Archive | março, 2012

TV paga no Supremo

O futuro da TV por assinatura no Brasil pode ser decidido no Supremo Tribunal Federal. Nesta quinta-feira, a NeoTV, que representa as pequenas e médias operadoras, entrou no STF com Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra a lei 12.485, a chamada Lei do SeAC (Serviço de Acesso Condicionado). Alegação: o artigo 29 fere a Constituição, ao dispensar licitação para a outorga de novas operadoras. Como o julgamento da Ação pode demorar anos, e a lei do jeito que está “traz um clima de extrema incerteza e de graves prejuízos ao mercado e aos próprios consumidores”, a NeoTV pede que o STF dê liminar suspendendo sua implantação.

Como se sabe, no STF já correm outras duas ADIs contra a lei 12.485: uma do Partido Democratas, que contesta os superpoderes concedidos à Ancine; e outra da operadora Sky, pedindo revisão na política de cotas obrigatórias para programas nacionais. Poucas leis no Brasil já nasceram com tantos questionamentos junto à principal corte do país, todos eles, até agora, relacionados à quebra de normas constitucionais. Só esse detalhe já demonstra como o projeto foi conduzido levianamente no Congresso, em seus mais de três anos de tramitação (mais detalhes aqui).

Curiosamente, alguns sites andaram publicando esta semana que a lei “já está em vigor”, com a justificativa de que a Anatel aprovou a regulamentação do texto. Pessoas menos informadas podem até ter acreditado, mas na prática falta ainda a prometida regulamentação por parte da Ancine, após a consulta pública de fevereiro e março. O texto precisaria ainda ser publicado no Diário Oficial e, mesmo assim, prevê um prazo para que todas as empresas se adaptem. Ou seja, não entrará em vigor tão cedo. E se o STF conceder uma liminar, então…

Sala de cinema flutuante

Não é montagem, embora pareça. A foto mostra vista aérea do Archipelago Cinema, construído numa praia da Tailândia para o festival Film on the Rocks Yao Noi. Isso mesmo: os filmes inscritos são exibidos nesse que deve ser o “cinema dos sonhos” de muita gente. Segundo o blog de tecnologia do Yahoo, a construção foi erguida com madeira reciclada. O público não senta em poltronas, deita-se em largos colchões para ver os filmes, tendo como “som ambiente” o barulho das ondas do mar (que, no caso, formam uma lagoa).

 

 

A estrutura toda é presa no fundo da água, de modo que não há risco de inundação ou naufrágio. A tela de projeção (na foto ao lado) é móvel, pode ser usada em outros eventos. Ah! Sim, as sessões são sempre à noite, com iluminação especial, para criar “aquele clima”.

Até os gigantes sofrem

Reportagem da revista americana Forbes mostra em detalhes a situação a que chegou a Best Buy, maior rede de lojas especializadas em eletrônicos do mundo. Depois da falência de sua maior concorrente, a Circuit City, em 2009, pensava-se que a BB tomaria conta do mercado, não apenas nos EUA mas em outros países onde atuava, como Inglaterra, México e Austrália. Nada disso. De lá para cá, as coisas só pioraram para a rede, que chegou a ter 1.800 lojas e hoje tem 1.150; destas, 50 serão fechadas até o fim deste ano, segundo a empresa anunciou na última quarta-feira.

O fenômeno tem a ver, é claro, com a recessão que atinge os EUA desde 2008. Mas o principal fator que pressiona a Best Buy chama-se internet. A concorrência dos gigantes virtuais (especialmente Amazon e eBay) está fazendo a empresa rever tudo que praticou até hoje. É interessante analisar esse exemplo, que por enquanto não se aplica aos varejistas brasileiros, mas pode se aplicar no futuro. Numa loja de grande porte, muitos consumidores entram apenas para ver os produtos de perto. Enquanto estão ali, podem acionar na hora seus celulares para procurar o melhor preço daqueles mesmos produtos, na internet. Pronto: em alguns segundos, conseguem fazer a compra online mais conveniente, e encerrar alegremente o “passeio” pela loja física.

Acumulando prejuízos seguidos desde o final de 2010 (no último trimestre, o balanço apontou US$ 1,7 bilhão no vermelho), os acionistas entraram em pânico. Num relatório no início do ano, o CEO Brian Dunn propôs uma reestruturação, já aprovada, que implicará na demissão de centenas de pessoas e na redução física das lojas, que comentamos aqui em janeiro. Dunn criou um conceito chamado connected stores (“lojas conectadas”), a ser implantado ao longo de 2012, onde serão vendidos apenas aparelhos de comunicação móvel: smartphones, tablets, notebooks e leitores eletrônicos. O plano prevê a abertura de 100 delas até 2013, e outras 800 até 2016.

