Archive | dezembro, 2011

Bye bye 2011!!!

Este blog encerra hoje oficialmente suas atividades no ano. Estaremos “fora do ar” durante os próximos 12 dias, esperando voltar revitalizados no dia 3 de janeiro. É hora de agradecer a paciência que os amigos leitores tiveram ao longo de 2011, principalmente aqueles que escreveram comentários, incluindo as críticas, ou deram sugestões. Após quatro anos blogando, esperamos estar contribuindo para que as pessoas não apenas se informem, mas que reflitam e discutam, sem preconceito, os temas que afetam suas vidas. Nem todo mundo aceita, mas é assim que se faz numa democracia.

A todos, um ótimo Natal e um 2012 melhor ainda.

Previsões, apenas previsões

Nesta época, são comuns as listas de “melhores do ano” e as previsões para o ano que vem, em todos os segmentos. Na área de tecnologia, não é diferente. Já vi umas dez listas desse tipo, algumas das quais misturam, sem cerimônia, aspectos técnicos e desejos inconfessáveis de seus autores. Há, por exemplo, quem esteja torcendo para o iPhone 5 traga esta ou aquela função, como se disso dependesse o futuro da humanidade. Após tantos anos, uma das coisas que aprendi é que essas previsões (OK, vamos chamá-las assim) não passam de diversão sem compromisso. Mais ou menos como dar palpite em futebol: quem o faz não tem responsabilidade sobre o resultado, portanto, sente-se livre para falar à vontade.

De tudo que li sobre as tendências da tecnologia para 2012 (na verdade, para os próximos anos), faço aqui um resumo do que considero mais interessante. Lembrando que o Brasil, apesar da euforia, continua sendo um país de Terceiro Mundo, onde as coisas demoram a acontecer (quando acontecem):

Mobilidade – Esta é fácil: não se trata mais de novidade. Tudo, cada vez mais, tende a ser usado em trânsito, pois as pessoas vão se acostumando com a comodidade dos dispositivos portáteis. Portanto, vai crescer o tráfego de conteúdos via redes sem fio. O que vimos até agora foi apenas o começo.

Redes domésticas – Também vão se espalhar. As famílias de classe média hoje já possuem vários aparelhos “conectáveis”. Portanto, nada mais natural do que integrá-los em rede, de modo que todos na casa possam aproveitar a mesma conexão de banda larga. Com os preços em queda, cada vez mais vale a pena adquirir produtos com Wi-Fi embutido.

Telas de toque – O sucesso retumbante do iPad não apenas criou uma nova categoria de produto (os tablets), como também está disseminando o uso de displays touchscreen. Teclas e botões vão aos poucos se restringindo a funções básicas, como o velho liga-desliga. Já temos monitores de computador desse tipo, logo chegam os TVs.

Pagamentos móveis – A tecnologia conhecida como NFC (Near Field Communication) está chegando aos meios de pagamento portáteis. Em breve, estaremos pagando nossas compras com o celular. Detalhe: como no item “mobilidade”, isso depende fundamentalmente da capacidade das redes, e nesse ponto os brasileiros ainda vão sofrer muito.

Segunda tela – Com a popularização das redes sociais, muita gente está adquirindo o hábito de fazer duas ou três coisas ao mesmo tempo. Exemplo: enquanto assiste a um programa de televisão, utiliza o smartphone ou tablet para conversar com os amigos no Facebook. Alguns conseguem conciliar as atividades sem se confundir; ou, pelo menos, pensam que conseguem… Pessoalmente, acho difícil prestar atenção a um filme ou uma entrevista e, ao mesmo tempo, conversar. Seja como for, essa é uma mudança de comportamento significativa nos tempos atuais.

Smart TVs – Sim, esse deve estar sendo um dos produtos mais vendidos atualmente, e vai continuar assim por algum tempo. O que falta saber é em que medida os telespectadores vão trocar seus programas favoritos pelos aplicativos oferecidos nos TVs. Resposta daqui a alguns meses.

