Archive | maio, 2012

Troque logo seu TV!

Falando em pesquisa, e também a propósito da maior importância que o Brasil vem assumindo para a indústria eletrônica mundial, vejam este estudo da DisplaySearch, uma das empresas mais ativas do setor: as pessoas estão trocando seus TVs em prazo mais curto. O levantamento, feito em 13 países, incluindo o Brasil, indica que o tempo médio para troca caiu de 8,4 para 6,9 anos, entre 2010 e 2011. Curiosamente, no Brasil aconteceu justamente o contrário: o tempo de vida dos TVs instalados nas residências aumentou de 5,5 para 6,1 anos.

Pode ter sido apenas no ano passado, ou talvez a pesquisa não signifique muita coisa. Importante é que agora o mercado brasileiro também passa a ser considerado em levantamentos desse tipo.

Construção e automação, juntas

Como já comentamos aqui algumas vezes, pesquisas sempre devem ser olhadas com cuidado (e um pouco de desconfiança). Além de geralmente cobrirem um universo restrito, podem perfeitamente ser manipuladas ao gosto do freguês. Mais: dependendo da forma como são lidas, as estatísticas podem levar a conclusões bem distintas. Recebo toda semana dezenas delas, das mais variadas fontes, e após muitos anos nesse trabalho aprende-se quando é possível confiar ou não (mesmo assim, correndo risco de errar na avaliação).

Dias atrás, o site americano CE Pro – bíblia para profissionais de tecnologia – publicou artigo duvidando de uma pesquisa que indicava o aumento do uso de recursos de automação em novos projetos residenciais, agora que o segmento imobiliário por lá parece retomar as atividades. Agora, a mesma publicação examina os dados de outra pesquisa, esta assinada por duas entidades respeitadas: a CEA (Consumer Electronics Association), que representa mais de 2 mil fabricantes de equipamentos; e a NAHB (National Association of Home Builders), da qual fazem parte centenas de construtoras, grandes e pequenas.

E comprova que, de fato, há ligação entre os dois setores, embora o esperado crescimento dos negócios não esteja vindo, ainda, na velocidade desejada. Fica claro, lendo o estudo (State of the Building Technology Market), que as construtoras americanas estão descobrindo na tecnologia um importante aliado para reconquistar a confiança dos consumidores. Recursos como gerenciamento inteligente de energia, iluminação automatizada, sonorização multiroom e controles centralizados dos equipamentos numa casa são úteis para baratear os custos de construção, desde que bem planejados. Pode parecer pouco, mas o percentual de casas que adotam algum tipo de controle de energia subiu de 6% em 2009 para 14% em 2011. Da mesma forma, dobraram o uso de automação (de 5% para 10%), o de iluminação programável (6% para 12%) e o de multiroom (11% para 23%).

Agora, as más notícias. Com a queda nos preços, aumentou pouquíssimo o investimento nesses itens: se em 2006 um americano médio gastava 5.000 dólares com automação ao construir uma casa ou montar um apartamento, esse investimento caiu para US$ 2.300 em 2010 e subiu para US$ 2.400 em 2011. Pior: o número de novas habitações como um todo despencou com a crise: de 3,5 milhões por ano em 2006, para pouco mais de 550 mil em 2011.

Talvez tudo isso deva servir como incentivo aos profissionais brasileiros. Não tenho estatísticas, mas é provável que os números em nosso mercado sejam exatamente o inverso dos americanos. E, lá como aqui, a tecnologia continua sendo uma forma de reduzir custos – repetindo: desde que bem planejada e executada. Mãos à obra, portanto!

Cidades (quase) digitais

Na semana passada, terminou o prazo dado pelo Ministério das Comunicações para cadastrar as prefeituras interessadas em participar do projeto Cidades Digitais. É uma boa ideia: selecionar algumas localidades para implantar serviços públicos avançados, usando meios eletrônicos, e a partir daí replicar a experiência para todo o país. Evidentemente, é impossível implantar algo do gênero de uma só vez em mais de 5 mil municípios. Mas é preciso começar de alguma forma.

Pelo visto, poucos prefeitos acharam isso importante: apenas 262 municípios se inscreveram, e agora o Minicom vai selecionar 80 deles para os projetos-piloto. A ideia é implantar infraestruturas de rede, para agilizar serviços nas áreas de saúde, educação, tributos e finanças. Funcionários dos municípios serão treinados e haverá até pontos de acesso gratuito à internet para uso dos moradores. Tomara que funcione.

O problema é que o Brasil já possui uma infinidade de planos voltados à implantação do chamado “governo eletrônico”. O site criado para isso pelo Ministério do Planejamento traz uma longa lista de atividades, que vão da banda larga às compras eletrônicas, passando pelo uso de software livre e o fornecimento de informações sobre as atividades governamentais. Na teoria, tudo perfeito. Você sabiam, por exemplo, que o Brasil possui um Plano Diretor de Tecnologia da Informação (PDTI), com validade para dois anos, a ser seguido por todos os ministérios, secretarias e empresas públicas? Clique aqui e veja como é fácil elaborar um plano desses, sem nenhum compromisso com a realidade.