Se essa será a solução, só o tempo dirá. “Nem sei se eles estarão vivos daqui a dez anos”, arriscou-se a prever Brian Sozzi, analista-chefe da BNG, empresa de estudos de mercado especializado em varejo. “Essa é uma guerra perdida”. Não por acaso, ontem um colunista da revista Time, dizendo-se cliente da rede, decretava neste artigo: “O mundo tem muito mais lojas Best Buy do que realmente precisa”. Depois dessa, dizer o quê?

Em tempo: existe aqui uma loja virtual chamada Circuit City Brasil, que nada tem a ver com a falida americana (apenas o logotipo copiado). Mas não recomendo: a quantidade de reclamações que circulam contra essa empresa é assustadora.

Tentando entender o Brasil

Acaba de sair a segunda edição do Panorama da Comunicação e das Telecomunicações, estudo preparado pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Desta vez, o trabalho foi feito em conjunto com a Socicom (Federação Brasileira das Associações Científicas de Comunicação), entidade ligada ao mundo acadêmico. É um calhamaço de quatro volumes, totalizando mais de 1.200 páginas, que comecei a ler hoje. Pela qualificação dos autores, merece ser levado a sério, analisado e consultado por todo mundo que estuda e/ou trabalha com tecnologia e comunicação. Até porque esse tipo de estudo é tão raro que muita gente por aí se arvora a dar palpites na base do achismo, sem qualquer embasamento na realidade.

A competente e sempre atenta Cristina de Luca, do site IDG Now, já analisou um dos aspectos do relatório, mostrando como o país não está sabendo aproveitar as oportunidades oferecidas pelas novas tecnologias. Embora até haja verbas (poucas) para financiar projetos de caráter digital, pouquíssimas empresas e profissionais estão se apresentando para usá-las. Levantamento feito pelo CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento), ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, mostrou apenas 667 trabalhos de pesquisa até o ano passado – número ridículo para um país em que o Facebook já atinge mais de 20 milhões de pessoas.

É curioso que todas as estatísticas colocam o Brasil entre os principais países no uso de tecnologia. Os números de usuários de celulares, videogame e internet dão a ilusão de que muita gente poderia estar trabalhando em atividades como software, interatividade, criação/produção de conteúdos digitais etc. Ilusão à tôa: a maior parte dos jovens parece enxergar essas atividades mais com os olhos do mero lazer do que como campo profissional. Para piorar, isso inclui também profissionais que, já estando colocados no mercado, não dão importância ao aprendizado e à atualização, que devem ser contínuos.

No fundo, voltamos ao velho problema da falta de base educacional. Quem chega a um curso superior sem nunca ter se dedicado efetivamente aos estudos (porque isso não lhe foi exigido) dificilmente vai conseguir mudar de atitude e superar, em quatro ou cinco anos, o atraso que se acumulou. E, por incrível que pareça, embora o tema educação esteja na boca de todos, na prática nada se altera. Vejam, por exemplo, as novas determinações do Conselho Nacional de Educação, que acaba de baixar suas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Raras vezes se vê algo tão desconectado da realidade diária dos estudantes.

Com mestres e orientadores desse nível, chega a ser cômico (não fosse tão trágico) pretender que os jovens se apliquem. Eles mal conseguem entender em que país estão vivendo.

Para quem quiser estudar melhor o tema, eis alguns textos que podem ser úteis:

Globalização vs. nacionalismo

Um país de cabeça pra baixo

Nossas soluções

Por maiores e melhores investimentos em P&D

A escassez de profissionais qualificados para TI

A ideologia da corrupção

 

 

 

Rir para não chorar

Nesta semana tão cheia de más notícias, recomendo ao leitor dar uma olhada na seção “Humor” deste blog. Lá está uma coleção de frases bem sacadas, de escritores, filósofos, políticos, economistas etc., brasileiros e estrangeiros. Como pequena homenagem, as duas primeiras são de Chico Anysio e Millôr Fernandes, os dois maiores do humor brasileiro.

Sharp se une aos chineses

Diz um antigo provérbio que quando não se pode derrotar o inimigo é melhor unir-se a ele. É o que acaba de fazer a Sharp Corporation, do Japão, ao vender metade de sua divisão de displays à taiwanesa Hon Hai, que também adquiriu 9,871% das ações do grupo japonês. Diz o jornal Yomiuri Shimbun que trata-se de uma “aliança estratégica”, mas essa definição é nobre demais para os termos em que o acordo foi costurado. Não foi bem uma aliança, foi desespero mesmo.

