Nasdaq no início deste mês e todos disseram que foi um sucesso. Três dias depois, o valor das ações tinha despencado, deixando frustrados os investidores.

É o caso de se dizer: bem feito.

 

Fone para ouvidos sensíveis

Basta andar em qualquer rua de uma grande cidade para ver milhares de pessoas com seus fones de ouvido ligados em iPods. A maioria compra fones minúsculos, do tipo intra-auricular, desses que podem ser encontrados em qualquer camelô. Apesar de algumas advertências já publicadas, não imaginam o risco que correm: ouvir música em alto volume com o fone enfiado no ouvido, praticamente grudado no tímpano, é quase como levar algumas marteladas na cabeça… A longo prazo, adeus audição.

Segundo a Associação Americana de Estudos sobre Discurso, Linguagem e Audição (ASHA), mais de metade dos adolescentes utilizam seus iPods em volume acima do recomendado. E a especialista Krista Winner, da Universidade de Miami, diz que 12,5% desses já sofre de problemas auditivos relacionados ao uso incorreto dos fones. Nas cidades brasileiras, não há muita alternativa: ninguém suporta usar fones externos andando na rua, até porque o risco de assalto é quase tão grande quanto o de surdez. Mesmo assim, a melhor solução está nos fones com cancelamento de ruído externo. Além de ouvir a música com maior nitidez e detalhamento, elimina-se o desconforto dos ruídos em volta e provocam-se menos danos aos tímpanos.

Esta semana, conversei com Otavio e Diego Nascimento Brito, proprietários da AMI Music, empresa especializada em equipamentos de áudio profissional e representante no Brasil da Audio Technica, principal marca japonesa de fones de ouvido. Com a contratação de Alexandre Algranti, a AT quer iniciar um trabalho inédito em nosso país: mostrar aos usuários os benefícios da tecnologia de cancelamento de ruído, coisa que a maioria desconhece. Quem está acostumado a um fone intra-auricular e tem a oportunidade de experimentar um headphone (tecnicamente chamado “circum-aural”), nome genérico dos fones que cobrem totalmente os ouvidos, logo percebe a enorme diferença. Melhor ainda se o fone tiver cancelamento ativo de ruídos externos, recurso que ainda é raro (e caro).

Só podemos dar parabéns à empresa pela iniciativa. Apreciar música com a melhor qualidade de áudio possível é algo que deveria ser incentivado – nem todos os fabricantes se preocupam com isso. E proteger os ouvidos é quase uma questão de sobrevivência, neste mundo tão barulhento. Vamos ver se os revendedores especializados encampam essa ideia, demonstrando corretamente os produtos a seus clientes.

OLED promete voltar

Saiu na revista americana Electronic House: graças a uma nova tecnologia desenvolvida pela DuPont, os displays OLED, que pareciam esquecidos, podem voltar com força em 2012. Como já comentamos aqui, o custo de fabricação desses aparelhos é proibitivo, devido à perda de material. Mas a DuPont garante ter desenvolvido um novo processo industrial, que permitirá reduzir substancialmente essas perdas, inclusive na produção de telas grandes.

Boa parte dos atuais smartphones e tablets utiliza displays OLED (Organic Light-Emitting Diode), que os fabricantes chamam AM-OLEDs pelo fato de serem do tipo matriz ativa (AM, em inglês). Para tamanhos pequenos, o processo de produção está mais ou menos resolvido, porque as perdas podem ser minimizadas. O problema é quando se tenta produzir telas maiores: acima de 20 polegadas, as perdas vão aumentando em escala exponencial.

As perdas decorrem do fato de se usar material orgânico (geralmente carbono ou derivados) como base para a fabricação do display; aliás, não se deve confundir OLED com LED, embora a raiz da sigla seja a mesma: leds (Light-emitting Diodes) são microdispositivos luminosos que substituem as lâmpadas convencionais. Na produção de um display OLED, utiliza-se um vidro especial, sobre o qual é aplicada uma camada de material orgânico. Este é super-aquecido e transformado em vapor para ser aplicado de forma homogênea sobre o painel de pixels. A vantagem do carbono é seu alto poder de luminosidade. Mas o vapor escapa pelo ar em grandes quantidades, exigindo uma complexa estrutura de proteção.

Segundo a DuPont, o novo processo é semelhante ao de uma impressora jato de tinta: o carbono é aplicado em partículas, e em altíssima velocidade, dispensando o superaquecimento (vejam no link uma explicação mais detalhada). Diz a Electronic House que já existe um acordo da DuPont com a LG para ser o primeiro fabricante a adotar esse processo na produção de displays OLED, com tamanhos de até 55 polegadas. Já haveria até uma data marcada para lançamento comercial: final de 2012. Será?

Bem, o que se pode afirmar que, por ser uma tecnologia ainda muito nova, o OLED tem enorme potencial de crescimento. O modelo da foto é um OLED 31″ que a LG exibiu na IFA 2010; reparem como a imagem é naturalmente nítida (na edição 2011, a empresa não mostrou novidades nessa área). Sabe-se que Sony e Samsung também estão trabalhando em seus laboratórios para chegar a uma solução acessível ao mercado. Mas é bom não se iludir: mesmo com esses avanços, o custo de um TV desses será, no mínimo, 50% mais alto que o de um plasma ou LED-LCD equivalente.

