Archive | janeiro, 2012

Ancine mostra suas garras

Não tenho bola de cristal, mas meu palpite é que, se ninguém fizer nada, esse pessoal que assumiu o comando da Ancine ainda vai destruir o mercado brasileiro de TV por assinatura. “Destruir” talvez seja exagero, mas que vão tornar tudo mais complicado, isso vão… Em mais um trabalho excepcional de apuração e análise, o jornalista Samuel Possebon, do site Tela Viva, compilou o que há de mais importante na primeira Instrução Normativa divulgada pela Agência para regulamentar a nova lei da TV paga (o nome técnico é SeAC: Serviço de Acesso Condicionado). É uma tal coleção de impropriedades que fica difícil acreditar que pode ser transformada em lei – basta que ninguém se manifeste contra durante a consulta pública aberta no último dia 19 e que deve durar até 3 de março.

O texto na íntegra pode ser lido aqui, mas vou poupar o leitor. Alguns trechos já devem assustar o bastante. Com carta branca da presidente Dilma Roussef e do ministro das Comunicações, a Ancine não deixa pedra sobre pedra. São 59 artigos que cobrem praticamente todas as empresas do setor de TV por assinatura (não sei por que não incluíram também as revistas e sites que tratam do assunto…). É bom lembrar que, originalmente, a Ancine (Agência Nacional de Cinema e Audiovisual) foi criada para fiscalizar a produção de conteúdo. Com o novo texto, investe até sobre as operadoras, o que não é pouca coisa. Deixa, com isso, a Anatel falando sozinha.

Os senhores conselheiros redefinem, por exemplo, o conceito de “produção independente” para fins de TV paga. Agora, não basta que você tenha uma produtora pequena ou média e crie seus produtos por iniciativa e risco próprios; se for levado ao ar, digamos, por um dos canais Globosat, deixa de ser considerado independente e usufruir dos benefícios que a legislação concede a esse tipo de produto. Também redefinem o conceito de “emissora pública”, ao estipular que só poderão ser incluídos nas famosas cotas para conteúdo nacional os canais comerciais. Por esse critério, a TV Brasil e a TV Cultura-SP, por exemplo, não seriam emissoras brasileiras!!!

Falando em cotas, a Ancine também deixa em aberto a possibilidade de “dispensar” uma programadora ou operadora de cumpri-las, dependendo de seu porte econômico, tempo de mercado, número de assinantes etc. Poderá ainda autorizar a “transferência de cotas” entre canais de uma mesma programadora, segundo uma série de critérios. E, por fim, coloca-se como “árbitra” caso haja conflitos comerciais entre operadoras e programadoras, o que, aliás, é muito comum no mercado (afinal, são negociações que envolvem milhões).

Não sei se os leitores percebem, mas em todos esses pontos transparece a intenção de controlar o mercado, como se este não pudesse tomar conta do próprio nariz. É a velha mania brasileira de criar dificuldades para vender facilidades, sabe-se lá a que preço. Já comentamos aqui os males que a nova lei da TV paga irá causar ao país, mas custa crer que se queira ir mais longe ainda. Com quase 13 milhões de assinantes, esse é um dos mercados mais dinâmicos do momento. Pelo jeito, tem gente querendo participar dessa festa sem ser convidado.

 

Tá reclamando de quê?

Por absoluta falta do que acrescentar, reproduzo aqui, na íntegra, mensagem recebida de uma amiga. Diz tudo, e mais um pouco. Confiram:

 

 Reclamando do Lula? do Serra? da Dilma? do Arrruda? do Sarney? do Collor? do Renan? do Palocci?  do Delubio? Da Roseanne Sarney? Dos politicos distritais de Brasilia? do Jucá? do Kassab? dos mais de 300 picaretas do Congresso?

Brasileiro reclama de quê?

O Brasileiro é assim:

A- Coloca nome em trabalho que não fez.

B- Coloca nome de colega que faltou em lista de presença.

C- Paga para alguém fazer seus trabalhos.

1. – Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.

2. – Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.

3. – Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.

4. – Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, e até dentadura.

5. – Fala no celular enquanto dirige.

6. – Usa o telefone da empresa onde trabalha para ligar para o celular dos amigos (me dá um toque que eu retorno…) – assim o amigo não gasta nada.

7. – Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.

8. – Para em filas duplas, triplas, em frente às escolas.

9. – Viola a lei do silêncio.

10. – Dirige após consumir bebida alcoólica.

11. –Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.

12. – Espalha churrasqueira, mesas, nas calçadas.

13. – Pega atestado médico sem estar doente, só para faltar ao trabalho.

14. – Faz gato de luz, de água e de tv a cabo.

15. –Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.

16. – Compra recibo para abater na declaração de renda para pagar menos imposto.

17. –Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.

18. –Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10, pede nota fiscal de 20.

19. – Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.

20. – Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.

21.. – Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se
fosse pouco rodado.

22. – Compra produtos piratas com a plena consciência de que são piratas.

23. – Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.

24. – Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.

25. – Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.

26. – Frequenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho.

27. – Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos, como clipes, envelopes, canetas, lápis… como se isso não fosse roubo.

28. – Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.

29. – Falsifica tudo, tudo mesmo… só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado.

30. – Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.

31. – Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.

E quer que os políticos sejam honestos….

Escandaliza-se com o mensalão, o dinheiro na cueca, a farra  das passagens aéreas…

Esses políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo, ou não?

Brasileiro reclama de quê, afinal?

