Parceria japonesa pelo OLED

26 de junho de 2012

O anúncio conjunto entre Sony e Panasonic, nesta segunda-feira, de que irão trabalhar integradas para desenvolver a tecnologia OLED é mais uma sinalização de que está mudando a mentalidade empresarial japonesa. Até anos atrás, uma associação desse tipo seria impensável. São duas das maiores rivais na história do país, e certamente as duas maiores responsáveis pelo sucesso dos produtos japoneses em todo o mundo a partir dos anos 1960 (conto as histórias de ambas em meu livro “Os Visionários – Homens que Mudaram o Mundo através da Tecnologia“).

A rivalidade, porém, às vezes precisa ser deixada de lado, nem que seja temporariamente, quando há um inimigo mais forte à espreita. É o que devem ter concluído os executivos dos dois grupos ao analisarem prós e contras dessa parceria. Os números não deixam muita margem a dúvidas. O último ano fiscal foi o pior de todos os tempos para ambos, com a Panasonic chegando ao ponto – inacreditável para uma empresa japonesa – de anunciar a demissão de 7 mil empregados.

O inimigo, como se sabe, são as empresas chinesas e principalmente as coreanas Samsung e LG, que roubaram a liderança no setor de eletrônicos com uma agressiva política de marketing e de preços. Há quem diga que foram mais eficientes que os concorrentes, até porque a maior parte dos componentes usados hoje pela indústria vêm da mesma fonte: as montadoras da China, que têm custo operacional infinitamente mais baixo. Tanto coreanos quanto japoneses (e também americanos, alemães etc.) se beneficiam da mão-de-obra barata chinesa. Sai ganhando, portanto, quem tem mais criatividade e agilidade, tanto no design quanto na escala e na logística de distribuição.

Seja como for, os grandes grupos japoneses parecem decididos a buscar a liderança novamente. O tema já foi bem analisado neste artigo e neste também. Como a batalha parece perdida no terrenos dos TVs LCD, a saída agora é pensar no futuro e investir antes da concorrência. A união entre Sony e Panasonic, cujos detalhes ainda não foram divulgados, visa especificamente a produção em massa de painéis orgânicos para TVs e monitores, inclusive de telas grandes. O plano é começar a produzir em 2013 para, quem sabe, entrar de fato no mercado de consumo em 2014. O grande desafio é baixar os custos industriais.

LG e Samsung já anunciaram que irão lançar seus modelos OLED este ano, mas a um custo estimado de US$ 10.000 (modelo de 55″, para o mercado americano). Segundo a agência Reuters, a LG trabalha com um dado interessante: o consumidor médio só passará a comprar esse tipo de TV quando o preço atingir a casa dos US$ 7.000 – claro, parte-se do princípio de que a maioria irá perceber as vantagens da tecnologia OLED, especialmente nos quesitos resolução, contraste e definição de cores.

Se Panasonic e Sony estiverem fazendo as contas com a mesma calculadora dos coreanos, já devem saber que terão de colocar seu produto no mercado por um preço final mais baixo do que esse.

Um comentario para “Parceria japonesa pelo OLED”

  1. Rubens Pires de Miranda disse:

    Realmente,os japoneses são bem mais lentos que os coreanos.

    Sem considerar a Sony(marca que abandonei há mais de 10 anos,devido a um período de atrazo tecnológico de seus produtos no Brasil), a Panasonic,pelo menos aqui,parece que faz questão de não vender seus produtos.Há ceca de 6 meses,me cadastrei no seu site para ser avisado quando estivesse disponível sua plasma 65VT30.Ontem recebo e-mail avisando que o produto chegou.

    Ora!A 2 meses do lançamento da VT50,não quero mais a VT30!ressalte-se que as VT50 já estão há tempos à venda na América do Norte e aqui ainda demora pelo menos 2 meses,enquanto a Samsung se farta de vender sua série eE8000 ,lançada praticamente junto como resto do mundo,pois tudo que chega é logo consumido pelos “early addopters”,enquanto a Pana parece o Brasil:”deitada eternamente em berço explêndido”.Depois reclama dos prejuízos!

    Acorda,Japão!

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