Archive | agosto, 2012

OLED fica para depois?

Falando em TV, vamos tentar nesta quinta-feira tirar uma dúvida que surgiu nos últimos dias: teria a LG desistido de comercializar TVs OLED, conforme prometido várias vezes? A notícia circulou esta semana em vários sites asiáticos, citando fontes de dentro da empresa, que até o momento não se manifestou. O produto foi mostrado com pompa na CES, em janeiro, depois em outros eventos pelo mundo (inclusive no Brasil, como mencionamos neste post), com a informação de que chegaria ao mercado internacional no meio do ano. Não chegou, e não se falou mais a respeito. Enquanto isso, a Samsung tornou público que antes de 2013 não irá entrar nesse campo, considerado ainda de altíssimo custo de fabricação.

Será melhor investir no 4K, como prometem Sony e Panasonic? Nesta quinta, LG e Samsung mostram suas armas. Estaremos lá para conferir.

4K é o nome do jogo

Pelo visto, não foi mera coincidência o fato de, como comentamos aqui, o pessoal da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET) ter dedicado horas de seu congresso, na semana passada, para discutir a tecnologia 4K. Hoje, o assunto foi destaque para dois dos principais expositores da IFA. Sony e Panasonic foram os primeiros fabricantes a apresentarem seus trunfos para os próximos anos, e ambas deixaram claro que apostam na melhoria da qualidade de imagem para liderar o mercado.

É bom lembrar que a indústria japonesa está precisando de uma reviravolta. E esta não irá acontecer no campo dos produtos chamados “populares”, pois este já está dominado pelos coreanos e chineses. Se há uma chance para o Japão retomar a liderança, é nos produtos de alta tecnologia. E o 4K preenche totalmente esse requisito, pois mexe não apenas com a indústria de equipamentos, mas com todo o ecosistema (palavra da moda), incluindo displays, players, cinema, broadcast e todos os seus subprodutos. Será uma revolução igual ou maior que a do HDTV. O único detalhe é que ninguém sabe quando acontecerá.

Se dependesse apenas dos fabricantes japoneses, aconteceria hoje mesmo. A Sony, por exemplo, fez grande alarde de seu primeiro TV 4K, de 84″ (foto acima), que fatalmente será a estrela de seu estande quando a IFA abrir as portas, na sexta-feira. Vimos de perto, inclusive numa espécie de “prova de fogo”, que é a conversão de imagens Full-HD para 4K. Ninguém falou ainda em preço, mas tem tudo para ser um marco na evolução da tecnologia, como foram os velhos Wega, de tubo, nos anos 1990 – bem, a LG já anunciou que irá mostrar o seu aqui na IFA; vamos aguardar antes de fazer comparações.

Já a Panasonic dificilmente deixará de levar o “Oscar” de maior TV da feira: seu 4K tem nada menos do que 145 polegadas; na verdade, não é 4K, mas 8K, um tipo de TV conhecido como Super Hi-Vision, conceito criado pela rede de televisão NHK, do Japão (já falamos sobre o assunto aqui). Há duas outras diferenças em relação ao modelo da Sony: este é LED, enquanto o da Panasonic é plasma; só que, enquanto a Sony promete colocar o seu à venda ainda este ano, dificilmente teremos um 145″ no mercado tão cedo. Se o modelo da LG, já lançado na Coreia, está na faixa dos 22 mil dólares, quem arrisca um palpite sobre o preço desse gigante da Panasonic?

Curioso foi que, durante a apresentação, os executivos da empresa japonesa mal falaram do produto, preferindo destacar que sua linha de TVs LED-LCD irá aumentar; e que todos os seus novos produtos agora passam a se integrar à rede Smart Viera. Mas este é assunto para outro comentário.

Guerra de notícias

A competição entre os principais fabricantes de eletrônicos anda tão desenfreada que parece moda, agora, antecipar as notícias – e não guardar sempre até a última hora, como faz a Apple. Na véspera da IFA, a Samsung colocou no YouTube e no Facebook uma prévia de sua nova linha de notebooks, que utiliza sistema operacional Windows 8. Na semana passada, tinha sido a Lenovo, com o mesmo tipo de “pré-notícia”. Por seu lado, a LG distribuiu ontem a imprensa os primeiros dados sobre seu TV 21:9, que será exibido aqui na IFA.

Hoje, quarta-feira, deve ter mais. E a feira só abre na sexta!!!

 

Café com bobagem

Com o (con)fuso horário ainda desajustado, lá vamos nós para mais uma edição da IFA. Durante o café de manhã, uma repassada nos sites de tecnologia para “medir a temperatura ambiente”. E, de cara, uma tremenda bobagem: o ministro das Comunicações dizendo que o Brasil terá smartphones a R$ 200 até o final do ano, fruto da política de incentivos oficial. Vi no IDG Now. Esta semana, a presidente Dilma deve sancionar a lei de desoneração para tablets e smartphones, aprovada pelo Congresso, e com isso, num passe de mágica, a indústria começa a vender seus aparelhos mais barato!

