Archive | junho, 2012

Começa a guerra dos tablets

Impressionante o destaque dado pela mídia ao tablet Nexus 7 (foto), que a Google Inc. promete lançar em julho para concorrer com o iPad. O assunto já vinha sendo especulado há meses, seguindo o estilo Apple de marketing: gerar o chamado buzz nas redes sociais, criando expectativa para o dia do lançamento (no caso, ontem, em San Francisco, durante a convenção anual de desenvolvedores da empresa).

Evidentemente, ninguém pode prever se o produto será um sucesso, muito menos se conseguirá superar o concorrente em vendas. As armas da Google são bem diferentes das usadas pela Apple, que por sua vez atua de modo bem distinto dos demais fabricantes (vejam o quadro abaixo). Mas achei curioso que ninguém – pelo menos que eu tenha visto – lembrou o lançamento do celular Nexus One, em 2010, um dos maiores fracassos da História. Ao contrário, os elogios ao aparelho foram quase unânimes, o que é no mínimo suspeito – a exemplo de muitos políticos, a Google mantém seus “evangelistas anônimos” ativos na web, e não é segredo que até entre jornalistas especializados americanos o tráfico de informação (para não dizer coisa pior) é, infelizmente, uma prática comum.

De minha parte, prefiro aguardar a chegada do aparelho ao mercado. Por ora, dêem uma olhada no quadro preparado pela equipe do The Wall Street Journal, comparando os quatro modelos de tablet que, provavelmente, estarão na linha de frente dessa nova guerra mercadológica:

 

Experts e adivinhões

Nesta sexta-feira, 29 de junho, completam-se cinco anos do lançamento do iPhone. Lembro bem daquele dia. Durante um evento que organizávamos em São Paulo, um dos palestrantes mostrou num telão o primeiro vídeo promocional do produto, que acabara de ser distribuído pela Apple. Ficamos, todos os presentes, boquiabertos. Eu, particularmente, ainda não tinha visto imagens do aparelho, nem imaginava como seria manusear uma “tela de toque” – tinha assistido apenas a frias demonstrações.

Bem, não preciso me estender na história. Todo mundo sabe o impacto do iPhone na vida moderna, a começar do fato de que, hoje, está ficando raro encontrar um celular que não tenha tela desse tipo. O site americano Business Insider lista uma série de mudanças que o mundo experimentou a partir do produto criado pela Apple, simplesmente o eletrônico de maior sucesso em todos os tempos. Segundo a empresa de pesquisas Strategy Analytics, já são mais de 250 milhões de unidades vendidas (100 milhões apenas nos últimos doze meses), que geraram ao fabricante uma receita de US$ 150 bilhões.

Mas o mais interessante foi o levantamento feito pelo site NetworkWorld, sobre o que foi dito na época do lançamento (junho de 2007). Sua equipe pesquisou artigos escritos por vários experts na ocasião, todos prevendo que o iPhone seria um fracasso! Equivale a uma aula de humildade. Algumas pérolas coletadas:

“Esse não é o futuro. Meu Nokia e61 é muito melhor”. (Brett Arends, jornalista especializado em finanças, hoje trabalhando no The Wall Street Journal).

“A Apple é incompetente para explorar novos mercados. O iPod foi exceção. O iPhone irá desaparecer com o tempo”. (Mitchell Ashley, executivo de TI e blogueiro).

“O iPhone será uma grande decepção” (Al Ries, consultor de marketing)

“O iPhone será um fracasso, porque seu design está totalmente errado”. (David Platt, programador de computadores e professor em Harvard).

Curioso que o pessoal do site foi atrás dessas pessoas agora, para saber o que teriam a dizer sobre tais previsões. A maioria reconheceu o erro. Mas ninguém foi mais humilde do que Todd Sullivan, consultor de investimentos, que na época recomendou a seus clientes que não comprassem ações da Apple. “O iPhone vai ser um fracasso, e as ações vão despencar”, escreveu ele num relatório. Procurado esta semana para se explicar, Sullivan mandou por email a seguinte mensagem:

“Eu estava errado – enviado do meu iPhone”.

Parceria japonesa pelo OLED

O anúncio conjunto entre Sony e Panasonic, nesta segunda-feira, de que irão trabalhar integradas para desenvolver a tecnologia OLED é mais uma sinalização de que está mudando a mentalidade empresarial japonesa. Até anos atrás, uma associação desse tipo seria impensável. São duas das maiores rivais na história do país, e certamente as duas maiores responsáveis pelo sucesso dos produtos japoneses em todo o mundo a partir dos anos 1960 (conto as histórias de ambas em meu livro “Os Visionários – Homens que Mudaram o Mundo através da Tecnologia“).

A rivalidade, porém, às vezes precisa ser deixada de lado, nem que seja temporariamente, quando há um inimigo mais forte à espreita. É o que devem ter concluído os executivos dos dois grupos ao analisarem prós e contras dessa parceria. Os números não deixam muita margem a dúvidas. O último ano fiscal foi o pior de todos os tempos para ambos, com a Panasonic chegando ao ponto – inacreditável para uma empresa japonesa – de anunciar a demissão de 7 mil empregados.