Difícil acreditar que só porque agora está na internet, e todo mundo pode acessar, esse plano terá destino diferente de tantos outros. Basta lembrar que entre as diretrizes está a recém-aprovada Lei de Acesso à Informação, pela qual todo cidadão pode requerer dados dos órgãos públicos sem ter que explicar o que fará com eles. Nem bem a lei foi sacramentada pela presidente e já há um movimento interministerial para deixar de cumpri-la. Aqueles tais prefeitos que não se interessaram em tornar suas cidades digitais certamente são contra essa lei.

Procurando emprego na rede

Um dos serviços que acho mais úteis na internet é a rede Linked In. Foi criada para ser uma espécie de “Facebook de executivos”, em que estes trocam indicações, recomendam colegas, atualizam currículos etc. Enfim, uma rede social, digamos, profissional, voltada para carreiras e trabalho. Lá estou há uns três ou quatro anos e, como deve acontecer a muitos usuários, constantemente recebo mensagens indicando alguém para este ou aquele cargo. Na roda viva do mercado de trabalho, é mais do que natural – e até esperado – que uma pessoa hoje bem colocada apareça amanhã como “em busca de novos desafios”, ou algo assim. Faz parte da vida.

Amigos que trabalham na área de recrutamento me dizem que o Linked In é cada vez mais usado para buscar profissionais especializados. Não à tôa, muitas empresas mantêm lá seus perfis, abertos a possíveis candidatos. Acontece então o inverso: uma pessoa que esteja trabalhando acaba sendo encontrada por um eventual novo empregador.

O que me surpreende é encontrar ainda muita gente cujo perfil não identifica onde trabalha. Se houver um interessado, ficará sem saber se aquela pessoa está ou não empregada. Talvez seja constrangimento de colocar simplesmente “à procura de uma nova colocação”, ou “temporariamente disponível”, por exemplo. Qual seria a utilidade de participar de uma rede profissional (aliás, uma das que mais crescem no mundo) e não informar exatamente com que finalidade?

Outra informação que muitos costumam esconder é a idade. Sim, ainda existe enorme preconceito contra profissionais que já passaram dos 35, 40 anos e porventura estejam desempregados. Apesar disso, deixar de revelar um dado essencial como esse já coloca a pessoa em desvantagem, não? Mas até nesse aspecto, o combate ao preconceito, uma rede como a Linked In pode ser útil. Com a carência de mão de obra especializada, aumenta a necessidade de profissionais que tenham experiência na tomada de decisões, comportamento diante de crises etc. Muitas empresas e consultorias já descobriram isso.

Também faz parte da vida.

Mais um grande investidor

Não é novidade que o Brasil se tornou, nos últimos anos, um excelente paradeiro para investidores internacionais. Infelizmente, muitos vêm apenas atrás do lucro fácil, estimulados pelo governo, mas grande parte dos investimentos estão chegando para ficar. Comentamos aqui ontem sobre a Sony, que promete colocar no país meio bilhão de reais nos próximos três anos, e há vários outros casos. Grupos como as americanas Harman e Motorola (agora oficialmente incorporada pela Google Inc.) e a taiwanesa Asus estão ampliando negócios aqui, inclusive com a construção de fábricas ou linhas de montagem – nem vou falar das coreanas, que nesse ponto saíram bem antes das concorrentes, e não apenas no setor eletrônico.

Agora, surge a notícia de que a chinesa Lenovo – sediada em Hong Kong – estuda também montar uma fábrica no Brasil. Segundo maior fabricante mundial de computadores, a empresa que cresceu após adquirir a divisão de PCs da IBM, em 2005, chegou à conclusão de que não tem como competir aqui se não for dessa forma. “Podemos montar uma fábrica própria ou comprar uma empresa brasileira já constituída”, disse ao The Wall Street Journal o presidente da Lenovo para América Latina e Ásia, Milko van Duijl. “Mas, com os custos de importação vigentes, não há como ter sucesso”. Em 2008, já houve conversações para compra da Positivo.

É bom lembrar que a Lenovo já é líder no mercado chinês, com 30% de share, e acaba de conseguir o mesmo na Índia, e no primeiro trimestre deste ano obteve um inacreditável crescimento de 44% em suas vendas mundiais, enquanto o mercado como um todo cresceu apenas 5%. No ano passado, incorporou a divisão de computadores da japonesa NEC, passando a deter 25% do mercado local; e comprou ainda a alemã Medion. Mas no Brasil a empresa ocupa um modesto nono lugar (3,6%, segundo o WSJ). Van Duijl lembra que nosso país já é o terceiro maior mercado mundial de PCs, perdendo apenas para China e EUA.