Tradução de quem conhece esse mercado: as conexões de banda larga vão ficar ainda piores. É incrível a capacidade dos governantes de alardear seus feitos por antecipação, como se estivessem prestando um grande favor à sociedade, mesmo sem ter certeza (não é possível ter certeza nesse caso) de que a medida realmente irá funcionar. E, se funcionar, quem poderá, de fato, se beneficiar dela? Lembram-se de quando o iPad ia ser fabricado no Brasil e cair de preço?

Diz ainda o texto que o ministro foi questionado por empresários do setor a respeito dos problemas de infraestrutura de rede no país. Para isso, claro, não há resposta à vista. O governo simplesmente não tem um plano – aliás, nem sabe por onde começar. Caberá à iniciativa privada montar essa infraestrutura, e isso, evidentemente, será feito segundo os interesses e conveniências da própria indústria.

Enfim, será ótimo poder pagar R$ 200 por um smartphone. Mas é interessante verificar antes QUAL smartphone. E, depois, ver se funciona. O resto é bobagem, para consumo rápido (por exemplo, no café da manhã).

O que veremos na IFA

Daqui a pouco, embarco para Berlim, onde esta semana será aberta a edição 2012 da IFA. Temos recebido várias informações sobre o que será exibido, mas, por experiência própria (acompanho o evento desde 2005), posso dizer que essa feira costuma revelar surpresas. O que está previsto:

*Novas opções em TV 3D sem óculos, além da Toshiba, que estreou em 2011, mas sem muito êxito;

*Telas gigantes em 3D, com resolução 4K e até 8K; neste campo, a LG saiu na frente, colocando seu produto à venda na Coreia na semana passada;

*Uma infinidade de tablets e smartphones com sistemas Android e Windows, a maioria tentando emular as funções do iPad e do iPhone;

*Câmeras de altíssima resolução (fala-se até em Gigapixels!!!);

*Redes sem fio integrando até sistemas de automação complexos…

Será mais uma cobertura “de fôlego”, como se diz no jargão jornalístico, tentando trazer para o público brasileiro pelo menos uma parte do que acontecerá nos quase 30 pavilhões que compõem o evento. O leitor poderá acompanhar tudo aqui, e também – com fotos e vídeos exclusivos – no hot site que estará dentro do site hometheater.com.br. Leiam, comentem, espalhem, compartilhem. E, por que não?, critiquem também, quando for o caso.

Apagão em cascata

Outra novidade discutida no Congresso da SET, semana passada, foi a possível antecipação do calendário da TV Digital. Como se sabe, o cronograma prevê em que em junho de 2016 sejam encerradas todas as transmissões analógicas, passando as emissoras a liberar somente sinal digital. É consenso no mercado que essa data é impossível de ser cumprida, como já comentamos neste blog. A maioria das pequenas emissoras e retransmissoras não conseguirão adquirir e instalar os equipamentos necessários, a menos que o governo decida financiar, o que é pouco provável. E nem todos os quase 50 milhões de domicílios terão condição (ou vontade, ou dinheiro) de trocar seus TVs analógicos até lá. Isso já aconteceu em outros países (os EUA, por exemplo), e não há por que ser diferente aqui.

Pensando nessa possibilidade, o Ministério das Comunicações trabalha com a ideia de escalonar o chamado switch-off (que alguns chamam, maldosamente, de “apagão analógico”). Foi o secretário do Ministério, Genildo Lins, quem deu a notícia durante o Congresso: “O apagão nacional acontecerá de forma escalonada, sendo em algumas regiões antecipado e em outras adiado. Hoje existem regiões do interior do nordeste sem cobertura e que em 2016 não terão receptor.”

Irá funcionar? Talvez. Só se espera que o governo não tente, mais uma vez, impor essa decisão ao mercado, sem a devida discussão técnica e mercadológica.

TV analisa o seu futuro

Infelizmente, não pude estar presente ao Congresso da SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão), na semana passada. Mas, pelo que soube, as atividades foram muitas. A TV Globo promoveu uma série de debates sobre novas tecnologias, incluindo as perspectivas em relação à TV móvel, TV 4K, interatividade e TV 3D – o cito aqui pela ordem em que cada uma deve ser implantada, de acordo com as condições atuais.