Comando por gestos e voz – O Kinect, da Microsoft, foi um dos lançamentos mais importantes de 2011, explorando a fundo o conceito da comunicação gestual. Outros fabricantes devem seguir a mesma linha no ano que vem. E já temos no mercado alguns modelos de automóveis com funções acionadas por voz. Grandes empresas estão investindo pesado nessas duas tecnologias, ou seja, não há como evitar a sua propagação.

 

Sky também tem VoD

Seguindo o exemplo da Net, que meses atrás lançou o Now, operadora Sky anunciou o início de seu serviço Sky Online, para locação de filmes no sistema video-on-demand (VoD). Pagando R$ 14,90 por mês, o assinante tem direito a fazer streaming de uma série de títulos, além de ouvir rádios online, através do receptor Sky. É possível também comprar e alugar filmes e episódios de séries de TV, no mesmo esquema.

Com a melhoria do serviço Netflix, inaugurado em setembro com várias deficiências, e agora a entrada oficial da loja iTunes no país, o consumidor brasileiro começa a ter poder de escolha entre os diversos fornecedores desse tipo de conteúdo. O segredo para que tudo funcione está na capacidade da rede montada pela prestadora de serviço, e é de se supor que as citadas – todas elas multinacionais com larga experiência e alto poder de investimento – estejam cuidando bem desse aspecto.

Vamos aguardar o que dizem os usuários.

O gargalo do comércio eletrônico

Dias atrás, comentávamos aqui sobre as falhas das empresas de comércio eletrônico, que muitas vezes não cumprem o combinado na hora em que o cliente faz o pedido. Agora, uma pesquisa do consórcio E-Commerce Brasil, feita entre cerca de mil empresas do setor, confirma: apenas 10% entregam na data prometida. Segundo o site Reclame Aqui, o número de queixas aumentou de 160 mil em 2010 para nada menos do que 610 mil este ano.

O consórcio, que reúne algumas das principais empresas do setor no país, é uma iniciativa para tentar regular melhor esse serviço, hoje essencial no país. Os próprios números confirmam que grande parte dos consumidores está aderindo às compras online. Mas, como acontece em outros setores do país, tudo esbarra na falta de estrutura. Basta fazer uma viagem qualquer para ver o estado em que se encontram os aeroportos. Dá pena dos agentes da Polícia Federal que tentam controlar os milhares de passageiros e suas enormes malas que estouram qualquer cota de importação; alguns até desistem e deixam passar todo mundo. O mesmo deve acontecer nos centros de distribuição das lojas virtuais, sobrecarregadas nesta época do ano: ninguém esta preparado para gerenciar tantos pedidos.

A quem o consumidor pode reclamar?

Smart Grid: o que é isso?

O Brasil faz parte de uma lista de 25 países com potencial para adotar políticas de controle inteligente do consumo de energia nos próximos dois anos. Você sabia disso? Descobri ao ler partes de uma pesquisa divulgada pela empresa americana Northeast Group, que calcula em US$ 49 bilhões o mercado de smart meters nos países emergentes no ano 2020. Até agora, a preocupação com o assunto tem sido privilégio dos países desenvolvidos, que representam 95% dos equipamentos instalados. “Mas a próxima onda está nos países emergentes, particularmente 11 deles”, diz o estudo Emerging Markets Smart Grid: 25-Country Overview. Os 11 seriam: Brasil, Bulgaria, República Tcheca, Hungria, México, Polonia, Romenia, Cingapura, Eslováquia, Eslovenia e Emirados Árabes Unidos.

Smart Grid é o nome genérico dos sistemas de controle eficiente da energia consumida em residências e empresas. O aparelho de medição (smart meter) é instalado entre o quadro de força e a entrada da rede elétrica, permitindo que o próprio usuário – e naturalmente sua concessionária – monitore quanto está consumindo cada um de seus aparelhos eletroeletrônicos. Os especialistas acreditam que, uma vez implantado um medidor como esse, a tendência de cada família é fazer um controle mais constante de sua conta de energia. E, consequentemente, sentir-se atraída a adotar novas tecnologias que ajudem a diminuir o consumo, como paineis solares e sensores que regulam automaticamente as luzes, o ar-condicionado e os sistemas de aquecimento central conforme as necessidades da casa.