Curioso é que justamente agora as vendas de computadores tendem a se estabilizar, com a popularização dos tablets. A Lenovo diz que, por enquanto, não pensa em lançar tablets no Brasil, nem o seu badalado TV Android, que já vem com um computador dentro, conforme comentamos aqui. Irá, portanto, remar contra a maré. Dinheiro para isso não lhe falta.

A Sony, lá e aqui

Enquanto na maioria dos outros países a política da Sony agora é enxugar custos e focar em determinados segmentos, no Brasil parece que a estratégia é bem diferente. Não pude estar no evento promovido pela empresa na última sexta-feira, mas as novidades anunciadas mostram que a ideia não é tirar o pé do acelerador, muito pelo contrário.

Por partes. No Japão, a Sony anunciou que desfez sua joint-venture com a Sharp para fabricação de displays LCD de última geração. Vendeu sua parte no negócio e, com os US$ 126 milhões obtidos, tentará colocar nos trilhos as contas, afetadas por mais um ano fiscal de prejuízos (cerca de US$ 5,7 bilhões). Segundo o site CIO-Asia, a Sony pretende agora adquirir os painéis prontos, de fornecedores chineses, dentro da linha adotada pelo novo CEO, Kazuo Hirai. “Agora é a hora da mudança para a Sony”, anunciou Hirai ao assumir o cargo, em abril, explicando que uma das novas propostas é se concentrar em menor quantidade de produtos e, sempre que possível, terceirizar a fabricação, ao estilo dos fabricantes americanos.

Mas em São Paulo, na semana passada, o discurso foi bem outro. Hirai falou pouco, mas não economizou elogios ao Brasil e ao seu potencial de crescimento. Não era para menos: a Sony cresceu 24% no país no ano fiscal encerrado em março. Somando com 65% de crescimento nas vendas em 2010, disse ele, o Brasil saltou do 17° para o 4° lugar no faturamento global da empresa. “Estamos crescendo no Brasil mais do que em qualquer outro país”, comentou Hirai. “A Copa do Mundo e as Olimpíadas vão impulsionar o mercado de eletrônicos de consumo para a casa dos dois dígitos”.

Em seguida, anunciou que o investimentos programados para o país somam R$ 500 milhões até 2014, sendo R$ 180 milhões só neste ano. Em seguida, anunciou que o investimentos programados para o país somam R$ 500 milhões até 2014, sendo R$ 180 milhões só neste ano (mais detalhes aqui e aqui).

Pulando os intervalos comerciais

O que você diria se sua operadora de TV paga criasse um dispositivo que permitisse saltar os intervalos comerciais dos programas? Que tal se todo programa gravado eliminasse automaticamente os anúncios? Bem, se você é publicitário certamente não iria gostar. E, se dirige uma emissora ou produtora de conteúdo, também não.

É exatamente essa a polêmica lançada na semana passada nos EUA pela operadora Dish Network, ao criar o recurso Auto Hop. Três das maiores redes que distribuem seus programas pela Dish (CBS, Fox e NBC) foram à Justiça, alegando que a operadora “não tem autoridade para mexer no conteúdo”, no qual se incluem os anúncios. A Dish respondeu com outra ação, justificando que aquele é um serviço útil aos assinantes, que podem, se quiserem, ver os anúncios.

Ou seja, a Justiça é que vai decidir. E, como já aconteceu há cerca de dez anos, é mais provável que decida a favor das emissoras. Em 2002, a empresa ReplayTV lançou um serviço similar, que acabou sendo proibido e levando-a à falência. A Dish é muito maior e mais poderosa (pertence ao grupo Echostar), mas está comprando uma briga indigesta. Corre o risco de ficar sem a programação das três fornecedoras, que certamente levarão consigo a quarta maior (ABC). Como pode uma operadora sobreviver nessas condições?

Há o que comemorar?

Quase ninguém lembrou – só o site do Ministério das Comunicações – mas na semana passada cumpriram-se dois anos do lançamento oficial do PNBL (Plano Nacional de Banda Larga). Aquele mesmo que o ex-presidente Lula anunciou como solução para quase todos os problemas do país. Claro que, pelos cálculos do governo, tudo está indo às mil maravilhas: o número de acessos triplicou no período, saltando de 27 para 70 milhões, entre fixos (residenciais) e móveis (via celular, notebook etc); e o preço das conexões está caindo. Sim, o ministro Paulo Bernardo diz também que está melhorando a qualidade do serviço, mas essa afirmação nem merece comentário.

Segundo os dados do Minicom, a banda larga já está presente hoje em 697 municípios, com previsão de chegar a 4.283 em 2014, quando o governo pretende inclusive que a Telebrás lance um satélite para atender a 1.282 localidades. Mais: pelos acordos firmados com as operadoras Oi, Telefonica, Tim, Claro, Sercomtel e Algar, 1.328 cidades já contam com conexões de 1Mbps a R$ 35 mensais (sempre dados do governo; para dados mais realistas, sugiro consultar a consultoria Teleco). Diz o Minicom que as operadoras concordaram em investir os R$ 20 bilhões estimados como necessários para tudo isso, algo que só o tempo dirá.