“TV móvel”, claro, é um conceito muito amplo, que envolve as várias formas de distribuição do conteúdo produzido para televisão. Além das duas mais conhecidas hoje (TV aberta e fechada), estamos começando a experimentar o acesso móvel, via celular, tablet, notebook, automóvel etc. Quando digo “começando”, refiro-me à popularização desses serviços, que ainda são privilégio de uma elite que pode adquirir os equipamentos receptores. Sem falar na tão comentada “segunda tela” – o hábito de assistir aos programas de TV não apenas no aparelho convencional, mas num segundo (ou até terceiro), como muita gente já está fazendo; e mais: enquanto assiste ao programa, boa parte dos telespectadores estão conectados à internet, seja para interagir com seus amigos (via redes sociais), seja para procurar informações sobre o conteúdo que está assistindo. Tudo isso muda a relação entre TV e usuário, e é sobre esse fenômeno que as emissoras – Globo à frente – estão voltando suas atenções.

Quanto à TV 4K, há uma perspectiva clara de novidades nos próximos dois anos (leia-se: Copa de 2014), embora a possibilidade de termos transmissões de televisão nesse padrão ainda pareça distante. Ainda falaremos muito disso por aqui. Já a interatividade está dando sinais de comida que o estômago não digeriu. A maior parte das pessoas com quem converso demonstra pessimismo quanto a sua aplicação na TV tradicional (como já comentamos aqui) e também em relação ao comportamento dos usuários – que no fundo é o que importa. TV não é internet, e nisso a maioria está de acordo. Conteúdos interativos têm tudo a ver com a web, e aparentemente nada (ou muito pouco) com TV. Pelo menos, é o que pensa o mercado em geral.

E quem está curioso (ou ansioso) pela TV 3D deve baixar a bola. As dificuldades para sua implantação não são exclusivas do Brasil. Ainda há um longo caminho a percorrer.

Automação: desafios e oportunidades

Tivemos um saldo mais do que positivo da 3a. Expo PredialTec, realizada em São Paulo há duas semanas. A maioria das pessoas com quem conversei saiu satisfeita, seja pelos resultados em termos de negócio, seja pelos contatos realizados. Conheci muita gente, inclusive estrangeiros, que se confessaram admirados com o potencial do mercado brasileiro de automação residencial (e, por extensão, predial). O que, para os leitores, não deve ser novidade, pois já comentamos aqui algumas vezes.

Duas notícias divulgadas durante o evento têm a ver exatamente com esse potencial. Um dos expositores que surpreendeu muita gente foi a KNX Association. Com sede em Bruxelas, essa entidade foi criada para normatizar e promover o padrão KNX de comunicação, visando à integração entre todos os aparelhos eletrônicos – do TV ao computador, do receiver ao sistema de automação. Reúne cerca de 300 empresas, de 33 países, que são basicamente fabricantes de controles para iluminação, ar condicionado, segurança, áudio/vídeo, monitoramento de energia etc. Heinz Lux, portavoz do grupo, deu palestra no Congresso HABITAR, da Aureside, e demonstrou num belo estande os benefícios do padrão (vejam este vídeo). Mais do que isso, montou uma filial brasileira, a KNX Brasil, presidida por Rodrigo Garcia, da Schneider Electric, encarregada de disseminar essa tecnologia pelo país.

Num outro espaço da feira estavam equipamentos que utilizam o padrão Z-Wave, este sem fio e já conhecido no país. Jean De Simone, proprietário da Flex Automação  e representante da Z-Wave Alliance, consórcio com sede nos EUA que administra a marca em todo o mundo, foi nomeado “evangelista” do padrão para toda a América Latina. Outra prova de que o Brasil está mesmo sendo encarado com mais respeito por essas entidades. Ambas, concorrentes, planejam investir em treinamentos e informação técnica para convencer os profissionais brasileiros a adotarem seus respectivos padrões (há um terceiro, o Zigbee, que não participou do evento).

Ainda vamos falar mais a respeito, mas o que ficou claro após conversar com essas e outras pessoas da área é que o Brasil está apenas no início de um ciclo de adoção da tecnologia em residências e ambientes de trabalho. Estima-se que só o setor de hotelaria está investindo mais de R$ 1 bilhão em recursos tecnológicos, visando a Copa do Mundo e a Olimpíada, o que abre grandes portas a projetistas, instaladores, consultores e demais profissionais especializados. Um executivo com quem conversei me confidenciou ter fechado contrato multimilionário para implantar todo o sistema de iluminação de um dos estádios da Copa.

São oportunidades que um país necessitado de crescimento não pode desperdiçar. “O Brasil de hoje é tudo que um empresário arrojado e com dinheiro para investir pode desejar”, me disse um dos estrangeiros que encontrei na Expo PredialTec. Vamos ver se os brasileiros sabem aproveitar a deixa.

 

Nova bolha à vista?

 

 

Todo mundo que tem mais de 30 anos deve se lembrar: na virada do século, uma grande explosão varreu do mapa centenas de empresas que haviam construído sua reputação sobre a internet. Foi o que se convencionou chamar de “bolha”, um fenômeno da economia globalizada. Passados alguns anos, com o negócio de web um pouco melhor compreendido (mas não muito), a expansão de empresas como Google, eBay, Amazon e Facebook deu a entender que aquela fase havia sido superada. Muita gente acreditou, e apostou suas fichas nessas e em outras emergentes, inclusive aqui no Brasil. Agora, parece, o mercado está cobrando a conta.