O inimigo, como se sabe, são as empresas chinesas e principalmente as coreanas Samsung e LG, que roubaram a liderança no setor de eletrônicos com uma agressiva política de marketing e de preços. Há quem diga que foram mais eficientes que os concorrentes, até porque a maior parte dos componentes usados hoje pela indústria vêm da mesma fonte: as montadoras da China, que têm custo operacional infinitamente mais baixo. Tanto coreanos quanto japoneses (e também americanos, alemães etc.) se beneficiam da mão-de-obra barata chinesa. Sai ganhando, portanto, quem tem mais criatividade e agilidade, tanto no design quanto na escala e na logística de distribuição.

Seja como for, os grandes grupos japoneses parecem decididos a buscar a liderança novamente. O tema já foi bem analisado neste artigo e neste também. Como a batalha parece perdida no terrenos dos TVs LCD, a saída agora é pensar no futuro e investir antes da concorrência. A união entre Sony e Panasonic, cujos detalhes ainda não foram divulgados, visa especificamente a produção em massa de painéis orgânicos para TVs e monitores, inclusive de telas grandes. O plano é começar a produzir em 2013 para, quem sabe, entrar de fato no mercado de consumo em 2014. O grande desafio é baixar os custos industriais.

LG e Samsung já anunciaram que irão lançar seus modelos OLED este ano, mas a um custo estimado de US$ 10.000 (modelo de 55″, para o mercado americano). Segundo a agência Reuters, a LG trabalha com um dado interessante: o consumidor médio só passará a comprar esse tipo de TV quando o preço atingir a casa dos US$ 7.000 – claro, parte-se do princípio de que a maioria irá perceber as vantagens da tecnologia OLED, especialmente nos quesitos resolução, contraste e definição de cores.

Se Panasonic e Sony estiverem fazendo as contas com a mesma calculadora dos coreanos, já devem saber que terão de colocar seu produto no mercado por um preço final mais baixo do que esse.

Áudio em 62 canais!!!

Não, não são 6.2 canais. São 62 mesmo! Fiquei curioso para ver (e ouvir) a novidade descrita pela Dolby Labs, em comunicado divulgado ontem nos EUA. Segundo a empresa, pioneira em processamento de áudio, 14 cinemas do país já estão equipados com o software Atmos, que amplia expressivamente as possibilidades de criação (e recriação) em cinema e vídeo. O primeiro filme exibido com esse padrão é “Valente” (“Brave”), novo desenho animado da Pixar, que acaba de estrear (assista aqui ao trailer).

E como funciona essa maravilha? Reproduzo aqui as explicações da Dolby. Os sinais de áudio são trabalhados em altíssimo nível de detalhamento, de forma a produzir sensações nunca antes percebidas pelo público, como pan-through (passagem natural dos sons de um lado para outro da sala) e overhead (sons circulando na área superior do espaço, sobre as cabeças da plateia).

Ficou curioso? Assista a este vídeo produzido pela Dolby. Mas saiba que tão cedo não há qualquer previsão de se criar uma versão do Atmos para home theater. E, para entender melhor a questão do processamento de áudio em filmes, sugiro a leitura deste artigo, em português.

TV Digital, em ritmo lento

Já comentamos aqui a questão do switch-off, nome em inglês para a data final da transição do padrão de transmissão analógico de televisão para o padrão digital. A data fixada é junho de 2016, mas na prática pouca gente acredita que será mantida. Como em quase tudo no Brasil, o prazo foi estipulado exatamente para não ser cumprido. A novidade é que agora até o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, admite. E tem bons motivos para isso.

Na semana passada, durante o Congresso da Abert, entidade que representa as emissoras, Bernardo defendeu um plano de emergência para que a transição obedeça ao calendário. “Precisamos ver se as pessoas estão comprando os televisores”, disse ele. “Talvez metade ou mais da população ainda tenha equipamentos analógicos. Temos que pensar em incentivos”. Era exatamente o discurso que a plateia, quase toda formada por representantes das emissoras, queria ouvir. Como é comum no atual governo, os discursos mudam conforme o público presente – o que é um contrasenso, considerando a velocidade com que as notícias se espalham pelas redes.

O curioso é que, mais uma vez, tenta-se transferir o problema para os fabricantes de TVs, e estes, sem uma entidade forte a representá-los, têm que engolir a seco. Segundo o ministro, se o país chegar a 2016 com 10 milhões de pessoas sem televisor digital, não será “de bom senso” desligar os transmissores analógicos. Não há uma estatística precisa sobre quantas residências já possuem receptor digital, seja embutido no TV ou o modelo externo, que pode ser conectado em qualquer TV. Informalmente, o mercado fala em 2 milhões de aparelhos já vendidos. Hoje, a maior parte dos modelos acima de 32 polegadas já está saindo de fábrica com o receptor integrado, mas evidentemente essa não corresponde à maioria dos domicílios.

Diz o site Convergência Digital que as emissoras garantem: a maioria delas, e também suas retransmissoras, estarão prontas para desligar seu sinal analógico em 2016. Isso, porém, de pouco adiantará se pelo menos 80% das residências não tiverem o receptor. Hoje, estima-se esse número em 35 milhões, ou seja, 28 milhões de famílias precisarão estar preparadas, caso contrário ficarão simplesmente sem sinal nenhum. Foi, aliás, o que aconteceu nos EUA, onde a transição teve que ser adiada porque era grande a defasagem; lá, o governo teve que fornecer receptores de graça, e ainda assim muita gente se recusava a fazer a troca, alegando estar satisfeita com o sinal que recebia.