Um detalhe que mostra bem como esses planos são feitos: no texto original do PNBL, não há uma só referência à tecnologia 4G, que agora está sendo implantada em alguns países e tem o poder de elevar em cerca de dez vezes a velocidade média das conexões. Pois o Minicom, espertamente, agora inclui nas metas do Plano o leilão de frequências que a Anatel irá promover em junho para atender à demanda das operadoras por 4G. “Os vencedores da licitação… deverão garantir o pleno funcionamento do serviço nas cidades-sede da Copa do Mundo em 2014”, diz o informe do Ministério.

“Deverão garantir”? Como assim? Primeiro, é preciso ver quem irá participar do leilão, e como. Depois, quanto tempo será necessário para por no papel todas as normas e regulamentações, tarefas em que a Anatel, como se sabe, costuma exibir a velocidade de um engarrafamento paulistano. Pelo tom, essa “garantia”deve ser mais ou menos como a que o técnico Mano Menezes dá aos cartolas quando lhe perguntam se a seleção brasileira irá ganhar a Copa. Só mesmo com muito pensamento positivo!

Como é o som da sua TV?

Desde a última terça-feira, está em consulta pública no site do Ministério das Comunicações uma proposta para regulamentar as características do sinal de áudio transmitido pelas emissoras. Qualquer pessoa pode entrar neste link e sugerir mudanças – o que não quer dizer que estas serão atendidas; muitas vezes, as consultas públicas servem apenas para avalizar decisões previamente tomadas pelo governo. Mesmo assim, vale a pena se dedicar ao problema, principalmente se você – como eu – vive insatisfeito com o som que recebe em sua casa.

O problema é antigo (na verdade, essa regulamentação está prevista em lei desde 2001, mas nenhum ministro das Comunicações, nem dirigente da Anatel, se preocupou com o problema nesses onze anos). Deixando de lado a qualidade dos programas em si, que pode ser discutida em outro contexto, é fato que o áudio da maioria dos canais é, para dizer o mínimo, precário. Como não há padronização, muito menos fiscalização, cada emissora transmite do jeito que quer (ou pode). O mais irritante é a diferença de volume entre os programas e os intervalos comerciais; nestes, o som é propositalmente mais alto, o que é irregular. A proposta atual é para que essa diferença nunca seja superior a 1 decibel.

Em defesa do Minicom, é importante lembrar que esse é um problema mundial. É sempre forte a pressão dos anunciantes para que as emissoras aumentem o volume na hora dos anúncios. Mas há outras questões envolvidas. Por má qualidade de seus equipamentos, muitas emissoras transmitem programas com áudio quase ininteligível, no pressuposto – muitas vezes correto – de que em televisão a imagem é o mais importante. A nova regulamentação vale apenas para TV aberta, mas o problema também acontece nos canais pagos. Nestes, a responsabilidade cabe à operadora e, pelo menos, o assinante tem a quem reclamar (já comentamos o assunto aqui).

 

O pai do controle remoto

Mereceu pouco espaço na imprensa a notícia da morte de Gene Polley, 96 anos, o homem que inventou o controle remoto. Você que não larga o seu enquanto está assistindo televisão, saiba que Polley, falecido segunda-feira, foi um dos bambas da indústria eletrônica. Trabalhando para a Zenith, que chegou a ser uma das marcas mais populares dos EUA, ele acumulou 18 patentes próprias, primeiro na área de radares, depois receptores de rádio e aparelhos automotivos. Fez parte ainda da equipe que desenvolveu o “videodisco”, como eram chamados nos anos 70/80 os players de discos audiovisuais com leitura por agulha.

Mas foi mesmo o controle remoto sem fio – inicialmente chamado “Flash-Matic” – que lhe deu fama mundial. Criado em 1955, o acessório rapidamente se tornou item obrigatório nos TVs. Este vídeo dá uma boa ideia de como funcionava. Um receptor acoplado ao TV recebia os comandos básicos: liga/desliga, aumentar/baixar volume e troca de canais – nada além disso. Os primeiros controles eram como o da foto ao lado, mais parecido com um secador de cabelos! E a direção da Zenith criou anúncios como este abaixo, na crença de que a maioria das pessoas iriam gostar de pular os intervalos comerciais. Depois, Polley e sua equipe foram aperfeiçoando não só o design mas também as formas de acionamento.


Maldosamente, um blogueiro americano culpou-o pela enorme quantidade de pessoas sedentárias e/ou obesas que compõem a população americana. É a forma mais cruel de ver as coisas. Polley foi, isso sim, um dos gênios da tecnologia.