3G é coisa de elite

Comentei aqui anteontem sobre o início das redes 4G na Europa e nos EUA, e vejam a última pesquisa da consultoria Teleco, uma das mais sérias e competentes nessa área: somente 32,27% dos municípios brasileiros contam com rede 3G. Acredite se quiser: das 5.561 cidades espalhadas por este país, apenas os habitantes de 1.795 podem se dar ao luxo de fazer ligações desse tipo. Mais grave ainda é, das localidades servidas atualmente, nada menos do que 1.243 não têm concorrência, pois contam com apenas uma operadora. As quatro grandes do setor – Vivo, Claro, Tim e Oi – estão presentes, competindo entre si, somente em 264 cidades, ou seja, 2,12% do país.

É bom notar que, delas, só a Vivo está realmente investindo na expansão da rede (não estamos falando de qualidade da conexão). A operadora que pertence à Telefônica já cobre 1.658 municípios, tendo aumentado seu alcance para mais 452 este ano. A Claro cresceu apenas 134 localidades, enquanto a Tim, apenas 119. Já a Oi, acreditem, ampliou sua base de 211 para 217 cidades, ou seja, cresceu quase nada. Nunca é demais lembrar que foi justamente a Oi quem mais se beneficiou da política do governo Lula, que investiu pesado (na época falou-se em R$ 6 bilhões) para transformá-la numa “gigante brasileira” do setor. Não fosse o socorro da Portugal Telecom, e talvez a Oi hoje nem existisse mais…

Na minha opinião, esses dados confirmam dois equívocos. O primeiro foi o processo de privatização realizado no governo FHC. Embora tenha expandido a base de usuários de telefone, não conseguiu implantar um modelo verdadeiro de concorrência. A utopia da universalização, que nem os americanos conseguiram, impede que o mercado cresça de modo saudável e sustentável – embora os brasileiros sejam fanáticos por celular. Outro erro fatal foi a desestruturação da Anatel, por ingerências políticas, já no período Lula. Politizada, sem quadros técnicos em número suficiente e sem verbas, a Agência mais atrapalha do que ajuda, com seu “burocratismo” e uma absurda demora para tomar decisões. Quem duvidar só precisa dar uma olhada no portal da Anatel, para ver a quantidade de inutilidades ali produzidas.

Ainda vamos analisar mais detalhadamente esse problema. Por ora, fica claro que, mais uma vez, o Brasil está ficando para trás num setor essencial para quem quer chegar perto do Primeiro Mundo.

Sai Logitech, entra LG

Depois de uma série de desentendimentos, finalmente confirmou-se o divórcio entre Google e Logitech em torno do projeto Google TV. A empresa de buscas fez grande alarde sobre essa plataforma, desenhada para “tomar de assalto” o mercado hoje ocupado pelos provedores de conteúdos de TV para web. Como se sabe, não foi bem o que aconteceu: o produto chegou a ser colocado no mercado americano, em forma de kit, com um processador e um controle remoto produzidos em conjunto por Logitech, Intel e pela Dish (que fabrica receptores de TV paga); o TV seria fornecido pela Sony, que mostrou-o em funcionamento na IFA 2010; já na CES 2011, a própria Google pediu para não exibi-lo alegando mudanças no software, o que deixou virtualmente “na mão” a Logitech.

Num evento para investidores na semana passada, Guerrino De Luca, CEO da Logitech, assumiu o erro de ter entrado nessa parceria, que lhe custou US$ 100 milhões. Atribuiu o fracasso à má avaliação do projeto. “Achávamos que iríamos reinventar a televisão, e no entanto tudo não passou de projeto Beta. Talvez essa revolução aconteça no futuro, mas não será com esse produto, e sim com o neto do Google TV”.

A última notícia a respeito é que a Google estaria negociando com a LG, e com isso daria também uma rasteira na Sony!!! Não seria surpresa, considerando a arrogância da empresa de Sergey Brin e Larry Page, que domina o mercado de buscas na internet. Segundo a agência de notícias Bloomberg, o lançamento oficial acontecerá na próxima CES, em janeiro: uma nova linha de TVs do fabricante coreano, equipada com software Google. Pelo TV, o usuário teria acesso não apenas à internet, como já acontece hoje, mas a uma série de serviços exclusivos do Google, que ampliaria a base de penetração de seus anúncios.

As duas empresas não confirmam, mas os rumores são fortes na imprensa coreana, citando também a Samsung como possível parceira. O problema é que já existe uma rusga entre Google e Samsung desde que a primeira comprou a Motorola, ameaçando entrar no segmento de celulares.

Vamos ver como evoluem os boatos.