Então sugiro adotarmos uma mudança de comportamento, começando por nós mesmos, onde for necessário!

Vamos dar o bom exemplo!

Espalhe essa idéia!

“Fala-se tanto da necessidade deixar um planeta melhor para os nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores (educados, honestos, dignos, éticos, responsáveis) para o nosso planeta, através dos nossos exemplos….”


OLED chega em julho

Antecipando-se a todos os prognósticos, a LG Electronics anunciou na última sexta-feira, em Seul, que seu TV OLED de 55 polegadas – o mesmo que vimos na CES (foto) – começa a ser vendido nos principais mercados internacionais em julho. Segundo o site especializado OLED-Display, a empresa já tem condições de produzir 48 mil TVs desse tipo por mês e sua fábrica deve estar a todo vapor em meados do ano que vem.

O modelo prometido, que deslumbrou os visitantes da Feira em Las Vegas, tem 4mm de espessura, reproduz imagens 3D em Full-HD e apresenta tempo de resposta de 0,02 milisegundos (contra 2ms dos modelos LED-LCD atuais). Utiliza uma nova geração de processadores para pixels 4-Color, plataforma semelhante aos Quad-Color da Sharp, em que cada pixel trabalha com as três cores primárias (verde, azul e vermelho) mais o branco, realçando a nitidez das imagens. Segundo as especificações divulgadas pela LG, o aparelho pesa inacreditáveis 7,5kg! Ainda não foi divulgado o preço, mas com certeza será bem mais caro que um plasma ou LED do mesmo tamanho.

Para a LG, esse é um projeto particularmente importante. Desde que adquiriu, em 2009, a divisão de painéis OLED da hoje semifalida Kodak, a empresa coreana vem investindo pesado nessa tecnologia – ao contrário da Sony, por exemplo, que desistiu. Sabe-se que a Samsung também está em vias de lançar o seu TV OLED de tela grande, ela que é líder no segmento de telas desse tipo para celulares; seu modelo exibido na CES também foi um sucesso! Mas é a LG quem fornece, por exemplo, para a Apple.

 

 

Banda larga: pagando pra ver

O site Observatório da Imprensa, ligado à TV Brasil, fez na semana passada um interessante levantamento sobre a decisão do governo de conceder isenções fiscais às operadoras de banda larga. Sob a promessa de investir em infraestrutura de redes, as empresas ganharão reduções significativas no IPI, PIS e Cofins; há até a ideia de “zerar” a tributação para a construção de torres e dutos usados nas redes de fibra óptica. A proposta foi feita pelo Ministério das Comunicações e depende agora de aprovação da Casa Civil; talvez até seja encaixada numa medida provisória, o que teoricamente agilizaria sua implantação.

O governo tem pressa, nesse caso, por causa da Copa de 2014, cujo sucesso depende fundamentalmente de uma boa estrutura de redes conectadas. Com a demora na evolução do Programa Nacional de Banda Larga (aprovado em julho de 2010 pelo ex-presidente Lula e até agora com zero quilômetro de linhas instaladas), o assunto virou prioridade absoluta. Às pressas, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, costurou acordo com as operadoras para que estas se encarreguem daquilo que, a princípio, caberia à Telebrás – só mesmo na cabeça de Lula e de seus iluminados assessores fazia sentido a ideia de que a estatal daria conta da tarefa, como, aliás, comentamos aqui diversas vezes.

O texto publicado no site deixa claro que esse acordo desagradou setores do governo, inconformados pelo fato de Dilma ter dado marcha à ré no projeto de Lula. Muitos estavam de olho nos inúmeros cargos que poderiam ser criados com a revitalização da Telebrás. Mas, depois da denúncia levantada pelo Tribunal de Contas da União, de irregularidades já nas primeiras licitações promovidas pela empresa, ficou difícil manter aquela ideia estapafúrdia.

De concreto, o que temos agora é que as teles estão, como se previa, com a faca e o queijo na mão para conduzir a banda larga no ritmo que lhes for mais conveniente. A isenção proposta agora pelo governo pode ajudar, mas não resolve o problema. Além de criar novas redes pelo país afora, é preciso melhorar a performance da rede atual, cujos usuários continuam sofrendo com quedas de sinal e lentidão acima do tolerável. Mais sensato seria destinar os bilhões acumulados pelos fundos de telecomunicações e orientar os investimentos de acordo com a política do governo. A questão é que essa política simplesmente não existe.

Licença para dirigir (e conectar)

Não tive muita chance de comentar aqui um dos fenômenos mais interessantes que vimos na CES, no início de janeiro: a nova geração de automóveis, que estão sendo chamados de “carros conectados“. Assim como os TVs estão ganhando inúmeros aplicativos, os novos modelos desenvolvidos pelas principais montadoras agora podem sair de fábrica com uma série de funções que anos atrás pareceriam “coisa dos Jetsons”.

O assunto é polêmico. Ao mesmo tempo em que soa fascinante dirigir um carro que pode se comunicar com outro em pleno trânsito (sim, já existe!), especialistas advertem para o perigo que vem embutido em certas inovações. A revista americana Consumer Reports, eterna defensora dos direitos do consumidor, alertou no final do ano passado que os fabricantes não podem colocar a tecnologia acima da segurança do motorista. E citou vários exemplos de itens prometidos pelos fabricantes que podem, de fato, distrair quem está dirigindo (navegar pelo Facebook é só um deles).