Imprensa contra imprensa

Já comentei aqui que o governo Lula transformou o país numa espécie de “luta de classes permanente”. Um fenômeno único na História brasileira, que o jornalista Alberto Dines definiu como “Fla x Flu político”. Aproveitando-se da crescente ignorância geral, os grupos políticos e econômicos em posições de liderança alimentam a tese de que é obrigatório estar de um lado ou de outro – nunca no centro, jamais na dúvida. Nessa boçal competição, quem defende o PT e suas políticas deve, necessariamente, condenar todas as ideias da oposição (leia-se: PSDB); e vice-versa. A preguiça mental e a desculpa da falta de tempo impedem avaliar as nuances de um lado e de outro, como se um governo, ou um partido, fosse um monolito inexpugnável.

Felizmente, vivemos (ainda) num regime democrático, ou quase isso. Ideias e opiniões podem ser verbalizadas e publicadas à vontade. E a imprensa continua sendo o grande, talvez único, espaço para isso. Hoje, porém, quando se usa a palavra “imprensa” é preciso estender o leque ao máximo, para incluir não apenas veículos impressos, mas rádios, TVs, sites, blogs etc. Nunca houve tantos meios à disposição de quem quer comentar os temas de seu interesse. Ainda que o nível desses comentários seja pobre (e isso é natural, num país sem base educacional nem tradição cultural), é sempre bom lembrar as palavras de Thomas Jefferson, um dos “pais” da democracia moderna: “Melhor ter uma imprensa ruim do que nenhuma imprensa”.

Fiz esse longo prólogo para sugerir aqui o link de um blog comandado pelo jornalista Fabio Panunzio. Não o conheço e, portanto, nada posso falar sobre seu caráter pessoal. Atualmente na Rede Bandeirantes, me parece um bom profissional. O que me chamou a atenção em seu blog, por indicação de meu amigo Moacir Japiassu, um dos maiores jornalistas brasileiros, foi a proposta de desmistificar a enorme quantidade de historias mal contadas (quando não mentiras mesmo) que circulam pela mídia em geral. Para isso, não basta escrever o que vem à cabeça, nem simplesmente emitir opiniões, ainda que fundamentadas. Panunzio recusa esse caminho fácil: pesquisa a fundo e publica aquilo que outros tentam esconder.

Tempos atrás, por exemplo, Mino Carta, outro grande jornalista, afirmou em entrevista à TV Cultura/SP que não houve censura à imprensa durante a ditadura militar. A única publicação censurada, segundo Mino, foi a revista Veja, fundada e dirigida por ele entre 1968 e 1976. Não estou mentindo. Pela narrativa de Mino, tudo o que você já ouviu falar sobre censura ao Estadão, Jornal do Brasil, Correio da Manhã e vários jornais da época não passa de invencionice (não acredita? Assista a este vídeo). Pois Panunzio, em seu blog, reproduz em fac-símile vários textos de Veja naquele período elogiando a ditadura militar e chegando ao extremo de sugerir a pena de morte para os militantes de esquerda (então chamados “terroristas”).

Sim, é de arrepiar. Mas, infelizmente, é dessa podridão que se alimenta, também, a democracia. Para o leitor que não conhece tão bem a história do país, a única saída é tomar muito, muito cuidado com tudo que lê e ouve. Há um Fla x Flu sendo disputado, mas ninguém é obrigado a torcer. Muito menos distorcer.

 

Quem grita mais alto?

Vários sinais no ar indicam que a euforia do consumo ficou para trás. O problema é a ressaca. Os dados mais recentes apontam que a inadimplência subiu 23,7% em abril, na comparação com abril do ano passado (4,8% sobre março e 19,6% na soma dos primeiros quatro meses do ano). Sim, esses números podem ser revertidos pela injeção de dinheiro promovida pelo governo na economia, através do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, mas não é aí que está o problema.

Como sabem os leitores, não sou economista. Apenas leio e procuro aprender com quem entende. Até o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, já está dizendo que a política de estimular o consumo se esgotou; primeiro, porque as pessoas estão endivididas (resultado da já mencionada euforia, que teve seu auge no final do governo Lula); e depois porque as empresas não têm condição de produzir mais – quando têm, esbarram na falta de infraestrutura para transporte e distribuição (vejam a análise do ponderado colunista Celso Ming).

Nesse quadro, chega a ser patética a nova grita da indústria automobilística por mais uma redução do IPI, enfim atendida ontem pelo Ministério da Fazenda. Com os pátios lotados, as montadoras buscam repetir a “mágica” que levou justamente à inadimplência – como os bancos agora estão mais rígidos no crédito, elas querem que o contribuinte pague a conta.

Infelizmente, o governo Dilma está, de novo, caindo nessa. Quanto aos investimentos, estes podem ficar para depois!

Dissecando o iPhone

Quanto custa de fato um iPhone? A consultoria americana iSupply foi fundo para encontrar a resposta. E montou o quadro ao lado, detalhando todos os componentes que entram na fabricação do aparelho, com seus respectivos preços e fornecedores. A conclusão foi que o custo para a Apple é de 178 dólares por unidade.

