Archive | julho, 2012

Obsoleto ou não, eis a questão!

Mergulhados em tecnologia 24 horas por dia, sete dias por semana (24×7, como dizem os americanos), às vezes descobrimos que não sabemos nada – ou sabemos muito pouco – sobre os verdadeiros hábitos das pessoas. Admiro aqueles que têm disposição (e tempo) para viajar pelo interior do país, ainda que seja a trabalho, e conhecer a “outra” realidade. Conheço vários profissionais que fazem isso habitualmente, e estou sempre aprendendo com eles.

Por exemplo: você sabe quantas famílias ainda utilizam TV preto e branco? E quantas não conseguiram até agora abrir mão de seus TVs de tubo CRT, apesar de toda a propaganda em torno de plasmas e LCDs? Quantas não sabem o que é TV por assinatura e continuam escravas – não há outra palavra – das novelas, ratinhos, ratões e reality-shows da vida? Quantas acessam a internet? Como este é um país sem memória e sem referências (muito menos estatísticas), só podemos imaginar. O censo do IBGE dá algumas pistas, mas nada além disso.

Lembrei disso tudo ao ler, esta semana, um artigo de Daniel Newman, especialista americano em projetos residenciais, no site Commercial Integrator, dedicado justamente a esse público. Newman pesquisou e listou produtos que os revendedores nem deveriam mais estar comercializando, já que ficaram totalmente obsoletos com a evolução tecnológica. Na lista incluiu monitores VGA, cabos e conectores S-Video e de vídeo composto, displays que não sejam Full-HD e processadores analógicos, entre outros itens. Newman é bem sincero: “Se você ainda está vendendo displays que não sejam 1080p, está cobrando de seu cliente por algo obsoleto. Pode até economizar, mas não irá resolver os problemas deles.”

ATUALIZANDO: outro artigo no mesmo site contesta os argumentos de Newman. Leiam aqui.

Pois é, talvez lá nos EUA a realidade seja mesmo esta. Aqui no Brasil, com todos os avanços conhecidos, ainda ouvimos falar de coisas que pareciam extintas. Conversando recentemente com executivos da Sony, fiquei sabendo que a empresa mantém desde o ano passando uma equipe de pesquisas encarregada de visitar cerca de 2 mil residências para descobrir os hábitos das famílias. Os dados coletados são analisados e passam a servir de referência não só para o lançamento de produtos, mas para campanhas de publicidade, materiais de ponto-de-venda e treinamento de promotores. “Estamos adequando todas as nossas linhas ao gosto e aos hábitos do consumidor brasileiro”, diz Luciano Bottura, gerente de Comunicação e Marketing. Ele atribui em grande parte a esse trabalho a recuperação que a Sony vem tendo no mercado: foram 1,5 milhão de TVs do tipo smart vendidos nos últimos dois anos, me disse ele.

Evidentemente, não há como checar esses números, nem ter acesso aos dados das pesquisas. Mas é consenso no mercado que quase metade dos TVs existentes nas residências ainda são de tubo. E que isso, em vez de ser um problema, transforma-se numa grande oportunidade, considerando que estamos a dois anos da Copa do Mundo. Há uma enorme probabilidade de que até lá essas famílias enfim adquiram seu primeiro TV de tela fina, e é nisso que estão pensando todos os fabricantes.

Mas não deixa de ser constrangedor pensar que ainda somos um país obsoleto (em vários sentidos).

A piada do direito autoral

Se alguém quiser copiar e publicar algum texto deste blog, só poderá fazê-lo 70 anos depois que o autor destas mal traçadas for embora deste mundo. Não é uma boa piada? Pois está na atual Lei dos Direitos Autorais, escrita em 1966, revista em 1973 e novamente alterada em 1998. Agora, depois que uma CPI descobriu o que todo mundo sabia – que há farta corrupção no órgão oficial do setor, o ECAD – o tema voltou a ser discutido, em meio a forte pressão de alguns artistas. Uma trapalhada do governo federal (mais uma) impede, porém, que uma nova lei seja escrita e enviada ao Congresso. Permanece engavetado um anteprojeto elaborado em 2010 pelo Ministério da Cultura, comprovando que o assunto não é prioridade.

No Congresso, circula um outro projeto que, se pelo menos fosse debatido, ajudaria muito o país (vejam aqui um resumo). Basicamente, está se falando de adaptar a vida cultural brasileira à realidade do mundo digital e multimídia. Claro, é um assunto polêmico. Por isso mesmo, mereceria um debate amplo e aberto, por todos os meios disponíveis. O texto que está no Congresso libera, por exemplo, as cópias de produtos culturais para fins educativos, ou seja, bibliotecas, museus e órgãos do gênero poderiam utilizar cópias de livros, filmes etc., e fazê-las circular até mesmo por meios eletrônicos, nos limites de suas respectivas redes. Mais: ficaria autorizada a cópia informal, aquela que uma pessoa faz para uso próprio ou para compartilhar com amigos, sem fins comerciais.

Até aí, acredito que haja consenso. Os problemas começam quando se amplia o leque dessa liberalização. Um dos trechos do projeto prevê que não seria mais crime “a venda ou locação de obras intelectuais para fins informativos, de pesquisa ou para uso como recursos criativos”. Um livro ou artigo, portanto, poderia ser vendido, mesmo sem autorização de seu autor, e o vendedor alegaria que a obra lhe serve de “inspiração criativa”, ou algo do gênero. Outra piada, não? O site Convergência Digital abordou o assunto esta semana.