Apesar da citação na pesquisa, não me consta que haja no Brasil grandes esforços para adotar o conceito Smart Grid. No início do mês, aconteceu em São Paulo um evento para discutir o assunto (o Smart Grid Forum), mas as pesquisas indicam que a maioria das pessoas sequer sabe do que se trata (veja esta). Um estudo do CPqD fornece bons elementos para se elaborar um plano de gerenciamento inteligente da energia consumida. Mas, no evento, o secretário do Ministério de Minas e Energia, Ildo Grudtner, limitou-se a dizer que há estudos a respeito, e que estes não podem ser divulgados!!!

Não há, portanto, uma política governamental para o segmento – como, aliás, não há praticamente para nada no setor de tecnologia. Será que vamos ficar para trás, mais uma vez?

Um tipo diferente de tablet

Meu colega Ricardo Marques ficou empolgado esta semana, ao ver uma demonstração do novo tablet Xoom 2 Media Edition, da Motorola, que está sendo lançado no Brasil. Estamos aguardando um exemplar para teste, mas, independente disso, é legal quando um fabricante, seja quem for, avança na ousadia para fugir da mesmice. Além dos recursos convencionais dos tablets, o aparelho tem algo de que sempre senti falta: proteção contra água. Comunica-se via Bluetooth, mas possui também um sensor de infravermelho que permite transformá-lo facilmente num substituto para qualquer controle remoto. Vejam aqui o vídeo.

Políticos, fora da TV!

Em princípio, devemos desconfiar de tudo que vem dos políticos. Na maioria dos casos, há alguma intenção suspeita por trás de todo projeto que esses senhores nos apresentam. Mas, talvez como exceção que confirma a regra, aqui está uma iniciativa que merece elogios e apoio: o PSOL entrou no Supremo Tribunal federal com uma ADPF (Ação por Descumprimento de Preceito Fundamental), considerando inconstitucional a concessão de canais de rádio e televisão a políticos. Isso mesmo: o partido diz, em seu pedido, que o controle das emissoras por parlamentares “viola direitos fundamentais”, incluindo os princípios de “isonomia, isenção e independência dos membros do Poder Legislativo”.

Li no site Tela Viva que o PSOL apresentou ao Supremo uma lista de parlamentares que são sócios de emissoras, num total de 52 deputados e 18 senadores, além de 147 prefeitos proprietários e nada menos do que 1.106 rádios comunitárias com vinculação política (os dados são de 2006, ou seja, os números devem ser mais altos). O presidente do partido, Ivan Valente, não poderia ser mais claro ao falar da violação da Constituição nesses casos:

“Trata-se de uma intervenção daqueles que exercem o poder estatal nos meios de comunicação de massa, e que assim podem limitar ou determinar, de acordo com seus interesses, a divulgação de informações e opiniões. Isso não apenas favorece esses políticos e seus partidos no momento da eleição como permite, num claro conflito de interesses, que os parlamentares usem o poder da radiodifusão para legislar em causa própria. É algo que fere brutalmente a democracia”.

De fato, a questão do tráfico de influência política nas concessões de rádio e TV é uma das pragas mais antigas que assolam o Brasil. Esta semana, o colega Eugenio Bucci, em artigo no Estadão, pôs o dedo diretamente na ferida, ao questionar por que não se discute abertamente esse assunto, que tem tudo a ver com democracia. É algo bem diferente da censura que alguns querem de volta; é abrir essa caixa preta que encobre as relações entre emissoras e os poderosos de plantão, com os pobres mortais aqui pagando a conta.

Quem sabe agora, na era das redes sociais, consigamos debater e mudar essa situação.

TV paga e o receptor genérico

Certas ideias surgem como uma espécie de nirvana, a salvação para todos os problemas. Depois, vê-se que não é bem assim… Parece ser o caso dessa proposta da Anatel de criar o receptor genérico de TV por assinatura. A intenção soa das mais nobres: criar um sistema semelhante ao da portabilidade numérica, que hoje vale para a telefonia. Cada usuário seria “dono” de seu próprio decoder e poderia trocar de operadora quando bem entendesse. Os aparelhos seriam vendidos à vontade no mercado, cabendo à prestadora de serviço fazer a conexão nos moldes contratados pelo assinante.