Nos últimos meses, na esteira da crise econômica internacional, começaram a surgir aqui e ali sinais de que os impérios criados dentro do mundo virtual não eram tão sólidos como seus executivos queriam fazer crer. Esta semana, o ritmo dos comentários aumentou com a velocidade dos cliques: o valor das ações do Facebook – que realizou sua bilionária abertura de capital há poucos meses – despencou, levando boa parte dos acionistas a procurarem se desfazer dos papeis. Nesta segunda-feira, confirmou-se uma deserção simbólica: Peter Thiel, primeiro grande investidor na empresa criada por Mark Zuckerberg (e, portanto, responsável direto pela sua existência), avisou que está se livrando de sua parte no negócio.

Na semana passada, tinha sido a vez da Groupon, badalada empresa de comércio eletrônico que lançou a moda das compras em grupo. Depois de várias denúncias de fraude, inclusive na filial brasileira, os principais donos das ações decidiram que não estavam tendo o retorno esperado e começaram a pular fora, abrindo um rombo calculado em US$ 10 bilhões, segundo The Wall Street Journal.

Como costuma acontecer nessas horas, o mercado de ações como um todo entrou em pânico. Nos agitados corredores da Bolsa Nasdaq, que reúne as empresas de tecnologia, e nos últimos tempos só vem tendo boas notícias da Apple, todos no momento só pensam naquilo: estaremos entrando numa nova bolha?

Este vídeo mostra a crueldade do capitalismo, ainda que em sua versão virtual: já há gente pedindo a cabeça de ninguém menos do que o próprio Zuckerberg, aquele garoto que meses atrás era saudado como o mais jovem bilionário da história. Dizem que ele, como já fizera ao montar a empresa, enganou todo mundo. E querem que pague por isso.

Vamos ver agora o que dizem seus milhões de amigos!!!

Apple, a dona da bola

Na mesma semana em que se anunciou que as ações da Apple bateram novo recorde (não param de subir), The Wall Street Journal – desculpem a repetição, mas só dá esses caras – revela novos detalhes sobre o projeto da empresa fundada por Steve Jobs para o setor de televisão. Milhares de notícias já circularam sobre o “TV da Apple”, também chamado “iTV”. Mas a maior parte delas é pura especulação. Aliás, um dos passatempos preferidos dos jornalistas “especializados” em tecnologia é tentar adivinhar como serão as próximas versões do iPad, iPhone, iPod etc. Assim se transforma em “notícia” algo que não existe; ou, se existe, as pessoas que poderiam falar a respeito não falam.

Bem, voltando ao TV da Apple, o WSJ diz ter conversado com gente dentro da empresa, que por motivos óbvios não pode ser identificada. A empresa tem negociado com redes de televisão aberta e fechada sobre o fornecimento de seus programas para distribuição pela plataforma Apple TV. O problema estaria, só para variar, na questão dos direitos autorais. A Apple propõe uma fórmula parecida com a utilizada na loja iTunes, mas isso não está sendo suficiente para convencer os donos de conteúdo. Até porque há o receio de colocar muito poder nas mãos de uma única empresa, o que faz todo sentido.

Como se trata de negociações, é impossível prever o que acontecerá, pois não se sabe os trunfos que cada parte possui – e não se deve esquecer que há outros fortíssimos interessados. Por ora, o mais interessante é que, sempre segundo o jornal americano, a Apple apresentou aos possíveis parceiros três características fundamentais do equipamento que pretende lançar:

1.Interface mais fácil de usar, possivelmente aproveitando o design de ícones do iPad, pois a navegação dos smart TVs e dos serviços atuais de entretenimento (tipo Netflix) é considerada muito complicada;

2.Distribuição de séries de TV em episódios, sob demanda, para fugir do esquema de assinaturas;

3.Recursos para integração com as redes sociais, que permitam, por exemplo, compartilhar séries pelo Twitter.

Claro, devem existir outros recursos em análise (e nem estamos falando do aspecto técnico). Sempre se espera que um produto da Apple tenha melhor design e melhor qualidade que os concorrentes, ou que seja absolutamente revolucionário. O problema, aqui, é o chamado modelo de negócio que se está desenhando. Quem encontrar ganha na loteria!

 

O dilema do Japão

The Wall Street Journal é um dos poucos jornais ocidentais que mantêm em Tóquio um correspondente especializado em negócios e tecnologia. Seu nome é Daisuke Wakabayashi, e têm sido dele, nos últimos tempos, as melhores análises sobre a situação difícil do país. Além de saber o que escreve, Wakabayashi possui boas fontes e costuma antecipar notícias como a troca de comando na Sony, em setembro do ano passado.