Pelo que as duas empresas divulgaram, a Sharp irá repassar à Hon Hai um total de 66,9 bilhões de ações, o que transformará o grupo taiwanês no maior acionista individual da gigante japonesa. Só esse fato já dá a dimensão da coisa: nunca antes um grupo japonês se permitiu passar a um estrangeiro a maior parcela de suas ações com direito a voto! Mais: a Hon Hai passa a deter 46,5% da SDP (Sharp Display Products Co.), pagando 66 bilhões de iênes, o que equivale hoje a cerca de US$ 800 milhões. A SDP é dona da mais moderna fábrica de painéis LCD do mundo (foto acima), na cidade de Sakai, que agora irá fornecer metade dos painéis usados pela Hon Hai, proprietária de diversas montadoras de TVs, monitores e tablets, incluindo a maior delas, nossa conhecida Foxconn.

Com essa, digamos, engenharia financeira, a Sharp Co. irá receber aproximadamente US$ 1,6 bilhão em dinheiro vivo para cobrir a maior parte do enorme rombo (US$ 3,5 bilhões) que se abriu em seu balanço no atual ano fiscal, como comentamos aqui recentemente. Significa que a Sharp abre mão de algo até agora sagrado: sua estrutura operacional verticalizada, em que tudo – do design à finalização dos produtos – é feito no Japão. “Essa estrutura revelou suas limitações”, disse o novo CEO, Takashi Okuda, nesta terça-feira, em Tóquio, ao anunciar o acordo. “Agora, poderemos lançar produtos atraentes e competitivos na hora certa, contando com a estrutura de custos da Hon Hai”.

Nos últimos meses, a Sharp chegou a ensaiar uma parceria com a Sony para tocar a divisão de displays, mas ambas concluíram que isso não solucionaria seus problemas de fluxo de caixa. Dinheiro, mesmo, está do outro lado do Pacífico, na China, Coreia e Taiwan. Terry Gou (foto), o polêmico presidente da Hon Hai, comentou que esse é um caminho sem volta para a indústria japonesa: investir em pesquisa e desenvolvimento, deixando a fabricação em si para os chineses.

Não deve ser fácil aceitar essa dura realidade, mas a partir de agora é assim que os japoneses terão que competir, se quiserem continuar no jogo.

O fone de 24 quilates

Que tal um fone de ouvido revestido com ouro 24k? É uma pechincha: apenas 998 libras esterlinas (equivalentes a cerca de R$ 2.900) em lojas selecionadas de Londres. É o que diz o blog Pocket-lint, citando como fonte a empresa Crystal Rocked, especializada nesse tipo de, digamos, mimo. O fone leva a assinatura do cantor Dr Dre, o mesmo que foi contratado anos atrás pela Monster para divulgar fones de ouvido entre os jovens usuários de MP3. O aparelho da Crystal é comum, não traz nenhum recurso inovador, nem mesmo oferece cancelamento de ruído, recurso que vem se tornando usual nesse tipo de aparelho. É, de fato, apenas um fone para quem quer mostrar que… tem um fone!!!

Por sinal, a Crystal é a mesma que no ano passado lançou uma versão do iPad toda cravada em cristais Swarovski, vendida por 1.199 libras. Ou seja, numa única viagem à capital inglesa você pode comprar as duas joias para levar a sua próxima rave. Vai gastar a merreca de R$ 6.400. Aproveite.

TVs ganham mais voz

Mais um grande fabricante está aderindo aos comandos de voz para acionamento de TVs. A Panasonic USA anunciou nesta terça-feira que sua linha 2012 de plasma e LED-LCD irá incluir o recurso. A empresa informou que vem trabalhando nisso em conjunto com o RNIB, entidade britânica que representa os deficientes visuais.

Ainda não são os TVs que comentamos aqui semanas atrás, capazes de reconhecer comandos em qualquer idioma. Diferentemente dos modelos apresentados até agora por Samsung e LG, os TVs Panasonic permitirão que o usuário ajuste o controle de voz a seu gosto. Será possível aumentar/diminuir o volume ou trocar de canal dando a “ordem” ao aparelho, mas haverá também a possibilidade de “pedir” informações adicionais, como orientações para ajustar a imagem ou sobre canais e programas disponíveis.

A nova linha de plasmas da empresa japonesa, que começa a ser entregue às lojas dos EUA em abril, terá modelos de 42 a 65 polegadas. O top de linha (TC-P65VT50, foto acima) terá, além do comando de voz, capacidade de reproduzir imagens 3D e funcionar em rede Wi-Fi (sem necessidade de adaptador), navegador de internet, conversão 2D-3D, oito alto-falantes e media player com memória interna.