Sou daqueles que defendem a proteção dos direitos do autor em todas as situações – não precisa ser 70 anos após sua morte, talvez uns 10 ou 15! Mas soa meio ridículo dizer isso num país que nunca respeitou nem os direitos de grandes artistas e escritores de obras impressas, e que, portanto, dificilmente o fará no domínio digital. Há autores liberais nesse ponto – como Gilberto Gil e Paulo Coelho -, mas são exceção, não regra. A maioria das pessoas que defendem o “liberou geral” nada produz de criativo, nem faz a menor ideia de quanto custa escrever um livro, compor uma música, produzir um filme ou criar um software.

Faturam com o suor e o talento dos outros.

Olimpíada em 3D? Pode ser…

Confirmando o argumento de que a tecnologia 3D está mesmo destinada apenas aos grandes eventos, a rede americana NBC – que detém os direitos da Olimpíada de Londres para TV aberta nos EUA – anunciou nesta terça-feira que irá exibir um total de 242 horas sobre o evento em 3D. Num evidente exagero, a emissora informou ainda que 80% das residências no país irão receber o sinal.

É bom explicar: nos EUA, cerca de 80% das casas têm TV por assinatura, via cabo ou satélite. A NBC pretende liberar o sinal 3D, com um dia de atraso, para todas as operadoras, atendendo a um acordo com seu principal patrocinador, a Panasonic, que também é um dos patrocinadores da Olimpíada 2012. Mas a Dish, maior operadora do país, ainda não concordou com a oferta. E, mesmo que concordasse, não seria possível afirmar que 80% das residências estariam cobertas.

Bem, esse acaba sendo um mero detalhe. O mais importante é que, num passo além do que vimos na Copa do Mundo de 2010, o mercado – no caso, uma grande rede de TV – já se mostra preparado para cobrir um super-evento em 3D. A única ressalva é que as transmissões de Londres não serão ao vivo e virão em formato 3D side-by-side, em que a qualidade da imagem é inferir à do verdadeiro 3D Full-HD. Mesmo assim, é de se esperar que, se nada de grave acontecer até lá, teremos a Copa de 2014 com cobertura massiva nesse formato. Mas é preciso considerar outros fatores.

O negócio de televisão, no mundo inteiro, é movido hoje a grandes interesses políticos e financeiros. Na Copa que será realizada no Brasil, é quase certo que a Rede Globo irá gerar o sinal para o resto do mundo, em cooperação com a Fifa, que tem todo interesse na parceria. Sabe-se que a Globo trabalha intensamente, e em silêncio, para viabilizar seu projeto de transmitir parte de sua programação em 3D. Sabe-se ainda que a Sony, fornecedora histórica dos equipamentos de broadcast para a Globo, é patrocinadora da Copa e, como já aconteceu na África do Sul, ficará encarregada da estrutura técnica para cobertura dos jogos em 3D.

Juntando todos esses ingredientes, não é impensável um mega-acordo para viabilizar a primeira Copa em 3D. Só falta combinar com os demais patrocinadores.

Quanto aos jogos de Londres, uma novidade é que o Portal Terra – que detém os direitos para web no Brasil – fechou acordo com dois fabricantes de TVs, LG e Philips, para oferecer conteúdos do evento em smart TVs. A Philips anuncia inclusive que alguns serão em 3D, para quem possui TVs dessa marca adquiridos este ano. Em tempo: a Net ainda não confirmou, mas pode ser que seus assinantes tenham algumas imagens dos Jogos de Londres em 3D. Aguardemos.

Quem paga pelo seu anúncio?

Conforme se aproximam as eleições, vale mais a pena refletir sobre certas distorções que, assim como o guaraná e a jabuticaba, só frutificam no Brasil. Vamos tentar nas próximas semanas usar este espaço para falar de algumas delas. Agradeço ao colega jornalista, e também professor da USP, Eugenio Bucci, que outro dia, no Estadão comentou sobre o “estado-anunciante”, definição que é um primor de síntese. Eugenio me deu a deixa para este post.

No Brasil, infelizmente, liberdade de imprensa é um conceito mais comentado do que praticado. São bem poucos os veículos de mídia que conseguem se manter realmente livres; e muitos aqueles que se vendem a qualquer proposta tentadora. Mais ainda em época eleitoral. O “estado-anunciante” é aquela porção do governo (federal, estaduais e municipais) que utiliza parte de seu orçamento para veicular publicidade. Em nosso país, essa prática não sofre controle de qualquer espécie. Ao presidente e seus ministros, assim como a governadores, prefeitos, secretários etc., interessa usar essas verbas para colorir suas respectivas imagens, ainda que usando dados mentirosos. O pior que pode lhes acontecer é, depois de alguns anos, o Tribunal de Contas apontar “gastos excessivos” e reprovar suas contas, o que nunca lhes traz qualquer punição.

Eugenio Bucci argumenta, com razão, que essa é a maneira mais fácil de cooptar a imprensa – pela via do dinheiro. Se grandes jornais e revistas não estão imunes, que dizer dos nanicos, especialmente no interior? O mesmo acontece com emissoras de rádio e TV, sites, blogs etc. Pense nisso toda vez que você vir um anúncio da sua Prefeitura, do governo do seu estado ou de um ministério. Preste atenção quando tropeçar com publicidade de uma empresa estatal (a escolher: Petrobrás, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal estão entre os maiores anunciantes do país, habituais em quase todas as mídias).