Para se ver como funciona a cabeça dos economistas, a revista inglesa The Economist, uma das mais badaladas do mundo, pegou os dados e concluiu que, ao vender o iPhone por 560 dólares (preço médio hoje no mercado americano), a Apple está ganhando nada menos do que $368 a cada aparelho vendido – a Foxconn, montadora chinesa, estaria cobrando apenas $14 pelo trabalho. O cálculo explicaria, segundo a publicação, por que a Apple é a empresa mais lucrativa e valiosa do mundo.

Tudo certo, não fossem os custos de design, engenharia, logística, software, embalagem, transporte, suporte pós-venda e por aí vai, que ninguém tem condições de calcular. Não, não estou defendendo os altos lucros da Apple, até porque nada ganho com isso. Mas esse tipo de raciocínio dá o que pensar. Observando o quadro, fiquei imaginando como o mundo seria mais simples se tudo pudesse ser analisado a partir dos números.

Só mesmo quem nunca teve uma empresa, nem produziu um palito de fósforo, pode raciocinar assim.

Privacidade, a grande ilusão!

Receio pelos amigos que vivem postando informações e fotos pessoais no Facebook e nas demais redes. Não passa um dia sem que surja uma notícia sobre privacidade (ou falta de) na internet. O problema mobiliza empresas especializadas em segurança digital, quadrilhas de vários países (às vezes trabalhando em conjunto), CIA, FBI, sei lá mais quem… E, pelo que se nota, ninguém até agora encontrou uma solução confiável.

Não sei se as centenas de milhões de usuários mundo afora têm noção, mas as duas coisas estão intimamente relacionadas: segurança e falta de privacidade. Toda vez que se passam dados pessoais através de uma dessas redes, corre-se o risco de que as informações caiam em mãos indevidas. Isso vale para números de cartões, senhas, contrassenhas, nomes de usuário, códigos, emails, mensagens do tipo SMS, fotos, vídeos… Comentando o caso recente da atriz Carolina Dieckman, o competente Pedro Dória, de O Globo, detalhou como a coisa funciona. Quando se trata de celebridades, é ainda mais fácil roubar dados – afinal, são figuras que adoram se expor. Mas até o anônimo que publica uma inocente foto de seu filho está dando munição aos malfeitores.

Já comentamos aqui a fenomenal investigação do Wall Street Journal, iniciada em 2010, sob o título What They Know (“O que eles sabem”), que resultou numa premiada série de reportagens. Ali, fica provado que o conceito de privacidade, como conhecíamos antes da era digital, simplesmente não existe mais. Em abril último, o jornal inglês The Guardian seguiu a mesma trilha e levantou as várias formas pelas quais somos – eu, você e todo mundo que usa a internet – monitorados a cada minuto por governos, empresas e sites aparentemente inofensivos, como Google, Amazon e Facebook.

No Brasil, as pessoas dão pouquíssima importância a isso – admitem ter seus dados roubados quase com a mesma facilidade com que aceitam pagar preços abusivos por produtos medíocres. Mas nos EUA, por exemplo, a questão da privacidade online mobiliza até o governo e o Congresso (a capa da revista Time, acima, é de 2001!!!) Agora, a revista Smart Money, bíblia dos novos ricos, listou quatro maneiras de você manter-se “invisível” na internet. Quer saber? Anote:

1.Agir como uma corporação – Tenha em casa uma rede igual à das grandes empresas, como senhas e antissenhas de proteção.

2.Ter medo, muito medo – Jamais exponha nas redes informações pessoais e/ou familiares: pense sempre que alguém (leia-se: um criminoso) estará vendo tudo.

3.Fique de olho em suas configurações – Não deixe de atualizar antivírus, e instale programas do tipo “do not track”, que impedem empresas de ter acesso indevido a seus dados. Importante: isso vale também (hoje, mais do que nunca) para celulares, tablets, TVs conectados e qualquer dispositivo que acesse a internet.

4.Use múltiplas identidades – É triste, mas os especialistas em segurança não têm dúvida em recomendar pseudônimos, apelidos e demais artimanhas, especialmente nas redes sociais. O próprio presidente da Google, Eric Schmidt, já disse: “Não use seu nome verdadeiro”.

Paranoia? Pode ser. Mas, como já dizia Millôr Fernandes, o preço da liberdade é a eterna vigilância.

 

Do belo ao mais belo ainda

Na semana passada, surgiu a notícia de que a Apple estaria em negociações para adquirir o controle da alemã Loewe. Destaque em todas as feiras internacionais de eletrônicos, essa empresa conquistou prestígio pelo design inovador de seus aparelhos – quase tanto prestígio quanto a dinamarquesa Bang & Olufsen. Seus TVs, players e equipamentos de áudio sempre se destacam na paisagem. E, no entanto, a Loewe vive uma crise financeira resultante da recessão econômica, já que a maioria de seus clientes estão na Europa.