Além disso, adotará outra novidade que, pelo visto, irá se tornar tendência rapidamente entre as principais marcas: Social TV, nome genérico que indica a possibilidade de abrir uma janela lateral na tela para trocar mensagens pelo Twitter ou Facebook, sem deixar de assistir ao filme. A ideia aqui é simplificar o fenômeno que vem sendo chamado de “segunda tela”, quando a pessoa está assistindo a um programa e, ao mesmo tempo, usa o celular ou tablet para conversar com os amigos. Agora, isso poderá ser feito na própria tela do TV. Para isso, todos os modelos da Panasonic passarão a aceitar – como alguns já aceitam – a conexão de um teclado comum, via entrada USB.

A Panasonic do Brasil ainda não anunciou seus planos para este ano.

Mais pobres e mais tristes

Quatro dias depois de Chico Anysio, o Brasil perde Millôr Fernandes. É muita carga negativa para um país só!!! Estamos culturalmente mais pobres, e com certeza o famoso senso de humor do brasileiro perde uns bons pontos.

Em junho do ano passado, quando Millôr saiu de uma de suas várias internações hospitalares, escrevi aqui uma humilde homenagem a este que sempre considerei o maior intelectual brasileiro. Quis também agradecer-lhe por um livro autografado que recebi de presente. Mas cometo agora duas indelicadezas. A primeira é que “Presente”, mesmo, com “P” maiúsculo, foi tudo que Millôr produziu em seus 74 anos de carreira e que tive o prazer de ler, ouvir ou assistir. A segunda: chamá-lo simplesmente de “intelectual” é reduzir sua importância. Quanta gente por aí é apresentada dessa forma (ou se autointitula) sem ter sequer a capacidade de pensar honestamente ou contribuir intelectualmente para a sociedade? Exemplo? Da Academia Brasileira de Letras – que sempre quis ter Millôr como membro, mas da qual ele fugiu dignamente – fazem parte “intelectuais” como um certo José Sarney.

Falando nisso, Sarney era um dos alvos preferidos de Millôr, na sua persistente luta contra a ignorância e os que se aproveitam dela. Mas isso daria outro artigo. Desde que começou como desenhista, com apenas 14 anos de idade, na revista “A Cigarra”, esse carioca do Méier que ainda criança ficou órfão de pai e mãe nunca sossegou diante dos políticos e dos poderosos. Com menos de 18, já era editor da revista, em meio a outros três empregos, pois havia se tornado o artista mais requisitado do Rio de Janeiro. Autodidata, foi acumulando conhecimentos como jornalista, escritor, humorista, cartunista, artista plástico, dramaturgo, tradutor e sei lá que mais…

Antes dos 30 anos, Millôr já aprendera nada menos do que oito idiomas estrangeiros, sendo capaz de traduzir autores que hoje ainda são um desafio para qualquer profissional da área, como o russo Tcheckov, o alemão Brecht, o francês Moliere e até o grego Sófocles. Trabalhando incessantemente para jornais e revistas, ainda arrumava tempo para escrever seus livros e algumas das peças mais importantes do teatro brasileiro, muitas delas (mas não todas) cômicas. Atuou também como apresentador de televisão, na extinta TV Tupi, e detestou o veículo, que considerava “máquina de emburrecer”. Mas foi um dos primeiros de sua geração a aderir, entusiasmado, às mídias digitais. Seu site (vejam aqui) e mais de 280 mil seguidores no Twitter confirmam seu domínio também sobre os veículos online.

Um belo resumo da carreira de Millôr Fernandes está aqui, para quem por ventura não o conheça (infelizmente, há muitos assim). Em meio a todas essas atividades, minha preferida é a de frasista. Sim, Millôr foi certamente o maior criador de frases de seu tempo, muitas delas compiladas neste endereço. São centenas, geniais, e a de que mais gosto é esta: “Nunca conte uma mentira que você não possa provar”.

Como Jobim, Drummond e Chico Anysio, Millôr está na categoria dos insubstituíveis – não importa o que aconteça daqui por diante. Como diz outro mestre, Zuenir Ventura, “o Brasil perdeu a graça”.

Fox Sports acerta com a Net

Acabou a briga: depois de alguns meses de negociações, finalmente o sinal da Fox Sports está disponível, a partir desta quarta-feira, para os assinantes da Net. Enfim, chegou-se a um acordo financeiro, o que era inevitável tendo em vista os interesses envolvidos. O produto futebol continua sendo premium na TV por assinatura, e com seis times brasileiros disputando a Copa Libertadores o “apetite” de todos aumenta. Detalhe: só quem tiver pacote HD poderá assistir aos jogos.