Pelos cálculos da Abert, o governo brasileiro terá ainda de resolver o problema das pequenas emissoras do interior, que dificilmente conseguirão trocar seus retransmissores a tempo. A solução? Subsídio. Como sempre.

 

Livros digitais x livros impressos

Relatório da Associação das Editoras Americanas, referente ao primeiro trimestre do ano, confirma o que já se esperava: as vendas de ebooks superaram, pela primeira vez, as de livros impressos. O faturamento das editoras com livros em versão eletrônica somou US$ 282,3 milhões, contra US$ 229,6 milhões do formato tradicional. Para se ter uma ideia de como o segmento está evoluindo, nos últimos doze meses a receita com ebooks cresceu 28%, enquanto a dos impressos praticamente ficou na mesma (2% de aumento).

É bom notar que os números não se referem às quantidades vendidas, mas sim ao faturamento. Ou seja, as editoras estão ganhando mais com livros digitais, que têm custo de produção bem mais baixo (não há impressão e o sistema de distribuição é muito menos complexo e oneroso). Embora o preço médio unitário dos ebooks tenha subido nos últimos meses, não é isso que explica o resultado – o preço dos impressos não caiu na mesma proporção. A razão mais importante é que a livrarias virtuais estão se espalhando, e de forma cada vez mais agressiva; e a maior delas (Amazon) não para de criar facilidades aos seus usuários.

É uma atitude bem distinta da que se vê no Brasil. Não conheço estatísticas sobre o mercado brasileiro, onde ninguém gosta de divulgar quanto vende. Os dados mais recentes que encontrei são da Simplissimo, empresa que produz e vende livros digitais. Mas informa apenas que o setor aqui é extremamente concentrado (novidade?), com cerca de 30 editoras e meia dúzia de lojas virtuais sendo responsáveis pela maior parte das vendas. O site estima que estejam à venda no Brasil atualmente cerca de 11 mil títulos em português, quando apenas a Amazon mantém disponíveis mais de 3 milhões (em inglês, claro)! Mais detalhes, aqui.

E os preços… bem, não é preciso pesquisar muito para notar a discrepância. Como em quase todos os setores, também somos roubados quando queremos comprar um livro.

TVs maiores e melhores

Nesta quarta-feira, acontece a primeira reunião do 4K Working Group. Trata-se do grupo de especialistas, indicados por várias empresas, que irá definir as normas técnicas do padrão de TV 4K. Essas normas deverão valer tanto para os fabricantes de equipamentos (TVs, players, computadores etc.) quanto para emissoras, operadoras, produtores de conteúdo e desenvolvedores de software. A CEA (Consumer Electronics Association), que representa cerca de 2 mil empresas, incluindo todas os grandes fabricantes (só estão fora Apple e Bose), decidiu agilizar o processo. Cada vez se fala mais em 4K, tecnologia que é vista pela indústria como uma espécie de (mais um) salvador da pátria.

No início do ano, a CEA encomendou uma pesquisa em vários países – um resumo pode ser lido aqui – indicando os fatores que mais influem na decisão de compra de um TV. Deu na cabeça: qualidade de imagem e tamanho da tela. Pelo estudo, 51% das pessoas que pretendem trocar de TV nos próximos doze meses levam em conta principalmente a qualidade da imagem; e 50% dizem que pretendem uma tela maior.

Já se sabe que não há como melhorar a imagem dos aparelhos atuais. A resolução máxima é Full-HD, e ponto final. Mas, na prática, a maioria das pessoas confunde resolução com tamanho, inclinando-se a acreditar que quanto maior um TV melhor a imagem exibida. Claro, as duas coisas não têm relação, a não ser por um detalhe: a quantidade de pixels. Com o padrão 4K, que aumentar o número de pontos que formam a imagem, torna-se possível produzir telas maiores e, assim, seduzir o usuário.

Essa foi a conclusão da CEA, daí a iniciativa de formar o grupo. Nele estão representantes das fábricas, emissoras, estúdios de cinema, produtoras de vídeo e até revendedores. A ideia é, no prazo mais curto possível, coletar dados e sugestões de todos esses setores, e a partir daí definir o “padrão 4K” tanto para os aparelhos quanto para discos, downloads etc. Nesse meio tempo, o 4K Working Group irá criar também um “programa educativo” para orientar os consumidores.

Para entender melhor o que significa a “revolução 4K”, leiam este artigo.

O ano dos setentões

Paul McCartney, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Paulinho da Viola, Brian Wilson: o que há de comum entre esses gênios da música? Sim, todos nasceram no ano de 1942 e, portanto, estão completando 70 anos em 2012. Parece banal, mas aí está um fato que sempre me chamou a atenção. Alguns anos parecem ter sido abençoados. 1918, 1945, 1955, 1962 e 1968, por exemplo, ficaram marcados por uma série de acontecimentos que mudaram a História – dizem até que alguns deles sequer terminaram, mesmo já tendo se encerrado, pela folhinha, há décadas. Mas tantas mentes brilhantes vindo ao mundo num ano só? Já pesquisei e vi que 1941 e 1943, por exemplo, não foram tão pródigos. Qual será o mistério?