Muito bonito, não? Bem, só até a segunda página. A proposta faz parte da nova Lei da TV Paga, tecnicamente chamada Serviço de Acesso Condicionado (SeAC), que já comentamos aqui. A Anatel decidiu incluir a ideia na regulamentação da lei, que tem prazo para entrar em vigor no dia 9 de março de 2012. É uma ideia que não vingou até hoje em nenhum país importante, e por um motivo básico: o receptor é parte integrante do serviço de TV por assinatura e, como tal, precisa ser fornecido pela operadora, que é responsável pela sua qualidade e desempenho. OK, nem todas as operadoras cuidam bem desse, digamos, detalhe. Mas é assim que deve ser. Há até aquelas que fornecem o aparelho “de graça”, quando se sabe que, na prática, o custo está embutido na mensalidade paga pelo assinante. Mas esse é outro problema.

O fato é que, se cada um puder comprar seu receptor na esquina, o mercado tende a ficar mais confuso do que já está. Primeiro: você é assinante de TV a cabo ou via satélite? Net, Embratel, Sky ou TVA? Dependendo do serviço, precisa de um tipo diferente de decoder, especificado e instalado pela sua operadora, a quem você está pagando. Se comprar em qualquer loja, como ter certeza dessas especificações? E quando houver problema técnico, a quem recorrer? É bem provável que a atendente da operadora responda algo como: “O senhor precisa estar verificando se o seu receptor não pode estar apresentando falha técnica”. Quem dará a garantia de funcionamento do aparelho? A loja onde você o comprou? E se você comprou no camelô mais chegado? Ou trouxe de uma viagem a Miami?

Bem, esses são apenas alguns pontos que podem gerar mal-entendidos e queda na qualidade do serviço. Imagine se receptor falhar na hora da decisão do campeonato… Incrível que os senhores conselheiros da Anatel aceitem uma ideia dessas sem maiores questionamentos. E não saibam que TV por assinatura é coisa bem diferente de telefonia, pretendendo tratar os dois serviços como semelhantes. Existem aspectos bem mais importantes a serem tratados, como a questão da compressão do sinal. Única solução: como a regulamentação da nova lei entra agora em consulta pública, que os próprios usuários percebam essa “roubada” e opinem contra.

Destruindo reputações

Quando o mercado cisma que uma empresa está condenada, é praticamente impossível evitar o triste desfecho. Já aconteceu várias vezes na história do capitalismo, que não costuma perdoar erros de avaliação e/ou de estratégia. Vejam o que está acontecendo com a RIM (Research in Motion), criadora do Blackberry, um dos maiores êxitos da indústria eletrônica nos últimos anos. Durante bom tempo, antes do surgimento do iPhone, os usuários do Blackberry ostentavam seu aparelho em grande estilo, especialmente devido a sua interface inovadora. Nos últimos anos, não só o celular da RIM perdeu seu charme, mas a própria empresa viu despencar os lucros e – pior ainda – sua imagem perante o mercado.

Em reportagem da semana passada, The Wall Street Journal foi cruel ao descrever a situação atual da empresa, sob o título “Research in Demotion” – trocadilho nada enobrecedor. Segundo o texto, acionistas vêm se queixando abertamente da queda no valor das ações (74% só este ano). Lembra o jornal que o histórico recente dos fabricantes de celular não permite muito otimismo: Palm, Motorola e Nokia (as duas últimas líderes mundiais em determinado momento) só foram salvas pela fusão ou associação com grupos maiores – respectivamente, HP, Google e Microsoft. Em 2010, a RIM tinha 15% de market-share; agora, possui apenas 10%, e com tendência para baixo. Além disso, o fracasso do tablet Playbook – um dos primeiros concorrentes do iPad – e a demora em atualizar o sistema operacional do Blackberry, sufocado por Android e iOS, foram considerados pelos especialistas como erros estratégicos fatais.