Mais um ano de estudos

Começamos hoje o segundo ano do Programa de Certificação “Home Expert”, que oferece aperfeiçoamento técnico para profissionais do setor de projetos residenciais. Temos aqui gente de várias partes do Brasil, e com formações bem heterogêneas, mostrando que esse tipo de curso continua sendo cada vez mais necessário. Junto com as mudanças tecnológicas, está acontecendo uma renovação de profissionais nessa área. A convergência entre áudio, vídeo, informática, telecom e sistemas de redes exige novos conhecimentos e especializações, algo que, infelizmente, nem todos os que trabalham nesse segmento estão percebendo. E, a meu ver, isso explica, em boa parte, as seguidas queixas sobre carência de mão de obra qualificada.

Uma coisa parece fora de dúvida: aqueles que souberem aproveitar as oportunidades de aprendizado levarão grande vantagem nessa corrida.

Em tempo: quem quiser saber mais sobre o Programa de Certificação pode acessar o site oficial do evento – www.homexpert.com.br. Lá, além das aulas, estão sendo oferecidos vários materiais de apoio, que podem ser muito úteis.

Nosso jornal está à venda

Esse era o título principal, na última quinta-feira, do site do jornal americano Variety, especializado em artes e entretenimento. Sim, a publicação mais tradicional e respeitada do show business mundial está à procura de um comprador. O próprio site espalhou a informação a sua base de contatos, via email, numa prova de que a situação deve ser mesmo complicada por lá. O grupo Reed, proprietário, alega que está saindo do ramo de mídia.

Antigamente, havia constrangimento em alguém anunciar que sua empresa estava à venda – mais ou menos como aqueles motoristas que circulam com a placa “vendo” no vidro traseiro de seus carros. Hoje, ao que parece, não há mais. A internet quebrou todas as barreiras para se fazer negócios, não é mesmo?

A história do Variety confunde-se com a própria história do cinema, do teatro e da televisão nos EUA. Todo mundo – todo mundo mesmo – que trabalha numa dessas áreas sente-se na obrigação de ler, ainda que, antes da era digital, uma assinatura anual da edição impressa diária custasse na casa dos 400 dólares; hoje, esse valor dá direito a também receber a versão online. Executivos consultavam o jornal antes de tomar decisões importantes. Diretores, atores e produtores corriam a suas páginas assim que um filme, peça ou série de TV estreava, para saber a opinião de seus colunistas. E, na época da indicação para os prêmios de melhores do ano (Oscar no cinema, Emmy na televisão, Tony no teatro), era no Variety que os produtores veiculavam suas campanhas para tentar ganhar os votos dos “eleitores”.

Ainda é assim, mas não com o entusiasmo de dez ou quinze anos atrás. Na era do Twitter e do Facebook, as notícias fresquinhas, que antes todo mundo lia primeiro no Variety (no Brasil, não há nada parecido), agora são os próprios artistas e seus empresários que divulgam, via blogs e mensagens curtas. As campanhas para o Oscar, por exemplo, hoje são todas online, com os membros da Academia sendo “tuitados” várias vezes ao dia no período que antecede a premiação. Muitos nem assistem aos filmes, votam com base na movimentação das redes sociais!!!

Talvez apareça logo um comprador para o Variety. Quem sabe o Google ou o Facebook se interessem. Aí, o ciclo estará completo. Arte e entretenimento cairão definitivamente em mãos digitais.

Anatel passa o recibo

Nesta quinta-feira, a Anatel aprovou a regulamentação da nova lei da TV paga, oficialmente chamada Serviço de Acesso Condicionado (SeAC). Nenhuma novidade. O Conselho Diretor da Agência, que teve seus poderes bastante esvaziados com a nova legislação, simplesmente endossou aquilo que o Ministério das Comunicações e a Ancine já tinham decidido. Curioso é que deixou de fora justamente a parte que trata da interatividade, tão polêmica, e a questão da multiprogramação – dois dos itens mais badalados pelo governo quando da introdução da TV Digital.

A prioridade parece ser mesmo o controle total sobre o mercado de TV por assinatura, que continua batendo recordes de crescimento. Os dados de fevereiro, divulgados pela Anatel esta semana, confirmam a tendência. Foram 265,7 novos domicílios incorporados ao mercado, que agora soma 13.319.510 assinantes – crescimento de 2,54% em relação a janeiro e de 27,8% na comparação com o que havia no primeiro trimestre do ano passado. Esses números indicam que, se em março o ritmo for mantido, o setor irá crescer inacreditáveis 31%, índice que não tem paralelo em nenhum país do mundo.