O melhor é que todos esses setentões estão aí, vivos e em plena atividade. Podem e devem comemorar seus aniversários no auge da condição de “celebridades”, essa classificação tão desmoralizada ultimamente. O leitor pode ter suas preferências, mas para mim todos eles foram (são?) geniais em suas respectivas praias. Wilson (20/06), por exemplo, que escapou por pouco da morte (via drogas) e chegou a ser internado num hospício, acaba de conseguir a proeza de reunir os membros sobreviventes dos Beach Boys para um disco comemorativo de 50 anos de carreira. Os fãs mais empolgados dizem que é o melhor disco do grupo até hoje.

Paul, que completa 70 aninhos nesta segunda-feira (18), exibe hoje mais vitalidade que a maioria dos artistas que cresceram inspirados pelos Beatles (quantos serão?). Não devia estar pensando que chegaria a tanto em 1967, quando compôs When I’m Sixty-four (“Quando eu tiver 64 anos”). Seu parceiro e quase irmão John Lennon disse, certa vez, que não admitia estar cantando rock quando chegasse aos 60 anos – pena que não viveu para confirmar ou desmentir a própria frase.

Quanto aos brasileiros, o que dizer? Gil (26/06), Caetano (7/08), Milton (26/10) e Paulinho (12/11) mudaram a cara do Brasil (e, ouso dizer, não apenas a cara musical) mais do que qualquer músico que surgiu depois; só falta Chico Buarque para se completar o quinteto mais genial de compositores que aqui surgiram e que ainda estão por aí (Chico é de 1944). Todos surgiram para a música na década de 1960, aquela em que tudo aconteceu no Brasil (Bossa Nova, Cinema Novo, Tropicalismo, Teatro de Arena, Ditadura Militar…). O mínimo que podemos dizer a eles é “parabéns” e “muito obrigado”.

Mas, insisto: haverá uma explicação? Lembro de uma entrevista que fiz com o cantor e guitarrista americano John Pizzarelli, fã de música brasileira, em Ouro Preto, quando lhe contei que naquela região haviam surgido vários grandes compositores (Milton, Ary Barroso, Toninho Horta, Wagner Tiso, Lô Borges, João Bosco). Pizzarelli me respondeu: “Deve ser a água”.

Será que a água brasileira era tão melhor em 1942?

Abaixo o controle remoto!

É raro o dia em que não sai uma notícia ou artigo sobre o uso crescente dos tablets junto aos TVs. Já comentamos o assunto aqui, mas há uma enchente de estatísticas mostrando que cada vez mais pessoas adotam o hábito da “segunda tela”: trocar mensagens com amigos sobre o programa que estão assistindo naquele momento. Já seriam 88% dos proprietários de tablets, nos EUA, onde se pesquisa tudo a toda hora. Outros números que vi, na semana passada, foram da comScore: quase 25% dos americanos que possuem tablet confirmam que usam-no mais para assistir a vídeos e/ou programas de televisão. Detalhe importante: desses, 27% pagam para ver esses conteúdos!

Alguns analistas apressados já recomendam jogar fora o controle remoto, que em breve não terá mais serventia, pois o próprio tablet – assim como o celular – pode se transformar num controle para TV e demais aparelhos da casa, bastando para isso baixar o aplicativo adequado.

Outra estatística interessante, da Forrester, indica que o número de pessoas fazendo compras online através de seus tablets já é maior que aquelas que preferem os outros meios (via computador, por exemplo). A facilidade da busca quando se está em trânsito seria o principal fator determinante, que já está levando algumas redes de varejo a direcionarem seu marketing para atingir o público nas proximidades de cada loja.

Sinceramente, não sei se tudo isso é bom. No Brasil, com as redes de banda larga caindo a toda hora, seja em casa ou na rua, acho que não corremos o risco de sermos “cercados” por essa febre de estar conectado o tempo todo, em todo lugar. Sorte nossa! É um hábito tão maléfico que para defini-lo os americanos criaram duas palavras horrorosas: ubiquity e serendipidity.

Pior do que isso só as traduções literais em português, cometidas por alguns sites de tecnologia: “ubiquidade” e “serendipidade”. OK, OK, a primeira até existe nos dicionários. Mas lembra neologismos como “resetar”, “startar”, “performar” e (pra mim a pior de todas) “brausear” (isso mesmo: vem de browser).

Agora, serendipidade, francamente… (vejam aqui).

 

Programadoras atrás das cotas

A mudança na lei da TV por assinatura, que já analisamos várias vezes (vejam aqui), está mobilizando as programadoras internacionais em busca de conteúdos brasileiros para cobrir as cotas agora exigidas por lei. Com exceção da Globosat – que detém os canais Telecine, SporTV, Globo News, Multishow, GNT, Viva e Futura -, todas as demais terão que se virar em negociações com produtoras nacionais, que agora têm maior poder.

Um fator positivo é que o Brasil já conta com excelentes produtoras, como O2, Casablanca, Zeppelin, Split, Bossa Nova, Conspiração e outras. Boa parte delas tem condições de suprir as necessidades do mercado. Evidentemente, o assinante é que terá de dizer, no futuro, sobre a qualidade das produções. Todo mundo sabe que a maioria dos canais pagos, hoje, tem baixíssima audiência, e é natural que as boas produções acabem caindo nas mãos das emissoras mais assistidos.