E reflita a respeito, com seus amigos e familiares: veja o que estão fazendo com seu dinheiro. Será que o governo, qualquer governo, tem direito de gastar tão despudoradamente? E o que podemos fazer para, pelo menos, refrear um pouco essa prática abominável? Taí um bom tema para levar às redes sociais e ao seu candidato nas próximas eleições.

O TV de 22 mil dólares

Na Coreia, a LG anunciou o lançamento comercial dos primeiros TVs da geração 4K, que já comentamos aqui. Mas somente alguns privilegiados poderão adquiri-los, e ainda assim sob encomenda (a promessa é entregá-los até o final de agosto). Preço por lá: o equivalente a 21.975 dólares. O fabricante informou que, dependendo da receptividade, irá colocar mais peças à venda, mas apenas no mercado local; não há, por enquanto, planos para outros países.

Claro, não existe ainda conteúdo 4K disponível, nem mesmo na Coreia. Mas a LG planeja compensar o problema, em parte, oferecendo gratuitamente ao feliz comprador do TV uma filmadora 4K, para que crie seus próprios conteúdos. Só não foi especificado se o TV faz conversão de imagens para 4K.

Apenas para dar água na boca, aí vão algumas das especificações do brinquedo:

* Tela LED-LCD de 84″, compatível com 3D passivo (filtro FPR)

* Resolução: 3.840 x 2.160 pixels

* Aplicativos Smart TV

* Processador de áudio 2.2 canais (que a LG chama de “áudio 3D”), com alto-falantes embutidos

Segundo o site Engadget, a Samsung prepara um produto semelhante, só que de 75″.

 

Consumidores, lá e aqui

Apenas uma pequena amostra de como é tratado o consumidor num país onde o governo respeita seus cidadãos: a FCC, equivalente americana da Anatel, divulgou semana passada seu mais recente relatório sobre as velocidades de banda larga oferecidas pelas operadoras. Os dados são abertos e podem ser consultados a qualquer momento pelos usuários (vejam aqui). A conclusão é que o serviço melhorou, na média, em relação ao ano passado, assim como vem melhorando nos últimos anos. O quadro abaixo mostra os percentuais cumpridos pelas 13 empresas que atuam no setor, comparados àquilo que divulgam, ou seja, quanto cada uma delas de fato entrega de velocidade, proporcionalmente ao que foi prometido na assinatura do contrato.

Notem que determinadas operadoras superaram a velocidade prometida, caso em que, na tabela seu número é maior do que 100%. Segundo a FCC, a medição é feita principalmente no horário de pico: dias úteis, das 19 às 23hs. A tabela tira uma média entre as velocidades de upload e download. Neste último caso, a Agência diz que o percentual mais baixo foi de 77% da velocidade anunciada (no ano passado, havia sido 54%).

Claro, é impossível comparar as realidades americana e brasileira, ainda mais num serviço de tecnologia. Mas a lição pode perfeitamente ser aprendida. Três fatores principais estão por trás dos resultados: a introdução da fibra óptica nas redes, que vem sendo estimulada pelo governo; o aumento da fiscalização, desde o primeiro dia do governo Obama; e, mais do que tudo, o estímulo à concorrência. Não é por acaso que lá eles têm 13 operadoras brigando pela preferência do usuário, enquanto aqui há locais em que uma única empresa é responsável pelo atendimento a milhões de pessoas.

Isso tudo num país que está em crise econômica! Nós aqui, que somos ricos, não precisamos nos preocupar com essas coisas…

Automação, cada vez mais

Nos próximos dias 7, 8 e 9 de agosto, teremos em São Paulo a terceira edição da Expo PredialTec, hoje o principal evento dedicado às tecnologias de automação residencial e predial no país. Além de uma exposição com cerca de 40 empresas, será realizado no mesmo local mais um Congresso HABITAR, promovido pela Aureside, desta vez incluindo palestrantes estrangeiros.

Com certeza haverá muita coisa para ver e discutir. O segmento cresce rápido no Brasil, mais rápido que a maior parte dos outros setores, embora isso seja pouco visível para quem está de fora. Observando a planta do evento, encontramos diversas empresas que não participaram nos anos anteriores – ou porque ainda não haviam descoberto o nicho, ou porque surgiram apenas há meses, na esteira do interesse cada vez maior que a tecnologia desperta em arquitetos e construtores. Você provavelmente ainda não ouviu falar de nomes como Iluflex, Biltech, Controllar, Facsom, Munddo, S-Bus e AMCP, que estarão no evento disputando espaço com Crestron, Schneider, NeoControl, Z-Wave, BTicino e outras mais conhecidas. Todas estarão presentes.

Conversei recentemente com Ronald Zimmer, presidente da CABA (Continental Automated Buildings Association), entidade que representa construtores e integradores dos EUA, um dos convidados para o Congresso HABITAR deste ano. Ele esteve em São Paulo para participar de um evento ligado à área de segurança predial e confessou ter ficado surpreso com o estágio do mercado brasileiro. “Vocês têm que aproveitar este momento”, me disse Zimmer. “O Brasil tem uma economia robusta e, ao contrário dos EUA, não enfrenta problemas de desemprego e falta de investimento no setor de habitação. Com a Copa do Mundo e a Olimpíada, certamente muito dinheiro continuará sendo injetado no mercado”.