O fato de ambas as empresas terem desmentido as negociações não significa muita coisa; o negócio pode ser confirmado a qualquer momento. Serviria para a Apple, enfim, entrar no segmento de áudio e vídeo sem ter que depender de seus fornecedores chineses, que vêm lhe causando muitos problemas. Ultimamente, tentar adivinhar quando a Apple irá lançar sua linha de TVs vem sendo um dos passatempos preferidos de dez entre dez jornalistas e blogueiros especializados em tecnologia.


Um dos mais recentes lançamentos da Loewe na Europa é este TV transparente, de 42″, criado pelo estúdio Yanko Design. Segundo o fabricante, o painel de leds é embutido numa finíssima película aplicada sobre a tela, feita de vidro especial, de tal modo que, quando desligada, torna-se de fato uma tela transparente. Nunca vi funcionando, mas é o tipo de ideia que agrada ao pessoal da Apple, não?

Tocando na ferida

Em entrevista ao Estadão neste domingo, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, admite pela primeira vez que a tributação aplicada sobre os serviços de telecom no país é “um escândalo”. Até aí, nenhuma novidade: todo mundo sabe! Não apenas em telecomunicações, mas em quase tudo. O que há de novo – além do fato de um ministro dizer isso publicamente – é que, aparentemente, o governo Dilma decidiu mesmo enfrentar essa questão. Já tinha prometido cortar impostos no setor de energia  e, segundo Bernardo, estuda como fazer o mesmo em telefonia.

Segundo ele, há uma dose de impostos federais incidindo sobre o consumo. Mas a obscenidade maior (a palavra é minha) está no ICMS, que é estadual. Na bagunça tributária brasileira, cada estado cobra quanto quer sobre o consumo de telecomunicações, energia, combustíveis e também sobre as vendas de automóveis e bebidas. No caso dos telefones celulares, os incautos que compram linhas pré-pagas achando que irão gastar menos são roubados todo mês: falar 100 minutos sai por R$ 135, enquanto nas contas pós-pagas o custo gira em torno de R$ 54 (os números são do ministro). O imposto, no pré-pago, é 2,5 vezes mais alto!

Na soma geral, Bernardo calcula que a tributação aumenta em cerca de 40% o valor da conta mensal de cada usuário. Seu plano é reduzir para 25%. Com isso, o setor – que vem crescendo quase 100% ao ano – teria um salto de 250%. Falta ver até onde vai a disposição do governo de, a exemplo do que fez com os bancos na questão dos juros, enfrentar os governadores e suas bancadas no Congresso. Mas não tem jeito: o ICMS é, sim, um escândalo. E, de escândalos, o país já está cheio!

 

A História, revisitada

Em alguns dias de reclusão forçada pelos médicos, pude terminar a leitura de um dos livros mais interessantes que vi nos últimos anos: “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil”, do jovem (31 anos) jornalista paranaense Leandro Narloch. Percorrendo caminho inverso ao da maioria dos seus colegas de hoje, ele decidiu recontar essa história (ou parte dela) não com base em suposições, achismos, modismos e dogmas ensinados na escola e/ou propagados pela mídia. Fuçou uma centena de livros, artigos e sites, consultou documentos, comparou estatísticas e elegeu alguns temas sobre os quais habitualmente há mais desinformação e preconceito.

Com essa capa inspirada na do disco “Sgt. Pepper’s”, dos Beatles, não sei se o livro teve boa vendagem (foi publicado em 2009), mas com certeza colocou uma pulguinha atrás da orelha de muita gente, especialmente os pseudointelectuais que se valem a ignorância alheia para transformar mentiras e meias-verdades em fatos incontestáveis. Sabiam, por exemplo, que Zumbi – tido nos livros de História como herói da raça negra e símbolo da luta brasileira contra a escravidão – também foi dono de escravos (negros)? Narloch cita vários documentos a respeito, sendo que dois deles estão nestes links:

Zumbi: Historiografia e Imagens, livro de Andressa Merces Barbosa dos Reis, disponível no site www.dominiopublico.gov.br

Vitimização do Negro nos Livros Estimula Preconceito, diz Historiador – entrevista publicada em 2007 no site em português da BBC

Outro tapa na cara dos professores de História do Brasil: os maiores responsáveis pelo genocídio de índios foram… os próprios índios. Narloch se apoia em historiadores de respeito e documentos históricos, publicados em vários países, para mostrar como todos nós fomos enganados na escola. Assim como no caso dos negros, ONGs e entidades que vivem de verbas públicas tentam perpetuar a tese de que os nativos foram vítimas dos conquistadores estrangeiros, quando na verdade a dizimação aconteceu, em sua maior parte, devido às guerras entre tribos. Mais detalhes aqui.