Parte do espírito da nova lei é justamente gerar mais empregos e conteúdos aqui no Brasil. No evento Fórum Brasil de Televisão, realizado na semana passada em São Paulo, executivos de várias programadoras confirmaram a disposição de contratar programas nacionais, casos de Fox e Universal. A primeira informou que já trabalha com nada menos do que 14 produtoras, incluindo a O2, do premiado cineasta Fernando Meirelles (“Cidade de Deus”), que está produzindo as séries “Contos de Edgar” – baseada em histórias de Edgar Allan Poe – e “360”, a ser exibida no canal National Geographic. Já a Universal criou até um endereço de email para receber sugestões de projetos.

Quem mais tem a ganhar são as produtoras de cinema, como lembra o site Tela Viva. No mesmo evento, o presidente da RioFilme, Sergio Sá Leitão, deu os números oficiais mais recentes: são hoje 15 canais de TV paga especializados em filmes, que em 2010 exibiram um total de 5.738 filmes (incluindo as reprises), dos quais apenas 908 eram nacionais; ainda assim, a maioria destes passou no Canal Brasil, que é totalmente dedicado a conteúdos brasileiros. Leitão acha que, com a nova lei, esse número deve aumentar para 2.300, ou 40% do total.

A voz do dono do TV

A edição de junho da revista HOME THEATER & CASA DIGITAL, que já circula nas bancas, livrarias e também via tablet, traz o primeiro teste feito no Brasil com o TV Samsung que reconhece voz e gestos. O modelo testado é um 46″ da série ES8000, top de linha da empresa, e além de ser comandado a partir da fala e de movimentos das mãos vem acompanhado de um acessório (I.R. Blaster) que permite acionar dessa maneira também outros aparelhos que utilizem comunicação por infravermelho.

Não sabemos se essa será uma tendência (acabamos de receber para teste também o modelo da LG, com basicamente os mesmos recursos, do qual já falamos aqui). Difícil saber até que ponto os usuários se sentirão confortáveis em passar suas ordens ao TV falando ou gesticulando, em vez de simplesmente usar o controle remoto, como sempre se fez (vejam este vídeo). Teremos que aguardar a reação do público. Mas é fato que esse tipo de novidade atrai uma boa parte dos consumidores. E, lembrando a polêmica da semana passada sobre Smart TVs, é importante afirmar que quanto mais recursos interativos possui um TV (na verdade, qualquer aparelho) mais refinados precisam ser seus processadores internos. O que, invariavelmente, leva a melhor qualidade de som e imagem.

O mesmo vale no caso dos TVs 3D: para reproduzirem imagens convincentes, precisam ser equipados com sensores e circuitos de última geração. Quem puder pagar por essas inovações estará fazendo um bom negócio.

Só para confirmar esse raciocínio, cito aqui uma reportagem da agência Reuters, publicada na semana passada, sobre um novo projeto da Intel, maior fabricante de chips do mundo. A empresa americana desenvolveu um conversor (set-top box) com reconhecimento facial, ou seja, capaz de identificar as pessoas numa sala. Usando um tipo mais avançado de processador, o aparelho poderia ser a base de um novo serviço do tipo OTT (over-the-top), nome genérico das plataformas que oferecem conteúdos de vídeo fora das emissoras convencionais (abertas e fechadas).

Segundo o texto, a Intel estaria negociando com provedores e operadoras dos EUA para entrar nesse concorrido mercado – onde, por sinal, também tentam entrar gigantes como Apple, Google e Microsoft. Se o equipamento puder identificar quem está assistindo, os anunciantes irão agradecer muito: é cada vez maior a convicção de que os atuais métodos de medição de audiência estão obsoletos.

Mensalão, quinzenão, semanão…

Meu velho pai morreu acreditando que o homem jamais pisou na Lua. Quando viu as imagens pela TV, achou que era tudo montagem… Lembrei dele ao ler, nos últimos dias, comentários na internet sobre o Mensalão. Incrível a cara de pau das pessoas que ainda dizem que tudo aquilo foi “invenção da imprensa”. Devem acreditar em Papai Noel, na visita da cegonha e similares.

Agora que o Supremo Tribunal Federal anunciou para agosto o julgamento do caso, começam a se espalhar pela web as versões mais disparatadas para, de duas uma: ou desviar o foco para outros assuntos (que, aliás, não faltam) ou apelar para a surrada ladainha de que não há provas. A última que li foi que ninguém provou que havia pagamentos mensais e, portanto, não cabe a palavra “mensalão”. Quanta criatividade! Se fossem pagamentos quinzenais, teríamos que usar, talvez, “quinzenão”? E se foram, digamos, de vez em quando, como defini-los? O mero fato de ter havido pagamentos, não importa a periodicidade, como já confirmaram a PF e a Procuradoria Geral da República, parece ser apenas um detalhe, não?