Não deixa de ser curioso o contraste. Em certas cidades americanas, há anos que não se constroi uma única casa ou edifício. Nas metrópoles brasileiras, e mesmo em cidades nem tão grandes assim, o que mais se vê são prédios residenciais, incluindo arranha-céus que ficam até deslocados na paisagem. E, quando se trata de construções de alto padrão, a tecnologia passou a ser um item essencial, principalmente se adotada ainda na fase de projeto. Entre outras vantagens, barateia a construção e facilita a vida do futuro morador, que ao entrar no imóvel encontrará toda a infraestrutura pronta para instalar o que quiser.

Enfim, a Expo PredialTec acontece num momento mais do que apropriado. Estaremos lá para acompanhar.

A culpa é das antenas!

Ainda sobre as punições da Anatel, que comentamos ontem, não é totalmente verdade que o consumidor saia prejudicado com a interrupção das vendas por parte das três operadoras (Claro, Tim e Oi). Em São Paulo, por exemplo, só a Claro foi punida; portanto, restam ao consumidor paulista as outras duas opções mais a Vivo. Sim, o ideal seria que houvesse oito ou dez empresas competindo, mas essa, infelizmente, não é a realidade brasileira.

Embora nada tenha dito a respeito, a Anatel parece ter escolhido a dedo as praças onde aplicaria a medida. Quem pode sofrer mais é o pessoal do Norte e Nordeste, que normalmente só conta com uma operadora oferecendo linhas de celular. A propósito, a Folha de São Paulo lembra hoje, em editorial, a inovadora solução aplicada na Inglaterra, que poderia perfeitamente ser copiada aqui. Lá, eles obrigam a operadora a interromper a cobrança do serviço quando há problemas, ou seja, o usuário não teria que pagar por algo que não recebeu (ou recebeu com má qualidade).

Agora, numa coisa é impossível discordar das operadoras: as dificuldades de infraestrutura no Brasil dificultam qualquer plano de investimento. Não sei se a Claro, por exemplo, fala sério quando diz que já investiu bilhões este ano; se o fez, ainda não foi possível perceber resultados. Mas é fato – e agora a própria Anatel admite – que implantar redes neste país é quase um pesadelo. Além de toda a burocracia já conhecida, existem questões administrativas, políticas e até ambientais, que são usadas pelas prefeituras para retardar a instalação de antenas e postes.

Sem falar na velha propina, tão velha que já é quase aceita como “normal”.

 

Áudio DTS chega aos TVs

O jornal Korea Herald, da Coreia do Sul, informou ontem sobre um acordo entre a Samsung e a americana DTS (Digital Theater System), para introdução de um novo software no áudio dos TVs. Chama-se “Neo2:5” e seria capaz de converter qualquer sinal estéreo para 5.1, como nos sistemas de home theater. Segundo Jea Yoo (foto), vice-presidente da DTS na Coreia, esse processamento será embutido nos TVs Samsung das linhas 7000 e 8000 lançados este ano, e a partir de 2013 torna-se item de série para todos os modelos.

Até que demorou para a Samsung adotar uma solução como essa, considerando que três anos atrás a LG anunciou parceria semelhante com a THX. A diferença é que, no caso da DTS, o software é fornecido à parte e integrado pelo fabricante do TV durante a montagem do aparelho; THX é mais uma marca de validação: a empresa cobra royalties para testar e avalizar o produto antes de ser lançado.

Tanto a DTS quanto a THX e a Dolby (todas californianas, todas na linha de frente em processamento de áudio para vídeo e cinema) disputam hoje a preferência dos fabricantes para embutir seu software em TVs e outros aparelhos. A próxima etapa dessa corrida se dará no campo dos dispositivos portáteis, como tablets, smartphones, MP3 players e fones de ouvido. Basicamente, estamos falando de algoritmos que sintetizam o som original e simulam sua distribuição pelo ambiente, como se houvessem cinco caixas acústicas. Em breve, Neo2:5 e similares (os chamados codecs: MasterAudio, Neo:X etc.) estarão presentes em players Blu-ray, receivers e também nas caixas acústicas do tipo soundbar, desenhadas para substituir todas as outras.

Querem saber mais sobre esses processamentos? Leiam aqui.

3D sem óculos em Ultra-Alta Definição

Os felizardos que estiverem perto de Londres na semana que vem poderão admirar o que promete ser uma das atrações dos Jogos Olímpicos: o primeiro display de vídeo 3D com resolução Ultra-D, também conhecida como Ultra-HD ou “Ultra-Alta Definição”). Quem já viu – por exemplo, o pessoal da BBC e da StreamTVNetworks, empresa responsável pelo equipamento – garante que é fantástico. A tela, de 42″, ficará exposta, exibindo imagens dos Jogos, num bar do famoso Covent Garden, um dos pontos mais charmosos da belíssima capital inglesa.