Não sem motivo, ele foi escolhido para uma série de reportagens publicadas esta semana sobre o momento atual da indústria eletrônica japonesa. “Como o Japão perdeu sua coroa eletrônica” é o título da primeira delas, que relata alguns dos motivos que, nos últimos vinte anos, fizeram gigantes como Sony, Panasonic e Toshiba perder a liderança mundial. O texto recorda, por exemplo, que o primeiro ebook da Sony, chamado Librie e lançado em 2004, vinha com software em japonês! Embora fosse um excelente produto, acabou rejeitado nos demais países e saindo de linha em poucos meses. “As empresas japonesas eram muito autoconfiantes. Não conseguimos analisar os produtos do ponto de vista do consumidor”, admitiu em junho Kazuhiro Tsuga, novo presidente da Panasonic, empresa que amargou no último ano fiscal seu maior prejuízo em 94 anos de história.

A mais recente derrota da indústria japonesa, segundo Wakabayashi, ocorreu com o surgimento da tecnologia de displays orgânicos (OLED). A Sony foi a primeira a lançar o produto, em 2007, mas as coreanas LG e Samsung estão na iminência de assumir o controle do segmento, após anos de investimento japonês. Uma derrota tão doída que levou Sony e Panasonic, duas rivais históricas a se unirem para desenvolver algo nessa área (mais detalhes aqui).

Talvez já seja tarde mais. No entanto, a longa tradição japonesa em TVs não deve ser desprezada. Outra reportagem de Wakabayashi mostra que a tecnologia 4K é um dos trunfos dos fabricantes para, quem sabe, retomar o espaço que sempre ocuparam. Prevista para estrear oficialmente na Copa de 2014 (a TV Globo tem feito boas experiências nesse campo e conta com a parceria da estatal japonesa NHK, criadora do padrão, e da Sony, patrocinadora do evento), essa tecnologia sem dúvida irá representar um novo salto tecnológico. Há uma chance, portanto.

Já o mesmo não se pode dizer do setor de comunicação móvel. O fenômeno Apple apanhou os japoneses totalmente desprevenidos, como mostra outra reportagem da série, traduzida aqui. Basta dizer que o presidente da maior operadora telefônica do país, a DoCoMo, agora desfila animadamente com o smartphone Galaxy S III, da Samsung. Uma cena como essa seria impensável nos áureos tempos da indústria eletrônica japonesa.

Filmes no tablet, a qualquer hora

Mais um passo em direção ao que se convencionou chamar de TV Everywhere: a Telecine está anunciando que  seus filmes agora poderão ser assistidos também pelo iPad. Basta baixar o aplicativo Telecine Play, na Apple Store, para ter acesso a cerca de 1.500 títulos da programadora, que poderão ser vistos em qualquer horário. Por enquanto, o serviço está disponível somente a assinantes da Net e da Vivo TV (antiga TVA), mas a Telecine informa que em breve irá estendê-lo também a GVT e Claro TV, e depois para todas as operadoras.

Cada vez fica mais claro que essa tendência não tem volta. Para não perder espaço diante dos serviços chamados OTT (Over-the-top), como Netflix e similares, operadoras e programadoras têm mesmo que fidelizar seus assinantes com benefícios adicionais. Nos EUA, o fenômeno TV Everywhere está alterando de tal maneira os hábitos dos usuários que já há disputas na Justiça. Em julho, as principais redes de TV americanas perderam uma ação em que tentavam impedir o funcionamento da Aereo, alegando infração de direitos autorais. Essa empresa criou um serviço, pelo qual cobra mensalidade de 12 dólares, em que capta pelo ar os sinais das emissoras e os distribui, via streaming, a qualquer dispositivo portátil na área de Nova York. Duas semanas atrás, a Justiça da Califórnia liberou também as vendas do Kaleidescape, media center vendido pela empresa do mesmo nome que permite receber e gravar qualquer conteúdo de TV e reproduzi-lo em cópias de discos.

Não tem escapatória. O caminho está aberto. E ganham as empresas que melhor souberem se adaptar a essa nova realidade.

OLED, dez vezes mais caro

Ainda sobre o assunto OLED, que abordamos aqui ontem, vale a pena comentar um estudo divulgado hoje pela NPD DisplaySearch, principal empresa de análises do mercado mundial de equipamentos eletrônicos. Com base em dados fornecidos pelos  fabricantes, os pesquisadores calcularam a diferença entre os custos de produção de um TV de 55″, comparando três tecnologias: LCD, WOLED (o chamado “OLED branco”) e OLED RGB; vejam aqui mais detalhes sobre o levantamento.