Mas a maioria dos usuários dificilmente irá resistir quando lhe for oferecido um carro que, por exemplo, traz no painel um display 3D onde é possível abrir telas do Google Maps ou do Street View, como é o caso deste Audi da foto acima, exibido na CES. As montadoras apostam no apelo de recursos como o mbrace2, da Mercedes Benz, que adapta aplicativos dos smartphones para o painel do veículo, permitindo transferir facilmente os arquivos (imagine fazer isso dirigindo numa avenida movimentada…). Este vídeo produzido pela montadora alemã ilustra bem o conceito, embora seja particularmente infeliz ao mostrar como o motorista pode encontrar uma cervejaria (!) pelo painel.

A americana Ford, primeira a investir nos carros conectados, ainda em 2007, exibiu na CES os avanços de sua plataforma Sync, desenvolvida em conjunto com a Microsoft, na qual o usuário aciona os comandos do carro pela voz e, se quiser, pode jogar todas as músicas guardadas no seu iPhone para a “rede” instalada no veículo. Aqui, uma entrevista com o presidente da Ford falando a respeito.

E já temos também o “carro que anda sozinho”, ou quase isso. A novidade é da BMW e pode ser conferida neste outro vídeo. Acionando um determinado botão, você deixa que o veículo siga em frente numa velocidade máxima pré-programada, evitando obstáculos e até mesmo obedecendo a sinalização local, enquanto o motorista, se quiser, pode falar ao telefone ou até, quem sabe, escrever emails. Maravilha, não? Por enquanto, trata-se apenas de um protótipo. Mas, pelo vídeo, percebe-se que o tal carrinho é mais inteligente do que muito motorista por aí.

 

Como fica o mercado de TVs

Acaba de ser divulgada a mais recente pesquisa da Futuresource, empresa britânica que periodicamente analisa as tendências da indústria eletrônica em todo o mundo. Seu principal veredicto é que, no máximo em dois anos, 80% de todos os televisores serão do tipo Smart (em 2011, foram 27%). No Japão, esse número já é de 59%; no Brasil, a estimativa é que alcançaremos 40% ao final deste ano.

Dizem os pesquisadores que só agora os usuários começam a entender, de fato, os benefícios de ter um TV conectado à internet, e que isso é particularmente atraente para pessoas que não estão familiarizadas com computadores (a maioria). Com os fabricantes acrescentando conectores Wi-Fi a 60% dos TVs a partir de 32 polegadas, é apenas questão de tempo para mais consumidores adquirirem o hábito.

Mais alguns dados da pesquisa que merecem análise. TVs LCD com painel de leds tomarão conta de 90% do mercado mundial até 2015, quando começarão a sofrer a concorrência dos OLEDs. Já os TVs 3D, que representaram cerca de 7% das vendas no ano passado, devem chegar a 50% daqui a três anos. Um dos pontos interessantes que a pesquisa identificou (aliás, como comentamos aqui algumas vezes): na maioria dos países, os consumidores perceberam que vale a pena comprar um TV 3D ainda que não pretendam, de imediato, assistir a esse tipo de conteúdo. Para reproduzir imagens tridimensionais, os TVs precisam ser equipados com circuitos de processamento mais avançados. Com isso, a qualidade geral de seu desempenho é superior, justificando o preço mais alto.

Olhe aqui, compre lá…

Um problema que todo revendedor de eletrônicos (talvez também de outros produtos) já deve ter experimentado é o que os americanos chamam de “showrooming”. Cada vez mais pessoas vão às lojas físicas para ver os itens que querem comprar, pedem demonstrações e… depois fazem a compra pela internet. Como sabemos todos, nestes tempos virtuais nada mais cômodo do que digitar alguns números e receber o pedido em casa, um ou dois dias depois. É assim que trabalham as principais lojas online, economizando tempo do consumidor – e também seu dinheiro, principalmente nas grandes cidades, onde é cada vez mais alto o custo do deslocamento.

Não há dados confiáveis do mercado brasileiro, onde a maioria das redes varejistas é formada por empresas de capital fechado e, portanto, sem obrigação legal de divulgar seus números. Mas pode-se especular que o efeito do showrooming aqui seja tão maléfico quanto nos EUA. Segundo The Wall Street Journal, a crise econômica está fazendo os proprietários de lojas físicas repensarem muitos de seus conceitos. Um exemplo é a Target, com centenas de filiais espalhadas pelo país, que partiu para o desespero: está pedindo a seus fornecedores que ajudem a acabar com a mania dos consumidores, criando promoções e vantagens especiais para quem compra em loja física.

Números: em 2011, as vendas da rede em suas lojas subiram 4,1%, enquanto seu site aumentou o faturamento em 15%. Considerando uma receita anual na casa dos US$ 65 bilhões, pode-se imaginar o que isso representa. Outras redes – como Best Buy, Wal-Mart, Sears e Barnes & Noble – sofrem do mesmo problema. Mas é ilusão imaginar que os fabricantes de eletrônicos irão ajudar: seu maior cliente hoje chama-se Amazon.com, justamente a empresa que mais se beneficia do showrooming.

Na prática, todas as lojas físicas precisam encarar a realidade. “Cada vez mais o consumidor prefere comprar online”, diz Adrianne Shapira, analista do banco Goldman Sachs para o setor de varejo. “Você pode gostar ou não, mas essa é a realidade”. A própria Best Buy, mais rede varejista de eletrônicos do planeta, viu cair em 40% o valor de suas ações no ano passado, segundo a revista Forbes, que aposta inclusive no pior: daqui a alguns anos, a rede simplesmente deixará de existir.