Detalhe: ninguém precisará usar óculos especiais para ver as imagens em três dimensões. O sistema foi preparado para converter, em tempo real, as imagens que forem geradas pela BBC em formato convencional (2D) ou em 3D estereocópico (com óculos), que é como o mundo inteiro irá assistir. O nome técnico é Ultra-D SeeCube Conversion Box e, segundo Matt Young, diretor da StreamTVNetworks, é a única tecnologia até agora que elimina as distorções inerentes às projeções em 3D autoestereoscópico (sem óculos). “Com essa solução, foi possível anular o problema do ângulo de visão”. Segundo ele, um equipamento similar será instalado em Nova York, também na próxima semana. Anotem o endereço: 212 West 79th St, junto ao Central Park.

Mas não é só isso. Segundo o site Display-Central, os frequentadores do bar poderão assistir a demonstrações do sistema adaptado para iPad e para a plataforma iTunes, também em 3D sem óculos.

 

Anatel endurece o jogo

Ninguém pode alegar surpresa com a decisão da Anatel de suspender as vendas de linhas da Oi, Tim e Claro, anunciada nesta quarta-feira. Há anos se fala na má qualidade dos serviços prestados pelas teles, que são campeãs em queixas no Procon, e a Agência sempre foi condescendente. Apenas dois aspectos podem causar estranheza: por que a medida não atingiu também a Vivo, tão criticada quanto as demais; e por que a pena de impedir as vendas, que pode prejudicar o consumidor. Não seria mais justa uma punição em dinheiro, compatível com os prejuízos causados?

Enfim, a mudança de postura da Anatel precisa ser analisada sob pelo menos dois ângulos. Do lado político, se enquadra na filosofia gerencial do governo Dilma, que volta e meia elege um setor ou um grupo de empresas como “inimigo público”, procurando com isso ganhar simpatia da população sem propriamente resolver o problema. Já aconteceu com as montadoras de automóveis, os bancos, os planos de saúde – e todos continuam atuando da mesma forma. Pressionada pelos baixos índices da economia, e com a proximidade de uma eleição, Dilma não encontra uma forma de governar que não seja colocar a culpa nos outros. A propósito, foi patética sua declaração da semana passada, de que o desenvolvimento de um país não deve ser medido pelo PIB – o mesmo PIB que serve de referência em todos os países e que tantas vezes foi usado pelo próprio governo como indicador de seus acertos.

Um segundo ângulo de análise da decisão da Anatel, a meu ver, está relacionado com a atitude das operadoras. O presidente da Agência, João Rezende, fala que as empresas precisam aumentar seus investimentos nas redes e cobra planos nesse sentido. Praticamente todos os seus antecessores fizeram o mesmo, assim como vêm fazendo os ministros das Comunicações nos últimos anos. Já o SindiTelebrasil, que representa as teles, garante que os investimentos estão sendo feitos e que seus resultados serão sentidos mais à frente. É a mesma conversa que ouvimos desde sempre e que nada esclarece.

Num regime capitalista, uma empresa só investe quando sente necessidade de ganhar (ou preservar) seu mercado, diante dos concorrentes, e com regras claras em vigor. O governo não pode (e não tem como) interferir nos planos de investimento privados, a não ser que pretenda estatizar, o que não parece ser o caso. Quando, por exemplo, elabora um Plano Nacional de Banda Larga sem consultar as empresas e depois exige que elas cumpram o que está escrito, corre o risco de ficar falando sozinho. O mesmo, aliás, acontece agora com a implantação das redes 4G, tidas como “prioridade” para a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.

Burocratas e políticos tiram esses planos da cartola para atender a seus interesses, e se esquecem de “combinar com o adversário”, como se diz no futebol. Com isso, dão às empresas um ótimo pretexto para manter tudo como está. Ficamos então assim: as teles agora apresentam seus planos de investimento, que podem ser meras peças de ficção, o governo finge que acredita e tudo continua na mesma.

O consumidor que fique reclamando!

 

Em tempo de TV por assinatura

Uma edição especial que estamos preparando para a feira da ABTA, no final do mês, acabou tomando boa parte do tempo antes dedicado a este blog. Por isso, nos últimos dias não consegui manter o ritmo das atualizações. Peço desculpas aos leitores. Vamos retomando aos poucos.

Pesquisando sobre o assunto com várias fontes, deu para confirmar que realmente o setor de TV paga é um dos mais ativos do momento. Não apenas pelas polêmicas, especialmente em função da nova legislação e dos poderes concedidos à Ancine, ainda sub-júdice no STF (mais detalhes aqui), mas pelo fantástico crescimento do número de assinantes. Nos últimos três anos, nada menos do que 7 milhões de domicílios passaram a receber o serviço, praticamente dobrando a penetração da TV por assinatura no país. Já são cerca de 15 milhões, devendo chegar ao final do ano com 16,5 milhões, o que, pelos critérios do IBGE, irá significar mais de 60 milhões de usuários (quase 1/3 da população). Ainda é um número baixo, se comparado com a Argentina, por exemplo, mas o tamanho do Brasil desautoriza qualquer comparação do gênero.

Outro detalhe importante que constatamos é a pronta resposta dos assinantes a inovações como video-on-demand e PVR (Personal Video Recorder), que não existiam até três anos atrás. Assim como aumenta rapidamente o acesso a serviços como Netflix, hoje o grande “inimigo” da TV paga em todo o mundo. Os privilegiados brasileiros que têm boa conexão de banda larga vão aos poucos deixando de visitar as videolocadoras físicas para aderir ao conforto dos serviços online (não entro aqui no mérito da qualidade dos conteúdos oferecidos; a migração se deve mais à comodidade).