Não acreditei também quando li que, ao contrário do narrado por Fernando Morais no best-seller “Olga”, biografia do líder comunista Luiz Carlos Prestes, este não foi apenas uma vítima das ditaduras que assolaram o Brasil no século 20. Foi também um impiedoso assassino, capaz de trair companheiros e unir-se aos poderosos quando lhe convinha. Outro mito que cai despedaçado no livro é o escultor mineiro Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Da somatória de suas fontes, Narloch conclui que o grande artista celebrado por críticos de arte e marchands simplesmente nunca existiu; foi uma invenção (aliás, genial) do escritor Rodrigo Ferreira Bretas, baseada em lendas de que existira no interior de Minas Gerais um artista com vários defeitos físicos e que, mesmo assim, fora capaz de criar maravilhas.

Bem, paro por aqui. A quem ficou curioso, sugiro a leitura desse e de outros livros que procuram revisitar a história de nosso país com olhos mais atentos e menos preconceituosos.

“Quero meu TV burro”

O título acima foi usado pelo competente jornalista americano David Katzmayer, do site Cnet, ao comentar a nova geração de televisores que os fabricantes chamam de “smart”. Responsável pelos testes de equipamentos publicados no site, Katzmayer diz que, pessoalmente, não tem interesse pela enorme quantidade de recursos que vêm sendo agregados aos smart TVs: imagens 3D, acesso a uma infinidade de serviços via internet, controles remotos que fazem tudo… Radical, ele sentencia: o que interessa, mesmo, é a qualidade da imagem!

Katzmaier argumenta que, como usuário, se contentaria com um “TV burro” (Dumb TV) mais barato, em lugar de um TV inteligente (Smart TV). “Dumb” é como ele define um monitor básico, TV que possa ser conectado a qualquer outro aparelho para exibir lindas imagens e que não traga embutido nenhum recurso extra. Conheço algumas pessoas que compartilham essa opinião. Aqui mesmo, neste blog, já houve manifestações nesse sentido. Muitos acham que os fabricantes querem simplesmente aumentar suas margens de lucro adicionando recursos que as pessoas não irão usar. Deve ser verdade. Aliás, é assim que acontece desde que a revolução industrial tornou possível produzir bens de consumo durável em alta escala. É assim o capitalismo.

Com todo respeito ao nobre colega, nada mais distante da realidade econômica, industrial e social de hoje. Nenhum fabricante irá lançar um dumb TV, pelo bom motivo de que ninguém iria comprá-lo. Pode ser tentador achar que a indústria ganha rios de dinheiro vendendo itens supérfluos – e isso de fato acontece, em muitos casos. Mas quem raciocina assim despreza o esforço de milhares, talvez milhões, de profissionais de design e engenharia cujo trabalho é buscar a inovação e a superação, sempre e sempre.

Não fosse assim, ainda estaríamos vendo nossos filmes em preto e branco e ouvindo música em rádios de pilha.

Bem, o assunto é polêmico e dá uma boa discussão. Voltaremos a ele num dos próximos posts.

Férias forçadas

Amigos, após alguns dias de recesso obrigatório em função de uma pequena cirurgia, cá estamos de volta. Vamos ter que “pegar no tranco”, como se diz, para ir atualizando o que acontece nesse mundo maluco da tecnologia. Alguns assuntos, que poderiam ter rendido comentários aqui, ficaram para trás por força da simples desatualização: a overdose de informação é tamanha que o importante da semana passada já foi para segundo ou terceiro plano. Enfim, bora pegar no tranco.

Uma das notícias mais importantes dos últimos tempos foi a aprovação da Lei de Acesso à Informação, que entra em vigor nesta quinta-feira. A partir de agora, os órgãos públicos são obrigados (isso mesmo: OBRIGADOS) a fornecer qualquer tipo de informação solicitada por um cidadão – exceção feita a dados sigilosos, ligados à segurança do país. A lei vale para todos os governos, prefeituras, secretarias, ministérios, empresas estatais e também entidades (como aquelas que se dizem “sem fins lucrativos”) que recebam recursos públicos. Foi criado também o Portal Brasileiro de Dados Abertos, onde as pessoas poderão buscar dados sobre a administração pública de forma mais fácil e rápida. Importante: em todas as cidades com mais de 10 mil habitantes, passa a ser obrigatório divulgar as informações pela internet.

Pode parecer pouco, mas para quem – como eu – cresceu convivendo com burocracia e falta de respeito partindo de funcionários públicos, começando do presidente da República e chegando até o carimbador de documentos fornecidos pelos cartórios (estes ainda uma das grandes pragas nacionais), este é um dia a ser comemorado. Em todo país que se pretenda sério, o direito à informação sobre o governo é sagrado. E a tecnologia está aí para tornar esse direito uma realidade.

Agora, os problemas. A Lei de Acesso à Informação é uma vitória da sociedade, mas só terá efeito prático após sua regulamentação, que cabe aos distintos congressistas. Cabe, portanto, a nós, cidadãos e contribuintes, pressionar nesse sentido. Ou será que, de novo, vamos cair naquela conversa do “ganhou, mas não levou”?