Caixinhas mágicas

O termo set-top box (hoje encurtado para STB) faz parte do vocabulário tecnológico há pelo menos uns dez anos. Virou genérico para definir os conversores de sinal ligados aos TVs; como hoje quase todo TV tem conversor embutido, a sigla foi adaptada para identificar várias outras caixinhas de uso comum num equipamento de áudio/vídeo. Os americanos usam STB, por exemplo, quando se referem aos receptores que transferem conteúdo da internet para o TV, serviços de sucesso hoje entre eles, como Roku, Hulu e até o Apple TV.

Mas acaba de sair por lá uma caixinha que está empolgando os experts. É a nova versão do Boxee Box, media center lançado aqui no ano passado. Agora chamado Boxee Live TV, o aparelho – que custa US$ 99 – vem com sintonizador HDTV dual (pode captar o sinal de duas emissoras ao mesmo tempo); entrada para antena ou conector de TV a cabo; guia próprio de programação; uma série de aplicativos já integrados (Netflix, Vimeo e Vudu entre eles); e até gravador DVR. Melhor ainda: o gravador funciona em nuvem, ou seja, todos os conteúdos gravados ficam salvos no servidor da D-Link (fabricante do aparelho) e podem ser acessados a partir de qualquer navegador de internet, mesmo sem o Boxee Live TV. Portanto, não há limite de memória para armazenar as gravações.

Tudo isso custa 14 dólares por mês, o que é considerado nos EUA um preço razoável – aqui, seria uma pechincha. Bem, não estou fazendo propaganda do produto, embora possa parecer. No Brasil, um aparelho cujo funcionamento depende fundamentalmente da banda larga é sempre investimento de risco. E também não sou muito chegado a essa história de nuvem. Uma jornalista da revista Electronic House, por exemplo, perguntou: o que acontecerá com meus arquivos salvos na nuvem se a empresa sair do mercado? Bem lembrado. Quem gosta de salvar seus arquivos – de música, vídeo, fotos etc. – dificilmente vai querer mantê-los num servidor remoto; no mínimo, os manterá em backup bem guardadinhos em casa.

De qualquer modo, o lançamento do Boxee Live TV é mais um exemplo da transformação que estamos vendo no mercado de áudio e vídeo. Saem os conteúdos lineares, cujos formatos e horários são decididos pela emissora ou operadora, e entram os serviços OTT (over-the-top), que na prática representam o fim da STB.

Aguardem os próximos capítulos. Enquanto isso, leiam este artigo, muito oportuno a respeito.

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