Chama atenção ainda o movimento – que também já comentamos aqui – das programadoras internacionais em busca de conteúdo nacional para cumprir as polêmicas cotas estabelecidas pela nova lei. Sejamos contra ou a favor, o fato é que – a menos que o STF altere essa situação a curto prazo – os canais pagos vão passar a oferecer mais coisas produzidas no Brasil. Nos bastidores, comenta-se que deve aumentar o número de reprises de filmes de sucesso. Prepare-se para ver dezenas de vezes Tropa de Elite, Se Eu Fosse Você e outros sem a mesma qualidade.

Enfim, o brasileiro descobriu a TV paga, ainda que seja apenas para continuar vendo os mesmos canais.

Telefone fora de moda

A figura de linguagem usada no post anterior – sobre elefantes comendo grama – é meio paranoica, reconheço. Mas uma notícia divulgada no site do The New York Times esta semana faz pensar que, talvez, estejamos mais próximos da paranoia do que parece à primeira vista. O jornal levanta uma questão mais do que oportuna: por que as empresas de internet, que tanto defendem a “liberdade total” na rede, não se abrem para seus clientes?

O repórter tentou, por exemplo, entrar em contato com a empresa Twitter Inc., que em seu site divulga um número de telefone. Ao ligar, ouviu mensagem informando o nome do próprio site e um endereço de email, repetidos por três vezes, após o que a insistente secretária eletrônica simplesmente desligou. O mesmo aconteceu quando tentou ligar para a Facebook Inc., com a diferença de que, nesta, a ligação foi transferida várias vezes, terminando com a triste sugestão: “Tente o email, por favor”. Na Google, o convite para tentar uma mensagem eletrônica se repete nada menos do que onze vezes, após um longo discurso sobre os benefícios da internet.

Sinal dos tempos? Claro, para que telefonar se você pode “dar um Google”, ou mandar um email. Aliás, mesmo este parece com os dias contados, graças à velocidade do SMS. O NYT foi buscar explicações com as empresas, que alegaram não ter condições de atender a ligações telefônicas, pelo fato de que não possuem funcionários suficientes; o Facebook, por exemplo, tem um para cada 300 mil usuários!!!

Na verdade, o motivo é meramente econômico. Atender as pessoas – e principalmente atender bem – custa caro. A Google, aliás, desistiu até de responder os milhares de email que recebia por dia, transferindo a tarefa para seus infindáveis “fóruns”. Mas, como diz um especialista entrevistado pelo jornal, as pessoas são (ainda) de carne e osso, e uma empresa que se propõe a ter milhões de clientes deveria levar isso em consideração. “Alguns ficam desesperados para simplesmente ouvir uma voz humana, e não uma gravação, do outro lado da linha”, explica Mari Smith, cuja empresa fornece treinamento em mídias sociais. Nessa condição, ela diz ser “bombardeada” por pessoas que têm problemas em suas contas no Facebook, por exemplo.

Essa reportagem me fez lembrar de duas experiências que tive com o atendimento de empresas americanas: Apple e Amazon. Fui atendido via chat online: alguém “conversou” comigo digitando as respostas num canto do site. Em ambos os casos, foram extremamente educados e resolveram os problemas em poucos minutos. OK, OK, melhor seria ter ouvido suas vozes, para me sentir como uma pessoa de verdade. Mas, pensem bem: não é pior ser atendido por um desses – desculpem, não encontro outra definição – papagaios que trabalham em certos serviços de teleatendimento? E que só sabem repetir infinitamente as mesmas frases, recheadas de gerúndios? E que, na maioria das vezes, acabam não resolvendo o seu (nosso) problema?

Não, o telefone não é mais indispensável. Ou melhor, nossas vozes não são mais necessárias. Silêncio, por favor. O negócio é se virar clicando aqui ou ali.

 

 

Futebol e suborno, paixões brasileiras?

Nesta quinta-feira, a imprensa internacional repercutiu a decisão da Justiça suíça, que liberou os nomes dos dois principais envolvidos no esquema de corrupção da FIFA, denunciado anos atrás por jornalistas ingleses. São eles, claro, João Havelange e seu genro Ricardo Teixeira. Todo mundo sabia, mas até agora não existiam provas formais. Finalmente, os juízes suíços entenderam que, mesmo sem poder punir os salafrários, pelo menos a sociedade (no caso, a brasileira) tem o direito de saber seus nomes.

O que mais me chamou a atenção no episódio foi a argumentação dos advogados que defenderam a FIFA. Eles escreveram, e assinaram embaixo, que de nada adianta a entidade tentar – como seria razoável – obter a devolução do dinheiro que os dois pilantras arrecadaram ilegalmente, via suborno explícito. Alegaram que “pagamentos de subornos pertencem ao salário recorrente da maioria da população da América do Sul e da África”.

Se o governo brasileiro não estivesse envolvido até o pescoço nas tramoias da FIFA, seria o caso de processar a entidade, no mínimo, por ofensa ao povo brasileiro. Ou você, que é assalariado, se sente confortável com a acusação de que recebe suborno?

Se não é esse o seu caso, o site da ESPN conta a história em detalhes.