O problema não é a Matemática

Como sei que muitos leitores têm formação técnica (e supostamente gostam, ou entendem, de matemática), repasso aqui um link para o blog do amigo Ricardo Noblat, que reproduz artigo da jornalista brasileira Gisele Teixeira, que reside em Buenos Aires. Lá, conta ela, faz sucesso na televisão um programa sobre… isso mesmo, matemática, aquela matéria que todos (ou quase todos) odiávamos no ginásio. Quem comanda o programa é um ex-jornalista esportivo, vejam só, hoje escritor de sucesso, que mostra as ligações entre a matemática e a vida cotidiana. A dificuldade, segundo ele, não está na matéria em si, mas na capacidade do ser humano aprender a conviver com a frustração de não conseguir resolver certos problemas.

Igualzinho à vida! Vale a pena dar uma olhada.

O mundo em 4G

A operadora britânica O2 está iniciando uma experiência inédita: cobrir parte da cidade de Londres (aproximadamente 40km2) com rede de banda larga 4G. Serão 25 torres, que durante nove meses servirão gratuitamente a população, com uma velocidade 10 vezes mais alta que as atuais redes 3G. Segundo o jornal The Guardian, essas 25 torres serão capazes de trafegar mais dados do que toda a a rede atual da O2 no país inteiro!!! Oficialmente, as transmissões em 4G na Grã-Bretanha começam em janeiro de 2013, mas o potencial do padrão LTE (Long-Term Evolution), que derrotou o concorrente WiMax, já deixa o governo e as empresas animados. Além de ligações telefônicas e de dados, será possível trafegar chamadas de vídeo, conteúdos em HDTV, games online, comunicação entre veículos e até medição do consumo de energia, água e gás – tudo sem fio.

Dois eventos realizados recentemente nos EUA trataram da tecnologia 4G, que está sendo implantada no país (e também na Ásia e em alguns países da Europa) como resposta ao incrível aumento do tráfego de dados na internet e ao uso crescente de dispositivos móveis – só no YouTube, por exemplo, são 48 horas de vídeo que os internautas sobem a cada minuto. No 4G World 2011, em Chicago, mais de 8 mil especialistas discutiram o potencial para novos negócios. E na conferência LTE North America 2011, em Dallas, um dos principais assuntos foi a política do governo Obama – apoiada por boa parte do segmento empresarial – de levar banda larga de qualidade até a regiões remotas, como comentamos aqui dias atrás.

Ou seja, o assunto é mais do que atual. Está conseguindo, inclusive, colocar para discutir numa mesma mesa as três maiores operadoras dos EUA (Verizon, AT&T e Sprint), e também as provedoras de internet e até de TV por assinatura, além dos fornecedores de conteúdo. Empresas como a Amazon, por exemplo, têm todo interesse em que as redes 4G se viabilizem o mais rápido possível, pois sabem o impacto que isso irá causar no comércio eletrônico. Esse interesse cruza com os dos fabricantes de smartphones, tablets e notebooks, considerando que mais de 40% dos usuários desses aparelhos já adquiriram o hábito de assistir a vídeos e jogar games através das redes móveis.

O padrão LTE também deve ser adotado no Brasil, mas ninguém sabe quando. A Anatel ainda não se pronunciou sobre a regulamentação, e o leilão das frequências necessárias, previsto para o ano que vem, é motivo de uma intensa disputa de bastidores. Na verdade, o Brasil inverteu as prioridades nessa área. O Plano Nacional de Banda Larga seria muito mais rápido e barato se tivessem sido definidas antes as regras para uso do 4G. No entanto, briga-se ainda para instalar conexões de até 256Kbps – que nada têm de banda larga – nas pequenas cidades do interior.

Mas esse é o Brasil… Este artigo traz uma boa síntese a respeito.

Mais filmes em 3D

Pode ser pouco ainda, mas o fato é que o mercado vai sendo abastecido com mais filmes em 3D. No Brasil, o levantamento mais recente da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL apontou 58 títulos já lançados, entre filmes, desenhos animados, documentários (como os ótimos da série Imax) e shows. Segundo o site Blu-ray.com, nos EUA o total já chega a 85, sendo esperados mais dez lançamentos antes do Natal.

Sim, os preços ainda são altos – na faixa de 30 dólares lá, R$ 90 aqui – e nessas condições as vendas não podem mesmo ser muito animadoras. Continuamos naquela situação retratada num famoso anúncio de biscoitos anos atrás: não vende porque o preço é alto, e o preço não cai porque não as vendas não decolam… Mesmo assim, há espaço para otimismo. A empresa de pesquisas Insight Media divulgou na semana passada uma pesquisa sobre as diversas opções já disponíveis para o usuário que quiser mergulhar no mundo tridimensional. É um estudo interessante. Além dos cerca de 100 filmes previstos para estar nas lojas dos EUA antes do final do ano, já temos em 3D:

5 smartphones

27 câmeras digitais

2 consoles de videogame

12 notebooks

32 Blu-ray players

3 tablets

24 sistemas integrados de home theater

2 computadores desktop do tipo all-in-one

178 televisores

Está aumentando também a oferta de games em 3D, pois esse conteúdo é muito mais fácil de produzir do que filmes. Como disse acima, ainda é pouco. Mas é bem mais do que havia alguns meses atrás.