Aparentemente, essa estratégia está saindo da cabeça de Marcio Thomaz Bastos, aquele advogado que defende qualquer um desde que lhe paguem. E que consegue sentir-se à vontade trabalhando, ao mesmo tempo, para Carlinhos Cachoeira e para o PT, dizendo que um nada tem a ver com o outro. Bastos, que já defendeu todo tipo de criminoso, está no seu papel. Assim como se espera que um réu, qualquer um, negue seu crime até a morte. Como já disse um político americano, todo mundo tem direito a dizer o que pensa; agora, ser levado a sério é outra coisa…

O problema está nas pessoas que, sete anos após o escândalo, ainda ficam na dúvida. Esquecem, por exemplo, que o próprio ex-presidente Lula foi à televisão para pedir desculpas pelos atos de seus afilhados de partido. E que o próprio PT destituiu alguns dos acusados. Ora, se não havia nada irregular, por que pedir desculpas? E por que afastar companheiros tão queridos?

Felizmente, parece que a maioria dos cidadãos de bem não estão caindo nessa. E nota-se um crescente movimento em favor de um julgamento isento no STF. Entidades como MuCo (Movimento Contra a Corrupção), Movimento Ficha Limpa, Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e Associação Brasileira Contra a Corrupção e a Impunidade prestam um grande serviço ao país, denunciando e esclarecendo os casos que aparecem todos os dias. Via Twitter, Facebook e todas as mídias disponíveis, as pressões para que o STF não deixe passar mais essa oportunidade são não apenas legítimas, mas fundamentais.

Se é que ainda queremos falar em democracia e dignidade.

Procuram-se nerds…

Já dizia Bill Gates: “Não despreze os nerds: um dia você pode trabalhar para um deles”. As revistas de negócios estão repletas de histórias sobre garotos quase sem barba que montaram uma, como eles chamam, startup e ficaram ricos. Como essas mesmas publicações medem o sucesso de uma pessoa não por suas ideias e realizações, mas pelo dinheiro que acumulam, os tais garotos se tornam celebridades da noite para o dia. Por esse critério, o mundo é mesmo dos nerds – a propósito, já existe um site com esse mote: Mundo Nerd.

Deixo para os leitores julgar se isso é bom ou ruim para a vida no planeta. Fato é que os nerds ficaram tão importantes que já estão sendo convidados para a mesa do jantar. Notícia de hoje no site TorrentFreak, especializado no tema, revela que gravadoras de música, antes as maiores inimigas dos garotos que passam a vida rastreando códigos em computadores, pois isso quase sempre leva à pirataria, decidiram mudar de tática. As quatro maiores do setor (EMI, Sony, Universal e Warner) criaram uma empresa chamada proMedia, sediada na Alemanha, para descobrir como agem hackers, crackers e piratas em geral. Para isso, está contratando exatamente hackers e estudantes de computação.

Mais ou menos como se dizia antigamente: quando não é possível vencer o inimigo, una-se a ele. Afinal, quem melhor do que um nerd para entender como funciona a cabeça, e quais são os métodos, de um nerd?

Um país mais pobre

“A cada 15 anos, o Brasil esquece o que aconteceu nos últimos 15 anos”. 

Esta foi uma das frases geniais de Ivan Lessa, jornalista brasileiro que faleceu na última sexta-feira em Londres, onde morava desde 1978. Pouco conhecido em seu próprio país (até porque não fazia questão disso), Ivan, filho do escritor Orígenes Lessa, fez parte da equipe que, em 1969, fundou O Pasquim, semanário de humor que não só desafiou a ditadura da época como revolucionou a imprensa brasileira. A seu lado naquele projeto estavam nomes como Paulo Francis, Ziraldo, Jaguar e Millôr Fernandes, entre outros.

Como Francis e Millôr, Ivan foi um dos maiores pensadores brasileiros. “Pensador”, no caso, é aquela pessoa que utiliza sua vasta bagagem cultural para discutir o país e, com isso, tentar melhorá-lo. Não se filia a uma determinada corrente política, justamente para poder criticar todas elas, quando merecem. Não se prostitui intelectualmente, vendendo suas ideias a quem pague melhor, o que infelizmente é regra, não exceção, no Brasil. Não faz questão de agradar, nem elogia apenas por amizade (outra praga nacional). E contribui, com sua inteligência privilegiada, para clarear corações e mentes menos dotados.

Ivan Lessa era tudo isso e muito mais, como se pode perceber em sua biografia publicada no site da BBC Brasil, onde colaborou até na véspera de sua morte, e nos depoimentos de inúmeros colegas de trabalho. Para minha geração, foi uma espécie de guru, às vezes tão erudito que precisávamos reler seus textos várias vezes para compreendê-lo. Sua decisão de viver no autoexílio causou polêmica na época, mas foi absorvida por nós, seus fãs, com o prazer da leitura de suas crônicas, artigos, críticas (especialmente sobre cinema e música, suas maiores paixões). Como fica claro nesta entrevista, não deixou o país por prazer; foi vencido pelo inconformismo contra a mediocridade, a falta de educação, a bajulação, a submissão e o excesso de esperteza.

Quem o exilou foi o famoso jeitinho brasileiro, maior prova de nossa incivilidade. Pior para o Brasil, cada vez mais pobre.