É nesse bolo que os lobos de Brasilia estão de olho. Neste sábado, a Oi TV começa a vender pacotes com 40 canais TV, com banda larga e telefone fixo, a preço promocional de R$ 29,90 por três meses. A empresa, que não atua em São Paulo, é mais um forte concorrente nesse mercado, que deve ficar cada vez mais concorrido. A Oi, como se sabe, herdou a maior rede de fibra óptica do país, que pertencia à antiga Brasil Telecom, financiada pelo BNDES.

Entre sorrisos e lágrimas

E lá se foi Chico Anysio, o homem que fez o Brasil inteiro sorrir – muitas vezes gargalhar – durante mais de 60 anos. Juntou-se a Ronald Golias, Costinha, José Vasconcelos, Grande Otelo, Oscarito, Renato Corte Real, Dercy Gonçalves, Nair Bello e tantos outros gênios da comunicação que este país produziu, e que agora fazem os anjos rirem no céu. Quando Vasconcelos nos deixou, em outubro, comentei aqui que ele tinha sido o “pai” da comédia stand-up, hoje tão na moda. Pois Chico, que começou no rádio em 1947 e na televisão em 1957,  foi pai e inspirador de todos os comediantes e humoristas que surgiram depois, especialmente os de rádio, televisão e cinema – embora também tenha escrito livros e roteiros para filmes.

Muitos esqueceram, mas Chico Anysio estava entre os desbravadores da televisão brasileira, nos anos 1950, quando todos os programas eram ao vivo. Primeiro na TV Rio, depois na Excelsior, Record e Globo, ajudou a criar o que se tornaria a linguagem da televisão brasileira, com sensibilidade e criatividade incomuns. Seu “Chico Anysio Show”, que passou pelas quatro emissoras, foi o primeiro programa todo escrito e produzido em torno de um único artista. Embora isso fosse usual na TV americana (houve “Frank Sinatra Show”, “Ed Sullivan Show” e assim por diante), aqui – além das dificuldades técnicas – o talento de Chico permitiu que tivéssemos semanalmente uma hora de quadros humorísticos escritos e desenhados por ele e estrelados por seus personagens. Foram mais de 200 ao longo de sua carreira.

Outro feito memorável: Chico Anysio foi um dos introdutores, no Brasil, do video-tape, invenção alemã-americana dos anos 50 que lhe permitiu enriquecer ainda mais seu Show. Lembro de, quando criança, assistir embevecido àquele desfile eletrizante de gags que misturavam genialmente texto, gestos, expressões faciais, figurinos, cenários e um timing inacreditável. Com a possibilidade de gravar os quadros, Chico aperfeiçoou ainda mais a sua técnica e o domínio que já tinha da câmera. Vários artistas que trabalharam com ele contam proezas de que era capaz, como gravar um programa inteiro (dez ou doze quadros) numa única tarde, mudando apenas a roupa e a maquiagem – além, é claro, de seu infindável arsenal de vozes, que lhe propiciaram algumas das melhores imitações já vistas.

Segundo Daniel Filho, grande diretor de TV e cinema, Chico Anysio era o melhor ator brasileiro, elogio que, para um comediante, vale em dobro. Tenho saudades também de seus quadros para o “Fantástico”, entre 1974 e 1991, no puro esquema stand-up: apenas ele e a câmera, sem truques visuais, efeitos, edição, nada. Durante cerca de 5 minutos, Chico contava histórias ao telespectador, aproveitando assuntos da hora, com dicção e entonação perfeitas. Conseguia ser sério, quando queria, mas era mesmo insuperável nas tiradas cômicas, nesse caso sem a “ajuda” de seus personagens.

Enfim, vai-se um artista que fez parte de quase toda a minha vida, assim como de alguns de meus melhores amigos, e isso não é pouca coisa. Como Golias, Otelo e Vasconcelos, não precisava de palavrões, ofensas nem apelações para ser engraçado. No site da TV Globo, seu amigo e ex-diretor da emissora, Boni, diz: “Acho que será muito difícil que o Brasil venha a ter um dia, no campo do humor, alguém que possa sequer ser semelhante ao Chico”. Peço então licença aos mestres para discordar: nunca houve, nem aqui nem em qualquer país, e provavelmente nunca haverá, um artista como ele. Ouso dizer que só Chaplin, e mesmo assim cabeça a cabeça. Tivesse nascido americano, ninguém contestaria que Chico foi o maior de todos.

Para quem por acaso ache que estou exagerando, ou quem não tenha conhecido o trabalho de Chico Anysio (afinal, ele estava afastado da televisão há anos), este link traz uma compilação de seus personagens mais famosos. Aliás, a Globo prepara para este sábado à noite um programa especial sobre Chico. E este outro link conta sua trajetória desde a infância em Maranguape (Ceará), onde nasceu e aprendeu a ler sozinho. Acreditem: o homem era mesmo um fenômeno.