A culpa é jogada nas costas dos dois executivos que dividem a função de CEO da empresa, Mike Lazaridis e Jim Balsillie. É um caso raro de grande empresa que não consegue escolher um indivíduo como seu líder principal (precisa de dois, que pelo jeito não dão conta da tarefa). Oficialmente, cada um deles recebe apenas salário simbólico (1 dólar cada) – além, é claro, de possuírem ações -, o que em certo momento chegou a ser considerado um gesto corajoso e solidário. Ontem, um colunista do site especializado ZD Net pediu abertamente a queda de ambos: “Em vez de coragem, esse gesto demonstra cinismo. Pelos resultados apresentados, Lazaridis e Balsillie valem hoje exatamente 1 dólar cada. E estão muito bem pagos”.

 

Falando em iPad…

Pois é, falando na Apple e na Foxconn, não custa perguntar: onde anda mesmo o ministro Aloizio Mercadante, que anunciou o lançamento do iPhone “made in Brazil” em dezembro?

Apple vai atrás do Kinect

Comentamos aqui outro dia sobre o uso do Kinect, acessório do videogame Xbox 360, em várias atividades. Não à tôa, a Apple acaba de registrar nos EUA um pedido de patente para algo semelhante. O site Unwiredview revela que o dispositivo registrado como “three dimensional imaging and display system” seria um controle à base de laser, para telas 3D, com sensor de movimentos de alta velocidade, capaz de converter gestos em sinais eletrônicos e daí em informações na tela.

Encontrei a notícia ontem quase ao mesmo tempo em que li o mais novo boato sobre o iPad 3. Segundo o site Digitimes, que cobre o mercado asiático de tecnologia, o lançamento acontecerá em março ou abril, e os fornecedores da Apple, todos na China, Taiwan e Japão, já estão se mobilizando para produzir os componentes especificados (também começaram a reduzir a produção de peças para o iPad 2, que será descontinuado). O site dá até números: neste último trimestre, estão saindo das fábricas entre 14 e 15 milhões de unidades do iPad2, totalizando cerca de 40 milhões durante todo o ano; no primeiro trimestre de 2012, essa quantidade irá cair para 4 a 5 milhões. A Foxconn, montadora responsável, começa a produzir o iPad 3 em janeiro. Serão 9,5 a 9,8 milhões de unidades nos primeiros três meses do ano.

Como será o aparelho? Essa é a pergunta que dez entre dez especialistas do mundo estão se fazendo. As principais apostas até agora:

*Tela de LED 3D

*2 câmeras, sendo uma de alta definição

*Processador Intel i7

*Saída HDMI

*Conexão 4G

*Bateria de 12 horas

Será sonhar demais? Em tempo, este site é um dos especializados – acreditem – em boatos sobre iPad.

 

Longa-metragem no smartphone

O filme Olive, que está sendo lançado nos EUA, entra para a História como o primeiro todo produzido com um smartphone. O cineasta Hooman Khalili, de origem iraniana, utilizou um Nokia N8, adaptado a uma lente especial 35mm, para rodar a trama envolvendo uma garota muda e três pessoas que são afetadas por ela. Estrelado pela veterana Gena Rowlands, o filme custou US$ 300 mil. Empolgado, Khalili fala até em Oscar!!! Mais detalhes aqui.

TVs (des)conectados

Um evento promovido pela CEA (Consumer Electronics Association) no mês passado na cidade de San Diego, Califórnia, reuniu representantes de várias empresas para discutir o segmento de Smart TVs. A pergunta que deu início aos debates foi: “Por que os TVs conectados não se conectam?”

Como já comentamos aqui, esse é um setor em franca expansão no mundo inteiro, inclusive no Brasil. É árdua a disputa entre os fabricantes para colocar mais e mais aplicativos nas telas de seus TVs. E há muitos desenvolvedores trabalhando nisso. Presente ao evento, a repórter Julie Jacobson, do site CE Pro, relatou que os participantes concordaram num ponto: a interface ainda é muito complicada para o usuário leigo. “É muito mais fácil acessar os mesmos apps num iPhone do que num TV desses”, comentou Peter Redford, da empresa iLook, desenvolvedora de aplicativos.