Sim, nua e crua realidade. Não por acaso, a Best Buy fechou suas lojas na China e na Grã-Bretanha, e está desativando também as menos rentáveis nos EUA – outras estão sendo reduzidas em tamanho. É um caminho sem volta.

Energia do século passado

É ótimo descobrir que nem tudo no Brasil, na área de tecnologia, está no século passado. Na semana passada, o C.E.S.A.R., um dos centros de pesquisa mais atuantes do país, divulgou um projeto que, se bem aproveitado, pode revolucionar o setor de energia. Chama-se SIBMA (Sistema Brasileiro de Multimedição Avançada) e, na essência, permite fazer a medição automática do sinal elétrico enviado pela operadora a cada domicilio, sem necessidade de interferência humana.

Segundo os responsáveis, utiliza um protocolo aberto de comunicação e pode funcionar com qualquer medidor eletrônico. “É uma adaptação da arquitetura e tecnologias da web para o contexto de ambientes com maiores limitações de recursos computacionais e de comunicação”, diz Fabio Maia, gerente do projeto no C.E.S.A.R. Ou seja, uma possível solução para localidades, e até países, sem estrutura para implantar um controle confiável do consumo de energia.

Minha única ressalva, sem conhecer mais detalhes do projeto, é que se trata de algo inédito, pois, segundo Maia, “não há no mundo quem esteja usando uma arquitetura semelhante”. Difícil entender por que se tenta reinventar a roda quando existem tantas experiências bem sucedidas em outros países. Já tratamos do assunto em outras ocasiões, como aqui. Na verdade, não é tão difícil entender quando se leem notícias como esta, publicada no site Convergência Digital: “Fornecedores de Smart Grid cobram padrão do governo brasileiro”.

Diz o texto que, na semana passada, esteve em visita ao Brasil, Frank Hyldmar, presidente da ESMIG (entidade internacional que reúne fabricantes de medidores inteligentes de energia), que está tentando criar um movimento semelhante aqui. Passou quase despercebido. Há cerca de quatro anos ele tenta convencer autoridades brasileiras a impulsionar o setor; há dois, a Aneel (agência reguladora) divulgou um esboço, que ficou no papel; em agosto passado, foi aberta consulta pública a respeito, e até agora nada foi feito de concreto.

Hyldmar explica, com toda razão, que se houvesse no Brasil um órgão como a ESMIG teríamos fabricantes, operadoras, usuários e todos os envolvidos trabalhando na definição dos padrões necessários. Diz ele que, na Inglaterra, o governo deu às empresas um prazo de oito meses para isso. Claro, sem padrões definidos, de pouco adiante produzir os aparelhos ou implantar as redes. Quem quiser saber mais a respeito pode acessar este site, que já cuidado do assunto desde 2008.

Nada disso, porém, parece ser prioridade para um governo em que os órgãos responsáveis pela infraestrutura só servem para gerar empregos aos amigos e apadrinhados.

Internet: não dá para fugir

Mais de metade dos produtos lançados na última CES, duas semanas atrás, trazia algum tipo de conexão com a internet. É o que diz pesquisa da GSMA, associação internacional que representa as operadoras de comunicação móvel. Seus dados são incontestáveis: 90% dos TVs que vimos em Las Vegas, 30% das câmeras, 44% dos aparelhos usados em cuidados com a saúde e 70% dos recursos introduzidos em automóveis tinham ligação com o uso da internet.

Traduzindo: não há como escapar. Cada vez mais estaremos conectados, e os chamados Smart TVs – que permitem acesso direto à web, sem computador – são apenas a parte mais visível desse iceberg. O levantamento inclui todo tipo de gadget usado para os mais diversos passatempos, e ainda vai até a cozinha: o setor de eletrodomésticos pela primeira vez marcou presença na CES este ano, com refrigeradores e máquinas de lavar que também se conectam à internet!

Outros exemplos na mesma linha: cortina motorizada que pode ser aberta (ou fechada) remotamente, através de um aplicativo; aspirador de pó que você pode comandar também à distância, acompanhando seus movimentos pela tela do celular; tablets para uso debaixo d’agua, sem perder o contato com sua rede; e por aí vai. E há, claro, os automóveis. Segundo a GSMA, existem hoje rodando pelas ruas e estradas do mundo cerca de 1,8 bilhão de veículos, dos quais apenas 1% conseguem se conectar à internet (dados de 2011). Para 2020, a previsão é de que esse percentual subirá para 14%. Considerando que a frota mundial só tende a crescer, pode-se imaginar o tamanho desse mercado.

É o que alguns especialistas estão chamando, vagamente, de “internet das coisas”. De todas as coisas, enfim. Mais detalhes sobre o estudo, aqui.

Todo mundo com antivírus!!!

Boa iniciativa da colega Elis Monteiro e seu site TechTudo: uma campanha nacional (no caso, podemos dizer “viral”, sem trocadilho) para que todo mundo que usa a internet (e quem não usa?) mantenha seus antivírus atualizados. A ação está sendo encampada pelo Comitê para Democratização da Informática (CDI) e já conta até com um site de apoio, o Brasil sem Virus. Claro, o objetivo é combater essa praga virtual e, de quebra, ajudar a reduzir os crimes virtuais, modalidade em que nosso país, infelizmente, é um dos líderes mundiais. O movimento vai distribuir cerca de 2,5 milhões de antivírus. É pouco, diante da quantidade de computadores existentes, mas espera-se – é o mínimo – que cada usuário faça a sua parte, atualizando seus programas de proteção.