Todos contra o cliente

Diz uma velha história que quando dois elefantes brigam quem sofre mais é a grama. Imagino que assim devem estar se sentindo os assinantes da DirecTV americana, após descobrirem que nada menos do que 26 canais simplesmente desapareceram de seus televisores. São os canais da Viacom, conglomerado que é dono, entre outras, de marcas consagradas como MTV, Nickelodeon e Paramount Pictures. Devido a uma divergência quanto aos valores que deveria receber da DirecTV, a Viacom decidiu cortar o sinal dos canais sem qualquer aviso.

Como represália, o que fez a operadora? Colocou no ar um site (DirecTV Promise) orientando seus assinantes sobre como ver programas da Viacom de graça na internet. Para completar o estrago, esta bloqueou o acesso via web, colocando a culpa de tudo na DirecTV, que por sua vez a acusa de querer aumentar em 30% o custo dos programas (a história é contada em detalhes aqui).

Você, que se queixa da sua operadora aqui no Brasil, provavelmente não consegue imaginar algo do gênero em seu televisor. Bem, tivemos um exemplo anos atrás, quando a Sky (por sinal pertencente à DirecTV) retirou do ar a MTV, também por desentendimento financeiro. No caso, era apenas um canal. Ainda assim, fica claro que, nesse tipo de desavença, quem sai perdendo sempre é o assinante, que nada tem a ver com o imbroglio. Assinante que, portanto, fica na mesma situação da grama, na história que inicia este texto.

Aliás, dizem também que quando os dois elefantes fazem as pazes, ambos vão comer a grama…

Espionagem industrial nos TVs?

Infelizmente, é impossível saber a verdade neste caso. Mas um site dinamarquês chamado Flat Panels HD divulgou documentos aparentemente confidenciais sobre a nova linha de TVs Philips (vejam aqui). O próprio site atribui a publicação a uma “fonte russa”, daí não se poder confiar de todo. Seja ou não espionagem industrial, aqui vão os detalhes.

Trata-se da aguardada série 9 (aguardada porque a anterior é a série 8, apenas isso), com modelos LED-LCD de 46 e 60 polegadas extremamente finos. Seriam TVs 3D com óculos ativo, que o fabricante chama de “3D Max”, semelhantes às linhas anteriores. O que esses aparelhos trariam de novidade é uma função que permite ao usuário do TV transferir o conteúdo exibido por uma emissora para a tela de um tablet ou smartphone, via Wi-Fi. Ou seja, o oposto do que já se faz hoje ao jogar imagens do aparelho portátil para a tela grande. A vantagem: poder andar pela casa, dentro de uma rede Wi-Fi, assistindo ao mesmo programa que você estava vendo no TV. A conferir.

Mas o mais interessante da notícia é que, na verdade, seria um TV (foto) produzido pela LG, que a Philips lançaria em regime de OEM. Difícil de acreditar, considerando que as duas empresas já foram sócias no passado (hoje, a Philips mantém a joint-venture TP Vision, com a chinesa TPV). Bem, difícil, mas não impossível. Diz ainda o site que o lançamento oficial será na IFA, em Berlim, no final de agosto.

Lá, então, saberemos a verdade.

Ninguém esquece essas pernas…

Qual é, na sua opinião, a cena mais marcante do cinema? Aquela que você não esquece? Certamente, cada um dos leitores terá uma resposta. Puxando pela memória, já pensei aqui comigo em cinco ou seis momentos memoráveis. Pois o site inglês Lovefilm, especializado no assunto, não quis deixar a questão no ar. E perguntou a seus leitores qual a cena em que eles mais vezes utilizaram a tecla PAUSE do seu DVD. A primeiríssima colocada foi esta senhora aí do lado, a hoje cinquentona Sharon Stone, cruzando as pernas (sem calcinha) diante de um grupo de investigadores, em Instinto Selvagem. Lembram?

Confesso que fiquei surpreso. De fato, a cena é chocante, por vários motivos, mas esse filme é de 1992! Será que nestes 20 anos o cinema não produziu nada mais memorável? Pelo visto, não. O site não informa o perfil dos leitores que votaram, mas provavelmente a maioria não é formada por jovens da chamada geração Y, que nasceram entre os anos 70 e 80; muito menos os da geração Z, também chamados “millenium”, que vieram ao mundo a partir de 1990. Arrisco dizer que poucos entre esses assistiram ao filme de La Stone, que por causa da polêmica chegou a ser considerada durante alguns anos a mulher mais sexy do mundo.

Ou então o problema é dos ingleses, talvez mais interessados ultimamente em cerveja e futebol do que em mulheres sensuais. Seja como for, quem quiser tirar a dúvida pode ver (ou rever) a cena neste link. E, para os cinéfilos, esta é a lista das outras nove cenas mais votadas:

2) Plano B (The Back-up Plan, 2010) – Jennifer Lopez nua.

3) Guerra nas Estrelas (Star Wars, 1977) – Cena em que um dos soldados bate a cabeça.

4) Trocando as Bolas (Trading Places, 1983) – Cena com Jamie Lee Curtis

5) Uma Cilada para Roger Rabbitt (Who Framed Roger Rabbitt?, 1988) – Cena com Jessica Rabbitt.

6) Clube da Luta (Fight Club, 1999) – Brad Pitt por trás do médico no hospital

7) Homem de Ferro 2 (Iron Man 2, 2010) – Cena em que aparece o escudo do Capitão América

8) O Rei Leão (The Lion King, 1994) – A cena dos grãos de areia caindo e formando as letras “S.F.X.” (em inglês, “efeitos especiais”).