Tablets, notebooks e ultrabooks

Os mais jovens talvez nem saibam o que é, mas sou do tempo da Comdex, que chegou a ser a maior feira de eletrônicos do mundo até início dos anos 1990, quando desapareceu engolida pelo próprio gigantismo. Havia inclusive a Comdex Brasil, que em certo momento virou filial de Ciudad del Este, no Paraguai. Tentando reviver pelo menos parte daquela grandiosidade, esta semana aconteceu em Taiwan a Computex, hoje a maior feira de informática do planeta. Embora dominada pelos fabricantes da ilha, alguns deles entre os principais da atualidade, o evento também teve espaço para “estrangeiros” como Samsung e Microsoft.

Claro, não estive lá, mas deu para fazer um apanhado das atrações. E o que mais chamou a atenção foi o vigor e o grau de inovação no segmento de computadores portáteis. Vejam alguns deles abaixo. Levando em conta que boa parte das montadoras desse tipo de aparelho hoje está localizada lá mesmo em Taiwan, é de se esperar que o design e os recursos estejam presentes nos futuros lançamentos das marcas consagradas. A Samsung, por exemplo, exibiu na feira seu novo ultrabook conversível (Series 5 Ultra) com memória SSD de absurdos 24GB (veja aqui um vídeo).

Acer Iconia W510 – Tablet de 10,1″ que se acopla ao teclado embutido no dock e pode girar até 295 graus.

MSI Slider S20 – Ultrabook de 11,6″ que pode ser convertido em tablet deslizando a tela. Já tem conexão HDMI.

Asus Taichi – Primeiro ultrabook com teclado e duas telas, ambas HD, uma delas do tipo touch, que podem ou não operar juntas. 

É bom olhar bem, porque muito provavelmente esse é o tipo de aparelho que estaremos usando num futuro muito breve.

 

Novas lojas de grife

No final de abril, a Samsung inaugurou sua primeira loja de grife no Brasil, no Shopping Higienópolis (São Paulo), criando uma nova política comercial que pode, a longo prazo, mudar a configuração do varejo brasileiro. A empresa havia inovado em 2007, quando lançou a Samsung Experience, primeira loja-conceito, também em São Paulo, onde os usuários podem experimentar os produtos, mas não comprar. Agora, é uma loja pra valer, focada principalmente em aparelhos portáteis. A empresa tem mais cinco projetos de lojas desse tipo a serem inauguradas este ano.

Sua principal concorrente, a LG, também já abriu a sua, em Porto Alegre, buscando um conceito diferente (a regionalização) – leiam aqui. Ambas seguem, com isso, os passos da Sony, primeira entre os grandes fabricantes a partir para “vôos-solo” como esses. No fundo, todas querem replicar o sucesso das lojas Apple, um fenômeno pelo mundo afora. Não é fácil, principalmente no Brasil, onde o custo do metro quadrado, em cidades como São Paulo e Rio, já se equipara ao metrópoles da Europa e dos EUA (vejam esta reportagem). E onde os custos indiretos – impostos, transporte, logística, encargos etc. – estão entre os mais altos do mundo.

Mas, pelo menos no caso da Samsung, a aposta parece ser mundial. O site americano SFGate publicou na semana passada que a empresa está abrindo lojas próprias no Canadá, como parte de um plano-piloto. Será essa uma boa estratégia, considerando que as maiores redes de varejo norte-americanas estão fechando, e não abrindo, lojas? O “case” Apple, parece, não pode ser tomado como referência. Aberta a primeira em 2011, a empresa fundada por Steve Jobs possui hoje nada menos do que 357 lojas, sendo 245 nos EUA e 112 em outros países (está abrindo mês que vem mais duas na China). Eram 273 em 2009, ou seja, de lá para cá a rede cresceu 30%! Mais impressionante ainda: segundo o mesmo site, com recessão e tudo, o faturamento das Apple Stores subiu 44% no ano passado, saltando para US$ 14 bilhões.

As cotas já chegaram

A partir de setembro, o usuário de TV por assinatura no Brasil deve começar a perceber as mudanças na programação de seus canais. Como queriam os produtores de cinema e vídeo, a Ancine – presidida por um deles, Manoel Rangel – definiu na semana passada a regulamentação da chamada Lei do Seac (Serviço de Acesso Condicionado), que pretende mudar radicalmente o panorama no setor. A ideia é exigir das operadoras e programadoras não apenas a reserva de horários para conteúdos nacionais (as polêmicas cotas), mas principalmente a submissão nos aspectos administrativo, financeiro e burocrático. Praticamente tudo – da qualidade dos conteúdos ao detalhamento dos contratos – terá que passar pela Ancine.

Se isso será bom ou não para o país, só poderá ser conferido mais adiante. De início, na prática, as cotas terão impacto pequeno: cada canal será obrigado, começando em setembro, a destinar pelo menos 1h10 por semana para conteúdos nacionais, sejam filmes, shows, programas de variedades, desenhos animados, documentários (só não entram na contagem eventos esportivos e jornalísticos). Isso equivale a dez minutos por dia. Em setembro de 2013, a exigência passa a ser de 2h20; e em 2014, 3h30 por semana, ou seja, meia hora por dia.

Evidentemente, essa mudança vem de encontro aos desejos dos produtores, alguns deles meus amigos, e muito talentosos, que sempre reclamaram da falta de espaço na TV paga. Curioso é que, na TV aberta, onde a audiência é sempre maior, não existe uma lei desse tipo, nem é reivindicada. A quantidade de produção nacional é infinitamente maior, e isso, como se sabe, não significa que a qualidade também seja. E pressionar as emissoras abertas significaria, basicamente, brigar contra a Rede Globo, que hoje mantém, através da Globo Filmes, a maior produtora de filmes do país (sem falar em suas novelas, séries, minisséries, seriados etc).