Houve uma queixa geral contra o excesso de ícones e de procedimentos que o usuário precisa fazer para abrir um simples site em seu TV. A certa altura, alguém perguntou por que os fabricantes não se unem e estabelecem um padrão único de aplicativos (como faz a Apple, por exemplo), para facilitar as coisas. A resposta foi: esse padrão já existe. Trata-se do nosso conhecido DLNA (Digital Living Network Alliance), que foi criado anos atrás justamente para permitir a integração mais fácil entre os aparelhos. Computadores, celulares, câmeras, videogames e outros itens já são usados em redes domésticas através desse protocolo, sem maiores dificuldades. Já no caso dos TVs, embora muitos também sejam compatíveis, a conexão não é tão simples… foi o que disseram os especialistas presentes.

Na verdade, está em andamento um esforço de padronização, iniciado por três fabricantes (Philips, LG e Sharp), mas parece que nem todos os fabricantes querem aderir. Por que será? Redford acha que certas empresas dificultam, de propósito, o uso do padrão DLNA (que é gratuito) para obrigar os usuários a comprar conteúdos pagos. Também presente ao encontro, o vice-presidente da LG nos EUA, Nandu Nandhakumar, rechaçou na hora: “Alguns fabricantes fazem pequenos ajustes no código do DLNA”, disse ele, explicando que, no caso da LG, o motivo é evitar queixas infundadas dos consumidores. Por esse raciocínio, um problema na rede DLNA pode ser causado por qualquer um dos aparelhos conectados. Mas o usuário sempre irá achar que o defeito é do TV.

No final, todos concordaram. E ninguém apresentou nenhuma solução.

O espelho das notícias

Pode não ser esse o futuro do jornalismo, mas não deixa de despertar certa curiosidade sobre como iremos, daqui a alguns anos, receber as informações que desabam sobre nossas cabeças todos os dias. The New York Times, ainda o jornal mais influente do mundo, mostrou esta semana um projeto experimental desenvolvido pelo NYT Labs, seu laboratório de pesquisas sobre novas mídias. Chamado a princípio de Reveal, trata-se de um espelho (foto) cuja superfície semi-reflexiva é capaz de reconhecer o usuário e obedecer a seus comandos por voz ou gestos.

Deixando claro que se trata de um projeto ainda em desenvolvimento, o site do NYT Labs explica – e o vídeo mostra – que o espelho usa tecnologia de reconhecimento para armazenar dados sobre a pessoa, que pode “solicitá-los” a qualquer momento (informações sobre sua saúde, por exemplo). Acoplado a um Kinect, acessório da Microsoft que permite comunicação por gestos, o espelho responde a comandos visuais fornecendo notícias do dia, previsão do tempo e até mensagens enviadas por outras pessoas. Utiliza ainda a tecnologia RFID (Radio-Frequency Identification) para se comunicar com outros aparelhos e objetos. Exemplos: encostando o celular no espelho, pode-se transferir um artigo para ser lido depois; aproximando um frasco de remédio, o espelho indica que tipo de medicamento é aquele e para que serve.

Num mundo assolado pela overdose de informação, experiências como essa apontam um caminho para a simplificação – não há botões para apertar, nem códigos ou senhas para decorar. Tudo é interativo. E, como já dizia Steve Jobs, a beleza está na simplicidade.

Para quem não está muito familiarizado com a tecnologia RFID, este vídeo pode ser muito útil. E, para saber mais a respeito, lembro que em outubro houve em Búzios (RJ) um importante congresso, cujas conclusões estão aqui. É fascinante identificar as possibilidades que nos aguardam.

Saúde também é negócio

Em conversa com profissionais do mercado esta semana, surgiu o tema: como a tecnologia pode ajudar nos cuidados com a saúde. Todos sabemos como a medicina vem evoluindo, e a existência de bons hospitais no Brasil, especialmente em São Paulo, é prova disso. Mas a conversa era outra. Nos últimos dois ou três anos, cresceu incrivelmente a oferta de soluções tecnológicas, de baixo custo, para quem precisa cuidar da saúde. E muitas dessas soluções podem (devem) ser associadas com os sistemas eletrônicos de entretenimento que as pessoas já conhecem.