Complicando, e não explicando

Mais um capítulo dessa infeliz novela chamada “interatividade na TV Digital”. O site Terra publica declarações de Otavio Caixeta, identificado como “analista de infraestrutura” do Ministério das Comunicações. Se é desse tipo de profissional que dependem as decisões técnicas na área, estamos roubados. Vejam só:

“O governo pesquisou e investiu dinheiro para criar uma tecnologia que prestasse serviços digitais através da televisão, e a expectativa é que os fabricantes fizessem (sic) isso. Os fabricantes começaram a afirmar que não havia conteúdo nas emissoras, e as emissoras, que não havia capacidade de interatividade nos aparelhos. A solução para quebrar esse ciclo foi exigir que 75% dos televisores saíssem de fábrica com esse sistema embarcado”.

Ficamos sabendo, então, que o governo “pesquisou e investiu”. Quanto terá sido? Que se saiba, até agora todos os investimentos relativos ao desenvolvimento da TV Digital foram feitos pelas empresas (fabricantes, emissoras e desenvolvedores de software) – exceção feita aos abnegados técnicos do CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações), de Campinas, ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia; foram eles que criaram o primeiro aplicativo pra valer a partir do software DTVi (antigo Ginga), recém-apresentado ao Minicom.

A desinformação do sr. Caixeta vai mais longe: “A indústria não demonstrou o interesse esperado em colocar o Ginga na sua linha de produção, por miopia”. O que seriam então todos os TVs já lançados, desde 2009, trazendo o conversor embutido? A Sony, só para citar um exemplo, decidiu há tempos que toda a sua linha incluiria esse recurso! E mais: se quisesse de fato saber quem tem razão nessa suposta disputa entre emissoras e fabricantes, bastaria o governo recorrer ao Fórum SBTVD, cujo Módulo Técnico, formado por 13 especialistas, estuda o assunto a fundo. É só comparar: quantos TVs já foram vendidos X quantos aplicativos as emissoras já colocaram no ar.

Quando fala em investimentos, talvez Caixeta esteja se referindo às inúmeras viagens de ministros e assessores para tentar “vender” o padrão SBTVD a outros países, na África e América Latina. Não sei se esses gastos terão dado retorno: o site Convergência Digital informa que, devido à demora do governo brasileiro em definir sua política para o setor, a Argentina conseguiu negociar 300 mil conversores com empresas da Venezuela!

Como já comentamos aqui, a interatividade é uma das maiores mistificações do mundo tecnológico, e o governo só ajuda a mistificá-la mais ainda – não sei se por leviandade ou por incompetência. Diante de argumentos como o desse sr. Caixeta, começo a crer mais na segunda alternativa.

Caixas acústicas sem fio

Ainda não encontrei um sistema de caixas acústicas sem fio que dê conta de graves, médios e agudos. Talvez não exista. Até prova em contrário, cabos continuam sendo indispensáveis para transportar sinal de áudio com fidelidade – e, claro, quanto melhores os cabos, maior a fidelidade.

Faço essa abertura para comentar o lançamento, nos EUA, do primeiro sistema totalmente sem fio do gênero. Você pode ligar qualquer par de caixas ao WA-5030 (foto), da marca Atlantic Technology, que não tem distribuição oficial no Brasil. Trata-se de um kit com receptor e amplificador integrados, mais um transmissor para três zonas – pode-se ligar até três receptores a cada transmissor, para sonorizar três ambientes diferentes. Segundo o fabricante, o kit consegue levar sinal estéreo, com potência de 30W, para até 10 metros de distância. Ligando-o a um computador (via USB), você pode ter som “com qualidade de CD (48kHz)” circulando por toda a casa.

Difícil acreditar que funcione bem, não?

O fim das mídias impressas

Em tributo ao falecimento da edição impressa da Encyclopedia Britannica, vamos discutir a velha questão: será que a mídia impressa já morreu (ou será que ela é apenas um zumbi ambulante)?

O texto faz parte da chamada publicitária para um evento realizado nesta terça-feira nos EUA pelo site Tech Republic. O mote é a notícia, divulgada semana passada, de que a velha Britannica agora só terá sua edição digital. Para quem não sabe, essa publicação chegou a ser tão importante, em seus melhores anos, quanto é hoje o Google. Todo estudante ou professor de alto nível tinha a sua, em inglês. Criada na Escócia em 1768, fez (literalmente) a cabeça de inúmeras gerações de pesquisadores, cientistas etc. No Brasil, ganhou nos anos 1940 uma versão que conhecemos como Enciclopédia Barsa, hoje pertencente ao grupo espanhol Planeta. O auge da Barsa foi sob a direção do grande mestre do idioma português em todos os tempos, Antonio Houaiss (sim, aquele mesmo do dicionário).