A discussão não é em torno do apoio (ou falta de) à produção nacional, até porque não teria cabimento: operadoras estrangeiras, como Sony e Fox, já mantêm programas de coprodução com produtores brasileiros. Certamente teriam todo interesse em exibir itens de qualidade como, digamos, “Cidade de Deus” ou “Tropa de Elite”, só para ficar em dois exemplos. O que cabe discutir é se não acontecerá na TV paga o mesmo que estamos vendo na TV aberta, com dezenas de canais sendo loteados para “produtores independentes”, como as igrejas e as empresas de televenda. Tomara que não!

Política para o povo

Em meio a tantos escândalos políticos, seria bom se o Brasil tivesse uma figura como Beppe Grillo, que aparece na foto dando uma “banana” para políticos e corruptos em geral. Esse comediante italiano ganhou fama extrapolando seu talento humorístico para se tornar portavoz de uma das correntes políticas que mais crescem por lá atualmente. Seu blog (vejam aqui) é um dos melhores exemplos de como usar a força da internet para questionar os poderes estabelecidos. Os políticos o odeiam, mas a população italiana, desencantada com os Berlusconi da vida, parece cada vez mais animada com Grillo.

Nas eleições da semana passada, o Movimento 5 Estrelas, fundado por ele, conquistou sua primeira vitória eleitoral expressiva: a prefeitura de Parma, uma cidade importante e influente. “Foi uma vitória da democracia sobre o capitalismo. Os cidadãos ganharam sem gastar um centavo para a campanha. É um fato completamente novo”, comentou Grillo, nascido em Gênova e hoje com 64 anos. Entre outras coisas, seu movimento defende a redução dos gastos militares e dos salários dos deputados e senadores. Pede também a saída da Itália da Zona da Euro, juntamente com os demais países em crise. O Movimento ganhou também algumas pequenas prefeituras e prepara-se agora para disputar votos no Parlamento (vejam neste vídeo uma boa parte de suas ideias).

O nome “5 Estrelas” vem dos cinco princípios adotados por Grillo como base conceitual: água, meio ambiente, transporte, crescimento e conectividade. Este último, ignorado pelos políticos tradicionais, acabou atraindo apoio daqueles que normalmente se recusam a votar, entre eles milhões de jovens. Depois de fazer sucesso na RAI, emissora de rádio e TV estatal, Grillo foi censurado e finalmente banido da mídia, de tanto criticar o governo. Sua saída foi partir para a internet, onde se tornou um fenômeno internacional. A revista americana Forbes, por exemplo, escolheu seu blog como o sétimo mais influente do planeta. Em setembro de 2007, foi pela web que Grillo organizou o evento conhecido como “Dia V”, quando cerca de 2 milhões de italianos foram às ruas, em várias cidades, protestando contra a corrupção.

O brilhante jornalista Sergio Augusto, em artigo para o Estadão, contou mais detalhes sobre essa figura, que infelizmente não possui (ainda) um clone brasileiro.

A polêmica do “TV burro”

O comentário que fizemos aqui semanas atrás sobre os Dumb TVs, que são o oposto dos Smart TVs, rendeu várias reações de leitores. Todas elas compreensíveis. Afinal, é de se esperar que a maioria dos que acompanham um blog como este seja mais bem informada que a média dos consumidores, quando não especialistas e/ou profissionais da área. Mas parece interessante ir mais fundo nessa discussão.

De fato, os “TVs inteligentes” enfrentam algumas barreiras, especialmente no Brasil. A mais importante delas é a má qualidade das redes de banda larga: se você não tiver uma conexão ótima, dificilmente conseguirá navegar através do TV e seus inúmeros aplicativos. Outra dificuldade é que, para a maioria dos usuários, navegar pela internet é um ato solitário, individual, enquanto ver televisão é em geral mais gostoso e envolvente quando se está em grupo. Não por acaso, grande parte dos apps oferecidos pelos fabricantes traz conteúdos de vídeo. É o que mais as pessoas querem ver. E, analisando pelo aspecto estritamente técnico, é um desafio embutir tantos recursos num único aparelho de modo que todos funcionem bem – os televisores atuais trazem um computador embutido!

Mas, como em tudo na vida, há um outro lado. Assistir vídeo em alta definição é muito melhor num TV de tela grande. Quem utiliza serviços como Now, Netflix ou mesmo os canais HD do YouTube sabe bem essa diferença. E se for possível ter tudo isso num aparelho só – no caso, o TV – fica mais fácil ainda. Aí é que entra o que alguns leitores chamam de “marketing”, mas que a meu ver é apenas bom senso: a maioria (e põe maioria nisso…) dos consumidores não quer complicação, quer conveniência. Prefere não se preocupar com conexões, adaptações, siglas e formatos. E se encanta ao ver dezenas de atrativos num aparelho, ainda que muitas vezes não saiba para que servem. É para esses consumidores que a indústria trabalha.

Enfim, como bem lembrou um leitor, há mercado para todos (ainda bem). Os mais exigentes continuarão sendo minoria, e sempre terão que pagar mais.