Ainda não se convenceu? Que tal esta informação: a cada 30 segundos, um hacker ataca um computador. Neste exato momento, pode ser o seu!

Obsoleto ou não: eis a questão!

Reportagem de Tatiana de Mello Dias, no Estadão desta segunda-feira, aborda o documentario franco-espanhol The Light Bulb Conspiracy (“A Conspiração da Lâmpada”), ainda inédito no Brasil, mas que pode ser visto aqui (duvido que seja lançado comercialmente). É uma bela aula sobre a industria da tecnologia, ou – como querem os críticos mais azedos do consumo – um “golpe no capitalismo ocidental”. Basicamente, o filme defende a tese de que a industria lança produtos descartaveis para obrigar as pessoas a continuarem comprando, indefinidamente, e assim perpetuar a roda-viva do consumo.

Já li e ouvi esse conceito algumas vezes e, realmente, merece uma ótima polêmica. Todo mundo um dia já teve um produto que parou de funcionar, não interessa o motivo, e na ocasião deve ter considerado a hipótese levantada pelo filme. O raciocinio é tão automático que chega a parecer primario: se meu TV deu defeito com apenas algumas semanas de uso, é porque o fabricante descuidou da qualidade ou, pior, fez de propósito para que eu trocasse por um novo. Nada mais sedutor do que descarregar toda a raiva daquele momento sobre a marca. E isso é feito rotineiramente, não só no Brasil, mas na maioria dos países – e quanto mais desenvolvido um povo, mais alto é o seu nivel de conscientização a respeito.

No filme, é citado como exemplo o caso da Apple, que já gastou fortunas em indenizações a consumidores cujos iPods deixaram de funcionar poucos meses após a compra. O documentario trata esse e outros como casos de “obsolescência programada” (planned obsolescence), acusando a Apple de ter produzido seu aparelho mais vendido até hoje “intencionalmente” para forçar a troca contínua.

O espaço aqui é curto (estou escrevendo um artigo a respeito), mas não quis deixar passar a oportunidade de chamar a atenção dos leitores para que, se puderem, assistam ao filme. Eis aí um tema que é importante discutir, com boas informações à mão, em vez de simplesmente sair xingando esta ou aquela empresa. Lembro que, anos atrás, cheguei a debater a questão com um executivo inglês. Segundo ele, acusar uma empresa de propositadamente prejudicar seus consumidores implica em achar que ela é comandada por imbecis. “Por que uma companhia gastaria milhões em marketing, telemarketing e cuidados com a sua imagem, se tudo isso pode ser simplesmente incinerado ao lançar um produto ruim?”

Sim, há abusos, e muitos, acrescento, especialmente num país como o Brasil, onde as leis de defesa do consumidor são desrespeitadas a todo momento, quando não ignoradas pelos principais interessados (os consumidores). Mas, daí a pensar em conspiração vai uma longa distância.

Bem, assistam ao documentario e reflitam. Voltaremos a comentar o assunto aqui em breve.

Discos para viagem

A propósito do comentario de anteontem sobre o fim dos CDs, lembrei que uma das novidades mostradas na CES foi um recurso chamado “Disc to Digital”, incluído nos novos players Blu-ray da Samsung. Funciona desta forma: você coloca um disco e, acionando uma tecla, o aparelho faz uma copia digital daquele conteúdo. Pode ser só audio ou audio + video, não importa. Tudo é transformado num arquivo digital que você pode transportar para outro aparelho. Claro, a copia será codificada e terá de ser “autenticada” para permitir reprodução – esta, somente em produtos da mesma marca. Mas a ideia é que o usuario seja “dono” do material, para poder usá-lo em qualquer lugar, utilizando aparelhos portateis como smartphones, tablets e notebooks.

De certa forma, é o que já se faz hoje na plataforma iTunes, usando aparelhos da Apple. Será que outros fabricantes vão seguir a mesma linha?

TV paga: 12,7 milhões de assinantes

Como se previa, passou dos 30% a expansão da TV por assinatura no Brasil em 2011. A Anatel divulgou os dados oficiais na última sexta-feira, revelando que quase 3 milhões de assinantes foram incorporados ao mercado nos últimos doze meses (precisamente, 2.975.032). O número praticamente repetiu o crescimento do ano anterior, só que agora sobre uma base mais alta. Impressionante a quantidade de familias que aderiram ao serviço somente no mês de dezembro: 301.730. Com tudo isso, as operadoras atingiram um total de 12.744.025 assinaturas, confirmando que esse é, de fato, um dos principais objetos de desejo do consumidor brasileiro. Vejam a tabela abaixo:

ANO

2006

2007

2008

2009

2010

2011

CRESCIMENTO     9,7%    16,7%    18,1%    18,2%    30,7%    30,4%

Mais notavel ainda foi a expansão da TV via satélite (DTH): dos 301 mil novos assinantes registrados no mês passado, nada menos do que 251 mil optaram por esse serviço, que já soma 6,984 milhões de domicilios, contra 5,518 milhões da TV a cabo. Entre os estados, os cinco que mais cresceram em 2011 foram, pela ordem, Piaui, Pará, Tocantins, Bahia e Pernambuco; o que teve menor crescimento (apenas 20,37%) foi o Paraná.