9) Tron (1982) – Rápida aparição de Pacman, personagem do videogame.

10) De Olhos Bem Fechados (Eyes Wide Shut, 1999) – Cena com Nicole Kidman

 

Será o fim do plasma?

O último levantamento sobre a venda de TVs no mundo mostra que os modelos LCD (com ou sem painel de LED) já dominam 88% do mercado, caminhando para 97% por volta de 2015. Como este ano deve estrear a nova tecnologia OLED, aposta da indústria a partir de 2013, vai sobrar pouquíssimo espaço para o plasma. A conclusão é da consultoria especializada NPD DisplaySearch, que divulgou hoje sua mais recente pesquisa.

Evidentemente, nenhum fabricante comentou o estudo (pelo menos até agora), mas é algo para se pensar. A venda de plasmas vem caindo ano após ano. A previsão para 2012 é uma queda de 26%, ficando com meros 5% de market-share. A menos que surja alguma grande inovação tecnológica, dificilmente os fabricantes continuarão investindo em plasma. O que é uma pena, pois em muitos aspectos esses TVs ainda não foram superados. O problema é que seu custo de fabricação tende a subir, à medida que menos empresas investem.

Curiosamente, a pesquisa revela que a venda de TVs caiu este ano, em termos globais. Com base nos dados do último trimestre, os pesquisadores calcularam que a indústria irá fornecer até dezembro, na soma do ano inteiro, um total de 245 milhões de aparelhos, contra 260 milhões do ano passado. Mas, quando se separa o mercado por tecnologia, vê-se que os LCDs (claro, incluídos aí os LED-LCDs) subiram 5% nas vendas da indústria para o varejo. Isso tudo, evidentemente, se deve à recessão na Europa, EUA e Japão. Nas demais regiões, as vendas somadas crescem 8%.

Outro dado interessante do levantamento é que os TVs de tela grande (50″ ou mais) já representam 7,7% do mercado mundial, com projeção de chegar a 10% em 2015. Este ano, pela primeira vez na História, o tamanho médio dos TVs vendidos irá ultrapassar a marca de 35 polegadas!

A força da TV paga no interior

Os números não mentem: continua crescendo muito além do previsto o número de residências com acesso à TV por assinatura. Os dados mais recentes da Anatel, relativos a maio, indicam que o total de assinantes alcançou a marca de 14.295.585, o que representa 9,5% a mais do que havia em janeiro e 31% a mais do que em maio de 2011. Não há paralelo a isso no mundo inteiro. Continuando nesse ritmo, o Brasil chegará em 2014 com nada menos do que 25 milhões de assinantes. E, se pensarmos que a população do país cresce menos de 1% ao ano, isso representará mais de 20% de penetração.

Conversando outro dia com Mariana Filizola, diretora da NeoTV, entidade que representa as pequenas e médias operadoras, foi possível entender um pouco melhor o fenômeno. Ter TV por assinatura passou a ser um dos grandes objetos de desejo da população, um sinal de status, quase tão valorizado quanto viajar ou ter um TV de tela grande. E, especialmente no interior do país, as pessoas estão descobrindo que a assinatura básica lhes permite receber o sinal das redes de TV aberta pagando bem pouco por mês. Sim, ainda é grande a quantidade de famílias que compra TV fechada para ver TV aberta com melhor qualidade de som e imagem, um fenômeno também brasileiro.

Igualmente impressionante é a expansão das pequenas e médias operadoras de TV por assinatura, que cobrem as regiões mais remotas do país. É bom lembrar que a TV Digital, tão alardeada pelo governo Lula, ainda é elitizada: somente 480 localidades recebem hoje o sinal digital das redes abertas – e o país tem mais de 5.500 municípios! “Existem operadoras que atuam numa única cidade, prestando um verdadeiro serviço de utilidade pública”, diz Mariana.

Fundada em 1999, a NeoTV cumpre o papel de representar essas empresas, muitas delas com uma estrutura mínima e sem experiência no mercado, junto ao governo e aos fornecedores de conteúdo. São mais de 300 pequenas ou médias operadoras atuando em regiões onde as grandes do setor não chegam. “O grande concorrente delas é o DTH”, explica Mariana, referindo-se ao crescimento de Sky, Claro TV (ex-Via Embratel), OiTV e outras gigantes que oferecem TV por satélite. Com a integração das mídias, muitas das pequenas estão passando a oferecer também conexão de banda larga, outra demanda reprimida nas cidades menores. “A tendência é juntar TV e internet, algo que as operadoras de satélite têm mais dificuldade em oferecer”, diz Mariana.

Só para ilustrar, reproduzo aqui alguns números divulgados pela Anatel:

*Crescimento dos assinantes de DTH entre 2009 e 2012: 455%

*Crescimento dos assinantes de TV a cabo no mesmo período: 44%

*Crescimento do mercado como um todo: 108%

*Estados onde mais aumentou o número de assinantes no período:

Tocantins – 462%

Pará – 441%

Bahia – 408%

Piauí – 380%

Pernambuco – 365%

Sim, o estado de São Paulo, com crescimento de “apenas” 79% nesses três anos, agregou muito mais assinantes do que todos esses estados juntos: cerca de 2,4 milhões de domicílios. Mas, proporcionalmente, é no Norte e Nordeste que a TV paga se expande mais rápido.