Anotem: a diferença é de oito vezes no caso do WOLED, proposto pela LG, e de dez vezes para o modelo RGB, da Samsung. Este último é apontado como o “high-end” do segmento e, por isso mesmo, irá demorar mais para chegar ao mercado e custará mais caro ao consumidor. Ainda segundo a pesquisa, o valor mais alto se deve basicamente ao uso de materiais mais nobres e ao baixo yield, nome que se dá na indústria ao fator de rendimento da linha de produção e que varia conforme o produto e à sofisticação dos equipamentos utilizados na sua fabricação. Quando se tem baixo yield, as perdas são maiores. Ou seja, só se justifica fabricar se a margem de lucro for muito alta.

Como se vê, a tecnologia OLED continua sendo um desafio para os fabricantes. Com tudo isso, falar em produzir esse tipo de TV no Brasil chega a ser uma insanidade!

3D até em TV de tubo!!!

Alguns dos leitores já devem ter ouvido falar de Gene Dolgoff. Pelo menos os trekkers, aqueles que são fanáticos pela série Star Trek (Jornada nas Estrelas), recordista de temporadas na televisão americana a partir dos anos 60. Pois bem, Dolgoff foi o inventor do Holodeck, a sala futurista da nave Enterprise onde surgiam figuras e objetos que só existiam nas mentes dos tripulantes. Embora consagrada pelo sucesso da série, essa não foi a invenção mais importante de Dolgoff. O mérito talvez vá para o primeiro sistema de projeção usando a tecnologia LCD.

Sim, foi em 1984. Dolgoff conseguiu idealizar (e, melhor ainda, construir) projetor e tela a partir de um painel microperfurado. O conceito, revolucionário, continua sendo usado até hoje, em projetores e televisores. Mas, por que estamos falando desse homem? Visionário como poucos, Dolgoff acaba de lançar comercialmente o primeiro sistema de projeção 3D que pode, na teoria, ser adaptado a qualquer tipo de televisor – até mesmo os modelos analógicos, de tubo CRT, garante ele. O segredo estaria num conversor, de baixo custo, contendo um software capaz de tornar o sinal compatível com todas as tecnologias de reprodução de imagem. Única ressalva: Dolgoff ainda não sabe – pelo menos, não por enquanto – como chegar a esse resultado abrindo mão dos óculos 3D.

Neste momento, segundo o site Digital Trends, Dolgoff está no Vale do Silício, à procura de financiamento para seu projeto de fabricar em massa o tal conversor. Seu sonho, ele diz, é “transformar todo TV num TV 3D”. Se é viável, e se vão deixá-lo levar a ideia adiante, só saberemos daqui a algum tempo. Mas é bom não duvidar de sua capacidade. Além de ter inventado o projetor LCD, Dolgoff tem no seu currículo a participação no grupo de técnicos que desenvolveu o padrão HDTV dos EUA (ATSC) e o fato de ter ajudado a conceber o padrão 3D passivo. Ou seja, no mínimo sabe do que está falando.

OLED feito no Brasil?

Notícia publicada no mês passado pela Folha de São Paulo indicava divergências entre o governo brasileiro e a Foxconn, que teria projeto de instalar aqui uma fábrica de displays. Segundo o texto, que não cita nenhuma fonte, o BNDES está exigindo que a empresa fabrique painéis OLED, e não os convencionais LED-LCDs, caso contrário não financiaria o projeto, estimado em R$ 12 bilhões.

A notícia deu a volta ao mundo e repercutiu na China, onde o site Digitimes começou a levantar hipóteses. Como oficialmente ninguém fala sobre o assunto (este, aliás, só ganhou destaque devido à boquirrotice do ex-ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante), abriu-se largo espaço para especulações. De concreto, o que se sabe mesmo é que a Foxconn, assim como qualquer outro fabricante, não tem a menor condição de produzir painéis OLED no Brasil, devido à falta de mão de obra especializada. Se na China, no Japão e na Coreia essa ainda é uma tecnologia não dominada (leiam aqui), que dizer do Brasil?

Se essa for uma exigência do governo brasileiro, será mais fácil o sr. Terry Gou, dono da Foxconn, retirar-se do projeto. Na verdade, a Foxconn já produz componentes eletrônicos em Jundiaí (SP); no final do ano passado, começou também a montar  smartphones e tablets para a Apple; estes, porém, para irritação das autoridades brasileiras, jamais chegaram às lojas do país (são destinados a outros países latinoamericanos). O fato de serem montados aqui não teve qualquer impacto sobre os preços pagos pelo consumidor, ao contrário do que dizia o governo um ano atrás.

Pior: para manter as linhas de montagem, a Foxconn está tendo que importar muito mais componentes que fazia antes, e isso bate de frente com a política de estímulo à indústria nacional. Não se sabe a situação tributária da empresa taiwanesa (outra caixa preta inviolável), mas – a menos que esteja sendo privilegiada com isenções não divulgadas – é razoável supor que sua operação brasileira não esteja sendo lucrativa. Por sinal, hoje as agências de notícias internacionais informam sobre um acordo entre a Foxconn e o governo da Indonésia, que está oferecendo todas as facilidades para a empresa investir nada menos do que US$ 10 bilhões numa fábrica, ali, bem pertinho da China.