Cheios de nostalgia, vários especialistas escreveram nos últimos dias sobre “a morte” da Britannica, como se a edição digital não tivesse a menor importância. Só mesmo quem nunca editou um livro, jornal ou revista pode pretender que um calhamaço com mais de 20 volumes continue a ser impresso, numa época em que é preciso economizar papel e existem alternativas tão mais práticas. Se pensarmos que qualquer pen-drive é capaz de armazenar o conteúdo de “várias Barsas”, essa conversa não vai muito longe.

Agora, bem diferente é dizer – como muitos também fazem – que as mídias impressas vão morrer. Toda vez que leio essa asneira, lembro do lançamento do videocassete nos EUA, nos anos 1970, quando os estúdios de cinema foram à Justiça alegando que ninguém mais iria querer sair de casa para ver filmes!!! Não, jornais, revistas e livros nunca mais serão os mesmos após o advento das mídias digitais. Mas talvez se tornem até melhores, por que não? Afinal, talento e criatividade não são privilégios de quem só consegue se comunicar online.

Ou são?

A novela das importações

Quando escrevi aqui, ontem, sobre a baixa produtividade do trabalhador brasileiro, ainda não tinha visto a última pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria) referente ao balanço importações x exportações. Pela enésima vez, o setor se queixa da concorrência “desleal” dos produtos importados, incluindo aí 21 segmentos, entre 27 analisados. Os que registraram maior crescimento foram os de produtos ópticos, eletrônicos e de informática. Diz a CNI que 19,8% (ou quase um quinto) de todos os produtos industrializados consumidos no país vem de fora. E mais: os insumos – matérias-primas, máquinas e componentes usados na indústria – bateram recorde em 2011, com 21,7% de tudo que as empresas compraram vindo do Exterior.

As queixas são as já tradicionais: supervalorização do câmbio, infraestrutura deficiente, juros altos… Um motivo agora acrescentado é a guerra fiscal entre os estados em torno do ICMS, que o governo federal simplesmente não consegue controlar. A disputa entre Manaus e São Paulo (ou entre Norte e Sul) realmente não ajuda em cada a destravar a economia, mas não é o ponto central. O país precisa decidir se quer ou não se inserir na economia globalizada. Se sim, é preciso esquecer todo tipo de protecionismo, que é o que no fundo desejam os empresários. A desastrada sobretaxação aos veículos importados é apenas mais um (péssimo) exemplo. Sobre a baixa produtividade, até agora a CNI não se pronunciou.

Só está faltando a entidade defender a volta da reserva de mercado, como tínhamos na informática até os anos 1980. Será que alguém tem saudades dessa época?

 

Perdendo de goleada

O trabalhador brasileiro produz muito menos, em média, do que seus colegas dos outros países emergentes – diz um relatório da consultoria americana Conference Board, publicado na semana passada pela Folha de São Paulo. Incrível, mas no quesito produtividade perdemos até para os hermanos e sua interminável crise: um trabalhador argentino produz duas vezes mais que um brasuca. Se os termos de comparação forem elevados, então, é goleada: três vezes mais na Coreia do Sul e cinco vezes mais nos EUA.

Curioso é que, quando se comparam os salários, ninguém aqui pode reclamar. Pelo menos, não aqueles que trabalham na indústria: entre 2002 e 2008, o aumento médio aqui foi de 174%, enquanto na China foi de 133%. E os chineses, claro, batem qualquer um em termos de produtividade, embora dificilmente algum brasileiro vá querer as condições de trabalho que eles têm lá (nem teria cabimento). Entre 114 países pesquisados, o Brasil ficou em 68o. lugar em produtividade, que é calculada dividindo o PIB pelo número de pessoas atuando no mercado.

Será que a culpa é dos trabalhadores? Evidente que não. Especialistas consultados pela Folha listam motivos como a falta de inovação, de investimento em tecnologia e o baixo nível do ensino. Poderíamos acrescentar a burocracia e o excesso de tributos, que barram muitas tentativas de inovar, incluindo aí cursos de aprimoramento técnico. E não se pode esquecer do paternalismo que comanda as ações do governo e dos políticos em geral, principalmente os sindicatos. Estes, em vez de lutarem para que o trabalhador se aperfeiçoe e se valorize melhorando seu desempenho, preferem brigar apenas por salários mais altos, dos quais boa parte é confiscada para essas entidades sem que o próprio trabalhador seja consultado.

Falar em produtividade num ambiente assim chega a ser heresia. A verdade, jogada assim na nossa cara, é mesmo dura de aceitar.