Na semana que vem, um webinar sob o título Connecting in Uncertainty (“conectando-se na incerteza”) irá discutir as tendências do mercado conhecido genericamente como eHealth, que engloba justamente esses novos recursos. Nos EUA e na Europa, esse é um segmento emergente, puxado por dois fatores irreversíveis: as pessoas estão vivendo mais tempo e as tecnologias estão ficando mais baratas e, portanto, acessíveis. Viver mais não significa necessariamente viver melhor, como sabe qualquer pessoa que tenha um parente idoso exigindo cuidados especiais. Investir em recursos para facilitar esses cuidados passa a ser natural para quem monta, por exemplo, um home theater ou um sistema de automação.

Com dez anos de existência, uma entidade chamada eHealth Initiativepromove esse mercado nos EUA com a ajuda de fabricantes voltados aos cuidados com a saúde, como Johnson & Johnson, Philips, Siemens e diversos laboratórios farmacêuticos. Em janeiro, durante a CES 2012, haverá um grande painel sobre o tema PERS (Personal Emergency Response Service), que representa uma grande oportunidade de negócio para profissionais de tecnologia. E o site CE Pro mostra, nesta reportagem, como algumas empresas do ramo já estão faturando alto ao oferecer essas soluções a seus clientes residenciais.

Enfim, para quem quer descobrir novas oportunidades profissionais, aí está uma delas.

A nova força do Nordeste

Reportagem de hoje no jornal Valor Econômico mostra como a nova classe média nordestina está aderindo à TV por assinatura. O fenômeno merece ser analisado com carinho. Enquanto a média nacional de crescimento está na faixa dos 30%, da Bahia ao Maranhão o número de assinantes aumenta em torno de 50%!!! Claro, os números impressionam, mas é preciso lembrar que até outro dia pouca gente na região tinha acesso à TV paga, daí por que o crescimento é tão mais alto.

Com mais de 53 milhões de habitantes, o Nordeste é a segunda região mais populosa do país, mas possui apenas 906 mil domicílios com TV por assinatura (de cada 100 famílias, somente oito são atendidas por alguma operadora, quando no Sudeste a média é de 29 assinantes para cada 100 residências). Ou seja, há um potencial de crescimento enorme. Não por acaso, a Net prepara-se para iniciar atividades na região, após investir pesado em redes de fibra óptica. Se conseguir chegar antes das teles, com certeza vai fazer crescer muito mais o mercado. Suas maiores concorrentes serão Via Embratel e Sky, que já oferecem o serviço via satélite.

 

3D sem óculos: promessa cumprida

Os consumidores japoneses começam neste fim de semana a ver nas lojas alguns exemplares do primeiro TV 3D sem óculos de tela grande (55 polegadas). Como havia prometido na IFA, em setembro, a Toshiba está entregando a novidade (foto) a seus principais revendedores locais, com preço sugerido de 900 mil iênes, o equivalente a cerca de US$ 11.500. Sem dúvida, é um grande lançamento, talvez o mais aguardado do ano na área de TVs.

Mas dificilmente terá boas vendas, e não apenas por causa do preço. Acontece que o fabricante foi obrigado a fazer algumas modificações no projeto, sendo a mais importante delas na resolução de imagem. Embora tenha especificação Quad-Full-HD (3840 x 2.160 pixels), equivalente a quatro vezes a dos TVs Full-HD atuais, a reprodução em 3D não será tudo isso. O 55X3 utiliza projeção tridimensional a partir de tela lenticular, que distribui o sinal em várias direções, permitindo a até nove pessoas enxergarem imagens 3D sem necessidade de óculos. Mas, para fazer isso, corta a resolução para 720p (vejam aqui o vídeo que fizemos na IFA). A Toshiba garante que as imagens 2D podem ser vistas na plenitude (4K), mas aí vem o problema da falta de conteúdo: não existem gravações desse tipo, por enquanto.

De qualquer forma, esse TV inaugura uma nova geração de aparelhos, que provavelmente ganhará seguidores nos próximos meses. Com certeza, veremos alguns deles na CES, em janeiro. É o primeiro que utiliza o chip CEVO, patente da própria Toshiba, da mesma família dos processadores que equipam o PlayStation 3. Pelo que nos foi dito na IFA, esse chip é muito mais avançado que os atuais, podendo executar todas as funções exigidas dos TVs do tipo Smart, incluindo acesso à internet, recepção simultânea de várias fontes de sinal e até autocalibragem de acordo com o ambiente.