Agora, desagradável mesmo deve ser o clima de insegurança na fábrica de Jundiaí. Além dos relatos de maus tratos a empregados, que até entraram em greve (algo impensável na China), o prédio já foi assaltado; os ladrões levaram boa quantidade de tablets…

Não é por acaso, como se vê, que o Brasil não está exatamente entre as prioridades da Foxconn. Semanas atrás, o The Wall Street Journal publicou reportagem sobre a venda ilegal de iPads em Nova York e citou o Brasil como exemplo de “mercado para aparelhos de segunda mão”. Bonito, não?

 

Automação se espalha

Ainda repercutindo o que vimos semana passada na Expo PredialTec 2012: uma das novidades mais interessantes foi o aplicativo da Samsung que permite comandar vários ambientes da casa através do televisor. A solução, criada pela empresa mineira Neocontrol, consiste num pequeno módulo que é acoplável ao TV e que faz a comunicação com os demais aparelhos. Chama-se Mplay (foto) e pode ser ativado até remotamente. Pelo controle do TV, pode-se acionar luzes, cortinas e, claro, o sistema de home theater (vejam aqui um vídeo feito por nossa equipe durante o evento). Preço final do acessório: em torno de R$ 1.800.

Evidentemente, num evento de automação esse tipo de recurso – que, segundo a Samsung, outras empresas também estão desenvolvendo – chama muita atenção. O estande da empresa, que participou do evento pela primeira vez, foi um dos mais concorridos. Por enquanto, o aplicativo está disponível apenas nos TVs top de linha da marca coreana, que são também os que oferecem comandos por voz e/ou gestos. Mas Gabriel Peixoto, da Neocontrol, me disse que não há exclusividade: pode ser que outros fabricantes adotem a inovação em breve.

Mais importante, o produto mostra que os recursos para controle da casa, antes restritos a painéis dedicados e com plataformas fechadas, estão se espalhando, literalmente, para todos os aparelhos residenciais. O TV (e seu controle remoto) é certamente a interface mais natural para usuários leigos (a maioria) e que não querem complicação. Podemos nos preparar para outros avanços nessa linha, e não vai demorar.

 

Otário posando de malandro

São inúmeras as histórias de brasileiros em viagem tentando usar a sua famosa “malandragem”, como se em todos os países essa atitude, digamos, pouco ética fosse aceita tranquilamente. Acostumados a passar a perna até em seus amigos e parentes, muitos não vêem nada de mais, por exemplo, em furar filas, dirigir na contramão ou até – como eu mesmo já testemunhei – sair do hotel sem pagar a conta.

Pois, segundo a revista americana Forbes, o brasileiro médio não passa de um otário! Isso mesmo, com todo respeito. Transcrevo da coluna Radar Econômico, no site do Estadão: “Desculpem, Brazukas…  Não há status em um Toyota Corolla, Honda Civic, Jeep Grand or Dodge Durango. Não se deixe enganar pagando o preço de tabela. Definitivamente, você está sendo enganado.” O texto é tradução de reportagem da Forbes sobre os altos preços cobrados no Brasil e que a maioria da população aceita pagar sem maiores reclamações. E cita vários exemplos, todos na área dos automóveis, para mostrar que não se trata apenas de impostos altos. É ganância mesmo, de um lado, e idiotice do outro, daí porque o chamado “mercado do luxo” tem no Brasil uma de suas mais altas taxas de crescimento.

O jornalista Silvio Crespo, responsável pela coluna, sintetizou bem a situação: “… o que acontece é uma parceria não escrita entre o governo e as montadoras. As empresas aceitam pagar imposto alto e, em troca, têm a garantia de que as tarifas de importação serão ainda mais altas, minando a concorrência externa e permitindo aos fabricantes do País vender um carro caro e menos equipado do que os estrangeiros.”

E a guerra continua…

Pelo visto, não vai terminar tão cedo a guerra entre governo e operadoras de telefonia. A notícia que vazou ontem da Anatel, dando conta de que a Tim estaria cortando propositalmente ligações de seus clientes para obrigá-los a tentar de novo (e, com isso, gastar mais), pegou quase todo mundo de surpresa no mercado. “Nunca antes neste país” uma operadora havia sido acusada de forma tão contundente. Uma denúncia tão grave que, no mesmo dia, obrigou a Agência a divulgar nota oficial desmentindo tudo! E levou o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, a afirmar que trata-se de “um caso de polícia”.