Clique aqui para ver os dados completos.

Tecnologia muda tudo

De outro amigo, José Roberto Muratori, recebo um link mais curioso. Do escritor Erik Qualman, autor de “Digital Leaders”, uma lista de 48 itens que, segundo ele, a tecnologia irá aposentar até o final desta década. Vale a pena analisar cada um deles, embora alguns sejam óbvios: o livro impresso, o jornal, o DVD, a agência de viagens, o talão de cheques, o despertador, o operador de pedagio, o mouse… Outros, porém, são menos evidentes.

Qualman já nota, por exemplo, que a moçada já não gosta de usar relogio de pulso, substituído – com vantagens – pelo celular. Ninguém mais usa também enviar um currículo impresso a um possivel empregador; é cada vez mais comum replicar o proprio perfil no Facebook ou, melhor ainda, no LinkedIn, que é uma rede social voltada justamente para atividades profissionais. O proprio cartão de crédito tende a desaparecer, com a popularização da tecnologia NFC (Near-field Communication), pela qual já é possivel pagar contas com o celular. Mas as mudanças vão muito além, diz Qualman, com base nas pesquisas que realizou para seu livro, que analisa como devem ser os novos líderes das empresas nesta era digital.

A educação é um dos setores que sentirá maior impacto com a introdução de recursos tecnológicos. Qualman acha até que a sala de aula irá acabar: os estudantes poderão ficar em casa, assistindo a videos didáticos pelo YouTube (ou algum site do gênero) e trocando informações entre si, e com seus professores, via redes sociais. As eleições tendem a se tornar digitais, diminuindo as abstenções e permitindo a contagem dos votos em tempo real. Instituições como os correios e as lojas de departamento também estão condenadas. De fato, as maiores redes de varejo do mundo estão fechando filiais, e cada vez mais as pessoas trocam correspondências online. E é de se esperar que acabem também os postos de combustivel, surgindo em seu lugar pequenas estações de energia elétrica onde o proprio motorista pode plugar um cabo para realimentar seu carro!

Mas tudo isso tem um preço, ressalva Qualman. Ao se encontrar com uma garota, por exemplo, você já terá tantas informações sobre ela (e vice-versa) – afinal, ambos terão seus perfis no Facebook – que aquele friozinho na barriga tão romântico deixará de existir. Isso mesmo: ninguém mais terá vida privada, pois tudo que você fizer estará na rede. “Mas cada um de nós terá direito a seus 15 minutos de privacidade”, diz ele.

Belo consolo!

Varias moscas nessa sopa…

As imagens do fundador do site Megauploads, Kim Schmitz, sua mansão hollywoodiana e seus carrões na Nova Zelândia ilustram bem os novos caminhos do chamado “crime organizado”. Nesta sexta-feira, a policia neozelandesa prendeu Schmitz, procurado há anos pelo FBI e cuja extradição havia sido solicitada pelo governo americano (detalhes aqui). Como se sabe, o Megauploads era até esta semana um dos maiores sites de distribuição não autorizada de música, vídeos e filmes. Só que, ao contrario de outros, faturava alto com publicidade. Ou seja, seus downloads e uploads eram gratuitos, mas a operação estava longe de ser sem fins lucrativos.

Sabe-se lá que outras atividades ajudaram a enriquecer o sr. Schmitz, cujo apelido é “Kim Dotcom”, à primeira vista uma especie de Pablo Escobar (ou Fernandinho Beira-Mar???) da internet. Seja como for, sua prisão (e as de seus comparsas) justamente na semana em que caiu a proposta de lei contra a pirataria nos EUA (a chamada S.O.P.A.) mostra que estamos tratando de um problema bem mais amplo do que o tráfico de produtos culturais ou mesmo a privacidade dos internautas. Por mais que se deseje a liberdade na web, ameaçada pela tal lei, é fato que os criminosos já dominam os meios tecnológicos a ponto de usarem essa liberdade à sua conveniência.

Sempre achei que pirataria, tráfico (qualquer um), contrabando, gatos, downloads ilegais etc. são farinha do mesmo saco. Um contrabandista não passa de um pirata, e vice-versa, variando apenas a intensidade e os efeitos de suas ações para a sociedade. Evidentemente, roubar músicas ou filmes é menos perigoso do que traficar armas, drogas ou crianças. Mas, na essência, são atos similares. E nada impede, na “ética criminosa”, que se passe de uma atividade a outra.

Portanto, convém tomar cuidado ao defender a tese da “liberdade total” na internet.  Como lembrou bem o colunista Alvaro Pereira Jr., da Folha de São Paulo, as forças que se levantaram contra a S.O.P.A. – entre elas grandes corporações, como Google, Facebook, Microsoft e outras – também têm seus objetivos monopolistas. E só entraram nessa briga ao perceber que a nova lei poderia atrapalhar seus negocios bilionarios.

É sempre saudavel defender a liberdade. Mas é melhor ainda saber que uso fazer dela.

Será o fim dos CDs?

O amigo João Carlos Jansen Wambier me envia o link para uma das noticias mais tristes das últimas semanas: as principais gravadoras estão preparando o fim da distribuição de CDs, talvez ainda este ano. Saiu no site inglês side-line.com, especializado no mercado de música, e foi confirmado por fontes (não oficiais) das empresas. O plano seria manter a produção de CDs apenas para edições especiais; discos “normais” seriam vendidos só por sites como Amazon.com e, claro, abandonando totalmente o conceito de “álbum” – o proprio usuario monta sua coleção de músicas de acordo com a sua conveniência.