Reinventando a História

Volta e meia algum burocrata do governo, ou empresário com segundas intenções, aparece na mídia com a velha ladainha da defesa da “soberania nacional”. Tenho arrepios ao ouvir ou ler essa expressão, que me remete aos nada saudosos tempos da ditadura militar, quando tudo (e mais um pouco) era feito em nome dessa entidade misteriosa. O que é, afinal, soberania nacional? Como discutir esse assunto a sério num país que mantém, praticamente intocada, a célebre Ponte da Amizade, na fronteira com o Paraguai, por onde transitam livremente milhares de contrabandistas todos os dias? E favelas recheadas de armas que entram no país pelos mais variados meios?

Pois bem, está no ar mais uma briga política em torno do conceito de “produto nacional”. É incrível, mas a norma em vigor – expressa na portaria 950 do Ministério de Ciência e Tecnologia, de dezembro de 2006 – define como tal, no caso de artigos de informática e automação, o produto cujas especificações, projetos e desenvolvimentos tenham sido realizados no País, por técnicos de comprovado conhecimento em tais atividades, residentes e domiciliados no Brasil. Ou seja, se um cientista alemão ou japonês projetou, não vale – ainda que tenha sido efetivamente fabricado em território brasileiro…

A lebre foi levantada pela sueca Ericsson, uma das maiores empresas do mundo, impedida de participar de concorrências para fornecer equipamentos ao governo brasileiro. O Ministério das Comunicações quer mudar o texto da lei, pelo seu claro anacronismo, mas o Ministério de Ciência e Tecnologia é contra (os detalhes da disputa estão explicados aqui). O secretário do MCT, Virgilio Almeida, não vê necessidade da mudança, a não ser para definir mais claramente quais as empresas que podem ser consideradas como desenvolvedoras de tecnologia.

Claro que a questão não se resume às compras do governo. Por trás dessa disputa, há um forte lobby de empresários nacionais acostumados a ganhar todas as licitações públicas no setor eletroeletrônico e a pressionar por alterações na legislação conforme seus interesses oportunistas. Chama atenção que em nenhum momento o secretário, ou qualquer outro membro do governo, menciona a questão da qualidade dos produtos. Parece um detalhe secundário. Importante, segundo ele, é gerar patentes nacionais.

Em plena era global, com as empresas criando centros de pesquisa e desenvolvimento em vários países, muitos deles inclusive com técnicos brasileiros, esse tipo de discussão tem o cheiro daquela outra, do primeiro parágrafo. Cheiro de mofo.

 

Comprou, pagou… e não recebeu!

Comentamos aqui outro dia sobre os problemas no setor de comércio eletrônico, especialmente nos sites de compras coletivas. Evidentemente, há muitas empresas sérias nesse segmento. Mas, depois de ler hoje o blog da colega Elis Monteiro, fico com a sensação de que estamos todos sendo feitos de palhaços… O tal custo Brasil é muito, muito mais alto do que se pensa.

Elis conta em detalhes histórias de pessoas, inclusive ela própria, que fizeram compras de artigos eletrônicos (alguns bem caros) pela internet e simplesmente receberam caixas vazias! Ou enviaram produtos via Sedex e os destinatários tiveram o mesmo tipo de surpresa desagradável. Problemas como esses são mais comuns quando vai se aproximando o Natal; fatalmente aumenta o volume de trabalho nas transportadoras e nos Correios, e todos acabam relaxando seus controles. Mas, vamos combinar: jamais poderia ser assim! Após perceber que foi vítima, o consumidor se desespera mais ainda quando descobre que não tem a quem reclamar, pois as empresas envolvidas (loja, transportadora etc.) agem como se nada tivessem a ver com o caso.

É exatamente essa a postura da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos), em pleno século 21. Em seu site, o campo FALE CONOSCO simplesmente não dá qualquer resposta!!! Para quê um site, então? Da próxima vez que você vir aqueles anúncios alegres e coloridos do Sedex, está autorizado a trocar de canal.

Os leitores provavelmente têm histórias tão ou mais cabeludas para contar. E devem saber que tudo isso é feito com o nosso dinheiro, do contribuinte. Até quando vamos continuar sendo palhaços?