Como se vê, nada que alguém possa fazer para recuperar a desgastada imagem da empresa – ainda que a denúncia não se confirme. Embora surpreendente pelo tom, o episódio se encaixa à perfeição no clima que se criou entre setores do governo e as principais teles, com a Anatel batendo cabeça no meio do bate-boca. Raras vezes se viu um setor importante para o desenvolvimento do país ser tão mal conduzido.

O jornal Folha de São Paulo, que deu o furo, não explicou (e nem deveria) como obteve acesso ao relatório da Agência. O fato é que alguém lá dentro vazou dados que, a princípio, seriam confidenciais. Exemplo: num único dia (8 de março, a Tim teria “derrubado” nada menos do que 8,1 milhões de ligações feitas por seus clientes, forçando-os a tentar de novo, como sempre se faz quando uma ligação cai; com isso, teria aumentado seu faturamento em R$ 4,3 milhões. Mais: a operadora teria “adulterado” a base de cálculo usada para mostrar que o número de chamadas com problema diminuiu!!!

Como se sabe, no final do mês passado a Tim, ao lado de Claro e Oi, foram proibidas de vender novas linhas até comprovarem estar investindo para ampliar sua infraestrutura. Milagrosamente, como lembrou o colunista Carlos Alberto Sardenberg no Estadão, as três operadoras apresentaram em alguns dias planos detalhados e foram, enfim, liberadas para voltar a vender chips. Significa dizer que os tais planos foram minuciosamente analisados e aprovados. Seria razoável supor que a Anatel levaria tempo equivalente para esclarecer agora o episódio das ligações derrubadas. Mas a Agência informa que sua investigação irá durar de dois a três meses – e isso porque o ministro pediu “máxima celeridade”.

Com uma agência reguladora como essa, quem pode dormir (ou falar ao telefone) tranquilo? É bom lembrar que, em São Paulo, estamos desde a semana passada sem conseguir completar ligações, talvez em função da mudança de número (todas as linhas tiveram que acrescentar um “9”). Algo que deveria ser banal acaba provocando mais irritação e reclamações.

Todo esse quadro, enfim, só vem comprovar que:

1) A Anatel continua absolutamente despreparada para fiscalizar quem quer que seja;

2) Também não consegue gerenciar uma mera alteração de prefixo;

3) Pelo menos um dos 600 fiscais que o presidente da Agência, João Rezende, diz estarem atuando não gosta muito da Tim, pois vazou o documento para a imprensa;

4) E o consumidor, que continua desamparado, não sabe em quem acreditar, nem quando vai poder voltar a falar ao celular despreocupado.

 

Cresce o mundo sem fios

Um dos principais expositores da Expo PredialTec, que está acontecendo até amanhã em São Paulo, é a Z-Wave, que montou um belo estande em parceria com a distribuidora Chiave, de Florianópolis. Para comprovar a importância do Brasil em seus negócios, a empresa enviou Bent Sorensen, seu diretor internacional de vendas, para visitar a Feira (Sorensen fará também uma apresentação amanhã, no Congresso HABITAR). Outra prova de prestígio do país foi a nomeação de Jean de Simone, da Flex Automation, que há dez anos distribui os produtos Z-Wave aqui, como “evangelista” desse padrão para a América Latina.

Conversei com ambos ontem durante o evento e pude sentir o entusiasmo em relação ao potencial do mercado. Segundo Sorensen, o crescimento vem sendo exponencial nos últimos anos, e deve continuar assim por algum tempo. Quando perguntei sobre China, Índia e outros grandes países, ele respondeu na hora: “Não há a menor dúvida de que o Brasil está à frente de todos. Nada se compara ao potencial de desenvolvimento brasileiro, em termos de infraestrutura, telecomunicações, construções, energia e outros segmentos onde nosso produto é uma ótima solução.”

É importante lembrar que o padrão Z-Wave, criado na Dinamarca e hoje utilizado por cerca de 160 empresas em todo o mundo, tem um forte concorrente: o padrão Zigbee, também utilizado no Brasil. Ambos são defendidos por alianças de fabricantes, e ambos têm seus defensores ardorosos. As estatísticas atuais favorecem o Z-Wave, pelo menos no mercado americano. No Brasil, o fato de haver uma empresa atuando fortemente para promovê-lo também é um diferencial importante (vejam aqui).

Os dois são protocolos de comunicação sem fio, com uma vasta gama de aplicações. No segmento de automação residencial e predial, competem lado a lado, funcionando como complemento para redes Wi-Fi e Bluetooth. Mas, segundo Sorensen, o objetivo da Z-Wave Alliance é mais amplo: “Estamos criando o único sistema que é interoperável com tudo que já existe”, disse-me ele. “Não importa se você tem um notebook Wi-Fi, uma rede Ethernet, um celular Bluetooth, os produtos Z-Wave podem ‘conversar’ com todos. A ideia é ter um ecosistema descomplicado, que o usuário possa acionar em qualquer situação.”