Para quem é mais jovem, deve parecer que estou escrevendo a partir de outro planeta! De fato, hoje os downloads se tornaram tão comuns (“ubiquos”, como dizem os americanos) que a mera ideia de comprar um CD ficou fora de moda. Nem vou falar de pirataria: os sites de venda legal de música são cada vez mais acessados, inclusive aqui no Brasil, onde a loja iTunes estreou no final do ano passado. Com o tempo, deve acontecer com os CDs o mesmo que hoje vemos com os LPs, revigorados num segmento de nicho.

Já os veteranos como eu provavelmente se sintam desolados com a noticia. Sim, também baixo músicas na internet, onde aliás encontrei dezenas de canções que simplesmente haviam desaparecido do mercado de discos. Mas, como diz o João Carlos, a facilidade do download tira muito do prazer de se buscar um disco desejado. De certa forma, banaliza o ato de consumir música, roubando do usuario a noção de valor que deveria acompanhar uma boa obra musical. Pensando bem, talvez isso até tenha a ver com a má qualidade geral da música de hoje, em que qualquer rostinho bonito ou figura exótica é alçado à condição de “artista”.

Bem, mais um pouco nostalgia. Acabaram de chegar aqui em casa dois CDs que encomendei ainda antes do Natal e estou ansioso para ouvir: “Black Coffee”, de Peggy Lee, gravação do selo Decca em 1956, remasterizado em alta resolução (96kHz, 24-bit) e relançado pela Verve; e a edição de 50° aniversario de “Time Out”, com o quarteto de Dave Brubeck, em dois CDs que além do álbum original (incluindo a versão clássica de Take Five) trazem faixas gravadas no Festival de Jazz de Newport, nos anos 60, mais um DVD com trechos de shows, bastidores da gravação de “Time Out” (que durante anos manteve-se como o disco de jazz mais vendido da Historia) e um depoimento exclusivo de Brubeck – por sinal ainda ativo, aos 91 anos de idade, com o quarteto de cuja formação original ele é o único sobrevivente.

Onde encontrar essas preciosidades para download? E, encontrando, não seria um sacrilegio baixá-las para ouvir em MP3?

Quais foram os melhores TVs da CES

Ia mesmo escrever a respeito dos produtos que mais me chamaram a atenção na CES quando um amigo me veio com a pergunta: “Qual foi o melhor TV que você viu?” Dificil escolher um só. Se fosse para comprar (ou indicar) um, teria que considerar varios aspectos, e certamente seria necessario reavaliar cada um dos modelos lá exibidos (alguns, aliás, já estão à venda no Brasil). Os atuais plasmas Panasonic e Samsung, assim como os LED-LCDs Sony, Samsung e LG não ficam muito atrás dos que vimos em Las Vegas. Para ser justo, portanto, tenho que pesar o que os aparelhos mostrados nos estandes trazem de inovação e potencial para o futuro. Vamos lá:

1. OLED – Samsung e LG largaram juntas nessa corrida, e dificilmente serão alcançadas. Os dois modelos apresentados, ambos de 55 polegadas, são belíssimos no design. E exibiram imagens muito superiores às que estamos acostumados. Resolução, nivel de preto, profundidade, saturação… tudo excepcional. Quem puder já deve ir fazendo sua poupança para comprar um.

2. 4K – Chega a ser covardia, considerando que não existe (ainda) conteúdo desse padrão para usarmos em casa. De qualquer forma, as imagens que vimos nos TVs Panasonic, Samsung, LG, Sony, Sharp e Toshiba são insuperaveis. O raciocinio é lógico: se conseguem reproduzir tão bem essa resolução (que equivale a quatro vezes a de um Full-HD), é evidente são TVs acima de qualquer concorrência.

3. Plasma Panasonic – A nova serie VT50, com modelos de 55″ e 65″, deve manter a dinastia da marca. Com certificação THX, o fabricante desenvolveu uma nova geração de processadores que melhorou ainda mais a resposta nas cenas rápidas, aprofundou o preto e aumentou a gradação de cores. Foram as melhores imagens 3D que vimos na CES. Em tempo: a empresa também exibiu plasmas de 85″ e 103″, mas estes não estarão à venda tão cedo.

4. LED-LCD Sharp – Para desgosto daqueles que se sentem lesados pela empresa no passado, a Sharp continua na linha de frente quando se trata de LCD. Um de seus modelos faz a conversão do sinal de TV (1080i) para 4K com impressionante eficiência.

5. 3D sem óculos – Aqui, a primazia foi da Sony, com seu modelo de 46″. Confesso que não fico muito à vontade com imagens tridimensionais, mas talvez seja efeito dos óculos (ainda mais porque já uso óculos normalmente). O TV autoestereoscópico – aliás, vão ter que encontrar outro nome – pareceu exibir imagens mais agradaveis que os 3D convencionais, reduzindo o cansaço visual.

6. Sharp LCD 8K – Com 85″, este TV foi o que mais se aproximou do que vimos, anos atrás, na sede da NHK, emissora estatal japonesa, em Toquio. Foi a NHK que forneceu à Sharp as imagens exibidas na CES. Para espanto dos visitantes, as imagens 2D têm tal profundidade que às vezes pensamos estar diante de 3D.

7. Sony Crystal LED – O segredo deste TV de 55″ está num tipo diferente de leds usados no painel de backlight. São dispositivos minúsculos, quase equivalentes ao tamanho de um pixel. Segundo a Sony, são usados 6 milhões deles (2 milhões para cada cor primaria). Por ser apenas um protótipo, não dá para falar muito. Mas foi uma das imagens mais impactantes que vimos.

8. Toshiba 3D Dual-Core – Embora tenha deixado a desejar na questão do 3D sem óculos, a empresa japonesa saiu-se bem com esta solução: um processador de nucleo duplo, de 1GHz, dedicado às imagens do modelo L7200, fez enorme diferença. Foi a melhor conversão 2D-3D a que pudemos assistir na CES. Detalhe: com óculos passivo.

Sempre é bom lembrar que tudo isso foi exibido numa feira de tecnologia, onde acontecem duas coisas: os aparelhos são exaustivamente preparados (às vezes manipulados) pelos fabricantes, sem que o espectador possa perceber eventuais truques de demonstração; e a quantidade de informação a que somos submetidos acaba, por vezes, deturpando um pouco o julgamento. A boa noticia é que, com exceção do Crystal LED da Sony, todos os produtos que comentamos devem chegar ao mercado, talvez ainda este ano. Vamos ver se os fabricantes conseguem, em suas linhas de produção, manter o desempenho mostrado em Las Vegas.

Quem tiver paciência verá.

 

 

Morte mais do que anunciada

Nesta quinta-feira, consumou-se num tribunal de Manhattan a concordata da Kodak Eastman Co., uma das marcas mais antigas do planeta. Comemorando 131 anos de existência, a corporação que ensinou tanta gente da fotografar caiu no famoso Capítulo 11, que é o item da legislação americana referente à quebra de empresas. Já tínhamos comentado aqui a situação da Kodak, que no início do ano passado havia acumulado prejuízos da ordem de US$ 7 bilhões em seis anos. Sabia-se que o resultado era fruto da inercia de seus executivos diante da transição do mundo analógico (onde se destacava o filme Kodachrome) para o digital. Quando se deu conta, a Kodak não tinha mais como escapar do buraco.

Agora, segundo The Wall Street Journal, a empresa aceita a derrota, mas sai atirando. Além de seus erros de gestão, coloca parte da culpa em “parceiros” que, na hora H, a abandonaram. Antoinette McCorvey, diretora financeira a quem coube carregar esse abacaxi, citou nominalmente Apple, HTC e RIM (Blackberry) como empresas que compraram patentes suas, não pagaram o que fora combinado e depois passaram a usar outras patentes sem autorização (as três respondem a processos desse tipo). Desde que o mundo se tornou digital, a receita relativa a patentes era o que vinha mantendo a Kodak de pé. Agora, nem isso.

O fundador George Eastman (na foto ao lado de Thomas Edison) deve estar se remoendo no túmulo.

 

 

 

 

 

 

Ginga pra cá, Ginga pra lá

Há cerca de dois anos, começaram a ser lançados no Brasil os TVs com conversor digital embutido (o chamado set-top box). Não foram propriamente um sucesso, mas com certeza ajudaram a vender mais aparelhos. Com um TV desses e uma antena apropriada, o usuário pode sintonizar o sinal das emissoras digitais (SBTVD) e ter acesso a todos os serviços que, pelo cronograma previsto, seriam incorporados ao padrão de TV brasileiro. Entre esses serviços, um dos mais interessantes era a interatividade, ou a possibilidade de “conversar” com a emissora através de recursos interativos. Lembro até hoje de um discurso do ex-ministro Helio Costa anunciando o famoso Ginga, que o Brasil implantaria até mesmo antes dos países desenvolvidos!

Pois bem, já se passaram quatro anos do lançamento do SBTVD e, embora varios fabricantes tenham lançado TVs com interatividade, pouca gente sabe sequer que isso existe. Com exceção de Globo e SBT, mesmo assim em horarios bem restritos, nenhuma emissora investiu nisso. E têm elas um excelente motivo: é um investimento que não se paga. Para ser atrativa, a interatividade exige desenvolver software proprio, com visual agradavel. As emissoras só irão fazê-lo se tiverem quem pague a conta, ou seja, anunciantes. Estes, por seu lado, só investirão se acreditarem que o público aceitará a inovação e participará, aumentando (ou pelo menos qualificando) a audiência.

E, no entanto, o governo agora quer obrigar os fabricantes de TVs a adotarem, por decreto, a interatividade. Segundo o site Convergência Digital, será imposto um calendario para isso, obrigando que pelo menos 30% dos TVs produzidos no país este ano venham com set-top box; para 2013, seria exigido percentual de 60%; e para 2014, 90%. Hoje, o total gira em torno de 10%. Diz ainda o site que a decisão foi tomada após longas e infrutíferas negociações com a industria e devido ao “desespero” dos desenvolvedores de software, que até agora só tiveram prejuízos.

Vejam como é facil inverter as coisas. Quem hoje compra um TV com interatividade (Sony e Philips informam que todos os seus modelos possuem) não tem o que assistir. O problema, portanto, não está nos aparelhos, mas nas emissoras, que deveriam colocar esses conteúdos no ar. E o governo, seja por incompetência ou por não saber como pressionar as emissoras, vai em cima da industria.

Em tempo: segundo a Eletros, que representa a maioria dos fabricantes, um TV com conversor embutido custa, em média, R$ 180 a mais. Alguém perguntou se o consumidor quer pagar essa diferença?